Destiny
4 Não se aventure em lima Heights Adjacent
Notas iniciais
Dirigi de Los Angeles à Lima em velocidade máxima, sem parar. Só diminuía quando via algum policial por perto. Fora isso, a velocidade era a máxima possível. Eu não me importava com o perigo. Estava com tanta raiva, que não me importava com acidentes. Aliás, nem pensei neles.
Passaram-se um pouco mais de um dia que eu dirigi direto, sem parar. Estava começando a me sentir cansada e com fome. Parei em um parque para comer alguma coisa. Procurei um lugar tranquilo para colocar meus pensamentos em ordem. Eu tinha pouco menos de 3 horas para fazer isso. Era o tempo máximo em que o estacionamento do local era de graça. Vi, ao longe, uma árvore enorme, e parecia ser bem velha também. Por algum motivo, aquele lugar me puxava pra ele. Me passava algo bom. “Será eu já estive aqui antes?” pensei.
Andei até aquela árvore e me sentei debaixo dela, para comer os tacos que havia comprado. Logo que me sentei ali, me senti muito confortável e em casa. Olhando as crianças correndo de um lado para o outro, brincando, sem se importar com o mundo em volta delas, eu sorri. Adorava crianças. Então, eu vi uma garotinha, que aparentava uns 5 anos, tropeçar e cair. O pai dela foi correndo ao seu encontro e a abraçou fortemente. Deu um beijo em seu joelho e ela voltou a brincar novamente. Não pude evitar uma lágrima de saudade escorrer pelo meu rosto. Eu já estive naquele lugar antes. Claro, como eu não havia me lembrado? Papai e titio haviam nos levado ali quando o viemos visitar. Eu tinha o que, uns 8 aninhos. Por aí. Foi uma lembrança boa, que me deixou ainda mais confortável do que eu já estava e depois que acabei meus tacos, não pude evitar cair no sono.
***
- Olá? – Acordei em um sobressalto, com uma garota me chacoalhando. – Olá-á?!?
- Eu ainda estou sonhando? – Eu me perguntei, sem perceber que saiu em voz alta. – Opa, acho que falei alto demais. – Disse, me levantando e não pude evitar sorrir, com o sorriso daquela linda garota morena em minha frente.
- Não tem problema. – Disse ela, me dando a mão para que eu ficasse de pé. – Eu achei que você fosse uma mendiga, então eu percebi que suas roupas são boas demais para isso. – Ela disse, e eu arqueei uma sobrancelha. Como ela poderia pensar isso de mim.
- Ok, eu vou ignorar o que você disse e me apresentar. – Falei, apertando mais ainda a mão dela, que ainda não havia soltado a minha e eu não sei por que. – Olá, me chamo Jessica. Mas pode me chamar de Jessie.
- Nossa, Jessica é nome de patricinha – Ela disse. – E você, definitivamente, não se parece com uma. E, seu sotaque é engraçado. Você é americana?
- É, eu sei, por isso eu prefiro Jessie. Não, eu não sou americana, sou da Inglaterra. Agora, se você não se importa, pode me dizer o seu nome e soltar minha mão, por que isso já tá ficando estranho. – Eu disse.
- Ah, claro – Ela me respondeu, ruborizada. – Me Chamo Santana. Santana Lopez. Mas pode e chamar de Linda, Maravilhosa, Gostosa, Diva...
- Ok – Eu respondi, soltando sua mão. – Acho que já está bom, senhorita convencida. – Olhei meu relógio. Ela acompanhou meu olhar. – Ah meus deuses, me desculpa Santana, mas eu tenho que ir. – Disse, pegando minha mochila e dando um beijo na bochecha da morena, que corou com meu gesto. – Foi bom te conhecer. A gente se vê por aí. – Disse, indo correndo em direção ao estacionamento.
- Tchau!- Pude ouvi-la gritar. – Da próxima vez, vê se não dorme debaixo de uma árvore com um relógio caro desses à mostra. Lima Heights Adjacent é perigoso, tá?
- Ok, eu vou me lembrar. – Gritei, acenando, de costas para ela. Não sei por que, mas algo me dizia que eu ainda iria encontrar essa garota. Muitas vezes. Afastei esse pensamento de minha cabeça. Tudo que eu menos precisava agora era de uma garota pra estragar as coisas. Fui até o estacionamento e peguei a moto. Dessa vez, dirigi a procura de um lugar para morar. Um lugar barato de preferência.
***
Eram 23:00 horas, quando eu finalmente consegui um lugar para alugar. Não era muita coisa. Na verdade, o lugar era horrível, mas era o que o meu dinheiro conseguia pagar, sem eu depender da vovó ou do Nicholas. Eles não poderiam me encontrar. Não agora. Na verdade, eu me perguntava se eles já estavam sentindo a minha falta. Provavelmente, pois a vovó já iria me colocar naquele colégio no dia seguinte. Eles já deviam estar me procurando. “nunca vão me achar nesse fim de mundo” pensei.
Meu próximo passo seria arranjar emprego e escola, o que seria fácil com a minha identidade falsa e conhecimento. O que me atrapalhava era minha cara de criança que eu tinha. Mas nada que não se resolvesse com um pouco de maquiagem. Deitei na pequena cama que havia no lugar. Eu estava exausta demais para pensar naquilo. Recostei minha cabeça sobre o travesseiro e logo fui acolhida por Morfeu. O dia seguinte seria longo, mas eu já tinha uma ideia de onde eu procuraria e, provavelmente, conseguiria um emprego.
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