Destiny
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Sábado — 18:30
Sinto muito, mas estou cancelando hoje à noite. — C
Arizona PDV:
Eu não entendi o que havia saído errado. Nós estávamos tão bem durante esses dias que estávamos juntas. Depois daquela noite que nenhuma de nós jamais esquecerá, começamos a nos aproximar cada vez mais; almoçávamos juntas todos os dias, eu ia ao spa visitá-la de noite quando eu não estava trabalhando no turno da noite e a levava para tomar alguma coisa. Nós conversamos mais, compartilhamos histórias e aprendemos mais um pouco uma sobre a outra... mas mesmo assim eu ainda tinha a sensação de que ela escondia algo. Nunca pressionei demais o assunto com medo de aborrecê-la e assim a afastar de mim, eu tinha a sensação de que ela acabaria me contando em algum momento... mas agora, tudo que eu sei é que eu não sei de mais nada.
Será que eu fiz algo errado?
Será que eu disse algo que não deveria ter dito?
Eu estava ansiosa por este encontro. Cheguei a trocar de roupa umas três vezes, eu não tinha ideia do que ia usar, porque nada parecia ser bom o suficiente e aquilo estava me deixando nervosa. Eu nunca havia ficado tão nervosa para um encontro antes... talvez até ansiosa, mas nervosa? Nunca. Sempre me achei bonita, confiava no poder das minhas covinhas, não tinha porquê eu ficar nervosa... mas novamente, as coisas eram diferentes com a Callie. Ela sempre me deixava nervosa.
Eu lembro que passei o dia inteiro pensando no encontro, imaginando como seria... só para no final Callie me dar um banho de água fria, o cancelando 30 minutos antes.
De primeira fiquei magoada, mas logo depois a mágoa foi substituída pela raiva.
Ela não atendia minhas ligações, não respondia minhas mensagens e quando fui procurá-la no spa dois dias depois para ver se conseguia algum tipo de explicação, Addison me informou que Callie havia tirado a semana inteira de folga.
A semana inteira? Sete dias?
Que diabos estava acontecendo!?
– Consigo ver fumaça saindo dos seus ouvidos. — Teddy diz, me acordando de meus pensamentos. — Pensando nela de novo?
Se havia alguma coisa que estava me ajudando a não perder a cabeça completamente, essa "coisa" era Teddy, sem dúvida alguma. Desde minha infância eu nunca havia tido uma amizade consistente, pertenço a uma família de militares, o que significa que nos mudávamos sempre, nunca ficávamos mais de 18 meses em um único lugar.
Uma vez, quando eu tinha sete anos cheguei a ter algum tipo de amizade com a filha de um amigo do meu pai, mas aquilo não durou muito tempo porque tínhamos personalidades muito fortes e diferentes, o que nos levou a uma briga bem feia determinado dia, e foi nesse dia que eu decidi que eu não precisava de outros amigos, que a amizade do meu irmão era o suficiente.
Mas isso foi até eu chegar aos trinta e encontrar em Teddy uma grande amiga, aquela com quem eu podia contar em todas as horas; Teddy era quase como uma irmã pra mim e eu sou muito feliz por poder assim considerá-la, ela sempre me ajuda a lidar com todas as bombas que estouram em minha vida.
– É tudo que eu tenho feito nesses últimos dias. — Digo enquanto brinco com a comida em meu prato, a empurrando com o garfo de um lado para o outro, estava sem vontade de comer coisa alguma — Eu realmente não sei o que fazer. Quando eu penso que finalmente vamos ficar bem, alguma coisa acontece e ela se afasta... some sem deixar nenhum rastro ou qualquer tipo de explicação.
– Me lembre de dar uns tapas nela quando ela aparecer. — Ela brinca, me fazendo rir pela primeira vez naquele dia.
– Eu nem sei se vou vê-la novamente algum dia.
– Tá legal, esse comentário que você fez agora... — Ela diz, apontando para mim. — foi realmente muito depressivo. A Arizona Robbins que eu conheço não é depressiva, tal palavra nem existe no dicionário dela.
– Eu sei, é só que... não tenho ideia de onde ela esteja. — Digo com um tom cabisbaixo. — E se ela estiver passando por algo difícil? Digo, uma semana inteira de folga não é algo que ela faria do nada, a Callie que eu conheço não faria isso. Eu não a conheço tanto assim porque ela não se abriu muito para mim, mas... esta não é ela.
– Eu pensei que ela tinha se aberto pra você. — Minha amiga diz, levantando uma sobrancelha sugestivamente.
– Teddy! — Exclamo me engasgando com meu suco. A mulher apenas riu de mim. — Eu não quis dizer isso desta forma, sua pervertida!
– O quê? Não? Me desculpe, entendi errado então. — Ela se faz de boba.
– Mas... quem me dera... — Digo, imagens de nossa primeira vez passando em minha mente.
– Eca, pare com isso! — Ela diz. — Você está com esse sorriso na sua cara... para de pensar em sexo dessa forma na minha frente! Quem é a pervertida agora?
– Você que começou! — Digo rindo.
– E agora estou parando. — Ela ri junto comigo.
– Muito obrigada... eu estava precisando rir um pouco.
– Não há de quê. — Ela responde, me dando uma piscadela.
– Eu estava pensando... — Digo um tempo despois que paramos de rir. — Seria muito estranho se eu fosse até a casa dela?
– Como? Você vai stalkear ela?
– Não! Não desse jeito... — Nego, eu jamais faria algo assim. — Eu realmente estou preocupada.
– Bem, eu não sei... talvez seja um tanto estranho, mas vocês têm alguma coisa e você está preocupada... — Ela pensa por um momento, seu dedo indicador debaixo de seu queixo demonstrando concentração. — Acho que seria uma boa desculpa.
Eu a observo por uns segundos um tanto confusa.
– Tá, calma aí... me perdi um pouco aqui. — Digo. — Isso foi um "vá atrás dela" ou um "você perdeu a noção"? — Pergunto, cerrando o cenho.
– Foi um "vá atrás dela." — Teddy responde. — Você tem seu endereço?
– É... não.
– Então como você pretende ir até a casa dela se você não tem nem o endereço?
– Eu pensei em olhar no prontuário dela, digo... ela foi uma paciente aqui, teve de preencher uma ficha. — Minhas bochechas começavam a corar naquele momento.
– Stalkeeeer!– Teddy canta.
– Não sou!
– É sim!
– Tudo bem então, senhorita sabe tudo, você tem uma ideia melhor? — Pergunto a desafiando.
– Pra falar a verdade? — Ela diz, levantando uma sobrancelha. — Não. Sua ideia na verdade foi muito boa, só fiquei um pouco chocada.
– Pois é, as vezes eu sou uma gênia. — Digo com um sorriso brincalhão. — Mas e então... vai me ajudar?
– Eu?! — Ela exclama, seus olhos se arregalando.
– Claro, você é minha parceira de crime. Se eu me der mal, você se dá mal junto comigo. — Explico, me levantando e indo em direção a lixeira para jogar fora o que havia sobrado em minha bandeja.
– Me fale de novo por quê eu ainda sou sua amiga?
– Porque eu sou uma amiga incrível! — Exclamo rindo.
– Aham... sei. — Ela brinca, e sem me dar uma resposta exata segue na direção oposta a minha.
O dia passou bem rápido depois de minha conversa com Teddy. Não havia sido tão cansativo, sem traumas e a cirurgias que participei foram as que já estavam agendadas, então para me distrair um pouco fiquei no laboratório trabalhando com Alex e Wilson em minha pesquisa, a qual não poderia estar indo melhor, o que foi fator importante para conseguirmos a aprovação da FDA, que chegara no dia anterior.
– Isto é incrível, Dra. Robbins. — Wilson diz enquanto repetíamos pela milésima vez a simulação de como o procedimento funcionaria no computador.
– É a milésima vez que você diz isso, Wilson. — Digo brincando. — Mas eu não posso te culpar, é realmente hipnotizante.
– Quando poderemos pedir a transferência da Julie? — Alex pergunta. — Depois que Mary falou com os pais dela, eles não hesitaram nem um minuto antes de aceitarem colocarem a menina na triagem.
– Nós precisamos esperar as ferramentas apropriadas chegarem. — Respondo. — Chefe Webber disse que no meio da semana que vem, sem dúvidas, já iremos ter recebido os aparelhos.
– Mal posso esperar pra começar a triagem. Vou monitorar a menina 24 horas por dia! — Diz Wilson.
– Eu acho bom! — Respondo sorrindo.
– O quê você acha de umas bebidas hoje à noite? — Alex sugere. — Para comemorarmos a aprovação.
– Eu não sei. — Respondo, eu tinha algo importante a fazer hoje à noite.
– Vamos lá, Dra. Robbins, vai ser divertido! — Jo insiste.
Eu os observo por alguns instantes, o olhar de felicidade nos rostos deles era indescritível, eles estavam tão investidos nesta pesquisa quanto eu, o que não me fazia arrepender por nem um segundo de tê-los escolhido como meus assistentes para este trabalho de tamanha importância. O brilho nos olhos deles era como aquele que pode ser visto nos olhos de uma criança quando ganha aquilo que mais desejava na manhã de natal.
– Tudo bem, bebida hoje à noite. — Respondo, me entregando ao pedido deles. — Mas eu não posso ficar por...
Antes que eu pudesse terminar o que ia dizer, sinto meu telefone vibrar no bolso de meu jaleco, sinalizando que eu havia recebido uma nova mensagem.
Por um instante meu coração disparou com esperanças de que fosse Callie finalmente me dando um sinal de vida... mas como eu disse, era uma esperança, que logo sumiu quando li o nome de Teddy na tela.
Me encontre na cafeteria. Peguei o arquivo dela. — T.
Quando olhei novamente para cima, me deparei com dois pares de olhos muito curiosos. Eu apenas coloquei meu telefone de volta no bolso de meu jaleco antes de dizer que os encontraria mais tarde no Joe's às 20h e ir em direção à cafeteria encontrar com Teddy.
Eu realmente ia precisar de uma bebida de encorajamento para ir falar com Callie.
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Duas horas haviam se passado desde que me encontrei com Teddy na cafeteria e agora eu estava no bar do Joe's com Alex, Jo e, claro, Teddy. Eu insisti para que ela viesse também, pois caso eu hesitasse na hora de ir até a casa de Callie, ela poderia me dar um tapa e não me deixar desistir.
– Teddy, aquele cara não para de olhar pra você desde que chegamos. — Jo alerta a loira sobre seu admirador.
– Sério? — Teddy pergunta se virando em direção ao rapaz, que pisca para ela. — Acha que devo ir até lá? — Ela me pergunta.
– Bem... ele é um gato. — Respondo.
– Pensei que nunca fosse ver o dia em que Arizona Robbins assumisse que um cara era "gato". — Alex zomba.
– Alex! — Jo o repreende dando um tapa em seu braço.
– Está tudo bem, Jo. Eu estou acostumada com a babaquice do Alex. — Brinco. — E para sua informação... — Digo me virando para meu pupilo. — Eu sou lésbica, não cega.
Alex apenas ri.
– Você vai ficar bem? — Teddy pergunta, preocupação clara em sua voz.
– Sim, vou. Vai lá!
– Boa sorte. — Ela diz enquanto se levanta. — Me liga se algo der errado, okay? Estarei lá em um minuto.
– Tudo bem, obrigada. — Digo com um sorriso. — Agora vá, boa sorte! — Digo a empurrando em direção ao cara.
E dito isto, ela parte para o ataque.
Os minutos passavam e Teddy parecia estar tendo um momento agradável com o misterioso rapaz, Alex e Jo continuam a falar do nosso projeto, o que achei bom no começo, mas agora aquele assunto já estava começando a me cansar.
– Gente, por mais que eu esteja adorando tudo isso... — Digo me levantando e pegando meu casaco que estava pendurado atrás da cadeira. — Eu preciso ir.
– Ah, fala sério, Robbins! — Alex protesta. — Ainda está cedo.
– Eu sei. — Digo, olhando-o nos olhos. — Mas eu tenho algo que preciso fazer... e preciso fazer agora antes que desista. — E tomando o último shot de tequila da noite para conseguir mais forças, me dirijo em direção ao endereço escrito no pedaço de papel que eu havia anotado mais cedo.
O complexo de apartamentos no qual Callie morava não era longe dali, ficava há uns dois quarteirões do Joe's, quase em frente ao spa de Addison.
Conforme meus pés me carregavam até o endereço, meu coração disparava.
Será que ela vai abrir a porta?
E se ela abrir? ... O quê que eu falo?
Ótimo, Robbins, parabéns! Meu cérebro me diz sarcasticamente. Eu realmente deveria ter pensado melhor nisso antes de ir até lá sem saber o que dizer.
Quando entro no lobby do lugar, percebo que é um lugar simples, porém aconchegante. Bem a cara do lugar onde Callie moraria. Confiro no papel e vejo que ela mora no apartamento 502, o que significava que seu apartamento se localizava no quinto andar. Senti um frio na barriga quando o porteiro parou para me interrogar, o que não o culpo para ser sincera, ele estava apenas fazendo seu trabalho; mas depois de passar quase cinco minutos explicando que eu ia fazer uma surpresa para minha namorada e que ele não precisava avisar ou então estragaria a surpresa, ele me guiou até o elevador, apertou o botão para o quinto andar e com um sorriso me desejou um "boa sorte" que quase não percebi, pois as portas do elevador já estavam a se fechar.
Conforme eu olhava os números que iam acendendo e apagando no painel, indicando o andar em que eu estava, eu não pude deixar de pensar na forma que me referi a Callie. Namorada...
Eu deveria estar assustada, mas por mais estranho que pareça não estou. Foi tão natural me referir à ela daquela forma que quase me fiz acreditar que ela realmente era minha namorada. Pode parecer muito cedo para pensar nisso, mas não consigo deixar de me perguntar: será que um dia chegaremos a este patamar?
Respiro fundo uma última vez quando escuto o "ding" do elevador indicando que eu já estava no andar desejado. Minhas mãos começam a tremer, consigo sentir minhas palmas começarem a suar, mas tento ignorar tudo aquilo.
Isso não é hora pra ficar assim, Robbins, agora você já está aqui, seja mulher. Continuei a repetir para mim mesma enquanto ia em direção ao apartamento 502. Me encontrando de frente para a porta azul do lugar, fecho os olhos por uns segundos para estabilizar minha respiração e quando feito isso, bato na porta. Nem dois segundos depois ouço a voz angelical de Callie dizer "Só um minuto.", e antes que um minuto pudesse passar por completo, me encontro diante daqueles olhos castanhos que aprendi a am... gostar.
– Arizona? — Ela pergunta, o sorriso que estava em seu rosto agora se desfazendo. — O que você está fazendo aqui?
– Hey... — Digo com uma voz fraca, o olhar um tanto frio de Callie me dando calafrios. — Você sumiu... de novo... — Enfatizo esta parte. — Então eu...
Antes que eu pudesse terminar de falar, escuto passos apressados vindo de trás de Callie, seguidos por uma risada um tanto...
– Quem é, mamãe? — Uma voz fina pergunta, e quando meus olhos caem sob a dona de tal voz, meu corpo esfria e meus olhos se arregalam.
– Sofia! — Callie exclama assustada, acho que ela não ouviu os passos da menina vindo por trás dela. — O que você está fazendo fora da cama, meu bem? — Ela pergunta, se abaixando e pegando a menina que aparentava ter uns 5 anos no colo, a sentando em seu quadril.
– Ela... ela te chamou... de 'mamãe'? — Pergunto, ainda em estado de choque.
Respirando fundo, Callie me olha nos olhos e diz: — Arizona... esta é Sofia, minha filha.
Meu coração dispara, fazendo meu peito doer, e antes que eu pudesse pensar em outra coisa meus pés começam a dar passos para trás me afastando da mulher, a criança me olhava com olhos curiosos, seus olhos eram tão castanhos quanto os de Callie... seu rosto... seu rosto era exatamente como eu imaginaria uma Callie com 5 anos. Não consigo controlar meus pensamentos, era muita informação de uma vez e eu ia me afastando cada vez mais da mulher.
Escutei a voz de Callie chamar meu nome uma ou duas vezes, mas não parei, continuei andando em direção ao elevador e quando as portas estavam quase se fechando lanço um último olhar à Callie. Lágrimas se formavam nos olhos da latina... as que nos meus haviam se formado, já escorriam por meu rosto livremente.
– Teddy? — Pergunto com uma voz de choro, assustando a mulher do outro lado da linha. — Me tira daqui, por favor.
Quando eu pensava que as coisas estavam começando a se acertar...
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