Destino ou não - Brittana

22 Festa, doces e travessuras


Notas iniciais
Hello from the other side...

Meow!

Aquilo se tratava mesmo, do miado agudo e adorável de um belo gato preto das trevas que, traria azar, de bom grado, a Brittany S. Pierce por tempo indeterminado ao seu conhecimento, cruzando seu caminho de propósito pela manhã, usando como arma de ataque a sua imensa fofura para hipnotizá-la, com tantas outras ruas para ele surgir que não fosse, exatamente, aquela por onde ela perambulava? Que atrevimento sem igual! Só podia ser uma das piadas de mau-gosto do universo. Grande “novidade”.

Meow... Meow...

O animalzinho parecia desfilar divinamente com o rabo peludo e macio, empinado, em sua frente. Queria carinho? Comida? Um lar? Francamente, ela não fazia a menor ideia dos desejos dele, mas, queria inexplicavelmente apertá-lo gentilmente em seus braços e dá-lo um nome. Tão encantador. Ele aproximou-se mais ainda da loira, com auxílio de suas patas fortes e bem cuidadas. É, com certeza, o mesmo possuía um dono, era visivelmente bem alimentado.

Ok, talvez o melhor fosse ignorar e fingir que nada disso ocorreu, e que ela nunca havia visto-o.

É Halloween! Isso poderia ser perigoso... Pobre bichano, ele no final das contas, devia ser inocente de suas acusações de má fé contra a humanidade, e não uma chave para o azar perpétuo como muitas pessoas acreditavam ser, única e exclusivamente, por conta do pelo liso, negro e brilhoso que carregava em seu corpo bárbaro. Ou talvez fosse... Difícil saber. A garota jurava ter recebido um olhar fixo, maldoso e mortal do felino, estremeceu fitando aqueles olhos verdes de pupila vertical, lindos e assustadores ao mesmo tempo.

A percepção fazia-a até recordar-se de certo alguém.

Sentiu um aperto no coração, levou a mão ao peito. Estranho. Estava tudo bem, voltou a encarar o gato.

O que estava acontecendo? O feitiço havia sido lançado?

Em casos como aquele, havia uma maneira correta para agir? Existia algum tipo de manual para quebrar supertições malucas perdido pelas terras do planeta? Onde explicava coisas como, por exemplo: desviar os olhos, correr, pular ondas, andar para trás, fazer carinho no gato? Ou sabe-se lá o que, para quebrar a “magia negra” lançada... Ela estava abertíssima a sugestões para livrar-se do suposto azar recebido. Realmente, contanto que não precisasse reproduzir, com suas futuras ações, a música “Atirei o pau no gato”, ou coisa relacionada, pois não compactuava com violência alguma.

Devo fazer ou não carinho no gatinho? Pensou, à medida que o encarava tão perto de sua canela, fazendo graça por lá, ele era fofo e amigável, em outras palavras, era impossível odiá-lo. Ela agachou perto dele.

— Olá amiguinho... Tudo bem?

Antes mesmo que ela pudesse fazer a sua decisiva escolha, o animal correu para longe da visão dos olhos azuis, e sumiu, sem mais miados reclamões para anunciar, sem mais carinhos, sem mais nada.

Ufa!

Tirando esse momento de pânico supersticioso momentâneo, a cada passo que Brittany dava pelas ruas e calçadas planas de Rosefield, lotadas de folhas dançantes e secas, ela sorria com a figura de crianças fantasiadas batendo de porta em porta pelas casas “sombrias” da cidade, em busca de doces nada saudáveis para o consumo, mas ainda sim, saborosos ao traiçoeiro paladar humano.

Chicletes, balas, pirulitos e chocolates...

O pirulito que ela pegara em sua casa já havia sumido em sua boca com a caminhada, só o que sobrara foi o gostinho amargo do morango. Quanto tempo não ia a um dentista? Isso a fazia lembrar-se até dos velhos tempos em Seattle, quando era mais nova e saia com seus amigos fazendo o mesmo. Doces! Eram tão bobos, pequenos e sonhadores, exatamente como estes que ela enxergava por olhos azuis felizes. Seu peito inundou-se de nostalgia, porém, ela permaneceu caminhando sem rumo algum, em linha reta.

Andar, andar e andar um pouco mais, sem destino.

Depois de entregar uma parte dos doces que, o funcionário Vitor, havia comprado para o “batalhão infantil” que disparou a campainha de sua residência, Brittany deu alguns passos para fora, assistindo o grupo de baixinhos correrem à outra casa, distanciando-se em bando, satisfeitos. Verdadeiros monstrinhos. Eles estavam, nitidamente, doidos por travessuras, ainda mais que doces.

A loira então fechou a porta atrás de si contente, resolvendo do nada, dar uma chance à cidadezinha em que morava há tantos meses, determinada desta vez a, pelo menos, tentar. Coisa que nunca fizera anteriormente.

Afinal, seus dias por lá não estavam ruins de forma alguma em sua atual concepção, exceto sua dificuldade extrema em espanhol e uns adolescentes insuportáveis do McKinley que viviam enchendo seu saco em aula, ou nos corredores da instituição. Enfim, não importava no instante lembrar-se dos pontos negativos que existiam em seu entorno, porque podia encontrar vários, caso bancasse a detetive desesperada.

A vida não é perfeita, infelizmente. Se fosse... Se ela fosse...

Inalou o ar concentradamente e apenas saiu, deixando a casa para trás, sem aviso, ligeiramente, enquanto a animação radiante não deixava de habitar o seu corpo e coração. Que mal havia passear com quietude, e fitar detalhes com mais atenção na vizinhança? Nenhum, certo? Esse era o momento ideal, até porque, necessitava com vigor: refletir, andar e respirar o glorioso oxigênio da terra, sozinha, de maneira correta.

Entretanto, sua animação tinha nome, sobrenome, olhos, lábios, cabelos, cheiro, corpo e alma, uma pessoa completa... Assim como ela. E esse foi o problema que encontrou em meio aos pensamentos insistentes. E essa, não era a primeira vez.

Quantas árvores tinham na região? Uma, duas, três... Ora, quem se importa? Danem-se as árvores, por enquanto.

A Pierce não conseguia esquecer o abraço que dera em certa morena dos olhos castanhos no dia anterior. A verdade era que, ela ainda sentia a sensação de tê-la contra seu corpo, respirações em conjunto, dentro do enlace de braços, calmo e aquecido, do qual ela desejava nunca ter saído. Fechou os olhos azuis e suspirou.

O que estava pensando? Esqueça a Santana, Brittany.

Um choque, inexistente, passou por seu corpo, arrepiou-se. A estudante logo levou ambas as mãos geladas, para dentro dos bolsos de sua blusa de frio, e constatou um vento frio lhe arrepiar a pele, novamente, quando o mesmo se atreveu a se encostar-se ao seu rosto descoberto e suave. Abriu as pálpebras olhando para cima, talvez, choveria mais tarde, ela se certificou que o céu sobre sua cabeça, localizava-se lotado de nuvens acinzentadas.

“Trommm” Olá trovão!

A cidade daria medo, sustos e calafrios, toda enfeitada daquela forma, com abóboras, luzes psicodélicas, bruxas, fantasmas e espantalhos e tantos outros monstros, no escuro do anoitecer, somado a chuva e seus relâmpagos e trovões futuros.

Fantástico, ela mal podia esperar para ver...

Em determinado momento, Brittany passou a brincar com a estrutura da calçada abaixo de seus pés, evitando pisar em linhas que dividiam espaços, distraída, saltitou-as. Tantos desenhos. Ela já não tinha mais consciência sobre onde suas pernas a levavam, ela só andava e andava, sem rumo, sem direção, sem destino.

Seu cérebro não pensando em nada pelo percurso incansável, a não ser nas sensações causadas pelo abraço de Santana. Parecia estar marejada, tinha que parar de sentir tal coisa. E prosseguiu, até ela ser tirada de sua distração agradável por uma voz feminina, mais agradável ainda. O que? Respira.

Britt-Britt? Que coincidência.

Olhos azuis deixaram o chão e subiram para enxergar o horizonte, achando olhos castanhos curiosos. Naquele momento então, pareceu existir só as duas e mais nada ao entorno, e um friozinho se manifestou na barriga da Pierce, consequentemente.

— Oi, Sant! – A loira cumprimentou sorridente, e notou que a morena não estava sozinha depois, mudando drasticamente a animação que suas primeiras palavras emitiram. – E Puck...

— Tranquilo, loirinha? – O garoto perguntou, casualmente, e bocejou antes de continuar falando. – Pulando várias calçadas, de boa? Curtindo a vida? Tudo ok?

— Claro... – Ela respondeu sem ânimo. – E você?

— Eu estou melhor agora, e você sabe o porquê... – Noah replicou com um sorriso malicioso e piscou um olho. – Gata.

Santana revirou os olhos para o garoto, e sorriu para Brittany.

— Só ignora esse idiota...

— Tá com ciúmes de mim, Lopez? É isso mesmo? Minhas preces judaicas foram ouvidas.

A garota gargalhou de modo irônico, e o encarou debochadamente, em seguida.

Pff, não mesmo, doce-iludido. – A morena voltou a olhar para a loira, prontamente. – Então, o que você tá fazendo por aqui, coração? Sinceramente, não tem nada de atrativo nas redondezas. Mas, você já deve ter percebido.

Érr...

— Como não, Santana? Temos nós três aqui. Atrativo demais! – Puck riu com as fantasias de sua mente, e deixou algo escapar. – O que me dizem garotas? Sim ou não, sanduíche humano? Uma delícia...

Ele trocou olhares de uma para outra, empolgado. Santana bufou e Brittany o fitou com desaprovação e aversão, incomodada dos pés a cabeça, assim como em seus primeiros dias de aula, quando o conheceu.

Argh, pelo amor, cala a boca, Puckerman! Quero ouvir a Brittany, puta que pariu... – A latina sorriu para a loira. – Pode falar, tá perdida no bairro dos pobres-caipiras, correto? Eu te ajudo a encontrar a saída.

A líder mais alta riu com a morena e negou.

— Não, eu estava apenas andando... E vocês?

— Bom, a Lopez...

— Nada de mais, a casa do Puckerman é essa aqui... – Santana disse interrompendo-o e apontando para a residência ao lado deles. – Péssimo né? Tem o perfil dele. Eu só vim buscar a minha blusa desse ladrão, já tava na hora, ele a mantinha em cativeiro, e eu estava com saudades dela...

Brittany percebeu que a latina estava com uma jaqueta de cor preta em mãos, e assentiu para Santana.

— Ladrão, morena? Você que esqueceu aqui, meu amor. Não se faça de vítima. Você devia aparecer mais vezes, como antes. Sabe que a porta da minha casa está sempre aberta pra você, com ou sem jaqueta.

O garoto estava flertando fervorosamente com a latina, e calma aí... Amor? Meu amor? Não. Ao ouvir a frase de Noah, Brittany sentiu seu coração disparar de uma forma ruim, ela não compreendia a relação que Santana tinha com o seu colega de colégio badboy-insistente, mas só de imaginar, dava-a raiva e tristeza. E não era para ela sentir isso. Não era. Você é mesmo uma trouxa, Brittany. Ela tinha que deixar o lugar o mais rápido que conseguisse, estava extremamente desconfortável com o ambiente instalado sobre os três adolescentes, não gostava disso. Não podia sentir isso.

— Eu sempre acho que você tem alguma síndrome gravíssima de pé-no-saco Puckerman, toda vez que fala esse tipo de coisa imbecil pra mim. Esse é o seu maior defeito, dentre os vários que você tem, é claro...

— Eu falo porque você gosta Tana, qual é! Não tenha vergonha de mostrar a sua amiga.

Sobrancelhas loiras franziram-se, nada felizes de ver Puck e Santana lado a lado em sua frente conversando de tal maneira. Por fim, fez um bico inconsciente com os lábios finos, vendo os dois atletas, irritada. Precisava deixar o lugar. Apenas sair.

— Tenho que ir embora. – Foi tudo que Brittany conseguiu dizer, antes de virar-se e começar a refazer seu longo caminho, de volta para a casa, praticamente correndo em passos ligeiros.

Santana observou Brittany distanciar-se, e olhou para o garoto ao seu lado de forma medonha, segurando a blusa recuperada de forma mais firme entre os dedos, franziu as sobrancelhas.

— Eu acho que a Pierce saiu por minha causa, né?

— Exatamente Puck, parabéns. Agora eu entendo o porquê ela e a Fabray não gostam de você... Quer dizer, eu sempre soube. Já pedi pra você parar com as idiotices pra cima de mim e dela...

— Desculpa, desculpa! Me perdoa? Sou um babaca, eu sei. Vou melhorar.

— O bom é que você sabe que é um babaca. Mas, só isso mesmo... Olha, vai ser difícil te perdoar, colega, você espantou a minha Piercezinha do bairro e eu queria falar com ela.

— “Sua”?

— É! Porque só eu posso irritar ela. Entendeu? Então, pode parar.

— Que amiga possessiva você é...

Noah riu e passou a mão por seu moicano bagunçado, sorrindo sem culpa alguma, o rosto amassado de sono, espreguiçou-se. Então, abriu os olhos de volta e temeu olhos castanhos de encontro aos seus, que o fuzilavam, fixos, esperando algo ser dito, como um pedido de perdão.

— Ok, ok. Estou avisado. Desculpa... Te vejo de noite, Lopez. Pode lá correr atrás da sua Pierce agora... – O garoto se despediu e passou a andar em direção a porta de sua casa. – Ah, não esquece o lance da fantasia! Beleza?

— Por mais que eu quisesse, eu não vou esquecer Puckerman, sou uma garota de palavra.

— Sempre adorável.

— Não é? – Eles riram. – Até, Puckssauro-Rex. – A latina despediu-se e voltou a olhar para Brittany ao horizonte da calçada, sorriu, vestiu a jaqueta em posse, e correu para alcançá-la. – Espera, Brittany!

A loira olhou para o lado e fitou-a, parou com os passos frenéticos com que se locomovia pelo concreto até então, e tentou disfarçar seu nervosismo evidente.

— Oi... Quer dizer, oi de novo Santana, o que...

— Tudo bem com a senhora-fugitiva? Seja sincera comigo.

— Ah, sim... Eu tô bem sim. E vo...

— Vamos pular essa parte?

— Ok...

— Vejo que você tá bem inspirada hoje, né coração... O que é bom, porque eu tava querendo mesmo uma revanche de ontem, e não queria que fosse injusto, quando acontecesse. Temos que marcar urgentemente nossa próxima corrida pra você sentir o gosto da derrota! Ou seja, do sorvete de flores. E não, eu não vou desistir que você prove aquilo. Pode apostar, não há nada que me faça mudar de ideia, nem mesmo a sua franjinha.

A Pierce riu e olhou para frente, bochechas rosadas.

— É verdade, eu concordo. – Ela assentiu. – Você merece uma revanche, Santana. Perdeu feio! Coitada de você...

— Não exagera senhorita pernas-longas. Sério, isso sim é trapaça...

— O que? O meu físico? Não culpe a biologia... Só aceite a derrota, Sant. É o que você tem agora.

— Nunca vou aceitar! Nem depois da morte. Estamos entendidas? Você ainda me paga! – Elas gargalharam. – Enfim, e a sua redação de espanhol como tá? Já fez? Porque agora você não tinha desculpa nenhuma pra fugir dela. Eu ia até te ligar mais tarde pra saber. Sorte minha você ter aparecido aqui do nada, poupou meus valiosos créditos.

A loira riu da ironia da amiga, e lembrou-se de quando finalmente conseguiu deslizar a lapiseira violeta sobre o papel branco, após o sucesso do jantar entre ela, Robert e Holly na noite passada.

— Sim, eu fiz, acho que ficou bom... Obrigada mais uma vez pela ajuda. – Brittany respondeu, corou, e recordou-se da festa de Halloween que Quinn a lembrara mais cedo. – San... Queria te perguntar uma coisa.

— Então pergunte, Britt-Britt. O que foi?

Ela olhou para a morena ao lado, sem deixar de caminhar.

— Você... Você vai na festa da Kitty hoje? Quero dizer, na festa de Halloween dela.

Santana mordeu o lábio inferior depois da indagação, e Brittany não conseguiu tirar os olhos de lá.

— Hum... Não sei, eu tenho uns planos com o Puckerman e os amigos dele mais tarde. Não acho que vai dar tempo de passar por lá. Mas, quem sabe... Veremos no que dá.

— Ah... – Brittany murmurou incomodada por saber dos planos da latina, e desviou a atenção para frente, novamente. – Ok, entendi.

— Se você perguntou, quer dizer que você vai, não é?

— Sim. – A Pierce assentiu automaticamente. – Eu vou, sim.

— Bom... Qualquer coisa eu te aviso, caso eu mudar de ideia. Combinado? – Santana disse simpaticamente, e parou de andar, recebendo olhares confusos da loira, que a imitou de imediato, então, a latina começou a acenar para ela, parecendo suspirar juntamente a ação. – Eu preciso encontrar a minha mãe agora. Tchau!

Brittany estudou as feições da morena e concluiu que ela não estava feliz com o tal encontro com a mãe, aproximou-se, mas, resolveu não se meter nisso, talvez a outra não reagisse bem à pergunta pessoal. Assentiu, calmamente, tirou as mãos do bolso e alcançou uma mão de Santana.

— Tá bom... – A Pierce sibilou, e apertou suavemente a mão quente da outra garota, querendo lhe passar segurança. – Boa sorte!

Santana olhou para a mão delas, unidas e separou-as, sorrindo para a loira ao voltar a fitar olhos azuis.

— Obrigada.

A Cheerio ameaçou virar-se para se separar da loira, porém, deu meia volta ao movimento.

— Ah, antes que eu esqueça... Me mande foto da sua redação depois. Eu quero ver como ficou, porque eu sou ótima com explicações. Então, se você fez um trabalho mal feito, você vai ver!

Elas riram juntas com a brincadeira e a “ameaça” da morena.

— Você é ótima mesmo... – Brittany concordou e abriu um sorriso. – Eu mando Santana, pode deixar.

— Bom mesmo, Brittany, vou cobrar. Até...

Santana deu às costas, atravessou a rua, e passou a andar em direção contrária à loira.

(...)

Fazia algum tempo que Brittany encontrava-se olhando para o teto vazio de seu quarto, espatifada, folgadamente, sobre os lençóis de seu colchão. Lá era confortável e acolhedor. Os olhos azuis esperavam ansiosamente algo acontecer, mal havia notado que, o céu havia escurecido, e o sol sumido de sua janela. A luz do cômodo acesa sobre sua visão, causando-lhe falsa impressão de ver estrelinhas voando, bizarro.

Não importava o evento, Domingos eram sempre tediosos, um horror.

E quando o sono estava vencendo a luta contra a mente da Pierce, o celular da adolescente começou a tocar do seu lado, deitado na cama, vibrando. Ela o alcançou, era Quinn ligando.

— Oi?

— Britt, nós chegamos! Estamos na portaria, dentro do carro do Finn. Já está pronta?

— Não...

— Como assim “não”, Brittany? Você disse...

Ela sentou na cama e coçou os olhos.

— Estou indo colocar a fantasia agora mesmo, Quinnie. Daqui a pouco eu chego aí. É que eu quase dormi... Me desculpa.

— Isso tem a sua cara mesmo. – A Cheerio riu divertidamente. – Tudo bem, estamos a sua espera. Corre!

— Ok.

A loira desligou a chamada e levantou da cama deixando o celular para trás, mexeu no cabelo e alongou o tronco, tentando livrar-se do sono que estava a atacando rudemente. Caminhou em direção ao guarda-roupa branco ao outro lado e abriu suas portas, observando o interior e tirando o cabide com a fantasia que ela e Quinn haviam comprado juntas nas férias.

Estava na hora!

Logo, se trajou devidamente para a festa, livrando-se das roupas casuais, em frente ao espelho do armário, e recuperou o aparelho eletrônico ao final, guardando-o num bolso escondido da fantasia. Estava pronta, só faltava se encontrar com os seus amigos agora, e ir. Finn estava de carro, mas, e se a festa fosse ruim e ela quisesse voltar para casa em segurança de forma rápida? Teria que depender do namorado da Fabray? Não, ela não queria depender de ninguém. Decidiu pegar as chaves do conversível prata e direcionar-se ao andar de baixo, essa era a decisão certa a se tomar.

Passos por entre escadas vermelhas no escuro, um, dois, três... Tranquilo.

Nem sinal de Robert na sala de estar, tudo bem, nada de surpreendente, porque ele não chegaria tão cedo a casa, havia saído antes de Brittany despertar de manhã e depois retornou à tarde, avisando-a que teria um evento para ir sem horário fixo para acabar e em seguida, deixou a residência, novamente.

Sem sinal de Robert ou qualquer alma penada no sobrado.

A casa estava muito silenciosa, ela passou pela porta da garagem, parecia um filme de terror. Esqueça isso, que besteira. Acendeu as luzes, o mais ligeiro que conseguiu, e levantou a capota de seu conversível, para não correr o risco de tomar a chuva que estava prestes a cair sobre Rosefield. Entrou no carro e ajeitou-se no banco, olhando-se no espelho em seguida, sorriu, aquela fantasia era legal.

Arrrr... Sou um pirata!

Brittany apertou o botão do controle que liberava a passagem da garagem, após colocar o cinto de segurança em volta de si, e saiu, dirigindo pelo pequeno pedaço de rua que separava sua casa do limite do condomínio de moradias, esperou o porteiro abrir o enorme portão e deixou o lugar, parando o carro ao lado do veículo de Finn, abaixou os vidros.

— Vamos?

— Essas fantasias são maravilhosas mesmo! Tá linda, Britt. – Fabray disse sorrindo. – Já viu o Sam? Ele está melhor do que quando nós experimentamos.

— Não, eu não vi. – Brittany confessou, rindo. – Cadê?

— Sam, aparece! – Quinn olhou para o banco de trás e cutucou algo, Sam surgiu, levantando-se e sentando corretamente no banco. – Mostre-se para a Brittany.

— Oi Brittany! – Ele ajeitou a bandana azul que cobria seus cabelos loiros, o garoto estava realmente muito bem com a fantasia, aliás, todos eles. – Vai com o seu carro?

— Sim, Sam.

— Você devia ir lá com ela... – Quinn começou a dizer. – Acho que...

— Não, não Quinn! Nós já vamos chegar. É só o Finn me guiar.

— Pode deixar que eu guio agora mesmo, vamos. – O Hudson respondeu simpaticamente. – Segurem firme.

(...)

A festa tinha no total de duas horas e meia de duração, ou por ai, quando Brittany achou-se na pista de dança meio tonta, junto a Sam, observando com olhos azuis outros estudantes do McKinley e sabe-se-lá-de-onde-mais, insanamente bêbados e doidos ao som da música que ecoava pelas enormes caixas de som que Kitty havia levado a sua minúscula sala de estar estreita, com pessoas suadas e fantasiadas de todos os tipos de roupa existentes, seminus, mascarados, e derivados.

Onde Finn e Quinn haviam se enfiado mesmo? Não voltaram mais.

A porta da sala foi aberta bruscamente por um chute barulhento, de repente, o que arrancou a atenção de todos os jovens embriagados diretamente para lá, havia um som de sirene policial ecoando sobre o espaço, junto a isso. Brittany andou em direção ao som, para poder entender a zorra que ocorria, e deixou Evans para trás.

— Britt, aqui tá você. – Quinn disse alegre, segurando-a pela mão. – O que...

— Chegamos porra! – Puckerman gritou, entrando na residência com Santana montada a suas costas, e Ryder e Sebastian atrás, com armas de brinquedo nas mãos apontando para o pessoal. – Mãos ao alto, vocês estão presos!

— Feliz Halloween!

As pessoas começaram a gargalhar e voltaram à festa, os garotos se separaram. As loiras se aproximaram das figuras vestidas de policiais, com uma sirene de brinquedo em posse da morena em cima de Puck, que logo a soltou no chão, sem rodeios, e pulou para fora dos braços de Noah, desnorteada.

— Onde tá a bebida dessa festa? – A morena perguntou e riu, tirando os óculos escuros e fixando-o em seu decote. – Britt-Britt! Ou devo te chamar de maruja, pirata, marinheira? Qual você prefere?

Puckerman tirou a camisa e sumiu em um piscar de olhos, de trás da morena, aos olhos analisadores da loira de olhos verdes. Brittany não conseguiu pronunciar nada, apenas contemplar as roupas da morena, ela estava tão, tão...

— O que tá acontecendo? Os strippers chegaram? – Fabray perguntou rindo. – Que coisa.

— Eu achei que tivesse falado com a Brittany, mas... Uau, olha só quem não consegue deixar o título de capitã de lado nem mesmo no Halloween, se não é a minha preferida, Capitã Fabray a insuportável dos sete mares. Se bem que eu acho que algo de freira combinaria mais com você e o seu espírito “maravilhoso”... Amém!

A loira revirou os olhos, sem soltar Brittany, mal percebendo que a mesma, encontrava-se abobalhada ao seu lado.

— Oi Lopez! Seja bem-vinda... Você quer falar mesmo da minha fantasia? Já olhou a sua? Você veio de policial? Que piada... Acho que, sei lá, algo com chifres vermelhos teriam mais a sua cara, Satã. Não sei por quê... Não concorda, Britt?

A Pierce olhou para sua direita, olhos azuis confusos.

— Hã? O que você falou?

— Acho que ela não concorda, não Fabray. Você perdeu!

— Claro que concorda!

Sam e Finn brotaram atrás das loiras. Todos os quatro amigos, vestidos de piratas.

— Acho que os seus maridos chegaram, capitã...

— Que? – Ela olhou para trás. – Oi meninos!

— Vou ter que levar um de seus marujos comigo... Eu escolho a Brittany, obviamente. – Santana alcançou a mão da loira e a puxou consigo. – Tchau Fabray!

— Hey!

A Lopez correu com a sua “refém” para dentro da multidão, e elas pararam em um canto, rindo.

— Então você veio. – Brittany disse sorridente. – Mas, por que não me avisou?

— É que foi de última hora... – A morena respondeu olhando para os lados. – Eu quero chegar nas bebidas, antes que a Barbie nos siga. Você pode fazer as honras de se aventurar no mar de fracassados comigo, pirata? Até a cozinha... Porque parece estar difícil passar por eles, preciso de ajuda, minha escolta policial me abandonou, só me resta você...

— Tem certeza disso? – Brittany indagou, chegando perto da outra e notando o cheiro de álcool. – Você já me parece bêbada o suficiente, Sant. Que tal se...

— O suficiente? Não! Você não sabe de nada mesmo, Pierce. Ainda estamos no começo! Vem! – Santana segurou a mão de Brittany, de novo e arrastou-a para outro cômodo.

Elas prosseguiram até a mesa onde se localizava o ponche, lugar que, serviram-se da bebida batizada com álcool, em seguida. E os minutos passaram.

— Você não vai beber tudo? – A morena perguntou ao notar que a Pierce dera apenas um gole no copo, franziu o cenho. – Que desfeita... Que foi? Hey, Britt!

— Estou dirigindo, não quero voltar louca pra casa, Santana. E você devia...

— Ah, tudo bem... Escolha sua, então. Vamos dançar?

— O que? – Brittany não conseguiu ouvi-la por conta do som estrondoso do ambiente. – Eu não te escutei! Repete.

Santana sorriu e aproximou-se da orelha da loira, segurando-a pela raiz do pescoço.

— Eu perguntei: Vamos dançar?

— Ah... – A garota ruborizou e olhou para todos os lados sem conseguir mirar os olhos azuis em Santana. – Claro, vamos.

— Ótimo, coração. — A Lopez disse satisfeita, tomando a mão de Brittany e a levando para a pista de dança. – Se solta, pirata. Essa festa tem que render!

(...)

Em determinado momento da noite que se estendia, Brittany voltou ao sofá isolado no canto da sala, pois a pista de dança estava a dando ânsia, Sam Evans estava deitado por lá. Dormindo? Ela acomodou-se ao lado dele e o acordou com sacudidas no braço.

— Sam? Você tá bem? Hey!

O garoto levantou o tronco e sentou no sofá, coçando os olhos.

— Sim... Acho que eu preciso de uma água. Já volto.

Sam levantou do acolchoado e sumiu por entre outros adolescentes, Brittany encostou as costas nas almofadas atrás de si e fechou os olhos, estava cansada. Dançar e pular, loucamente, junto a luzes psicodélicas e piscantes, tirava muita energia de uma pessoa, suspirou.

— Te achei Britt-Britt, tá se escondendo ou o que, hein? Não gostei disso...

— Hã? – Olhos azuis se abriram encontrando uma Santana mais bêbada que antes, mal equilibrava-se direito. – Não, eu te avisei que eu ia descansar um pouco, quando...

— Tá! Sei...

Santana sentou ao lado da garota, e levou um último gole do ponche aos lábios, virando-o. Ficou em um súbito silêncio ao terminar, e apertou o copo de plástico nas mãos, parecendo impaciente. A música parecia explodir no universo, de tão alta que tocava.

— Tá tudo bem, Santana?

Foram três batidas no coração, até a resposta. Brittany chegou perto da outra, curiosa para ouvir. A loira não estava totalmente sóbria, mas, passava longe do estado da Lopez, ou do seu estado normal. Ela devia se preocupar? Talvez sim. Se bem que ela acreditava ser capaz de dirigir ainda.

— Não. Não tá tudo bem, Brittany... – Santana respondeu chorosa, e deixou o copo no chão, deitando sobre as coxas de Brittany, que sentiu o coração disparar logo após. – Tá tudo errado...

— Por quê?

Agora a loira não sabia onde enfiar as mãos. Estava sem saber o que fazer diante daquilo, Santana deitada em suas coxas... Desejava profundamente não pirar e ter um infarto. Enfim, a morena arrancou fora seu chapéu preto de oficial e o lançou para longe, observando os “monstros” esfregando-se uns nos outros na pista de dança.

— Eu não quero ter um irmão Britt... E o amor não existe, e eu odeio os meus pais... Eles... Eles vão estragar a criança... Eu sei... Porque... Porque... – Olhos castanhos encheram-se de lágrimas no colo de Brittany, que se segurou para não começar a chorar com a cena também, seu coração apertou, não queria ver a outra magoada, e os olhos castanhos marejados. – Tudo errado, tudo... Eu odeio todo mundo. Não sei o que fazer com essa raiva, eu não aguento... Todo mundo é melhor que eu...

Shh, isso não é verdade, você sabe. Você é maravilhosa... Calma San...

— Não sou, para de mentir!

— É sim!

— Por que Brittany? Apenas admita que eu sou horrível! – Ela fungou em prantos. – Por que o mundo é cheio de mentiras?

Brittany sorriu carinhosamente para a latina, ela estava dizendo coisas desconexas e sem sentido, pelo menos, era o que parecia acontecer. Era de cortar o coração ver, mas, de dar risada também, coitada da morena. Uma batalha de sentimentos iniciou-se, poderia ser perigoso.

— Porque as pessoas são complicadas, lembra que você me disse isso quando a gente se conheceu? – A Lopez assentiu e a loira abaixou as mãos, pousando uma sobre os cabelos negros, e a outra Santana segurou no meio do caminho, então a loira prosseguiu com o diálogo, enquanto fazia-a carinho nos cabelos e sorria. – Mas, por que você acha que o amor não existe?

— Porque não existe, essa é a maior mentira do mundo! Meus pais não se amam, meus avós não se amavam... E eu... Eu...

Ela parou de falar.

— Bom, Sant, eu acredito que exista sim, porque... – A loira suspirou, seus olhos estavam marejados também, uma droga. – Porque eu amo muitas pessoas, e não precisa ser amorosamente falando sabe...

— E eu não amo ninguém... Brittany, eu tento ser muito... Muito honesta com as pessoas, mesmo quando eu acho que elas são uma droga. Sabe?

Brittany percebeu como com olhos da Lopez ficavam puxadinhos quando ela estava chorando, não havia maneira daquela mulher não ser a coisa mais perfeita do mundo, de qualquer maneira em que se encontrasse, em qualquer situação, sempre seria a mais linda de todas, e isso doía, porque ela nunca seria sua. Nunca.

— Sim, sim. Eu entendo. Agora tenta respirar. Ok?

Santana parecia chorar mais ainda após a frase da loira. Inesperadamente, escondeu o rosto na altura da barriga de Brittany, no vestido de pirata, parecendo limpar as lágrimas por lá, seguidamente.

— Hey... – A loira balançou a outra pelo ombro, preocupada. – Você bebeu bastante né? Está tão estranha...

— Eu não sei... Britt, você vai tirar a sua roupa de novo hoje?

Brittany estremeceu naquele sofá. O que? Droga, do que Santana estava falando? Oh, meu deus. Oh, meu deus. Isso era uma pista da noite do penhasco? Seminua. Como assim? A loira começou a sentir aquele corpete, de sua fantasia, a asfixiar, começou a escutar barulhos de sirenes de polícia inexistentes, começou a hiperventilar e a suar, também. Não, não, não.

— O que... O que você falou Santana?

— Se você não vai tirar a roupa de novo...

Ok, aquilo era estranho. Brittany não sabia muito bem como reagir a aquilo, e Santana parecia estar grudada na sua cintura agora. Isso era um abraço ou sei lá? Estava passando mal com tudo, não conseguia raciocinar.

— Você é tão cheirosa, Britt-Britt...

— Santana! Quando... Quando eu tirei a minha roupa?

A latina gemeu e levantou, sentando do lado da loira de olhos arregalados, que parecia estar tendo um ataque de pânico muito grave.

— Quando a gente tava no farol, Pierce.

— Hã?! – Ela gritou histérica. – Você disse que não se lembrava de nada! Você...

— É lógico que eu lembro, para de gritar comigo...

— Que?! Mas, o que... O que mais você lembra? Deus! O que mais?! Diz pra mim... Por favor.

A expressão de Santana mudou e ela começou a chorar de novo, se encolhendo e apertando os joelhos contra si. Brittany a balançou, tentando fazer com que a morena olhasse para ela.

— Santana... Por que você mentiu pra mim? Você acabou de dizer que não entende por que mentiras existem e...

— Sai daqui.

— Que? Mas...

— Sai Brittany! – A latina esticou a mão para empurrá-la. – Sai...

A Pierce levantou do sofá revoltada e começou a se afastar em passos rápidos para fora do lugar. Ela estava de partida da festa depois daquilo que presenciara. Sem dúvidas, ela precisava urgentemente esfriar a cabeça.

Droga, Santana!

Porém, ao botar os pés para fora da residência, a chuva caía sem dó na cidade. Estava frio e escuro, alguns adolescentes achavam-se encharcados e bêbados ali no quintal. Brittany respirou fundo e olhou para trás, tinha que buscar seu guarda-chuva no quarto de Kitty. Voltou e subiu as escadas rapidamente, entrando no quarto e tampando a visão para o que rolava por lá, recuperou o pertence e voltou para a porta, como um relâmpago.

Era só ela sair, abrir o guarda-chuva e ir embora.

Mas, Brittany não podia deixar Santana embriaga e sozinha de novo como havia feito no farol. Aquilo era errado. Voltou para a festa rapidamente, a fim de “salvar” a morena bêbada. E o que encontrou foi Sam de volta ao sofá, só que desta vez, abraçando Santana.

Que merda!

Ambos bêbados e “carentes”, aquilo não daria certo nunca, dois adolescentes de sexos opostos daquela forma? Nem pensar, se Santana não queria um irmão, quem diria um filho na adolescência, por causa do descuido de uma festa infernal. Dava ódio só pensar. A Pierce irritou-se, e caminhou pisando violentamente no chão, apertando a bandana vermelha em seus cabelos, com o guarda-chuva pendurado no corpo como uma espada, até chegar ao encontro dos dois.

— Santana, eu vou te levar pra casa. Vamos.

Britt? – Ela empurrou o loiro para longe dela, que ficou confuso com a ação repentina. – Pensei que estivesse brava comigo...

— Eu estou. Mas, não vou te deixar bêbada aqui... – Brittany esclareceu de braços cruzados e fuzilou Sam com os olhos depois. – O que você estava fazendo, hein Sam?

— Ela estava triste e...

— E?

— Eu abracei ela, só isso Brittany, eu juro.

— Hum... Avisa pra Quinn que eu vou embora. – A loira pegou a mão da morena e a guiou consigo para fora da festa, até o seu conversível. – Você vai pra onde, pra casa da sua avó ou pra dos seus pais?

— Pra minha abuela...

— Ok.

(...)

Brittany adentrou o quarto de Santana pela primeira vez, depois de passarem com cuidado pela sala para não chamarem atenção de uma Alma Lopez adormecida, observando a garota deitar-se no colchão, exausta. Deu uma boa olhada a seu entorno e suspirou. Elas haviam se molhado um pouco com a chuva, nada demais. A loira encostou a porta, estava frio.

— Então... Você vai me contar o que aconteceu naquele dia do farol? Ou não? – Brittany perguntou, sem fitar olhos castanhos, via as coisas girarem um pouco, sorte que havia conseguido dirigir. – Santana?

— Obrigada por me trazer aqui...

— De nada. – A Pierce se aproximou e sentou ao lado da morena na cama, de frente para ela. – Ok... Melhor você ir dormir, né. Entra debaixo do cobertor, tá frio...

A Lopez pôs as mãos na cabeça da outra, ignorando-a, e tirou a bandana que cobria fios loiros da cabeça dela. Sorriu, pousou o pano vermelho na cama e passou os dedos morenos pela franja loira, levando-a para trás da orelha da líder.

— Por que você...

— Você é tão fofa... Tchau, Britt-Britt. – A garota se despediu repentinamente, inclinando-se sobre a cama, e depositando um beijo demorado na bochecha da loira, distanciando-se lerdamente do rosto rosado, posteriormente. – Boa noite.

Brittany sentiu a respiração da outra extremamente próxima a sua, elas estavam a poucos centímetros de distância, olhos azuis fixaram-se nos olhos castanhos e desceram até os lábios da morena, alternando o olhar entre as duas coisas.

Coração disparado, não havia mais o que se fazer, ela não tinha mais controle algum sobre absolutamente uma parte do seu corpo. Por que Santana estava tão perto? Deus. O perfume da outra era viciante... Ela tão perto era viciante, os lábios em sua bochecha eram viciantes... Literalmente uma verdadeira droga.

San...

A loira respirou com dificuldade, sentiu as mãos gelarem e o nervosismo crescer. Santana olhou para Brittany sem entender o que estava acontecendo, um pouco mais afastada que antes, então a loira se aproximou mais, a cada batida de seu coração selvagem e fechou os olhos, apoiando-se no colchão abaixo de si, calmamente, aproveitando a calmaria que sentiu em meio aos sentimentos conflitantes.

Seu corpo agia por si só, foi quando ela pressionou seus lábios rosados em carnudos, que cheiravam a ponche de cereja, a Lopez fechou os olhos a partir disso, alma totalmente exposta, sem negar nada, aceitou. Não fugiu.

Um selinho cheio de dizeres.

Em seguida, Brittany a deu um beijo doce, sem língua, apenas lábios. Isso era real? Até ela começar a deitar sobre a morena, movida ao impulso que a tomava por inteira, o seu vicio, a sua mais nova droga, ela virou o rosto e pediu passagem com a língua.

Não podia acreditar que era real.

Um beijo desesperado iniciou-se, Brittany levou uma mão para o rosto da latina, e a mesma correspondeu puxando-a pela cintura sobre ela. Aquilo tudo tinha gosto de frutas e álcool, e aqueles lábios eram o paraíso...

Santana quebrou o beijo empurrando a loira, do nada, e deu um salto cama afora, correndo para o banheiro. A pirata olhou para o mesmo e se levantou preocupada com a reação, direcionando-se para o cômodo, timidamente, que permaneceu de porta aberta, e perguntou:

— Tudo bem com você?

Não obteve resposta, ao invés disso, Brittany observou uma morena de joelhos em frente à privada, produzindo barulhos nada agradáveis. E lá ela soube que, o momento "romântico" entre ambas, havia sido aniquilado totalmente. Tinha que ajudar aquela figura passando mal em sua presença, aproximou-se e prendeu os cabelos negros em um coque bagunçado.

— Eu vou buscar água. Ok?

Santana assentiu, enquanto olhava para a parede.

Notas finais
Até ♥