Destinos Entrelaçados.
24 Trapaça
Notas iniciais
Um cheiro suave chegou ate mim e eu inspirei com cuidado, abri os olhos e encontrei Anna adormecida, ela estava com a barriga redonda, e parecia largada na cama.
Me afastei com cuidado observando-a dormir.
Passei a mão sobre a barriga dela com cuidado.
Era meu filho, meu bebê, era incrível, como eu conseguira colocar uma semente boa dentro daquela menina, me sentei na cama, era apenas uma menina, me sentia completamente culpado por aquilo, as vezes eu me sentia vivo, bem, ela me da uma sensação de felicidade, então vem a culpa, algo dentro de mim para me lembrar que é apenas uma criança, e que não importa o quanto ela me dissesse que iria ficar, se eu a libertasse ela iria embora e isso doía mais do que tudo, saber que sempre fui o coração de gelo, que sempre deixei mulheres implorando por mim, e de repente me apaixono pela única garota nesse mundo que não faria nada por mim, que não se encanta pele meu dinheiro, mas pelas minhas atitudes, que não se interessa pelo meu poder, mas se sou carinhoso, quase, quase desperta algo bom em mim, faz com que eu queira ficar com ela, sem me importar com nada, sem me importar com que meu pai diria, sem me importar com o que o povo ou a elite diria, eu só queria Anna.
Ela se espreguiçou perto de mim, a apalpou a cama, estava a minha procura, vi quando ela abriu os olhos e sorriu a me ver, era bom ver seu sorriso de moleca toda vez que me via, me curvei na cama e a beijei devagar.
– bom dia- ela sorriu para mim.
– hey.
O tempo voou desde que ela engravidara, nem tive tempo de quase nada, Anna pediu para não descobrirmos o sexo do bebê, então transformamos um dos quartos de hospedes em um quarto de bebê, só que de uma forma neura, que servisse para os dois sexos, era quase como ter uma vida normal de novo, desde que ela se fora, minha mãe, meu pai ficara totalmente louco, e de repente eu tinha que pular de babá em babá, até o dia em que meu pai decidiu que era hora de entrar no negocio da família, e foi só ai que tudo escureceu na minha vida, eram ameaças, mortes, e sangue, não tinha mais nada que eu pudesse fazer a não ser seguir em frente.
– vamos comer? – Anna foi se levantar da cama.
Dei a volta correndo e a peguei.
Vi quando ela fez um bico.
– Dom eu sei ficar de pé — ela reclamou.
Era incrível como parecia incrivelmente frágil e leve mesmo gravida.
– eu sei que você consegue – desci as escadas – mas eu já disse que consigo te levantar muito melhor.
Era lindo de se ver a forma como ela simplesmente corava com o desejo que sentia por mim, como simplesmente se sentia envergonhada disso, mas ao mesmo tempo me queria.
Fiquei olhando ela comer, a pequena chegou fazendo uma bagunça enorme, dizendo que queria doce, essa era minha deixa.
– preciso ir trabalhar – terminei meu café.
Peguei Vicky e a deixei na escola, quando percebi, já estava em caminho para o trabalho, deixei o carro no estacionamento e entrei.
– bom dia senhor – o mesmo senhor de sempre me saudou.
– bom dia.
Não tive tempo de ver seu rosto de espanto.
Então subi.
Estava de novo na hora de rever contratos, mas nem sequer cheguei à sala, meus assistentes me chamaram para uma coisa urgente, que com certeza haver com as pequenas rebeliões, que há algumas semanas eu descobrira não serem tão pequenos assim, eles já estavam completamente descontrolados, achando que poderiam tomar a cidade, e com meu pai doente, essas especulações só aumentavam, de que eu nunca conseguiria manter o poder, o que no meu caso podia ser uma coisa horrível há alguns anos atrás, eu diria que conseguiria tudo sozinho e não precisava de ninguém, agora eu me perguntava se conseguiria, ou melhor se eu queria uma coisa assim.
Nossos acordos eram simplesmente ignorados, eles não queriam terra, não queria dinheiro, não queriam nada, e de repente eles diziam que queriam liberdade, e o estranho é que isso vinha de pessoas livres.
Às vezes as coisas que eles faziam eram completamente sem nem um tipo de moral, e simplesmente não dava pra saber seu próximo passo, só que sua ira se concentrava na minha família.
– o que aconteceu dessa vez? – perguntei.
– eles vão explodir a mina senhor.
– a mina? – levei um susto – está falando da minha mina de água?
Ele concordou com a cabeça.
–aqueles miseráveis – rosnei – será que não percebem que vão acabar com a água potável do mundo.
– do mundo não senhor -meu segundo assistente levantou a mão – apenas com a água que abastece a cidade.
– o que é muita coisa o senhor não acha? –estava perdendo a cabeça.
Respirei fundo.
– Vamos para mina – falei – temos que resolver isso imediatamente.
Eu precisava concertar aquela bagunça, meu pai me mataria se eu falhasse com ele, e por mais que eu não quisesse que ninguém morresse, seria inevitável.
– ligue para meus seguranças – mandei – quero 75 homens prontos em 15 minutos entendido.
Ele saiu correndo.
Não demoraram muito, eles ficaram prontos antes da hora, vesti uma roupa de proteção, pegamos os carros, todos seguindo minhas ordens estavam prontos para invadir a mina e incapacitar os rebeldes, avisei, que não queria mortes desnecessárias, e aquela foi a maior decepção da minha vida, descemos dos carros, armados, e preparados, eu simplesmente estava preparado para enfrentar uma rebelião...de vento.
Não havia ninguém, nem uma única alma viva, vasculhamos cada parte dela, e só encontramos o vazio.
Meu telefone tocou nesse momento e atendi com raiva, eu estava furioso.
– senhor – meu assistente estava ofegando – ligaram do hospital.
– Não tenho tempo para isso agora, diga que façam qualquer coisa para o tratamento do meu pai, eu pago por tudo.
– não senhor — ele parecia com medo – havia rebeldes infiltrados aqui, a mina era uma distração, uma forma de tira-lo da cidade.
– o que quer dizer?
– invadirão o hospital...seu pai está morto.
Foi nessa hora que deixei o telefone cair.
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