Destiny
7 Capítulo 7
Notas iniciais
– Vocês o quê?! — Teddy grita, chamando a atenção daqueles que estavam ali em volta.
– Teddy! — Arizona repreende, suas bochechas corando por causa dos olhos curiosos em cima dela. — Ficou louca?
– Me desculpe, mas eu realmente fiquei surpresa, digo... — Antes de continuar a mulher se vira para um grupo de internos que ainda prestavam atenção na conversa delas. — Ei, vocês! — Ela chama. — Por que não vão fazer algo de útil e salvar a vida de alguém?
Os internos apenas a olharam com os olhos arregalados, assustados com o tom da mulher, e antes que ela pudesse pedir duas vezes eles correram desajeitados para outra ala do hospital.
– Nossa... — Arizona diz. — O quê deu em você hoje?
– Nada. Só um plantão muito longo que parece não ter fim. — Ela diz, usando um tom bem dramático. — Mas não tente mudar de assunto, pode me contar tudo o que aconteceu ontem. — Ela disse, entrelaçando seu braço direito no braço esquerdo de Arizona e arrastando a mulher para o andar da cardiologia, onde ficava seu consultório.
Elas passaram bem uns vinte minutos conversando sobre a noite anterior, Teddy ficou surpresa quando Arizona contou o que Colleen havia aprontado; Teddy já não era uma grande fã da mulher, agora sabendo disso ela passou a gostar ainda menos dela.
Quando Teddy chegou a Seattle para assumir o cargo de chefe da cardiologia, ela e Arizona se tornaram amigas bem rápido, foi mais ou menos na época em que a loira havia terminado com Colleen. A mulher, nada satisfeita com o pé na bunda que levou da loira, havia cismado que o motivo para Arizona a afastar era que ela e Teddy estavam em algum tipo de relacionamento, e só aquele pensamento insano foi o suficiente para que Colleen passasse a odiar Teddy e tornar sua vida um inferno. A mulher só parou de perturbar quando Teddy, finalmente tendo o suficiente dela, a pegou pelo uniforme e a pressionou contra uma parede, prometendo fazer da vida dela um inferno pior do que o que ela havia causado.
– Eu deveria ter esperado isso dela. — Ela diz. — Ela fez um inferno na minha vida quando pensou que você e eu tínhamos alguma coisa. — Ela relembrou a loira, quem, ao lembrar das imagens de certas situações, começara a rir. — É sério, Arizona, pare de rir. Aquela foi uma das piores épocas da minha vida, não sei como você a aguentou por tanto tempo.
– Para ser sincera... nem eu. — Ela confessou. — Eu devo ter um super poder, ou algo do tipo.
– Você com certeza tem, irmã! — Teddy brinca.
– Mas agora eu parei com ela, de verdade. Eu tentei ser amiga, digo... colega, porque acho que jamais iria conseguir considera-la uma amiga, mas ela passou dos limites e eu cansei. — Arizona diz com firmeza. — Eu estou gostando da Callie pra valer, eu não posso deixar Colleen atrapalhar esta chance que eu tenho com ela... não mais do que já atrapalhou.
Teddy estuda sua amiga por um tempo. Arizona estava vivendo novamente, o brilho nos olhos dela haviam voltado mais fortes do que nunca e ela não poderia estar mais feliz por sua amiga.
– O que foi? — Arizona perguntou, corando por causa do longo tempo que sua amiga passou a observando.
– Nada... é só que... eu estou realmente feliz por ter te dado aquela cartão. — Ela confessa, um grande sorriso aparecendo em seu rosto.
– Eu também! — Arizona diz rindo. — Ela me pediu pra voltar hoje...
– Pediu? — A mulher pergunta, interesse claro em sua voz.
– Sim... para uma sessão especial.
– Humm... especial? — Teddy provoca.
– Sim... mal posso esperar. — Arizona confessa enquanto se levanta. — Bem, por mais que eu esteja adorando essa conversa de mulherzinha... — Ela ri. — alguém aqui tem trabalho de verdade pra fazer, criancinhas doentes pra salvar.
– Cala a boca! — Teddy ri, tacando uma caneta em Arizona quem consegue desviar em um rápido movimento. — Almoça comigo hoje?
– Com certeza. Vejo você no almoço. — São as últimas palavras de Arizona antes de seguir em direção ao andar da pediatria.
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Se tinha alguma coisa que realmente irritava Arizona era quando ela estava ansiosa para alguma coisa e o tempo parecia ter congelado. Ainda eram 10 da manhã, apenas duas horas mais tarde desde sua conversa com Teddy. Ela havia feito consultas, ficado um pouco na emergência ajudando alguns dos novos internos a fazer algo decente, preencheu prontuários e mesmo assim a hora parecia não passar.
Quando Arizona se sentia ansiosa o seu primeiro instinto era fumar pra poder se acalmar um pouco, mesmo sabendo que aquele vício, mesmo que não fosse feito com frequência, acabaria a matando algum dia... mas agora, nem vontade de fumar Arizona tinha. Ela queria ocupar sua cabeça, ela queria uma cirurgia bem complicada, que a ocupasse por um bom tempo assim a distraindo e fazendo parecer que as horas tivessem passado bem rápido, mas nem isso ela teve.
– Robbins! — Ela escuta uma voz vindo da entrada do hospital.
Naquele momento ela estava sentada em um dos bancos que haviam no pátio do hospital tentando ocupar sua cabeça contando o número de carros vermelhos e azuis que passavam pela agitada estrada.
– Que droga, Karev! — Ela responde. — Me fez perder a conta.
– Conta? — Ele pergunta confuso. — Você realmente está contando carros? — Ele franze o cenho, ele conhecia sua mentora, sabia de alguns de seus hábitos era a contagem de carros para se distrair, fora ele mesmo quem a ensinara.
– O que foi? Você quem me ensinou a fazer isso! — Ela responde. — Pra você ver o quão entediada eu estou. Nenhuma cirurgia agendada, nenhum trauma... meu dia está parado.
– Então eu acho que eu posso ajudar a ocupar sua mente.
– Eca, Karev, não! — Ela responde, entendendo a oferta do rapaz de maneira errada. — Pensei que você e Wilson estavam juntos. Você está rodando o hospital de novo?
– O quê!? — Ele indaga. — Não Robbins, Deus, não foi isso que eu quis dizer. Embora eu com certeza aproveitaria a oportunidade de dormir com você, sei que você não curte caras.
– Pare de falar, você acabou de colocar uma imagem muito nojenta na minha cabeça. — Ela diz, fazendo uma cara feia. — Muito. Nojenta. — Ela repete com ênfase. — O quê você tem pra mim? Espero que seja realmente muito bom.
– Jo e eu estávamos no laboratório e...
– Eu realmente espero não escorregar em uma camisinha usada naquele lugar, ou vocês estarão em grandes problemas.
– Meu Deus, Robbins, o quê que você tem hoje? — Ele pergunta indignado. — Você precisa começar a fazer sexo novamente, você já está soando desesperada.
– Para sua informação minha vida sexual vai muito bem, obrigada. — Ela responde. — Mas isso não é da sua conta, portanto, continue.
O homem ri da fala da mulher, mas logo volta a sua linha de pensamento. — Então, nós estávamos no laboratório analisando o caso da menina de seis anos que está em Mayo e recebemos um ótima notícia.
– Bem, fale logo então!
– Os pais dela estão dispostos a participar da triagem, eles vão trazer ela pra Seattle. — Ele diz, super animado.
– O quê?
– Excelente notícia, não é?
– Bem... seria. — Ela diz, o sorriso logo desaparecendo do rosto de Karev. — Digo, nós nem recebemos os aparelhos ainda... e precisamos da aprovação do FDA pra começar a triagem em humanos.
– Mas até agora tem dado tudo certo, os ratos tiveram uma melhora incrível. Por quê eles não dariam a aprovação?
– Eu... eu não sei. É tanta burocracia que...
– Robbins? — Ela a interrompe. — Você está com medo não está?
Ela olha para seu pupilo, nenhum tipo de julgamento presente em seus olhos, apenas preocupação. As vezes Arizona o odiava por conhecê-la tão bem.
– Não é medo, é só que... eu não quero dar falsas esperanças a outra família, Alex. — Ela confessa.
– Você nunca deu falsas esperanças a família de Wallace, Arizona. — Ele diz com um tom confortante enquanto se senta ao lado a mulher no banco. — Eles sabiam que o tempo com o menino era curto e você nunca disse mais do que poderia fazer... assim como eles, você só tinha esperanças de que ele vivesse mais um dia e mais outro dia e assim por diante. Você fez o que estava em seu alcance. E quer uma prova? — Ele pergunta a empurrando levemente com seu ombro. — Eles ainda estão financiando a pesquisa. Eles confiaram em você e ainda confiam. Tenho certeza de que os pais da menina Julie também confiarão... principalmente se falarem com Mary e James.
– Eu não posso pedir isso pra eles Alex.
– Claro que pode, eles se prontificaram a ajudar no que fosse preciso, não foi? — Ela apenas assente com a cabeça. — Então, esta é uma forma de ajudar. Sei que é difícil, mas se formos ficar esperando por coisas fáceis a gente nunca vai fazer nada.
– Nossa... — Ela diz impressionada com as palavras do rapaz. — Quem é você e o que fez com Alex Karev?
– Ah, cala boca Robbins!
– Ah, aí está ele! — Ela brinca. — Tudo bem, vou ligar pra ela e pedir para que conversem com os pais da menina, vou estudar o caso dela e ver se o perfil se encaixa na triagem.
– E quanto a FDA?
– Mandarei um e-mail pra eles hoje. — Ela diz. — Mas enquanto não recebemos uma resposta, Julie deve continuar seu tratamento em Mayo... assim que obtivermos uma resposta, trazemos ela pra cá.
– Tudo bem, vou entrar com contato com eles e passar a informação.
Arizona assente com a cabeça e o rapaz se levanta, indo de volta em direção ao laboratório onde Jo ainda o esperava com uma resposta.
Após passar mais cinco minutos contando os carros vermelhos e azuis Arizona se levanta e vai em direção ao seu escritório. Ela tinha uma ligação bem difícil a fazer.
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Arizona passou tanto tempo conversando com Mary no telefone que nem se deu conta da hora, que diferentemente de mais cedo, passara voando e já estava na hora de ir encontrar Teddy para o almoço. A ligação havia saído melhor do que a loira esperava, tanto Mary quanto seu marido se prontificaram a contatar os pais de Julie e explicá-los sobre o que exatamente se tratava o projeto de Arizona e como eles estavam envolvidos... como, nas mãos de Arizona, seu filho vivera mais anos do que eles poderiam ter sonhado.
Mesmo com a ligação sendo tranquila aquele assunto ainda afetava Arizona. Alex estava certo quando assumiu que ela estava com medo, seu medo não era só de desapontar outra família, mas também de desapontar a si mesma.
– O que houve? — Teddy pergunta da mesa em que estava sentada, logo percebendo a mudança no humor de sua amiga.
– Nada, é só que... acabei de fazer uma ligação bem difícil para Mary. — Ela diz, enquanto coloca sua bandeja em cima da mesa e se senta na cadeira de frente para Teddy, com suas costas voltadas para a entrada da cafeteria.
A loira explicou a sua amiga o que Alex havia contado mais cedo e como havia saído sua ligação com Mary. Teddy ficou feliz em saber que a possibilidade de um voluntário para pesquisa de Arizona já existia, ela acompanhou estes últimos anos nos quais a loira se dedicou ao tratamento de Wallace e sabia o quão importante aquilo era.
– Você pode ganhar um Harper Avery por isso! — Teddy diz, brilho em seus olhos só de imaginar a imagem de Arizona segurando um Harper Avery. — Mas só não faça isso antes de mim, por favor. — Ela brinca, arrancando um sorriso da loira. — Arizona, você não deve se preocupar, acho que você vai se sair muito bem e... — Ela para de falar quando seus olhos caem na mulher que acabara de entrar a cafeteria e agora se dirigia na direção delas. — Droga.
– O que foi? — Arizona pergunta confusa enquanto morde sua cenoura.
– Você-Sabe-Quem está vindo em nossa direção. — Teddy diz, e quando tudo que encontra no rosto de sua amiga é confusão ela decide deixar o código de lado e falar claramente. — Colleen.
Arizona só tem tempo de rolar os olhos antes da mulher chegar na mesa e cumprimentar as duas loiras com um "Olá."
Teddy observa Arizona, esperando por qualquer tipo de reação. Ela sabia que sua amiga estava com raiva da mulher, mas também sabia que Arizona era bem controlada, quase que uma profissional. E quando ela queria evitar alguém, mesmo que a pessoa viesse até ela, como agora, Arizona jogava o jogo do cego, surdo e mudo e apenas fingia que a pessoa não estava ali.
– Olá. — Teddy diz, por mais que ela não gostasse da mulher ela não conseguia ser igual a Arizona, ignorar assim na cara dura. Ela creditava que o quanto mais rápido respondesse, o mais rápido o assunto seria resolvido e a mulher iria embora.
Mas com Colleen não era bem assim...
– Se importam se eu me sentar aqui? — Ela pergunta, apontando para cadeira vazia ao lado de Arizona. — O resto das mesas já estão ocupadas.
Arizona apenas deixa uma risada sarcástica sair de sua boca por causa do comentário da mulher, o que não faltava no refeitório era cadeira.
– Bem, acho que vou considerar esse silêncio um sim. — Ela diz com um sorriso sem graça e se senta.
Alguns minutos de silêncio constrangedor passam entre elas e nada da mulher se tocar. Será que ela nunca vai perceber que não é bem vinda aqui? Arizona continuava a se perguntar conforme mordia suas cenouras cada vez mais forte, ela precisava descontar sua raiva em algo, e a cara da mulher no meio do refeitório não seria a melhor opção.
– Então... — Colleen diz. — Quando vamos sair de novo? Me diverti bastante semana passada.
Aquela fora a gota d'água para Arizona, ela não aguentava mais. Porém, para não dar a mulher o gostinho de vê-la com raiva ou perdendo a razão, Arizona se levanta e olha para Teddy.
– Eu tenho que ir, vou ligar pra Callie pra ver se está tudo certo para o nosso encontro. — Teddy apenas assente com a cabeça e a loira se retira, indo em direção ao seu escritório.
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Depois do almoço conturbado o tempo pareceu congelar novamente, Arizona passou uns cinco minutos olhando para o relógio e pareciam que apenas um minuto havia passado.
Ela ligou para o celular de Callie, mas a latina não atendera, então a loira decidiu ligar para o spa e foi quando Addison atendeu, dizendo que Callie não poderia falar no momento pois estava com uma cliente.
As imagens das mãos de Callie percorrendo o corpo de outra pessoa embrulhava o estômago de Arizona, ela sabia que ela não tinha nenhum tipo de exclusividade, que aquele era o trabalho de Callie, mas mesmo assim ela não podia não se sentir assim, era como se ela quisesse Callie só pra ela, que só ela tivesse o direito de ser tocada por Callie e acariciada por suas mãos mágicas.
Só o pensamento de Callie percorrendo suas mãos por seu corpo, explorando cada parte dele, fez com que Arizona se arrepiasse e uma onda de excitação percorresse seu corpo. Como era possível só o pensamento sobre aquela mulher ter tanto efeito sob ela? Ela definitivamente havia caído nos encantos de Callie.
Após ir ao banheiro para jogar um pouco de água fria no rosto para acalmar o calor que havia surgido em seu corpo, Arizona recebeu um chamado para uma cirurgia de emergência, cirurgia a qual havia durado mais do que devia e agora Arizona estava mais do que atrasada para encontrar Callie... mesmo que ela não tivessem marcado um horário exato.
A loira dava passos cada vez mais apressados para diminuir a distância entre seu corpo e o spa, ela havia ansiado por aquele momento o dia inteiro e mal podia acreditar que a hora finalmente havia chegado e ela estava ali. Mas seu sorriso se desfez assim que chegou na frente do spa e a porta de alumínio já estava abaixada. Tarde demais?
– Callie, sinto muito mesmo, não queria te deixar na mão, mas fui chamada para essa cirurgia de emergência que...
Ela parou a mensagem de voz que ia deixar na caixa de mensagem de Callie quando ouviu o barulho de algo dentro do spa e logo a porta de alumínio se levantou um pouco, deixando à vista longas pernas morenas, das quais Arizona não conseguia tirar os olhos.
– Vai ficar aí fora? — Callie pergunta. — Vamos! Passe por debaixo!
Arizona obedece prontamente e se curva para passar no espaço entre a porta de alumínio e o chão.
– Eu pensei que você não estivesse mais aqui. — Arizona diz, seus olhos percorrendo o corpo da Latina dos pés a cabeça. Essa noite ela parecia estar ainda mais bonita.
Callie vestia um vestido curto e leve que mais parecia uma camisola, o tecido era um pouco largo, mas não o suficiente para não demarcar as curvas da latina, ele tinha um decote que revelava apenas o suficiente para fazer qualquer um querer ver mais e o comprimento ia até o meio das coxas de Callie. E que coxas...
– Olhos no rosto, Arizona! — Callie brinca, levando sua mão direita até o queixo da loira e o levantando fazendo com que Arizona a olhasse nos olhos. — No rosto.
– Me desculpe. — Arizona diz pigarreando. — É só que... — Seus olhar ameaça cair no decote da latina novamente, mas Callie mantem seu queixo no lugar.
– Eu tive de abaixar a porta ou clientes não parariam de aparecer. — Ela explica, se virando e indo para trás do balcão, de onde tira dois conservatórios de papelão que mantinham a comida chinesa que ela havia pedido, quente. — Comecei a achar que estava ficando tarde e você não apareceria e quase fui embora. — Ela explica. — Mas aí lembrei que é médica e seus horários são loucos então te dei uma hora de bônus.
– Fico feliz que eu tenha ganhado um bônus. — Arizona diz com um sorriso.
– Jantar? — Callie diz, apontando para os dois conservatórios e Arizona balança a cabeça em confirmação. — Não sei se você gosta de comida chinesa, mas resolvi arriscar.
– Adoro comida chinesa. — Arizona diz.
– Acho que ganhei alguns pontos, então? — Callie brinca.
– Pode apostar. — Arizona responde com uma piscadela.
– Então... sei que seria meio esquisito a gente comer aqui na recepção então preparei um espaço pra gente na minha sala, vamos lá. — Ela explica, pegando a comida e indo em direção a sua sala, ela pede para que Arizona abra a porta e a loira assim faz, sua boca abrindo em surpresa ao ver a decoração da sala. — E então... será que ganhei mais alguns pontos?
Callie havia feito uma arrumação diferente em sua sala depois que todos haviam ido embora, depois de ansiar em ver a loira o dia inteiro ela pensou que realmente seria legal fazer algo especial só pra elas, e foi aí que o empurra-empurra começou. Callie afastou a cama de massagem que geralmente ficava no centro da sala para o canto, e a mesinha que ficava no canto apenas como suporte para alguma velas e incensos estava no meio da sala, onde elas se sentariam nas almofadas em volta da mesma e jantariam enquanto conversavam e aprendiam mais uma sobre a outra. Na prateleira do canto, ao lado de onde ficava o cabide que Arizona costumava pendurar sua roupa quando estava prestes a fazer uma sessão, se encontrava uma pequena caixinha de som na qual um Ipod estava plugado e a um volume ambiente, na verdade quase que inaudível, tocava a música "Ain't Nobody In The World" que dava um clima romântico ao local juntamente com a luz baixa.
– Você precisa dizer alguma coisa. — Callie diz, já ficando nervosa quando nenhuma reação vem da loira.
– Calliope... — Arizona sussurra, ainda impressionada com o esforço que Callie tinha feito para tornar aquele momento realmente especial. — Isto... isto é... uau.
– Uau? — Callie pergunta, ainda confusa. — Uau como em... uma coisa boa ou...?
– Como em uma coisa boa. Definitivamente como em uma coisa boa. — Arizona responde, finalmente se virando para a mulher e caminhando em sua direção. — E você... — Ela diz, retirando os conservatórios das mãos de Callie e os colocando em cima da mesa, logo depois se virando para a morena novamente e jogando seus braços em volta do pescoço de Callie. — Com certeza ganhou pontos com isso.
Callie sorriu, diminuindo a distância entre as duas e conectando seus lábios em um beijo calmo e muito ansiado.
– O que você acha da gente comer agora? — Arizona murmura, ainda contra os lábios da morena. — Estou morrendo de fome.
– Sinto muito, mas você vai ter que esperar. — Callie diz, se afastando da mulher e indo em direção ao canto oposto da sala, de onde retira uma espécie de esteira e forra no chão, colocando um tipo de colchão sobre ela.
– Você agora vai entrar naquele banheiro e tirar suas roupas, eu vou me preparar.
Arizona olha para a mulher com um sorriso inocente e ao mesmo tempo maldoso em seu rosto enquanto caminha em direção ao banheiro.
Menos de cinco minutos depois Arizona sai do banheiro enrolada apenas em uma toalha, a única peça de roupa ainda restante em seu corpo sendo sua calcinha. Callie a indica em direção a esteira, onde era pra ela deitar fazendo um gesto com sua mão direita, o que faz a loira perceber algo que não havia percebido mais cedo.
– O que é isso na sua mão? — Ela pergunta curiosa.
– Ah... — Callie fica sem graça quando olha para sua mão e se lembra de sua última cliente do dia. — É... eu... é o número de uma cliente.
– Na sua mão? — Arizona cruza os braços e levanta uma sobrancelha em desafio.
– É... ela... eu... eu não vou usar. — Callie diz, não sabendo mais enrolar. — Ela me deu o número dela mais cedo caso eu quisesse... sair qualquer dia, mas eu não pretendo usar.
– E por quê não? — Arizona pergunta, ciúmes evidente em sua voz por mais que ela quisesse esconder. Ela não tinha direito de sentir ciúmes de Callie... tinha?
– Ela não é bem o meu tipo.
– E qual é o seu tipo, posso saber?
– Acho que... olhos azuis e cabelos loiros são mais o meu tipo. — Callie diz com uma piscadela. — Agora deita!
Fazendo como praticamente ordenado, Arizona se deita na esteira que Callie havia colocado ali após se dar por satisfeita com a resposta da latina.
Callie logo se ajoelha ao seu lado e começa a se preparar para começar a sessão. Ela pega um óleo de camomila e derrama sob as costas nuas da loira, a toalha cobria somente parte de suas coxas e sua bunda, e começa a escorregar suas mãos por ali, apertando cada nó que encontrava no caminho.
– Você parece tensa. — Callie diz, apertando um nó de certa forma que fez com que Arizona deixasse um gemido escapar sua boca. — Como foi no trabalho hoje?
– Bem. — Arizona diz, sua capacidade de falar sendo um tanto obstruída pela distração e pelo prazer que a sensação das mãos da morena proporcionavam seu corpo. — Tive uns problemas, mas logo resolvi.
– Uhum... — Callie diz, apertando ainda com mais força a cintura da loira. — Me conte mais.
– Bem eu... — Ela é interrompida por outro gemido. — Fica um pouco difícil falar quando... — E outro gemido.
– Ah então você acha que é fácil trabalhar com você gemendo desse jeito? — Callie provoca, se abaixando, seus lábios agora no nível dos ouvidos da loira, as pontas de seu cabelo que encostavam nas costas de Arizona por conta de tal movimento fizeram a mulher se arrepiar. O cheiro do seu xampu invadia os sentidos da mulher a fazendo revirar os olhos. — A primeira vez que você veio aqui foi bem difícil me controlar, Arizona... — Com uma voz rouca ela continuava a provocar, a ponta de seus dedos escorregando levemente nas costas de Arizona indo cada vez mais para o sul fazendo com que um outro arrepio tomasse conta do corpo da mulher.
– Não lembro das suas mãos indo tão para baixo na primeira vez... nem na segunda. — Arizona provoca de volta, segurando um outro gemido que ameaça escapar de sua boca, o hálito quente saindo da boca da latina e atingindo seus ouvidos estavam a levando a loucura.
– Isto é uma reclamação? Você vai me denunciar para minha chefe? — Callie pergunta com um tom um tanto rouco, direcionando a ponta de seus dedos ainda mais para o sul onde quase tocavam a parte de Arizona que ela mais queria apertar naquele momento.
– De forma alguma isto é uma reclamação, continue assim e talvez eu consiga uma promoção pra você. — A loira ri. — mas deve ser bem desconfortável ficar nesta posição não acha? — Ela diz, levantando um pouco seu corpo para olhar para Callie, deixando a lateral de seu seio esquerdo bem a vista da latina.
A mulher, depois de absorver as palavras de Arizona e conseguir tirar seus olhos do seio da loira, consente com a cabeça e muda sua posição, ficando com uma perna dobrada de cada lado do corpo da loira, agora sentada em suas costas.
– Bem melhor, não acha? — Arizona pergunta.
– Você não tem ideia.
Callie continua a percorrer suas mãos pelo corpo da mulher, suas mãos iam para o sul e voltavam para o norte, provocando a mulher debaixo dela, algumas vezes ela até se atrevia a ir um pouco para parte frontal do torso da loira, massageando a carne sensível do lado de seu seio com a ponta de seus dedos, arrancando um gemido quase que primal de Arizona. Callie continuou com suas ministrações e cada vez acrescentava mais intensidade nos apertões arrancando mais gemidos da loira, e aumentando o calor entrar suas pernas, o qual Arizona já podia começar a sentir em suas costas, dando mais intensidade ainda ao calor entre suas próprias pernas.
Em determinado momento, cansada de explorar as costas da loira apenas com suas mãos, Callie se inclina e começa a depositar beijos na nuca e depois nos ombros de Arizona, fazendo a loira jogar o cabelo para o lado para dar a mulher mais acesso. Beijos e apertões agora acontecendo ao mesmo tempo e Arizona não pôde mais se conter; levando suas mãos de uma maneira um tanto desajeitada para as coxas de Callie as acariciando e apertando, fazendo a mulher sentada em cima dela também soltar uns gemidos baixinhos.
– Você acha que a gente está indo rápido demais? — Callie sussurra no ouvido de Arizona, enquanto as mãos da loira vão até quase a altura de sua bunda e voltam.
– Você acha? — A loira para os movimentos de sua mão e se inclina para olhar a morena, que agora tinha seus olhos castanhos quase que dez vezes mais escuros.
– Acho. — Callie responde, fazendo o olhar de Arizona cair. — Mas eu também acho que vou me arrepender se não fizer isso agora.
– É melhor se arrepender de algo que foi feito do que de algo que não foi feito, não é? — Arizona pergunta.
– Exatamente. — Callie responde, depositando um beijo desajeitado nos lábios da loira. — Mas eu tenho quase certeza de que não vou me arrepender disso.
– Nem eu. — A loira diz, de alguma forma arrumando um jeito de se virar de barriga para cima debaixo de Callie, quem agora admirava seus seios nus.
– Tem muita coisa que você não sabe sobre mim... — Callie sussurra, olhando novamente dentro dos olhos de Arizona enquanto acariciava sua bochecha, seus lábios centímetros distantes uns dos outros.
– Mas eu não preciso saber agora.
E tendo dito isto, a loira fecha a distancia que separava seus lábios daqueles vermelhos da Latina em um beijo agitado, mãos exploram corpos enquanto línguas brigam por dominância. Callie se solta dos lábios da loira e começa a depositar beijos em seu pescoço, lentamente indo para o sul, onde se encontra no espaço entre os seios já excitados da loira, se dirigindo para pegar um dos mamilos em sua boca, sua mão massageava o outro fazendo a loira gemer de prazer. Sua língua fazia círculos em um mamilo duro enquanto ela brincava com o outro entre seu dedão e seu indicador. Arizona não estava acostumada a ser dominada daquela forma e não seria naquele momento que ela iria se entregar assim, ela também queria, de maneira vulgar, mostrar serviço, então foi aí que sua mão direita se encaixou no meio dela e de Callie e levantou o pouco que faltava levantar o vestido da morena, logo sentido o fino tecido da calcinha já arruinado com os sucos de Callie que agora começavam a escorrer por suas pernas.
– Você está tão molhada... — Arizona diz em um gemido, e em um rápido movimento ela move o tecido da calcinha de Callie para o lado e pela primeira vez sente o centro quente da Latina em suas mãos, ela mal podia acreditar que fora ela quem provocara tal excitação em Callie e aquele pensamento apenas a instigava a continuar. Ela movia seus dedos para cima, para baixo e em círculos, estimulando ainda mais o clitóris da latina, com dois dedos ela separa seus grandes lábios e em um único movimento seu dedo do meio pela primeira vez penetra a latina, fazendo com que esta solte um alto gemido de prazer.
As duas ficaram ali por horas... ou pelo menos era o que tinha parecido. Elas exploraram e levaram o corpo uma da outra ao ápice do prazer, com uma intensidade que nenhuma das duas não sentiam há muito tempo. Se é que já houvessem se sentido daquela forma...
– Uau... — Callie suspira quando seu corpo cai ao lado de Arizona.
– Uau... como em uma coisa boa? — Arizona provoca, repetindo a pergunta que Callie havia feito mais cedo.
– Ainda há dúvidas disso? — Ela pergunta, virando sua cabeça e olhando a loira diretamente nos olhos.
– Nenhuma... — Arizona diz com um sorriso, acariciando a bochecha de Callie.
– Sai pra jantar comigo? — Callie diz de uma vez.
– Um encontro? — Arizona pergunta e Callie apenas assente com a cabeça. — Pensei que isso aqui já fosse um encontro.
– Foi... improvisado. — Callie diz. — Quero te levar pra jantar, em um lugar legal. Um encontro de verdade.
Arizona a observa por alguns segundos, era muito fofo a maneira como Callie ficava nervosa por tão pouca coisa.
– É claro que eu quero ir em um encontro com você, Calliope. — Ela diz sorrindo, e logo um sorriso de alívio toma conta do rosto da latina.
– Sábado às 19h?
– Sábado às 19h. — Arizona confirma.
Um silêncio paira sob elas enquanto elas olham uma nos olhos da outra, mas logo são distraídas por um barulho vindo de Arizona.
– Acho que estou com fome.
– Isso foi o seu estômago? — Callie pergunta rindo.
– O que foi? Minha última refeição foi as 13h, tipo nove horas atrás. — Ela diz, fazendo biquinho.
– Tudo bem, vamos comer, a gente não quer que você morra de fome, não é?
Logo as duas se levantaram e Arizona vestiu sua roupa, Callie ficara vestida em sua camisola o tempo inteiro, a única coisa que fora arrancada no caminho foi sua calcinha, a qual não tinha mais como utilizar pois Arizona havia rasgado o material.
Quando as duas estavam sentadas comendo e conversando Callie não podia deixar de perceber a felicidade que vinha da loira e que de certa forma a contagiava, mas ao mesmo tempo que ela queria ficar feliz de ter Arizona em sua vida, ela tinha medo do que poderia acontecer quando Arizona descobrisse a verdade sobre ela e sobre seu passado.
Eu espero que um dia você possa me entender...
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