Desvendando Mistérios
4 Capítulo 4 - Passado Atormentado
Notas iniciais
Saori e Hyoga desembarcaram no aeroporto e foram encaminhados para um hotel de luxo da compainha Graad. Já haviam entrado em contato com Shunrei e iriam encontrá — la em um almoço, Shiryu se juntaria ao grupo depois já no apartamento do casal. Enquanto aguardavam no hotel aproveitavam para escolher os detalhes da cerimônia de casamento que aconteceria assim que eles voltassem para o Japão. A cerimônia seria restrita a apenas 50 convidados, a cerimônia em si era apenas para provar que ela estava cumprindo a cláusula do testamento, pela herdeira da fundação não haveria necessidade de algo assim para provar que ela era alguém responsável e digna dos bens do finado avô.
Sorte que Hyoga havia aceitado tudo numa boa desde o início, o que poupou muito esforço dela. Ela olhava o catálogo de vestidos de noiva que um estilista famoso havia enviado, acabou escolhendo um modelo mais sofisticado e entregou o catálogo a secretária do estilista que havia viajado até ali para atendê — la. Resolveu sair a procura de Hyoga e o encontrou na sala com o telefone na mão:
—Já decidi quase tudo. — Ela falou chamado atenção dele.
—Estava entrando em contato com o empresário da minha mãe, por sorte hoje ela estava em casa. Diz ela que vai participar da cerimônia.
—Creio que ela não perderia isso por nada.
—Nessa correria toda até esquecemos de nós dois. — Hyoga se aproximou e a abraçou.
—Tem razão. Logo vai dar a hora de irmos encontrar a Rei, o que acha de passarmos na empresa para buscá — la?
—Com certeza ela terá uma surpresa.
—*-
Shunrei se concentrava em alguns artigos que tinha recebido quando o som da porta se abrindo chamou sua atenção, pois ninguém havia sido anunciado. Sua surpresa foi enorme ao ver Saori de pé a sua frente:
—Quero o relatório de tudo que anda fazendo nesses últimos dias longe de mim. — Brincou Saori.
—Desculpe Senhorita, só tenho feito revisões até agora. — Ela sorriu e se levantou para ir abraçar a amiga que retribuiu o abraço.
—Olha quem eu trouxe comigo. — Saori apontou para porta onde Hyoga surgiu com um enorme sorriso.
—Oi. — Ele acenou para Shunrei.
—Pato! — Shunrei se aproximou e o abraçou. — Olha que quase eu fui até aquela geladeira onde você morava pra te dar alguns cascudos, onde já se viu fazer a namorada chorar. — Shunrei fingiu estar brava.
—Opa! Se acalme chaveirinho, esta tudo bem agora.
—Chaveirinho? Quem você esta chamado de chaveirinho?
—Você que não cresceu nada desde que cada um foi para um canto.
— E a sua cara de pato também não mudou nada. — Ela fingiu estar emburrada fazendo o casal gargalhar.
—Ei vocês dois, vamos parar com os elogios? — Saori pediu entre risos.
—Certo. Mas o que vocês dois fazem aqui tão cedo? Não iriamos nos encontrar no restaurante? — Perguntou Shunrei.
—Sim, mas estávamos entediados e resolvemos vir logo pra te sequestrar e claro, tomar posse daquele apartamento aconchegante onde esta morando. — Saori falou agarrando um braço de Shunrei e a levando para fora da sala.
—Espera Sá, tenho que pegar minha bolsa.
—Hyoga, pega a bolsa dela para nós irmos no carro novo dela. — Saori piscou um olho.
—Mas eu nem tenho carro. — Questionou Shunrei.
—Agora tem. Presentinho de casamento meu e do Hyoga para você.
—Como assim?
—Nós pensamos no que seria bom para você e o Shiryu, o que ajudaria vocês dois no dia a dia, então optamos por um carro. — Respondeu Hyoga colocando a bolsa de Shunrei no ombro e se juntando a Saori no abraço a Shunrei.
—Nossa, então nem vai chegar aos pés do meu humilde presentinho.
—Você sempre soube me agradar com seus presentes. — Saori abraçou a amiga.
—Meninas, eu não sei vocês, mas estou com uma fome. — Hyoga reclamou
—Vamos comer então.
Almoçaram tranquilamente enquanto conversavam sobre coisas banais do dia a dia. Após o almoço decidiram ir ao mercado para comprar algumas coisas para o lanche e o jantar, pareciam um trio de amigos tranquilos e sem muitas preocupações. Riam e brincavam chamando a atenção por onde passavam, aliás os três já chamavam atenção por si só, juntos então não seria estranho ver as pessoas parando para olhá — los.
Com o carro guiado por Hyoga que seguia as instruções de Shunrei, eles chegaram ao prédio onde ela morava, onde deixaram o carro na garagem do prédio e seguiram para o apartamento. Ao entrar Hyoga se jogou no sofá alegando estar cansado do fuso horário. Shunrei e Saori seguiram para a cozinha para arrumar as compras:
—O apartamento ficou melhor que eu pensava. — Saori falou tirando as compras das sacolas.
—Eu também gostei bastante. O Shiryu achou exagerado, imagine só se ele desse uma olhada no meu. — Shunrei falou guardando as coisas que Saori a entregava.
—Ele teria um treco. Mas mudando de assunto, seu tio te procurou?
—Não sei, eu mudei todos os meus contatos para que ele não me achasse.
—Hum...tenho uma má notícia para te dar. — Saori foi até a bolsa que estava no aparador na entrada do apartamento e pegou o envelope que havia recebido. — Recebi isso aqui enquanto estava na Sibéria.
Shunrei pegou o envelope e abriu para ver o conteúdo, ela leu a mensagem e olhou a foto onde ela e Shiryu estavam distraídos comendo. Ela sorriu de canto e colocou o conteúdo sobre a ilha no meio da cozinha:
—Ele sempre tem alguém para vigiar os meus passos. — Shunrei confessou.
—Já contou ao Shiryu sobre isso?
—Não. Não queria envolver ele nisso.
—Mas ele esta em risco, você deveria contar a ele.
—Eu só queria viver feliz por um tempo com ele, não é preciso muito tempo, sabe?
—Quanto tempo você precisa?
—Se eu conseguir por pelo menos dois anos acho que vai ser um feito muito grande.
—Eu vou te dar esse tempo, mas acho que você terá de ir a presença do seu tio para pedir isso a ele, não é mesmo?
—Sim.
—Acho que após meu casamento eu venho te auxiliar com isso, consegue esperar até o fim do mês sozinha?
—Shiryu é um homem forte, ele consegue se manter. Porém cismado do jeito que é, vai querer saber a origem das perseguições e ataques.
—Nesse caso não seria melhor você contar?
—Sá, como eu vou contar para o meu marido que eu não deveria ter casado com ele e sim quietado para servir de fantoche para o meu tio e o filho dele que eu nunca sequer vi na vida?
—Que tal ao menos contar a parte do tio?
—Sá, eu conheço o Shiryu, para me defender ele faria qualquer coisa inclusive se meter com o meu tio, e eu realmente não quero isso.
—Sobre o que estão falando? — Perguntou Shiryu a porta da cozinha com uma sacola na mão que ele estendeu a direção de Shunrei. — Sorvete de pistache.
—Ah sério que você achou pra mim? — Shunrei disse com os olhos brilhantes se aproximando do marido.
—Por você eu realmente faço qualquer coisa. — ele a abraçou. — O que aquele pato faz dormindo no meu sofá?
—Problemas com fuso horário. — Respondeu Saori.
—Sempre frouxo mesmo. Como foi o almoço? — Perguntou Shiryu guardando o sorvete na geladeira.
—Foi bom. Trouxemos comida para você, imaginei que chegaria cedo hoje. — Respondeu Shunrei.
—Esta vendo Sá como minha esposa é dedicada.
—Ela esta me surpreendendo Shiryu, quem diria que a nossa Shunrei doida se tornaria uma boa esposa, só você mesmo para colocá — la na linha.
—Sabe como é que é, alguém tem que colocar juízo nessa cabeça oca. — Ele brincou.
—Ei, como vocês podem falar mal de mim assim? — Shunrei reclamou fingindo estar emburrada.
—Melhor falar na sua frente do que na suas costas. — Respondeu Saori. — Hein, eu tenho uma coisa para pedir para vocês dois.
—Diga. — Falou Shiryu aconchegando Shunrei em seus braços, assim que ela se aproximou dele.
—Queria pedir para vocês dois serem meus padrinhos de casamento.
—Bem que você disse Rei. — Shiryu olhou para esposa que sorriu.
—É meio que óbvio que seriam vocês dois, por isso, quando eu viajar vocês vem comigo e com o Hyoga. Se bem que eu acho que vocês deveriam vir morar no Japão, de preferência em uma casa em frente a minha.
—Mas não mesmo, vamos ficar quietinhos aqui, não é Shyu? — Shunrei falou para o marido que lhe beijou a fonte.
—Mas é claro. Vamos ficar quietos aqui. — Ele respondeu com um sorriso.
Naquela mesma semana o grupo viajou para o Japão onde aconteceria o casamento de Saori e Hyoga. Shiryu e Shunrei participaram da cerimônia como padrinhos do casal, e logo após a recepção do casamento decidiram sair dali para irem descansar um pouco longe de toda aquela correria que foi o casamento.
Ao chegar no prédio em que morava, Shunrei foi olhar sua caixa de correio e se surpreendeu ao encontrar vários envelopes pretos, lacrados com um símbolo vermelho que ela conhecia muito bem:
—Nossa Rei, pra que tantas correspondências? — Perguntou o moreno observando a esposa separar os envelopes.
—É mais uma coisa que tenho que te contar e mais uma coisa que tenho que resolver antes que seja tarde. Vamos subir, que eu te conto tudo. — Ela arrumou as correspondências e o guiou até o elevador com um semblante preocupado.
Subiram e entraram no espaçoso apartamento de Shunrei, a mesma havia esquecido que ainda havia coisas que o Shaka havia trazido para montar seu canto de meditação, e o susto foi grande ao ver que o tapete e a estátua de buda estavam impecáveis, assim como a casa. Desconfiada ela entrou no local e olhou ao redor, até que um jovem rapaz de longos cabelos dourados, com fisionomia arrogante surgiu saído de um dos cômodos internos:
—Olha se não é mesmo o Onix mais perfeito que resolveu aparecer. Sabe a quanto tempo estou aqui a sua espera? — O homem falou num tom de ironia.
—Ora Mysty, como se apossa da casa dos outros dessa maneira? — Shunrei falou levemente irritada. — O que o traz aqui?
—Não vai me apresentar o gato primeiro? — Perguntou Mysty olhando para Shiryu da cabeça aos pés.
—Esse é o meu marido Shiryu, Shiryu este é Mysty, um colega de trabalho. — A morena apresentou entre os dentes. — E agora, vai me dizer o que faz aqui ou não?
—Você tem quinze dias para se apresentar ou as consequências. — Ele falou a última parte cantando.
—O que esse cara esta dizendo Shunrei? — Shiryu perguntou percebendo o quanto a esposa se encontrava irritada pela presença do outro homem.
—Eu vou te contar Shiryu. — Ela se aproximou de Mysty e o encarou. — Agora desapareça daqui.
—Certo, certo. Eu vou falar com o chefe que você esta bem, de qualquer forma eu só precisava colocar os olhos em você. Tchauzinho.
Ele pegou uma mochila cheia de equipamentos e passou pelo casal indo a direção da porta, desaparecendo em seguida. Shiryu olhava para Shunrei que tinha um olhar que ele nunca havia visto desde que a conheceu na infância. Naquela última ordem que ela havia dado aquele desconhecido havia bem mais que ele poderia imaginar. A mulher a sua frente não era a Shunrei que ele havia se casado, mas provavelmente a espiã assassina criada pela máfia do dinheiro:
—Rei. — Ele a chamou na esperança de tê — la de volta.
—Desculpe por isso, eu realmente não pensei que ele chegaria a enviar alguém pra cá. — Ela sentou no sofá. — Ele é um dos funcionários do meu tio.
— Como ele entrou aqui? — Shiryu sentiu — se aliviado por ver a sua esposa novamente em si.
—Pela varanda, com certeza.
—Como assim? — Ele se aproximou e se ajoelhou a frente dela.
—Ele além de espião é assassino profissional, nunca iria se arriscar a entrar pela porta da frente. Enfim, deixa eu te explicar, meu maior problema para sair do submundo é o meu tio, eu tenho obrigações com ele por ele ter me salvado daquele ser que diz ser minha mãe. É normal na família que aqueles que estão na raiz secundária zelem pelo bem da família principal, eu sou a única da família secundária, pelo menos a única que esta viva.
—Entendido até aí, mas isso quer dizer que você vai ter que ser fantoche deles até quando você morrer?
—Exatamente. Inclusive meus descendentes.
—Mas nunca mesmo que meus filhos vão fazer parte disso. — Ele falou bravo.
—Existe uma exceção.
—Qual?
—Eu me casar com alguém da família principal. Se bem que isso é impossível pra mim agora. — Ela sorriu sem graça.
—Mas antes de qualquer coisa eu tenho que encontrar o meu tio e zelar pela sua segurança, não quero que se envolva nisso e devo pedir isso a ele pessoalmente.
—Não seja por isso, eu te acompanho. Onde ele mora?
—Essa é a questão Shiryu, você não pode vir comigo. Já foi um erro o Mysty ter nos encontrado juntos aqui. Se bem que eles já sabem que estou casada com você.
—Até quando iria me esconder isso?
—Não queria esconder, até porque estou te contando agora.
—Quando você vai ver o seu tio?
—Assim que você estiver em segurança na China, de preferência na casa do meu avô.
—Como assim Shunrei? Você acha mesmo que eu tenho que me esconder dessa situação? Eu sou seu marido, prometi que a protegeria com a minha vida.
—Pare Shiryu, você não esta entendendo como as coisas funcionam aqui. Eu estou fazendo isso para o nosso bem, se você me ama como diz, você vai ter que deixar eu correr o risco de chegar até meu tio. Só que tem mais uma coisa.
—Que seria?
—Ele pode realmente estar bravo comigo por ter me casado, uma das exigências dele era que eu não me casasse, então pode acontecer de que ele me castigue mais severamente.
—Olha Shunrei, eu realmente não estou gostando dos rumos dessa conversa. Eu não me casei para ficar viúvo e muito menos para me separar de você, eu não vou deixar você ir até o seu tio. Se eles vão te perseguir ou me perseguir não interessa, matar eu sei que não vão conseguir então o que custa você ficar bem aqui comigo? Será que dá para de alguma forma você esquecer tudo aquilo que viveu e começar comigo? É tão difícil assim?
—Tem razão, não pode ser tão difícil assim.
Shunrei sorriu e abraçou o marido. Ela realmente sentia — se feliz por ter alguém como o Shiryu do seu lado, mas era egoísta demais mantê — lo no escuro, porém se ele soubesse mais, ele correria muitos risco e para defendê — lo, ela decidiu confrontar o tio para garantir a segurança do marido e para pedir um prazo para que seu casamento pudesse durar um pouco mais. Ela sabia que só assim poderia acalmar o coração do moreno que estava em seus braços e de seus amigos Saori e Hyoga.
—*-
Shiryu e Shunrei haviam voltado para casa e já tinham um mês de casados. Saori e Hyoga estavam no apartamento do casal passando a última semana de lua de mel deles junto dos amigos de infância. Era cedo e Shunrei havia ido à rua para comprar pão fresco enquanto Saori a aguardava. De repente a morena entrou apressada na cozinha onde a amiga estava:
—Sá, só você pode me salvar agora. — Shunrei tinha um tom desesperado.
—O que houve Shunrei? Você esta pálida. — Perguntou Saori preocupada.
—Eu vou ter que ir, avise ao Shiryu que eu farei o possível para voltar. — A morena falou seguindo para porta de saída sendo seguida por Saori.
—Como assim? Pra onde você vai? O que vou falar para o Shiryu? Shunrei! — Saori seguiu a amiga que descia pelas escadas de emergência.
—Vou resolver problemas de família. Diga ao Shiryu que eu o amo.
Shunrei pulou os últimos dois lances de escadas e entrou em um carro preto que já a esperava ligado. O carro saiu a toda velocidade deixando apenas uma nuvem de poeira para trás. Saori voltou para o apartamento correndo, onde encontrou Hyoga de pé com um semblante preocupado:
—O que houve Saori? Por que esta desesperada assim? — O loiro perguntou vendo o desespero no olhar da esposa.
—A Shunrei foi levada. — Ela respondeu tentando recuperar o fôlego.
—Levada como? Ela foi sequestrada?
—O que? A Rei foi sequestrada? — Perguntou Shiryu entrando na sala.
—Ela saiu levando uma mochila, disse que te ama e que voltaria.
—Droga! Eu pedi pra ela ficar longe disso. — Shiryu socou a parede que estava ao seu lado. — Eu disse que a protegeria.
—Calma, eu vou entrar em contato com uma equipe de seguranças para localizá -la. — Saori correu até o telefone para realizar uma chamada.
—Acalme — se Shiryu, confie na Saori, ela vai localizar a Rei. — Falou Hyoga tentando acalmar o amigo.
—Eu tenho medo de não vê — la nunca mais...medo dela ser torturada e morta em algum lugar que eu não possa alcançá -la…
—Eu não deixei ela morrer quando vocês se retiraram para o treinamento, não vai ser agora que vou deixar algo ocorrer. — Saori falou decidida. — Vamos torcer para ser o tio dela, assim teremos certeza de que ela vai estar viva.
—E se não for? — Hyoga perguntou.
—Se não for, teremos de rezar.
—Saori, me conte o que a Rei faz de tão grave. — Shiryu pediu. — Só você pode me dizer.
—Dinheiro, armas, drogas, influência política. É uma máfia, Shiryu e ela é herdeira de tudo isso. — Saori suspirou. — A mãe dela é herdeira de uma vertente da máfia, o pai dela herdeiro de uma família podre da Grécia...A Rei carrega uma responsabilidade nos ombros que não deveria ser dela, mas que ela não pode se livrar, acredito que nem depois da morte...Admito, que por mim ela não teria se casado com você e te colocado em risco.
—Mas se a mãe dela faz parte da máfia, isso quer dizer que o meu mestre…
—Não, a mãe dela se corrompeu porque quis. O seu mestre e o tio paterno a salvaram da mãe que queria matá — la depois que ela se rebelou contra seus planos.
—Se eu soubesse disso, nem eu queria estar próximo dela. — Hyoga comentou.
—Esse é o problema Hyoga, se não fosse por nós três aqui, a Rei não estaria mais nesse mundo, ou ela teria sido morta ou tirado a própria vida. Nós sabemos que ela é uma boa pessoa e não merece passar por isso...o meu maior sonho é vê — la longe dessa sujeira.
—Há algo mais que eu devo saber? — Shiryu perguntou sério.
—Em missão ela matou duas pessoas e já fez coisas para se manter que tenho certeza de que ela não se orgulharia. Quando a contratei, ela estava no fundo do poço...ela estava fugindo do tio por algum motivo que não sei dizer. — Lágrimas se formaram nos olhos de Saori. — Eu a encontrei num estado deplorável, morando em um local abandonado, com pessoas duvidosas. Ela parecia não comer a dias, mas mesmo assim ela não havia perdido aquele ar amável e inocente que tinha quando nos conhecemos. Foi a segunda vez que a salvei da morte iminente, pois pouco depois o local onde ela estava foi explodido.
—Afinal, o que posso fazer por ela? — Shiryu estava irritado. — Eu disse que iria protegê-la, mas ela simplesmente saiu correndo sem falar nada. Diz que quer me proteger, mas eu que deveria estar protegendo ela.
—Ela o ama e esta fazendo o possível para ser a esposa que ela sempre sonhou em ser para você, Shiryu, a Rei sempre sonhou em ser sua esposa e ter filhos seus. — Saori confessou. — Ela não queria a vida que teve quando estava longe de você, ela quer uma vida normal e feliz. Dê isso a ela, por favor, eu te imploro.
Shiryu achava que a esposa estava exagerando quando dizia que havia passado por momentos difíceis, mas ouvir isso de Saori havia feito ele sentir — se mal por ter duvidado. Por esse motivo ele a protegeria com a sua vida se fosse necessário:
—Eu prometo fazer a Rei feliz. — Shiryu prometeu.
—*-
Shunrei havia sido levada até a cobertura de um prédio onde um helicóptero a aguardava. Ela embarcou no veículo e depois de algumas horas de vôo eles pousaram no jardim de uma enorme mansão, que ela conhecia bem. Ela foi guiada até o escritório onde o homem a aguardava:
—Por que não me respondeu no tempo estabelecido? — O homem mais velho de longos cabelos azuis perguntou calmamente.
—O senhor deve saber que me casei, não tenho mais tempo para esse tipo de coisa. — Ela respondeu.
—Você não vai poder manter esse casamento.
—Era sobre isso que eu gostaria de conversar. Me dê ao menos um tempo, deixe eu fazer o Shiryu feliz pelo esforço que ele esta fazendo para me proteger.
—Você se parece demais com o seu pai. — Ele suspirou. — Eu posso deixar você brincar um pouco, mas logo chegará o momento de você cumprir seu dever.
—Sim, eu sei.
—De qualquer forma eu vou precisar de sua ajuda. Há uma mulher atrás de meu filho querendo usá — lo para conseguir influência em negócios com empresas bélicas, quero que a tire do caminho, mas não quero que se identifique ainda.
—Como o farei?
—Da maneira que achar melhor, desde que cumpra o acordo de não se identificar para o meu filho. Vocês vão se conhecer quando eu achar que esta na hora de vocês se casarem.
—Mas…
—Dois anos é o suficiente para você enjoar dessa brincadeira? — Ele sorriu. — Se bem que depois que você conhecer o Miro, acho que não vai mais querer continuar.
—Dois anos é o máximo que pode me dar?
—Sim. Ele já esta amadurecendo, e a idéia de se casar e ter uma família já esta começando a aparecer naquela cabeça de vento dele. Ainda bem que você nunca me deu esse tipo de problema, apesar que resolveu se casar com outra pessoa. Foi por pena?
—Não.
—Você é incapaz de amar outra pessoa que não seja alguém com o mesmo sangue que o seu, não adianta mentir.
—Vou te pedir uma coisa já que deseja tanto me ver livre do Shiryu. — Ela se aproximou da luxuosa mesa de mogno onde seu tio estava sentado atrás em uma poltrona de madeira revestida em veludo vinho, e sentou em cima da mesa de frente para ele. — Há uma menina com o mesmo nome que eu vivendo com o meu avô naquele fim de mundo, ela nutre sentimentos por Shiryu, preciso de alguém para instruí — la.
—Já entendi, vou arrumar uma amiguinha para ela.
—Pra onde eu vou?
—Fique feliz, você acabou de ganhar férias para uma das paisagens paradisíacas do Brasil. — Ele pegou a passagem e exibiu para ela com um largo sorriso.
—Menos tio, é sério mesmo que seu filho tinha que ir pra lá?
—Miro investiu em uma empresa por lá e agora não quer voltar para casa. — O homem tinha um tom cansado. — Gostaria que ele me desse menos trabalho.
—E a mulher que esta com ele?
—Cientista. Sônia é o nome dela. Até agora não sei o que ele viu nela, você é uma deusa perto dela. Uma observação, ela é filha de uma amiga da minha esposa.
—Ela seria uma melhor esposa para ele do que eu. — Shunrei deu de ombros.
—Jamais! Ela é uma plebéia e é sem graça, baixinha e emburrada. Não gosto dela.
—Assim você parece uma criança. — Shunrei sorriu para o tio.
—Creio que nunca deixarei de ser. — Ele abriu os braços a convidando para um abraço e Shunrei se jogou nos braços do tio. — Sabe pequena você me deixa preocupado com suas precipitações.
—Eu já tenho tudo certo, fique tranquilo, e obrigada por me dar esse tempinho.
—Seu avô fez o mesmo por mim e por seu pai, por que eu não faria por você e pelo meu filho?
—Obrigada mais uma vez. — Ela o abraçou mais uma vez e saiu para ir até seu destino.
—*-
Shunrei estava em uma boate, a música alta e as luzes tomavam conta o ambiente cheio. Pelas informações que tinha a mulher que estava com o filho de seu tio havia viajado para outro canto e ele estava naquela boate com alguns amigos. Ela usava uma saia de couro curta e botas até o joelho, uma jaqueta de couro ocultava a blusa branca que deixava a barriga à mostra. para não ser reconhecida ela havia optado por usar uma peruca longa ruiva e lentes de contato verdes. Sorriu ao perceber que já chamava atenção de alguns grupos ali.
Encostou no balcão e procurou a sua presa e logo o encontrou na pista de dança se esfregando em uma loira, que fazia questão de deixar ele tocá — la como quisesse. Sentiu um pouco de repulsa, sério mesmo que aquele cara seria seu marido? Nem em sonhos ela imaginava Shiryu fazer algo daquela maneira até porque se ele fizesse ela não suportaria.
Ela pediu uma bebida e enquanto aguardava, olhava Miro ao longe. Mesmo com as mãos na mulher com quem ele dançava, Shunrei havia percebido os olhares dele sobre si. Miro havia puxado toda a beleza do pai, claro que com um toque mais másculo e jovial. Os cabelos longos e cacheados grudavam no rosto dele realçando aqueles intensos olhos azuis, e os traços fortes de seu rosto. O corpo era o de um deus grego, não havia no que colocar defeito.
A bebida foi entregue e ao tomar o primeiro gole Shunrei sentiu sua cintura ser envolvida por mãos fortes:
—Se eu não tivesse montado esse disfarce eu não te reconheceria. — O homem de longos cabelos azuis claro falou ao ouvido dela.
—Fiquei bem? — Ela se virou e abraçou o amigo.
—Já chamou a atenção do escorpião então esta tudo ótimo. — Ele piscou pra ela. — Devo te apresentar a mesa pra te poupar trabalho?
—Só depois que dançar comigo. — Ela enlaçou o pescoço do amigo.
—Ai Shunrei, digo Isabelle, só você pra me fazer esse tipo de coisas. — Ele sorriu para ela.
—Mas você me ama Dite.
—Olha que eu vou começar a acreditar nisso.
Afrodite era amigo de Shunrei desde que ela fora viver sobre os cuidados do tio, além de trabalhar para a família de Saga ele era assistente pessoal dela quando ela estava a serviço do tio. Ele sabia que Shunrei não poderia ser reconhecida e por isso a ajudou com o disfarce, e a ajudaria a cumprir a missão o mais rápido possível para que pudesse voltar para casa.
Ele a arrastou até a pista de dança e ficaram próximos de Miro para que Shunrei pudesse fazer a sua parte. Não foi difícil Shunrei se destacar, ela dançava muito bem e Afrodite cumpria seu papel junto com ela. Miro a olhava com um desejo intenso e ela sabia disso. A música acabou e ela voltou para o balcão junto de Afrodite:
—Esta quase. — Ele sussurrou no ouvido dela.
—Sim, que tal eu finalizar isso logo?
—Você deveria se divertir mais, ficou muito chata depois que se casou.
—Talvez porque o meu marido seja um chato. — Ela sorriu e esticou a mão para ele que entendeu e chamou o barman.
As luzes são direcionadas para o balcão do bar e lá estava Shunrei, dançando sensualmente enquanto usava algumas garrafas para fazer malabarismo. Ao fim da música todos vibraram e ela desceu do balcão com a ajuda de Afrodite que a levou até a mesa onde Miro estava com alguns amigos:
—Ae bando de macho fedorento, trouxe a minha amiga Isabelle para vocês babarem. — Anunciou Afrodite.
—Opa! Cheguem pra lá e dêem espaço para essa rainha se acomodar. — Falou Carlo sem tirar os olhos de Shunrei.
—Acho que esse título não cai bem em mim. — Falou Shunrei se acomodando ao lado de Kamus, melhor amigo de Miro segundo pesquisas.
—Melhor do que você possa imaginar. — Ele falou seriamente fazendo Shunrei se preocupar um pouco, pois o que Miro não tinha de percepção Kamus tinha de sobra.
—Acho que não me conhece o suficiente pra dizer esse tipo de coisa. — Ela tomou o copo da mão dele e sorveu um pouco do whisky que ele bebia.
—Ah não, pode parar! — Reclamou Carlo. — Hoje é o dia dos não pega ninguém?
—Não se depender de mim. — Miro jogou a loira que estava em seu colo pro lado e trocou de lugar com Kamus. — Vi você dançar, estava linda.
—Que bom que gostou. — Ela o ignorou pegando a bebida que Afrodite lhe oferecia.
—Ei, eu estou falando com você. — Ele puxou o rosto dela delicadamente fazendo os olhos se encontrarem.
Shunrei se perdeu por alguns segundos naqueles olhos tão intensos e tão acolhedores. A mão dele em seu rosto era quente e acolhedora assim como a do seu tio. Sorriu ao se lembrar disso e ao voltar em si pode ver um Miro perdido em seu sorriso, mas logo ele sorriu também:
—O que você quer? — Ela perguntou ainda sorrindo.
—Dança comigo?
—O que esta esperando? — Ela se levantou e foi andando para pista de dança sendo seguida por Miro que a segurava pela cintura.
—Espero que consiga o que estão querendo, pois parece ser bem importante para trazerem a princesa até o príncipe… — falou Kamus para Afrodite.
—Só não vá estragar tudo. — Pediu Afrodite observando o casal na pista de dança.
—Eu que mais quero que isso se resolva logo. Mas enfim, qual é o objetivo?
—Sônia.
—Tem todo meu apoio.
Miro e Shunrei dançaram várias músicas. Shunrei se sentia viva, animada, o coração batia descompassado como se estivesse na melhor das aventuras. Eles riam, brincavam e voltavam a dançar como se houvesse necessidade daquele contato. Uma música lenta começou a tocar, ele a puxou para si e enlaçou sua cintura enquanto ela descansou a cabeça no ombro dele:
—Cansou? — ele perguntou próximo ao ouvido dela.
—Admito que sim. — Ela levantou a cabeça e encontrou os olhos dele.
—Acho que você perdeu uma lente de contato. — Ele sorriu fazendo ela cair na gargalhada, talvez já fosse o efeito do álcool.
—É sério?
—Bem,antes você tinha os dois olhos verdes, agora tem um… — ele aproximou o rosto dela para olhar melhor. — Azul cobalto?
—Sim, são azuis.
—Vem. — Ele segurou a mão dela e a puxou para fora da pista de dança a levando a direção da saída.
Miro pediu para o manobrista trazer seu carro e enquanto seu carro não chegava ele direcionou a atenção para Shunrei:
—Quer que eu a leve para casa?
—Não. É muito longe daqui. — Ela riu fazendo Miro rir também.
—E pra onde quer ir?
—Pra onde esta indo?
—Eu estava pensando em te deixar em casa e depois eu voltaria pra tomar uma saideira. — Ele falou sincero.
—Nossa, muito cavalheiro você.
—Bem, então pelo jeito a saideira vai ter que ser com você. — Ele abriu a porta do carro que havia chegado. — Entre.
Ela o obedeceu e em seguida ele toma a direção do veículo, saindo da boate onde estavam e pegando as vias desertas da cidade. Fizeram uma viagem silenciosa até ele entrar na garagem de um prédio:
—Espero que não se importe com a bagunça.- Ele sorriu de canto.
—Já estou acostumada. — Ela sorriu de volta.
Os dois saíram do carro e ele pegou novamente a mão dela e a guiou até o elevador:
—Hein, eu acho que não dá pra se perder no elevador. — Brincou Shunrei.
—Olha que dá. — Ele a encostou na parede do elevador, a imprensou com o seu corpo e a beijou no pescoço tirando um leve gemido dela.
—É...eu acho que dá. — Ela respondeu com um sedutor sorriso.
O elevador parou no corredor do apartamento de Miro, que mais uma vez tomou sua mão para guiá -la. Era óbvio que o clima entre os dois estava cada vez mais quente, e o controle estava cada vez mais difícil de se manter, era como se atraíssem. Mas Shunrei não conseguia entender o que estava acontecendo com ela, era parecido com o que ela sentia por seu marido, mas não chegava nem perto e o que eles tinham feito além de apenas dançar? Nada.
Observou ele voltar com duas taças de vinho:
—Vai me contar sobre você? — Ele entregou uma taça a ela.
—Acredite, você não gostaria de ouvir sobre a minha vida chata. — Ela sorriu.
—E eu sou interessante?
—Acho que é, me arrastou para o seu apartamento, isso é um grande feito.
—Não costuma fazer isso?
—Só relacionamentos sérios e chatos.
—Que bom que eu te trouxe aqui hoje então porque podemos compartilhar experiência. — Ele brincou fazendo ela rir.
—Olha, tenho que admitir, tem um bom tempo que não conheço um cara divertido como você. Afrodite estava escondendo o ouro.
—Depois eu me vejo com ele sobre isso. Se eu soubesse que ele tinha uma amiga tão interessante assim…
—Assim…
Ele deixou a taça com vinho de lado e se aproximou dela. Ele puxou o queixo dela delicadamente e a beijou. Aquele foi o fim do controle para ambos. O beijo antes calmo e tranquilo se tornou algo selvagem e urgente. As mãos dele passeavam pelo corpo dela por cima da roupa, ela sentou no colo dele e o ajudou a se livrar da camisa que usava. Ele a apalpava com vontade enquanto a beijava com necessidade.
Ele nunca havia se sentido daquela maneira com uma mulher, e aquela Isabelle ou qual fosse o nome dela o estava enlouquecendo. Com o pouco contato que haviam tido ele já sentia uma excitação sem tamanho. Viu ela se afastar para depois vê — la lhe acariciando, beijos e mordidas pelo pescoço, peito e abdômen até chegar o baixo ventre, onde já era visível o volume.
O empresário estava extasiado, pela primeira vez estava enlouquecido de prazer pelos toques de uma mulher. E ele que tinha tanta experiência, não entendia o que estava sentindo com aquela desconhecida, era algo único, quase mágico, como se ela fosse a mulher certa para ele viver o resto de sua vida.
Quando a penetrou, sentiu — se completo, como se tudo encaixasse em sua vida, até então, tão vazia. Ela gemia embaixo de si e era a visão mais bela que ele havia visto em toda sua existência. A pele tão clara agora manchada pelas mordidas e chupões que havia deixado, os olhos cerrados sentido cada estocada dele, impulsionado por aquele sentimento ele a beijou novamente, chegando ao clímax junto dela.
Miro a observou abrir os olhos depois de se recuperar do orgasmo. Ela sorriu docemente e acariciou o rosto dele, dando um leve selinho em seguida, aquilo o fez querer mais, muito mais:
—Gostou? — Ela perguntou.
—Vem comigo. — Ele a pegou no colo e a levou para o quarto.
Repetiram o ato várias vezes durante aquela noite. O dia estava quase amanhecendo quando tomaram um banho juntos e foram vencidos pelo sono. Já era por volta das 14 horas quando foram acordados por gritos de uma mulher. Shunrei sabia de quem era os gritos e a voz de Afrodite só confirmava que o plano havia dado certo. Ela virou o rosto e pode ver Miro dormindo calmamente, ele havia dormido abraçado com ela.
Mais uma vez ela teria de cumprir seu papel, por mais que adorasse aquela visão, aquilo não a pertencia e ela teria de voltar a sua vida junto de seus amigos e marido. Marido, que palavra estranha havia se tornado depois daquela noite com o homem que deveria ser realmente seu marido. Viu ele se remexer e logo um par de oceanos a olhava com curiosidade, para logo depois a presenteá -la com um doce beijo:
—Bom dia Bella.
—Bom dia Miro. — Ela sorriu para ele.
Nesse momento a porta do quarto foi aberta com violência, e lá estava Sônia tentando ser contida por um Afrodite extremamente sem paciência:
—Porra Miro, achei que você tinha ido para outro lugar. — Afrodite fingiu estar bravo com o superior.
—Menos drama Dite. — Miro se levantou exibindo seu corpo talhado em músculos.
—É assim toda vez que viro as costas? Você acha vadias pra foder? Eu não sou o suficiente para você? — Gritou Sônia com muito ódio.
—Vadias, as vezes, essa aqui não é do tipo. — Ele respondeu calmamente enquanto escolhia uma roupa para usar.
—Vadia sim, ela esta com você, e você é comprometido comigo!
—Com você? — Ele a olhou com uma frieza tão grande que fez Afrodite e Shunrei se encolherem. — Você terminou comigo a uma semana atrás por que eu não quis apoiar um projeto seu, lembra? Ah, e eu também disse que eu não tinha saco pra mulher interesseira como você, agora some da minha frente.
Sônia ficou pasma com as palavras dele e saiu correndo do local. Afrodite entregou as roupas de Shunrei e a guiou para o banheiro, voltando em seguida para falar com Miro:
—Não sabia disso.
—Essa Sônia é um pé no saco que a minha mãe mandou. Ela deveria saber que essas amigas delas são todas interesseiras.
—Eu vou levar a Isabelle embora.
—Ei, por que a pressa? Afinal de contas ela passou a noite comigo ou com você?
—Miro, às vezes você é insuportável sabia? — Afrodite se aproximou dele e pegou uma gravata para ele. — Essa vai ficar boa.
—É...será que posso sair sem o risco de ser esquartejada por uma baixinha? — Perguntou Shunrei voltando para o quarto o que faz os dois homens gargalharem.
—Sim, você pode sair sem problemas. — Respondeu Miro carinhosamente.
Afrodite observou Shunrei e Miro se arrumando, não havia dúvidas que eles eram um casal predestinado. Ela poderia fazer um casal bonito com o atual marido, mas ali era tudo superficial e falso, agora com Miro era sincero e verdadeiro:
—Ei vocês dois, eu tenho mais coisas pra fazer do que ver vocês se arrumando. — Reclamou Afrodite.
—Então vem, me leva pro hotel, tenho que me trocar e mais algumas coisas pra fazer. — Pediu Shunrei.
—Hã? Eu ouvi direito você mandando no meu funcionário? — Falou um Miro Brincalhão enquanto a abraçava e beijava.
—Ele que me arrastou pra cá, vim somente visitar ele. — Ela respondeu.
—Não é culpa minha, você veio porque quis. — Reclamou Afrodite.
—Você achou mesmo que ia me deixar sozinha com nossos quinze filhos? — Ela brincou.
—Desculpa aí Dite, dessa vez eu não vou te defender. Mas enfim, de onde você veio Bella?
—Grécia. — Ela respondeu rapidamente.
—Olha só que coincidência eu também sou da Grécia. A casa principal da minha família é lá.
—Eu vivo perdida por lá, se quiser me visitar, avise so Dite eu vou encontrá -los.
—Quanto tempo vai ficar no Brasil?
Ela olhou para Afrodite que deu de ombros, pensou no tempo que aquelas marcas teriam para sumir e o tempo para poder tirar um pouco Miro da cabeça. Se fosse calcular tudo ficaria uns 6 meses, mas ela tinha que voltar, a essa hora Saori estaria movendo céus e terra para encontrá -la:
—Vou ficar até o fim do mês.
Afrodite olhou para ela incrédulo mas deixou passar, aliás ela sabia o que fazia. Depois de arrumados, o trio se dividiu e cada um foi para um canto.
Aqueles dias passaram como um sonho para Shunrei, Miro era maravilhoso assim como seu tio havia dito, ou seria apenas a maldição do sangue da família? Aquele seria seu último encontro com Miro, mas ela mesma não sabia se iria, não queria carregar mais lembranças dele consigo, aquilo era tortura demais para ela, mas tinha que cumprir seu compromisso com Shiryu até seu prazo terminar.
Ouviu batidas na porta do quarto onde estava e foi atender, encontrou Miro com um buquê de rosas e várias caixas de presentes nas mãos:
—Surpresa! — Ele falou com um encantador sorriso.
—Seu louco, o que faz aqui? — Ela abriu a porta para ele entrar.
—Algo me disse que você não iria no nosso almoço de hoje, então cancelei minhas reuniões e vou passar o dia com você até o último minuto. Ah, esse monte de coisas é pra você. — Ele estendeu o Buquê a direção dela que pegou.
—Assim você me deixa sem graça.
—Ora Bella, eu gosto de presentear as pessoas que eu gosto, então eu faço isso por você porque gosto. — Ele sentou na cama onde ela organizava a mala com os pertences. — Já estava arrumando as coisas?
—Claro, meu vôo sai hoje a noite, lembra?
—Nós vamos nos ver novamente, não é mesmo? — Ele tinha uma das caixas nas mãos.
—Sim...Nós vamos. — Ela sorriu tristemente e o abraçou. — Eu posso te pedir uma coisa? Eu sei que não vai fazer muito sentido, mas me perdoa?
—Eu não me importo com nada, não tenho nada para perdoar, você esta fazendo o que deseja e isso é o que importa. Aqui, eu pedi para fazer isso exclusivamente para você. — Ele estendeu a caixa para ela.
Ao abrir a caixa ela pode ver uma fina correntinha com o brasão da família deles. Ele não sabia que ela era sua prometida, mas de alguma forma sentia isso e ela sabia:
—Eu vou usar sempre que puder.
—Bella...Um dia eu quero saber seu nome, sua história, o seu passado, eu vou querer saber tudo sobre você.
—Na próxima vez que nos encontrarmos com certeza você irá saber.
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