Destiny, Um Quase-Anjo Apaixonado
9 Capítulo 8 - Simon Burke
Notas iniciais
“Daniel, temos que fazer alguma coisa.”, eu disse depois que fui praticamente arrastado de volta até o meu quarto. Andava de um lado para o outro, passando os meus dedos por meus cabelos despenteados. “Se tivéssemos chegado mais cedo ou sei lá.”
Daniel permanecia sentado na cadeira do computador olhando para frente com os olhos azuis perdidos, como se a resposta da humanidade estivesse parada bem ali. Retive a vontade de ir até ele e o sacudir. Estava ansioso e furioso. Eles tinham pegado Harper e a culpa era toda minha. Fechei os olhos e chutei a parede com força.
“Destruir o quarto não vai ajudar em nada. “, o anjo disse calmamente.
Encarei-o com raiva.
“Então faça alguma coisa!”, berrei.
Daniel fixou os olhos em mim e suspirou se levantando. Parou na minha frente e pôs uma mão em meu ombro. Por mais que eu ainda estivesse preocupado, não estava mais com tanta raiva. Respirei fundo, dando um passo para trás.
“Não quero que me acalme. Descubra o que aconteceu.”
Meu amigo assentiu com cuidado.
“Você deveria ir para a aula.”, ele sugeriu. Abri a boca querendo retorquir, mas seu olhar sério me calou. “Me deram a missão de te proteger e não quero você perto de um monte de anjos. Pelo menos não enquanto não souber quem está por trás disso. Posso contar na ponta do dedo as pessoas que sabiam da sua existência e dizer o nome de todos que sabem da sua localização. A Nephilim ser raptada não pode ser coincidência. Por isso, quanto mais distante você estiver, menos curioso atrairemos.”
Mordi o lábio inferior, sem poder argumentar. Por isso peguei minha mochila e fui em direção a aula. Enquanto atravessava o campus, senti algo em mim se apertando. Estava frustrado por não poder fazer nada. Não tinha nem conseguido arrancar informações úteis de Mary antes que me tirassem de perto dela e duvidava muito que ela aparecesse na aula. A monitora tinha dito algo de chamar a polícia, o que fez com que eu, meu Guardião e a loira trocássemos olhares.
Aquilo era uma coisa que a polícia não entenderia.
****************
Além de outro desenho de Harper em minha mão, não tinha nada de novo quando saí da aula. Estava praticamente correndo de volta até o meu quarto, querendo notícias vindas de Daniel. E por isso foi uma surpresa e tanto quando o vi atravessando o campus acompanhado por mais três homens. Minha pele pinicou e algo dentro de mim disse que aqueles três não eram simples homens.
Forcei os meus pés a segui-los da maneira mais silenciosa possível em direção a saída. Queria novidades o mais depressa possível. Mas parecia que tudo estava saindo fora dos meus planos, incluindo quando fui puxado bruscamente para uma parede por um cara. Já estava preparando o meu soco que seria deferido na face do individuo que teve a ousadia de me puxar assim, quando senti uma presença angelical muito semelhante aos homens perto de Daniel.
“Quem é você?”, perguntei entre dentes, ainda com os punhos cerrados e me soltei de seus aperto sem delicadeza.
“Meu nome é Adriel. Sou um amigo da Harper.”, trinquei o maxilar, sentindo ainda mais raiva. “Você está bem?”, ele perguntou. Antes que pudesse responder olhou-me de cima a baixo, como se me avaliasse e balançou a cabeça em uma afirmativa. “Onde está Harper?”
Fechei a cara.
“Sumiu. Alguém a raptou e deixou Mary livre. Daniel estava tentando pedir ajuda e...”
Adriel olhou nos meus olhos, calando-me.
“Ele pediu para a pessoa errada.”, disse sério, sinalizando com a cabeça para que eu observasse o que estava acontecendo. Daniel estava sendo empurrado para dentro de um beco e sumiu. Sempre fui ciente de sua presença, por mais que estivéssemos em pontos diferentes do campus, por isso me assustei quando sumiu. Quis ir até ali, mas Adriel me impediu. “É exatamente isso o que eles querem. Não vá até lá.”
Encarei-o desesperado. Nesse momento minha raiva deu lugar ao nervosismo.
“Você tem que fazer alguma coisa.”, mexi a cabeça para os lados, procurando algo que ajudasse. Minhas pernas enfraqueceram. Tinha perdido Harper e agora Daniel. “Chame os anjos ou sei lá quem comanda lá em cima.”
Adriel pressionou os lábios juntos.
“Eu perdi contato com o céu há um tempo.”, ele disse e suspirou. “Sou um Anjo Caído, Simon. Caí em tentação, mas não quis abrir mão de minhas asas. Em conseqüência não tenho nenhum vínculo com os anjos.”
Passei as mãos por meus cabelos, quase arrancando os fios.
“Deve ter alguém que pode nos ajudar.”, eu pedi.
Adriel pôs as mãos em meus ombros.
“Preciso que você se acalme. Vou chamar meus amigos e vamos pensar em alguma coisa. Mas você precisa ficar em seguro. Então me prometa que não fará nada impulsivo.”, ele pediu sério.
Respirei fundo.
“Se é para o bem de Harper e se você me prometer que vai trazê-la de volta, eu prometo.”
Dizer essas palavras fez com que meus pelos se arrepiassem. Adriel apertou minha mão e assentiu, sinalizando que estava de acordo. Minha boca secou e soltei o ar. Estava tentando controlar minha respiração, porém parecia impossível. Eu não acreditava que iria dizer isso, porém a única opção que vinha até a minha mente era a de rezar.
***************
Adriel foi dar telefonemas e quis dar um espaço para ele, principalmente quando ele ligou para a garota que parecia ser o motivo para ele ter caído em tentação. Sem muitas opções, quis ver se a sorte estava do meu lado e fui até o dormitório feminino na esperança de conseguir falar com Mary. Algumas garotas me olharam e sorri, cumprimentando-as. Por sorte, a monitora não estava a vista.
Cheguei à porta dela e hesitei antes de bater. Tantas vezes tinha ido até aquele quarto e sempre para ver Harper. Agora era por Harper. Assim que meu punho encostou-se à porta, ela se entreabriu e rangeu. Foi impossível não escutar o fungar de Mary, e a possibilidade de ignorá-lo nem passou por minha cabeça.
“Mary, estou entrando.”, avisei caminhando lentamente para dentro do quarto e fechando a porta atrás de mim. Mary sentou-se na cama e passou as mãos por suas bochechas que estavam tremendamente vermelhas acompanhando os seus olhos inchados. Sentei-me ao seu lado enquanto ela fungava e passava os dedos por seus cabelos loiros. “Queria ver como você estava.”, disse com sinceridade. “Acho que fui muito duro mais cedo, só que estava em choque com tudo o que tinha acontecido.”, balancei a cabeça e estendi uma mão na sua direção com um sorriso triste habitando meus lábios. “Estamos de bem?”
Isso a fez sorrir também antes de apertar a minha mão. Na verdade, não conseguia imaginar Mary zangada com ninguém, já que ela sempre teve paciência para lidar com Harper. Era quase como um Buda. Assim que soltou minha mão, ela permaneceu em silêncio e abaixou os olhos, com pesar. Fiquei quieto, esperando que ela dissesse o que estava passando por sua mente. Por isso eu tinha ido até ali, para que pudéssemos nos dar apoio, já que tínhamos perdido grandes amigos.
Não que eu tivesse perdido a esperança de reencontrá-los.
Um suspiro chamou a minha atenção. Mary botou uma mecha de seu cabelo atrás da orelha e pareceu insegura por um segundo.
“Foram os Anjos Caídos que fizeram isso?”, ela indagou com um sussurro. Pressionei os lábios juntos, por não saber bem como isso funcionava. Não era uma coisa que poderia ser discutida com qualquer um em qualquer lugar e realmente me surpreendeu o fato dela saber sobre mim. “Não precisa culpá-la por me contar. Não saberia se não tivesse ouvido uma conversa dela e de Adriel no telefone. Ela não me contou e eu repeitei essa decisão porque ela provavelmente teve um motivo e eu não me importo muito com esses assuntos angélicos.”
“Somos dois.” Afirmei e passei a mão pelos cabelos, bufando. Ela ergueu os olhos.
“Harper me contou sobre esses esquemas angelicais há pouco tempo. Não foi muito difícil acreditar”, ela respirou fundo, dando de ombros e parecia estar olhando através de mim. “Eu já fui decepcionada antes por em envolver em uma história com anjos. Apaixonei-me por alguém que por mais que estivesse destinado a mim, não me pertencia. E isso me destruiu. Ela não suportou me ver assim e teve a paciência de sentar e me explicar o porquê disso não ser culpa minha.”
“Sorte sua. Daniel não teve muita sensatez ao me contar.” ela arregalou os olhos, balancei a cabeça notando minha mancada. “Você não sabia, não é?”, ela negou.
“O que ele é?”, perguntou e suspirou em seguida. “Era óbvio que sua perfeição vinha de algum lugar.”
“Meu Guardião.” disse e ela assentiu.
Fiquei assustado com toda a compreensão de Mary para o assunto e como se lesse meus pensamentos retornou a falar:
“Não vou dizer que aceitei de boa a ideia da minha melhor amiga, com quem cresci junta, ser uma Nephilim, nem de minha outra amiga estar namorando com um Anjo Caído, nem do meu outro amigo estar namorando com uma garota que nem olhava para ele por causa de um cupido.”, ela encolheu os ombros minúsculos.“Você sabe de quem é a sua reencarnação?”
Dei de ombros ficando desconfortável de repente.
“Nunca me dei ao trabalho de descobrir.”
Ela observou todo o meu rosto com lentidão.
“Essa ideia de você ter sido alguém antes do que é hoje deve ser estranha, mas...”, ela pausou querendo escolher as palavras certas. “Já pensou que o motivo de tudo isso ter acontecido pode estar ligada ao que você era? Harper me disse que Quase-Anjos são muitos especiais, porque suas histórias passadas estavam tão entrelaçadas com algum anjo que, caso partissem deixando algum assunto inacabado, eles voltavam para resolver. As questões agora são: Quem você era e o que deixou inacabado?”
De repente, todo aquele assunto que sempre evitei pareceu ser urgente e tive vontade de correr até Adriel para contar o que Mary tinha dito. Ajeitei-me na cama.
“Por que você acha que foram os Anjos Caídos?”, questionei, interessado. Nunca tinha prestado a atenção em Mary e o quanto ela poderia ser inteligente. “Adriel quem impediu que me levassem junto com Daniel.”
Seus olhos se arregalaram.
“Daniel foi levado?”, ela arfou botando as pequenas mãos contra a boca.
Parabéns, Burke. Super sutil.
As mãos de Mary foram de sua boca em direção em seus olhos enquanto seus ombros voltavam a tremer em um choro silencioso. Sem opções visíveis, envolvi meus braços ao redor dela com a intenção de confortá-la. Ela me abraçou e chorou mais um pouco. Descansei meu queixo em sua cabeça vendo-a ofegando e dando pequenos sobressaltos.
“Você é legal, Simon. Só precisa fazer a Harper ver isso. Ela sempre espera o pior nas pessoas e isso a afasta bastante.”. Não pude evitar sentir uma leve pontada no peito ao ouvir suas palavras. Mary ergueu os grandes olhos para mim e secou a bochecha de modo desajeitado por ainda estar em meu aconchego. ”Mas com você parece ter alguma coisa diferente porque ela me mandou pedir ajuda a você e não a qualquer outro amigo que temos.”
Mary voltou a posição inicial, me deixando ficar absorto nos próprios pensamentos. Um nó se formou em minha garganta. Harper pediu a minha ajuda. E eu não estava cooperando quase nada para ajudá-la.
Olhei para o teto, como se ali tivesse a resposta para todos os meus problemas. Eu estava uma confusão por dentro. As palavras de Mary não paravam de martelar sem sincronia na minha mente, alertando que talvez aquilo tudo fosse culpa minha.
Comecei a pensar que a suposição de Mary poderia vir da ideia de que os Anjos Caídos quisessem voltar para o céu e já que eu era um item tão valioso, eles iriam me usar como moeda de troca. Por mais que essa ideia fosse a mais plausível, não conseguia ver Adriel metido em uma coisa dele. Não depois do jeito sutil como ele tinha me salvo. Algo dentro de mim dizia que não era ele. E outra parte dizia que eu teria que descobrir quem tinha sido e como isso estava afetando quem era atualmente.
Não sei em que momento eu dormi em meio aos meus pensamentos, mas sei que a última coisa que apareceu em minha cabeça foram os olhos azuis de Harper o seu pedido de socorro.
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