Destino ou não - Brittana
25 Lembranças perdidas
Notas iniciais
Seis meses atrás...
É. Definitivamente nada fazia sentido no mundo. Ou era só o sedutor-álcool sagrado de todos os dias que, ajudava-a a pensar isso, várias e várias vezes? No fim, não importava. Aliás, que se danasse tudo! Afinal, as pessoas são, naturalmente, uma completa bagunça-ambulante de sentimentos bestas e confusos. Todas elas, sem uma única exceção.
Triste? Não, na verdade, relativo aos olhares alheios, mas de qualquer forma, verídico.
Era uma droga o fato de Santana não conseguir permanecer em qualquer ambiente sem brigar com, pelo menos, um ser humano existente nele. Sendo essas “brigas” feias ou não, elas sempre existiam. E mais, essas fulanas as seguiam por toda parte, muito presentes ao seu entorno, junto a seu “amado” ódio inexplicável que carregava no peito, e que no fundo tinha uma explicação sim. Ou melhor, várias delas. Só que era mais fácil mantê-las trancafiadas dentro do seu subconsciente. Nem ela mesma queria ver... Não queria enxergá-las. Talvez, nem tivesse a coragem necessária para isso, mas é claro, aquela morena iria, até o fim, negar uma possível falta de coragem vinda de sua parte. Típico... Culpa das cruéis máscaras sociais da sociedade.
Seria eternamente cega para os motivos de sua raiva, sim, sem dúvida alguma.
Mas, seria essa a decisão mais fácil de tomar de fato? Difícil saber ao certo. Bom, devia ser por isso que, em Lima a Lopez se “escondia” em lugares não tão movimentados, porque a paisagem era a única não-capaz de brigar com ela. E devia ser por isso também que, ela arrumou um lugar desses em Rosefield, cidade na qual só botava os pés de vez em quando, por conta dos seus avós morarem naqueles solos desde antes do seu nascimento. A propósito, bem antes.
À medida que a garota foi crescendo, as coisas pioraram aos seus olhos. E no fim, ela passou a sumir pelas cidades que habitava com pessoas “erradas” como companhia eterna. Era uma forma encontrada de esquecer aquela chateação recorrente e se divertir o máximo que pudesse, pois os novos amigos da vida não tinham regras em seu vocabulário. Falando nisso...
Será que eram confiáveis àquelas garrafas quadradas de álcool, vendidas para ela por um cara de moicano duvidoso da cidade pequena?
Quem saberia dizer? Santana passou então a tomar a bebida do primeiro recipiente, ignorando certas ponderações. E agora ela estava no topo daquele penhasco onde existia o farol abandonado de Rosefield, sentada ao chão. No dia em que, ela supostamente já deveria estar de volta a sua casa em Lima lá em Ohio, bem longe de Oregon, mas ao invés disso ali estava ela, sentada, sozinha e melancólica num pedaço de Rosefield. Que cidadezinha morta. A garota suspirou... O gosto amargo do mix de álcool fortemente presente em sua boca, e os olhos castanhos assistindo a água vivaz do mar.
— Não esperava te encontrar aqui... – Uma voz suave manifestou-se, claramente, devastada, tirando a contemplação da morena pelo vazio do mar, que se estendia penhasco abaixo dela. – Santana.
Ela sorriu ao ouvir seu nome.
— Miss sem sobrenome... – Santana pronunciou, depois de reconhecer a voz doce que ecoou no ambiente e, em seguida, encontrou olhos azuis como o céu. – Mal dia de novo?
— Sim. – Brittany assentiu, com o rosto e olhos, nitidamente, vermelhos. – Mas o motivo é o mesmo...
Santana deu um meio sorriso e desviou o olhar, levando a garrafa, de formato quadrado, até a boca.
— Você não ia embora ontem? – A loira perguntou curiosa.
A latina deu um riso irônico ao lembrar-se do por que ainda se encontrava na cidade.
— Você acredita em destino, Brittany?
— Não tenho certeza. – A outra admitiu.
Bom, nem Santana tinha, mas devido ao álcool presente em seu estômago e seu nervosismo persistente, ela decidiu apenas desabafar, um pouquinho, da sua desilusão momentânea com a vida para a outra garota que mal conhecia direito.
– Eu acredito que o universo é uma bosta... – Disse ela, freneticamente, como sendo a verdade absoluta do momento, e continuou. – Resumindo, a porcaria do único trem dessa cidade quebrou. Eu e meus pais ficamos presos dentro dele por horas, enfim, estamos traumatizados demais para ir hoje, então acho que vamos amanhã.
— Ah... – A loira emitiu, não tendo certeza do que dizer exatamente.
Era tão explícito pela voz de Brittany, como ela estava triste, a Lopez podia sentir isso de forma exageradamente forte, e nem precisava olhar para o rosto vermelho da outra para ter uma confirmação disso, o que era irônico.
— Já que você não tá bem, de novo... Senta aqui comigo. – Santana convidou enfim, batendo duas vezes no chão de terra. – Dessa vez eu tenho álcool.
Ela sorriu para Brittany, balançando a bebida em mãos, tentando lembrá-la que elas “combinaram” que seria álcool que elas compartilhariam numa próxima vez em que se encontrassem. Bom, fora brincadeira quando elas disseram tais palavras, logicamente, todavia o Acaso, ou o Destino, acabou fazendo com que palavras se tornassem verdade, qual deles seria o responsável? Hum... De qualquer forma, amém a seja-lá-qual fosse o autor de tal evento.
— E-eu... – Por um instante a loira pensou em não aceitar o convite de Santana, parecia loucura demais beber no momento, mas ela merecia depois dos últimos ocorridos, tipo sua vida num todo, Puck e David, argh. – Parece ótimo.
Brittany juntou-se a outra garota no chão. Agora mais de perto, era evidente que Santana já não estava mais tão sóbria assim. Sucessivamente, ela passou a garrafa que segurava para Brittany, e a loira deu um gole logo, sentindo o líquido ingerido descer queimando goela abaixo. O gosto era péssimo.
— Argh! O que é isso?
A morena riu da loira, porque foi exatamente a mesma reação que ela própria teve ao provar a bebida na frente de seu vendedor, durante a madrugada do dia anterior para aquela segunda-feira parada, de agora.
— Muitas coisas misturadas. Não sei direito. – Santana respondeu, deitando no gramado. – Tenta descobrir. Eu tenho mais três aqui comigo...
A latina bateu na mochila que se encontrava ao seu lado direito.
— Eu sei que é horrível no começo, mas é álcool, então...
— Você tá pensando em tomar tudo isso? – Brittany indagou enquanto ria. – É muita coisa.
— Sim, mas você vai me acompanhar. Curtir a fossa em dupla parece ser, bem mais, interessante, você não acha?
— Claro.
Brittany bebeu mais uma vez, tudo que ela mais queria era: esquecer o colégio e suas responsabilidades. E se fosse preciso beber mais daquela bebida ácida para tal coisa, bom, então ela teria que se acostumar com o gosto.
— E você se rendeu a minha oferta. – Santana sorriu satisfeita e pegou a garrafa para beber novamente.
Brittany gargalhou e a morena arqueou a sobrancelha após beber, tentando entender a repentina manifestação.
— O que foi?
— Isso não me pareceu muito com uma oferta, Santana Lopez.
— Hum... E não foi mesmo, só Brittany. Mas, você se importa com isso?
— Não.
— Ótimo, é melhor assim.
— Concordo com você...
Brittany pescou a garrafa quadrada da mão morena, e aí, foi outra virada goela abaixo, tão dolorida que, chegava a ser melhor apenas ignorar a sensação.
— Você chegou aqui faz muito tempo? – Ela direcionou a pergunta para a latina, e a mesma confirmou com um “sim” e tomou a garrafa de volta. – Tipo, quanto tempo?
— Faz uma hora e meia, eu acho.
— Ah, sim.
(...)
Alguns outros-muitos goles foram dados em silêncio, até o conteúdo se esgotar e elas passarem para uma segunda garrafa resgatada da mochila da morena.
— Então, você disse que está aqui pelo mesmo motivo de ontem, ou seja, as pessoas, mais especificamente o seu namorado, certo Brittany?
— Sim.
— E o que foi dessa vez?
Os olhos azuis não deixaram de encarar o mar, nem mesmo quando ela tomou mais daquela bebida ardida e desgostosa à garganta que, fazia-a fechar os olhos com o contato. Suspirou e passou a garrafa para a outra, ela não sentia mais a dor.
— É complicado explicar... Na verdade, é engraçado.
— Por quê?
Brittany se negou a responder, balançou o pescoço para os lados, e passou a mão por um dos olhos rapidamente, uma lágrima escapou de lá.
— Bom... Você podia me falar, estou a fim de rir.
A loira sorriu com o que a outra falara e olhou para o seu lado direito.
— Pensei que queria curtir a fossa e não rir, Santana.
— Ponto pra você gênia... – Santana disse e levantou o tronco do chão. – Se bem que, eu posso fazer os dois, claramente.
— Incrível.
— Olá! E você também pode, viu? Miss sem sobrenome.
— Isso é outra daquelas suas “ofertas”?
— Honestamente? – A Lopez perguntou e pôde notar a outra confirmando. – É sim, mas sinta-se livre para aceitar ou não.
— Ok... Tudo bem, é que eu tô num namoro que eu não queria estar... Eu não gosto de absolutamente nada e eu não consigo terminar.
— Nossa. – Santana começou a rir, bebeu e passou o álcool para a mão branca. – Você é trouxa ou o que? Pff, francamente, em pleno século XXI ainda existe essa proeza, querida?
— Acho que eu devo ser mesmo... – Ela começou a virar a garrafa, até o líquido acabar por completo. – Argh, essa doeu.
— Hey, vai com calma. Eu sei que a tendência de se suicidar é forte, mas você tem que se controlar menina, já não basta você ter quase caído de propósito desse penhasco ontem? Tsc, tsc, tsc.
— Eu não estava tentando me matar! – Brittany limpou uma gota de álcool que escorria do canto de seus lábios com a língua, meio grogue. – E eu já falei isso.
— Foda-se, vamos para a próxima rodada! – A morena exclamou e tirou duas outras garrafas da mochila. – Essa é sua! – Entregou uma delas a Brittany, e balançou a outra. – E essa é minha.
— Não sei se é uma boa ideia... – A loira riu e abriu a garrafa recebida. – Mas, eu aceito.
— Claro que você aceita... E eu só tenho uma coisa pra te dizer, em relação ao seu namoro infeliz.
— Então diga.
— Termina ele, não fica esperando algo pior ou sei lá acontecer, só acaba logo.
— Acho que é isso mesmo que eu vou fazer!
— Faça! Finais felizes e relacionamentos saudáveis não existem... O melhor que nós podemos fazer é curtir o melhor da vida.
— E o que seria esse melhor?
— Hum... – Santana ficou pensativa e olhou ao entorno delas, fixando os olhos no farol esquecido. – Você por acaso já entrou nesse lugar?
Brittany olhou para o ponto que Santana tanto fitava.
— No farol? Não. Acho que deve estar trancado a sete chaves, no mínimo.
— Ah é? – A garota ergueu-se do chão. – Mas, não custa à gente tentar. Vem!
— O que? – Brittany esperneou meio desnorteada, e começou a se levantar, seguindo-a. – Você tá falando sério?
— Sim, nós vamos verificar isso agora mesmo.
Ambas caminharam até a frente da construção de tijolos, e Santana botou uma mão na maçaneta, girando-a. Estava trancado.
— Eu falei.
— Shh, Brittany... – Santana pediu e levou a mão esquerda para seu bolso de trás, buscando algo por ali. – Isso não é um grande problema pra mim.
— O que você quer dizer com isso?
— Eu quero dizer que... – A morena achou o que tanto procurava, virou-se e entregou sua garrafa à Brittany. – Segura pra mim.
Ela se voltou à porta continuamente, agachando-se com o pertence metálico achado em posse. Brittany se aproximou de um lado e fitou a ação da morena que basicamente consistia em: ela enfiando um objeto fino de metal na fechadura da porta velha, movimentando-o.
— O que é isso aí na sua mão Santana, um grampo de cabelo?!
— Não. – Ela gargalhou e continuou com a sua concentração notória na fechadura arcaica da porta, posteriormente levantou. – Isso não é um filme Brittany, é a vida real.
— Mas, você tá arrombando a porta mesmo?! Meu deus.
— Basicamente. – A garota ouviu um estalo vindo do objeto e sorriu, resgatando-o, e depois empurrando a porta recém-destrancada para frente. – Não sei por que tanto espanto assim... Pronto!
— Isso é errado, Santana!
— Não, não é. – A latina guardou seu “canudinho” de metal, em outras palavras, ex-clips de volta ao bolso de sua calça. – Ninguém se importa com esse lugar, então, vamos entrar.
— Isso é invasão de propriedade!
— Mesmo? – Santana pegou sua garrafa de volta das mãos brancas e começou a adentrar o lugar de costas. – Engraçado, pra mim parece estranhamente aberto e abandonado, como posso invadir algo assim? E sinceramente, dane-se.
— Santana...
— Olha, eu só quero ver a vista lá de cima, se não quiser subir tudo bem, morra de curiosidade aqui embaixo. – A Lopez correu para as escadas e subiu-as, apoiando-se nas paredes em volta no processo, para não se desequilibrar, chegou ao último degrau. – Eu sei que está morrendo de curiosidade, só Brittany. É explícito!
Ela sumiu escada acima, e a loira bufou continuamente. A outra estava correta, a curiosidade era presente, além disso, Brittany adorava a sensação de adrenalina passando pelas células jovens de seu corpo físico, Santana Lopez provocava-a algo assim com tais atitudes erradas, péssimo. Sorriu e passou a subir a construção também, encontrando com a outra garota lá no topo, pisou no chão de madeira e seus passos foram sendo diminuídos, enquanto seus olhos se atentaram ao redor, e depois na grande janela.
— Eu sabia que ia vir... – A morena falou ao sentir a presença da loira no perímetro, suas mãos apoiadas na janela aberta da torre. – Tem alguma desculpa boa pra dar ou vai apenas admitir que eu tava certíssima, hein?
— Não tenho. – Ela chegou ao lado de Santana. – Eu estava curiosa mesmo... Nossa, é incrível! E... Bem alto.
Olhos azuis passaram a fitar a altitude da torre.
— Tá com medo é, Brittany?
— Não, não estou. Só é, realmente, bem alto aqui...
— Enfim, só vou te pedir agora que: a senhorita não se jogue daqui, ok? Sei que está atentada com a altura e tudo mais, mas se controle.
Elas riram, e beberam em seguida.
— Você quer parar, Santana?!
— Querer, eu não quero... – Sorriu e piscou um dos olhos castanhos, voltando a olhar para a janela rapidamente. – Mas, tudo bem.
(...)
— Nossa! Acabei de lembrar que eu esqueci meu celular lá embaixo, vamos voltar!
A loira gemeu ao ouvir Santana dizer aquilo, já que estava divertido demais ficar apenas ali em cima, observando o mar e os pássaros, e a natureza toda em volta calmamente, respirando e bebendo.
— Sério? Só agora você lembrou?
— É...
Santana pegou uma mão de Brittany, e elas começaram a descer as escadas, quase que tropeçando, pelo efeito do álcool, escorando-se uma na outra, sorridentemente bêbadas.
— Ali está ele! – Santana apontou para o aparelho no penhasco, que exalava alguma música, quando elas deixaram o farol para trás. – Ainda bem que esse lugar é abandonado...
— Nem tanto, já que nós duas estamos unidas por ele! – Brittany riu, chegando perto do celular. – Adoro essa música!
— Ótimo. Porque acabou de começar, pode curtir a vontade...
Santana sentou na terra rindo, e a outra passou a dançar frente a ela, após pousar sua garrafa no chão.
— Cuidado pra não cair, Brittany!
— Eu não vou cair, sou uma bailarina.
— Uau! Desculpa, aí. – Santana levantou as mãos, fazendo-se de inocente. – Só que o penhasco tá bem nas suas costas, e ele pode querer, "tipo assim" te encontrar de verdade dessa vez. Não acha?
Brittany revirou os olhos.
— É...
(...)
“I know I may be young, but I've got feelings too...”
— Ah, essa é melhor ainda!
Brittany animou-se e caminhou até Santana, entregando-a o seu antigo celular da época, aquele que seria “perdido” durante a madrugada futura, quando as duas por acaso voltam a se encontrar para que haja a devolução do mesmo.
— Guarda isso pra mim. Não quero que, caia ou sei lá, com o que eu vou fazer.
— E o que você vai fazer? Se jogar? – Santana indagou, rindo, e guardando o celular da loira em um bolso de sua mochila, distraidamente. – Hein?
— Só veja!
“All you people look at me like I’m a little girl...”
Brittany sentiu cada milímetro do seu corpo ser ativado com aquela melodia intoxicante e dançante da princesa Spears, sua mentora e diva pop favorita, e passou a mão pelo corpo de forma sensual cantando a letra inteira. Mexeu o físico, como se cada palavra saísse de dentro do seu ser vividamente livres. Como se a própria tivesse composto a canção sozinha. Como se fosse de sua exclusiva autoria. Como se estivesse criando-a naquele exato momento. Renascendo.
"Get it, get it..."
Girou os cabelos louros violentamente ao vento em ritmo sincronizado. E os olhos azuis passaram a cintilar o azul mais sagaz, ao requebrar os quadris no balanço contagiante das batidas acústicas vindas do celular, que parecia ter o som bem mais alto agora. Estaria ela, Brittany S. Pierce, baixando o espírito ousado de Britney Spears em seu corpo escultural naquela invocação dançante? Podia-se dizer que sim.
“I’m a slave for you, I cannot hold it...”
Santana chocou-se com a ousadia partida da outra garota, arregalou os olhos castanhos, e não conseguiu dizer nada perante a tal ação, apenas contemplar a beleza da dança expressada, enquanto bebia. Brittany parecia uma profissional fazendo aquilo, e nossa... Por que diabos a morena sentiu um arrepio pelo corpo e logo depois, um odioso frio instalou-se em sua barriga, ao notar que a outra levantara a camisa e mostrara sua barriga negativa em pouquíssimos segundos? Isso era estranho. Nunca sentiu isso por uma garota. Culpa do álcool e suas ilusões, obviamente.
"I really wanna dance, tonight with you..."
A loira descalçou os tênis, lentamente. Ao passo em que Brittany fez um movimento de contração e ondulação com o próprio corpo, a mesma já tinha se livrado da camisa também, que jogou para um lado, e das calças que jogou para o outro, sem se importar em onde os bens iam parar. Quando aquilo passara de uma simples dança para um strip-tease mesmo? Ela sorriu e começou a caminhar em direção a Santana, desceu, e engatinhou no chão de gramado, parando em frente ao rosto da outra, ela estava parecendo um felino caçando e ainda cantava.
“Baby, don’t you wanna, dance upon me...”
A morena suspirou, desconcertada, ambos os olhos delas, castanhos e azuis, pareciam atrair-se fortemente em uma única direção, verdadeiros imãs em trabalho, uma direção tão certeira que as dúvidas das duas mulheres, pareciam ser aniquiladas uma por uma, pelo caminho, até a mente consciente delas.
“Like that...”
A música terminou, e Brittany aproximou o rosto da outra, mordendo o próprio lábio inferior, com clara intenção de beijá-la ferozmente, porque obviamente aqueles lábios carnudos da Lopez estavam pedindo por isso. Quase não existia nada que as separassem no momento, exceto o mesmo vento em harmonia. Só que, Santana virou o rosto, bruscamente, antes que seus lábios pudessem se encontrar, estava assustada.
— Para... Eu não posso. Eu não sou... Não sou... – Santana soluçou e tampou o rosto, envergonhada. – Não!
A loira se afastou e começou a fitá-la estudando-a, e então, a latina iniciou um choro desenfreado.
— Érr, desculpa... O que aconteceu?
— Nada! Não aconteceu nada. Nada...
— Por que tá chorando, Santana? Eu fiz alguma coisa que...
— Não... É que você dança muito bem Brittany, só isso. Muito bonito mesmo... – A Lopez disse limpando as lágrimas rapidamente. – Tá tudo bem, eu juro.
— Ok... – A loira sentou ao lado da morena, um pouco tímida agora, alcançou sua garrafa e passou a beber desesperadamente a bebida amarga, respirou fundo. – Ok...
Depois que ambas terminaram de esvaziar seus respectivos últimos recipientes de álcool e deixarem espalhados por lá, no chão, a Pierce e a Lopez passaram a escutar as músicas exaladas do aparelho de Santana em total silêncio deitadas lado a lado no penhasco. Continuamente, elas cantaram aos gritos algumas músicas e riram depois, e à proporção que o efeito do álcool foi aumentando a intensidade, Santana chorou um pouco mais sem motivo, Brittany disse coisas sem sentido, e logo ambas adormeceram juntas naquele dia estranho, isso é claro, até a sirene de polícia despertar a loira e todo o drama começar.
Voltando ao presente, dia 1° de Novembro...
Depois da saída repentina que Brittany fez, ao discutir com Santana e a mesma avisar da localização dela para Quinn Fabray, a morena encontrava-se deitada no sofá desde então, tentando lembrar-se de tudo, tanto das lembranças perdidas do farol como as da madrugada passada de Halloween também. E foi a partir disso que, ela descobriu que não contara para a outra do dia “esquecido” no penhasco de Rosefield, porque a única coisa que tinha certeza absoluta de ser verídico era que: tinha chorado.
Que vergonhoso, parecia uma bebezona-dramática.
Agora, as outras memórias como: ver Brittany num vídeo-clipe dançando como certa diva pop faria, parecia ser pura criatividade de seu cérebro bêbado e lunático, embora talvez isso explicasse a seminudez que a loira a mencionara. Enfim, ela conversaria com Brittany devidamente no dia seguinte, quando voltasse a colocar os pés no colégio McKinley sóbria e sã, e aproveitaria para perguntar também, o porquê a Pierce parecia tão chateada com a amnésia alcoólica dela sobre certas partes do glorioso dia das bruxas passado.
Sem demora, a líder de torcida cochilou naquele acolchoado.
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