Notas iniciais
Olá, as férias acabaram, né? Que chato, né? Queria estar morta.

Sempre que bebia, Santana Lopez tinha sono pesado, não era qualquer barulhinho, como uma sirene de policia, que a acordava. Não, ela precisava de muito mais que isso para acordar de um porre, e sem perceber Brittany a ajudou. De que forma? É simples. Sonos pesados, não são tão duradouros, quando algo vibra insistentemente, contra o seu corpo.

Quando Brittany Pierce decidiu sair correndo daquele penhasco e enfiou o celular da latina no bolso da mesma, ela foi acordada por ele (apenas cinco minutos depois de Brittany sumir), leu as mensagens de sua mãe e voltou à casa de seus parentes. Discutiu com Maribel Lopez e entrou no quarto em que estava hospedada, batendo os pés por causa do sermão que levara, abriu sua mochila e se deparou com um celular que não era seu.

(...)

Após seu pai cansar de gritar e finalmente ir dormir, Brittany ficou inquieta olhando através das janelas de seu quarto, era ansiedade demais explodindo em seu peito. Sentia-se uma criminosa por deixar a dona dos olhos castanhos, dormindo em um penhasco em plena noite. E por falar nisso, onde a loira tinha guardado seu celular? Ela havia saído tão bruscamente do farol, depois de se vestir, que mal se lembrava do aparelho.

Talvez Santana tivesse roubado, ela bem que podia ser uma criminosa, mentirosa e salafrária, Brittany nem a conhecia.

Mas se fosse realmente, por que não fugira enquanto a loira dormia? Um mar de suposições precisou martelar a cabeça de Brittany até ela decidir fazer algo a respeito. Não conseguiria dormir, sem aquele assunto, ser encerrado de uma vez por todas.

A Pierce começou a vestir a primeira roupa que viu pela frente. Desceu, às pressas, as escadas de casa, direcionou-se ao telefone fixo, e ligou para seu número. Andou de um lado para o outro na sala de estar, com a esperança de ouvir o toque do celular e acha-lo por lá mesmo, talvez ele tivesse apenas caído no chão quando ela chegara com seu pai. Mas ao invés disso, alguém atendeu a chamada e com uma voz sarcástica disse:

— Sabe... Eu tava me perguntando agora mesmo, quanto tempo ia demorar pra você ligar, só Brittany.

A loira suspirou. Pelo menos, ela não tinha lançado o celular, penhasco abaixo, como fez com aquelas garrafas de bebida, no momento de desespero em relação à sirene de policia. E a outra noticia boa, era que: Santana não tinha te roubado.

Ufa! Quem atenderia um celular roubado, né? Pior: Quem roubaria um celular, ficaria dormindo do lado da vitima e depois que acordasse, atendesse a pessoa na maior cara dura?

É. A Pierce só queria compreender o que teria acontecido nas últimas horas entre as duas, mesmo que para isso, precisasse pensar em coisas mirabolantes, quem poderia culpa-la? Brittany acordou seminua depois de beber e não se lembrava de nada, e sim... Talvez se sentisse meio balançada com os olhos castanhos.

— Tudo bem?

— Por que não estaria? – A morena rebateu.

— É... Bom, eu preciso do meu celular de volta, Santana. Nem sei como foi parar com você. Como a gente vai fazer?

— E você acha que eu sei como, garota? Fui abrir minha mochila e encontrei isso dentro. Mas confesso que... Não é a primeira vez que acontece coisa do tipo. – Ela riu. – É o seguinte: Quero dinheiro pelo resgate.

— O que?! Como você ousa?!

Brittany estava certa o tempo todo, havia sido roubada mesmo, como podia ser tão idiota? Maldita seja Santana Lopez.

— Eu tô brincando, sua sem graça. – A latina avisou.

Bom, a loira não estava certa... Só paranoica, queria recuperar rapidamente o pertence.

— Ah, é que não é uma boa hora pra brincar, Santana.

— Que seja.

— Você... Você... Lembra...

— Sabe onde é o Breadsticks?

— Sim! Por quê?

— Por que você acha? – Santana debochou. – Pra devolver o celular, puta que pariu! Já que resolveu largar comigo.

— Eu não resolvi “largar” com você! Você sabe muito bem...

— Tanto faz. Me encontre lá em vinte minutos.

— O problema é que, eu não sei se tenho como sair agora...

— É mesmo? Dá um jeito. Até.

Santana desligou antes que Brittany pudesse dizer qualquer coisa. Ok, então agora ela teria seu celular de volta, mas como consequência, teria também que, ir busca-lo de noite, sem acordar seu pai furioso, e com isso estaria quebrando as regras impostas há pouco tempo por ele.

É, parece que as coisas nunca estão no nosso controle.

A garota andou devagarzinho, como se estivesse em uma missão secreta, em direção ao quarto de Robert, e empurrou a porta. Ele estava roncando. Brittany só tinha que pegar as chaves do conversível de forma discreta e silenciosa.

Pés de bailarina, pés de bailarina, pés de bailarina.

A Pierce se concentrou em seus passos de pena, chegou até a gaveta ao lado da cama do pai. Abriu-a e pegou a chave. Bom, era mais fácil do que parecia.

(...)

Brittany estacionou em frente ao restaurante marcado. Desceu do conversível e olhou de um lado para o outro, tudo completamente parado, o local já estava fechado e não havia uma alma penada perambulando a rua. Que grande ideia! Com certeza ela seria assassinada em pouco tempo.

“BOO!”

Brittany deu um pulinho de susto e Santana surgiu, após dar a volta no corpo da outra, rindo da reação.

— Você é muito desligada, Brittany...

— Claro! Já viu que horas são?! Não devíamos estar aqui!

— Parece a minha mãe falando. – Santana ironizou e se atentou aos olhares preocupados de Brittany em relação à calçada vazia. – Você tem medinho de andar na rua bebê? Nem parece a garota que eu conheci na ponta de um penhasco...

— Cala a sua boca, por favor... Onde tá o meu celular?

— Aqui. – Santana tirou o aparelho do bolso e o entregou. – São e salvo.

— Ah, que bom! – Brittany tateou o celular feliz. – Nunca achei que sentiria tanta falta.

Brittany direcionou os olhos azuis para os castanhos e seu corpo começou a ficar quente, queria perguntar o que tinha acontecido enquanto estavam bêbadas, suspirou colocando o celular no próprio bolso, e ruborizou.

— Santana, é... É que... Você se lembra de alguma coisa... Sabe o que aconteceu quando nós bebemos?

— Não. Acho que não... Pra falar a verdade eu nem tinha certeza se você tinha bebido comigo mesmo... Só tive quando achei o seu celular. Por quê? Você por acaso lembra?

— Não, mas eu acordei... Sem roupa.

Santana arregalou os olhos.

— Quer dizer, eu tava de sutiã e calcinha... Seminua, você entendeu.

— Ah! Ok... Talvez você tenha tirado, sei lá.

— Por que eu faria isso?

— Como é que eu vou saber?! – Santana observou os olhos azuis desviando dos seus, e depois as bochechas rosadas da loira. – Você não acha que eu... Que a gente...

— Não sei! Eu não te conheço, e sei lá...

Santana começou a rir e segurou os ombros de Brittany.

— Queridinha, eu sou hétero. Seja lá o que tiver acontecido, eu não toquei em você, pode ter certeza... Você não é sonâmbula?

— Eu espero do fundo do meu coração que sim...

Brittany se distanciou, colocando as mãos no bolso.

— Bom, já que você não sabe... Eu tenho que ir.

— Boa noite.

A latina sorriu e a loira forçou-se a corresponder, mesmo que não sentisse a menor vontade de retribuir o gesto.

(...)

Quando as férias de verão se aproximaram de Rosefield, Brittany não sabia direito o que faria para passar o seu tempo...

Se isolar no farol não fazia parte de seus planos, há algumas semanas, pois seu pai havia proibido à loira, de ir a determinados lugares da cidade, lugares longe demais. Tudo consequência do ocorrido no penhasco.

Agora a adolescente só tentava esquecer tal coisa, dessa forma era mais fácil amolecer o coração do pai. De uma coisa Brittany sabia, Robert era um homem que gostava de verdades. Então ela começou a falar mais com o pai sobre outras coisas, anulando qualquer possibilidade dele mencionar, nas conversas trocadas, aquele dia estranho no farol.

O importante era que Santana e ela estavam bem, tirando isso, ninguém precisava mais tocar no assunto. Nunca mais de preferência... Nunca.

Mas por que Brittany estava tão incomodada de pensar sobre aquilo? Esqueça, esqueça, esqueça.

Talvez seja porque viu Santana saindo de dentro do cemitério de Rosefield, enquanto ela voltava para casa de ônibus escolar, um pouco antes das férias chegarem. Ah, não podia ser Santana, né? Por que ela havia visto Santana? A latina tinha ido embora há semanas, e seus parentes iam se mudar, não iam?

Com o tempo, a frequência dos castigos de Brittany foi diminuindo, Robert a deixava sair depois das aulas, de vez em quando, com seu conversível. Mas ela devia avisa-lo aonde ia e com quem estava. E nas férias libertou a adolescente, mas é claro, antes havia sido estabelecido um horário-limite para ela chegar em sua residência.

Tudo isso aconteceu durante um mês e meio, Robert não era bom com castigos, nunca teve que da-los antes, ficou extremamente feliz quando acabou, podia-se dizer que, até mais que a filha.

Então Brittany arrumou planos diferentes, e os planos envolviam pessoas da escola, por mais incrível que isso parecesse.

Notas finais
Gente, por que tem tanta fanfic boa Brittana abandonada? Aaah dá muita dor no coração, tô na bad. Voltando aqui, por favor, me avisem se não entenderam algo do capítulo. Até ♥