Desvendando Mistérios

2 Capítulo 2 - Casamento


Notas iniciais
Uma promessa, um casamento, uma nova vida...

Aqueles dias passaram rápido para Shunrei. Ela e Shaka haviam viajado juntos e se havia algo que poderia descrever aqueles dias seria perfeição, infelizmente ele havia encerrado seu tempo com ela a deixando na província do povoado onde o avô dela morava. O avô havia a resgatado quando a mãe dela tentou matá -la após descobrir que ela havia se envolvido mais intimamente com Shiryu, destruindo assim seus planos. Pouco tempo depois, seu tio paterno a resgatou, fazendo treiná -la para iniciar seus trabalhos como membro da família secundária.

Ela entrou na pequena vila com casas anexadas as montanhas. As escadas lembravam um emaranhado de raízes e as plantações lembravam pinturas geométricas. O vento frio carregado com gotas de água da cachoeira de Rozan acariciava a pele dela e os longos cabelos negros dançavam ao redor do rosto de seu rosto.

Shunrei começou a subir as escadas que levavam até a humilde cabana onde seu avô morava. Mesmo que a família havia construído uma boa casa para ele num local próximo ao centro, com todo espaço e conforto disponíveis, ele se negava a deixar a simples cabana, ficando longe dela, apenas o período em que ele estava responsável por ela. A morena subiu as escadas olhando a paisagem, observando as crianças que brincavam à frente das simples casas e os aldeões que passavam por ela, foi por pouco tempo que viveu ali, mas sem dúvidas foi o local onde sentiu mais paz.

Ela chegou até uma pequena cabana e se aproximou a procura do velho ancião:

—Vovô! — Ela chamou.

—Se procura o mestre Ancião o mesmo esta na cachoeira. — Falou uma jovem com traços orientais e ao que parecia era mais nova que ela pouca coisa. — Posso ajudá — la com alguma coisa?

—Eu sou neta dele, creio que será uma surpresa ele me ver. Deve achar que eu fui morta pelas circunstâncias da vida. — Ela sorriu tristemente.

—Então acho que eu sei quem é você. Você deve ser a Shunrei. Herdei o seu nome por que o mestre achava que você estivesse morta.

—Imaginei isso. Finalmente eu tive algum tempo e permissão para vir vê — lo. Mas me diga, já que herdou meu nome você deve ter algum parentesco com o meu avô, não é mesmo?

—Eu fui abandonada nas montanhas quando era apenas um bebê, ele me encontrou e me criou. — Respondeu a moça gentilmente. — Aceita um chá? O mestre já deve estar voltando junto com seu discípulo.

—Posso mesmo esperá — lo aqui?

—Sim, fique a vontade, vou pegar o chá.

Assim que a moça se retirou do cômodo, Shunrei passou a olhar os objetos ali. Tudo era tão nostálgico, nada havia mudado de lugar em todos aqueles anos. Ouviu passos e logo a voz de um homem preencheu o local:

—Shunrei chegamos e estamos com fome.

Ao olhar para o recém chegado o sangue de Shunrei gelou. Junto a um velho senhor estava um jovem rapaz de longos cabelos negros, que contrastava com a pele bronzeada do sol e o corpo escultural proveniente do trabalho no cultivo do arroz. Ao perceber a presença de Shunrei, o idoso se adiantou e parou a frente da jovem que se ajoelhou na frente dele, em respeito:

—Não acredito no que os meus olhos vêem. — Ele falou estendendo uma mão para Shunrei que a beijou respeitosamente.

—Me perdoe por ficar sem vê — lo por tantos anos, eu realmente tenho muito para contar a você vovô e creio que o Shiryu gostaria de ouvir também. — Ela direcionou o olhar para o rapaz que ainda a encarava com surpresa.

—Eu gostaria de ouvir também. — Respondeu Shiryu se recuperando do choque de reencontrar a ex-namorada após tantos anos.

—*-

Shunrei havia conversado por horas com o avô, Shiryu e a Shunrei criada por seu avô. Depois de toda conversa ela pediu para descansar um pouco, logo foi guiada por Shiryu até a casa onde havia passado uma temporada da infância, pelo jeito ele também queria uma oportunidade para conversar a sós com ela. Ele parecia nervoso e não sabia como conversar, percebendo isso ela resolveu agir mais abertamente para que ele relaxasse. Se não estava sendo fácil para ela, imagine para ele:

—Eu não sabia que estava exatamente aqui, eu realmente vim aqui para ver meu avô, me desculpe o desconforto.

—Não é bem isso Shunrei. Eu sei que não havia como saber que eu estava aqui, mas é que eu não esperava te encontrar, achei que você era um passado que nunca mais voltaria.

—Eu também achei que não o encontraria mais, pra dizer a verdade, eu queria evitar te encontrar. Sabe Shiryu, eu me tornei uma pessoa sem salvação.

—Como pode dizer isso Shunrei? — Ele parou em frente a casa e abriu a porta para que ela entrasse. — Pelo que você falou você esta bem de vida, mora em um bom local, trabalha, terminou a graduação que tanto queria e... se tornou uma bela mulher. — Ele corou um pouco ao falar a última frase.

—Você não tem noção do que eu faço pra manter essa aparência. — Ela dá um sorriso sem graça e entrou na casa seguida por Shiryu. — Eu meio que tenho uma vida dupla, entrei em um mundo que dificilmente dá pra sair, fiz coisas horríveis pra pessoas mais horríveis ainda, o bom é que agora tenho a proteção da Saori, que atualmente é a responsável por meus serviços.

—O que pode ser tão horrível assim? Não imagino que a Saori tenha se envolvido com coisas ruins sendo herdeira de um império.

—Todo reino tem seu lado obscuro Shiryu, e eu estou nesse lado obscuro até mesmo para proteger a Saori. Eu sou uma espiã e posso me considerar uma assassina.

—Nossa, eu não esperava isso de você.

—Por isso eu não queria te encontrar novamente, não sou uma pessoa que pode fazer parte da vida de alguém, estou com as mãos manchadas de sangue e corrupção, eu sou uma pessoa que deve viver nas sombras.

—Pare de falar assim. — Shiryu deixou a mala dela de lado, se aproximou dela e a abraçou. — Eu a conheço bem, você não deve viver na escuridão, você é uma pessoa maravilhosa. Tenho certeza que a Saori resolveu chamar você para trabalhar para ela para te proteger também, e se eu puder fazer isso eu farei também.

—Shiryu… — Shunrei ficou pasma ao receber o abraço dele.

—Shunrei, eu sei quase tudo o que você sofreu, eu não posso deixar você sofrer mais. Você quer tentar sair dessa escuridão? Aqui a vida é simples e sem os luxos que esta acostumada, mas aqui você tem a mim e seu avô que te ama muito, se quiser mesmo sair disso fique aqui conosco.

—Eu não sei o que dizer…

—Pense um pouco, e depois você me diz se quer voltar para aquela escuridão novamente. — Ele se afastou dela e saiu da casa a deixando só.

Shunrei se encostou em uma parede ali perto e deslizou até o chão, cobrindo o rosto em seguida. Seu coração estava acelerado e seu rosto queimava, ela não acreditava no que estava acontecendo com ela, parecia que todo seu treinamento havia ido pelo ralo. Todos os sentimentos que ela havia escondido por todos aqueles anos haviam voltado com força total assim que viu Shiryu.

Shiryu transmitia a mesma segurança de antes de deixá — la no Japão. Os braços dele eram seu melhor porto seguro e a voz dele era a força que precisava para seguir em frente. Quantas vezes ele a impediu de desistir de viver, quantas vezes ele a abraçou e conteve as suas lágrimas, quantas vezes ele disse que a protegeria e a inesquecível vez que ele disse que a amava.

Lágrimas embaçaram a visão dela, mas não eram lágrimas de tristeza mas sim lágrimas de alegria, ainda havia salvação para ela. Rapidamente ela engatinhou até a mala que havia trazido consigo, abriu e pegou o aparelho celular usado exclusivamente para contato com Saori. Discou o número e logo no primeiro toque Saori a atendeu:

—Shunrei, algum problema? Você nunca usa esse aparelho restrito.- Falou Saori com um tom de preocupação.

—Nada demais, mas eu acho que você deveria ficar sabendo. Estou na China, Shaka me deixou na província onde meu avô mora hoje pela manhã, creio que ele voltou para o santuário como havia relatado, mas não é exatamente por isso que entrei em contato. — Ela falou calmamente enquanto sorria ao se lembrar de Shiryu e de seu avô.

—Shunrei não vá me dizer que quer ir atrás do Shaka, se for isso pego o primeiro vôo para China e chego aí pra lhe dar umas bofetadas. — Falou uma brava Saori.

—Não é isso. — Shunrei sorriu. — Eu encontrei o Shiryu.

—Ah sua vaca, conseguiu antes de mim.

—Sá, ele não mudou nada em todos esses anos. Ele ainda se preocupa comigo e perguntou se eu queria começar vida nova por aqui.

—Já vou providenciar a sua transferência para a nossa filial chinesa só que você vai ter que viver em Hong Kong.

—Não vejo problema nisso. Tem como arrumar alguém pra dar uma olhada no meu apartamento de vez em quando?

—Sim. Deixe seu celular ligado, vou arrumar um apartamento para você viver perto da filial a única coisa ruim é que vai ser longe do seu avô e do Shiryu.

—Não há problema, ao menos poderei vir visitá — los de vez em quando. Já que deseja manter contato comigo eu devo voltar para o hotel onde eu estava com o Shaka.

—Por quê?

—Sá, isso aqui é um paraíso porém não há nenhum indício de tecnologia por aqui, nem energia elétrica tem.

—Volte para o hotel então, mas não se afaste do Shiryu por nada, se há uma pessoa que eu acho que vai te fazer esquecer de tudo que passou, essa pessoa é ele.

—Talvez tenha razão. Já que tenho que voltar eu devo descer a montanha agora enquanto é dia, porque depois…

—Boa sorte pra você, depois te ligo para saber como esta.

—Certo, até mais.

Shunrei guarda o aparelho novamente na mala, levantou e saiu correndo a direção da porta para voltar para a cabana do avô. Ela havia deixado o sobretudo que usava na casa e agora o vestido leve branco que antes estava escondido dançava junto com os longos cabelos sobre a brisa do vento que trazia as gotas da água da lendária cachoeira de Rozan.

Por alguns segundos ela se lembrou de sua adolescência onde corria sempre contra o vento para encontrar as pessoas que amava de verdade. Ainda tinha traços da maquiagem que havia feito para acompanhar Shaka até o aeroporto, porém ele insistiu em deixá — la em segurança próximo a casa do avô.

Os olhos tinha um fino traço preto e os longos cílios naturais dela haviam recebido uma máscara para alongá — los mais. Como já era uma mulher com o rosto atraente não era necessário muito para ficar bonita, era o que todos diziam e isso a poupava de perder horas na frente do espelho. Nos lábios havia um gloss rosa, que havia optado por usar apenas para diferenciar um pouco a ocasião, mesmo a contragosto do loiro que a deixou a poucas horas.

Chegou a frente da cabana e encontrou a Shunrei, que era praticamente filha de seu avô, cuidando de uma horta. Ao ouvir os passos a Shunrei mais jovem se virou e pode ver Shiryu saindo de trás da cabana e ao ver a neta do mestre Ancião, ele parou e a morena estonteante correu até ele, pulou em seus braços e ele a abraçou. Ela sussurrou algo para ele, ambos sorriram e ele a beijou, não na cabeça ou na testa como fazia com ela, era um beijo de verdade.

Eles eram lindos juntos, pareciam uma pintura, uma escultura feita pelo mais habilidoso dos artesãos. Ela se levantou e correu para dentro da cabana passando pelo mestre Ancião, que logo percebeu o que estava acontecendo com sua amada filha. Ele andou até a entrada da casa e pode observar o casal que conversavam abraçados, pareciam felizes e completos. O senhor de idade avançada se aproximou do casal:

—Parece que se acertaram. — Falou o mestre Ancião chamando a atenção para si.

—Sim mestre, e perdoe os nossos modos. — Diz Shiryu se afastando de Shunrei e fazendo uma leve reverência.

—Não se preocupe filho, eu sei o quanto você gosta da minha neta e até onde sei, amor não se deve esconder.

—Mas como o senhor sabia de nós dois? — Perguntou Shunrei.

—Ele me contou, foi por isso que me tranquilizei ao saber que estava viva e sendo bem cuidada pelo seu tio. Shiryu é o homem perfeito para você, e olha que não estou lhe dizendo isso por ele esta aqui na minha frente. Mas só tenho um pedido para vocês dois.

—Diga mestre, o que podemos fazer pelo senhor? — Perguntou Shiryu.

—Aqui o seu treinamento já terminou, não havia motivos para você continuar por aqui mas mesmo assim você continuou comigo e com Shunrei, mas agora com a minha neta de volta não há mais nada que o prende aqui. Gostaria que você e minha neta fosse viver juntos, de preferência bem longe desse velho ancião. — O senhor sorriu para o casal. — Acho que o Shiryu entende bem o porquê desse pedido.

—Sim mestre.

—Bem, eu devo voltar para o hotel, a Saori disse que vai me transferir para filial de Hong Kong e que eu deveria manter contato até que as coisas estivessem certas e bem, aqui eu não vou conseguir manter meu celular ligado por muito tempo. — Explicou Shunrei.

—O que esta esperando Shiryu, vá arrumar suas coisas para ir com ela. — Ordenou o Mestre Ancião.

Shiryu entrou dentro da casa para arrumar suas coisas para partir com Shunrei. Esta ainda conversava com o avô:

—Prometo vir visitar mais vezes.

—Minha neta, assim que você sair daqui com o Shiryu eu gostaria que passassem um bom tempo afastados, sabe, o coração jovem cria ilusões onde não há. A minha pequena flor do campo nutre sentimentos fortes pelo Shiryu e eu não gostaria que ela sofresse por ele preferir você. Eu sei que não é sua culpa, vocês dois tem uma história juntos e era claro que o destino os unir novamente, mas vai demorar para ela entender isso.

—Entendo, mas pode ficar tranquilo que o que eu puder fazer para ela superar isso eu farei.

—Eu sei que você é uma ótima pessoa e sei que vai cooperar para que ela entenda, mas vai com calma.

—Onde ela esta?

—Em seu quarto, provavelmente chorando depois de ter visto vocês dois juntos.

—Eu vou conversar com ela. — Shunrei beijou a mão do avô e sorriu para o mesmo.

Ela entrou na simples casa a procura da Shunrei mais nova, passou por um cômodo onde Shiryu arrumava seus pertences e fez sinal para ele, que entendeu e apontou para o cômodo ao lado. Shunrei entra no local que tinha a porta fechada apenas por uma cortina e encontra a mais nova estirada na cama:

—Shunrei. — Ela chamou a atenção da mais nova que apenas segurou o choro. — Eu sei que você deve me odiar agora, mas você vai entender um dia o porquê dele estar indo embora comigo. — Ela se aproximou e sentou ao lado da cama dela, onde passou a lhe acariciar os cabelos. — No momento eu só tenho o Shiryu e ele ofereceu uma ajuda pra eu sair de uma vida obscura. Sabe Shunrei, creio que você tem mais chances de viver com ele que eu, então se você puder aguentar algum tempo antes dele abrir os olhos e ver que você é realmente a pessoa certa, eu realmente serei grata.

A Shunrei mais nova se levantou e encarou a mais velha com um ar de curiosidade:

—Por que diz isso? Esta claro que o Shiryu nunca olharia pra mim de outra forma. Sou apenas uma irmã pra ele.

—Ele é meio lerdo, mas quando tem certeza de uma coisa ele age, só te peço desculpas por ser egoísta,mas eu realmente preciso de ajuda, uma ajuda que no momento só ele pode me oferecer.

—Por que ele? Você o ama?

—Não sei te responder isso, eu nunca pude amar nada e nem a ninguém...eu fui treinada para ser assim Shunrei. Essa é a nossa diferença, você ama, você sente todos os sentimentos já eu não. — Ela abraçou a menor e a beijou na testa. — Prometo pra você que quando eu estiver bem eu te ajudarei a ficar com ele. Mas guarde segredo sobre isso, ok?

—Eu realmente não entendo o que diz, mas se é preciso que eu não fique mal para você e o Shiryu seguirem em frente, eu também prometo ficar bem.

—Realmente meu avô teve muita sorte por te achar, você é uma boa garota.

—Rei, vamos? — Chamou Shiryu de fora do quarto.

—Vamos sim. — Ela se virou para Shunrei. — Não se esqueça do que conversamos. Assim que eu estiver instalada em um apartamento meu, devo te levar para passar uns dias comigo na cidade, acho que vai gostar. — Ela sorriu.

—Não se incomode.

—Claro que vou me incomodar, você é praticamente minha irmã, ou seria tia?- Ela falou fingindo dúvida fazendo a mais nova sorri.

—É melhor você ir.

—Sim. Se cuide.

—Você também.

—*-

Mesmo pegando um transporte particular para chegar mais rápido ao hotel onde Shunrei estava hospedada, chegaram tarde da noite. Shunrei guiou Shiryu até a suíte que havia alugado, era claro o embaraço do rapaz. Era um hotel de luxo e ele esta vestido simples, pois não havia tido muito tempo para pensar, outra coisa que o deixou incomodado era o quarto que possuía apenas uma cama de casal:

—Rei, tem certeza que vamos passar a noite aqui? — Perguntou Shiryu vendo a morena desligar o telefone.

—Algum problema? — Ela havia se livrado dos saltos que usava, havia enrolado os longos cabelos em um coque frouxo e andava pela suíte arrumando alguns pertences que havia deixando ali para quando voltasse.

—É bem...tem somente uma cama de casal. — Ele falou um pouco constrangido.

—Ei! Não vai dizer que esta com vergonha de dormir comigo? Já dormimos juntos antes, lembra?

—Sim, mas agora é meio diferente.

—Por que somos adultos?

—É…

—Esta com medo de acontecer alguma coisa é? — Ela tinha um tom travesso e se aproximaou dele.

—Rei...pare com isso.

—Ah Shyu, você foi o primeiro e esta com medo disso ocorrer? Isso tudo aqui é seu.

—Assim você me deixa realmente constrangido.

—Não pense assim, mas de qualquer forma você veio comigo e o que será de nós?

—O que você deseja?

—O que você decidir pra mim esta bom.

—Então o que acha de ser minha esposa?

—Assim? Do nada?

—Não era esse o nosso acordo quando nos encontrassemos novamente?

—Bem...sim. — Ela concordou um pouco sem graça.

—Eu tenho algumas economias guardadas, acho que dá para pagar o casamento no civil, sinto não poder te dar uma cerimônia de casamento completa.

—E de que serviria isso? Não tenho nem dez pessoas para convidar.

—Duvido que não tenha, você sempre esteve rodeada de pessoas.

—As coisas não são mais assim. — Ela sentou no colo dele e ele a abraçou. — Eu me afastei de tudo, tem certo tipo de coisas que é preciso descrição.

—Sim. E quando você vai me contar o que realmente te trouxe aqui?

—Tem certeza que deseja saber disso? Olha que você pode mudar de idéia sobre mim, se bem que se isso acontecer eu não vejo problema algum.

—Você esta muito fria comigo, isso não deveria ser assim. — Ele deitou na cama e a puxou para si.

—Antes eu apenas investigava alguns casos, sem muito envolvimento, sabe? Mas aí me veio Saori com uma oferta incrível para investigar um dos empresários ligados a fundação dela, esse era o Seto Kaiba. Tive que me infiltrar em uma festa onde ele estava, por consequência do destino nós tínhamos alguns conhecidos em comum, o que gerou uma aposta: Eu tinha que conseguir conquistar ele, se conseguisse eu ganharia um carro do último modelo de uma montadora de um dos conhecidos. Bem, o jogo começou a ficar interessante e não foi difícil conseguir. No terceiro encontro casual ele me chamou para a área restrita do clube, ali começou a minha investigação. Foram três meses aguentando o insuportável Kaiba, e ele queria levar isso adiante, cismou que eu deveria ser a senhora Kaiba.

—Eu não deixaria isso acontecer nunca. Assim que eu soubesse eu iria te resgatar.

—Terminei meu trabalho com esse, e depois Saori me pediu para investigar outro cara, ele que me trouxe até aqui, ele que me apoiou na decisão de procurar o vovô e bem, ele também foi o responsável pelo nosso reencontro.

—Eu realmente não sei se agradeço ou tenho ódio dele.

—Acho que você teria mais ódio, mas deixa isso quieto. Pedi a nossa comida, deve chegar daqui a pouco, eu vou tomar um banho.

—Pode ir, se a comida chegar eu recebo.

—*-

Shunrei usava um vestido vermelho e estava sentada ao lado de Shiryu, eles aguardavam a cerimonialista terminar o discurso do casamento. Levaram uma semana para se organizarem, já tinham se mudado para um apartamento da fundação e Shiryu já havia arrumado um emprego como professor de uma escola de ensino regular. Assim que a cerimônia terminou eles foram para um restaurante comemorar. Shiryu não conseguia tirar os olhos da esposa, se existia uma mulher perfeita no quesito beleza, essa era Shunrei sentada a sua frente saboreando um prato típico do restaurante.

Os cabelos estavam presos com um adorno de flores vermelhas com alguns fios dourados, realçando o preto brilhante dos fios bem cuidados dela. Os olhos com o contorno preto realçava o azul escuro de suas íris, e a boca com um batom vermelho que a deixava como uma boneca de porcelana. Sentiu orgulho de tê — la escolhido como esposa desde que a conhecerá. Pouco importava seu passado, agora seria o seu futuro com ela, e ele espera que esse futuro fosse eterno e não apenas um período como o mestre o Ancião havia dito:

—Você esta tão linda Rei. — Ele falou pegando a mão esquerda dela e beijou a aliança dourada.

—Já é a terceira vez que me diz isso. Poderíamos ir para casa, agora como casados para enfim acabar com a sua espera, o que acha? — Ela sorriu.

—Vamos.

Não moravam muito longe daqui e logo estavam em casa.Ele a pegou no colo e a levou até o quarto, onde a deitou na cama. Desde que eles foram morar juntos ele não a havia feito sua e aquilo realmente estava o matando por dentro, até porque Shunrei era uma mulher muito atraente e sensual, não havia como não pensar em certas coisas, principalmente quando a via tão a vontade andando pela casa.

Ele tirou o terno e a camisa que usava e jogou em algum canto do quarto e se debruça sobre ela que o abraça. Ele deslizou uma mão pelas costas dela e abriu o zíper do vestido, ajudando a tirar a parte de cima da peça, revelando a peça íntima também vermelha. Ele deslizou a peça até deixá — la semi nua. Ela soltou o cabelo e deitou, o olhando nos olhos:

—Obrigado por estar comigo. — Ela falou.

—Obrigado por estar ao meu lado. — Ele agradeceu e a beijou, iniciando as carícias pelo corpo dela. — Eu te amo. — Ele sussurrou no ouvido dela.

— Eu também. -Ela respondeu, enquanto tinha as peças íntimas tiradas por ele e não demorou muito para que eles se tornassem apenas um.