Destinos Entrelaçados.
6 Escravos não respondem, não desobedecem, não contestam!
Notas iniciais
– Está bom?
Marta perguntou enquanto abocanhava uma rosquinha.
– obrigada está ótimo – sorri.
– ainda bem que está comendo – ela sorriu – está tão magrinha, tem que engordar.
– hoje não – murmurei – tenho que ficar magra senão eu não entro no vestido e ele parece ser caro.
Marta ficou chocada com o que eu disse.
– pelo amor de deus menina – ela falou — você é magrinha demais para a idade.
– pois é....match me mantinha na dieta do não tem...
– não tem?
– é – sorri –não tem comida.
Um pequeno sorriso, brincou em seus lábios, mas ela escondeu rapidamente.
– não brinque com isso menina – ela colocou um cup cake na minha frente.
Dei um sorriso forçado, não era bem uma brincadeira, na minha cidade não havia comida, então eu realmente achei que 45 quilos era um peso bem razoável para alguém que chegou a passar dois dias só bebendo água.
– opa – ela tomo um susto – tem alguém na porta.
Franzi a testa.
– como sabe?
– depois de algum tempo você simplesmente sabe.
Havia duas mulheres na porta, as duas idênticas, e com rostos perfeitos e sorrisos no rosto, o que me fez começar a pensar que havia mais androides do que pessoas nessa cidade.
– quem são Marta?
– Bem, pelo que parece estão aqui para produzi-la para a noite.
Revirei os olhos, é claro que Dom iria querer que eu estivesse perfeita.
Elas duas quase me mataram, é sério, eram perfeitas em tudo, mas maquiagem nunca foi algo realmente que gostava, meus cabelos foram escovados novamente, não gostava deles assim, ficavam muito lisos e sempre me pareciam irritantemente bonitos e brilhosos, prometi a mim mesma que assim que chegasse tiraria aquilo tudo com um bom banho, me vestiram naquele vestido completamente constrangedor, eu me senti realmente um objeto, aquele vestido de onça com um decote enorme na frente, com certeza não era algo que eu usaria, até porque meus seios são pequenos e não exuberantes, e o vestido ainda era frente única, o que deixava grande parte das minhas costa a mostra. Mas se era o que meu mestre queria.
Me colocaram em cima de saltos enormes que eu realmente não conseguia andar, fiquei realmente receosa de cair, nunca em toda minha vida eu andara com saltos e colocar um tão grande assim me assustava.
Quando Dom chegou eu já estava esperando por ele a 40 minutos, como sempre ele chegou já tirando a roupa, sem realmente se importar com o fato de eu a Marta estarmos no recinto, ela saiu de fininho e como sempre, estava hipnotizada demais para conseguir desviar os olhos.
Quando ele ficou pronto, pode finalmente me olhar, esquadrinhando meu corpo como se eu fosse um pedaço de carne bastante suculento.
– está bonita Anna – ele falou secamente.
– obrigada.
– vamos – ele pegou minha mão – estamos atrasadas.
Quase cai no momento que ele me puxou, Dom me olhou de modo interrogativo.
– não sei andar direito nisso – murmurei vermelha.
– venha com cuidado então – ele segurou firma meu braço.
Dom entrou num conversível preto e eu abri a porta do carona, aquele carro era lindo e potente, como se fosse um animal selvagem.
Assim que ele deu partida meu coração deu um salto, ele dirigia feito um louco e meu peito doía muito, será que ele não sabia que eu tinha pavor de altura?
Eu gostaria de ver a cidade durante a noite, gostaria de ficar olhando, as luzes e os prédios, mas era simplesmente impossível com aquelas curvas e os barulhos assustadores, era uma velocidade assustadora.
Fiquei com os olhos fechados durante todo o percurso, quando o carro parou achei que estávamos de volta a Casa de Dom, a casa era idêntica, com mesmo estilo de castelo, o mesmo estilo de jardim, só que essa casa simplesmente parecia mais obscura, como se ele estivesse mais no fundo da escuridão do que o próprio filho.
Ele desceu e abriu a porta para mim e simplesmente parecia que fomos afogados por um mar de gente, Dom continuou evasivo aquela gente que parecia querer sua atenção, então eu também ignorei.
Quando entrei dentro da casa me senti enjoada, era nojento de ver aquilo, havia literalmente gente acorrentada, pessoas ricas sentadas em poltronas de luxos e escravos sentados no chão aos seus pés, com a cabeça apoiada no colo de seus donos, meu estomago embrulhou.
– viu? – Dom sussurrou no meu ouvido – se não gostasse de você, eu deixaria daquele jeito.
– preciso de uma bebida – murmurei.
– com Álcool? – Dom me olhou admirado – tudo bem, vou pegar algo leve, espere aqui.
Ele me deixou e foi buscar uma bebida para mim, eu fiquei impressionada, tinha realmente muitos Selirions aqui, mas nem um deles era Vicky.
– uau, você é realmente uma Selirion muito linda – a voz de Dom me deixou arrepiada.
Me virei num encalço e tomei um susto ao constatar que não era ele, tinha o suficiente para que eu soubesse que eram parentes, os mesmo cabelos negros, e as feições do rosto, e é claro a voz, mas esse na minha frente tinha olhos castanhos e tinha uma cor amanteigada, sem contar que era mais novo.
– nós nos conhecemos? – perguntei educadamente.
– ainda não – ele abriu um sorriso branquíssimo – mas gostaria de saber que foi o idiota que te deixou solta por ai, será que seu dono não tem medo que raptem você?
Engoli em seco.
– não deveria falar desse jeito – tentei soar submissa – o senhor Romanoff não tolera esse tipo de piada.
Assim que ouviu o nome Romanoff ele começou a rir.
– Então você é Anna? – ele me abraçou – sou Daniel, o irmão de Dominic, não se preocupe, sou o único que pode chama-lo de idiota sem morrer.
Dominic? Esse é o nome dele? É lindo.
Senti uma mão passando por minha cintura, me afastando de Daniel, dessa vez, não foi necessário me virar para reconhecer o toque.
– vejo que já conheceu minha Anna – ele estava bravo? – não perde tempo Daniel.
Minha Anna?
Dominic me entregou um taça com uma bebida multicolorida, quase me deu pena de beber, era tão linda.
Dei um gole, tinha gosto de chiclete.
Ele estava com seu próprio copo de cristal na mão, e seja lá o que for aquilo, era forte.
–Hey maninho, quando me disse que sua Selirion era bonita não me disse que era extremamente bonita, isso muda as coisas – ele sorriu mas não se aproximou – tinha que conhecê-la, e é realmente um encanto.
– obrigada – agradeci.
– o que você quer Daniel? – Dom disse rispidamente.
– nada – ele levantou as mãos em sinal de rendição – apenas conversar, você nunca vem aqui.
– estou aqui agora – ele suspirou – onde está meu Отец?
– no bar é claro, onde o velho ficaria?
– Anna espere um segundo sim? – ele me olhou sério, quase como se quisesse me dizer algo.
Concordei com a cabeça e ele se foi.
Estava pensando em ir buscar outra daquela bebida colorida quando a vi, Vicky estava usando um vestido vermelho, apertado demais para sua idade e demasiado curto, ele era tomara que caia e dava pra ver, e ela usava um colar parecido com uma corrente, por debaixo da camada de maquiagem, as manchas roxas que haviam em seus corpo diminuto, tive que me segurar para não largar minha taça no chão, respirei fundo e dei ao androide que circulava com uma bandeja meu copo, não senti as minhas pernas caminharem até Vicky, não tinha consciência do meu salto ou do quanto não sabia andar sobre eles.
Ela estava com os cabelos soltos e sua maquiagem estava quase tão pesada quanto a minha, me aproximei da parede que ela se encontrava, e toquei seu ombro.
Seu olhar subiu vago até o meu rosto, se iluminando com o reconhecimento.
– Anny – ela pronunciou meu apelido com a voz rouca.
Eu queria ter a mesma alegria, queria me sentir imensamente feliz por encontra-la, mas de perto suas manchas pareciam piores, e estavam em todo lugar.
Eu a puxei para um canto.
– Vicky o que ele fez com você? – murmurei passando a mão por seus braços na ilusão de fazer os machucados sumirem.
Seu olhar se tornou vago quando fiz essa pergunta.
Ela simplesmente balançou a cabeça, não queria falar.
Alguma coisa quebrou dentro de mim, deveria ter sido eu, se Diego tivesse me comprado, tinha certeza de que Dominic teria gostado de Vicky tanto quanto de mim, Deveria ser eu.
– nós vamos sair daqui –falei sinceramente – não vou deixar ele te machucar eu...
– Você o que senhorita? – aquela voz fez meu estomago revirar e Vicky se encolher.
Me pus de pé, não tendo consciência que havia me abaixado, encarei aquele homem nojento.
– ela é só uma criança – pronunciei cheia de ódio – como pode?
Um sorriso amarelo se formou nos lábios em baixo do charuto.
Diego estava vestido como um matador cafona, com um terno sob medida e uma blusa com palmeiras.
– isso torna tudo melhor – ele estava se divertindo – dá mais prazer.
– seu filho da puta — chiei – eu vou matar você, eu juro....
– parece que a Selirion do senhor Romanoff não sabe se comportar – Diego jogou o charuto no chão sem a menor cerimônia — parece excitante, mas acho que vou ter que descontar minha excitação em outra pessoa, não se preocupe, vou imaginar que é com você.
Ele olhou para vicky.
Eu realmente teria partido para cima dele se uma voz Dura não tivesse chamado meu nome.
– Anna – Dominic se aproximou.
E ele estava bravo, realmente bravo, eu sabia que ele não gostava de Diego, mas até agora não sabia até onde ia esse ódio.
– Anna — ele repetiu – venha.
Meu corpo queria ir, mas meu coração me dizia que eu não podia, eu não ia abandonar Vicky com aquele homem, não depois dele dizer o que faria. Balancei a cabeça para Dom.
Seu olhar estava fixo em mim, mas por um segundo se desviou para a direita, eu acompanhei seu olhar até um homem, bonito apesar da idade, ele tinha cabelos branco, e olhos de gelo, assim como o filho. Ele estava preocupado com que o pai iria pensar.
Eu abracei Vicky.
– Anny não me deixe – ela implorou chorando.
– não vou – prometi.
– Anna solte a menina e venha aqui – Dom repetiu.
Diego soltou uma risada jocosa quando viu que não me mexi, muitas pessoas pararam para olhar a cena.
– parece que ela quer ficar comigo Dom – ele estava rindo.
–Não vou pedir de novo.
Não havia como sair dali, meu plano de fugir de modo sorrateiro na festa nem começara a dar certo e não tinha como acabar bem.
– Dom por favor – implorei – ela...
– chega – Ele perdeu o controle – solte a propriedade de Diego agora.
Meus dedos começara a soltar-se em volta dela, fiquei desesperada quando me afastei e simplesmente comecei a andar na direção de Dom, olhei para sua testa e o controlador emitia uma luz azulada.
Não.
– Anny – vicky tentou vir atrás de mim mas Diego passou uma coleira em seu pescoço.
Dom pegou meu braço com uma força bruta e começou a me arrastar para fora da festa com violência, ele me jogou dentro do carro, e se ele dirigiu feito um louco para chegar, não sei bem como ele voltou, eu simplesmente me segurei no banco com força e fechei os olhos, incapaz de fazer alguma coisa além de sentir as lagrimas descendo.
Quando chegamos em casa, ele pegou novamente no meu braço, e realmente doeu, Dom era um homem forte, e eu não tinha forças para lutar contra, sabia que quando chegássemos no quarto sua fúria cairia sobre mim.
Marta estava na sala e sorriu ao nos ver entrar.
– Boa noite querido voltou...
– Marta vá embora – Dom nem sequer parou, me arrastando junto – e fique longe a noite toda.
Fui incapaz de pedir socorro com a boca, mas meus olhos deveriam dizer tudo.
Ele me jogou em cima da cama, e pela primeira vez notei que um dos meus saltos desaparecera, não que fosse importante agora.
– você... – ele andava de um lado para o outro como se fosse louco – você me fez passar vergonha na frente de todas as pessoas importantes dessa cidade, me fez parecer um idiota.
– eu...
Dom levantou a mão me silenciando.
– não, eu não quero ouvir, sabe o quanto você manchou da minha reputação hoje? – ele subiu em cima da cama ficando em cima de mim – sabe o quanto você merece morrer? O quanto eu quero te bater nesse momento? O quanto quero machucar você Anna?
Um soluço engasgado saiu da minha garganta, e uma maré de lagrimas começou a descer, se ele quisesse me matar essa seria a hora, ninguém se importaria, ninguém.
Dom envolveu meu pescoço com as mãos.
– seria tão fácil, você é tão frágil – ele fez uma pequena preção – por que tinha que ser tão bonita? Muitos morreram por muito menos.
Quando ele saiu de cima de mim, eu quase chorei novamente de alivio, mas não tinha terminado.
– Não vou matar você Anna, ainda não – ele parecia furioso – mas nada, nada do que fizer vai apagar o fato de ter me feito passar vergonha na frente do meu Отец.
– por favor Dom tem que me escutar, Vicky ela...
– pertence a Diego – ele rosnou – Ele é meu pior inimigo, meu concorrente, e essa noite você deu a ele motivos para caçoar de mim, da minha família, sabe algo sobre Honra?
– mas...
– Já chega Anna — ele gritou furioso — não quero saber, já estou de saco cheio.
– eu...
– Cala a boca — Dom parecia tão furioso que pensei que ele fosse me bater — se você quer ser tratada como uma escrava que assim seja, a partir de agora as coisas vão mudar por aqui...
– o que quer dizer? – murmurei.
– você não tem mais permissão para sair do seu quarto enquanto, nunca, você não vai mais comer o que eu como, quero algo inferior para você, e também vai trabalhar, todos os dias, sem descanso, e só irá se alimentar se cumprir sua meta diária de trabalho, caso contrário o problema será seu, e já chega de liberdade, você não vai mais a lugar algum, acha mesmo que não sei aquele plano patético de fugir? Acha que pode oferecer favores em meu nome sem que me perguntem se é verdade?
Abaixei a cabeça.
– Só está viva porque disse a J.J que te desse o que queria, ele queria matá-la lá mesmo.
– me desculpe – murmurei.
– não á desculpas, você não tem esse direito, o de ser perdoada.
Fiquei em silencio na mesma posição, vendo-o se acalmar, pelos menos aparentemente.
– nunca em toda a minha vida fui tão desrespeitado – ele tirou o terno – quero que tire o vestido, e vá se deitar, agora, já chega por hoje.
Ele parecia ter se acalmado, a bipolaridade daquele homem me assustava.
Meu coração estava aos pulos quando descia da cama, meu peito estava palpitando forte e estava suando, olhei para traz e ele ainda estava ali, parado, me observando, meu rosto corou na hora, eu nunca havia me despido na frente dele.
Havia ganhado algumas roupas, que ele parecia manter dentro do closet, peguei uma muda e me dirigi ao banheiro.
– não – Dom acendeu um cigarro – ali Anna.
Ele apontou para a minha cama.
Um bolo cresceu dentro da minha garganta e senti a ponta dos meus dedos começarem a tremer, me virei de costas para ele e retirei o vestido, ficando apenas se calcinha e sutiã, agradecendo internamente para ele não pedir para eu me virar.
Fique arrepiada quando ouvi passos se aproximando, joguei o vestido em cima da cama e me abaixei para pegar a blusa rapidamente.
Uma mão fria envolveu minha cintura, me fazendo ficar de pé, Dom estava com o corpo colado atrás do meu, ele envolveu meu cabelo, dando um leve puxão para traz, suas mãos desceram pelos meus ombros até o fecho do meu sutiã, desceu ele lentamente e o jogou no chão, meu corpo estava paralisado demais para me virar para ele ou correr, suas mãos passaram pelos meus braços e agarraram meus seios, se encaixavam perfeitamente em suas mãos, Dom começou a acariciar meus mamilos, dava pra sentir sua ereção contra minha coluna, eu fiquei apavorada...e mais uma coisa, que não sei explicar bem o que é, talvez, só talvez, fosse algo bom.
Então de repente parou, ele me afastou do meu corpo, mas abaixou perto da minha orelha.
– acho melhor começar a revisar seus modos anna, escravos não respondem, não desobedecem, não contestam, eu não vou avisar de novo– ele falou se afastando — não sou o herói, não costumo ser um homem bom, então não teste minha paciência de novo, não quero ter de matá-la.
Então ele se foi me deixando sozinha com meus pesadelos.
Cai de joelhos, chorando meu desespero.
–Vicky.
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