Destinos Improváveis
120 Futuro - O Livro
Notas iniciais
—Com licença professor... eu posso entrar? – Shara perguntou, assim que o ultimo aluno da turma havia passado pela porta, liberando a sala de aula de poções... Shara estava nervosa e um tanto quanto impaciente também, não pra menos afinal os acontecimentos da noite anterior ainda estavam bastante vivos em sua mente, e tudo aquilo não a havia deixado dormir... o desfecho com a Hidra, os elos que Catie havia criado, nada ali havia sido racional e Shara não podia simplesmente ignorar tudo isso para se concentrar em qualquer outra coisa ou atividade, e como prova concisa a aula de feitiços daquela manhã havia sido um desastre completo, estando tão imersa em seu mundo e realidade ela acabou por confundir as orientações repassadas pelo professor e quase ateou fogo em metade da sala aula, ação que deixou o professor Flitwick um tanto quanto exaltado, e numa ação exageradamente temperamental, ele a dispensou da classe com alguns e nada sutis gritos de histeria... obviamente que Shara recebeu uma detenção além de um advertência mal escrita que Flitwick fez questão que ela entregasse ao seu chefe de casa, em suas próprias palavras... “imediatamente”... e bem... ali estava ela... esperando o pior é claro, seu pai ergueu uma das sobrancelhas em sua direção lhe lançando um olhar de reprimenda, sim... eles tinham um acordo explícito que se referia em não procura-lo ou interrompe-lo em suas atividades letivas... mas aquilo era uma exceção e ela estava apenas obedecendo ordens e bem… não era exatamente em horário de aula… enfim, fato é que… com o término daquele ano letivo, ninguém absolutamente ninguém estava prestando atenção neles ou naquilo que eles faziam… então não era exatamente algo a se preocupar... e haviam as mentorias, as mentorias sempre justificavam tudo, se fosse esse o caso.
—Seja breve – ele acenou de forma curta, enquanto organizava o que parecia ter sido as notas daquela aula, ela esticou o braço em sua direção, estendendo-lhe o bilhete, o obrigando a parar seja lá o que estivesse fazendo… para encará-la.
—Eu... tive alguns problemas na aula hoje – ela foi direta, nesse caso quanto mais breve e objetivo fosse, menos ruim seria… esse negócio de postergar o sofrimento não era muito do seu feitio… embora ainda assim Shara se sentisse apreensiva, afinal não era necessário conhece-lo bem para saber que a reação dele seria a pior possível... fato é que o semblante dele tornava-se cada vez mais tenso a medida que avançava na leitura... e ela quase podia tocar a aura de desaprovação que emanou dele quando seus olhos se levantaram do papel e a encararam com frieza... ele permaneceu em silêncio por um momento, fitando-a com uma intensidade que fez seu estômago revirar... — eu… sinto muito — ela tentou, não sabendo se faria algum efeito, mas tentando captar qualquer reação da parte dele... compaixão talvez?
—Bombarda... – ele exclamou entre os dentes.
—Bombarda máxima – ela o corrigiu se encolhendo um tanto e fazendo ele bufar... ele nitidamente estava tentando alguma espécie de auto controle ali.
—Confundir as instruções e quase incendiar a sala de aula de feitiços não é apenas um problema, Srta. Epson... – ótimo e agora ele estava usando o seu sobrenome — mas sim… uma negligência inaceitável — Shara se encolheu um pouco mais diante da maneira arrastada como aquilo foi dito, até por que... aquilo não era apenas sobre o que ele dizia, mas sim sobre a forma como ele fazia parecer ainda mais terrível ao dize-lo...
—Eu... eu sei que isso não justifica… eu sei ok?... mas eu não consegui dormir essa noite — ela meio que sussurrou, sua voz estava vacilante — os acontecimentos de ontem... bem… o senhor sabe, eles me deixaram muito agitada que... eu simplesmente não pude descansar... e eu estou exausta e estou… tentando processar tudo aquilo e… minha mente está a mil… eu não consigo parar... está uma bagunça aqui dentro – ela apontou para a própria cabeça e bocejou de forma indulgente, contudo aquilo havia sido involuntário... seu pai bufou mais uma vez, claramente nenhum pouco impressionado com suas justificativas.
—Treine a sua mente estupida — ele a encarou, enquanto apoiava as duas mãos sobre a mesa, se inclinando e se aproximando ainda mais dela de maneira ameaçadora – não aceitarei tais desculpas, vejo que... se o professor Flitwick não tivesse agido de forma rápida, certamente teríamos tido um desastre, desastre ainda pior pois você estaria chamando toda a atenção sobre si… — ele a acusou irritado – quando é justamente o que estamos trabalhando e tentando evitar desde o início desse maldito ano letivo – ele fez uma pausa bruta... e se fosse a alguns meses atrás, a essa altura ela já estaria vomitando por todo o chão.
—Eu tenho 11 anos de idade professor… eu não sei treinar a minha mente estupida — ela rebateu… não é como se ela estivesse tirando a razão dele de estar chateado e tudo mais, mas não dava pra simplesmente aceitar tudo aquilo que ele estava cuspindo sobre ela, treinar a mente? Francamente o que isso queria dizer? ela não fazia a menor ideia de como fazer algo assim…
—Se ocupasse o seu tempo com o que é de fato útil… certamente não estaríamos discutindo isso nesse exato momento – ele rosnou de volta.
—Eu estou tentando sobreviver, fazer a as coisas certas aqui... as coisas que são esperadas que eu faça... e sobreviver... bem... digamos que isso é basicamente a única coisa que venho fazendo desde que cheguei nessa escola... não é como se eu tivesse muito mais tempo para outros assuntos – ela desabou sem se importar em estar sendo tão desafiadora com ele, afinal não havia mais ninguém com quem ela pudesse ser ela mesma... e ele era o seu pai e por pior que fosse, ele a conhecia... e ela só estava cansada — e eu só estou cansada… ok? Eu sei que foi ruim... mas eu nem estava pensando... eu apenas peguei a minha varinha e fiz... conjurei aquilo que estava escrito no quadro, eu nem sei como fiz aquilo, nem é um feitiço do primeiro ano... eu nem deveria ter conseguido... — ela suspirou... e sem esperar por um convite, ela se sentou sobre a carteira mais próxima, sim era isso, ela estava cansada, cansada demais para simplesmente ter que sofrer e ser humilhada em pé...
—Tire o seu traseiro inútil de cima dessa carteira agora — ele ordenou em tom de ameaça... e sua voz cortante ecoou pela sala de aula – esse aqui não é o seu dormitório, Epson para se sentir tão à vontade... e não tente revirar os olhos para mim, acredite esse não é o momento para agir com petulância – e com um suspiro resignado, Shara desceu da carteira se controlando para não fazer aquilo que ele disse, revirar os olhos – A essas alturas já deveria ter entendido que esse tipo de comportamento não será tolerado aqui – ele continuou, sua expressão severa — Como professor, e chefe dessa casa... eu tenho o dever de garantir que todos os alunos cumpram com as regras e expectativas da escola... todos! – ele exclamou — e isso inclui você Epson, mesmo sendo minha... – ele parou...
—Filha... – ela completou, erguendo as duas mãos... talvez fosse um habito novo ter que concluir as frases dele, em especial aquela, que se referia ao vinculo parental que eles possuíam… afinal… qual era a dificuldade em verbalizar ?
—Não diga em voz alta... – ele a repreendeu rapidamente, certo… ela até podia entender a cautela e o peso daquele segredo, sim... mas ela estava tão cansada no momento, que era simplesmente difícil apenas ignorar e deixar passar...
—Entendo... professor — ela murmurou de forma sínica… – embora… — Shara olhou por todos os lados da sala — não tenha mais ninguém aqui... – ela ironizou — a menos é claro… que isso o incomode de alguma outra forma... então… eu posso…
—Não seja tola – ele a interrompeu dando a volta pela mesa e pairando em cima dela a assustando – não se trata do que você é para mim… mas sobre preservar o que temos… Hogwarts não é e nem nunca foi sigilosa... há sempre alguém à espreita, há quadros, e fantasmas, mas isso não é algo que estaremos discutindo nesse momento… não quando sua mente está fazendo tudo… menos pensar… — Shara o analisou, ele estava tão perto agora… ela coçou os olhos, ele estava certo sobre… sobre o que exatamente eles estavam discutindo mesmo? seus olhos estavam pesando mais do que de costume…
—Eu… — ela bocejou outra vez… — me desculpe… o que foi que disse mesmo? — ela perguntou esfregando os olhos… ele estava rígido, mas de alguma forma… aquilo suavizou um pouco sua postura e sua expressão...
—Considerando as circunstâncias excepcionais e o fato de que você claramente precisa de um descanso adequado, estarei abrindo uma exceção... apenas desta vez — ele disse, sua voz um pouco mais branda — está dispensada do restante das aulas do dia... use esse tempo para recuperar suas energias e garantir que esteja em melhor forma amanhã – ele orientou – deverá usar os meus aposentos para essa finalidade... pois deixei alguns suprimentos na gaveta de apoio em seu quarto, entre eles algumas poção de sono sem sonhos, quero que a beba... – ele mandou, embora ela não achasse que fosse necessário, dado ao sono que parecia lhe abater… ela dormiria em segundos… sem o auxílio de nada.
—Esse também é o tipo de cuidado que o senhor... tem, digo... costuma ter com todos os alunos dessa escola? – ela tentou soar de forma provocativa, contudo mais descontraída agora… além de ter dito isso enquanto bocejava mais uma vez…
—Não seja ridícula – ele refutou – agora suma da minha frente antes que eu mude de ideia... — Shara assentiu, só Merlin sabia o quanto ela estava precisando daquele tempo para dormir, e seguindo as instruções dele, ela dirigiu-se aos seus aposentos, ao seu quarto, aquele pequeno paraíso pessoal… onde encontrou os suprimentos deixados para ela, devidamente organizados... sentindo-se grata pela consideração dele, ela preparou a poção de sono sem sonhos e a bebeu, sentindo-se gradualmente envolvida por uma sensação reconfortante de calma e relaxamento. Deitando-se em sua cama, ainda com as vestes da escola, ela fechou os olhos, deixando-se levar pelo sono restaurador que tanto necessitava...
—--
Shara acordou horas depois, sentindo-se muito mais descansada, nada como repor as energias com um sono revigorante... ela se espreguiçou lentamente, o relógio na parede sinalizava ser o meio da tarde daquela quinta-feira... ela se levantou, calçando suas pantufas verdes... foi quando ela notou algo diferente ali... mas aquilo não era sobre as pantufas, mas sim sobre uma sensação, algo incomum, ela olhou para as mãos... era sua magia... ela estava aflorada, muito mais sensível do que de costume... mas não como se fosse eclodir ou algo assim, aquilo era algo que ela podia controlar ou manter sobre controle, não era perigoso, mas havia algo diferente pairando sobre o lugar... algo que ela podia sentir e canalizar de alguma maneira... aquilo foi semelhante à quando o seu pai havia lhe pedido para focar e buscar por magia antiga e então ela fez, contudo ela não estava em busca de nada ali... pelo menos não intencionalmente, talvez fosse a adaga, Shara cogitou, pois da última vez, era isso que havia despertado sensação semelhante, ou quem sabe o próprio colar da sua mãe, pois até onde Shara sabia era ali que ele o estava guardando... enfim, Shara não sabia dizer exatamente... embora pudesse sentir as vibrações da magia antiga fluírem pelo lugar... e ao sair do seu dormitório, as vibrações ficaram ainda mais intensas ali... como se a própria magia ancestral estivesse a atraindo... era inevitável ignorar algo assim.
Então curiosa, Shara seguiu o rastro de energia, algo quase palpável e aquilo a estava direcionando para o escritório privativo de seu pai... ela sabia que não deveria entrar ali sem a permissão dele, mas a irresistível atração da magia a impeliu a ignorar essa voz de cautela que gritava dentro de si... com passos hesitantes, ela empurrou a porta devagar e adentrou o aposento perfeitamente organizado por ele.
O escritório estava impregnado pela magia, ela podia sentir o ar denso no lugar... no centro da sala, uma escrivaninha de mogno maciço dominava o espaço, era imponente e estava coberta por pilhas de pergaminhos e livros antigos. E foi então que ela viu o livro, aquele livro em especifico que a fez arregalar os olhos com surpresa... ele havia mencionado um livro na noite passada, mas ela jamais podia imaginar... não... que aquele seria o mesmo livro sobre lendas antigas que Shara havia encontrado na sessão restrita no início do ano letivo, e que havia lhe rendido alguns problemas, ela se lembrou que aquele livro havia despertado sua curiosidade desde o primeiro momento em que ela o viu... com um misto de excitação, Shara se aproximou da escrivaninha e se sentou na cadeira oposta à de seu pai...
Uma sensação de êxtase a envolveu quando ela se sentou ali, como se estivesse prestes a desvendar algo proibido, sim... e teria sido, em outros tempos... a alguns meses atrás, mas agora não... agora aquilo era apenas uma história ou na melhor das hipóteses apenas uma comprovação de tudo aquilo que ela já sabia sobre a lenda... ela estudou o livro por um momento, e o abriu... e assim que seus dedos encostaram em sua capa a magia se dissipou... sim havia magia ancestral naquele livro, e era essa magia que a estava atraindo... como isso poderia ser possível? Shara procurou pelo capítulo que ela sabia estar ali, o capítulo que falava sobre Medusa, um capítulo inteiro dedicado a ela, Shara passou os olhos pelas páginas, contudo elas estavam diferentes de como Shara se lembrava... as páginas simplesmente pareciam mais vivas, não mais tão amareladas ou empoeiradas como antes, as letras quase saltavam dos textos... ela encarou a imagem que havia lhe causado tanta surpresa da primeira vez, o colar... o colar de Medusa, o presente que Poseidon havia forjado para ela... o colar de proteção que havia vencido gerações e um dia havia sido da sua mãe, o colar que havia dado inicio a todas as coisas.
Foi quando Shara notou uma diferença singular naqueles textos, eles estavam alterados... não da forma como ela os havia lido da primeira vez... a história estava diferente... era como se alguém tivesse manipulado aquilo, ou melhor a encoberto por mentiras, com uma narrativa falsa que havia se difundido e se espalhado pelos tempos... mas agora Shara estava diante de um livro completamente diferente daquele que ela havia lido, embora ainda fosse o mesmo livro... era loucura, ela sabia... mas o que não era loucura em toda a sua história?... ela passou os dedos pelas páginas, sentindo a vibração sutil da magia, e enquanto lia os relatos... os verdadeiros relatos, sim fatos históricos que ela havia levado meses para descobrir, diversas visões e inúmeras peças até compreender, e simplesmente estavam todos ali... esse tempo todo, o passado exposto diante dos seus olhos, quase como uma biografia não autorizada da vida dela... de Medusa, tratando os seus dilemas, as dores, todas aquelas injustiças que lhe haviam sido impostas... a sua relação com Poseidon, a paternidade dele, e a falta de perdão dela, o amor doentio de Atena por ele, o templo, sua vingança, o seu dom... a maldição, e as implicações dela... enfim... só não havia nada muito detalhado sobre a Hidra e tão pouco sobre Antony... eles pareciam ter sido meros figurantes ali, nenhum destaque lhes foi concedido... Shara suspirou absorvida e perdendo-se diante daquelas verdades antigas, que haviam sido preservadas naquelas páginas, então era dali que seu pai havia tirado as informações fornecidas com tanta propriedade na noite anterior... sim, esse era o livro que ele havia citado... ele havia desvendado uma parte ainda não explorada da história.
Shara virou a última página e um título especifico chamou a sua atenção... “As Guardiãs e Seus Poderes” ela se concentrou na leitura... afinal aquilo parecia ser novo...
“As guardiãs, ou também conhecidas como filhas de Poseidon possuem uma ligação forte e inquebrantável com o elemento água, que em sua essência obedece ao seu comando... as guardiãs têm o poder e a capacidade de acalmar ou convocar tempestades impetuosas com um simples gesto de suas mãos... Elas também possuem a habilidade única de se comunicar com todas as criaturas marinhas, golfinhos brincalhões, baleias majestosas, peixes coloridos e até os mais temíveis monstros aquáticos ouvem e obedecem às suas ordens. Cada criatura reconhece nelas a marca de Poseidon e responde aos seus chamados com devoção e respeito”
Shara parou para refletir sobre aquilo, desde muito nova... ela sempre se sentiu atraída pela água, a praia era uma prova de sua mais pura devoção... os grandes lagos, ou as encostas de rios pareciam exercer alguma influência sobre ela, algo que ela nunca soube muito bem como explicar... claro que após o incidente ocorrido no lago negro, ela o estava evitando mas ainda sim havia algo a mais e isso explicava muita coisa, ser descendente de Poseidon tinha suas vantagens afinal, enfim algumas boas notícias sobre ser aquilo que ela era... mas o que a surpreendeu consideravelmente era o fato dela poder convocar ou parar tempestades... se ela soubesse disso antes, algumas coisas e acontecimentos poderiam ter sido muito diferentes de como foram, aquele havia sido o seu maior pesadelo por anos... talvez Elza soubesse, já que a tempestade estava sempre presente em seus grandes atos de poder, ela suspirou ao se lembrar dela... Elza teria tanto a dizer sobre isso, mas ela estava morta agora e definitivamente aquela não era uma morte que ela lamentava... Shara voltou seus olhos para o texto outra vez...
“A Dualidade do Poder: Embora sejam conhecidas em suma por sua bondade e sabedoria, as guardiãs também podem possuir um lado sombrio... quando provocadas sua fúria pode ser comparável à de Poseidon. Tsunamis e tempestades devastadoras e redemoinhos mortais são algumas das manifestações de sua ira…”
Shara arregalou os olhos, certo... ela mal havia aprendido a controlar sua magia, portanto ela não se via capaz de algo assim tão poderoso, algo que pudesse ser comparado a ira de Poseidon por exemplo… isso era algo um tanto quanto assustador... ela decidiu ignorar aquilo… por hora…
“A Magia Fluída: A magia das Guardiãs é intensificada na presença de seu elemento natural. Quando próximas de grandes corpos d'água, o seu poder se torna praticamente ilimitado... com apenas um comando, elas podem moldar a água em formas sólidas ou vaporosas, que criam vida e podem ser usadas a seu favor caso haja necessidade”
Aquilo parecia encantador... e num salto Shara pulou da cadeira... moldar a água? Como exatamente aquilo funcionava? e de tudo que ela havia lido de novo ali, o seu lado infantil falou muito mais alto, ela correu, abrindo a pia da cozinha... certo aquilo não era exatamente um grande corpo de água, mas era água de qualquer maneira… e bem, aquilo era apenas um teste e ela não esperava nada grandioso, então ela estendeu a mão e em sua mente Shara imaginou um pequeno dragão, e para sua surpresa… uma porção de água se moldou a forma que ela havia criado em sua mente… aquilo era fantástico, Shara sorriu satisfeita, vendo a água se dissolver e escoar pela pia… certo ela precisava de um pouco mais de concentração para sustentar algo assim, ela tentou de novamente e outro dragãozinho bateu asas e voou, aquilo era um pouco mais audacioso, Shara guiou o Dragão com as mãos e ele obedeceu cada um dos seus movimentos, tudo isso com muita precisão… Shara gargalhou satisfeita e dessa vez a forma criada por ela se manteve estática… ok não era tão difícil assim, um pouco de treinamento e seria o bastante, Shara ergueu a outra mão e repetiu a ação, e lá estava… agora haviam dois pequenos dragões de água voando pelo recinto… ela os guiou os vendo brincar entre si… fabuloso demais, ela precisava mostrar isso para mais alguém, Catie… sim ela certamente iria adorar aquilo, foi quando a porta de entrada foi aberta, fazendo Shara se desconcentrar e baixar as mãos, os dois pequenos dragões se colidiram no ar e então… voltaram ao seu estado líquido e caíram exatamente sobre a cabeça dele… Shara se assustou, com a cena de um professor Snape imóvel e agora completamente ensopado, piscando de forma desordenada e tentando entender o que havia acontecido ali… ele inspirou o ar, como quem buscasse o último fôlego…
—E-P-S-O-N — ele gritou, dissociando letra por letra do seu sobrenome, como quem estivesse dissecando sapos… o sapo nesse caso seria ela.
—Estou aqui… — ela respondeu segurando a respiração, mas com vontade de estar em qualquer outro lugar menos ali… — eu… eu posso explicar isso — ela estava aflita, sim ela podia explicar… contudo não seria fácil fazê-lo entender… afinal por que ele tinha justamente que chegar naquele momento?... Então prontamente Shara tirou as vestes, e foi até ele… se ela o secasse, se ela pelo menos tentasse, quem sabe…
—O que exatamente está tentando fazer? — ele perguntou visivelmente incomodado.
—Secando… eu posso secar, eu posso ajudá-lo a se recompor… — ela estava tão nervosa enquanto tentava de alguma forma melhorar o estado terrível dele… ela era mesmo completamente desprovida de sorte…
—Se afaste — ele rosnou, sacando sua varinha e lançando um feitiço de secagem sobre si… obviamente que era só usar magia, sim… afinal tudo se resolvia com magia… eles estavam numa escola de magia… eles eram bruxos… por Merlin as vezes ela era mesmo uma garota estúpida e então ela o encarou completamente desiludida e se sentindo ainda mais inútil e sem graça ali — agora… eu realmente espero que diga algo que valha a sua vida… — e da forma como aquilo foi dito soava mesmo como uma ameaça — e trate de escolher bem as próximas palavras, já adianto que pedidos medíocres de desculpas não estarão entre as opções aceitas aqui…
—É… sendo assim… apenas… apenas não me mate ainda — ela tentou ao gaguejar… sim isso era um pedido, um pedido de misericórdia, e ela lamentou com o olhar já que se desculpar não era uma opção…
—Acredite… já vi alunos suplicarem com muito mais entusiasmo quando o assunto se trata de salvar as suas malditas e imprestáveis vidas — ele disse lentamente — interessante, mas não encontrei nenhuma comoção verdadeira, nada que me fizesse sentido ou ao menos repensar qualquer ação aqui… nada de fato relevante ao ponto de me convencer a…
—Eu te amo — ela o interrompeu, e ele parou… ele estava de costas para ela agora já que estava pendurando suas vestes agora secas no cabideiro mas era como se ela o tivesse enfeitiçado com um petrificus totalus… — eu te amo pai… eu te amo mesmo quando eu não entendia aquilo que sentia, mesmo antes de saber a verdade sobre nós… eu te amo a muito tempo… certo… não desde o primeiro dia, você sabe… a primeira impressão não foi muito boa — ela sorriu um pouco sem graça por estar sendo honesta sobre isso — mas acho que o destino se encarregou de todo o resto, eu sei que é completamente improvável, mas sim… de alguma forma eu sabia que o senhor era aquilo que eu buscava… e então eu o encontrei e foi gradual… e foi intenso, pra mim… — ele se virou para encará-la — e sendo assim eu meio que agradeceria se não me matasse ainda, sabe eu acho que essa relação… familiar e aquilo que ainda podemos construir… valerá a pena de alguma forma — ela abriu um sorriso discreto para ele — é um presságio… — ela deu de ombros — sou boa com presságios…
—Essa foi uma boa tentativa… — ele havia dito — talvez um tanto quanto apelativa demais… um golpe baixo ou algo assim… — ela gesticulou negativamente com a cabeça.
—Não é apenas uma tentativa… quer dizer não da forma como parece ser agora — ela estava falando sério ali, afinal ele merecia ouvir aquilo dela… por tudo e por tanto — eu sei que o deixei zangado e com toda razão mas isso não é apenas pelos dragões de água e tão pouco pelo episódio na sala de aula essa manhã, eu só achei que devia dizer, enfim… sabe as poções no meu quarto… obrigada por isso, por cuidar de mim dessa maneira… e por se importar… e mesmo quando está zangado eu sei… que está apenas preocupado e que tem se ocupado em me deixar protegida, a sua maneira… com o segredo, com a minha magia… eu realmente posso ver isso e sou grata… e honestamente o senhor precisa concordar que me matar seria um desperdício de toda essa energia gasta até aqui… — ela piscou satisfeita… ele havia amolecido, aquilo era fácil de ler até… talvez fosse o seu ponto fraco, ou como ele havia dito, um golpe baixo.
—Tem sorte — ele caminhou até ela e segurou o seu queixo — por ter os olhos da sua mãe… acredite isso já lhe salvou algumas vezes antes e parece fazer o mesmo aqui — ele pontuou, e então a soltou, caminhando até a estante de bebidas, ela nunca pensou muito sobre isso, sobre os seus olhos… mas sim sua mãe tinha olhos verdes também… mas o que exatamente isso representava para ele? E como isso poderia salvá-la de algo? ele parecia compreender a sua confusão — desde o primeiro encontro, no dia em que chegou nessa escola, essa foi a primeira característica… sim o seu olhar — ele fez uma pausa enchendo um copo de whisky de fogo — algo marcante demais para ser ignorado por mim, foi assim que eu descobri quem você era… claro, a carta da sua mãe trouxe clareza e a verdade assim que Alvo a leu, mas era difícil aceitar… aceitar que havia uma criança, mas de alguma forma, eu já sabia… no momento exato em que pus meus olhos em você… — ele deu um gole na bebida — sabe o que mais eu percebi naquele dia? — ele perguntou e ela gesticulou que não — que você me traria problemas… — ele sorriu com malícia — já que é um ímã para eles… além de não ter nenhum autocontrole, nenhuma autopreservação, ser impulsiva e propensa a quebrar regras — ele levantou o copo como quem estivesse brindando aquela nada promissora descoberta — talvez seja carma — ele disse bebendo.
—Bom dito assim… talvez o senhor tenha mesmo bons motivos… para bem… você sabe… se livrar de mim — olhando pelo ponto de vista dele, sim ele de fato os tinha.
—Talvez… — ele disse de forma arrastada — mas ainda assim… eu encantei o seu colar para poder acompanhar cada um dos seus passos, te presenteei com uma moeda de comunicação direta comigo, passei a prestar atenção naquilo que você falava e fazia, a me importar com cada um que cruzasse o seu caminho e te machucasse de alguma forma, exerci vingança sobre isso… liberei acesso ao meus aposentos privativos, um quarto novo em minhas alas… e… não estou fazendo você chorar, mesmo sabendo que invadiu meu escritório privativo essa tarde sem permissão para tal — ela corou… mas é claro que ele sabia, ele sempre sabia de tudo o tempo todo…
—Foi o livro — ela entregou — de uma forma que eu não sei explicar... o livro, ele me atraiu até lá…
—Entendo — ele a estava encarando…
—Eu sei que parece uma desculpa estranha… e esfarrapada, mas… não é, ele realmente fez... — ele ergueu a mão sinalizando que ela parasse.
—De certa forma eu imaginei que a magia antiga contida nele o faria, e imaginei que isso despertaria sua curiosidade — ela paralisou, então ele sabia sobre a magia… a magia no livro, mas como? Ou melhor, desde quando? — A curiosidade pode ser uma qualidade admirável, quando utilizada de maneira adequada — ele afirmou como se tivesse aprovado aquele comportamento.
—Bom... não foi exatamente isso que o senhor me disse a alguns meses atrás quando eu o retirei da sessão restrita – ela se viu dizendo… – e eu não pensei que o senhor ficaria... é feliz? digo... por saber que eu estava… mexendo em seus assuntos pessoais... dessa maneira – ela completou cada vez mais confusa com aquilo.
—Não estou exatamente feliz, mas nesse caso também não estou zangado... afinal, esse não é apenas o meu assunto pessoal... esse é o nosso assunto pessoal a um bom tempo, eu diria... – inevitavelmente Shara sentiu um calor reconfortante se espalhar pelo seu peito ao ouvi-lo dizer aquilo daquela maneira… além de todo o resto que ele já havia dito… do qual ela ainda estava tentando processar, em outros tempos seria loucura acreditar que ela teria mesmo sobrevivido depois de tê-lo surpreendido com um banho de água fria… sim era improvável e mesmo depois de um ano todinho onde eles mal podiam respirar juntos no mesmo espaço, eles estavam de fato e finalmente construindo algo novo ali, uma conexão familiar… de pai e filha do jeito que ela sempre sonhou que seria — Accio livro — ele disse interrompendo seus pensamentos e ela viu o livro voar até suas mãos.
—Imagino que a essa altura já tenha se dado conta de algo um tanto quanto peculiar sobre esse livro antigo — ele olhou para o livro que segurava e voltou sua atenção para ela.
—Sim… ele está diferente… — ela disse — completamente diferente da primeira vez que eu o li… é como se ele tivesse mudado… como se ele não fosse o mesmo livro — ela parecia procurar por respostas… — eu não entendo… como?
—Enfeitiçado — ele respondeu prontamente, entregando a resposta que ela procurava, aquilo era uma surpresa, Shara não havia cogitado algo assim… — Fidelius… um feitiço bastante difícil e usado comumente para esconder um segredo — ele explicou… dando a volta pelo sofá e se sentando nele — Depois que você me trouxe o livro pela primeira vez, eu o mantive comigo por segurança, no princípio ele se parecia apenas com um livro velho sobre lendas e mitos idiotas, algo completamente irrelevante e descartável, contudo algumas peculiaridades sobre ele despertaram minha atenção… como o fato de existir apenas duas cópias dele em todo o mundo bruxo — ele continuou explicando, e ele parecia muito à vontade ali — algo nada comum se tratando de literatura, raro por se dizer… e embora não fosse propenso a acreditar em lendas e fantasias, as descobertas que você vinha fazendo através das visões, a mudança no colar que estava carregando, a proximidade de Elza, a quebra da maldição de Antony… tudo isso foi precursor e me moveu a estudá-lo com um pouco mais de interesse… foi quando após alguns testes, percebi que havia algo mágico sobre o livro, um feitiço… sim o livro havia sido enfeitiçado — ele informou.
—E como o senhor fez…. digo… como quebrou esse feitiço? — ela estava curiosa — quer dizer… se o livro estava enfeitiçado e agora não parece estar mais… o senhor o quebrou não é mesmo? — ela o analisava.
—De fato — ele abriu o livro no capítulo de Medusa — o feitiço foi desfeito ao lançar um contra feitiço adequado e usando a palavra-chave, que mantinha o segredo ativo — ele disse como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo.
—Uma palavra chave… — ela sussurrou e era óbvio que ela queria saber…
—Justiça — ele disse sem que ela precisasse perguntar — justiça é o que Poseidon vem tentando restabelecer… desde que perdeu sua esposa, o seu reino e teve que se afastar da sua filha… isso a milhares de anos atrás… basicamente desde que Atena entrou em sua vida…
—Acho que não estou surpresa… quer dizer, sim pelo feitiço em si, o livro e tudo mais… mas não sobre o senhor ter feito isso… — ela disse o encarando — afinal o senhor é realmente muito bom em quebrar essas coisas antigas… feitiços e maldições milenares — ela devolveu… ela estava orgulhosa, seu pai era mesmo brilhante.
—Infelizmente meus dias de glória acabaram, já que Dumbledore foi enfático e me proibiu de quebrar qualquer outra coisa nesse sentido — Shara ergueu as sobrancelhas, ele parecia descontraído com aquilo — ele acha que estou super populando o castelo — ele bufou — talvez ele tenha razão sobre isso… — Shara sorriu… ele se referia as irmãs camponesas, depois de Antony… elas teriam que ficar em algum lugar… e Shara desconfiava que o lago negro não seria mais uma opção de lar — sorte que teremos o lago de volta — ele disse quase que completando seus pensamentos — ainda ontem o diretor tirou todas as restrições sobre o lugar… e isso o deixou um pouco menos irritado…
—Então Dumbledore sabe sobre tudo isso… — ela afirmou, então eles haviam se falado… haviam discutido os últimos acontecimentos… mas é claro que eles fariam.
—Dumbledore sempre sabe… sobre tudo que acontece em Hogwarts — ele a olhou de forma penetrante — já discutimos isso antes… — sim, eles haviam feito… e ela havia entendido e de certa forma aceitado aquilo — E há mais... Dumbledore e eu investigamos a autenticidade dos textos… algo importante e ter a ajuda de um mago como ele foi fundamental para o processo — ele olhou dela para o livro — e ao fazê-lo, descobrimos algo ainda mais curioso sobre o livro, uma assinatura mágica, que trouxe à tona o verdadeiro autor dos textos… – ele informou... ele havia dito autor?… Shara também encarou o livro, agora com ainda mais curiosidade, ela nunca se questionou sobre o autor dos textos… — aproxime-se — ele pediu e ela não pensou duas vezes… ela foi até ele e se sentou ao seu lado no sofá… — você havia dito que o que a atraiu até o meu escritório mais cedo foi o livro…
—A magia… sim, a magia ancestral… no livro — ela complementou, soando de forma mais assertiva.
—Muito bem… — ele disse — e isso só seria possível se…. — ele a estava estimulando a pensar sobre aquilo e dar uma resposta nesse sentido.
—Se o livro… assim como os demais objetos, a adaga… o colar, a espada de Godric… o cajado de Antony… se ele fosse um objeto forjado… quer dizer, nesse caso escrito, por alguém que possui tal magia? — ela perguntou e agora aquilo parecia mesmo fazer sentido.
—10 pontos para a Sonserina — ele disse com ironia — não se anime, essa não é uma contagem oficial — ele corrigiu… mas ainda assim ela gostou da maneira como ele estava conduzindo aquilo e então sem dizer mais nada… ele apontou com a varinha para o canto de uma das páginas… e algo brilhou ali, como se fosse mesmo uma assinatura se materializando diante dos seus olhos, mas não era um nome e sim um símbolo que Shara prontamente reconheceu como sendo... um tridente.
—Poseidon...- ela sussurrou, seus olhos arregalados de surpresa... Sim Poseidon havia escrito aquele livro, era por isso que a imagem do colar... os havia impressionado tanto da primeira vez, era tão exata e precisa, afinal o colar havia sido forjado por ele... isso explicava a magia antiga também…
—Fascinante — ela exclamou, seus olhos brilhando de entusiasmo — Então, este livro... não é apenas uma coleção de lendas... é um registro real dos eventos, é um material histórico — ela disse, sim Poseidon havia se dado ao trabalho de preservar todas as verdades ali… mas e os demais capítulos? Haviam outras lendas ali… e sem pensar ela virou as páginas… que agora estavam… todas em branco… — ela olhou para o seu pai… confusa.
—Os demais capítulos eram apenas desilusões — ele esclareceu — um truque bem feito e aplicado aqui… — Poseidon havia mesmo pensado em tudo… ele havia protegido os relatos verdadeiros, os camuflado ali no meio de outras lendas… isso num livro enfeitiçado, que curiosamente se encontrava na biblioteca da escola, e Shara se lembrou de quando Beta havia dito o quão rica era aquela biblioteca, mas a amiga não tinha ideia do quão rica ela era de fato.
—Por que eu posso sentir a magia? Quer dizer… por que agora? E por que não antes? — ela já havia segurado o livro no passado e ele não havia exercido tal reação sobre ela, não da forma como ele havia feito hoje…
—Poseidon era poderoso e astuto… a magia antiga contida no livro só pode ser sentida a partir do momento em que o segredo dele fosse liberado… algo que foi feito a menos de duas semanas atrás… e na maior parte desse tempo o livro ficou a encargo de Dumbledore, para inspecioná-lo – e isso respondia sua pergunta.
—Então estava tudo aqui… esse tempo todo — ela suspirou, teria sido tão mais fácil… se eles simplesmente tivessem descoberto isso no início do ano letivo… teria evitado tanta coisa.
—Sei o que está pensando… contudo, não deveria questionar isso dessa maneira. Afinal, nada teria feito verdadeiro sentido se a história não tivesse transcorrido como ela foi de fato... — ele tinha razão sobre isso. Ela se encostou contra ele, e ele não esboçou nenhuma objeção ao seu contato. — O destino se encarregou de preparar cada cena no seu tempo devido – ele disse.
—Mas... ainda falta algo, o gran finale — ela completou, como se eles estivessem discutindo uma peça de teatro ali.
—Faremos o ritual na próxima semana. – Ele sabia exatamente ao que ela se referia e a proximidade do momento lhe dava uma certa adrenalina, algo inevitável.
—É um pouco assustador pensar sobre isso... – ela confessou, a voz trêmula.
—Não está sozinha, Shara... – ele disse, passando o braço em torno dela e aconchegando-a em seus braços. Ela apreciou muito o gesto, já que ele havia tomado a iniciativa, reforçando ainda mais a sua tese de família. – Quero que guarde isso – ele disse de forma enfática.
—Eu nem sei ao certo o que esperar disso, não ainda… mas saber que o senhor estará lá comigo torna tudo melhor, mesmo quando estamos falando de um ritual de necromancia – ela admitiu, enquanto se acomodava contra o peito dele.
—Isso não é sobre o ritual – ele disse suavemente, fazendo-a virar para encará-lo. – O que quero dizer é que você nunca mais estará sozinha, pelo menos não enquanto eu estiver aqui – Ele estava sério, mas seus olhos brilhavam de uma forma diferente e ver aquele brilho fez os olhos dela marejarem também.
—É isso que o senhor realmente quer? – ela se viu perguntando.
—Sim – ele confirmou – é isso que eu realmente quero Shara, é isso que eu sempre quis... digamos apenas que eu ainda não sabia disso — Shara fechou os olhos por um momento, absorvendo cada palavra, cada sensação... o calor dos braços dele ao seu redor e a firmeza em sua voz faziam-na sentir-se segura de uma maneira que ela nunca havia experimentado... eles estavam se aproximando do fim… ao mesmo tempo em que aquele era um novo começo, ela abriu os olhos novamente e ela encontrou os dele fixos nos seus, cheios de uma intensidade que fazia seu coração acelerar.... e as lágrimas que ela tentava conter finalmente deslizaram pelo seu rosto... afinal ouvi-lo decretar aquilo silenciava os seus mais temidos e piores medos internos. Ela quase podia ver os fantasmas do seu passado sendo dissipados ali... Talvez ele não soubesse, mas ele havia acabado de colocar uma pedra no que havia sido.... sim eles estavam realmente escrevendo um novo capítulo... de uma nova história, intitulada como FAMÍLIA.
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