Notas iniciais
Hey, aqui é a Nynna Days falando. Sei que esto sumida e sinto muito por isso. Estou tentando me redimir com um novo capítulo escrito pela Goddess e é nesse que as coisas realmente vão começar a esquentar. Beijos e aproveitem.

“Harper acorda!” a voz doce de Mary soou pelos meus ouvidos, porém não estava nem um pouco doce.

Soltei um gemido involuntário em protesto e bocejei procurando paz de espírito para não jogar minha gentil amiga da janela. Senti generosas cutucadas em meu ombro e sentei bruscamente já abrindo a boca para queixar-me, mas arregalei os olhos ao perceber o lugar onde estávamos.

Era um lugar escuro pelo fato da única fonte de luz vir ser uma pequena lâmpada pendurada na parede. Era frio por causa das paredes cobertas por mármore e gesso. As lembranças da noite invadiram minha mente e eu praguejei mentalmente o infeliz que me desmaiou.

“Quanto tempo fiquei desacordada?” Perguntei analisando todos os cantos daquele lugar em busca de uma saída.

“Pelas minhas contas, menos de meia hora” Parei de observar ao redor e fitei-a surpresa com a capacidade dos brutamontes em questão de agilidade. Segurei as mãos suadas de Mary com cautela e examinei atentamente seu corpo.

“Você está bem? Eles te machucaram?”.

“Estou, está tudo bem.” Ela afirmou e passou a mão na minha testa, senti uma leve ardência e fiz uma careta por isso, ação que a fez retirar a mão. “Ao contrário de você.”

“Vou sobreviver.” Disse dando um sorriso frouxo e me distanciando dela voltando a observar o lugar. “Conseguiu ver quem foi?”

Ela balançou a cabeça, negando.

“Consegui, mas não reconheci. Não tem ideia de quem foi?”

“Não. Só sei que não são humanos.” Contei e ela se remexeu no lugar, parecia inquieta.

“O que vamos fazer?”

“Primeiro vou te tirar daqui e depois você vai pedir ajuda.” Recitei e ela me encarou incrédula.

“Não, não vou te deixar aqui sozinha!” Afirmou franzindo o cenho, demonstrando sua indignação. Rolei os olhos.

“Mary, é a única opção. Ou você vai ou nós duas morremos aqui! Enquanto eu distraio quem quer que esteja depois daquela porta, você sai e pede a ajuda” Expliquei.

“Pra quem exatamente?” Ela ainda não estava convencida.

“Simon”

Ela soltou um risinho agudo e eu olhei-a encabulada.

“O que foi?”

“Nada, só nunca imaginei que você fosse pedir ajuda logo para o Simon.” Ela deu de ombros. “Você raramente pede ajuda e nessas raridades costuma chamar a Mellany e consequentemente Adriel.”

Pisquei lentamente e xingando até a minha décima nona geração por ter sido tão burra. Mary não sabia que Simon era um Quase-Anjo e muito menos que Daniel era um Anjo. Para completar a situação ela também não sabia que minha desconfiança era em Adriel porque a presença que senti quando fomos sequestradas foi de Anjos Caídos.

Suspirei tão intensamente que por um momento pensei ter roubado todo o oxigênio do lugar. Não podia dizer a ela meus motivos para estar pedindo ajuda ao tapado do Burke, por questão de segurança. Lembrei da minha missão e do propósito de tudo aquilo. Proteger Mary. Enumerei rapidamente os prós e contras de envolver Mary em toda aquela situação.

Balancei a cabeça. Merda de subconsciente!

“Tem razão. Não seria nada inteligente ficar aqui e mandar você pedir ajuda. Vamos tentar sair daqui juntas!” Falei e seus grandes olhos brilharam de esperança e entusiasmo. Senti-me extremamente culpada por estar mentindo para ela, mas não tinha escolha.

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Sempre fui boa com fugas. Era praticamente um pré requisito se você nasceu no fodido mundo angélico e tem uma mãe com a ficha suja, além de ser super protetora. Por isso foi um pouco difícil contrariar o meu instinto de luta e fuga apenas para salvar Mary. Porém esse era o meu trabalho como sua Guardiã.

A primeira coisa que fizemos foi estudar o lugar onde estávamos. Era um porão com a iluminação beirando a precariedade e com um cheiro de mofo que me fazia ter que segurar a espirro a cada segundo. O erro dos nossos sequestradores foi, além de não saber esconder a sua presença, não ter nos algemado na parede mais distante da janela. Mary era minúscula, iria passar por ali sem problema nenhum. Diferente de mim.

Permiti-me fechar os olhos por um segundo, me dando o luxo de ter a imagem de Simon em minha cabeça. Deveria ter chutado Adriel e ido ao nosso primeiro encontro.

Encontrei uma cadeira perdida em meio ao tanto de entulho que havia ali e apesar de estar caindo aos pedaços teria que servir. Ajudei minha amiga a subir e ela escorou os braços na quina da janela. Ela deu alguns pulinhos em cima da cadeira para pegar impulso, mas pude perceber que ela não conseguia por estar nervosa demais.

“Vai ficar tudo bem, Mary. Relaxa.” Disse na tentativa de amenizar sua aflição. Ela suspirou e me encarou de soslaio, assentindo vagarosamente.

De um jeito desajeitado e dificultoso, Mary conseguiu passar para o outro lado da janela e eu suspirei aliviada. Ela olhou pra mim na expectativa e eu mais uma vez senti uma pontada de culpa. Tanto por estar escondendo coisas tão importantes dela, quanto por estar mentindo todo o tempo. Eu não conseguiria sair dali. Eram Caídos, eles sentiriam minha presença distante assim que colocasse os pés para fora do porão e era inocência acreditar que teria chances lutando com eles.

Poderia ser considerada a pior amiga do mundo, mas isso era insignificante em comparação a minha obrigação de ser uma Guardiã e as consequências que viriam à tona se falhasse nesse cargo.

Mary, o perdão da minha mãe e a localização do meu pai também estavam em jogo. Não era alternativa falhar.

Desviei meu olhar do dela como se tornasse menos difícil – o que não aconteceu – e chutei com força a cadeira na minha frente, de modo que fez bastante barulho.

“O que você está fazendo?!” Mary esbravejou do outro lado da pequena janela, porém antes que eu pudesse explicar – ou mentir de novo – a porta do porão foi escancarada e pude ver o vulto de alguém descendo as escadas em uma velocidade fascinante.

Olhei Mary que estava apavorada no mesmo lugar e abri a boca para dizer algo, só que eu não completei esse ato, pois senti meu pescoço ser envolvido por mãos fortes e meus pés sendo desviados do chão.

“Aonde você pensa que vai, Nephilim?” O Caído a minha frente perguntou em um tom arrogante, enquanto sorria de lado.

Minhas mãos foram automaticamente por cima das mãos dele procurando ar. Ele aumentou o sorriso com essa atitude e afrouxou o aperto, permitindo pelo menos um pouco de oxigênio invadir meus pulmões. Reuni o tanto de ar que pude, vendo três outros renegados descendo as escadas. Sorri frouxo percebendo que meu plano deu certo e Mary conseguiria fugir.

“Corre, Mary!” Gritei olhando para minha amiga desesperada e ainda hesitante. “Você sabe o que fazer. Vai!” Incentivei ainda com dificuldade, porém olhando diretamente para ela, de um jeito que passasse confiança. “Agora!”

Vi minha amiga tomar uma pose segura e decidida, assentindo para mim. Seria aquela uma promessa silenciosa de que ela me tiraria dali. Se não tivesse com tanta falta de ar, daria uma bela gargalhada com sua atitude protetora e convicta, que sempre foi exercida por mim.

Permiti-me ficar mais aliviada assim que a vi sair correndo, apesar de ainda ter uma sincera dificuldade de respirar, graças aos brutamontes na minha frente que não diminuiu o aperto. Os três Caídos se alarmaram e começaram a se movimentar para ir atrás dela, mas pararam quando o que me segurava me jogou com tudo no chão.

“Deixem ela ir!” Ordenou virando-se para mim e sorrindo torto. “Só precisamos dessa aqui.” Falou e eu acariciei meu pescoço, sentindo um arrepio se instalar em meu corpo.

“Mas ela pode buscar ajuda... Ouviu a Nephilim dizendo que a garota precisa fazer algo.” Um dos Caídos falou e percebi o sorriso do que me segurava aumentar gradativamente.

“Não há ninguém para ela recorrer.” Afirmou vindo em minha direção. “Ninguém pode ajudar.”

Tremi com sua afirmação. Deixando o alivio ir embora e dar lugar ao receio e a preocupação de novo. Não precisava ser muito inteligente para entender o uso de suas palavras. Anjos Caídos poderiam ser o que for, mas não burros. Ele sabia da existência de um Quase-Anjo e um Anjo no campus. E a minha duvida era se ele não se importava porque os dois também estavam envolvidos naquele sequestro, afinal, foi no suposto ‘encontro’ que eu e Mary havíamos sido pegas.

Não pude completar minha linha de pensamento porque o renegado que antes sorria de forma assustadora para mim me levantou de novo, dessa vez com apenas uma mão, como se eu fosse uma boneca e tombou a cabeça examinando minha expressão colorar para o roxo novamente.

“O que quer comigo?” Perguntei num fio de voz e o idiota sorriu divertido de novo. Prometi a mim mesma que quando saísse daquela situação arrancaria aquele sorriso presunçoso do rosto dele de uma forma nada delicada.

“Você vai saber, Nephilim.” Foi a única coisa que eu ouvi antes de sentir minha cabeça bater com força em uma superfície dura. Depois disso só tive tempo de compreender que havia sangue escorrendo pelos meus cabelos, até ter a visão turva e desmaiar completamente.

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Os pingos de água que caiam contra a poça já estavam contemplando uma melodia e atingindo a extremidade da minha paciência.

Meus olhos tremeram quando tentei abri-los e assim que eu fiz isso me arrependi, porque percebi que não foi só um sonho de uma noite mal dormida. Eu estava mesmo em cárcere naquele porão imundo, cheirando mofo e com uma goteira infernal ecoando pelos meus ouvidos. Mary poderia ainda estar correndo perigo. Eu não fazia ideia de como sair dali e não já estava acreditando no fato de que ninguém ia me ajudar.

Fiz um esforço incomum para afastar meu rosto do chão e mais uma vez me arrependi porque graças a esse ato, uma dor latente se fez presente na parte de trás da minha cabeça. Levei a mão ao local e senti um relevo ali. Pude perceber que já estava curado, porém ainda assim dolorido.

Observei o chão ao meu redor e vi sangue por toda a extensão do mesmo. Torci para que não fosse totalmente meu, porque mesmo sem muito conhecimento de medicina, não era muito difícil saber que perder aquilo tudo de sangue não era aconselhável.

Ainda encaminhando meu olhar um pouco aérea, notei que não estava mais com vantagem de fuga como antes. Dessa vez tinham correntes prendendo meus pulsos, como se eu fosse um cachorro e eu estava distante da pequena janela.

Suspirei cansada demais para planejar qualquer coisa. Eu precisava sair dali, mas minhas alternativas estavam acabando, não tinha condições psicológicas para pensar coerentemente, nem fisiológicas para partir em uma missão suicida.

Fiz uma careta ao sentir um pequeno incomodo nas costas quando inconsciente espreguicei as mesmas e automaticamente levei a mão até o local com um pouco de dificuldade graças as correntes. Cada movimento meu era mais incomodo e eu já estava começando a ficar irritada por não conseguir alcançar o local, até que meu tato alcançou uma textura diferente da minha pele. Era algo macio, porém firme.

“Mas o que...” Comecei a questionar um pouco aflita puxando o aquilo com a ponta dos dedos enquanto tentava olhar por cima do ombro o que, diabos, estava ali.

“Ora, ora.” Uma voz grossa soou atrás de mim e eu me sobressaltei, virando na direção.

Era um dos Caídos que estavam me encurralando antes. Estava sentado em uma cadeira de modo relaxado, cruzando os braços em cima do peito. Indicando-me que não só as correntes eram um método de precaução, mas ele também. Levei em consideração meu cansaço por não ter notado-o ali antes.

“Que orgulho! Parece que a rebelde está entrando nos eixos.” Ele falou sarcástico e eu não entendi seu monologo, porém não questionei, apenas o encarei com indiferença.

Ele riu e se levantou da cadeira andando em minha direção. Perguntei-me se eu tinha uma bolinha vermelha no nariz para ser tão engraçada a ponto de ter Anjos Caídos rindo de mim.

O homem parou na minha frente e mesmo querendo, não me afastei ou demonstrei medo. Eu poderia estar com bastante medo de morrer, mas ainda tinha dignidade e prepotência suficiente para continuar mostrando minha audácia.

Ele ainda sorria quando despejou seu peso no calcanhar para ficar de frente para mim e eu observava cada movimento seu com o cenho franzido, como se pudesse mata-lo com o olhar. Não aconteceu, o que foi uma pena.

Ele levou a mão até as minhas costas, encarando apenas meu rosto com determinação. Estávamos em uma batalha de olhares que eu perdi ao sentir uma ardência no mesmo lugar que antes estava incomodo. Involuntariamente encaminhei meus braços para acerta-lo, mas ele se distanciou o suficiente para que as correntes impedissem qualquer movimento maior meu e elas me impulsionaram para trás.

Bufei de indignação e ele deu uma gargalhada sem graça. Fechei a cara ainda mais para ele, e o mesmo levantou as mãos para o alto em rendição. Deu de ombros em seguida e levantou algo com a ponta dos dedos.

Demorei alguns instantes analisando a peça em sua mão até arregalar os olhos, desacreditada. Era... Uma pena. Uma pena cinza e graciosa. Estava tingida de vermelho que eu supus ser sangue em algumas partes, mas ainda assim era uma pena.

Certamente minha boca estava formando um circulo perfeito a contar o tanto que o Caído a minha frente ria, mas eu não conseguia acreditar no que via. Só podia ser uma grande piada tudo aquilo. Porque diabos havia uma pena nas minhas costas?

Estava prestes a questionar – ou dizer que os telespectadores podiam sair de trás dos entulhos com apitos e serpentinas dizendo que a pegadinha acabou – quando a porta do porão foi aberta sem nenhum tipo de cuidado e algo foi arremessado, caindo escada abaixo.

Quando enfim parou no chão, o algo soltou um gemido de lamento me fazendo perceber que não era algo e sim alguém. Alguém com a energia angelical marcante e familiar. O alguém levantou a cabeça e eu pude perceber seus traços tingidos de vermelho, mas eu poderia reconhecer aquele rosto até no inferno.

“Daniel?”

Notas finais
Meu Deus, uma emoção atrás da outra. Uma pena? Daniel? O que aconteceu? Até o próximo.