Destiny

1 Parte 1


Notas iniciais
Eu definitivamente não tenho noção do perigo, com duas fanfics em andamento, e Back to Love com capitulo atrasado, estou eu aqui iniciando mais uma.
Essa ideia veio em minha mente quando eu tive um bloqueio mental em escrever as outras duas, achei a ideia produtiva, e algumas amigas até me apoiaram, então aqui esta mais uma fanfic pra vocês.
"Você esta apaixonada pelo Tommy" - minha amiga Sara me disse, e eu vou ter que concordar, pois trouxe mais uma vez ele como principal.
Espero que vocês gostem da ideia.

PS.: Quero deixar aqui bem claro, que eu estou muito chateada por não existir a opção de colocar o Tommy como um dos personagens lá no começo.

Boa Leitura...

Acordo assustado, o suor escorrendo pela minha testa, minha respiração esta acelerada, e meu coração bate numa velocidade absurda.

Mais um pesadelo, o mesmo de sempre.

Eu sou Thomas Merlyn, um empresário fracassado, falido e sozinho.

Minha família era conhecida como uma das mais ricas do país, mas a partir do momento que eu assumi a liderança dos negócios, tudo foi de mal a pior. Eu causei o fechamento de todas as nossas filiais, por minha causa diversos contratos foram cancelados, e acionistas cancelaram acordos. E assim, me tornei uma pessoa “comum”, com apenas US$ 15 na conta bancária, nenhuma posse, e até mesmo sem uma casa própria.

Depois de ter arruinado o nome da minha família, eu praticamente fui expulso dela. Meus pais, Rebeca e Malcon Merlyn, afirmaram com todas as letras que eu era o culpado, e por isso deveria manter distância, enquanto eles tentavam reconstruir a Global Merlyn. Eles claramente também fracassaram, pois já se passaram anos e nada mudou.

Minha irmã, Thea Merlyn, por ser obcecada em nossos pais, e ser a filha preferida, acabou seguindo eles nessa decisão. Ela chegou a me ligar poucas vezes nos primeiros meses que me distanciei, mas depois de um tempo ela também me excluiu por completo de sua vida.

E aqui estou eu, em um quarto alugado, do qual eu não pago a quatro meses, acordando no meio da madrugada por causa desse pesadelo ridículo.

Quando eu tinha 10 anos, eu estava no pior lugar do mundo para se estar naquele dia. 11 de setembro de 2001. Minha mãe me levou a Nova York como recompensa por ter tirado nota máxima no teste de matemática, éramos assim, viajávamos pra onde eu quisesse sempre que me saia bem na escola, o que acontecia com muita frequência.

No terceiro dia naquela cidade incrível, minha mãe precisou resolver um assunto com a esposa de um dos acionistas da nossa empresa. Ela trabalhava em um consultório de advocacia no segundo andar da torre norte do World Trade Center, as torres gêmeas.

Enquanto minha mãe estava em sua reunião, eu fiquei na sala de espera brincando em um espaço reservado para crianças. Foi quando ouvimos uma explosão e tudo começou a tremer. Eu estava assustado, mas uma mulher perto de mim, disse que o tremor era normal, pelo fato do prédio ser muito alto. Pouco tempo depois um alarme começou a ecoar, avisando que o prédio precisava ser evacuado, um homem com o uniforme da segurança apareceu gritando que o topo do prédio estava em chamas.

As pessoas começaram a correr desesperadas, mas eu não conseguia sair do lugar, não sem antes encontrar minha mãe. Ela logo apareceu, segurou minha mãe e me guiou até a escada de incêndio, que estava lotada de pessoas, todas fugindo do fogo. Eu me lembro de olhar para o alto das escadas, e ver muita fumaça.

Em pouco tempo estávamos fora do prédio, foi quando vi um avião se chocar na outra torre. Minha mãe ainda segurava minha mão, enquanto corríamos sem rumo, pela enorme avenida, estávamos apenas fugindo o máximo que podíamos, pois os destroços começaram a cair.

E é com isso que eu sonho praticamente todas as noites.

As vezes, o sonho é exatamente como aconteceu. Mas outras vezes, eu estou lá como um adulto, e me vejo com 10 anos brincando naquela sala de espera. Outras vezes não conseguimos fugir, e eu vejo o prédio despencar comigo ainda dentro dele. E tem vezes que o sonho é como foi hoje, eu tento sair sem minha mãe, mas acabo me perdendo, e encontrando uma mulher e uma menina escondidas em uma sala, mas no fim, morremos os três quando o prédio despenca.

Como já acordei, e o sonho não vai sair da minha cabeça tão cedo, decido ir fazer minha corrida matinal.

Ainda é noite, e sol só vai nascer em uma hora e meia. Corro pelas ruas desertas de Starling City, sentindo a brisa fria bater em meu rosto. Por mais que eu tente, o sonho dessa noite não sai da minha mente.

Toda vez que eu pisco, vejo a imagem daquela mulher abraçando a garotinha, de no máximo cinco anos, que eu imagino que seria sua filha. Fico pensando quem seriam elas, e se por acaso eu as conheço.

Dizem que todas as pessoas em sonhos não são totalmente desconhecidas, nós já a vimos pelo menos uma vez na vida. E se elas forem alguém próximo a mim? E se elas realmente estavam no prédio naquele dia? E se estavam, será que sobreviveram? E se eu as conheço, porque ficam aparecendo em meus sonhos?

Atualmente, minha vida se baseia muito nos “E se...?”

E se eu não tivesse afundado a empresa da minha família? E se meus pais tivessem me perdoado? E se minha irmã tivesse me apoiado? E se eu não tivesse perdido todo o meu dinheiro? E se ao menos eu tivesse um emprego de verdade?

Tantas perguntas que nunca terão respostas. Não se pode mudar o passado, apenas seguir em frente, e construir seu próprio futuro.

Quando me dou conta o sol já está quase nascendo, e me lembro que preciso voltar pra “casa”. O que hoje eu chamo de lar, é na verdade um pequeno quarto no sótão de uma simples lanchonete.

O que eu chamo de “emprego”, é limpar a casa da vizinha da lanchonete, duas vezes na semana. Nos outros três dias eu limpo a casa da vizinha do outro lado. E nos finais de semana, entrego folhetos de uma imobiliária em um farol no centro da cidade. Serviços que fui contratado para fazer, e onde recebo tão pouco, que mal consigo me alimentar.

Todo esse esforço para conseguir comprar o básico de comida, as poucas roupas que preciso, e quando sobra, juntar dinheiro para pagar o dono da lanchonete pela água e energia que gasto, embora não seja muito, ele também me cobra pelo aluguel do cômodo.

Nas segundas, quartas e sextas eu limpo a casa da vizinha da direita, a Senhora Queen. Uma mulher que esbanja autoridade. Eu sei que ela é muito rica, mas também é amante da simplicidade, por isso mora numa casa grande, mas simples, em um bairro residencial de Starling City.

Mas hoje é quinta-feira, e eu devo me apresentar bem cedo para o serviço. Toco a campainha da casa, e em segundos a porta é aberta por uma senhora de cabelos grisalhos, olhos castanhos, e um sorriso contagiante.

— Bom dia, Senhora Snow – Digo cordialmente, e correspondendo ao seu sorriso.

— Deixa de bobagens, querido – Ela praticamente me puxa pra dentro de sua casa – Sabe que pode me chamar de Carrie.

— Eu sei – Digo um pouco envergonhado. Sempre me sinto assim, mas como sou seu empregado, me sinto no dever de a tratar com respeito – Eu acho melhor começar.

— Você que sabe, querido. Não quer tomar um café antes?

— Não precisa, eu já tomei – Minto da melhor forma possível. A verdade é que o pouco café que eu tinha acabou, eu precisei comprar luvas novas para usar nas faxinas, então deixei o café em segundo plano.

— Tudo bem, então. Mas tem café na garrafa na cozinha, fique à vontade para se servir – Ela me lança outro sorriso simpático – Eu vou para o hospital, e você não deveria pegar tão pesado aqui, relaxe e fique à vontade.

— Obrigado, Senhora Snow – Ela me lança um olhar ameaçador – Carrie – Corrijo-me, enquanto ela sorri antes de sair pela porta.

O dia até que passa rápido. Eu comecei lavando os banheiros, o do quarto de Carrie, e o do andar de baixo da casa. Limpei os dois quartos de hospedes, que estavam praticamente limpos, por nunca serem usados. Depois limpei o quarto dela, uma senhora organizada, então foi fácil. Terminei dando uma geral na cozinha, lavando a louça e organizando os armários, já sei como ela gosta de tudo. Por fim, arrumei e limpei a sala. Não resisti e tomei um pouco de café antes de começar, e quando estava quase terminando.

A Senhora Snow é uma mulher muito simpática. Ela me ofereceu o emprego antes mesmo de eu começar a morar no sótão da lanchonete vizinha. Eu havia acabado de brigar com meus pais, e ter sido expulso da família, estava andando por aquela rua procurando um lugar pra morar. Ela apenas me parou, e perguntou se eu conhecia alguém que pudesse limpar sua casa duas vezes na semana. Eu não pensei muito, apenas disse que eu mesmo poderia limpar, pois também estava desesperado por um emprego.

Ela é enfermeira no Hospital Geral de Starling, trabalha todos os dias da semana, e não descansa muito, mas ela também é muito forte e ama o que faz. Não sei muito sobre sua família, só sei que seu marido morreu ainda muito jovem, e que sua filha e neta morreram num acidente muito grave, mas ela nunca me contou o que aconteceu, é um assunto muito delicado pra ela.

Quando estou terminando de ajuntar minhas coisas, derrubo o rodo em seu armário da sala, ouço algo caindo dentro dele. Eu nunca o abri, ela diz que ali ela mesma pode limpar. Minha curiosidade e a preocupação falam mais alto.

Quando abro o armário, vejo que provavelmente o que caiu foi um álbum de fotos que estava de pé. Eu estava colocando ele de volta no lugar, quando a porta abre, e Carrie entra na casa.

— Eu derrubei o rodo no armário, ouvi alguma coisa caindo dentro dele, estou apenas colocando no lugar – Me explico rapidamente, mostrando o álbum de fotos em minhas mãos.

— Não se preocupe, querido – Ela se aproxima de mim, e pega o álbum de minhas mãos – Fazia muito tempo que eu não via isso.

— Eu sinto muito – Nem sei exatamente pelo que estou me desculpando, se é por abrir o armário, ou por tê-la deixado tão triste de repente.

— Venha – Ela segura minha mão, e me guia até o sofá, onde nos sentamos lado a lado – Vou te mostrar como elas eram.

Ela abre o álbum, e a primeira foto é em preto e branco, uma mulher segurando um bebê.

— Essa é a senhora? – Pergunto, indicando a mulher na foto.

— Sim – Ela sorri de forma nostálgica – E essa é minha filha, Carla.

Ela vira a página, mostrando duas fotos. Em uma ela está guiando uma garotinha em seus primeiros passos, creio que é sua filha. Na outra, aquela garotinha está em uma bicicleta, e sorri para a câmera.

— Minha filha era muito sorridente – Ela diz, o que mais parece um pensamento alto – Carla dizia que gostaria de ser médica, mas eu não podia pagar pela faculdade, então ela começou o curso apenas quando conseguiu seu próprio emprego, mas não chegou a se formar.

Quando ela vira a página, vejo sua filha já adolescente, vestindo um uniforme escolar da época, e novamente sorrindo para a câmera.

— Carla sempre foi tão feliz. Ela sorria para todos, por isso era tão simpática. Diziam que ela havia herdado o sorriso de mim.

— Eu concordo – Digo olhando da foto para a senhora ao meu lado.

Ela vira a pagina novamente. Agora mostrando uma foto onde tem uma versão um pouco mais jovem de Carrie, abraçada a sua filha que estava claramente gravida.

— Carla engravidou muito jovem, logo depois que terminou o colegial. O pai da criança, não quis assumir a responsabilidade, e simplesmente desapareceu – Ela encara a foto, e vejo uma lagrima solitária cair por seu rosto – Eu prometi ajudar a cuidar da criança, e que ela seria amada da melhor forma possível.

Em uma outra foto, vejo que elas imitaram as posições da foto anterior, mas agora a bebê que estava na barriga, está nos braços de Carla.

— Essa é sua neta, certo? – Pergunto, quando a vejo sorrir para a foto.

— É sim – Ela não tira os olhos da foto – Caitlin nasceu no melhor momento possível, ela trouxe apenas alegria para o nosso simples lar. Depois disso, Carla conseguiu um emprego como garçonete, e usava todo o seu salário para pagar a faculdade de medicina, enquanto eu trabalhava de babá, para cuidar também de Caitlin.

Quando ela vira a página, a foto seguinte me surpreende de uma forma que eu não sei explicar. Nela, Carla está com Caitlin sentada em seu colo, a garotinha de cabelos avermelhados como os da mãe, deve ter no máximo cinco anos, as duas sorriem para a câmera como se estivessem gargalhando.

Acontece, que só naquela foto eu reconheço a mulher e a criança que eu vejo algumas vezes em meus sonhos, aquelas que ficam presas na sala e acabam morrendo.

— Essa foto foi tirada antes delas viajarem – Carrie passa os dedos pelo papel, tocando nos rostos de filha e neta – Antes delas viajarem e morrerem presas naquele prédio.

Notas finais
E então, o que acharam?
Eu estou bem empolgada em escrever essa historia, pois envolve uma coisa que eu amo ver em filmes (não vou dizer agora, #SemSpoilers).

Deixo bem claro que eu NÃO VOU ABANDONAR MINHAS OUTRAS FANFICS, pra você que acompanha e ficou preocupado, relaxa. Pra você que não conhece, esta convidado para dar uma olhadinha, enquanto não sai o próximo capitulo aqui.

Back to Love:
https://fanfiction.com.br/historia/763998/Back_to_Love/

A Change of Life:
https://fanfiction.com.br/historia/764899/A_Change_of_Life/

O próximo capitulo de Destiny sai na semana que vem, mas já vou avisando que não terá um dia fixo para postar, pois meus horários são bem malucos.

Não se esqueçam de me avisar se gostaram.

Bjs e até logo.