Destinos Cruzados
4 Adeus
Notas iniciais
LONDRES
POV IAN MATTHEUS
O dia estava lindo, acordei cedo e fui ajudar meu pai na jardinagem, passei a manhã toda entretido com o trabalho, na hora do almoço escapei para me encontrar com Michelle. Ainda recordava o episodio da noite anterior, aquela maluca da ala de recuperação.
Como de costume esperei Michelle no lago, um que ficava nas terras do pai dela, era afastado, quase ninguém aparecia por ali, nosso lugar favorito, mas naquele dia Michelle não apareceu, esperei horas e horas, a tarde caiu e com ela a noite, porém nada de Michelle, fiquei preocupado e resolvi ir em sua casa, entraria escondido em seu quarto, precisava saber o que tinha acontecido.
Minutos depois eu já estava pendurado em sua janela, levantei o vidro entrando com cuidado no cômodo. Estava vazio, senti uma sensação estranha, um arrepio passou por minha nuca, observei que um dos armários estava aberto, caminhei até ele abrindo a porta, ele estava completamente vazio, as roupas de Michelle não estavam ali, dei uma olhada pelo quarto, todas suas coisas tinham desaparecido.
Não conseguia entender o que poderia ter acontecido, sai do quarto com o mesmo cuidado que entrara, voltei para casa, meu pai estava na sala assistindo TV, quando me viu pegou uma carta me entregando.
—O que é isso Pai?—Recebi o envelope branco.
—A senhorita Michelle deixou hoje à tarde.
—Michelle?
—Isso mesmo meu filho.
—Ela veio aqui, mas eu estava esperando ela no lago.
—Ela estava estranha, nervosa e tensa, perguntou por você, quando disse que não estava, ela apenas entregou a carta, pediu para que eu a entregasse a você.
—Só isso?
—Só isso filho.
—Obrigado pai—Fui para o quarto, precisava saber o que estava escrito naquela carta.
[...]
NOVA YORK
POV JARED MORGAN
—Mais alguma coisa senhor Morgan?—Gilbert estava na sala de jantar, terminava de servir meu jantar.
—Obrigada Gilbert, estou satisfeito, pode se retirar.
—Sim senhor—Antes que ele saísse o chamei.
—Gilbert?
—Pois não senhor, o que deseja?
—Aquela moça não apareceu de novo?
—Não senhor.
—Tudo bem, pode ir.
—Com licença.
Melanie não aparecera mais, uma semana já tinha passado, não podia negar que estava triste, pensei que ela voltaria, mas eu estava enganado, suas palavras foram firmes e verdadeiras, ela preferia viver de programas ao invés de permanecer em minha companhia.
Larguei o guardanapo sobre a mesa, me retirei da sala de jantar, caminhei até meu estúdio de arte, fazia um bom tempo que eu não entrara nele. Vários quadros estavam inacabados, outros cobertos com lençóis brancos, também havia alguns instrumentos musicais, piano, violões, saxofone e um violino.
Peguei o violino nas mãos, lembrando-me do que Melanie havia falado, seu sonho era ser uma grande violinista. Eu havia comprado aqueles instrumentos para minha esposa, ela gostava de tocar, mas sua melhor habilidade era a dança, Peg dançava como ninguém, seu corpo era maravilhoso.
Poderia dançar qualquer ritmo que pedisse, uma grande bailarina, que jogou tudo fora por uma aventura. A velha dor tomou conta do meu coração, aquela antiga dor que me perseguia durantes anos, parecia que nunca poderia me recuperar, talvez nunca mais voltasse a ser o mesmo Jared.
Peg tinha tudo que uma mulher desejaria. Dinheiro, fama, reconhecimento e muito amor, amei aquela mulher com todas as minhas forças, eu ainda a amava, mesmo não sabendo o que ela fizera de sua vida, não conseguia arrancar aquele amor, um sentimento que ao mesmo tempo me condenava a uma vida de dores e solidão.
Fechei os olhos evitando as lagrimas, não queria senti tudo aquilo de novo, a ferida estava aberta, todos os dias me machucando mais e mais. Como queria que ela voltasse, pelo menos mandasse noticias suas. Três longos anos se passaram, o que me restara fora apenas me conformar com sua ausência.
—Jared?—Quase deixei o violino cair no chão—Vim para conversar com você.
—O que faz aqui?—Melanie estava atrás de mim, estava nervoso com a possibilidade dela vê meu rosto.
—Vim me desculpar, falei coisas ruins para você, não queria machucá-lo.
—Está tudo bem, pode ir agora.
—É sério Jared, estou pedindo desculpas de coração.
—E eu já aceitei, creio que esse não seja o melhor momento para está aqui.
—O que tem ai?—Escutei passos—Um violino?
—Não se aproximei—A adverti.
—Qual o problema, eu só quero vê.
—Saia Melanie, você mesma disse que não colocaria mais os pés aqui, saia, por favor.
—Tem medo que veja seu rosto não é?
—Não vou entrar no seu jogo, saia antes que eu chame o Gilbert.
—Creio que seja seu mordomo.
—Ele mesmo.
—Não sairei enquanto não ver seu rosto—Caminhou mais rápido, senti os batimentos aumentarem, talvez se eu corresse resolvesse, porém era tarde demais, suas mãos pousaram em meu ombro, com certa força virou meu corpo, me fazendo olhar para ela.
—Nossa!—Seus olhos brilharam por um momento, estava boquiaberta—Você é um gato cara, como pode esconder um rosto tão lindo desses? Passou o dedo na lateral da minha face, eu estava paralisado, meus pés não se moviam.
—Não devia ter feito isso—Ainda continuava com o dedo em meu rosto, desceu ele por minha bochecha, terminando o passeio em meus lábios.
—Agora não pode mais se esconder—Consegui mover meus pés para longe dela.
—Saia daqui imediatamente, ou chamarei a policia.
—E vai falar o que?
—Invasão de privacidade, é um crime sabia?
—Não teria coragem.
—Que apostar?
—Que se dane—Ela saiu caminhando para fora do estúdio, apressei meus passos para alcançá-la.
—Não volte mais aqui—Falei entre os dentes.
—Com prazer—Atravesou a sala de jantar, logo saiu batendo a porta com força.
—O que houve meu senhor? Gilbet apareceu atrás de mim.
—Porque deixou aquela garota entrar?—Virei encarando ele com raiva.
—Pensei que gostaria de vê-la.
—Não pago você para pensar Gilbert, deveria ter me comunicado que ela estava aqui.
—Perdão senhor Morgan, não queria deixá-lo irritado.
—O problema nem é isso, ela viu meu rosto, não estava preparado.
—Se me permite falar senhor, não pode se esconder para sempre, essa garota iria ver o senhor algum momento.
—Não queria que fosse agora, nem da maneira que aconteceu.
—Senhor posso fazer alguma coisa para ajudá-lo?
—Não Gilbet, pode se retirar, eu vou para meu quarto e não quero ser interrompido, espero que dessa vez entenda e não deixe aquela louca entrar de novo.
—Como quiser Senhor.
LONDRES
POV IAN MATTHEUS
Não podia acreditar naquelas palavras, mesmo tendo lido mais de duas vezes a mesma carta, não podia aceitar que Michelle estivesse colocando um fim em nosso namoro, pior, que tivesse partido sem ao menos dizer um adeus.
Aquela dor era mil vezes mais dolorida que qualquer outra, pior que uma adaga atravessando meu coração, eu tentei lutar contra as lágrimas, mesmo sabendo que ela não merecia, não depois de ter ido embora daquele jeito, como poderia dizer que me amava? Meu coração estava arrasado, despedaçado.
Rasguei o papel em alguns pedaços, caminhei até a lata de lixo os jogando dentro dela, Michelle tinha acabado com nosso amor, ela mesma colocara um ponto final em nosso relacionamento. Talvez fosse melhor esquecê-la de uma vez, como se isso fosse possível, pois se tratava do único amor da minha vida, mas de alguma forma eu teria que arrancá-la de dentro de mim.
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