Desvendando Mistérios
3 Capítulo 3 - Neve
Notas iniciais
Saori se preparava para esquiar nas montanhas geladas da Sibéria. Ele havia tirado alguns dias de folga para ir ao encontro de Hyoga, que até onde ela sabia fazia residência em medicina em uma pequena aldeia que tinha apenas um pequeno posto médico. A essa altura ele deveria ter terminado o período da residência e já era formado. Ao sinal do instrutor que a acompanhava ela deu o primeiro impulso para descer a montanha gelada. Ela sabia que a aldeia ficava ali por perto e não seria surpresa alguma encontrar Hyoga.
Ao avistar algumas casas ele resolveu parar para dar uma olhada. O local era coberto de neve mas mesmo assim era possível ver algumas pessoas e animais. Algumas casas tinham luz dentro. Ela viu um menino brincando próximo do local onde estava e resolveu se aproximar. Ela se aproximou da criança e perguntou em russo:
—Olá menino, sabe se por aqui existe um posto médico?
—O doutor Hyoga fica um pouco mais a frente.
—Poderia me levar até lá?
—Claro.
O pequeno garoto esperou que ela tirasse os esquis para o seguir entre as casas da pequena aldeia. Eles andaram um pouco e pararam em frente a uma pequena casa com uma cruz vermelha na frente. O menino tocou um sino e logo a porta foi aberta por um jovem loiro de olhos azuis límpidos, que usava um jaleco branco:
—Olá Jacob, algum problema com sua mãe ou irmãos? — O homem perguntou para o garoto.
—Não Hyoga, trouxe essa senhorita, ela procura um posto médico. — Respondeu o menino.
Hyoga direcionou o olhar para Saori que estava ao lado de Jacob segurando os equipamentos de esquis. Ela tirou os óculos de proteção e encarou Hyoga:
—Lembra de mim? — Saori perguntou com um gentil sorriso.
—Entre. — Ele dá espaço para Saori entrar e se virou para Jacob. — Obrigado por trazê — la até aqui, levo um presente para você amanhã.
—Certo. — Respondeu o menino indo embora.
Saori entrou na pequena construção, onde havia uma escrivaninha e uma maca, no canto um armário com alguns remédios. Ele a guiou até a parte de trás do consultório onde onde ele vivia. Um fogão a lenha aquecia o que parecia ser uma cozinha:
—Sente — se, eu farei algo quente para beber. — Ele apontou para a cadeira ao lado da mesa, onde Saori se acomodou. — Saori, não deveria ter vindo até aqui, eu voltaria em alguns dias, daí poderíamos resolver tudo.
—Não tenho mais tempo Hyoga, temos que resolver logo.
—A questão é que eu também tenho coisas para resolver.
Nesse momento eles ouvem o som da porta abrindo e uma pessoa entrou no local, aparentemente deixando alguns objetos pelo caminho:
—Hyoga, cheguei e trouxe algumas coisas para comermos, além dos remédios. — Uma moça entrou no local segurando algumas sacolas. Ela parou ao ver Saori. — Desculpe, não sabia que estava com visitas.
—Tudo bem Eiri, eu vou terminar de conversar com ela, se puder esperar em outro lugar, eu agradeço. — Respondeu Hyoga.
—Tudo bem. — A moça deixou as sacolas em cima da mesa ao lado de Saori e saiu do local.
—É minha assistente, e se acha minha namorada. — Falou Hyoga.
—Se acha? Andou cedendo aos encantos dela? — Saori perguntou sarcástica.
—Não quero falar sobre isso.
—Estou naquele hotel, no topo da montanha. Se quiser esclarecer tudo me procure. — Ela se levantou e saiu do local, passando pela moça que havia chegado depois.
Sem olhar para trás, Saori colocou seus esquis novamente e subiu a montanha de volta ao hotel.Rapidamente ela se livrou dos equipamentos e voltou para seu quarto, onde foi direto tomar uma rápida ducha quente. Ela tinha menos de um mês para se casar com outra pessoa, ou teria que fazer um casamento de interesse para enfim cumprir a última cláusula do testamento do avô.
Saori pegou o livro que lia e junto de uma taça de vinho foi se acomodar próximo da lareira do quarto. Ela sabia que era precipitação, mas em todos aqueles anos ela e Hyoga nunca haviam perdido o contato, ela havia esperado por ele e ele dizia ter esperado por ela também, mas o que significava aquela mulher entrando na casa dele? E toda aquela intimidade? De qualquer maneira, se em três dias ele não viesse até ela, ela entenderia que a decisão dele era deixá — la.
Respirou fundo e decidiu deixar o livro de lado para ligar para Shunrei. Desde que ela havia arrumado o apartamento para ela, ambas não haviam mais entrado em contato uma com a outra.Pegou o aparelho celular e discou o numero da amiga, que logo atendeu:
—Oi Sá, tudo bem?
—Rei, como é bom ouvir sua voz nesse momento.
—O que houve?
—Cheguei aqui e fui procurar o Hyoga, uma mulher estava lá Rei. Ele me traiu.
—Espera ai Sá, ele estava vivendo com outra mulher?
—Sim Rei.
—Mas como? Vocês dois sempre mantiveram contato durante esse tempo e ele garantiu que nunca havia se relacionado com ninguém.
—Quando eu cheguei lá, ela entrou com toda intimidade, como se a casa dele fosse dela.
—Mas como ele te tratou?
—Foi educado, atencioso. Mas quando eu saí de lá ele não veio atrás de mim.
—Mas ele vai aparecer, pode ter certeza. O Hyoga te venera, não há como ele te deixar.
—Tenho minhas dúvidas Rei. Mas e você e o Shiryu?
—Nos casamos ontem. Foi apenas no cartório e só nós dois, depois fomos a um restaurante e voltamos pra casa onde aproveitamos e muito a nossa folga.
—Ele não achou ruim sobre o Kaiba e o Shaka?
—Sobre o Kaiba, eu contei tudo, do Shaka eu apenas contei o que ele deveria saber.
—E ele entendeu tudo?
—Parece que sim. Disse que queria me salvar desse mundo sujo.
—Mas você vai mesmo sair?
—Isso até o meu tio não descobrir onde estou.
—Vou fazer o possível pra te esconder, você tem direito a uma vida normal.
—Obrigada Sá.
—Assim que eu for embora, devo passar ai antes para te dar o seu presente de casamento.
—Não se incomode, você já me ajudou muito.
—Sem desculpas, eu vou ai te ver.
—Esta certo então, vou preparar sua comida favorita quando você vir.
—Vou adorar, aliás, eu adoro a sua comida. Shiryu é um sortudo mesmo.
—Falando nele, ele acabou de chegar. Dê um oi para a Saori, amor. — Saori ouviu uma voz masculina ao fundo. — Ele te mandou um abraço e te desejou uma boa sorte com o pato.
—Um abraço pra ele também. Rei, eu vou descansar um pouco agora.
—Vai lá e qualquer coisa me ligue.
—Pode deixar.
Saori encerrou a ligação e se levantou para ir para cama, de repente ela ouviu batidas na porta. Ela estranhou, pois já haviam limpado o quarto e não havia pedido nada, inclusive seu segurança pessoal já havia se recolhido. Se aproximou a passos lentos da porta até que ouviu:
—Saori, sou eu, Hyoga. Você esta aí?
Saori se apressou e abriu a porta, encontrando um Hyoga curvado e tentando recuperar o fôlego:
—Eu não podia te dar uma resposta aquela hora porque precisava disso aqui. — Ele estende uma mão para ela que continha uma caixinha revestida de veludo azul marinho. — Aceita se casar comigo? — Ele se ergueu e a observou.
Ela havia colocado as mãos sobre a boca para conter a surpresa e emoção que sentia. Era o seu namorado, o homem que amava lhe pedindo em casamento depois de um mal entendido. Como ela poderia pensar que ele não gostaria de viver ao lado dela depois de todos aqueles anos mantendo um relacionamento a distância? Correu para os braços dele e o beijou, sendo correspondida com todo amor e carinho:
—Desculpe o mal entendido de hoje, eu não tenho nada com a Eiri, ela havia pegado essa aliança e havia escondido por ciúmes por isso demorei, eu tinha que achar isso pra te fazer o pedido. Nunca Sá, nunca mesmo que eu deixaria você viver com outra pessoa, principalmente com alguém que não te ama o tanto quanto eu te amo.
—Hyoga…
—Você não imagina o quanto esperei por esse momento. — Ele acariciou o rosto dela. — Queria tanto te beijar...te tocar novamente…
—Eu também queria muito...Me perdoe por duvidar de você.
—Eu te perdoo meu amor. — Os dois se beijam novamente. — Venha comigo, quero que veja uma coisa.
— O que?
—Vem comigo Sá. Coloque uma boa roupa de frio e venha.
Saori seguiu o conselho dele e se vestiu. Ele a levou para fora do hotel, andaram um pouco até ao que parecia um lago congelado:
—Olha. — Hyoga apontou para o céu. — Logo vai começar.
—O que vai começar?
O céu todo se iluminou com as luzes da aurora boreal, que se misturava com a luz das estrelas no céu escuro. Saori olhou para Hyoga que devolveu o olhar e sorriu:
—É isso que uma deusa merece. — Hyoga disse a observando.
—Estou sem palavras...é lindo Hyoga.
—Com isso você acredita que eu te amo? — Ele se aproximou dela e a abraçou.
—Mais do que nunca. — Saori o beijou suavemente se afastando para apreciar o espetáculo da natureza mais uma vez.
—Sá, se alguma vez, você duvidar do meu amor por você, quero que olhe para esse céu.
—Eu nunca mais vou duvidar de você, eu prometo.
—Vamos voltar, esta esfriando muito.
—Hyoga.
—Sim.
—Vamos pra sua casa.
—Sá é melhor você voltar para o hotel, seus seguranças ficariam preocupados se você não amanhecer lá.
—Eles sabem onde vou estar. — Ela o olhou nos olhos. — Quero passar a noite com você.
—Eu não acho que isso seja certo.
—Por favor.
Hyoga não conseguiria negar aquele pedido, não só aquele, mas qualquer outro de Saori. Foi difícil passar aqueles anos longe dela, mas tinha que ser assim, se quisesse autonomia ele tinha que estudar fora do país, foi uma exigência de sua mãe e até então havia sido cumprida e agora ele poderia ficar com a mulher que amava.
Ele sabia dos percalços que iria enfrentar ao se casar com Saori, ele era um simples médico filho de uma famosa atriz e ela a herdeira de um império, não tinham nada haver um com outro se não fosse o forte amor que os uniu. Em pouco tempo de caminhada chegaram a humilde casa e logo se acomodaram ali. Hyoga fez um chá bem quente para Saori, que aceitou sem cerimônias, aliás não estava mesmo acostumada ao frio que fazia naquele lugar:
—Tem notícias da sua mãe?
—Teatro na Europa, só isso que sei. — Ele respondeu tomando um pouco de chá.
—Ela sabe que você terminou os estudos?
—Sim, e devo comunicá — la que reatamos em breve.
—Você parece tão sério. — Diz Saori tomando o chá.
—Pareço? — Ele aproximou o rosto do dela.
—Parece. — Ela deu um leve selinho nos lábios dele e o olhou nos olhos.
Os rostos foram se aproximando até os lábios se tocarem iniciando um beijo suave que foi se tornando mais intenso e urgente. Se abraçaram sem parar o beijo, as mãos deslizam em carícias e sem muita noção das coisas ao redor logo estavam no quarto, na simples cama de solteiro se amando com urgência e intensidade enquanto uma fraca neve começava a cair lá fora.
—*-
O dia amanheceu preguiçoso. Neve caia lá fora e um calor aconchegante envolvia Saori que estava enrolada nos cobertores da cama de Hyoga que dormia tranquilamente ao seu lado. Cuidadosamente ela se virou para ficar de frente para ele, ele dormia tranquilamente. Os cabelos loiros se espalhavam pela cama, a respiração tranquila e o rosto relaxado enchia o coração de Saori de paz e ternura. Ela ficou ali mais alguns minutos olhando Hyoga dormir, até que o mesmo despertou, olhando diretamente nos olhos dela. Ele sorriu e se aconchegou para mais próximo dela:
—Bom dia. — Ele a cumprimentou.
—Bom dia meu amor, dormiu bem?
—Muito bem, e você?
—Muito bem também. Vou fazer algo para nós dois comermos. — Ele falou se levantando.
—Vamos pro hotel, assim posso me trocar e podemos conversar melhor, o que acha?
—Se você acha melhor, então vamos.
Enquanto o casal se arrumava para sair, Eiri, a assistente de Hyoga chegou ao local, encontrando o casal ainda se arrumando, enquanto trocavam carícias. Ao ver a cena ela ficou pasma:
—Bom dia Eiri, eu vou sair com a Saori, devo voltar mais tarde para te passar algumas coisas. — Hyoga falou sem tirar os olhos de Saori que tentava prender o cabelo com uma trança.
—O que ela faz aqui? — Eiri perguntou. — É muito cedo para ela estar aqui…
—Ela dormiu aqui, prometo que isso não vai mais ocorrer. — Ele foi até Saori para ajudá-la com a trança. — Eu vou com ela para o hotel, devo voltar mais tarde para decidir algumas coisas.
—Quem é ela? O que ela é sua? Desde que ela apareceu você esta tão estranho.- Eiri falou tentando conter a raiva e frustração, já que era apaixonada por Hyoga há anos.
—Eu sou noiva dele, vim encontrá — lo para formalizarmos o compromisso e estamos de partida para nosso país natal onde nos casaremos. — Saori respondeu com naturalidade.
—Esta mentindo!
—Você acha mesmo que eu viria de tão longe para brincar? Em todos esses anos estivemos juntos e só precisava dele se formar para voltar para o Japão onde vamos nos casar.
—Isso não pode ser verdade...
—Eiri, você foi testemunha de quantas cartas escrevi para Saori, de quantas vezes sai desse fim de mundo e fui até a cidade apenas para fazer uma ligação para ela, como não pode acreditar que eu estava com a Saori? — Perguntou Hyoga surpreso com a atitude da moça.
—As cartas não eram para mim?
— Eu já te entreguei alguma delas? — Hyoga tinha um tom sério.
—Não… Mas e a aliança de compromisso que você tirou a minha medida?
—Imaginei que você e Saori tivessem a mesma medida por isso usei a sua como base para fazer a aliança para ela, já que teve tanta curiosidade, porque não olhou o que tinha gravado dentro da aliança?
—Um S e um H. — Respondeu Saori. — Desculpe te decepcionar, mas o Hyoga é meu tem alguns anos.
—Então nada era pra mim? — Eiri tinha os olhos marejados de lágrimas.
— Desculpe Eiri, mas tudo que fiz era pela Saori. Até mesmo vir para cá foi por ela, me perdoe se em algum momento eu te dei alguma esperança, mas eu sempre deixei claro que eu nunca poderia ter compromisso com ninguém. — Ele se aproximou e colocou uma mão no ombro dela. — Eu devo ir embora hoje ou o mais tardar amanhã. Já deixei tudo preparado e um novo residente deve vir dentro de alguns dias. Eu agradeço por tudo.
Eiri se afastou bruscamente e saiu correndo da casa. Hyoga respirou fundo e Saori veio ao seu encontro e o abraçou:
—Não se sinta mal isso acontece. — A de cabelos lavanda falou calmamente.
—Fala a pessoa que é acostumada a ferir o coração de centenas de homens por minuto. — Hyoga brincou.
—Nem é tanto assim, mas então vamos para o hotel?
—Vamos, depois eu venho fazer as minhas malas.
Partiram para o hotel, onde foram para o restaurante . Se acomodaram em uma mesa e fizeram os pedidos. O segurança de Saori se aproximou do casal e entregou um envelope em branco:
—Isso chegou para a senhorita hoje cedo, já checamos o conteúdo do envelope e não há riscos. — Falou o segurança.
— Obrigada Tatsumi, qualquer coisa eu te chamo. — Ela pegou o envelope e abriu.
No conteúdo do envelope havia uma foto de um casal comendo em um restaurante e um papel com letras recortadas de jornal com a frase: “Ela não vai estar em paz.” Mais uma vez Saori olhou a foto e reconheceu Shunrei:
—Era só o que me faltava. — Ela largou o conteúdo que segurava sobre a mesa.
—O que houve? — Perguntou Hyoga preocupado ao ver a reação dela.
—Acho que você não deve se lembrar bem deles, aqui. — Ela estendeu a foto para ele ver.
—Quem são?
—Shiryu e Shunrei.
—Esses são o Shiryu e a Rei? — Ele pegou a fotografia para olhar melhor.
—Desde quando o Shiryu tem o cabelo tão grande e a Rei esta tão bonita?
—Acha que só você que cresceu, seu lindo? — Ela falou irônica. — Pelo que a Rei me disse, essa foto foi tirada no dia do casamento deles.
—E ela enviou isso de lembrança para você?
—Não ela, mas provavelmente um antigo cliente ou até mesmo o tio dela.
—Como assim?
—Ela trabalha pra mim agora, fazendo algumas coisas que meus funcionários normais não podem fazer, mas antes ela trabalhava para diversas pessoas, e até mesmo para o próprio tio que a criou.
—Eu me lembro de você ter comentado comigo que estava preocupada com ela por ela estar envolvida em coisas indevidas, mas afinal o que a Shunrei faz de tão grave?
—Espionagem e ela cometeu dois assassinatos. Eu consegui limpar a ficha dela dos assassinatos mas se livrar dos clientes foi complicado, mas o pior é o tio dela. Nunca nos encontramos de frente, sei quem é a esposa e o filho dele, mas ele mesmo nada. Ele faz parte da família principal o que faz Shunrei ser a única da família secundária, a parte que cuida dos trabalhos sujos.
—Que complicação.
—Demais. Eu já tentei tirar ela da mira dele, mas ele sempre se manifesta dessa maneira, enviando cartas com fotos dela pra mim.
—Mas ele tem pedido alguma coisa?
—Até o momento não, mas esse casamento dela não deve tê — lo agradado, até então o clã deles só podem se relacionar entre eles, por isso sempre são dois filhos. Mas o interessante que ele só teve um e o irmão dele só teve a Shunrei.
—Sorte?
—Talvez. Mas até então o pai da Shunrei esta desaparecido tem anos, então ela não teria obrigação com o clã.
—Certamente ele não pensa assim. Mas o que vai fazer?
—Devo ir visitá — la e contar o ocorrido para que ela possa proteger o Shiryu de forma adequada.
—Entendo. E quando vai?
—Quando você poder vir comigo. — Ela sorriu.
—Podemos ir hoje a noite só preciso achar passagem.
—Pra que, quando se pode fretar um jato?
—Então hoje a noite nós vamos.
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