Notas iniciais
Por que finais de semana não duram pra sempre? Oi, pra vocês...

— É tão bom te ver! – Confessou Brittany agarrando Kurt no meio daquele aeroporto. – Seu lindo!

— Linda é você! Nem acredito que está aqui, Britt. – Ele sorriu apertando a garota. – Vamos ficar assim pra sempre?

— Vamos sim Unicórnio.

— Olá Kurt. – Robert acenou, enquanto se aproximava com uma mala preta, os interrompendo. – Tudo certo?

— Claro! – O Hummel se afastou da amiga para cumprimentar o homem. – E o senhor, como vai?

É, depois de meses longe de Seattle, Brittany finalmente estava de volta. Quer dizer, porque seu pai precisava resolver algo na cidade, e não porque tinham voltado para lá. O que era uma enorme pena.

Kurt e Brittany não estavam totalmente alheios um da rotina do outro, as redes sociais e o contato que a adolescente andou tendo com ele — após Santana Lopez se mudar para Rosefield — não podiam negar o retorno da cumplicidade que sempre existiu.

Os amigos andavam pelas ruas futurísticas felizes, Brittany quase dava saltos de tanta animação. Que falta faziam para ela aquelas luzes fortes pela rua em plena noite, oito e meia da noite precisamente, e também, aquelas pessoas descoladas, e o ar, e a movimentação frenética dos carros e o clima... Tudo era perfeito.

Ela se sentia nostálgica, anestesiada, e em paz.

— A Tina está com saudades de você, amanhã vamos encontrar ela e o pessoal, ok?

— Sim! Você que manda. – Brittany concordou, e terminou o seu milkshake, com os braços apoiados num corrimão de uma plataforma de madeira, abaixo estava o mar, e diversas luzes do outro lado roubavam sua visão. – Eu nunca dei valor pra essa cidade, até me mudar...

— Tão bonito. Né? – Kurt olhou para a outra, ao seu lado, e percebeu que os olhos azuis estavam marejados. – Você tá chorando por que, meu amor?

— Porque eu queria voltar pra cá... – Brittany limpou as lágrimas com a mão livre, e sorriu tentando parecer menos triste. – Eu não queria estragar a noite, desculpa Kurt.

— Que isso, você não estraga nada não! Nunca. – O menino passou as mãos nas costas da líder de torcida, e sorriu. – Eu te contei de como foi em Nova Iorque? Eu definitivamente vou pra NYADA, eu estou completamente apaixonado!

— Que bom, fico muito feliz por você! – A loira sorria de felicidade, desta vez. – Tenho certeza que vai entrar de primeira.

— E você tem que vir comigo! Ninguém neste planeta dança como você...

— Eu não estou dançando mais Kurt, quer dizer, eu sou líder de torcida agora, mas não estou dançando mais, só torcendo.

— Espera ai, disso eu não estava sabendo! – Kurt parecia chocado, ele cerrou os olhos desconfiado. – Você não está fazendo mais aula de dança?! Você era a melhor de todas Britt!

— Não parei porque eu quis. É que no McKinley não tem aula de dança, e o clube que tinha... Sei lá, eles desistiram, eu até tentei conversar com um ex-membro, mas ele parecia ter medo de mim, o que me leva a achar que talvez as pessoas que participavam do clube sofriam bullying.

— Eu hein, que coisa...

— Pra você ver.

Ambos ficaram em silêncio, olhando para o mar, mas Kurt se lembrou de algo que estava com certa curiosidade há um tempo, chacoalhou a loira.

— Ah, me fala mais da tal Santana, Britt...

Brittany arregalou os olhos e voltou a olhar para o mar, incomodada.

— Tipo o que? Que ela é insuportável? Já falei...

— Não! Quero saber se você já descobriu o que aconteceu com vocês no penhasco lá, ou ainda não?! – Kurt arqueou a sobrancelha. – Porque não deve ser algo para se conversar no celular...

— Hey, o que você tá insinuando? – Brittany arqueou a sobrancelha também, e Kurt pegou sua mão para andarem de volta pela calçada. – Kurt...

— Você tem tendências de ser do lado colorido da força amore, meu gaydar é incrível, além disso, já se esqueceu do caso Danielle Scott?

— Ah, Kurt esquece isso! Nós éramos amigas... Só aconteceu uma vez.

— Sim, sim, claro, é assim mesmo que boas “amigas” se comportam...

Brittany jogou o copo vazio de milkshake em uma lata de lixo próxima a eles. Voltou-se para o amigo.

— Eu e você, a gente já se beijou Kurt. Mas isso fez você “deixar” de ser gay? Só porque beijou uma garota, ou duas, ou sei lá?

Kurt gargalhou com as desculpas da loira, negou balançando a cabeça, e enlaçou o braço de Brittany ao seu, eles voltaram a caminhar pela calçada de pedra.

— Mas, pensando bem... Por que a gente não se casa Britt? – O Hummel propôs em tom de piada. – Por você eu vivaria hétero, eu te amo demais, e tipo, a gente compraria uma casa por aqui ou em Nova Iorque, ou Londres, e teríamos os filhos mais lindos e artísticos do mundo...

Brittany riu do amigo.

— É só dizer “sim”.

— Cuidado que eu posso aceitar mesmo, e ai não vai ter volta Kurt.

(...)

Brittany aproveitou o máximo que pode seu final de semana em sua cidade natal, ficou o tempo inteiro, grudada a Kurt, se emocionou ao visitar sua antiga casa, que, aliás, continuava a ser propriedade dos Pierce’s, saiu com o seu antigo circulo de amizade, e depois voltou à Rosefield com uma enorme dor no coração. Teria sido pior, ou melhor, toda essa reconexão a Seattle? Porque talvez agora ela sentisse, o que chamamos de: Abstinência de sua antiga vida, de novo. Ou poderia ser pior ainda, já que ela havia provado o doce gosto da cidade, depois de tanto tempo sem... Como uma verdadeira droga viciante.

Só relaxe, Brittany, tudo ficará bem.

(...)

Oito da manhã, o colégio McKinley estava lotado de adolescentes barulhentos, esbarrando-se pelos corredores, uns agitados, outros sonolentos, enfim, Quinn Fabray chegou ao campo de batalha e encontrou com a Pierce pegando o material da primeira aula, ela parecia diferente.

— Oi Quinnie, tudo bem? – A loira pronunciou, ao notar a presença da outra, e fechou o armário ligeiramente.

— Eu é que pergunto, está tão animada.

— Ah, você percebeu? É que eu tive um final de semana maravilhoso. Muito mesmo.

— Quer me contar? – Quinn sorriu. – Adoraria ouvir.

— Fui pra Seattle, coisa rápida, mas incrível. E você?

Fabray percebeu a superficialidade nas palavras da Pierce, e nos poucos detalhes contados, quer dizer, a falta deles.

— Eu saí com o Finn, ele me levou em um restaurante na cidade ao lado, é muito bom lá.

— Que legal... – Brittany não parecia estar interessada, e olhava de um lado para o outro. – Muito legal.

— Procurando alguém?

— Não, não. Só estou tentando lembrar que aula nós vamos ter... É física? Eu não lembro...

— É sim, vamos? – Quinn já sabia que a outra havia tomado café demais de novo, as duas entraram na sala de aula, e sentaram-se. – Para de se entupir de café menina, sério. – Ela sussurrou em tom de ordem.

— Eu não dormi direito Quinnie, tinha que ficar acordada de alguma forma... – Brittany observou o professor se aproximando, e antes de a outra conseguir abrir a boca, apontou para frente. – Olha, a aula vai começar!

(...)

As Cheerios pulavam de um lado para o outro, com Roz Washington gritando no megafone, foi quando seu celular disparou, ela se apressou a atendê-lo e deixou o ginásio. Algumas meninas continuaram o treino, outras simplesmente pararam e foram entreter-se com os próprios celulares.

Um bando de preguiçosas.

Brittany continuou a fazer seus abdominais, o que estava explicitamente se parecendo com uma missão difícil, Santana se aproximou dela e sentou-se ao seu lado.

— Faltou na aula de Espanhol de novo Piercezinha, o que foi? Não gosta da língua...

— Não, eu não gosto. – Disse Brittany em tom frio, desceu novamente. – Você pode sair daqui, por favor?

E subiu, e desceu.

— Por que eu sairia? Tá ficando interessante...

Brittany bufou irritada e levantou o tronco se sentando no chão, finalmente.

— O que tá interessante, Santana?

— Você fingindo que consegue terminar os exercícios.

— Que? – Brittany franziu a testa.

— Você tá super-roxa e parece drogada, não se faça de burra, Brittany. Você devia parar...

— Eu não estou drogada!

— É mesmo? – Santana se inclinou chegando perto da outra. – Café, né? O seu vício...

Brittany se afastou, soltou os fios loiros e começou a amarra-los novamente, já que estavam bagunçados, e suados. Os olhos azuis desviaram dos castanhos.

— Eu não sou viciada em café, Santana. Você pode sair agora? Preciso terminar aqui...

Santana bufou, parecendo estar entediada com a outra.

— Ah dá um tempo, eu ouvi a Fabray falando disso com a Kitty. Você se alimenta só de café sua doida? Que idiotice.

— Não! E eu não preciso ficar respondendo o seu interrogatório, Santana. – Brittany levantou do chão e começou a se afastar da outra. – Dá licença.

— Você vai se prejudicar assim, e ai vai prejudicar as Cheerios, também. – Santana avisou a seguindo. – Abre o jogo, o que houve?

— Eu não dormi, não é óbvio?! – Gritou Brittany, as outras líderes as olharam, e ela engoliu a seco. – Olha o que você fez. – Completou em voz baixa.

— Não sou eu a histérica por aqui, coração. – Santana sorriu sarcasticamente, e segurou a mão da outra. – Vem comigo.

Quinn olhou para as duas que conversavam perto da porta de saída do ginásio, e pensou que talvez fosse melhor ir interromper a discussão, já que Santana parecia incomodar Brittany, mas desistiu, ao ver que a menina pareceu aceitar sair do ginásio com a outra.

Santana guiou Brittany até o vestiário, e parou.

— Se troca.

As duas mudaram as roupas, foi tudo muito rápido. Santana só olhou para o lado quando a outra disse algo, ela então parou de pentear o cabelo, e passou a guardar suas coisas.

O que estava acontecendo? Era sono, enjoo, cansaço...

— Eu não tô muito bem... – A Pierce admitiu, vestida, sentindo-se enjoada.

A morena jogou sua mochila no armário.

— Eu sei, dá pra ver. — Ela caminhou até a outra. — Dá as chaves do seu carro. – Ordenou a latina abrindo a mão esquerda. – As chaves Brittany...

— Que? Pra que você quer minhas chaves?! – A loira parecia ter dificuldade para respirar. – Argh...

— Me dá logo.

— Não! – Relutou Brittany, sua visão estava embaçada, e seu abdômen doía. – Não...

— Você que pediu por isso. – Santana se aproximou da outra, e procurou pelas chaves da loira em seus bolsos, Brittany ruborizou com a proximidade delas, mas a morena não teve dificuldade em achar as chaves, e se afastou em pouco tempo. – Achei, vamos.

— Onde?

— Você vai ver.

Ela voltou a segurar a mão da loira e ambas saíram do vestiário e dirigiram-se para o corredor, foi quando o sinal indicando o fim da aula soou. Diversas pessoas brotaram pelos corredores.

— Ei Lopez, vamos repetir aquilo hoje? – Puckerman perguntou aproximando-se das meninas, que estavam, quase perto, da porta de saída da instituição. – Ela tá bem?

— Não, e não. – Santana respondeu e revirou os olhos. – Você pode sair da minha frente, Puck?

— Sem problemas. – Noah disse dando um passo para o lado. – Vocês querem ajuda?

— Finalmente, algo de útil. Você pode levar ela até o carro? – Santana pediu e olhou para a loira. – Porque tá parecendo que ela vai desmaiar, e a queda pode doer.

— Não precisa... – Brittany falou em voz baixa. – Não...

— Precisa sim. Segura ela aqui Puckerman!

— As suas ordens, Santana. – O garoto ergueu Brittany no colo. – Ela é leve.

— O que tá acontecendo?! – Quinn surgiu correndo no corredor. – Britt!

— Vou levar ela pra comer alguma coisa, porque aparentemente a senhorita Pierce gosta de viver perigosamente. – Santana disse rindo e Puck a acompanhou nas risadas.

— Como você é idiota Santana. – A loira de olhos verdes disse revoltada. – Tenho certeza que ela não quer ajuda de vocês!

Brittany gemeu algo, mas ninguém entendeu.

— Fica quietinha Fabray e nos guie até o carro da Pierce, ok? – Disse a Lopez, por fim.

Quinn concordou, mesmo que sua real vontade fosse dar um soco em Santana, mas, no momento: eles tinham que ajudar a outra loira. Os quatro dirigiram-se até o estacionamento do McKinley, Puck deitou Brittany sobre o banco de passageiro.

(...)

— Acorda. – Santana balançou o ombro da loira, enquanto dirigia. – Chegamos...

— Onde nós estamos? – Brittany coçou os olhos.

— Breadsticks. – A morena respondeu terminando de estacionar o conversível. – Muito legal dirigir esse seu carrinho, burguesa.

— Que bom. – Brittany abriu a porta do veículo e saiu, deu meia volta no carro. – Me devolve as chaves, eu já tô bem.

— Antes você vai comer. – Santana notificou, e trancou a porta.

— Me dá! – Brittany chegou mais perto tentando pegar as chaves, sem sucesso. – Vai Santana!

— Opa! – A morena colocou as chaves dentro da camiseta, as guardando no sutiã. – Parece que só depois que você comer, como eu disse... Teimosa.

Brittany levou às mãos a boca, chocada.

— Não acredito que fez isso!

— Vem. – Santana puxou Brittany pelo mindinho e elas entraram no estabelecimento, a morena deixou a loira em uma cadeira e direcionou-se para o balcão. – Chama a Alma pra mim, Marcos?

— Claro, Santana, só um segundo.

O homem entrou na cozinha e voltou junto à senhora, que olhou desconfiada para a neta.

— O que aconteceu?

Abuela, temos um caso de quase anorexia aqui... – Ela disse em tom divertido.

— O que está querendo dizer Santana? Sem gracinhas.

— Ok. – Ela revirou os olhos. – Eu trouxe uma amiga do colégio aqui, porque ela tava passando mal, parece que só tomou café e não dormiu, e não é a primeira vez que ela faz isso. Resumindo, ela é meio trouxa... Enfim, o que fazer nessa situação? Ou melhor, o que comer?

A velha abriu um sorriso sagaz.

— Já sei o prato exato, niña.

— Obrigada.

As Lopez voltaram, cada uma, para o seu respectivo lugar. Brittany estava de braços cruzados na mesa, quando Santana retornou e sentou-se de frente para ela.

— Vai ficar emburrada? – A morena indagou, pegando o próprio celular e o olhando. – Se quer saber, é muito engraçado.

— Você é super-chata!

Santana olhou para os olhos azuis e riu, ficando em silêncio. Brittany suspirou e descruzou os braços, os pousando na mesa.

— Eu não quero pedir nada...

— E nem precisa, eu já pedi pra você.

— Você o que, Santana?! Você nem sabe se eu como de tudo!

— Mesmo que você fosse vegetariana Brittany, eu te garanto que iria comer... Mas, por curiosidade, você é?

— Não.

— Que bom.

(...)

Ao final do "jantar" silencioso, Brittany não estava mais nervosa, nem enjoada, nem estressada, nem nada. Agora ela era uma adolescente devidamente alimentada, e podia-se dizer que até um sorriso genuíno brotou em seus lábios... Parece que Santana não era tão ruim assim.

— Obrigada... – A loira agradeceu, enquanto ambas andavam até o seu conversível. – De novo.

— Disponha, Pierce. – Santana disse, buscando as chaves em seu sutiã, e entregando à garota. – Vê se dorme hoje e come direito amanhã, sua trouxa. Até...

A Lopez saiu andando.

— Trouxa é você! – Brittany retrucou.

Santana sorriu satisfeita, já de costas para a outra, a certa distância, encaminhando-se para a casa de sua avó. E Brittany? Entrou no conversível prata, com calma, e foi para sua própria residência.

Notas finais
Eu vou demorar um pouco pra postar o próximo capítulo, porque meu teclado e mouse estão um lixo e eu também, por conta dessa mudança climática infernal do Brasil. Até mais ♥