Destinos Entrelaçados.
4 Caindo.
Notas iniciais
– merda – xinguei.
Quando eu disse que estávamos a três mil metros de altura, é porque estávamos a ter mil metros de altura. E sem nem uma forma de sair, já me encontro nessa casa a quase uma semana, uma semana a mais do que eu deveria ficar, não existe formas de sair, simplesmente não havia modos de sair, nunca vinha nem uma pessoa por aqui que pudesse me dar qualquer tipo de ajuda, e todos os conversíveis que existem nessa casa só ligam com digital do seu dono, ou seja Dom, e ele nunca me deixaria sair daqui.
Ultimamente eu mal o vejo, ele sai cedo e volta tarde, trabalha o dia inteiro e quando é pra eu vê-lo ele chega, tira a roupa e vai dormir, eu sempre finjo que estou dormindo para vê-lo, eu não sei o porquê desse sentimento, já que eu o odiava, mas simplesmente odiava mas o fato dele me ignorar.
Olhei para baixo novamente sentindo a habitual tontura tomar conta do meu corpo, me afastei mais um pouco, sempre ficava enjoada só de pensar o quão longe estávamos do chão.
– hey o que fez tão perto da beirada?
Meu corpo deu um salto automático com o susto, e nem tive tempo de ver quem tinha perguntado, pois meu corpo saltara diretamente para a beirada, fazendo-me escorregar, tentei me segurar mas não deu certo, bati com o queixo na beirada e agora eu estava caindo. Meu peito deu um solavanco tão forte que achei que meu coração pararia de bater.
Caindo, eu estava caindo, em direção as nuvens, e a cidade lá em baixo, era apenas física, um corpo em alta velocidade se choca com uma força de resistência, esse objeto, no caso, eu, morre.
Mas para a minha sorte, eu bati em algo antes, minha cabeça quicou em alguma coisa que eu não sei bem o que era, e então tudo apagou.
Minha cabeça doía terrivelmente, e tive que piscar várias vezes.
Uma mão acariciou meu rosto e me assustei abrindo os olhos rapidamente, Dom estava sentado na cama, próximo demais, dava pra sentir seu pós-barba tomando conta de mim. Assim que notou que eu havia acordado ele se afastou.
– você está bem? – ele me pareceu genuinamente...bravo – não acredito que tentou se matar anna.
– eu... o que? – fiquei confusa – não tentei me matar, eu...cai.
– caiu? E o que estava fazendo assim tão perto da beirada – ele parecia exasperado — não espera que eu acredite nisso.
–eu... – coloquei a mão na cabeça – ai...
– não se mecha – ele mandou – o médico já tratou de você e está medicada, não faça movimentos bruscos.
– tudo bem – tudo começou a voltar para seu lugar- não estava tentando me matar, eu escorreguei.
– de qualquer maneira...mandei que subissem o muro – ele se levantou – Castiel ligou-me em pânico e pensei que a encontraria morta.
– não deveria se importar tanto com uma escrava – murmurei.
– é claro que me importo – Dom estava em pé a minha frente – me importo com todas as minha propriedades, não gosto de perder coisas valiosas.
Propriedade. Coisa.
– desculpe, eu só estava entediada.
– se queria sair bastava me pedir – ele me olhou como se fosse louca por não considerar aquela opção – pode ir a onde quiser anna.
– tudo bem – concordei.
Agora eu tinha uma chance.
– fale com Castiel e ele vai preparar um dos carros para você.
– Castiel?
– o rapas que cuida dos carros, ele fica na garagem – Dom olhou no relógio – tenho que ir, você me fez adiar uma reunião importante e eu não sairia até que acordasse.
– obrigada – murmurei.
Por que ele tinha que parecer tão gentil? Principalmente quando queria motivos para fugir?
– anna – Dom me chamou da porta – não caia, não posso colocar sistemas anti- quedas em toda cidade.
– vou ver o que posso fazer – concordei.
Marta me fez ficar na cama o resto do dia, para ter certeza de que estava plenamente bem, e mesmo quando a noite caiu ela não gostou quando me levantei dizendo que precisava ver Castiel, mas ela não pode me impedir, já que o médico dissera que eu estava bem.
Quando Dom me disse que ele ficava na garagem ele estava sendo irônico, o que ele chamava de garagem era maior que meu quarteirão, sistemas elétricos faziam com que os carros se movessem o tempo todo, como se exibissem, havia mais carros ali do que em uma concessionária.
– hey – chamei.
Minha voz ecoou pela garagem.
– espere – a foz do que me pareceu um garoto respondeu.
E eu estava certa, um garoto, que aparentava ter minha idade, ou um pouco mais velho surgiu limpando as mãos.
Ele era ruivo, e tinha sardas por todo o corpo, o que quase o deixava bronzeado, seus olhos verdes me avaliaram dos pés à cabeça.
– que bom que está bem – ele comentou desconfiado.
– então foi você que me assustou – acusei – sim, estou bem obrigada.
– se está esperando um pedido de desculpas menina está perdendo seu tempo.
Revirei os olhos colocando as mãos na cintura.
– eu só quero um carro – falei
– o que? – seus lábios rosados pareciam transtornados – ele te emprestou um dos carros dele?
– é....Castiel certo? – fingi esquecer – será que pode pegar um facilmente dirigível pra mim?
Ele me deu as costas sem realmente falar alguma coisa.
Minutos depois ele surgiu com um carro preto, ele era incrível, um conversível de linha com o ronco de uma pantera, ele não possuía rodas, em seu lugar, um sistema turbo mantinha o carro no ar.
Ele abriu a porta para cima.
Sorri tentando não demonstrar como aquilo era incrível.
– já ajustei os sistemas para que te levem a onde quiser no modo piloto automático, basta dizer onde quer ir.
Ele bateu a porta e o carro ganhou vida, os sistemas se iluminaram e um azul celeste.
“Boa noite” uma voz sensual de mulher falou comigo. “Qual seu destino?”
E agora? Eu não conhecia nada por aqui, por onde começar a procurar?
Pensei um pouco, tinha que começar do começo.
– A base dos coletores.- espirei.
Tenho que encontrar vicky.
E eu não iria voltar, ele me dera a chance que eu precisava pra ir.
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