Destinos Improváveis

121 Futuro - Nossa casa


Notas iniciais
Ao som de: Feel The Light - Jennifer Lopez

—Com licença... a senhora mandou me chamar? – Shara perguntou, depois de abrir sutilmente a porta do escritório privado da professora de transfiguração, era naquele lugar que ela recebia os alunos, em especial os da casa que ela coordenava, a Grifinória, já Shara havia pisado muito pouco ali em todo aquele ano letivo, uma ou duas vezes talvez, sendo que o dia mais marcante foi aquela noite em que ela havia descoberto a verdade sobre o seu passado, sobre o vínculo dela com o professor Snape onde Shara acabou sendo resgatada por Mcgonagall da torre de astronomia, e convidada a um chá forçado ali.

—Sim, por favor... entre querida – ela disse ajeitando os óculos e sinalizando para que Shara se sentasse – aceita um chá? – ela ofereceu, oferecer chá era mesmo um hábito e Shara sorriu ao pensar na menor possibilidade do seu pai oferecendo chá enquanto recebia os alunos em sua sala, pensando bem certamente ninguém beberia, com medo de ser envenenado ou coisa do tipo, mas Shara aceitou a oferta, ciente de que ela não corria esse risco ali – muito bem... – a mulher na sua frente pigarreou – como sabe, amanhã os alunos estarão retornando a suas casas – ela começou e Shara notou um leve teor de felicidade ou talvez de alívio naquela frase... bom... aquele não havia mesmo sido um ano fácil, Shara não podia julgar tal sentimento – o trem sai da estação precisamente às 11 horas da manhã – ela informou – como sabe também, depois do incidente ocorrido no natal, me tornei a sua tutora legal – ela sorriu – o que é uma grande honra para mim, é quase como uma dívida eu diria... já que você Shara é filha de dois grandes amigos meus e não é segredo a ninguém o apreço que nutria por Maeva – agora ela parecia emocionada e Shara lutou para se manter firme ali – contudo mesmo com a responsabilidade que a mim é imposta, eu não posso e não devo intervir nas decisões tomadas pelo seu pai, isso é algo que acordamos – ela explicou, fazia sentido – dessa forma querida, preciso que você embarque no trem, junto com os demais alunos amanhã – por alguma razão Shara não esperava nenhum arranjo diferente daquele, afinal ela sabia que existia uma regra e que alunos não podiam ficar na escola naquele período de recesso, e ela sabia também que manter a discrição sobre sua natureza e filiação eram assuntos de extrema relevância ali, tanto para ela como para o seu pai… o que Shara não sabia... era aquilo que viria depois, depois dali, depois do trem... depois... quando ela chegasse em Londres, já que ninguém havia se dado o trabalho de explicar.

—Certo – Shara concordou – eu posso fazer isso – ela sorriu sem graça não sabendo muito bem como fazer a próxima pergunta... mas visivelmente preocupada com aquele pequeno e incerto futuro.

—Não se preocupe querida – o olhar de Mcgonagall era afetuoso – Severo se encarregará do restante, ele me pediu para avisa-la que saberá exatamente o que fazer, assim que chegar lá – Shara ergueu as sobrancelhas, como assim? aquilo era uma espécie de xarada... do tipo que ela teria que desvendar? simplesmente não fazia sentido e por que ele estava pedindo para a professora Minerva avisa-la sobre isso, ele podia simplesmente ter dito a ela... afinal eles haviam passado parte do final de semana juntos, bom... tudo bem que uma parcela considerável do tempo foi ocupado com ela esfregando o chão e as bancadas do laboratório privativo dele, o que ele chamou de uma espécie de ritual de limpeza pré férias, algo que ele costumava fazer com magia... e que esse ano ele havia incumbido a ela, sem magia é claro... como uma parte do seu interminável castigo... algo que ele havia deixado claro o bastante que se estenderia por todo o período de recesso escolar... o que ela interpretou como... eles passariam as férias juntos, e isso com o fato dele ter declarado explicitamente a apenas alguns dias que era exatamente isso que ele queria… ficar juntos, então aquilo era a única informação que ela tinha e que fazia algum sentido, pelo menos era o que ela achava.

Mas era inevitável não se sentir perdida diante daquela informação nova, Shara bebeu do chá enquanto tentava processar as palavras da professora que a estudava à sua frente, mas a mensagem do seu pai soava enigmática demais para seu gosto... era evidente que ela estava esperando passar as férias com ele, afinal, ele havia deixado isso claro de certa forma... então, por que agora deixava tudo tão vago?

—Professora, eu... — Shara começou hesitando em como colocar sua confusão em palavras. – mas o que exatamente significa "saber o que fazer"? – sim aquilo evidenciava a sua confusão, e a sua tutora lhe lançou um olhar compreensivo, inclinando-se ligeiramente para frente.

—Querida, eu entendo que tudo isso é confuso para você... sabe, Severo é um homem de poucas palavras, e muitas vezes, as suas intenções são muito mais claras nas ações do que nas palavras — Ela suspirou levemente antes de continuar — Eu deveria lhe informar também que ele, saiu da escola mais cedo esta manhã... teve que cuidar de alguns assuntos pessoais e importantes – aquela notícia caiu como uma pedra no estômago, e Shara sentiu uma onda de tristeza e incerteza... afinal se o seu pai não estava mais em Hogwarts, para onde exatamente ela iria depois de desembarcar do trem? O que significava "saber o que fazer" quando ela chegasse lá? Ela não sabia, será que ela tinha interpretado aquilo tudo de forma tão equivocada assim.

—Ele saiu? – Shara repetiu, tentando de alguma forma esconder o desapontamento em sua voz... – Então... – ela fez uma pausa — eu não sei, digo eu não sei o que esperar quando chegar em Londres amanhã... — McGonagall sorriu de forma sutil, ela parecia tentar oferecer um pouco de conforto.

—Sim, ele saiu... mas ele me garantiu que tudo estará preparado para a sua chegada... sei que pode parecer vago agora, mas ele é um homem de planos meticulosos Shara, ele certamente deixou tudo organizado para você... Apenas confie, está bem? — Ela disse colocando uma mão reconfortante em cima da sua e Shara tentou sorrir em resposta, mas a preocupação ainda nublava seus pensamentos... ela se levantou, agradecendo à professora pelo chá e pela conversa.

—Muito obrigada, professora eu vou... eu vou tentar não me preocupar – ela tentou soar confiante, a professora assentiu, observando Shara sair do seu escritório com uma expressão indecifrável, talvez ela também não concordasse com os métodos dele. Shara caminhou pelos corredores de Hogwarts, sentindo-se mais sozinha do que nunca... a ideia de voltar para Londres sem um plano claro a deixava inquieta... e, embora confiasse em seu pai, ela não podia deixar de sentir uma pontada de desapontamento, pelo simples fato dele ter saído e não ter dito nada a ela... tentando empurrar tais pensamentos para algum lugar distante de sua mente, Shara focou naquilo que precisava fazer no momento... as malas.

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No dia seguinte, conforme instruído Shara embarcou no Expresso de Hogwarts pontualmente as 11 horas da manhã, junto com os demais alunos da escola, ela se sentou num gabinete separado, com suas melhores amigas Beta e Gina, e embora todos ali estivessem indo para as suas casas e as expectativas para as férias fossem as melhores possíveis, ninguém ali parecia de fato feliz em fazê-lo... ninguém em sua cabine no caso, o restante do trem estava eufórico.

—Acho que somos as únicas nesse trem que não estão comemorando – Shara disse de forma nostálgica, enquanto o trem começava a se movimentar, se afastando daquele lugar que havia sido sua casa pelos últimos meses – talvez haja algo de errado conosco – ela tentou soar descontraída...

—Vou passar parte das minhas férias na Indonésia – Beta bufou consternada – e antes que digam qualquer coisa positiva sobre isso, a namorada do papai também vai – ela cruzou os braços – e não me digam pra tentar... eu não estou aberta pra isso, não ainda... então definitivamente felicidade não é algo que me define, não nesse momento – ela finalizou

—Sinto muito – Shara disse tentando ser compreensiva, Gina fez o mesmo com o olhar.

—Bom… eu tenho seis irmãos mais velhos e sou a caçula, mamãe está super protetora esses últimos dias, depois do incidente com bem vocês sabem... Fred e Jorge simplesmente não param de me provocar, os demais estão meio que me evitando... com medo talvez... e ficaremos todos juntos, em casa, me sinto sufocada dentro de uma bolha – ela jogou a cabeça para trás – honestamente esse período será terrível, então Beta tem razão sobre a felicidade não me definir — Gina reclamou... e Beta suspirou em concordância.

—E você Shara? – Beta perguntou, certo… não dava simplesmente para ser honesta ali... e dizer tudo aquilo que ela sentia, mas pensar que seu pai havia deixado a escola um dia antes sem comunicá-la e a ideia de que ele estava cuidando de "assuntos pessoais" a deixava frustrada... não era justo que, depois de tudo o que ela passará, ele a deixasse assim, com instruções vagas e um futuro incerto. Por que ele não poderia simplesmente lhe dizer o que estava acontecendo? Por que precisava sempre ser tão enigmático? Ela sabia que ele era um homem complicado, cheio de segredos e camadas, mas esperava mais transparência depois de tudo que haviam compartilhado até ali... Shara suspirou.

—É difícil dizer, mas acho que vai ser difícil ficar longe de vocês por tanto tempo – Shara respondeu, e não… essa não era uma mentira, apenas não era toda a verdade, Shara sentiria falta das amigas, elas haviam sido um presente, apoio e tanta outra coisa em toda a loucura que havia sido o seu ano letivo, e Shara as amava com todo o seu coração.

—OINNNN – elas disseram juntas e se lançaram em cima dela, em um abraço esmagadoramente reconfortante, trazendo um pouco mais de leveza para aquele momento difícil.

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Enquanto o trem parava e os alunos começavam a desembarcar, Shara se despediu das amigas, com promessas de que escreveriam umas para as outras… e então as viu partir, ela respirou fundo… a plataforma estava repleta de bruxos e bruxas, familiares esperando para receber seus filhos, sorrisos e abraços por toda parte... era inevitável não se sentir deslocada ali e ela se perguntou se alguém estaria ali para ela, ou se o seu pai havia deixado algum recado, algum sinal... qualquer coisa que fosse… como se “saber o que fazer” fosse a coisa mais obvia… então Shara caminhou com passos hesitantes, seu coração batendo mais rápido a cada momento... a multidão ao seu redor parecia fechar-se, mas ela manteve o olhar firme, procurando um rosto conhecido, uma indicação de que alguém estaria ali escondido em algum lugar… e lá no fundo, uma parte dela ainda esperava que ele apareceria de repente, com uma explicação e um plano claro... mas enquanto olhava ao redor, não conseguia ver nada além de rostos desconhecidos e a vida continuando sem ela, Shara suspirou...

—Shara – alguém chamou e ela se virou para ver quem seria – onde você está indo? Parece um pouco perdida – ele disse se espremendo pela multidão, enquanto acenava em despedida para o seu amigo ruivo e sua amiga cacheada, os deixando para trás... talvez Shara não tenha conseguido disfarçar sua completa decepção ao vê-lo, e não por mal... ele apenas não era exatamente quem Shara esperaria que fosse, não naquele momento e então numa tentativa de corrigir ela sorriu para o Grifinório.

—Harry – ela tentou soar animada – eu acho que estou... na verdade… esperando por alguém... – ela olhou por todos os lados, e nenhum sinal de nada suspeito, ela suspirou outra vez.

—Bom são trouxas não é mesmo… Os seus tutores? – ele perguntou em tom de afirmação, ok ele sabia um pouco sobre a sua história, ele sabia que ela vinha de um lar trouxa, isso era algo que ela mesmo havia lhe contado, curiosamente no dia em que eles deveriam ter embarcado naquele mesmo trem e naquela mesma estação a quase um ano atrás… no começo daquilo que mudaria a sua vida completamente e para sempre...

—Sim – ela se viu compelida a dizer… afinal era como deveria parecer.

—Bom, essa é uma estação bruxa, então talvez devêssemos passar pelo portal e procurar lá fora – ele sorriu de uma maneira fofa, depois de esclarecer o óbvio para ela, era engraçado pensar que eles haviam começado isso juntos e agora o destino parecia ter se encarregado de fazê-los terminarem da mesma maneira, com ela desinformada e perdida e ele aparecendo de repente e a ajudando a encontrar uma solução... bom… desde que não fosse um carro voador, ela aceitaria...

—Faz algum sentido – ela também sorriu, já que não havia mesmo nenhuma figura conhecida ou algum sinal por ali... talvez ela devesse mesmo tentar lá fora, a estação estava um tanto quanto abarrotada e sem pensar duas vezes, Harry a puxou pela mão... a guiando através da multidão, sem alternativas Shara se deixou levar... afinal ele já havia feito isso antes e conhecia melhor o lugar, já ela não... contudo era simplesmente inevitável não esbarrar em alguém de tempos em tempos... e foi assim que ela acabou derrubando o malão do aluno loiro a sua frente... que se virou nenhum pouco satisfeito com a situação... seus olhos se encontraram por um momento, as feições dele ficaram ainda mais sérias quando ele notou o que havia acontecido, Harry ainda segurava a sua mão e Shara sentiu um pequeno frio na barriga, já que Draco havia notado.

—Potter – ele disse com desgosto – Epson – ele a olhou com desprezo a analisando dos pés a cabeça.

—Malfoy – Harry devolveu, Malfoy levantou uma sobrancelha com um ar de superioridade e deu um passo para frente, seu tom impregnado de desdém.

—Ah, Potter, sempre o herói, não é mesmo? – Draco comentou, sua voz gotejando sarcasmo. – E você, Epson, se deixou ser arrastada por ele como uma criança perdida. – Ele lançou um olhar gelado para Shara, seus olhos cintilando com um misto de aversão – Surpreendente, mas talvez não tanto, considerando suas... origens — e agora Draco realmente se parecia com a figura que Harry sempre pintava, Shara sentiu Harry apertar a sua mão com mais força, seu rosto se contorcendo em uma mistura de raiva e determinação.

—Cuidado com o que diz, Malfoy – ele retrucou, sua voz firme. – Shara é dez vezes a pessoa que você jamais será. Draco soltou uma risada amarga, cruzando os braços e inclinando-se ligeiramente para frente, como se saboreasse cada palavra que saía de sua boca.

—Ah, por favor, Potter. Você realmente acha que arrastar uma mestiça desajeitada pela estação vai fazer de você um herói maior do que já se imagina ser? – Ele lançou um olhar afiado para Shara – E você, Shara não é mesmo? — ele disse seu primeiro nome como se não a conhecesse ou como se dizê-lo fosse uma espécie de maldição, era estranho ver Draco daquela forma… era como se ela não soubesse mais quem ele era, e isso, aquele comportamento direcionado a ela, não condizia com o garoto que ela conheceu… o que ele estava fazendo? ou tentando fazer? — é patético que dependa de alguém como Potter para te salvar. Mais patético ainda é que ele pensa que está fazendo algo nobre… — Shara sentiu o rosto esquentar, não apenas pela humilhação pública que estava sendo imposta, mas também pela dor das palavras ditas por alguém que ela havia considerado tanto, e de alguma forma atingiam suas inseguranças mais profundas. Ela sabia que ele estava tentando provocá-la, mas isso não tornava suas palavras menos dolorosas e antes que Harry pudesse responder, Shara deu um passo à frente, seus olhos brilhando com determinação.

—Você está certo, Malfoy – ela disse, sua voz firme apesar do nó em sua garganta. – Eu posso estar desinformada e perdida agora, mas pelo menos eu tenho amigos verdadeiros que se importam comigo e se você acha que palavras venenosas vão me derrubar, está muito enganado — ela respirou fundo – mas sabe o que realmente é patético aqui? – ela perguntou — é que você ainda precise rebaixar os outros para se sentir superior… — Draco hesitou, claramente não esperando uma resposta tão direta... ele abriu a boca para retrucar, mas Shara continuou, interrompendo-o — E quanto às minhas origens – ela acrescentou, seu tom se tornando ainda mais desafiador – eu tenho orgulho de quem eu sou e de onde eu vim... e principalmente por que… por que isso me torna diferente de você — ela se manteve firme, Draco arqueou uma sobrancelha, claramente não esperando por aquilo, ele hesitou por um momento, como se estivesse considerando um ataque verbal ainda mais cruel, mas algo na postura de Shara o fez parar. Harry, aproveitando a pausa, deu um passo à frente, colocando-se entre Shara e Draco.

—Vamos, Shara – ele disse, sua voz calma, mas firme. – Não vale a pena perder mais tempo com ele — Shara concordou com a cabeça, e enquanto eles se afastavam, ela pôde sentir os olhos de Draco queimando em suas costas. As palavras dele ainda ecoavam em sua mente, mas ao mesmo tempo, sentia-se mais forte por tê-lo enfrentado, aquela era uma versão dele que Shara conhecia apenas de ouvir falar… mas era real, Harry tinha razão... e ali estava a prova… aquele era o Draco que a decepcionava, eles passaram pelo portal e entraram na estação trouxa, Shara respirou fundo, tentando se acalmar… Harry ainda segurava sua mão, oferecendo um conforto silencioso.

—Obrigada, Harry – ela disse finalmente, sua voz um pouco trêmula, mas carregada de sinceridade. – Por estar aqui... eu realmente aprecio isso, de novo… é como se fosse predestinado a ser… eu não sei — ela fez uma analogia com o que eles haviam feito no passado, Harry olhou para ela, seus olhos verdes brilhavam de uma forma diferente agora, ele deu um passo mais próximo e, sem dizer uma palavra, a puxou para um abraço apertado… Shara ficou surpresa e, por um momento, não soube muito bem como reagir, ela sentiu o calor dele e a segurança daquele gesto, mas também uma onda de timidez que a deixou sem graça…

—Você sabe... que pode contar comigo para o que precisar, não dê ouvidos a ele... Malfoy é apenas um garoto idiota e mimado, não o deixe te incomodar – ele sussurrou, ainda segurando-a com firmeza, a reconfortando – e... agora... vamos encontrar o que quer que seja que você esteja procurando... – ele a soltou, satisfeito… Shara, ainda um pouco atordoada, retribuiu com um sorriso tímido… e enquanto buscava palavras para explicar que nem ela sabia exatamente o que estava procurando, alguém chamou sua atenção… um homem, sentado exatamente no mesmo banco entre a estação 9 e a estação 10, sim o mesmo banco que Shara havia se sentado pela primeira vez, quando Noah a havia largado ali na estação, no dia em que ela achou que ele tinha simplesmente se desfeito dela, quando ela achou que tudo aquilo não passava de uma brincadeira doentia e que havia sido abandonada e que ficaria sozinha para sempre… agora… ali estava ele, aquele homem desconhecido porém não estranho para ela… aquele era o Sr. Grengas, pelo menos era assim que Alvo Dumbledore o havia chamado, ele segurava um jornal trouxa que parecia entrete-lo, aparentando estar completamente apático a tudo que acontecia em sua volta, mas Shara o conhecia, e ela sabia que não… suas pernas cruzadas como de costume… e em uma das mãos estava o objeto que havia o entregado da última vez, o anel com a pedra de Onix, sim então ele sabia que ela estava ali… ela suspirou cansada, mas ao mesmo tempo aliviada… ele estava lá para ela.

—Eu acho que já encontrei Harry – ela continuava olhando para o banco e Harry entendeu.

—É o seu tutor? — ele perguntou.

—Sim — Shara se virou para ele — obrigada Harry, eu tenho que ir… você sabe…

—Espera — Harry disse abrindo a mochila que ele segurava, e anotando algo às pressas em um pequeno pedaço de papel — me escreva nas férias — ele pediu, estendendo a ela… era um endereço.

—Claro Harry — ela o pegou — até mais… — Harry assentiu, agora parecendo um pouco corado e se virou para seguir seu próprio destino… Shara o viu se afastar e então ela caminhou até o banco, onde o seu pai estava sentado, se Harry sonhasse que aquele era na verdade o professor Severo Snape, ele certamente teria tido um infarto fulminante bem ali no meio daquela estação movimentada, de qualquer maneira era estranho vê-lo naquele corpo, e Shara se perguntou quantos fios de cabelo ele havia retirado daquele pobre homem ruivo, já que era necessário para a poção polisuco, enfim isso não importava… importava apenas que ele tinha mesmo um plano, e que ele estava ali, e que ninguém poderia suspeitar dele ou deles nesse sentido, afinal nem ela o fizera... contudo a vida podia mesmo ser engraçada, já que sem saber ele estava sentado naquele banco que havia sido um sinônimo de incertezas para ela no passado… e agora, ele era a única certeza que ela tinha, quer dizer pelo menos ela achava que tinha... e pensar nisso fez algo dentro dela crescer, ela estava com raiva.

—Sr. Grengas… — ela disse ao se sentar do lado dele... e encenando um comprimento cordial, quando tudo que ela mais queria era xinga-lo pôr a ter deixado as cegas daquela maneira.

—Srta. Epson – seu pai, disfarçado, respondeu, sem sequer desviar os olhos do jornal, o seu tom de voz era um veneno suave e familiar, e estava impregnado de sarcasmo – vejo que sobreviveu à nada sutil experiência de ser guiada pelo glorioso Harry Potter... deve ser uma sensação verdadeiramente transcendente ser arrastada pelo nosso famoso "herói" dessa maneira — Shara sentiu suas bochechas esquentarem, tanto pela irritação quanto pela vergonha – me diga Epson... — ele continuou, finalmente fechando o jornal e se virando para encará-la, seus olhos, agora sob o disfarce, ainda mantinham aquele brilho de ironia implacável – Devemos agradecê-lo, não? Imagine só... Harry Potter, o salvador do mundo bruxo, encontrando tempo para proteger uma jovem perdida como você... que cena tocante... confesso que quase me emocionei com tamanha demonstração de afeto, um abraço... isso foi mesmo encantador.

—Por favor, pare – Shara sussurrou, tentando não chamar atenção – Você não entenderia... Harry estava apenas...

—Não entenderia? – ele a interrompeu, sua voz baixa, mas carregada de um sarcasmo cortante – o que eu entendo perfeitamente bem... é que você, a minha filha, parece estar desenvolvendo uma predileção por companhias inadequadas... primeiro Malfoy, e agora o petulante do Potter, e quem sabe quem mais na sequência? Talvez um Weasley? — Ele riu secamente, e Shara sentiu um aperto no peito... por que ele tinha sempre que ser tão rancoroso?.

—É apenas curioso – ela respirou fundo antes de dizer – que numa situação como essa, e mesmo estando sob esse disfarce e em público – ela o encarou – não encontre dificuldade alguma em me chamar de filha – sim aquilo era uma insinuação bastante oportuna, já que os seus critérios simplesmente não faziam nenhum sentido – de qualquer maneira, não é o que parece — ela murmurou – Harry só estava me ajudando, e se quer mesmo saber... se o senhor tivesse me dito quais eram os planos aqui, eu não teria ficado tão perdida e à mercê de... situações como essa... então, se algo que viu o desagradou, bem eu lamento informar mas... mas a culpa é sua – e então ela o acusou diretamente, ele inclinou-se mais perto, seus olhos queimando de raiva contida, claramente não esperando por uma resposta tão ousada... ele respirou fundo, sua expressão se tornando ainda mais severa.

—Se eu tivesse contado meus planos a uma criança impulsiva como você... teríamos problemas ainda maiores do que os que enfrentamos durante todo esse ano letivo, e é claro que não precisávamos de mais um desastre causado pela sua estupidez – ele cuspiu de volta.

—Eu não sou a criança que acha que sou... eu poderia ter lidado com isso... – ela devolveu magoada – mas entendo que seus assuntos pessoais devem ter sido muito mais importantes do que me manter avisada sobre aquilo que faria – ok agora ela estava se comportando como uma criança que ele achava que ela era... por que ela tinha sempre que ser tão transparente sobre aquilo que sentia? Ele exercia mesmo tal influência sobre ela...

—Muito perspicaz – ele retrucou com um sorriso gelado – talvez um dia, quando você realmente entender as complexidades do mundo que nos cerca, possa julgar o que é ou não importante... até lá, continue se comportando como a criança mimada que é...

—A culpa não é minha se você decide guardar segredos de todos ao seu redor – Shara explodiu, sentindo a frustração borbulhar dentro dela... – Se eu soubesse o que estava acontecendo, poderia ter vindo até você… diretamente mas o senhor prefere manter todos no escuro, e depois culpa os outros quando algo não é do seu agrado... – ela estava se controlando para não desabar em lágrimas, seu pai a olhou fixamente, sua expressão implacável, mas algo em seus olhos parecia ter suavizado por um breve instante, um lampejo de algo que poderia ser remorso ou preocupação.

—Se alguma vez lhe parecer que estou sendo injusto com você Shara – ele disse, sua voz fria e controlada, contudo ele havia usado o seu primeiro nome agora – lembre-se de que tudo o que faço, e tenho feito é unicamente para protege-la, e mesmo que você não entenda dessa forma... e mesmo que isso signifique ser o vilão em sua história, que assim seja, não é nada muito diferente daquilo que estou acostumado a ser... e já que mencionou, os assuntos pessoais ao qual se refere, são... preparar a minha casa para acomodar uma criança da sua idade, afinal até o último verão não havia a menor probabilidade de ter crianças vivendo naquele lugar... — Shara o encarou, surpresa pela súbita honestidade

—Então... – ela começou, sua voz um pouco mais suave – o senhor saiu mais cedo da escola, para... para preparar a sua casa? – e agora ela estava constrangida, ele a observou por um momento, seus olhos avaliando cada nuance de sua expressão, finalmente, ele assentiu, seu semblante ainda severo, mas havia uma ligeira suavidade em seus traços.

—Sim – ele respondeu, sua voz um pouco menos dura. – Havia muito a ser feito para garantir que você tivesse um ambiente seguro e adequado – Shara o encarava confusa – acredite a casa de um comensal da morte pode ser bastante traumática para alguém tão jovem, itens escuros... de tortura, magia das trevas entre outras coisas que não valem ser mencionadas – e ela sentiu um arrepio descendo pelas suas costas, ela não havia pensado em algo assim, como poderia? — E embora eu preferisse que certas circunstâncias tivessem sido diferentes... vale ressaltar que foi necessário – ele concluiu, Shara permaneceu em silêncio, digerindo as palavras de seu pai... a revelação de que ele estava preparando sua casa para recebê-la, removendo vestígios das trevas, era um choque... ela sempre soubera que ele era um homem complexo, mas nunca havia considerado o quanto ele estava mesmo disposto a fazer por ela, mesmo que seus métodos fossem um tanto quanto questionáveis.

—Eu... eu não sabia – ela finalmente murmurou, olhando para o chão. – Pensei que... pensei que você estivesse apenas me afastando, mantendo distância por... sei lá, por receio do desconhecido, talvez mudado de ideia… – ela admitiu.

—Eu sei que pode ter parecido dessa forma para você, mas quero que perceba, que isso diz mais sobre as suas inseguranças do que sobre os meus métodos propriamente ditos – ele disse, sua voz mais controlada, e mais uma vez ele tinha razão sobre algo, ela era instável e insegura… – Mas a verdade é que… desde o momento em que soube da sua existência Shara, tive que fazer ajustes significativos em minha vida… dos quais não me arrependo — ele enfatizou — já falamos sobre isso antes… embora não foi e nem está sendo fácil, e a decisão de mantê-la no escuro não foi tomada levianamente… — Shara levantou os olhos para ele, sua expressão uma mistura de constrangimento e incerteza… ela sempre soube que Snape era um homem difícil de entender, mas ver esse lado dele, essa preocupação oculta, era algo que mesmo depois de tudo, ainda a pegava de surpresa.

—Me desculpe – ela disse por fim... e era verdadeiro — me desculpe pois não começamos isso muito bem... — ela se sentiu mal pelos seus julgamentos e havia uma necessidade grande de recuar agora — eu… sou uma tola… as vezes…

—Eu sei que minha maneira de lidar com as coisas nem sempre é a mais fácil de entender... e certamente não é a mais gentil, então... não há o que se desculpar – ele também estava recuando, ela olhou para o chão encabulada — Agora... vamos, já estamos atrasados – ele se levantou pegando-a desprevinida – ainda temos muito a fazer e discutir e definitivamente não gostaria de continuar isso aqui, ao contrário de alguns, plateia não é algo que almejo — sim, eles haviam acabado de discutir em vias públicas… e ela também não se sentia nada a vontade ali… Shara fez o mesmo… levantando e pegando o seu malao — sabe talvez eu devesse recuperar meus itens de tortura… pois pensando bem eles ainda podem ser bastante úteis nos dias de hoje — ela o encarou assustada — principalmente se uma certa coruja branca de um maldito Grifinório decidir cruzar o meu jardim… — já tenho algumas boas ideias de como...

—Não… — ela respondeu prontamente… — eu não vou escrever pra ele… eu prometo — ela lidaria com Harry mais tarde, no próximo ano letivo que fosse, mas ela não podia correr o risco, além de causar ainda mais desconforto para ele, do que ele já tinha com o tão assustador mestre de poções da escola… Harry não merecia.

—Claro que não irá — ele disse enquanto estendia a mão em sua direção, e Shara entendeu que ele queria que ela lhe entregasse o endereço dado por ele, e ela o fez… e então, ele assentiu satisfeito, começando a caminhar em direção à saída… Shara o seguiu… — apenas para deixar claro, eu não me referia a coruja — seu pai disse, enquanto ela tentava acompanhar seus passos acelerados — eu não seria capaz de fazer mal a um animal indefeso… eu me refiro unicamente ao garoto, Potter — e ela teve a sensação que aquilo foi dito com um certo prazer sombrio… e ela não duvidava de tais inclinações.

—Não será necessário — ela enfatizou, apenas para reforçar aquilo.

—Uma pena… é claro… — eles estavam saindo da estação agora e ele a estava conduzindo até uma viela deserta, onde lançou um feitiço de desilusão para que não fossem vistos… e então ele ingeriu a poção restauradora… de certa forma era bom tê-lo de volta, ainda que as vestes não ajudassem muito e o tirassem do contexto…

—Estamos indo para a sua casa? — ela perguntou.

—Estamos indo… — ele a estudou por um momento — para a nossa casa — ele respondeu, e inevitavelmente aquilo fez o seu coração aquecer, era real… ele não havia mudado de ideia, aquilo era o que ele queria, e aquilo era o que eles fariam… ele estava sustentado a sua escolha e ele havia deixado a casa pronta para recebê-la… ela tinha uma casa, uma casa de verdade… ele sinalizou para que ela segurasse em seu braço, e isso a tirou de seus devaneios emotivos… eles iriam aparatar… ela sabia, mas ao invés de fazer o que ele pediu, ela o envolveu pela cintura, naquele abraço afetuoso que dizia muito mais do que palavras seriam capazes de dizer… — Rua da Fiação — ela o ouviu dizendo, aquele era o seu endereço agora e então Shara sentiu o familiar puxão atrás do umbigo enquanto tudo ao seu redor começava a girar.

A sensação de deslocamento foi familiar para Shara, mas ainda assim desconfortável. Quando a pressão finalmente diminuiu, eles estavam em uma rua deserta e sombria, cercada por casas antigas e malcuidadas, ele a guiou com passos decididos, sem soltar sua mão, então finalmente, eles pararam em frente a uma casa que parecia muito diferente das outras...

—É aqui – ele disse, sua voz assumindo um tom mais gentil do que ela estava acostumada, ele abriu a porta com um simples toque da varinha e a conduziu para dentro... sim a casa era mesmo modesta, mas surpreendentemente acolhedora... Os móveis eram simples, mas confortáveis, e havia um leve cheiro de ervas e poções no ar, uma marca inconfundível dele – existem outras propriedades melhores – ele explicou – a família Prince, da qual sou o ultimo descendente, foi uma família puro sangue e de muitas posses, contudo não me sentiria a vontade... quem sabe...

—Aqui está ótimo – ela se antecipou soltando o malao no chão, definitivamente ela não era dada ao luxo, e aquele lugar passava uma sensação tão familiar... de pertencimento, e se ele gostava, então era perfeito para eles dois... ele já havia feito renúncias demais por ela… Shara olhou ao redor, absorvendo cada detalhe do lugar, a lareira, os livros... a tapeçaria, era difícil acreditar que essa era a casa de um homem que... até recentemente, era um dos comensais da morte mais temidos, pois havia uma sensação de cuidado em cada canto, algo que fez seu coração se aquecer – eu sei que deve ser difícil para o senhor... mas…

—Estou ciente de que essa nova dinâmica será um desafio para ambos – ele disse a interrompendo – mas acredito que, com o tempo, conseguiremos encontrar uma maneira de coexistir de forma mais harmoniosa — ela torcia por isso também…

—Sem torturas – ela sorriu, tentando soar descontraída, mas no fundo ela falava sério… apenas para garantir, é claro.

—Não será fácil, mas acredito que poderei lidar com esse desfalque – ele entrou na brincadeira e Shara soltou um riso abafado, ainda surpresa com a leveza inesperada do comentário dele, sim... ele realmente estava tentando, e isso era mais do que ela podia pedir — Vamos começar com o básico – ele disse, retomando um tom mais sério. – Vou lhe mostrar a casa e depois podemos discutir algumas regras de convivência — Shara assentiu, seguindo-o enquanto ele a conduzia pelos cômodos… a casa era pequena, mas cada canto parecia cuidadosamente preparado para ela... havia uma cozinha simples, mas funcional, uma sala com uma lareira acolhedora, e um pequeno corredor, com uma escada que levava a dois quartos no nível superior... seu pai abriu a porta de um deles, revelando um quarto arrumado e bem arejado, com uma cama confortável, roupas de cama em tons de verde e uma escrivaninha, com prateleiras já repletas de livros.

—Este será o seu quarto – ele disse, observando a reação dela – Se precisar de algo mais, me avise – o banheiro fica nos fundos – ele orientou.

—Está mais do que perfeito – Shara respondeu, admirando o espaço... era muito mais do que ela poderia sonhar – Não sabia que o senhor tinha tão bom gosto assim – ela olhou para ele, que arqueou uma sobrancelha, mas havia um brilho de diversão em seus olhos... agora sim eles estavam começando isso da forma certa.

—Tente não se acostumar muito – ele ironizou – Agora, vamos falar sobre algumas regras básicas... primeira e mais importante: não mexa nas poções que eu estiver preparando sem minha permissão... isso vale para meus itens pessoais também... eu posso ter esquecido algo e algumas coisas podem ser insanamente perigosas... – ela teve a sensação que ele estava apenas a assustando, ele não era do tipo que esquecia algo de forma desleixada, ainda assim ela assentiu, era justo.

—Entendido – Shara disse, assentindo vigorosamente.

—Segunda – ele continuou – mantenha seu quarto arrumado e suas coisas organizadas dentro dele... não quero encontrar bagunça espalhada pela casa, do contrário considere seja lá o que for perdido…

—Sem problemas – ela concordou, isso era fácil.

—E, por último e não menos importante – ele hesitou, como se ponderasse sobre a melhor maneira de dizer aquilo – a comunicação é essencial... se algo estiver incomodando você, fale... não quero suposições ou mal-entendidos – ele estava sério – não que isso já tenha acontecido... é claro – ela ficou encabulada, ela era muito boa em supor erroneamente fatos sobre ele e tirar conclusões precipitadas… ela assentiu, um pouco surpresa com a última regra, mas de certa forma aliviada.

—De acordo – ela prometeu – E o senhor... bem essa não é nenhuma regra… longe de mim impor algo aqui… mas se puder... ser um pouco mais transparente, sobre as coisas… planos e tudo mais, eu meio que apreciaria isso… apenas se puder – ela estava pisando em ovos ali, mas valia a tentativa, só porque era simplesmente desagradável ficar às cegas o tempo todo.

—Eu farei o meu melhor nesse sentido – ele respondeu, ele estava sendo sincero, ela podia reconhecer isso – Transparência não é exatamente minha especialidade, mas vou tentar… você merece minha honestidade — Shara sorriu, sentindo-se um pouco mais à vontade... ela sabia que a convivência com seu pai não seria tão fácil, mas ele estava claramente fazendo um esforço, e isso significava muito para ela...

—Obrigada – ela agradeceu, entrando no quarto... e se sentando em sua cama, era confortável… seu pai ficou na porta por um momento, observando-a... havia um misto de alívio e determinação em seu olhar.

—Eu vou estar na sala de estar se precisar de mim – ele disse, sua voz mais suave do que o habitual…

—Pai — ela chamou antes que ele se virasse e saísse — eu… farei isso dar certo, eu farei o que for necessário… eu o deixarei satisfeito… eu… prometo...

—Shara — ele estava sério agora — não quero que mude quem você é para me agradar — aqueles olhos negros podiam atravessar sua alma — até por que… você já me tem por completo e nada do que faça… fará você me ter mais… — e então ele se afastou… se Shara não o conhecesse bem, ela diria que ele havia fugido por estar emocionado… mas aquele era Severo Snape… simplesmente não podia ser possível, ela esperou até ouvi-lo descer a escada por inteiro e então soltou um suspiro profundo... estar ali, naquela casa, com o seu pai, era surreal... Shara olhou ao redor do quarto novamente, sentindo uma mistura de emoções, e uma… duas… muitas lágrimas passaram a lavar o seu rosto... havia um toque de pessoalidade e carinho em cada detalhe, algo que ela não esperava de alguém com o perfil dele, e isso... era demais para ela, quantas vezes no passado ela se viu desejando algo assim… e enquanto Shara começava a desfazer suas malas, ela pensou em tudo o que havia acontecido naqueles últimos meses... era estranho como a vida podia mudar tão rapidamente, mas ela estava determinada a fazer isso funcionar para eles... afinal, pela primeira vez, ela tinha um lugar para chamar de casa e alguém com quem compartilhar isso... alguém que havia se doado por completo, como ele mesmo havia acabado de dizer ali.

E isso… ela pensou, era um bom começo... ela tirou seu caderno de recordações da bolsa, com os recortes, fotografias de um ano que ficaria na sua memória e o colocou em cima da escrivaninha, fazia dias que ela vinha pensando em um nome, um titulo para tudo aquilo, então buscando uma pena e um tinteiro, ela escreveu, em letras grandes, na capa.

“Destino improváveis” e então ela sorriu em meio as lagrimas... aquele era o título adequado para aquela história, a sua história... a história deles, e de todos aqueles que de alguma forma fazia parte daquilo.

Notas finais
Ahhhh o tanto que eu idealizei essa cena na estação da King Croos, é como voltar no tempo, ao começo... de quando ela viu Harry e Ron pela primeira vez... do quão perdida ela estava ali, do medo e das incertezas... da sensação dela de abandono e de como Harry a ajudou a chegar ao seu destino... e agora de novo, com a diferença de que Snape estava ali pra ela, sentado no banco, o mesmo banco... onde a aventura começou. Gosto de como tudo se encaixou, tão assertivo... o começo e o fim! E não vamos contestar os métodos do Snape, mas como vemos Minerva não parecia se sentir tão a vontade... embora não quisesse contrariar, já que todos sabem como ele é um homem enigmático... mas por fim ele só estava arrumando a casa para recebe-la, confesso que não pensei exatamente nos itens escuros que ele possa ter se livrado, afinal eu não o vejo como vejo Lucius por exemplo, cheio de artefatos (tipo manter um diário de Tom Riddle) mas Severo foi um comensal... e a gente sabe que ele não era nada bonzinho, ainda assim prefiro pensar que sejam apenas livros e que esse negocio de tortura é apenas falácia para assustar os pretendentes da sua FILHA! hahaha E que azar tem esse Harry né... escrevi essa parte e sai correndo, era só um abraço inocente (não tão inocente assim) que nesse primeiro ano da Shara em Hogwarts, a gente viu que o Harry estava sim arrastando asinhas pro lado dela... mas quem ganhou o coração dela foi o Draco... Draco que se comporta como um verdadeiro idiota aqui (mas calma a gente sabe o que ele sente por ela né) algo que o piano trouxe a tona, um sentimento nada superficial... é amor sim, mas eles são jovens ainda e ele não sabe lidar com isso e evidentemente está com ciúmes, afinal ver sua amada... (que deu um fora nele) de mãos dadas com o seu maior rival (em todos os sentidos) não deve ter sido fácil. Mas sabemos onde isso vai dar... ainda bem! E esse final... a casinha dele, que agora vai ser a casinha dela, eu pensei em escrever essa parte dele levando ela até uma mansão, algo mais sofisticado e cheia de elfos domésticos a sua disposição... uma coisa bem mais luxuosa de puro sangue, mas esse não seria o Snape, e ele não se sentiria a vontade ali, nem ela... e assim ficou bom para ambos os dois. E fiquem com essa frase "até por que… você já me tem por completo e nada do que faça… fará você me ter mais…" Então é claro que eu chorei com esse final, e a analogia com o nome dessa fanfic... Destinos Improváveis caiu com leveza e perfeição! Obrigada a todos que tem acompanhado até aqui. E sim o próximo e possível ultimo capitulo dessa história se chama: O RITUAL :)