Destinos Entrelaçados.
20 Encontros.
Notas iniciais
Meu corpo estava bem relaxado e dolorido, me sentia completamente descansada, acho que dormi demais.
Abri os olhos devagar e encontrei olhos de gelo me encarando.
Meu coração dera um salto, ele ficara.
– oi – murmurei.
– Bom dia raio de sol – ele abriu um sorriso branquíssimo.
Sentei-me, ainda estávamos no quarto dele, que por sinal estava uma zona, havia toalhas e roupas espalhadas em todas as direções, pegadas molhadas no chão, e os lenções estavam completamente encharcados, comecei a rir instantaneamente.
– meu deus, passou uma furação por aqui?
– sim – Dom me beijou – passou dois, e eles fizeram muita bagunça.
A porta se abriu com um estrondo e Vicky passou voando por elas, parecia ter seu pequeno furação em volta de si.
–Onde esteve? – ele perguntou brava – Achei que tinha me aban...
Vicky notou como estávamos.
sua boca fez um pequeno 0 – desculpe.
– tudo bem pequena – Dominic sorriu – venha.
Olhei para ele com os olhos arregalados, ele estava maluco?
– eu disse que a traria de volta não é mesmo? -ele continuou.
Sai de fininho e entrei no closet para pegar alguma coisa, e meu queixo caiu, havia uma sessão de roupas só para mim, bem pelo menos eram roupas femininas, então acho que eram para mim, havia vestidos de gala, cada um mais lindo do que o outro, e também rupas normais, pijamas e roupas intimas vesti uma calcinha constrangedora de marca e peguei uma calça jeans, como sentira saudade das minhas calças jeans, pus uma camiseta e sai, Vicky estava na cama ao lado de Dom e aquilo me deixou envergonhada.
– vamos tomar café – chamei.
– café – Vicky começou a rir – Anne está na hora do almoço.
Conferi o relógio, já passava do meio dia, para que costumava acordar as 6:00 da manhã aquilo era muito tarde.
– uou – murmurei.
– pequena pode me dar licença um instante – Dom pediu – preciso me trocar.
Ela concordou com a cabeça e saiu pulando, e foi nessa hora que seu olhar mudou completamente, ele parecia um predador, e eu um animal indefeso.
Dom se levantou gloriosamente nu e veio na minha direção, enlaçando minha cintura.
– esta tentando me provocar? – ele perguntou.
– o que? – fiquei confusa.
Ele apertou meu mamilo sobre a blusa, me dando um beliscão.
– Não está usando sutiã.
Dei um sorriso travesso.
– obrigada pelas roupas.
– gosto quando não usa todas.
Ele veio para me beijar, mas me esquivei indo em direção a porta, quando cheguei me virei.
– talvez hoje à noite eu me esqueça de usar calcinha.
Dom veio na minha direção, mas sai correndo, com um sorriso nos lábios. Quem diria que algum dia minha vida chegaria a ser assim?
Nosso pequeno universo de felicidade durou exatamente três semanas, tudo bem que nesse meio tempo o pai dele quase o matou quando descobriu que ele o havia desobedecido, e que a mina deles estava enfrentando um problema feio que aparentemente estava se espalhando, os trabalhadores estavam se rebelando, mas Dom cuidou de tudo, disse que era algo facilmente controlável e eu acreditei nele, e realmente achei que estava começando a ser feliz pela primeira vez na minha vida, Vicky estava matriculada na escola, e parecia radiante toda vez que saia pela porta, tudo estava bem, até numa manhã bater de cara com Daniel, ele estava falando com Dom na mesa de café, eles pareciam a vontade um com o outro, Dominic estava rindo mais ultimamente e parecia feliz, eles conversavam de forma descontraída e fraternal, até eu entrar na cozinha, Dom parou o que estava falando e ficou olhando para mim, como se hipnotizado.
– oi – cumprimentei os dois – bom dia.
– Anna – Daniel sorriu – que bom que está em casa, vim ver você.
– eu?
– ela? – Dom interrompeu.
– sim irmão – Daniel parecia feliz – você me disse que não tinha nada com ela e eu pensei, eu podia chama-la para sair.
Ele disse isso? Olhei para Dom, mas ele encarava o irmão.
– não, você não pode, ela é uma escrava Daniel, não é uma garota comum, Anna me pertence.
Senti um bolo na minha garganta e de repente eu queria socar ele.
– Dom mas...
– Tudo bem –concordei – será um prazer.
– Anna eu disse que não.
– e também disse que não temos nada – me levantei – só vou concordar com você.
Eu o estava provocando, sabia que ele ficaria furioso, nunca me deixaria ir, mas fiquei chateada com o que ele havia dito.
– tudo bem – ele também ficou de pé – faça o que quiser.
E saiu.
Meu queixo caiu, o que? Ele estava falando sério?
Pedi licença a Daniel e fui atrás dele, como ele podia me tratar assim?
– Dom –entrei no quarto – o que você...?
– Sai – ele mandou – meu irmão está mais interessado no que você quer dizer do que eu.
Foi como uma tapa na cara, por que ele estava agindo daquele jeito?
– para – pedi – para com isso, não vê que está nos afastando?
– não me importo.
Era como se ele tivesse se fechado dentro de um casulo, e eu não estava convidada a entrar nele, não sei bem o motivo de ter começado, mas conhecia o suficiente da bipolaridade de Dom para saber que era hora de deixa-lo sozinho.
Caminhei até a cozinha devagar, tentando entender o que acabara de acontecer.
Senti meu estomago embrulhar e a única coisa que eu queria fazer naquele momento era vomitar, corri para o banheiro, quase não dando tempo de chagar ao vaso, assim que consegui jogar todo aquele nojo súbito que eu estava sentido por Dom para fora, eu melhorei.
Escovei os dentes, e fui ao encontro de Daniel, ele estava sentado no sofá parecendo tranquilo.
– hey – ele se levantou assim que me viu – problemas no paraíso.
– sempre – suspirei- mas sabe, não acho que seria uma boa ideia sair com você, sabe, não agora.
– desculpe, mas não vou aceitar um não como resposta, meu irmão idiota te deu o alvará, só depende de você, afinal, será só dois amigos, tomando uns drinks.
Pensei por um instante, só dois amigos, então talvez não fosse ruim.
– tudo bem – concordei – dois amigos certo?
– com certeza – ele olhou o relógio – se importaria se fosse hoje? É que provavelmente vou ter que viajar essa semana pra fugir do meu pai e qualquer cargo idiota que ele tente me dar na empresa dele, então...
– vou estar pronta.
Meu coração estava martelando contra a garganta, estava entrado na cozinha quando notei que Marta estava chorando, corri na sua direção.
– o que foi? – fiquei preocupada.
– é Castiel, ele, ele quer ir embora.
– porque iria querer isso Marta?
– não sei ele fica dizendo que a nossa vida aqui acabou e que devemos ir embora – ela pegou minha blusa – diga a ele Anna, diga que tem que ficar.
Não sei bem como acabei entrando naquela garagem, mas Marta fizera muito por mim e nunca tive a chance de retribuir, eu não permitiria que ela fosse embora.
–Castiel – chamei.
– espere – sua voz parecia vir debaixo de um dos carros.
E vinha mesmo, ele saiu debaixo de um conversível vermelho.
– você.
– eu- acenei.
– o que você quer Anna?
– Você vai embora – não era uma pergunta.
– é, algumas pessoas não se contentam com a vida miserável que vivem, às vezes eles cansam de ficar vendo os amigos pulando de cama em cama com um cara que odeia, só pra ficar no luxo.
Definitivamente aquele era um dia ruim, um dia em que tudo de mal acontece com você, e aquela resposta era uma dessas coisas.
– o que?
– Anna você pode ser muita coisa – ele falou saindo – mas sonsa você não é.
Aquela vontade se apoderou de mim novamente, mas naquele momento eu não sabia se tinha nojo dele ou de mim, será que ele estava certo?
Não passei o dia bem, fiquei sozinha naquela casa enorme, Dom foi trabalhar sem sequer me dirigir o olhar, Marta fora para casa, tentar convencer a Castiel a ficar, e Vicky estava na escola, então era só eu e minha solidão, me perguntei se não acabei perdendo o foco da minha vida, se de repente, a vontade de ser livre se fora.
Quando Vicky chegou com Dom à noite já estava chegando, ela parecia radiante e era a única coisa paz de alegrar meu dia, dei um banho nela, e servi seu jantar, a ajudei rapidamente com as lições de casa, e em seguida fui tomar meu próprio banho, entrei no closet a procura de algum vestido apropriado, mas todas as roupas importadas e elegantes haviam sumido, só sobrara meus jeans, e regatas, eu sabia que ele tirara minhas roupas, é claro que ele queria que eu me sentisse envergonhada na frente de todos, tentei pegar as melhores roupas, mas acabei de tênis, uma calça jeans escura, uma blusa azul com pequenas estrelas e uma jaqueta de couro, com certeza eu estava super fora para a ocasião.
Passei na frente dele quase um milhão de vezes para tentar mostra-lo o quanto eu estava horrível para um encontro normal, mas sua única reação foi trocar de roupa e ir para a academia.
Quando Daniel chegou fiquei com medo de abrir a porta, mas quando o fiz, meu queixo quase caiu no chão, ele usava um sapatênis e um jeans escuro, com uma jaqueta ao estilo moletom, ele estava normal, agradeci internamente a Deus por isso.
– nossa –e ele suspirou – que bom, achei que ia te encontrar com roupas chiques e eu ia ficar super sem graça.
– o que? — disfarcei – não, claro que não.
– ainda bem – ele abriu um sorriso – meu trabalho não paga tão bem, então, não posso fazer o que ele faz.
Ele estava se referindo ao irmão.
– sabe – desci as escadas – hoje foi um péssimo dia, então, a ultima coisa que eu quero é pensar no seu irmão, então, só me leve para longe daqui.
– nem que seja por uma noite — Daniel pegou minha mão.
– nem que seja por uma noite.
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