Destino ou não - Brittana
10 Puritana?
Notas iniciais
— Isso ai, Berry! – Exclamou Santana, batendo na mão de Rachel, em sinal de comemoração, em seguida, elas deixaram a sala de aula em passos entediantes pelo corredor. – Pensei que nunca ia acabar...
Ambas, haviam terminado, finalmente, de limpar nada mais nada menos que: todas as mesas do laboratório de Química, o que foi, claramente, consequência da discussão que Santana e Rachel tiveram durante a aula inteira. Quem teria começado tal coisa? A professora, não-importa-o-nome, fez questão que as alunas compensassem toda a “falta de respeito”, em meio a matéria, com uma punição chamada: trabalho braçal. Ou era isso, ou era levar um F, ou talvez uma suspensão.
Três “simples” consequências/escolhas, não?
Todavia, como a própria educadora tinha conhecimento: Lopez e Berry, eram, digamos que: a melhor dupla de química do McKinley, então a mulher convenceu as meninas de que aquela — sim, o trabalho braçal - era a escolha correta a se fazer, no final das contas...
Limpar a bagunça alheia, que ótimo!
Alguns longos minutos depois, tudo estava finalizado e as adolescentes alcançaram sua, tão estimada, liberdade para o intervalo de almoço.
Rachel suspirou, enquanto guardava seu jaleco no armário. Santana fazia o mesmo, como um espelho, já que o seu armário encontrava-se ao lado do da baixinha falante. Devia ser por este motivo que as duas sempre se viam, além, é claro, das muitas aulas que elas tinham juntas.
— Sim, terminamos a limpeza Santana. E, graças a Deus, tiramos uma boa nota no experimento... Mas, a gente, com certeza, teria ido melhor se você não tivesse ficado querendo colocar potássio na mistura errada! E mais...
A expressão da Lopez mudou repentinamente de animação para desdém, ela bateu o armário para ressaltar isso.
— Hey Sabe-tudo, dá pra você parar de falar? Cansei de ouvir sua voz já... Como sempre.
— Você, pelo menos, sabe o que poderia ter acontecido se conseguisse fazer aquilo Santana?!
— Argh... Você aniquilou de vez o meu momento de alegria, Frodo! E só pra que fique sabendo, eu sei o que ia acontecer. – A latina não conseguiu controlar a risadinha maligna presa em sua garganta, suas feições mudaram, olá sarcasmo. – Não sou nenhuma idiota, você sabe...
A Berry arregalou os olhos.
— Então, você queria mesmo, que aquilo explodisse na minha cara?! Que maldade! Você é má...
— Claro que não queria... – Santana respondeu, com um sorriso malandro. – Imagina.
Rachel a fitou, incrédula com a situação, e resolveu apenas dar as costas para a Lopez e ir embora, mas num piscar de olhos, a morena mais alta pôs a mão, gentilmente, no ombro dela.
— Espera, GnoBerry, preciso de uma informaçãozinha sua antes de você ir, é rápido.
— Pergunta pra outra pessoa, cansei de ser bulinada! – Rachel disse, voltando de encontro a Santana. – Tchau!
A Lopez segurou o braço da colega — no instante em que a mesma ameaçou de sair dali novamente — e a impediu de se locomover para longe.
— Você sabe que eu sou mais forte que você... Não sabe? – A latina provocou levantando e abaixando as sobrancelhas. – E ai, anã? O que vai ser...
— Eu vou gritar. Sério!
Santana revirou os olhos e bufou, enquanto Rachel insistia em puxar o próprio braço da mão da outra, o que não parecia dar resultados.
— Pode parando de drama Berry! É só me responder... – Santana a soltou, e analisou seu rosto ligeiramente. – É melhor não fugir...
A baixinha deu um passo para trás, surpresa. Culpada! Ela iria fugir mesmo, correr, e correr para bem longe, mas como Santana sabia? Endireitou a coluna, em seguida, como se seus planos nunca fossem aqueles... E respirou pacientemente, voltando a olhar para os olhos cruéis de leoa a sua frente.
— Eu até perguntaria pra outra pessoa, mas você está mais perto.
— Tá... O que você quer Santana?
— Perfeito. Você sabe onde fica o tal clube de celibato? Me contaram uma coisa, e eu preciso saber se é verdade, porque... – Santana desviou o olhar, e riu pensativa. – Não importa.
Rachel a fitou desconfiada, mas não queria ficar mais tempo perto do Satã... Quer dizer, da Santana, então, sem mais delongas, deu sua resposta:
— Ok... Eu sei sim. – Assentiu e se virou. – Vamos, vou te mostrar...
— Obrigada Berryzinha! Ainda bem que você tá fazendo essa gentileza toda de bom grado... – A Lopez disse em tom irônico, e piscou um olho, convencida. – É por isso que te adoro.
Rachel franziu a testa, durante a caminhada pelo corredor, e seu olhar desconfiado persistiu estampado em sua face.
— Ah... Agora você me adora, Santana? Tá bom...
— Shh, só me leve até lá, Berrychata... Em silêncio de preferência.
Bom, era fato que Rachel considerava Santana uma pessoa horrível, entretanto, não a culpava, pois claramente a garota sofria de bipolaridade, ou coisa do tipo.
(...)
Quinn Fabray localizava-se sentada, ao lado de Brittany S. Pierce e Kitty Wilde, no meio da enorme mesa de madeira, que compunha a sala do clube de celibato, próxima a vasta janela — com visão de tijolos e até algumas plantas — porque a sala era vizinha à estufa do clube de jardinagem. Ambos os locais, do lado de fora dos corredores do McKinley, quase de encontro ao campo de futebol.
A sala era basicamente composta pelas quatro mesas unidas que formavam um quadrado, prateleiras com livros educativos, seja-lá-do-que-for, e pequenos armários elevados, e que provavelmente ninguém teria coragem de abrir, a menos que: quisesse uma enxurrada de pó no rosto, ou coisa pior.
Enfim, quase todas as lideres de torcida estavam lá também. A loira de olhos azuis e franjinha, não prestava muita atenção no que Quinn e as outras tanto tagarelavam, mas ela nunca o fez mesmo...
Tanto faz, só estava lá para ficar longe do ex-namorado e de possíveis pretendentes indesejáveis da escola.
Entretanto, concordava com tudo, sem pestanejar, como um robô, ou como uma boa menina educada, chame do que quiser. É... Ela vivia a vida em Rosefield no modo automático, é válido lembrar.
Mas, onde poderia estar toda a atenção dela, se não na reunião?
Ah, claro! Toda a sua atenção, estava em seus pensamentos, com as divinas comidas do Breadsticks. Fazia alguns dias que a Pierce passava, sempre que podia, no restaurante. Sim, sem duvidas ela havia encontrado o novo amor de sua vida, após a visão do farol (do qual nunca mais botou os pés)... Não sabia muito sobre aquela cozinheira que tanto gostava. Isso ela tinha que admitir, porém, o nome da mulher estava na ponta de sua língua: Alma. E isso já bastava...
E então, sem qualquer aviso prévio, os pensamentos de Brittany foram interrompidos de modo brusco por aquela figura de braços cruzados, apoiada na aresta da porta de madeira da sala.
A Pierce poderia continuar sentada ali, como se não tivesse visto nada, mas a verdade é que os olhos castanho-escuros de Santana pareciam a chamar. Francamente, não se assemelhava muito com um chamado amigável, parecia mais uma intimação, basicamente, Brittany sentia-se obrigada a levantar-se e ir falar com a outra líder de torcida.
Isso tudo, sem mencionar, aquele maldito sorrisinho provocativo — com covinhas — de Santana, que conseguiam tirar a Pierce do sério (mais até do que quando as sobrancelhas da morena arqueavam-se). Quer dizer, era difícil saber realmente qual das características da latina carregava o titulo de “mais irritante”. Mais fácil do que começar a classifica-las, uma por uma, no momento, era apenas aceitar que a mulher era irritante por inteira. Não que isso fosse uma coisa ruim... Espera ai, o que? Brittany respirou fundo, e jogou todo o ar que continha no pulmão, para fora de uma vez só. Olhou para a sua direita, onde Quinn estava.
— Eu já volto... – Avisou pronta para pular se sua cadeira. – Não vou demorar.
— Tá tudo bem? – Fabray perguntou um pouco preocupada, seus olhos verdes direcionaram-se para a porta. – Ah, entendi... Você vai fechar a porta.
— Que? – Ela repetiu a ação anterior de Quinn e encontrou um vazio, Santana sumiu, Brittany cerrou os olhos azuis não se contentando com aquilo, e voltou a falar. – É... Eu vou lá fechar.
A loira levantou de seu banco e direcionou-se até a porta, atravessou-a receosa, olhando de um lado para o outro.
— Oi Pierce... Então é aqui que você se esconde no intervalo? Interessante. – Falou Santana, encostada na parede de tijolos, longe da paisagem visível da janela da sala, e se aproximou com calma. – Você é puritana? Quem diria, eu jurava que você tinha falado que namorava quando a gente se conheceu, e agora essa? Que coisa...
— Eu não sou “puritana”, Santana! Oi pra você também, eu estou bem, obrigada por perguntar. – Disse a loira em tom irônico.
— De nada, Piercezinha. – A morena respondeu na maior cara de pau, seus olhos brilharam um pouco com as próximas palavras. – Adoro quando usa ironia...
Brittany a fitou com desdém, por conta daquela audácia, e Santana revirou os olhos por isso.
— Você disse que não é puritana? – A latina arqueou a sobrancelha e gargalhou. – Tem certeza?
— Sim! Eu não sou! – Brittany praticamente gritou, e cruzou os braços. – Jesus...
Santana espreitou os olhos castanhos, intrigada com a menina.
— Você sabe o que é celibato, Brittany?
— Claro que eu sei! Mas, não sou uma puritana, nem nada disso...
A Lopez achava a situação hilária, mal podia controlar a animação em seus olhos, cada vez mais curiosos.
— Ué! E onde tá a coerência no que diz? Você faz parte do clubinho das puritanas! Você sabe... Né? – Santana riu de novo, e abanou o ar para recuperar o fôlego. – Ou vai você me dizer que, caiu de paraquedas, em um clube de celibato?
Brittany desviou os olhos azuis para o chão, incomodada. Fitou algumas folhas verdes movimentando-se no concreto, e tornou-se pensativa por poucos segundos.
— É complicado...
— Espera ai, Brittany... Eu tava brincando, porque vi umas meninas ali dentro que explicitamente já transaram uma vez na vida... Mas, e você? É virgem mesmo? – Perguntou Santana, sem escrúpulos, lançando-a um olhar meio preocupado agora. – Porque se for, eu retiro minhas piadas e até posso entender, o motivo de você ter ficado meio estranha, em relação ao dia que acordou sem roupa do meu lado...
— Você pode parar de falar sobre isso? – Pediu em tom de ordem, não queria ter que martelar a cabeça de novo para tentar recuperar as memórias perdidas. – E não, eu não sou virgem se quer tanto saber...
Os olhos azuis encontraram os castanhos novamente, e a loira descruzou os braços, relaxando os músculos tensos.
— Entendi... – Santana notificou. – Desculpa a curiosidade, mas, o que tá fazendo nesse clube então? Não faz sentido...
— Acompanhando a Quinn. – Esclareceu Brittany, e aquilo não poderia ser uma mentira já que, em partes, era verdade. – E sobre você ter ouvido que eu namorava, sim, você ouviu certo. Mas, o mais incrível é que você ainda lembra o que eu te falei... Faz muito tempo! Você presta atenção no que as pessoas dizem Santana, estou impressionada...
— Não fique tão surpresa, quando eu tô sóbria lembro tudo... E quem era a pessoa?
— O meu ex?
— Sim.
— David Karofsky.
Santana fez uma cara de nojo e tentou disfarçar.
— Que mau gosto. – Escapou pelos lábios latinos. – Você transou com ele?
— Não! Nunca...
Brittany riu quando observou a jovem Santana soltar o ar que estava segurando, como se lembrasse de algo importante, ela arregalou os olhos.
— Esqueci por um segundo, que você foi pro penhasco fugir das pessoas... – A morena riu, quantas vezes já tinha feito isso? Chegava até a lacrimejar. – Eu te entendo agora, Brittany.
— Se fosse só isso.
Um silêncio estranho se instalou em meio às garotas, Brittany ajeitou o cabelo.
— Santana, seja sincera, o que você veio fazer aqui na frente do clube de celibato? – A loira indagou, não porque queria continuar conversando, podia até ser isso, mas se tratava mais de curiosidade. – O refeitório é pra lá.
Brittany apontou para uma porta que dava acesso aos corredores do McKinley.
— Você tá me despachando, Pierce? – Perguntou em tom brincalhão. – Que grosseria! Não esperava isso de você...
— Lógico que não, Lopez... – Brittany se sentia a própria Quinn Fabray quando dizia aquele sobrenome naquele tom, era estranho. – Só responda a minha pergunta.
Santana encarou as unhas de modo debochado, aquilo não importava, mas a outra queria saber, então falaria.
— Eu queria saber se era verdade que você fazia parte desse clube idiota. Ou seja, missão cumprida.
— Ah... E quem te contou?
— O Puck, ele também mencionou a Barbie 1 e a Barbie 3... Admito que achei muito engraçado saber da existência desse clube! Porque é uma piada! – Ela gargalhou. – Celibato não é uma prática funcional, e para comprovar isso é só olhar dentro daquela salinha cheia de Cheerios. Podiam até mudar o nome para: clube de hipócritas... Não concorda? Quer dizer, você também é uma...
— Eu hipócrita? – Brittany perguntou incomodada. – Sant...
— Sim, super-hipócrita! Você quer voltar a falar sobre isso mesmo? Parece não ser, muito, adepta ao celibatarismo...
— Shh! Para... – Brittany suspirou irritada. – Tchau.
— Você vai pra aula de espanhol hoje?
— Sim.
Santana sorriu como se tivesse dito “Que bom”, e deu as costas para voltar aos dois minutos de intervalo restantes.
— Santana! Só por curiosidade...
A latina olhou a outra pelo canto dos olhos, sem ao menos se virar.
— Sim?
— Quem é a Barbie 3?
— A Kitty, Brittany.
— Faz sentido. – A Pierce assentiu, agradecida, pela outra ter respondido sem gracinhas como era de costume. – Até.
A Lopez deixou o lugar e Brittany voltou à sala do clube de celibato, fechou a porta e sentou-se ao lado de Quinn, alegando ter ido até o banheiro, e a reunião continuou até o sinal tocar.
(...)
— Boa tarde pessoal! Vocês leram o capítulo quatro do livro? Nele há um trecho onde...
— Com licença.
Santana entrou na sala atrasada, interrompendo o professor William Schuester, e acomodou-se tranquilamente na carteira vazia em frente de Brittany. Ninguém queria ficar naquela última fileira, aparentemente, só a Pierce queria se isolar por lá.
A aula já não era das melhores, porque o homem de cabelos encaracolados não possuía fluência alguma no Espanhol, muito menos Brittany, ficar no fundo então: piorava a aprendizagem para ela e qualquer outro aluno presente, mas, também evitava o contato visual com o educador, e como consequência evitaria perguntas e chamadas para algo.
— Queria saber o porquê de você ficar sentando aqui no fundo... – A Lopez confessou, obtendo uma cara de paisagem da loira. – Brittany...
— Que?
— Fico feliz de você ter aparecido. – Sorriu falsamente e passou o dedo na franja da loira. – Eu adoro essa sua franjinha. Já te falei né?
— Vira pra frente!
— Não. – Santana franziu a testa. – Você tá bem?
— Sério, vira rápido! – Implorou a Pierce ficando vermelha de raiva e nervoso. – Rápido!
O professor olhou para as meninas e balançou a cabeça em negação.
— Senhorita Pierce, parece que está entusiasmada hoje, nunca vejo você falar, ainda bem que a senhorita Lopez conseguiu tal feito. – Will sorriu antes de continuar. – Por esse motivo, vou pedir que leia para a sala o capítulo quatro do livro, em alto e bom tom.
Santana olhou para trás rapidamente e encontrou fúria nos olhos azuis.
— Eu te odeio. – Disse a loira abaixando a cabeça para olhar para o livro. – Una vez...
Brittany estava lendo agora, e Santana chocou-se absurdamente com a forma que ela estava fazendo isso, até teve que levar as mãos à boca para esconder as risadas que insistiam em surgir. Nem parecia um texto em espanhol de tão ruim, em determinada parte, a latina riu um pouco, não podendo mais se controlar e a Pierce percebeu.
— Ok Brittany, já está bom. – O professor a cortou. – Obrigado.
— Então, você falou sério quando disse que não gostava de espanhol? – Santana perguntou em sussurros, com o corpo sutilmente virado para trás. – Você é péssima.
— É, eu sei Santana! Agora, cala a boca...
Frustração? Sim, talvez até mais que isso. Muito mais. Era o que Brittany vinha sentindo nos últimos tempos, o fato enlouquecedor que a torturava agora? O cargo de aluna exemplar não fazia mais jus a ela. Que decepção seria para Robert Pierce descobrir, e para piorar: Não demoraria tanto. Em breve, o boletim escolar chegaria à casa dos Pierce, ela temia esse dia.
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