Destinos Cruzados
2 Londres
Notas iniciais
LONDRES
POV IAN MATTHEUS
—Pensou na minha proposta?—Acariciava seus cabelos, enquanto ela observava o lago a nossa frente.
—É arriscado Ian, meu pai pode descobrir, ele me mataria—Suspirou pesadamente.
—Eu sei Michelle, mas vamos ficar parados? Sabemos que ele nunca irá aceitar nosso amor, soube até que está vendo um partido para você—Minha voz entristeceu-se.
—Você é meu único partido, não vou aceitar mais ninguém meu amor, só penso que posso convencer meu pai, eu posso dizer que o amo, que não sei viver sem você.
—Então porque já não fez isso meu amor?
—Tenho medo do que ele pode fazer, ele é diferente da minha mãe, ela era compreensiva e paciente, meu pai é explosivo, tenho muito medo dele.
Virei o rosto de Michelle, queria olhar em seus olhos, talvez pudesse encontrar algum pingo de esperança dentro deles, as vezes ela me passava a impressão que não acreditava em nosso amor, sempre colocava o pai como empecilho para nossa paixão.
—Sinto que não me ama—As palavras saíram de uma vez só.
—Não fale isso Ian—Levantou-se e ficou do meu lado sentada na grama—Você é o amor da minha vida.
—Já não tenho certeza, quem ama corre perigos, não liga para a opinião dos outros, enfrenta o que for. Você só sabe recuar para trás.
—Não pode me falar isso Ian, está sendo duro, eu quero ficar com você, mais não tenho culpa do meu pai ser um homem severo.
—Sabe do que eu sei?—Olhei firme para ela.
—O que?
—Sei pai não me aceitaria mesmo, afinal sou um pobre coitado, não tenho onde cair morto, filho do jardineiro da casa, não tenho um futuro brilhante, mal terminei meus estudos, por isso seu pai não me aceitaria.
—Você me deixa triste falando assim—Encarou a grama.
—Sei que você não se importa, não liga para status, mas seu pai sim, ele coloca isso em uma escala muito alta, não poderia bancar sua vida de luxos.
—Já chega Ian—Levantou-se zangada—Vai ficar se diminuindo? Então fique, mas nunca dei motivos para que duvidasse do meu amor por você, talvez você esteja certo, nosso amor seja impossível.
—Michelle—Ela saiu caminhando de volta para casa, enquanto eu me xingava por dentro, que estúpido, não devia ter falado aquilo, Michelle me amava, não estaria comigo se não me amasse de verdade, eu tolo desconfiando dela.
Fiquei olhando o lago enquanto a tarde ia embora, dando lugar para a noite fria, tinha que voltar para casa, teria plantão no centro de reabilitação, não queria trabalhar naquela noite, mas não tinha escolhas, precisava desse emprego mais que tudo. Sem animo levantei-me da grama, caminhei de volta a casa.
[...]
Centro de Reabilitação de pessoas dependentes.
20:00 da noite.
—Já foi ao quarto 211 Ian?—Beth guardava alguns medicamentos em um armário, enquanto eu organizava uma bandeja com remédios.
—Já, agora vou ao quarto 215, parece que a paciente teve alterações hoje de manhã, vou levar alguns calmantes para ela.
—Faça isso, cuidado com a Loren—Ela se referia a pasciente—Ela está muito agressiva.
—Pode deixar—Já estava saindo da sala quando Beth voltou a falar—Depois vá à ala de recuperação.
—Hoje? Já atendi todos os pacientes de lá.
—Temos uma novata, ela está no quarto 061, chegou ontem de manhã.
—Qual o estado dela?
—Péssimo, foi encontrada em um beco abandonada, injetava uma alta dosagem de droga nas veias, a trouxeram para cá a força, ela não queria vim.
—É sempre assim—Revirei a cabeça indignado—Passo lá depois.
—Obrigada, agora vou embora, bom turno Ian.
—Obrigado Beth—Deixei a sala indo ao quarto de Loren.
[...]
—Com licença—Abri a porta do quarto 061, estava um pouco escuro, passei os olhos pela sala, curioso, pois não encontrara ninguém, talvez a paciente estivesse escondida. Realmente estava, caminhei até a cama, ela estava atrás do colchão, joelhos encolhidos no corpo, braços em volta deles, a cabeça estava abaixada, balançava-se para frente e para trás—Olá?
—Vá embora—Respondeu ríspida.
—Sou o ajudante do centro, vim trazer alguns medicamentos que precisa tomar, vai ajudá-la a dormir também.
—Não quero nada, vá embora—Peguei a ficha da paciente que estava embaixo do meu braço.
—Não tem nome em sua ficha, não quis falar não é? Porque não começamos assim, eu começo.
Caminhei mais perto, colocando a bandeja com medicamentos em cima de uma mesinha, fiquei abaixado na frente da paciente, ela ainda permanecia com a cabeça abaixada.
—Sou Ian Mattheus, qual seu nome?—Aguardei alguns minutos, mas não obtive nenhuma resposta—Pode confiar em mim, quero apenas ajudar—Para minha surpresa, a desconhecida levantou o rosto. Pele branca, olhos verdes, carregava uma expressão vazia no olhar, os cabelos castanhos caídos sobre a testa.
—Até que você é bonitinho—Começou a sorrir, fiquei um pouco envergonhado, talvez ela estivesse apenas debochando.
—Certo, não vai me falar seu nome?—Insistir.
—Fazemos assim, eu digo meu nome, mas você em troca me solta daqui, o que me diz?
—Esperta, mas mesmo que eu quisesse eu não poderia fazer isso, está aqui para ser tratada, logo sairá, precisa tomar todos os medicamentos e ser uma boa menina.
—Não quero tomar esses remédios idiotas—Gritou em meu rosto—Quero sair daqui, não podem fazer isso comigo, sou uma dançarina famosa, sou rica, tenho muito dinheiro.
—Então a onde está sua família?—A estranha voltou a se calar—Se é mesmo uma dançarina como diz...
—EU SOU—Gritou novamente.
—Tudo bem, não se agite, então onde estão seus amigos, parentes, um namorado talvez.
—Sou sozinha, não tenho ninguém, não tenho mais ninguém, ele me abandonou—Começou a chorar.
—Ele quem?
—Call... —Os soluços a atrapalharam—Calleb.
—Onde ele está agora?
—N-não sei, ele foi embora.
—Moça, Moça?—Ela olhou-me nos olhos—Não precisa chorar, fazemos assim, tome seus remédios, depois durma um pouco, vai se sentir melhor.
—Acho que sei o que vai me fazer me sentir melhor—Sua expressão mudou, as lágrimas cessaram, um sorriso malicioso nasceu em seus lábios, em uma atitude atrevida, a moça segurou meu pescoço beijando-me.
O contato dos lábios me assustou, tentei empurrar seu corpo, mas seus braços estavam entrelaçados em meu pescoço, os puxei com certa força, até que segundos depois ela me libertou.
—Está proibida de fazer isso de novo—Levantei-me—Não pode sair beijando os outros dessa forma garota—Peguei um copinho da bandeja, continha dois comprimidos nele, peguei um copo de água também—Tome logo, antes que chame algum enfermeiro.
—Gatinho nervoso—Começou a rir alto—Tudo bem, farei o que me pedi, mas quero que volte amanhã, só tomarei os remédios se voltar amanhã.
—Não está em posição de pedi nada—Entreguei os comprimidos para ela, junto com o copo de água. Depois de tomar os remédios, peguei a bandeja para me retirar da sala.
—Ian?—Chamou-me.
—Por favor, volte amanhã, só quero alguém para conversar, tenho medo de ficar sozinha de novo—Havia sinceridade em suas palavras.
—Boa noite, procure descansar—Fechei a porta, certifiquei-me que estava bem trancada, aquela garota era capaz de tudo, não me surpreenderia se conseguisse escapar.
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