Destino ou não - Brittana
26 Os porquês, em tese
Notas iniciais
Despertar, levantar, tomar banho, trajar-se e descer sorridente para o outro andar.
Até aí, nada de anormal presente na rotina de Brittany Susan Pierce, aparentemente, é claro, porque o universo nunca deixa barato. Ao chegar ao final da escadaria vazada, a estudante respirou fundo pela primeira vez naquela manhã de terça-feira, e as coisas... Bom, as coisas não estavam tão normais assim, a loira tinha dormido bastante na noite anterior, o que não era, necessariamente, sinônimo de coisa boa. Óbvio que não era. Ela capotou e adormeceu, foi assim, mesmo que arduamente, por motivos relacionados a uma pessoa, talvez. Ou a tudo. Depois de ficar passeando com o conversível prata pela cidade inteira, sem saber o que fazer. A garota havia até perdido o seu precioso jantar, mas esse fato não era tão importante se comparado a sua confusão de pensamentos frequentes que, só deixavam-na em total paz de espírito em sono.
Enfim, estava tudo bem agora. Era um novo dia, certo?
Um novo dia é igual a um novo começo. E o passado? Fica no passado. A Pierce deixou o último degrau para trás, com um leve passo, e iniciou a fitar a própria sala de estar vazia e arejada, como o habitual. Paredes brancas e de vidro estruturavam o local, um enorme sofá cinza ao centro e aquela grande televisão fina de cor preta, pousada sobre uma vasta estante de pintura de madeira recheada por objetos decorativos, encostada em uma parede, estava desligada, o que significava que Robert, o adorado pai da menina, ainda encontrava-se no andar de cima.
Estava tão cedo assim?
A garota caminhou até a ampla porta de vidro localizada na lateral do cômodo e a empurrou, ignorando o relógio pendurado ao alto do ambiente, depois de analisar a região, botando os pés, cobertos por tênis super-brancos, no belo quintal de grama. Em seguida, notou o monumental céu neutro acima dos cabelos louros, recém-secados da antiga umidade deixada pelo banho quente que tomara, e então sorriu.
A região, assim como em boa parte de Rosefield, era composta por muitas árvores ao redor, e o vistoso Outono adorava jogar suas formosas folhas sobre o chão descoberto que encontrava em seu caminho. Com isso, verdadeiros tapetes naturais formavam-se, um a um, todos em seu precioso tempo e espaço. Era magnífico assistir. Os olhos azuis desceram aos poucos em direção à piscina retangular coberta por uma lona.
Ela ainda encontrava-se coberta pela lona, depois de meses.
Bom, eventualmente a Pierce via pessoas diferentes limpando a piscina de sua residência, porque Robert não deixava a casa sem seus funcionários nunca, limpeza era tudo.
Brittany pegou seu celular e o desbloqueou, em meio ao silêncio dos ruídos do vento de passagem ao redor, encarando enfim aquele contato, através do vidro do aparelho.
(Digite aqui...)
Ok... E nada veio. E nada foi. Um nada ali, de novo e de novo. Sim, um enorme nada escancarado. Digitar o que? A loira encarou a zona em branco que, servia para escrever um texto qualquer para outro ser humano. Espaço, botões, letras, números... Mas, ela simplesmente não conseguia digitar uma palavra sequer, para enviar ao tal contato selecionado, nem um mero “oi” para iniciar uma conversa virtual, como naturalmente poderia fazer, sem problema algum, há dois dias. E por quê? Hum, não era por falta de vontade, nem por raiva, tristeza ou... Ou... Então: ela lembrou-se na hora.
“Você é uma hipócrita de merda, sabia?! Quer que eu te conte sobre o que aconteceu no farol, né?! E até hoje não me disse o porquê você odeia o seu sobrenome ou o porquê de ter fingido não me conhecer lá no primeiro dia de aula. Vamos Brittany, você consegue me dizer? Talvez, a sua amnésia não te permita responder... Mas é tão simples, por que não tenta? E aí nós podemos conversar.”
Claro, era porque Santana Lopez não era uma pessoa fácil de lidar, nem de encarar, nem de ficar perto. E talvez a loira não estivesse pronta para dizer os porquês, pois precisava entendê-los primeiro...
Talvez, Brittany não devesse mandar mensagem nenhuma para ninguém e ponto, fim. Talvez, conversar cara a cara com a latina no colégio fosse melhor que isso, já que não faltava tanto tempo para tal evento. Talvez, não vê-la nunca mais fosse o melhor para ambas, se isso fosse uma opção. Talvez, até ignorá-la de vez fosse disparado o melhor de todos... É, afinal, Santana era uma mentirosa, e ela não podia esquecer-se disso. Ou talvez, apenas conversar com a outra líder de torcida, olho no olho, fosse a atitude correta e a que carregasse o titulo de “a mais ideal de todas”. Confusão, essa era sua única certeza.
Suspirou...
Mas, tudo era difícil de executar, ao que tudo indicava, mesmo que fosse tempestade em copo d’água de sua parte. Havia a alternativa de voltar no tempo em sua listinha de opções? Não que isso importasse. Não. Pois, nem mesmo isso a loira parecia querer fazer agora.
— Senhorita Pierce? – Ela ouviu uma voz masculina a chamar, enquanto olhava o seu reflexo através da tela apagada do celular. – Quer dizer Brittany, perdão.
— Oi, Vitor. – A garota respondeu, virando-se em direção a porta de vidro, sorriu simpaticamente. – Tudo bem?
— Claro. E você? – O homem tranquilizou-se ao perceber Brittany assentir rapidamente. – Bom, vim pedir para que a senhorita venha provar uma receita maravilhosa que eu estava com a ideia de fazer há dias para o café da manhã. Você e seu pai vão adorar!
— Ah...
Era fato que Robert adoraria, ele simpatizava com loucuras da culinária. Brittany sorriu sem graça continuamente, o cozinheiro parecia tão feliz de anunciar isso, e por mais que ela tivesse certeza que não iria gostar da suposta comida feita por ele, era difícil fugir das propostas de café da manhã que ela recebia frequentemente, porque a loira sentia-se culpada de certa maneira, quando negava. Afinal, ao que tudo indicava, Vitor amava cozinhar, e quiçá fosse frustrante perceber alguém odiar sua “obra prima” feita com tanto carinho e paciência.
— E então, o que me diz?
Brittany poderia facilmente jogar as mãos para o alto e ir ao Breadsticks acabar logo com aquilo, como fazia sempre que queria despistá-lo. Entretanto, o bairro responsável por abrigar o seu restaurante favorito de Rosefield, tinha toda uma essência da Lopez, e porventura, ela devesse comer em sua residência para variar. Não é? Que os Deuses dissessem que sim, porque era isso que ela faria, havia se decidido, mesmo com a guerra incessável em seu interior, pedindo que “não” sem parar.
— O que você preparou de tão especial, Vitor?
— Bruschetta! Uma prato super-leve e italiano, fantástico! Você conhece Brittany?
Olhos azuis arregalaram-se no decorrer das palavras saindo dos lábios do homem.
— Érr... Sim, sim. Claro! – Brittany tentou disfarçar sua careta e gaguejo. Se aquele prato mencionado fosse temperado em excesso seria uma verdadeira catástrofe alimentícia, mas tudo bem. Ela caminhou até a porta sorrindo, e adentrou sua casa aos olhares cheios de expectativa do funcionário. – Tudo bem... Eu aceito tomar o seu café da manhã hoje, Vitor.
— Magnífico!
(...)
O processo de degustação do café da manhã, por parte de Brittany, estava bem mais lento do que o normal. Sentada à mesa da cozinha, perto da janela, a loira se deu conta que sempre soube que seu experimento teria os resultados previstos.
Vivendo e aprendendo, sim?
Engolir a comida estava difícil, então ela parou, já havia se forçado demais para o próprio gosto. Empurrou o prato branco, com o resto do café, discretamente para frente, enquanto Vitor ocupava-se de limpar a bancada próxima ali, e levou um guardanapo a boca tampando-a.
Ufa!
A pergunta agora era: O que tinha em mais excesso na simples receita servida, era pimenta, sal, manjericão ou orégano? Todos eles, talvez? Não engasgar tratava-se de uma tarefa complicada. E a outra pergunta que surgira ao longo da ponderação da menina foi: Por que Vitor, o cozinheiro, tinha tanta fixação por exagero de temperos? Brittany tomou, desesperadamente, um gole de suco de morango para molhar a garganta irritada. Seguidamente, seu raciocínio foi cortado, quando uma mulher surgiu na cozinha rindo e tomando toda a atenção dos olhos azuis para si, o copo foi solto na mesa.
— Não, não Robert! O Bryan só é um cara realmente sonhador, eu admiro isso nele...
A garota observou quieta a entrada de Holly Holliday e seu pai no cômodo, felizes e falantes, e aquilo era estranho por lá. Quer dizer, era a primeira vez que Robert trazia uma namorada para passar a noite em sua casa, até onde ela lembrava. E a situação estava a incomodando muito no instante, e sim, Brittany havia gostado da nova namorada de seu pai e tudo mais, todavia não esperava que fosse acontecer tão rápido... Deus! Ela estava sendo egoísta de novo?! Droga. Alguma coisa estava errada nos ares da cidade, francamente. E ela nem podia culpar o Halloween desta vez.
Pare de pensar tanto, Pierce!
O melhor era: ela ir logo para o McKinley. O dever a chamava. Segue-se a rotina. Brittany levantou rapidamente de seu assento, antes que continuasse pensando.
— Bom dia, Brittany! – Holly falou, animada. – Tudo bem?
A loira mais velha estava vestida com roupas sociais e bem passadas, trabalhava no mesmo ramo que Robert. Estaria ela já guardando suas coisas pessoais na residência dos Pierces, como quem se muda para a casa do cônjuge? Difícil não se perguntar.
— Oi Holly... Bom dia, eu estou bem sim. E você?
— Que bom, eu estou ótima! – Ela sorriu e piscou, adoravelmente, depois chegou perto do cozinheiro Vitor. – Tenho que te elogiar de novo. Nunca vou me esquecer do jantar de sábado, definitivamente.
— Ah, obrigado senhorita Holliday! Não foi nada.
— Já falei que pode me chamar de Holly, eu não estou trabalhando, por favor.
Eles riram. Não era possível, claramente o problema ali devia ser Brittany, pois aparentemente só ela não apreciava o toque culinário de seu cozinheiro. Robert aproximou-se enfim e depositou um beijo na bochecha da filha.
— Já está saindo?
— Sim. Eu tenho... Tenho que chegar mais cedo hoje, é isso.
— Brittany? – Seu pai cerrou os olhos, desconfiado. – Diga a verdade. Tá tudo bem?
— Tá sim, sério. Tchau pai! – Ela passou por ele desviando o olhar, virou para trás, sorriu e acenou para a outra mulher que, se encontrava de olhos entreabertos para a Bruschetta servida, bom, talvez elas se entendessem. – Tchau Holly... E Vitor!
— Tchau!
(...)
“Hit me baby one more time...”
Apenas Britney Spears podia alegrar Brittany de suas chatas reflexões, e por isso, ela esperou Baby One More Time acabar de tocar naquele rádio, antes de sair de dentro do conversível prata, no estacionamento despovoado, temporariamente, do colégio McKinley. E quando estava prestes a subir as escadinhas que davam em direção aos prédios escolares, após deixar o veículo para trás, vozes tiraram-na a concentração.
— Não! Não! – Um garoto gritava sem parar. – Por favor, não! Eu imploro!
O que estava acontecendo? Pessoas estavam rindo também. E ela tinha certeza que conhecia a voz que gritava. Todas as vozes falantes até então, aliás. A loira até continuaria seu caminho, se aquilo não estivesse tão bizarro, logicamente. Ela parou, deu meia volta e passou a seguir o som duvidoso, chegando a uma parte isolada do estacionamento, onde existia uma enorme lixeira da instituição. Tudo foi extremamente rápido, Brittany viu uns garotos do time de futebol em torno da caçamba, animados, jogando algo dentro da mesma, e as gargalhadas aumentaram.
— O que tá acontecendo aqui? – Ela perguntou perplexa, ao ouvir gemidos masculinos vindos da lixeira e mais ainda ao notar o ex-namorado, entre os homens, virando-se para ela. – David?!
— Ah, oi Brittany. Como vai? Estamos fazendo uma faxina...
— Sujou! – Um dos garotos gritou, e saiu correndo junto a outros dois. – Vamos, vamos!
— Vocês não são homens de verdade mesmo! – Karofsky gritou e apontou para os fugitivos. – Seus covardes! Com medo de mulher?! Que vergonha.
— A Pierce vai te ferrar cara! – Um deles afirmou agitado. – Vem logo! Desculpa aí, Brittany, de verdade.
— Não! – David exclamou. – Ela não vai não.
— Foda-se, nós estamos fora.
Apenas dois jogadores permaneceram junto a Karofsky, como cães de guarda, Brittany correu em direção à lixeira e se certificou de que os jogadores haviam atirado uma pessoa ali, em meio aos resíduos. Bingo! Ela até o conhecia, era um membro do clube Glee, ele era bonito e mais novo que ela, e agora, parecia machucado e abalado.
— Meu Deus David, o que vocês fizeram com ele?!
— A gente só tava ensinando uma lição a esse lixo do Glee, Brittany. Pra ele aprender a ser homem de verdade e sair desse clube de garotinhas.
— O que está dizendo?! – Brittany abaixou o tom de voz com as próximas palavras. – Tudo bem com você... Blaine, não é? – O garoto ferido assentiu e pronunciou um “estou bem”, levantando o tronco, com ajuda da mão direita da líder. – Ainda bem...
— Tô dizendo que o lugar desse bicha imundo é no lixo! Simples.
Brittany arregalou os olhos e seu coração disparou violentamente, bastou ouvir a agressividade da frase emitida. Logo, ela sentiu Blaine segurar forte sua mão. Posteriormente, lançou-a um olhar cúmplice, ficaram calados.
— Quando esse gay aprender que o homem foi feito pra mulher, e vice-versa, talvez, a gente deixe ele em paz, não é? – Os outros concordaram. – E eu espero que ele pare de dar em cima dos caras, ninguém curte essa nojeira... Urgh, ele merecia era morrer!
O garoto riu alto, acompanhado pelos dois colegas.
— Vamos embora, galera. – Ele pediu, e começou a andar para longe dali junto aos outros jogadores de futebol, contudo, antes de sumir de vez olhou para a loira. – Só uma coisa, eu sei que você salvou a Santana Lopez da suspensão chamando o seu pai rico e tal, mas é melhor você não entrar no meu caminho... Nos vemos por aí.
A estudante respirou fundo, enquanto ajudava Blaine a deixar a extensa lixeira.
— Ok... Ok... – A loira levou as mãos ao rosto pálido do menino, com excesso de gel nos cabelos, e observou as feições dele. – Você tá bem mesmo? Nós precisamos avisar alguém sobre... O s-seu nariz!
— Eu estou bem. – Ele se esquivou, e passou a mão pelo nariz, depois alcançou seus pertences no lixo. – Não vamos avisar ninguém, ok?
— Como assim? Olha o que eles fizeram com você. Eu...
— Não... Você não vai fazer nada. Obrigado Brittany, de verdade, mas não se meta nisso.
— Mas, Blaine...
O Anderson se equipou da bolsa marrom estilosa (modelo carteiro), e encarou a loira.
— Você não escutou o Karofsky, Brittany?!
— Eu não tenho medo dele...
— Você devia ter! Ele é doente. – O garoto suspirou, percebendo o recém-fedor de suas roupas, e a nova dor em seu nariz e abdômen, segurou o choro que tanto queria sair. – E-eu, vou... Vou pra casa, ok? E não... N-não fale pra ninguém que me viu hoje... Argh, sério, por favor.
Blaine deixou Brittany sozinha, sem olhar para trás, mãos no abdômen, antes que ela pudesse falar qualquer coisa a ele. Então, finalmente, a Pierce voltou ao seu caminho, tentando ignorar os últimos acontecimentos da manhã, subindo as escadinhas, passando pelo pátio, e chegando aos corredores. Era só ela não pensar em nada que ficaria tudo bem, logo, logo.
Andar, andar e andar.
Porém, as coisas não estavam bem. E ela teve mais certeza disso quando seus olhos encontraram e assistiram Santana Lopez pegando o material nos armários, Puckerman chegou à morena, do nada, e entregou-a uma caixa, sorridente. Por que Brittany não conseguia respirar direito? O jovem coração disparou de forma terrível pela quarta ou quinta vez no dia, na realidade, já havia perdido as contas.
“Quando esse gay aprender que o homem foi feito pra mulher e vice-versa, talvez, a gente deixe ele em paz, não é? E eu espero que ele pare de dar em cima dos caras, ninguém curte essa nojeira... Urgh, ele merecia era morrer!” Foi o que Karofsky disse há alguns minutos. Será que todos de Rosefield pensavam assim? A cidade parecia deveras perigosa e retrógrada agora, e de quebra, bem mais odiável do que nunca, era triste.
Ela olhou para o outro lado do corredor e seus olhos azuis cruzaram por segundos com os de Sam Evans, que falava com Quinn Fabray, ele a viu prontamente, ameaçou acenar, estava levantando o braço, mas ela negou com vigor, balançando o pescoço para os lados: não queria que Fabray a seguisse, Sam parou. Ele havia entendido o recado. Brittany saiu da escola em seguida, freneticamente, e voltou ao estacionamento, até as escadinhas especificamente, onde sentou, no concreto, nervosa.
(...)
— Brittany?
A loira olhou para trás, rapidamente, ao ouvir seu nome. Parece que ela não ficaria sozinha tão cedo naquele colégio, forçou-se a sorrir por um segundo para a pessoa em seu campo de visão.
— Oi Sam... O que você tá fazendo aqui? – Ele não respondeu tão ligeiro como previsto, quer dizer, como ela queria que fosse então, voltou a olhar para o estacionamento parado, suas mãos apoiadas no concreto, suspirou e permaneceu falando continuamente, quase que atropelando as próprias palavras. – A Quinn, por acaso, te viu vindo pra cá? Ou alguém mais, ou sei lá?
— Não... Eu acho. – O garoto respondeu, descendo alguns degraus e sentando-se ao lado da Pierce, tirou as mãos do bolso da jaqueta atlética e pousou-as na calça jeans. – Tá tudo bem com você? Você saiu correndo de lá de dentro.
— Claro... Tudo bem, sim.
— E entre você e a Quinn tá tudo bem também?
— Sim, tá sim. Não é nada com ela. Eu só... Só...
Brittany não conseguiu dizer, só pensava em Santana, Karofsky, Blaine e todo o bolo de dor de cabeça.
— Você não parece bem desde o Halloween, na verdade. Aconteceu algo com a Santana...
— Não, não, nada com ela! – Brittany o cortou afobadamente. – É que... É que... Eu não sei se a Quinn entenderia... Eu... Só quero ficar sozinha, só isso, eu vou entrar na próxima aula.
— Ah, entendi. Mas, às vezes a resposta não é essa. Dizem que nós temos que nos cercar de pessoas que nos amam e...
Olhos azuis encontraram Evans, sem demora.
— Olha Sam, eu já falei que...
— Calma, calma! – Ele riu. – Você não precisa se preocupar com o que nós conversamos semana passada. Tá tudo bem por mim, ok? Somos amigos.
— Obrigada.
Eles sorriram genuinamente.
— Agora, se você se sentir a vontade de falar, você podia dizer pra mim o porquê saiu correndo do corredor, parecia o Flash.
A Pierce desviou o olhar, sorriu mais uma vez e assentiu, observando o chão.
— Você já sentiu como se não tivesse controle sobre nada, Sam? Como se... A incerteza guiasse a sua vida?
— Claro que sim, sempre. Lembra aquilo que nós conversamos no seu carro? Seja lá o que estiver te incomodando tanto, vai melhorar.
— Hum, você diz como se fosse uma lei da física.
— E talvez seja.
Não demorou muito para outra voz surgir no ambiente.
— A-ha! Achei vocês. – Fabray gritou brotando atrás das escadas. – Atrapalhei alguma coisa?
— Não. – Brittany olhou para a outra loira e logo se aproximou de Sam, para cochichar as próximas palavras. – Achei que tinha dito que ninguém te viu vindo.
— Eu posso ter me enganado.
— O que vocês estão fazendo, afinal? O Sam saiu correndo do corredor! Alguma novidade pra me contar?
— É assim que você acha que ninguém vai te ver Sam? – A líder perguntou com cara de deboche. – Hein?
— Erro meu, desculpa.
— Hey! Vocês vão me responder?
Os loiros levantaram da escada às pressas, encararam a capitã que, encontrava-se com as mãos na cintura e as sobrancelhas franzidas, e assim subiram a curta escada.
— Vocês estavam pensando em cabular é?
— Oi Quinnie... Na verdade, sim.
— Que feio, enfim, tá tudo bem com você, Britt? – A garota perguntou abraçando a outra, finalmente. – Suas mensagens monossilábicas me deixaram muito preocupada, sabia? Você some e depois aparece com respostas daquele jeito.
— Desculpa... Eu tava um pouco ruim ontem por causa da festa.
— Eu sei porquê... – Quinn afirmou afastando-se. – É culpa da Santana, eu tenho certeza. Ela deve ter sido uma grossa ou coisa do tipo, típico. Mas, o que foi dessa vez?
— Nada não. Eu só fui na casa dela devolver as coisas e saí.
— Sério? – Quinn perguntou desconfiada e a Pierce confirmou. – Ok... Então, vamos pra aula!
— Pelo jeito a gente não pôde escapar dessa Brittany, eu tava até feliz de pensar em não ter física hoje.
A Pierce fingiu lamento junto ao amigo.
— Sammie, você devia ter vergonha de falar isso. – Quinn disse entre risadas, e enlaçou os braços nos dos outros loiros, ficando no meio deles. – Vamos.
Eles começaram a andar.
(...)
— Ah, então quer dizer que o tema da semana dessa vez é “os males do tenebroso álcool”, Berry? Interessante.
Santana destrancou o armário, com Rachel ao lado, jogou o material dentro do espaço e passou a ajeitar as coisas presentes no mesmo.
— Sim!
— Hum, vejamos... Existe: ressaca e amnésia alcoólica. De resto, eu não vejo problema algum.
— Como se esses que você citou já não fossem problemas de mais, né.
— Porém, eu estou viva não estou? Então a gente releva isso. Esse tema é meio porcaria, no fim...
— Não é não! Bom, mas o que você tá pensando em cantar, Santana?
— Eu? – A morena trancou o armário rindo e enxergou a baixinha ao lado de si. – Ué GnoBerry, eu não sou cantora querida... Falando nisso, você já perguntou o que a Mercedes vai cantar? Ela deve ter uma música maravilhosa na ponta da língua.
Rachel franziu as sobrancelhas incomoda com a provocação da líder de torcida.
— Santana, primeiro...
Rachel começou a falar. Blá-blá-blá, sonho, Broadway, estrela. A Cheerio ignorou completamente a parceira de química, quando enxergou Brittany junto a Fabray nos armários ao fim do corredor.
— Até mais anã, nos vemos no clubinho arco-íris.
— Espera aí! Você escutou o que eu falei?
— Não, eu sei que não é importante. Tchau! – Santana deixou-a para trás, e chegou até as loiras que eram mira dos olhos castanhos. – Olá, Barbies!
— Olá, Lopez! Tava demorando pra você aparecer, né? Mas, como pragas sempre surgem, eu não duvidei e mantive as esperanças.
— Own, que amor, Fabray.
— Oi Santana. – A loira mais alta cumprimentou claramente desviando os olhos azuis para longe. – Tudo bem?
— Eu quero falar com você, coração... – Santana disse, ignorando a pergunta e apossando-se de uma mão da garota. – A sós.
— Ah, não, eu não acho que...
— É sobre aquele assunto de ontem, Brittany.
— Olha Satã, acho que a Britt nitidamente não está querendo ir, deixa ela em paz.
— Você vai me contar... – Olhos azuis encontraram castanhos, e as garotas permaneceram com as mãos unidas. – A verdade, Sant?
— Sim, pela nossa grande amizade.
— Do que é que vocês estão falando? – Quinn indagou confusa. – Gente?
— Não te interessa, capitã-curiosa. – Santana sorriu de forma provocativa, e voltou a fitar olhos azuis. – Vamos?
— Ok. Até depois, Quinnie!
Pois é. Fabray assistiu as líderes de torcida, afastarem-se, e ficou indignada com o fato de que mesmo que Santana tivesse supostamente magoado/irritado/ou algo assim Brittany, a mesma, aparentemente, sempre a trocava-a pela latina por qualquer motivo. Como isso era possível? O mundo é estranho, não dava para entender. Quer dizer, até dava, porém Lucy estava negando ver os sinais evidentes exalados pela amiga que, no fim, ela já aparentava entender.
(...)
— Nós podemos entrar na estufa sem ser do clube de jardinagem, Santana?
— Não faço ideia, mas como eles deixaram aberto, o azar é todo deles.
— Ok.
A loira observou as plantas ao entorno, e caminhou. Elas eram bem cuidadas, e extraordinariamente verdes, com cheiros exalados muito bons, e existiam flores por lá também, tão lindas e cheirosas. A estudante parou, ela não estava ali para apreciar a paisagem ou os cheiros, virou-se decidida.
— Então? – Brittany questionou, encarando olhos castanhos. – Pode começar.
— Eu começar, Britt-Britt? — Santana cruzou os braços e começou a andar pelo jardim, séria. – Achei que tivéssemos um acordo.
— Acordo? Como assim?
— É. Um acordo... Eu falei que só ia te contar sobre o farol se você me dissesse alguns porquês.
— Ah, entendi. Você só funciona na base da chantagem...
— Isso não é chantagem, coração. — Santana parou em frente à Brittany. – É troca de informações.
— Chan-ta-gem.
A latina riu com a forma que a Pierce disse pausadamente e com entonação. Malditas covinhas maravilhosas! Brittany desviou o olhar, corada.
— Chame do que quiser.
— O que você quer saber?
— Hum, por onde eu começo Britt-Britt? Talvez, pela parte do seu sobrenome.
A garota mais alta suspirou, olhou para a Lopez e aceitou.
— Quando eu vim morar aqui, meu pai fez uma entrevista para o jornal local de Rosefield... No dia seguinte, todos da escola estavam me tratando diferente, como se já me conhecessem e vinham fazer perguntas fúteis vinte e quatro horas por dia, e sei lá... Eu nem tive a oportunidade de conhecer as pessoas, por mim mesma sabe... Eu sei que é besta, mas enfim.
— Entendi. O mais impressionante de tudo é que Rosefield tem um jornal.
Elas riram.
— Olha Piercezinha, besta não é. Mas, dramático? Talvez. Vamos para a próxima...
— Espera! Próxima? Até onde eu sei uma informação é o bastante para conseguir outra.
— Não pra mim.
— Você é uma trapaceira, Santana!
— Shh... – Santana colocou um dedo sobre os lábios finos e sorriu ao notar o silêncio abrupto da outra, afastou-se. – Agora, eu quero saber o porquê você fingiu que não me conhecia no primeiro dia de aula.
— Ah, essa é fácil. Eu não queria ter que falar do farol pra Quinn, lá era um lugar que eu ia para me esconder, você sabe. Então, eu queria manter em segredo.
A Lopez arqueou uma sobrancelha, cruzou os braços novamente e riu.
— E quem disse que você precisava falar sobre o farol?
— Eu conheço a Quinn, ela ia perguntar onde a gente se conheceu, com certeza.
— Era só você inventar outro lugar, tipo a praia. Não deixa de ser verdade.
Brittany riu.
— Ah claro! E se você tivesse a brilhante ideia de fazer o mesmo, Sant? Assim foi mais fácil, foi certeiro.
— Ok, ok. – Santana levantou os braços. – Você me convenceu.
— Sua vez. – A loira enunciou, engolindo a seco, temendo as próximas revelações partidas da outra. – O que aconteceu no farol?
— A gente arrombou a torre do farol e depois você tirou a roupa dançando I'm A Slave 4 U, basicamente foi isso. É tudo o que eu lembro.
Olhos azuis arregalaram-se.
— Quê?! Eu o que, Santana? Eu nunca arrombaria um lugar, eu nem sei como faz isso...
— Ora, mas eu sei.
— Hã?! Meu Deus, Santana! Isso é errad...
— Nós já passamos por isso, você já pode parar.
Brittany abriu a boca algumas vezes e não conseguiu dizer nada.
— Se quiser saber onde eu aprendi a arrombar fechaduras, vai ficar querendo.
— Não, pode acreditar que eu não quero saber... Você... Você disse que eu tirei a roupa dançando Britney, certo?
— Sim. Parecia uma louca fazendo strip-tease do nada, até me assustei.
— Ah... Desculpa. Eu não...
A Pierce ruborizou e olhou para as plantas ao lado de si.
— Você se lembrava disso quando eu peguei o meu celular com você?
— Não muito. É que eu sempre acabo me lembrando das coisas que aconteceram comigo no meio tempo em que fico bêbada, é engraçado. Não importa o quanto demore, as minhas amnésias alcoólicas são temporárias.
— Entendi. – Brittany falou arqueando as sobrancelhas surpresa, ela não sabia se achava isso bom ou ruim, já que significava que mais cedo ou mais tarde: Santana se lembraria do beijo que ambas deram na festa de dia das bruxas, e talvez ela estivesse morrendo por conta de seus sentimentos confusos. – Ah, eu nem perguntei se você está melhor da ressaca de ontem.
— Estou sim, parece até que eu renasci.
A loira recordou-se da cena que viu mais cedo, quando Noah Puckerman entregava uma caixa para a morena, e não conseguiu conter a curiosidade.
— Santana, me desculpa a curiosidade, mas por que o Puck te deu uma caixa hoje?
— Ah, aquela caixa? Eu tinha até esquecido disso, não sei o que é ainda. Mas, é por causa do meu aniversário. Eu devo ter contado pra ele em algum momento em que estava bêbada.
— S-seu aniversário?
— É.
— É hoje?!
— Não Pierce, foi ontem.
— Ontem?!
— Sim coração, por que a surpresa?
— Parabéns, atrasado! – A estudante disse envolvendo a morena num abraço espontâneo, que a fez sorrir, a loira era uma pessoa tão gentil e suas ações eram sempre tão ilegíveis aos olhos castanhos que não surpreender-se era impossível. – Me desculpa por gritar com você ontem San, exigindo verdades. Você estava de ressaca e era seu aniversário ainda por cima. Desculpa por isso...
— Tá tudo bem Brittany, concordemos que eu provoquei, né.
Elas riram e ficaram por um momento em completo silêncio de respirações harmônicas. Oh Deus, Brittany não queria sair dali de novo. Entretanto, ela forçou-se a fazer, do contrário só Deus saberia o que ela poderia fazer com aquele ser maravilhoso que a Lopez era. Gostar dela não era o certo.
— Então... – Brittany quebrou o abraço dando alguns passos para trás e olhou para a morena. – Você comeu bolo ontem?
— Não. Eu fiquei deitada o dia inteiro. Comi umas torradas e tomei chá, ah, e tomei remédio também. – Ela riu. – Não foi um dia muito doce.
— Como assim?! Não podem faltar bolos em aniversários, Santana.
— Mas, eu não comemoro meu aniversário há algum tempo. E sinceramente, eu sempre uso o dia das bruxas pra preencher isso, então tá ok.
— Então meu presente vai ser isso.
— Quê? Do que está falando Brittany?
— Meu presente de aniversário pra você será um bolo. Quer dizer, depende de quantos você vai querer.
Santana encarou Brittany com cara de paisagem, como se a outra estivesse falando grego.
— É que tem uma bolaria na cidade, eu quero te levar lá. Você vem?
— Ah, tem é? – Santana perguntou entre risadas. – Isso é sério?
— Claro que sim. Vamos mais tarde?
— Não vai dar. Lembra que eu comentei que meu pai arrumou um emprego pra mim? Eu começo o “teste” hoje.
— E que emprego é esse? Você ficou de me dizer.
— Garçonete no Breadsticks.
Brittany passou a ter um sorriso estampado no rosto.
— Ah sim! – Ela tentou segurar a gargalhada, por conta das feições da outra. – Você vai ficar muito bem de garçonete, Sant-Sant.
Olhos castanhos arregalaram-se com a ironia e Santana sorriu.
— Você tá me zoando riquinha Pierce, você me paga...
— Claro que eu vou pagar! Bom, que horas você sai do “teste”?
— Não faço ideia.
— Ah, não importa. Eu te espero e nós vamos até a bolaria que eu falei, depois.
— E se eu não gostar de bolos, hein? Você nem me perguntou, tsc, tsc, tsc.
— Você gosta de bolos Santana Lopez?
— Ah... – A líder balançou a mão ao vento. – Mais ou menos.
— Mais pra mais ou mais pra menos?
— Vai se ferrar, Brittany! – A Lopez pronunciou gargalhando, pegou a mão da loira e começou a andar. – A gente tem que ir almoçar, antes que dê a hora do clube-Berry. Ela me disse que o tema da semana é: males do álcool. Deve ser ironia do universo sobre nós.
— É... Enfim, você aceitou o meu convite ou não?
— Ah, se é você que vai pagar por mim tudo bem.
— Claro.
A mais alta riu, e elas saíram da estufa soltando as mãos.
— Hey Britt, tem mais uma coisa que eu queria te perguntar.
— O que é?
— O que aconteceu na madrugada de Halloween? Você me pareceu meio estranha falando disso ontem. O que eu tinha que saber?
A imagem de Karofsky surgiu à mente da loira e ela começou a sentir o estômago embrulhar só de pensar no que poderia acontecer caso ele, ou o resto da escola, descobrisse que ela havia beijado uma garota. Até mesmo a reação da latina a preocupava. Se bobeasse, talvez fosse a que mais a preocupava. Bom, talvez ela devesse ocultar isso mesmo, sigilo total, afinal elas podiam viver sem isso certo? Eram grandes amigas, só. Ela não falaria nada.
— Ah, nada não.
— Sei...
— É que... Apareceu uma barata no seu banheiro e você ficou gritando, só isso.
— Uma barata?! E ela foi pro meu quarto?
— Não Santana, eu matei antes disso.
— Nossa! Essa doeu no meu coração. – Santana levou a mão ao peito, parecendo aliviada. – Obrigada, Britt-Britt.
— De nada.
(...)
Brittany encontrava-se no sofá de sua casa, zapeando através dos canais chatos e repetitivos de sua televisão, naquela noite, quando seu celular sobre o assento apitou duas vezes, em sinal de novas mensagens.
[Santana]: Hey, você! [9:30 p.m]
[Santana]: Muito tarde agora? [9:31 p.m]
[Brittany]: Não! Então você tá viva ainda? Parabéns. [9:31 p.m]
[Santana]: Haha, claro que sim ¬¬ [9:31 p.m]
[Brittany]: Hum :P Que bom! Posso ir te buscar? [9:32 p.m]
[Santana]: Sim. [9:32 p.m]
A estudante sorriu e levantou indo atrás das chaves do conversível. Logo, deixou o condomínio de casas e dirigiu até a residência de Alma Lopez, estacionando ao lado da calçada. Não demorou, para que Santana entrasse no veiculo e elas chegassem a tal bolaria que Brittany falara, pelo caminho conversaram sobre o novo emprego da morena.
Elas desceram do automóvel.
— Nossa... Você tava falando sério, tem uma bolaria em Rosefield, quem diria.
— Sim. – Brittany riu. – Por quê? Achou que fosse mentira? Eu não sou você.
— Não sei o que quis dizer com isso, coração. Mas, é, achei, vai saber o que se passa na sua cabeça. Eu nunca vim pra esse lado da cidade... Agora só resta saber se a bolaria é boa.
— Não se preocupa, é sim.
— Ah, então você já veio aqui?
Elas passaram pela porta do estabelecimento comercial, empurrando-a.
— Já, uma vez, nas férias com a Quinn.
— Lucy Quinn Fabray frequenta esse lugar? – Santana indagou de maneira debochada, e acompanhou Brittany em uma mesa. – Não deve ser tão boa assim.
— Você para, Sant.
— Não. – Ela riu. – E agora?
— E agora que você vai escolher o bolo que quiser.
— Não, Pierce. Assim não tem graça. – Santana deu uma boa olhada ao redor. – Vamos ver... Qual sua cor favorita?
— Não sei... – A loira corou, pois sua cor favorita nos últimos tempos era a tonalidade exata dos castanhos olhos da outra, todavia ela tinha que falar alguma coisa. – Rosa, eu acho. E a sua?
— Vermelho. – Olhos castanhos encontraram azuis, e lábios carnudos sorriram. – Bom, parece que vamos ter que começar pelos sabores de cores quentes então.
— Ah! Ótima ideia. Dá pra gente comer muita coisa já que eles vendem pedaços pequenos também.
— Por isso mesmo.
(...)
O último bolo era o mais difícil de comer, por conta do estômago cheio das garotas, porém era o mais saboroso também, pois se tratava do famoso e simplório bolo de chocolate, sem dúvidas o melhor de todos. Santana deu uma última garfada no doce de seu prato e passou a fitar a loira que comia devagar, sorriu.
— Que foi?
— É que eu tava pensando Britt-Britt... A gente sempre acaba em algum lugar comendo juntas no fim. – A Lopez riu. – Talvez nossa grande amizade seja isso.
— É mesmo...
— Ou talvez, você seja a gula em pessoa.
— Ah é? – Brittany continuou mastigando e engoliu a comida, sorriu após a ação, Santana queria citar os sete pecados capitais? Que peculiar. – E você seria o que, Sant? A ira? Ah, já sei, o orgulho né?
Santana entrelaçou os próprios dedos e se inclinou frente à mesa, cerrando os olhos.
— E se eu for a luxúria?
— H-hã?! – Brittany quase engasgou, alcançando um copo d’água e tomando o líquido. – Érr...
— Eu tô brincando. – Santana riu da reação da loira e encostou-se ao assento novamente. – Você é muito bobinha, degustadora slow-motion. Então, eu devo ser a ira. Orgulho claramente é a Fabray.
— Não acho.
— Você não tem que achar nada, é a verdade.
— Ok, então.
— Terminou?
— Sim.
Elas levantaram de seus lugares e direcionaram-se ao caixa, onde Brittany pagou a conta. Posteriormente, as líderes de torcida adentraram o conversível prata e não demorou muito para o mesmo chegar em frente à casa que Santana habitava.
— Obrigada por hoje, Brittany.
— De nada... Espero que seus bolos de aniversário atrasados tenham sido bons pra você.
— Ah, sim. – Santana assentiu, enquanto aproveitava o som do rádio. – Foram os melhores.
— Fico feliz de saber.
“Scar tissue that I wished you saw...”
— Qual o nome dessa banda que tá tocando mesmo? – Santana perguntou em certo momento e abriu o porta-luvas, distraída com a melodia. – Red o que?
— Red Hot Chili Peppers.
— Isso!
— É só se lembrar de pimentões quentes.
A Lopez riu e fitou a bandana que Brittany havia usado na festa do dia das bruxas dentro do porta-luvas, apanhou-a.
— Uma pirata sempre é uma pirata, não é? Você ficou ótima com isso.
— É, achei até que você quisesse roubar ela de mim.
Elas riram.
“Close your eyes and I'll kiss you 'cause with the birds I'll share...”
Olhos castanhos começaram a olhar fixamente para o pano vermelho em posse e então ela passou a resgatar da memória certas coisas sobre o último dia de Outubro.
— Ahn... – Ela engoliu a seco e permaneceu olhando para as bolinhas estampadas na bandana. – Brittany?
— Que, San?
— Eu lembrei o que aconteceu entre a gente.
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