Notas iniciais
Esse capítulo tá enorme. E, foi o mais engraçado que eu já escrevi até agora. Enjoy.

Segunda feira. Eram umas 6:00h quando acordei. Olhei pela minúscula janela que havia ao lado da igualmente minúscula cama. O sol já estava brilhando. Espreguicei-me, como sempre fazia, e logo após, me alonguei e fui tomar um banho. Frio de preferência. Nem precisei mudar a estação do chuveiro. Ele provavelmente estava queimado, há muito tempo, porque a água já saiu extremamente gelada. Não me demorei muito. Me vesti e fui deixar para comer algo na rua mesmo. Olhei no celular. 07:15h. Bem, não estava assim tão tarde, mas era melhor não arriscar. Subi na moto e dirigi na máxima velocidade permitida. Eu tinha uma intuição de coisas muito boas estavam pra vir nesse dia.

***

- Senhorita Jessica? – Droga, ela tinha que dizer o meu nome? – Pode entrar. O diretor Figgins está a sua espera.

- Claro. – Disse educadamente. Muito obrigada. – Entrei na sala. Um homem que aparentava uns 45 ou 50 anos estava a minha espera. Ele era moreno, tinha olhos escuros, um pouco arregalados, como se estivesse ansioso ou preocupado. Não pude notar que ele tinha o nariz levemente avantajado e era meio careca, o que me fez soltar uma risadinha.

- Senhorita Jessica, não é? – Ele disse me estendendo a mão e não pude deixar de notar seu sotaque. Era um pouco parecido com o meu só que vindo de outro lugar do mundo. Talvez do oriente médio? Provavelmente. Aliás, ele se parecia com o povo de lá. Sim, confesso que já viajamos pra lá. Não há quase nenhum lugar no mundo que eu não conheça. – Muito prazer, eu sou o diretor Figgins. Pode se sentar.

- Hum, muito obrigada Sr. Figgins. – Bom, como o senhor deve saber, eu estou à procura de um emprego... – Quando eu disse a palavra emprego, ele olhou pra baixo, desapontado e colocou a mão na testa. O que será que aquele homem havia pensado que eu fui fazer ali? Ou será que eu tava com cara de estudante e não professora e, meu plano estava começando a dar errado? Não, eu me recuso a pensar nisso. Não vou pra Escócia. – Eu tenho dezoito e eu vi que vocês estão precisando de uma substituta. Matemática, né?

- Sim, é isso mesmo. – Ele disse. – Só que, se a senhorita quiser mesmo entrar na família McKinley, saiba que estamos com um péssimo orçamento e... – Ele não tava falando sério? O problema em me contratar era o dinheiro? Velho muquirana. E eu lá, achando que era porque não tinha idade suficiente ou, sei lá, qualquer outra coisa, menos dinheiro.

- Olha, o senhor não precisa me pagar muito. – Disse, eu estava desesperada. – Eu aceito esse emprego. Tudo o que eu quero é ensinar.

- Você é tão incrível e graciosa. – Disse ele. Provavelmente também estava desesperado. – Tudo bem. Negócio fechado? – Perguntou ele, estendendo sua mão.

- Negócio fechado. – Eu respondi, estendendo a minha. – Então – Soltei a mão dele. – quando eu começo?

- Hoje mesmo. Após a aula, nós resolvemos o valor de seus salários e suas classes.

- Mas, hoje? Já? É que, eu acho que não estou muito apresentável como professora... – E, eu não estava mesmo. Estava com uma saia; um pouco curta, admito, mas eu tinha que parecer mais velha; camisa de banda, como sempre; uma blusa e minhas botas pretas, afinal, não poderia usar coturno ou all star em uma entrevista... Pelo menos era o que eu achava. Se eu soubesse que esse cara estava tão desesperado...

- Não, não. – Ele disse, arrancando-me de meu devaneio. – A senhorita está perfeita. Quer dizer, está muito bem apresentável.

- Muito obrigada. – Disse, com um sorriso forçado. Era impressão minha ou aquele velho tava dando em cima de mim?- É, então. Qual sala?

- Vai começar agora com o primeiro ano. Depois, vai para o segundo e sua última aula será com o quarto ano. Depois disso, nós decidiremos o que iremos fazer com suas aulas.

- Ok – Eu disse, saindo da sala. Aquele velho realmente estava tentando coisas impróprias comigo. Eu percebi no momento em que o vi olhando minhas pernas. – Então, até logo e muito obrigada pela oportunidade senhor Figgins.

Pude ouvir um “mal posso esperar para lhe ver novamente” à distância, mas não dei importância. Quando estava andando pelos corredores, os alunos estavam me olhando, provavelmente achando que eu era uma nova aluna. Um em especial, me chamou a atenção. Ele tinha olhos verdes e cabelo penteado com gel. Estava ao lado de outro garoto que eu deduzi ser seu namorado, pelo jeito que se olhavam. Eu conhecia aquele garoto de algum lugar, isso eu tinha certeza. E, pelo jeito que ele me olhou, talvez também me conhecesse. Ah, aquele seria um longo dia.

***

Depois de todas as outras aulas, já estava cansada de olhares maldosos, cochichos sobre mim e perguntas como: “Você não é muito nova pra dar aulas?” e “Você tem namorado?”. Definitivamente, não era a resposta. Para ambas as questões. Bom, pelo menos só faltava mais uma sala. O quarto ano. Respirei fundo e entrei na sala.

Logo que entrei, percebi cochichos a meu respeito e que já havia visto duas pessoas naquela sala. Uma, no parque. A garota que me acordou estudava naquela escola? Eu olhei pra ela, que me respondeu com um olhar confuso, arqueando uma sobrancelha. Como era o nome dela mesmo? Ah, Santana. Santana Lopez. Era esse o nome dela. Ri ao lembrar do que ela disse que preferiria que eu a chamasse.

A outra pessoa que eu conhecia era um dos garotos que eu havia visto no corredor. Não o que eu talvez conhecesse. O suposto namorado dele. Tinha que admitir, o garoto era lindo, com aqueles olhos azuis, covinhas (que apareciam quando ele sorria ou quando falava alguma coisa) e cabelos castanhos escuros, lisos. Estava ao lado de uma garota morena, que me olhou de um jeito estranho. Talvez ela também não fosse hétero. O garoto me lançou um olhar assassino e voltou para conversar com a amiga e pude perceber que estavam falando sobre mim, as seguintes palavras:

- É essa a garota que ele olhou. E ela olhou de volta. Eu achei que essa fase hétero... – Depois disso não ouvi mais nada. Obriguei-me a prestar atenção em meu dever. Ensinar matemática. E já estava preparada para as perguntas. Um garoto de moicano começou a tacar bolinhas de papel em seu colega e eu logo o cortei.

- Podem para com isso agora mesmo. – Disse e me virei. – Eu não tolero bagunças em minhas aulas. Boa tarde, eu sou a Professora Jessica. Mas, por favor, me chamem de Jessie, porque acho que Jessica é nome de patricinha e eu definitivamente não sou uma. – Todos riram, exceto Santana e o garoto do corredor. Ambos lançavam-me olhares a cada 5 segundos. O garoto de moicano levantou a mão e eu logo previ as perguntas que viriam. As respondi antes dele mesmo fazê-las. – Não, eu não sou muito nova para esse trabalho e não, eu não tenho namorado. Eu tenho 18 anos e vou ensiná-los matemática.

- Bom, eu ia perguntar isso – Disse o garoto do moicano, um pouco envergonhado. – Mas eu também iria perguntar por que a senhorita está lecionando matemática e não inglês.

- Ah, o senhor fala por conta do meu sotaque? É que eu nasci e morei na Inglaterra até meus oito, nove anos de idade. Depois, vim pra cá. – Respondi. Não queria dar detalhes. – E o sotaque continuou. Mas, eu sou tão boa em inglês quanto em matemática. A diferença é apenas que o inglês britânico tem algumas variações pro inglês americano.

- Desculpa. – Disse um garoto realmente alto e muito fofo, com um sorriso bobo no rosto. Tinha as bochechas rosadas, o que eu achei muito lindo. – Mas o que uma GAROTA de 18 anos sabe de matemática que nós não sabemos, quer dizer, a gente tem quase a mesma idade...

- O senhor está me subestimando senhor...

- Hudson. – disse ele. – Finn Hudson.

- Ok, quem aqui nessa sala está com o senhor Hudson? – Me surpreendi por nem todos terem levantado a mão. O garoto do corredor e Santana estavam entre eles. – Ok, seus nomes, por favor.

- Kurt Hummel. – Esse era o nome do garoto do corredor.

- Santana Lopez. – Disse a “diva” com um olhar desafiador.

- Rachel Berry. – Disse a morena, ao lado de Kurt.

- Noah Puckerman, mas me chame de Puck – Disse o garoto de moicano.

- Mercedes Jones. – Disse uma garota negra.

- Mike Chang. – Esse era o asiático. Óbvio que ele duvidaria das minhas habilidades com matemática. Só com o olhar dele, eu já senti que não conseguiria.

- Quinn Fabray. – Disse uma garota loira realmente linda. Cabelos curtos e olhos verdes. Ela me encantou. Não mais que o cara do moicano, mas eu não podia deixar isso transparecer.

- Brittany. – Disse outra garota loira, que estava sentada ao lado de Santana.

- Hum, ok. Vamos ver quem é que é novo demais aqui. – Virei de costas para eles e escrevi uma equação na lousa. Uma equação não tão complicada assim. – Alguém quer vir resolver? – Perguntei desafiadora. Nenhuma mão se levantou. – Ah, por favor? Vocês não disseram que eu não sabia muito mais que vocês? Essa equação é muito fácil pessoal.

-Ora, se é tão fácil assim, resolva você mesma. – Disse Kurt, o garoto do corredor, desafiador.

- É pra já. – Disse, me virando pra lousa. Olhei no relógio, 14:32. Comecei a resolver o exercício, por etapas, sempre vendo se tinha algo errado, mas, como esperado, nada estava errado. Eu era um gênio da matemática. Na verdade, era um gênio na maioria das matérias. Sempre fui uma nerd e minha nota mais baixa até hoje foi um B-. Terminei o exercício. Dei mais uma olhada. Tudo certo. Olhei no relógio novamente, 14:35. Nossa, como eu havia demorado. Virei-me para os alunos – E assim, meus amigos, é como se resolve uma equação. – Disse, fazendo uma reverência, como se faz na Broadway quando um show termina. – Muito obrigado. – Depois disso, eles começaram a bater palmes, perplexos. Até o tal de Kurt e Santana se viram obrigados a bater palmas. – Então senhor Hudson, ainda duvida que eu posso saber mais que os senhores?

- Ah... – Ele disse, gaguejando e sem graça. – Tenho que admitir, estou impressionado. – Nisso, ele sorriu e ficou ruborizado, o que fez a garota morena ao lado de Kurt me lhe lançar um olhar assassino.

- Ok, ok. Agora sentem-se. – Disse, com autoridade. – Ou vocês querem ficar sem saber como se resolve uma equação dessas? – Eles me olharam, desanimados, o que era completamente normal. – Olhem, Eu sei que vocês devem estar cansados, afinal é a última aula e ainda por cima é matemática. Mas, eu também sou jovem e sei o quanto isso pode ser chato. Então, eu tenho uns macetes pra vocês aprenderem mais facilmente. – Logo que falei isso, eles já se animaram um pouco mais. – E, se vocês colaborarem, eu os deixo sair mais cedo, já que tenho que resolver uma coisa com o dire... — Não me deixaram terminar a frase. Começaram a gritar e pular de alegria, literalmente. – ACALMEM-SE! – Gritei. Eles pararam na hora. – Isso não é um tipo muito bom de colaboração.

Eles se calaram e se sentaram. Como uma garota de 15 anos poderia ter mais autoridade que alguém com o dobro de sua idade e experiência? Não sei explicar. Só sei que, quando acabei de explicar, não obtive quase nenhuma dúvida e, antes de saírem da sala, decidiram me aplaudir novamente. Eu poderia me acostumar facilmente com aquilo, mas de repente lembrei- me do por que de eu estar ali e me veio um vazio. Eu não podia deixar aquilo me dominar. Por mais que doesse, papai tinha ido e não havia nada que eu poderia fazer, se não tentar ser feliz. Era aquilo que ele iria querer para mim. Pena que ele não estaria mais ali para dividir essa felicidade comigo. Saí da sala, dirigindo-me a do diretor. Tinha certeza de que algo muito bom estava para acontecer.

***

Cheguei em casa exausta e fui logo tomar um banho. Eram 18:00h, isso por que eu demorei na discussão com o Figgins, mas, no fim, ele cedeu ao meu charme, que obviamente ele era o único que via, e me deu de salário um pouco a mais do que havia sido estipulado. Mas, ainda era pouco. Dando para pagar o aluguel, estava bom. Saí do chuveiro, e fui me trocar, me preparando para jantar e dormir. Quando estava secando meus cabelos, ouvi a campainha tocar. Achei estranho.

- Quem será? Ainda não conheço ninguém nessa cidade. – Abri a porta, vendo duas pessoas: um homem e uma mulher em uniformes policiais, o que eu achei ainda mais estranho. – Olá, em que posso ajuda-los? – Perguntei, educada.

- Senhora Jessica?

- Sim – Respondi.

- Eu sou a Policial Carter e esse é o policial Jackson e é bom a senhora... Senhora não, garota. É bom você vir com a gente se não quiser ir para o abrigo de menores.

“Oh, gods. I’m Fucked.”