Destiny

2 Parte 2


Notas iniciais
Capitulo novo chegando... Depois de eu ter passado o final de semana sem internet no PC, finalmente consegui voltar aqui e postar mais um capitulo dessa historia que eu amo tanto. Boa Leitura...

— Essa foto foi tirada antes delas viajarem – Carrie passa os dedos pelo papel, tocando nos rostos de filha e neta – Antes delas viajarem e morrerem presas naquele prédio.

— Desculpa perguntar – A curiosidade toma conta de mim – Mas como elas morreram?

— Carla estava terminando a faculdade de medicina – Carrie começa a contar – Ela estava prestes a conseguir um emprego no hospital que era dirigido pela irmã do meu marido, em Nova Iorque. E para ajudar a fechar o contrato, ela foi se encontrar com uma advogada, mas seu escritório ficava em uma das torres gêmeas. E infelizmente, ela levou Caitlin nessa viagem – Enquanto ela conta, eu me sinto ansioso, em saber se é real o que se passa em minha mente agora – Quando aconteceu o ataque no 11 de setembro, elas estavam lá. Os bombeiros não souberam me explicar o que aconteceu, pois ninguém as viu lá dentro, mas também de lá elas não saíram.

Enquanto ouço a história, e encaro a foto em minha frente, não consigo tirar da minha mente que Carla e Caitlin são as mesmas pessoas que vejo em muitos dos meus pesadelos.

— Eu sinto muito – Digo como forma de conforto, enquanto toco no ombro de Carrie, que parece lutar para não desabar em lágrimas.

— Está tudo bem – Mesmo triste, ela esboça seu lindo sorriso – Elas se foram a muito tempo, e não há nada que possa mudar o passado, por isso eu sigo em frente.

Ela me parece bem abalada, por ter contado a história da família que perdeu. Mesmo assim, ela continua com sua voz simpática, e seu sorriso contagiante.

Quando saio de sua casa, fico pensando no que ela havia me dito, sobre não poder mudar o passado. Eu sei que ela está certa, mas é como se algo dentro de mim, me forçasse a querer dizer que isso não é verdade.

Com o dinheiro que ganhei pelo dia, consigo comprar um pouco de comida, o suficiente para hoje, amanhã e talvez também dê para quinta. Provavelmente esse mês vou conseguir pagar o aluguel.

Acordo no dia seguinte, da mesma forma que ontem. Cansado, ofegante e suado. Dessa vez, o sonho foi exatamente como aconteceu naquele dia.

Por causa do horário que acordei, saio para correr apenas algumas voltas no quarteirão. Hoje é sexta-feira, dia de limpar a casa da Senhora Queen.

— Bom dia, Thomas – A mulher, que tem cabelos loiros, olhos azuis, e idade para ser minha mãe, diz quando abre a porta para mim – Entre.

— Bom dia, senhora Queen – Digo o mais formalmente possível.

Moira Queen também mora sozinha. Ela tem uma importante empresa na cidade com seu nome, a Queen Consolidated, mas depois que seu marido e seu filho morreram, ela entregou a empresa nas mãos do sócio e melhor amigo de seu falecido marido. Hoje ela vive uma vida simples, sobrevivendo com o dinheiro por ser a dona da empresa. Moira tem condições de ter uma vida cheia de luxo mesmo sem ter que trabalhar, mas sua personalidade simples permite que ela viva feliz aqui.

Quando eu estava trabalhando para a Carrie Snow a dois meses, ela contou para Moira sobre mim, e a mesma me chamou no mesmo dia para trabalhar para ela. Senhora Queen costuma receber amigos e sócios da empresa em sua casa, então gosta de tela impecável sempre, por isso vou três vezes na semana.

Ela não me atrapalha enquanto faço meu trabalho. Quando chego para limpar a sala, ela até me ajuda, movendo alguns moveis, mesmo eu dizendo que não precisava.

Estou terminando de limpar a estante, quando reparo na foto de seu filho na mesma. Um garotinho, de no máximo dez anos, o cabelo loiro escuro caindo por cima da testa, mas não cobrindo os olhos num azul vivo como os de Moira.

Eu já havia visto aquela foto milhares de vezes, mas só hoje prestei atenção, e o achei familiar.

— Senhora Queen – Digo me virando, para encarar a mulher que está lendo um livro no sofá – Eu posso fazer uma pergunta, um tanto pessoal?

— Claro que sim – Ela sorri – O que você quer saber?

— É sobre seu filho – Hesito um pouco, aguardando uma reação dela se eu poderia continuar. Ela assente, e eu continuo – O que aconteceu com ele?

— Venha aqui – Ela aponta para o espaço livre no sofá, ao seu lado.

Quando me sento, ela levanta e vai até uma gaveta da estante. Quando volta a se sentar ao meu lado, me entrega uma foto. Nela, um homem de cabelos escuros e olhos azuis, tem um garotinho pendurado em suas costas, é o garoto da foto na estante, os dois sorriem um para o outro.

— Esse é Robert, meu falecido marido – Ela aponta para a foto – E esse, é meu filho, Oliver.

— Ele se parece muito com a senhora – Digo, o que a faz sorrir.

— Robert era um marido incrível, um pai maravilhoso, e um ótimo presidente da empresa da família – Ela começa a contar, de forma nostálgica – Ele gostava de fazer tudo ele mesmo, como por exemplo, Robert tinha o costume de ir até a pessoa que ele queria entrevistar para trabalhar pra ele. Quando soube de uma advogada, muito renomada, que iria se mudar para Starling City, ficou interessado em traze-la para ser a advogada oficial da empresa. Mas como era muito teimoso, ele foi pessoalmente no trabalho da moça que ficava em Nova Iorque – A menção da cidade, e o rumo que a história está tomando, me deixa arrepiado, eu sinto que sei como essa história vai terminar – Oliver, meu filho, quando soube que o pai ia a Nova Iorque, quase deu um chilique, ele sempre quis conhecer a cidade. Robert decidiu leva-lo, conheceriam a cidade depois de fazer a entrevista com a moça.

Quando ela faz uma pausa, eu sei que está chegando num momento delicado. Toco em seu ombro, mostrando que ainda estou ali. Ela olha para a foto que ainda está em minhas mãos.

— Robert escolheu o pior dia para fazer a entrevista – Ela parece conseguir forças para continuar – Pois o escritório onde a moça trabalhava ficava em uma das torres gêmeas – Eu abaixo a cabeça, e ela parece notar que eu já entendi – Pois é, eles foram no dia 11 de setembro. Robert chegou a sair do prédio, mas com o tumulto de pessoas, acabou se perdendo de Oliver. Um bombeiro disse que tentou impedir, mas Robert voltou para dentro do prédio a procura de Oliver, e os dois morreram quando o prédio veio ao chão.

— Eu sinto muito – Digo tentando transmitir um pouco de conforto. Ela sorri em forma de agradecimento.

— Eles tiraram essa foto no mesmo dia do acidente, e me enviaram pelo correio. Olhe atrás.

Quando viro a foto, no verso posso ver o recado escrito.

Eu saí daquela casa um pouco abalado. Parece muita coincidência, ou seria destino? Não tenho certeza de acredito nisso.

Descobri que a filha e a neta da Senhora Snow morreram no mesmo prédio de onde eu saí no 11 de setembro, assim como o marido e o filho da Senhora Queen. E por incrível que pareça, todos nós estávamos no mesmo andar de advocacia. Mas eu saí de lá ileso, enquanto nenhum deles conseguiu sobreviver.

Isso parece meio injusto. E se Oliver tivesse sobrevivido e se tornado o presidente da empresa de sua família? E se Carla tivesse conseguido se formar na faculdade? E se Caitlin tivesse tido a oportunidade de crescer e viver sua vida?

Mais perguntas sem respostas.

A noite chega e a única coisa que penso antes de dormir, é que eu sei que vou sonhar com eles. Então me deito, e fecho os olhos, deixando que o sono me leve.

Eu estou em pé, no que parece ser uma sala de espera de alguns escritórios. Olho em volta, e vejo algumas pessoas sentadas em cadeiras, perto delas, há um espaço com tapetes coloridos, e várias peças de montar espalhadas pelo chão.

É quando eu me vejo, sou eu ali com 10 anos, o ele/eu está rodando uma peça vermelha nos dedos, distraído. E eu sei que ele está pensando, quando será que sua mãe irá sair da reunião.

Ao lado dele, há um garoto. Imediatamente o reconheço por ser Oliver. Ele está empilhando várias peças, montando uma estrutura que não sei identificar o que seria.

Eu percebo que o prédio continua estável, quer dizer que o primeiro avião ainda não atingiu o prédio.

Eu sei que estou sonhando, é sempre assim, eu tenho total controle sobre meus atos aqui.

Como sei que ainda tenho tempo, decido ir a procura das Snow. Como já estive nesse sonho milhares de vezes, sei o caminho exato para onde elas estão. Abro a porta da pequena sala de reuniões, e as vejo conversando, sentadas nas cadeiras, provavelmente esperando a dona desse escritório em especifico.

Elas me encaram, ambas confusas. Mas quando tento me aproximar, sinto uma forte dor de cabeça, tudo começa a girar, mas sou apenas eu ficando tonto. A dor aumenta, e eu perco o controle de minhas pernas, caindo no chão. Antes de sentir o impacto, eu acordo.

Eu não consigo entender o que aconteceu. Todas as vezes, eu fazia de tudo para o sonho terminar da mesma forma, de preferência comigo sobrevivendo. Mas quando tentei fazer algo diferente, me senti estranho.

Acordei com a mesma dor de cabeça que sentia no sonho. Dessa vez, meu sono parece que durou tão pouco tempo, pois eu nem cheguei ao final do sonho, como geralmente acontece, mas o dia já amanheceu.

Hoje é sábado, dia de enfrentar o sol quente o dia inteiro.

Chego na agencia imobiliária no horário de sempre, e já dou de cara com minha chefe, muito bem-humorada, como sempre.

— Bom dia, Thomas – Ela me abraça.

— Bom dia, senhora Smoak – Retribuo o abraço.

— Já disse, e não gosto de repetir – Ela fica séria por um momento – Você pode me chamar de Donna, ou Don, como preferir.

— Então você pode me chamar de Tommy – Dou a ela meu melhor sorriso, e a permissão para me chamar como eu era chamado na casa dos meus pais e na escola pelos amigos mais próximos.

— Que gracinha. Tommy, eu gostei – Ela volta a sorrir.

Donna Smoak é a dona do IS – Imóveis Smoak. Eu trabalho pra ela e seu marido, desde que Carrie e Moira falaram a eles sobre mim, aparentemente, as três são amigas a muito tempo. Donna é a mulher mais feliz que eu conheço, está sempre abraçando as pessoas, e não perde a oportunidade de sorrir a todo momento.

— Então – Eu digo, voltando meus pensamentos a realidade – Eu preciso trabalhar.

— Você deveria relaxar – Ela bufa de forma engraçada.

— Carrie me disse a mesma coisa – Continuo sorrindo – Mas isso foi na quinta, e aqui estou eu.

— Eu não vou nem discutir, Tommy – Ela para e sorri abertamente ao dizer meu apelido – Os folhetos de hoje estão atrás do balcão.

Ela me abraça novamente, antes de ir para os fundos do estabelecimento. Ainda é cedo, não está aberto.

Pego os montes de folhetos que estavam atrás do balcão. Minha função, é me posicionar no farol que existe no centro da cidade, praticamente meu território, e distribuir os folhetos da IS nos carros quando o semáforo fechar. Se sobrar algum folheto, devo devolver aos Smoak’s, mas costumo trabalhar até tarde, contanto que eu volte sem nenhum folheto em mãos.

Quando termino de entregar todos os folhetos, o sol já esta se pondo. Volto para a sede da IS, afim de avisar que mais uma vez, cumpri com até mais do que minha obrigação. Não é um trabalho fácil, por ser cansativo e até desgastante. Mas eu o exerço com esforço e dedicação, por ser um serviço digno.

— Tommy? – Donna pergunta, quando entro no local pouco antes dela fechar – Pensei que a essa hora já tivesse ido pra casa.

— Eu já estou indo – Digo quando ela vem me abraçar – Vim só avisar que todos os folhetos foram entregues, a todos os veículos que passaram por mim.

— E o que garante que você não os jogou no lixo, e passou o dia fazendo banalidades? – A voz de Quentin Smoak se faz presente.

— Deixa de ser chato, querido – Donna repreende o marido, antes de voltar a olhar pra mim – Não ligue pra ele, nós sabemos que você é um rapaz honesto.

Quentin é um homem até que simpático, mas isso apenas depois dele avaliar se você é confiável. Ele demonstra gostar de mim, apenas tem uma cara assustadora. Creio que ele seria um ótimo policial, esse olhar faria qualquer marginal confessar todos os seus pecados.

— Está tudo bem – Tranquilizo Donna – Se fosse eu, também pensaria duas vezes antes de acreditar.

— Você é uma gracinha – Donna me olha com carinho – Minha filha teria gostado de você.

Donna costuma dizer coisas assim. Ela sempre deixa escapar o “minha filha” no meio de um assunto, e sempre falando dela no passado. Eu nunca me importei muito, até porque tanto ela, como Quentin parecem ficar chateados e mudam de assunto depois. Mas hoje eu me sinto diferente, uma curiosidade imensa toma conta de mim.

— Olha a hora, Don – Quentin muda de assunto – Precisamos fechar, odeio atender clientes a noite.

— Eu posso fazer uma pergunta a vocês dois? – Decido tomar coragem.

— Pode sim – Donna quem responde, enquanto tranca a porta, e vira a placa com a palavra “fechado” para fora.

— O que aconteceu com a filha de vocês? Pois sempre mencionam ela no passado, mas nunca falaram mesmo sobre ela.

Vejo os dois se encararem, sinto o clima ficando tenso, e um olhar triste se instala no rosto de ambos.

— Ela morreu quando tinha 8 anos – Quentin diz de forma direta.

— Não diga assim, querido – Donna repreende o marido – Felicity era nossa única filha – Ela começa a contar me encarando, vejo a tristeza em seus olhos ao lembrar da filha – Ela havia ido passar uma semana na casa da minha irmã, que era uma advogada em Nova Iorque – A menção a cidade me traz aquela mesma sensação de ontem – Minha irmã precisou resolver um assunto de emergência no escritório, e levou Felicity com ela. Acontece que o escritório dela era em uma das torres gêmeas, e isso foi no dia 11 de setembro – Passo meu braço em seus ombros, para conforta-la.

Quentin se aproxima de nós, ele toca no braço de Donna, antes de me encarar e continuar a contar.

— Nossa Felicity era muito ligada em toda a tecnologia que estava expandindo na época. Ela provavelmente estava com minha cunhada, dentro de seu escritório, pois nenhuma das duas saiu do prédio quando ele começou a ser evacuado.

— Eu sinto muito – Digo com a voz baixa.

— Nós seguimos em frente com nossas vidas – Donna parece estar mais tranquila – Não conseguimos culpar ninguém por terem levado nossa garotinha, apenas o responsável pelo atentado.

— Aqui – Quentin tira sua carteira do bolso, e de dentro dela, uma foto dobrada. Ele me entrega – Essa era ela, a nossa Felicity.

Na foto, vejo uma garotinha com cachos loiros como os da mãe, e olhos azuis como os do pai. Ela está sorrindo, enquanto mostra as mãos para a câmera, levantando oito dedos.

Me despeço de meus chefes, prometendo voltar amanhã no horário combinado.

Receber mais essa notícia foi chocante. Agora eu sei que sou próximo da família de mais uma pessoa, que estava tão próximo a mim naquele dia, e não sobreviveu como eu.

Na hora de dormir, os rostos daquelas três crianças passam em minha mente, hoje eles teriam quase a mesma idade que eu. Fecho os olhos, agora eu sei que os verei, mas ainda não sei como reagir, então deixo o sono me levar.

Notas finais
E mais um capitulo se encerra... Quero muito saber o que vocês estão achando de 'Destiny', ver que vocês querem saber o desfecho dessa historia, me motiva a continuar. Vou estar postando o próximo capitulo apenas na semana que vem Uma boa semana pra todos vocês Bjs e até a próxima