Notas iniciais
Mais um Cap!!! Desculpa semanas correndo...

NOVA YORK

POV JARED MORGAN

—Boa noite! Gostaria de falar com a senhora Eugenia—A recepção estava cheia de moças jovens. Uma senhorita estava do outro lado do balcão, usava um forte batom cor de rosa, cabelo preso no alto da cabeça e unhas extravagantemente grandes e purpurinadas.

—Quem gostaria de falar com ela querido?

—Diga a ela que é o senhor Morgan, ela saberá de quem se trata.

—Como quiser—A moça saiu de trás do balcão, entrou em uma sala onde ficou alguns minutos, logo retornou—Venha comigo, a dona Eugenia está esperando o senhor no escritório dela.

[...]

—Que alugar uma de minhas garotas?—A mulher parecia surpresa, terminava de tomar uma xícara de café, ela nem tivera a educação de me oferecer, usava um terno escuro, cabelos avermelhados, também usava uma cor forte dos lábios.

—Sim, pretendo.

—Posso saber qual o motivo disso? Melanie Parker não é essas coisas, tenho garotas melhores que ela, que poderão satisfazê-lo melhor, se é que me entende—Soltou uma risadinha ridícula, revelando seus dentes amarelados e sem vida.

—Percebi—Falei ironicamente— Mas meu interesse é nessa garota.

—Hum—Revirou os olhos—Por quanto tempo quer exclusividade?

—Indefinido, não sei ao certo, podemos deixar em aberto?

—Contanto que Page bem meu caro, podemos negociar—Aquela mulher era o tipo mais baixo que existia.

—O preço não é problema, quero sua palavra que a partir de hoje, Melanie Parker só irá me visitar, não gosto de dividi minhas garotas—Precisei falar daquela forma, a velha acreditaria mais fácil.

—Tudo bem, tem a minha palavra.

—Excelente, vamos negociar—Ela abriu um sorriso satisfeito.

[...]

Dois dias depois...

POV MELANIE PARKER

—Melanie?—Terminava de me arrumar, as meninas costumavam se aprontar em um quartinho nos fundos da agência. Fui interrompida quando escutei a voz de Shirley, a recepcionista—Dona Eugenia está esperando você na sala dela, apresse-se garota.

—Já vou—A respondi.

[...]

—Preciso mesmo voltar lá?—Dona Eugenia me olhou com uma cara feia, já sabia a resposta—Aquele cara é maluco, da última vez que fui lá, ele ficou querendo conversar a noite toda, não pode me mandar para outro lugar?

—Está sendo paga para cumprir ordens Melanie, não é você quem decide os encontros, sou eu. Vá logo, não quero reclamações do senhor Morgan—Respondeu secamente, nem dando chances para que eu reclamasse. Peguei minha bolsa e sair batendo o salto com força no chão.

Uma hora depois na mansão de Morgan...

—Posso saber por que assinou um contrato de exclusividade? Nem fazemos nada, você nem seu rosto que mostrar, tudo isso é uma perda de tempo—Lá estava eu novamente, sentada na possível cama de Jared Morgan, ele com o mesma cena, de costas virada para mim.

—Pensei que gostasse de receber sem fazer nada, não precisa mais fazer programas, só se quiser—Sua voz era calma.

—Qual a vantagem de ficar aqui com você? Sinceramente eu não entendo.

—Não precisa entender, contratei você, pois precisava de companhia, sinto-me muito sozinho.

—Bela companhia, uma garota de programa. Um cara tão rico e culto como você, não tem companhias melhores?

—Bajuladores e invejosos, eu dispenso esse tipo de amizade—Dei de ombros.

—Então porque não está pintando algum quadro idiota?

—Minha inspiração se foi há muitos anos—Sua voz parecia entristecida, ou talvez tivesse sido impressão minha.

—Não entendo, aconteceu alguma coisa? Algo que o fez desistir de ser pintor?

—Prefiro não entrar nesse assunto, fale-me mais de você—Ele fugiu do assunto—Algum objetivo na vida, algum sonho?

—Sonhos—Suspirei—Eles são impossíveis, quero apenas ter uma vida tranquila, com meu irmão do meu lado.

—Apenas isso?—Voltou a perguntar.

—Bom... —Limpei a garganta—Gosto de tocar.

—Toca? O que?

—Violino. Antes de morrer meu pai pagou algumas aulas, depois não teve mais condições, então tive que abandonar.

—Ainda sente vontade de tocar?

—Acho que sim, não sei se ainda consigo, faz muito tempo que não toco, quando fui mandada para o orfanato, fiz algumas aulas também, mas logo depois as aulas foram suspensas, a diretora odiava música.

—Sinto muito.

—Não tem importância, um sonho da adolescência, já passou, preciso manter os pés no chão, sonhos não enchem barriga de ninguém.

—Eles nos dão esperanças Melanie—Jared balançou-se um pouco na poltrona.

—Engraçado escutar isso, acabou de me falar que não pinta mais, perdeu a inspiração, acho que não é um bom exemplo para mim.

—Talvez tenha razão, não sou a pessoa mais indicada para aconselhá-la, mas posso orientá-la.

—Grande coisa—Suspirei—Esse papo está me entediando sabia? Por quanto tempo isso vai durar?

—Sente-se forçava a vim?

—Pra falar a verdade sim, Dona Eugenia não me pagaria.

—Não quero que se sinta presa aqui, pode ir se quiser—Fiquei calada alguns minutos, Jared também não falara mais nada.

—É sério? Posso ir mesmo? E a dona Eugenia?

—Ela não precisa saber, não contarei nada.

—Nossa!

—Surpresa?—Perguntou.

—Sim, não entendo porque faz isso, é muito gentil da sua parte, vai continuar pagando mesmo eu não vindo, outros homens não...

—Não sou igual aos outros, quero deixar isso bem claro—Ele falou antes que eu terminasse minha frase—Não vou obrigar ninguém a ficar em minha companhia.

—Cara calma ai—Eu ri—Não precisa se doer não.

—Não estou me doendo—Falou secamente.

—Podemos fazer algo diferente? Conversas sempre param em algum lugar que não gostamos.

—O que sugere? Pensei que estivesse ansiosa para ir embora.

—Posso tentar ficar, isso depende de você.

—Como assim?

—Porque não começa me mostrando seu rosto? Esse mistério todo está me deixando curiosa, por acaso tem uma grande cicatriz? Ou é vesgo dos olhos? Olha eu não me importo tudo bem.

—Não seja ridícula, por favor.

—Então mostra seu rosto—Pedi novamente.

—Não, não quero mostrar meu rosto.

—Nossa que bobagem é essa? Cara você deve ser maluco, ou tem algum problema muito sério. Há quanto tempo não sai de casa?

—Algum tempo, não gosto de sair.

—Corrigindo, você é anti-social, não quer encarar a realidade.

—Realidade?

—Que é um cara sozinho, um pintor inspiração, sem gosto pela vida, que contrata uma garota de programa para passar suas noites conversando, só porque tem medo de sair na rua, de encontrar pessoas normais, tenho pena de você. Vou sair daqui logo daqui, não voltarei mais, se vai continuar pagando o problema é seu.

Levantei-me e sai em disparada do quarto, quando passei pelo Hall, o mordomo de Jared me passou um envelope, o agarrei nas mãos e fui embora batendo a porta.

Notas finais
Espero que esteja prestando.. ando meio desanimada em off.