Destino ou não - Brittana
48 Sobre relacionamentos
Notas iniciais
— Anda logo, Berry!
— Calma aí, espera, por favor... – A baixinha pediu levando uma mão ao peito agitado, e a outra a cintura, enquanto diminuía o ritmo de seus passos ininterruptos pelo solo macio. – Nós podemos parar só um pouco, Santana? Não tô aguentando, não.
A latina olhou para o lado e gargalhou da cara dela. Era uma piada, né? Tinha certeza.
— Parar “só um pouco”? Você só pode estar brincando! O intervalo de cinco minutos, foi há dois minutos, não tá lembrada?
— Sim, eu tô, mas... – Rachel respirou o mais fundo que pôde, e fez careta, olhando para os lados. – Podemos mudar os planos e aumentar o intervalo pra quinze minutos, antes que, eu desmaie de verdade?
A mais novíssima (e mais baixa, também) animadora das Cheerios, parou e abriu uma garrafinha de água em posse, quase a tomando tudo de uma vez só, afobada, como talvez, nunca ficara antes na vida, com nada. Logo as garotas precisariam comprar outra garrafa, voltando ao quiosque mais próximo, pela terceira ou quarta vez consecutiva. Santana impressionou-se com a cena que foi obrigada a presenciar.
— Meu deus, que tipo de balé você fazia hein, rainha do drama? Não aguenta nada, que fraca, deixa eu te contar. Tsc, tsc, tsc, sinceramente, acho que você mentiu pra mim, só isso explica essa moleza toda.
Rachel quase engasgou e fechou a garrafa.
— Moleza, depois de tudo que eu fiz hoje, Santana?!
A Lopez apenas assentiu a indagação da menina chocada, tranquilamente, e apanhou a garrafa das mãos dela.
— Ok... Santana, eu não menti, é só que, faz mais de dois anos que eu parei com as aulas e... E... Você é intensa demais, desculpa, mas quer me matar?! Não tô acostumada com isso! Pode me dizer a verdade, eu tô acostumada, não ligo se quiser.
— Olha smurf, se for pra ver você melhorar... – Santana a enviou um sorriso irritante, divertindo-se com tudo, mesmo levando o treinamento a sério, era engraçado Rachel reclamando e implorando coisas para ela. Aparentemente, para isso, o infinito fôlego dela voltava que era uma beleza. Porém, a Lopez não mencionaria tal fato, por enquanto, pois ainda se encontrava em perfeita paz de espírito. – Sim, eu quero te matar.
— É oficial, é hoje que eu morro dura nessa areia aqui, já tô vendo, eu sabia, tudo bem, é o meu fim...
A morena revirou os olhos e suspirou com o show da outra.
— Berry, eu não quero as outras líderes olhando torto pra gente, todo dia, só porque você entrou para o time, que nem aconteceu na sexta-feira, tá? E outra, precisamos provar pra Washington que você é tão capaz quanto a Kitty, a Jordan ou qualquer outra imbecil que ainda esteja nas Cheerios. Então, ignore essas faltas de fôlego momentâneas que estão acontecendo agora. Caramba, você é cantora, Rachel! E das boas. Sabe lidar com isso muito bem, é só se lembrar, tudo é questão de diafragma, certo? Você tem o controle perfeito dele. Não importa se é uma corrida ou um Dó-Ré-Mi-Fá no espelho, sabe...
Elas riram.
— Nossa Santana, isso foi tão bonito de se dizer da sua parte, você tá mudando pra melhor...
— É, é garota, eu sei.
— Obrigada, mesmo! – Ela agradeceu sorridente e abraçou forte a Lopez. – Eu tô muito orgulhosa de você...
— Tá. Sentimentos e suor demais. Já chega... – A líder de torcida se afastou da amiga, apertou o rabo de cavalo nos cabelos negros rindo e sentiu uma breve brisa gelada do inverno passar por seu rosto nu, naquela praia semi-despovoada, num início de tarde de domingo, na pequena Rosefield. – Vamos voltar pros polichinelos, em posição, vai!
— Sério?
— Sim.
— Ah, não, de novo não!
— Berry... – Santana cruzou os braços e olhou para Rachel com o maior deboche esboçado no rosto limpo, até a garota se tocar de vez e, enfim, começar a série de exercícios mandados pela latina, um atrás do outro, com curtos, porém, muito eficazes, descansos de cinco minutos. – Um, dois, um, dois...
Sentados num quiosque, pelos arredores daquele pedaço de praia onde Rachel e Santana praticavam atividades físicas, Brittany e Sam observavam Quinn se afastar deles, voltando ao encontro das garotas em relativa distância na areia, com bebidas naturais nas mãos.
— Nossa! – Evans pronunciou, entretido. – Impressionante...
— Hã? – Brittany perguntou tentando procurar o ponto que o garoto tanto encarava, mas foi deixada no vácuo, e tentou de novo. – O que é impressionante, Sam?
Ele continuou vidrado em algo avante, sem olhar para a Pierce, e ela ainda sem entender o que ele estava querendo dizer ali, efetivamente.
— A Santana, Brittany.
— Oi?! – A loira questionou-o, de sobrancelhas franzidas, e deu uma leve espiada na namorada. – O que é que tem ela?
— O empenho dela, com a Rachel, é de se admirar. – Sam esclareceu e virou-se para o lado, para fitar olhos azuis e sorrir. – E esse é só o terceiro dia de treinamento ainda, né?
— Sim.
— Wow! E já tá assim, intenso? – Ele riu de novo, após notar Brittany afirmar com a cabeça, para frente e para trás como um “sim”. – Eu não aguentaria não, tô muito impressionado sério, e com um pouco de dó da Rachel, também.
— Pois é, confesso que eu tô que nem você agora... – A atleta o acompanhou nas risadas divertidas. – Mas, ela vai sobreviver, a Sant é uma boa professora e a Quinn também, então.
— Eu aposto nisso, Britt! – O garoto virou a cabeça para frente ajeitando-se no banco, outra vez, e Brittany apenas o imitou. – A propósito, acho que a Quinnie e ela estão discutindo, pararam tudo, olha lá.
Rachel devia estar comemorando, internamente, aos gritos naquele instante.
— Normal Sam, elas não tinham discutido até agora né, sempre acontece em algum momento do dia, e eu já desisti de tentar evitar sempre, não podemos fazer milagres...
— É o que nos resta mesmo? Desistir? E é isso aí?
— Até onde eu sei, sim.
Eles riram e tomaram um gole de seus sucos, em silêncio, vendo as ações voltarem ao normal às Cheerios na praia, pacificamente.
— As duas se adoram.
Brittany tornou a olhar para Sam com a “alegação” repentina vinda dele.
— Você acha?
— Tenho certeza. – O jogador declarou, corrigindo-se, depois: – Não de uma forma convencional, claro, mas se adoram sim.
— Hum, e o que te faz ter tanta certeza, Sam?
— Ah Britt, a Quinn vive elogiando indiretamente a Santana pra mim, e, a Santana não deve ser tão diferente assim dela nesse quesito, eu acho.
— Pior que ela faz isso mesmo, também! – Ela riu e tornou-se pensativa. – Que estranho...
Eles riram juntos de novo e receberam certos olhares vindos das garotas distantes.
— Ih, elas vão achar que a gente tá fazendo hora, com esses sucos aqui.
— Mas, a gente meio que tá mesmo, Sam.
Os dois não conseguiram conter os risos, então desviaram a atenção que davam as líderes, para continuar o diálogo.
— Então... Você e a Santana estão namorando, não é?
A estudante confirmou, bebendo mais do seu suco de morango, em seguida, com aquele canudo dobrável que tanto gostava.
— Como tá sendo pra vocês?
Ela sorriu absorta em pensamentos recentes.
— Maravilhoso.
Um dia atrás...
Santana e Brittany subiam a série de degraus da residência da loira, em algum período do sábado, quando, de imprevisto, a latina parou antes de chegar ao quarto a que se direcionavam, e, ficou olhando em torno do corredor cheio de portas trancadas, o que fez a Pierce intrigar-se.
— San, o que foi?
— Nada... – Era alguma coisa sim, olhos castanhos contrariavam lábios carnudos, Brittany continuou fitando a namorada porque sabia disso. – Quer dizer, eu tava pensando, quando é que vou saber o que tem por trás de todas as enigmáticas portas do castelo dos Pierce, Britt-Britt?
— Não chama a minha casa de castelo, por favor...
Brittany amuou-se, desviando olhos azuis para a parede, e fez bico automaticamente.
— Eu só tô brincando, coração.
A Lopez sorriu e se aproximou, depositando um selinho em lábios rosados emburradinhos.
— Tá... – A mais alta sorriu também. – Mas, pra que você quer saber o que tem por trás das portas, Sannie? Não é nada demais.
— Curiosidade e se não é nada demais, não tem problema eu ver, não é?
– É. – Ela teve que concordar. – Você é muito chata e muito curiosa também Santana, por um momento eu me esqueci disso...
— Não posso negar. – A morena riu. – E aí, o que me diz?
— Não sei...
— Jura que sua namorada não tem o direito de conhecer os incríveis mistérios da casa dos Pierce, Britt?
A de olhos azuis cerrou a visão, debochada.
— Você vai usar esse argumento de ser minha namorada pra tudo agora?
— Bom Piercezinha, se eu posso usar, eu vou usar e a culpa é toda sua, então não reclame.
— Hum, é, nesse caso vou aceitar, mesmo sendo injusto, porque essa foi uma decisão muito importante aqui... – Elas riram. – Tudo bem, como você venceu dessa vez Sant, podemos começar agora mesmo, mas, tem um porém...
— Eu já desconfiava.
— Vou mostrar uma porta pra cada sábado que dormir aqui em casa, contando com esse, simples...
— Ah, então você já decidiu que eu vou dormir aqui com você hoje, assim?
— Uhum... – Brittany afirmou apossando-se da cintura da morena e guiando-a até a parede, apoiou um braço no concreto e a outra permaneceu colada no corpo de Santana. – Eu também posso me aproveitar, um pouquinho só, da situação, não posso?
— Claro que pode...
Seus lábios se encontraram em sincronia pelo caminho certeiro e seus corpos compactuaram-se num calor nascente recíproco corrente, e sorrisos não faltaram dentro do beijo gostoso cheio de pegada que as unia intensamente à medida que, suas línguas perpassavam-se entre si, entretanto, Brittany recordou-se de que elas não estavam dentro do quarto ainda, e os planos de agora eram outros, a líder mais alta distanciou sua face milimetricamente da latina e sorriu animada.
— A porta... – A Pierce disse para a outra, soltando-a. – Você quer escolher qual vai estreiar a nossa linda série de sábados?
A Lopez abriu um sorriso.
— Não, eu vou confiar em você corazón, pode me levar pra qualquer uma que tá bom.
Brittany fez uma cara travessa.
— Qualquer uma?
— De preferência uma que acalme minha curiosidade, né.
—Tô em dúvida, será que, eu atendo esse seu pedido?
— Eu tenho certeza que você vai... – Santana segurou o queixo da garota e deu-a outro beijo quente. – Não vai?
— Vou...
— Ótimo.
Elas riram.
— Ok, eu já sei qual vai ser a primeira, vamos... – Brittany avisou, apanhando uma mão da namorada e trazendo-a consigo, parou em frente a uma das portas, girou uma maçaneta e revelou o lugar. – Aqui é o que eu chamo de “acúmulos do Robert”.
— Acúmulos do Robert, é?
Santana riu e acompanhou a loira na entrada da sala.
— Sim, uma coisa que eu nunca falei pra você do meu pai San, é que ele é um verdadeiro maníaco-consumista-acumulador de coisas, principalmente coisas eletrônicas. Mas, ao mesmo tempo, ele é genial quando se trata de investimentos e controle financeiro. – Ela gargalhou. – Isso é uma coisa tão maluca de se pensar que sempre explode meu cérebro quando eu tento...
— Tô vendo. – A Lopez comentou aos risos, passeando no cômodo, entretida, abriu umas gavetas. – Nossa, eu não acredito nisso, aquele seu celular antigo que achei na minha mochila tá aqui, Britt!
— Sim, eu disse, ele não se livra de nada e também não deixa eu me livrar. – Brittany se divertiu com expressão imensamente surpresa de Santana e relatou: – Quando a gente se mudou pra cá, nada da outra casa veio junto, tudo que, ele ou eu, quisermos igual de lá, ele compra depois. Nossa casa em Seattle tá intacta, com exceção da foto da minha mãe que você viu, mas ele nem sabe que eu trouxe.
— Entendi...
Brittany se espaireceu, caminhando para mais fundo, e virou-se para trás, repentinamente.
— Sabe uma coisa que ele adora acumular também?
– O que?
— As coleções dele...
— E não é esse o intuito delas?
Santana gargalhou.
— Sim, mas como eu disse antes, nada da outra casa veio pra cá, e mesmo assim... – A Pierce abriu as portas de um armário no perímetro habitado. – A coleção de vídeo games do Robert tá aqui.
— Mentira! – A morena se pôs ao lado da namorada e contemplou o armário recheado de prateleiras carregando os aparelhos em questão. – Me deixa ver se eu entendi, ele tem todas as coleções da sua casa em Seattle por aqui também, sem ter trazido nada de lá, é isso mesmo?
— Sim, por isso essa parte vazia aqui... – Ela indicou uns lugares sem nada, propositalmente, em ordem com as mãos. – Na nossa outra casa tá tudo completo, e, a mesma coisa acontece com a coleção de moedas dele e canetas, enfim.
— Desculpa falar, mas isso é muito coisa de gente rica...
– Eu sei.
— Você coleciona alguma coisa também, coração?— Santana perguntou, rindo um pouco, em seguida. – Além dos travesseiros.
Brittany riu.
— Sem graça...
— Como posso ser sem graça se você tá rindo?
— É... – A loira colocou um mexa de cabelo atrás da orelha e sorriu. – Eu não coleciono nada San, meu pai já faz por mim e por ele muito bem, pode ver.
— Realmente...
Elas riram.
(...)
Brittany se ajeitou debaixo das cobertas sobre sua cama, confortavelmente, e petrificou, quando seus olhos foram magnetizados em Santana saindo de seu banheiro, vestindo apenas sua camisa xadrez vermelha e uma calcinha preta. Era a visão perfeita para uma noite tão fria. E ela chegava cada vez mais perto.
— Britt, já que você me fez aquele acordo sobre as portas, quero rebater com outro que eu acho que é tão importante quanto...
— Mais importante que a sua curiosidade, é? – A mais alta riu. – Não acredito em você, Sant.
— É sim... – Santana estava séria e, à medida que falava, pegou um dos travesseiros da cama superlotada deles. – Muito mais, se quer saber.
A garota atentou-se a outra e elevou um pouco o tronco no encosto.
— Ok, pode falar...
— Todo sábado que eu dormir aqui, você tem que deixar um travesseiro ir, pro seu próprio bem, começando por esse.
— Já? – Ela olhou para os outros, pensando nos pesadelos, pensando em tudo. – A Emma disse que eu não precisava correr...
— Então Brittany, por isso eu estou te pedindo só um a menos, a cada vez que eu passar a noite aqui. – A morena sorriu serena, se inclinou e deu um selinho nela, aquietando o coração da Pierce, concluiu: – Só unzinho, é uma boa frequência, não acha? Diz alguma coisa.
A loira assentiu.
— Tudo bem.
Santana sorriu, de novo, e se afastou para guardar o travesseiro em um canto do guarda-roupa. Enfim, menos um. Quando a garota deu meia volta, para se deitar na cama, percebeu a namorada levantar o cobertor.
— Sannie...— Ela deu dois tapinhas no espaço que existia entre suas pernas. – Vem cá.
A latina encarou-a, desconfiada.
— Por quê?
— A gente combinou de assistir alguma coisa, não combinou?
— Sim, mas...
— Senta aqui, vem.
Santana fez o que lhe foi pedido e se encaixou entre as pernas da namorada de costas, ao sentar, cobrindo-as com o edredom, em sequência.
— Eu ainda não entendi o porquê me pediu isso.
— Quero ficar perto de você... – Brittany abraçou a cintura da líder e depositou um beijo casto no pescoço dela. – Não é o bastante?
— Hum... – Ela sorriu. – Nós vamos ser um casal grudento?
— Podemos ser o casal que você quiser, San.
— E se eu não souber sempre o que eu quero, coração?
— Aí, você faz a primeira coisa que te der vontade, sem pensar tanto... – A Pierce riu, fixando a cabeça no ombro da garota à frente, prosseguiu: – A gente não precisa de rótulos, nem seguir padrões, que se danem os outros, nós somos nós e a gente namora como quiser.
Elas riram.
— Você é uma gênia...
— Eu sei.
Santana virou a cabeça e deu um beijo na bochecha da loira antes de se apossar do notebook descansado no colchão.
— E aí, o que nós vamos assistir?
— O que você quiser...
— Ok, não se arrependa de ter dito isso depois, hein Britt.
— Não vou me arrepender! – Ela riu e ficou observando a outra digitar, até soltar um: – Eu te amo, Sant...
Um arrepiou palpitante subiu de sua barriga até a ponta da língua.
— Eu também te amo.
A Lopez virou o pescoço, e, enterrou os dedos nos fios loiros que encontrou pelo caminho, roubando um beijo duradouro de Brittany.
E agora...
O novo quarterback dos Titans apaziguou-se, naquela cadeira elevada grudada a um balcão comercial praiano, ao ouvir um “maravilhoso” ecoando solto no ar, e, examinando atentamente o comportamento da Pierce, a qual parecia estar completamente sossegada e feliz mediante ao assunto por ele iniciado no ambiente arejado, resolveu ousar e perguntar o que tanto queria a ela, sucessivamente.
— Ahn, Brittany, e como rolou? Quero dizer, o pedido de namoro, se teve, não sei, desculpa te perguntar isso, sei que é pessoal e que é muita intromissão da minha parte também, mas é que...
Ela arqueou as duas sobrancelhas, pasma, e o interrompeu.
— Jura que a Quinn não te contou essa parte?
— Juro. Ela não contou. Só mencionou que vocês estão namorando mesmo...
— Uau... – A Pierce riu. – Ela tá melhorando!
— É verdade, ela tá... – O atleta ficou meio sem graça e passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os. – Eu sei que não é legal ela ficar “espalhando” isso pro outros, mas...
— Vocês conversam sobre tudo. Tô sabendo. Ela me disse que contou pra você dessa vez.
— Certo, e quanto a...
Pela expressão de preocupação constante do garoto, Brittany já sabia o que vinha e se precipitou, numa boa:
— Tá tudo bem, a Santana também sabe, confiamos em vocês.
O Evans sorriu autêntico e aliviado.
— Que bom... Érr... Na realidade, eu e a Quinnie conversamos sobre quase tudo. Tem coisas que não conversamos nunca. E, é sobre isso que eu queria falar com você, Britt.
— Ok, pode falar...
Ela reparou o tórax do menino levantar e descer forte.
— Eu queria saber como começou o seu namoro, porque eu tava pensando em pedir a Quinn em casamen... Digo namoro! E... Ahn, bom, eu não sei bem como fazer isso com ela repetindo que não quer nada sério agora, por causa de todo o clima estranho com o Finn... Eu até comprei as alianças, só que não sei o que fazer, eu não quero forçá-la a nada, entende? É tão diferente dessa vez... Eu gosto muito dela, mas... Não sei como agir com isso... E... Ah, esquece Brittany, é bobagem...
A loira pousou uma mão no ombro do amigo nervoso e ele calou-se, na hora, tentando compreender.
— Se acalma Sam, antes de tudo, respira.
— Ok...
Ele o fez.
— Eu te entendo. Muito mais do que imagina, e estou à sua disposição pra ajuda que quiser e precisar de mim, tá bom? – Brittany comunicou-o e sorriu, sossegando o rapaz. – Aliás, muito legal você ter comprado as alianças pra Quinn...
— Você acha?
— Acho. – Ela riu. – A Quinnie vai amar, mas enfim, você queria saber como eu e a Sannie chegamos ao namoro, né?
— Isso.
— Complicado explicar... – A ginasta parafraseou reflexiva e prosseguiu: – Mesmo assim, vou tentar resumir pra você, pode ser?
— Tudo bem, qualquer coisa já me ajuda e muito, Brittany!
— Eu tava com esse seu desespero também, me lembro do sentimento bem forte ainda, porque ele não me deixou completamente. É de ficar sem chão, qualquer coisa é melhor que nada, porque quando você tá sozinho pensando em tudo que você sente e não expõe nada para o mundo, pode ser perigoso. E no fim, acho que a gente nunca sabe lidar perfeitamente bem com assuntos que envolvem quem a gente gosta assim, né...
— Exatamente!
Eles riram.
— Mas, como você me falou, tudo melhora e eu acredito nisso agora.
— Brittany, mesmo estando desse jeito aqui, eu ainda penso assim e sempre vou pensar. – O jogador riu e repetiu a mesma coisa que ele dissera a garota tempos atrás. – É a vida...
— É uma lei da física pra você!
— Com certeza.
Brittany sorriu e o garoto terminou de tomar seu suco de manga por inteiro.
— Então Sam, eu não tinha nada planejado, mas quando viajei pra Seattle conversei com o meu melhor amigo da vida e ele me disse que a melhor forma de provar pra Santana que relacionamentos davam certo, era justamente botar ela em um e provar a ela o contrário. E, eu não sei dizer, aquilo me pareceu à luz no fim do túnel pra toda a situação de eu ter confessado o meu amor por ela no ano novo e tudo ter ficado estranho. Aí, a primeira coisa que fiz de volta a Rosefield foi procurar ela direto, antes que eu deixasse o medo e pensamentos me impedirem e, bom, ela cantou pra mim, eu pedi ela em namoro e foi isso.
— Incrível!
— Foi mesmo.
— A parte da Santana cantando eu fiquei sabendo...
— É claro, eu já suspeitava, a Quinn adorou essa parte.
Eles riram brevemente.
— Você acha que eu devia arriscar e pedi-la hoje mesmo, assim, de surpresa?
— Não. Eu acho que você tem que pedir ela em namoro quando você quiser, hoje, amanhã, não importa, quando a coragem aparecer, só vai! Ela gosta muito de você, Sam... – Olhos azuis se atentaram ao jogador deixando o banco, determinado, prestes a dar passos rápidos atrás da amada. – Mas, por favor, prefira fazer isso quando vocês estiverem sozinhos. Não no meio do treino da Rachel com a Santana por perto. É melhor pra sua segurança.
— Oh, certo... – O menino Evans voltou para o assento ao lado de Brittany. – Eu nem ia me arriscar agora, isso foi apenas uma dorzinha de barriga passageira que me deu, do nada, sabe... – Ele brincou, com um tom de voz cômico, e passou a mão no abdômen, olhando para o mesmo. – Já passou...
Brittany riu dele e Sam ficou sério, depois, novamente.
— Sem brincadeira agora, obrigado, Brittany.
Ela somente retribuiu o sorriso que recebia do amigo e terminou com o copo de suco nas mãos, de uma vez por todas.
— Vamos alcançar as garotas?
— Vamos.
Na ocasião em que, ambos deslocavam-se de seus assentos, a Pierce foi a única a endurecer os passos, permitindo Sam ir à frente, sozinho, pois olhos azuis estavam ocupados e concentrados demais seguindo um gato redondamente preto que, ela tinha quase convicção absoluta de ter já visto antes, transitando por sua trajetória, de súbito, exatamente como fazia agora.
Meow...
O miado, as patas fortes, o pelo brilhante, era ele. O mesmo gato que vira no Halloween. Continuava muito bem cuidado, lindo, e cheio de presença. O que ele fazia vadiando, praticamente, pela praia? Bom, Brittany só sabia que, da última vez que vira ele, beijara Santana pela primeira vez, o que só poderia significar coisa boa vê-lo de novo. Não? Ele encarou a líder de torcida com os olhos verdes cintilantes, profundamente, e dilatou as pupilas como o gato de botas faria para encantar humanos, antes de se esfregar por sua calça.
— Sparks! – Alguém chamou cada vez mais alto, brotando à visão da atleta que, até então, só tinha olhos para o gato. – Desculpa, Brittany...
O garoto pegou o bichano nos braços e a Pierce notou que o mesmo tratava-se de Ryder Lynn. Ela podia simpatizar com o esportista naquela situação, mesmo que, ele fizesse parte da “turminha super-legal“ do Puckerman. Sorriu, só tinha olhos para o gato, não tinha como ser diferente.
— Tudo bem, Ryder. – Brittany disse, de maneira simpática, e fez carinho no animal elevado. – Então, o nome dele é... Ai!
O jogador riu.
— Eu ia avisar que o Sparks curte morder, mas acho que, agora você já sabe por conta própria.
— É...
A loira balançou a mão e assistiu os furinhos sangrarem um pouco.
— Ele gosta de passear na praia?
— Não. – O Lynn negou, brincando com a cabeça do felino, aos risos. – Ele gosta de sumir e deixar minha mãe preocupada, né garotão?
— Ele é da sua mãe?
Ryder assentiu e Brittany ficou pensativa sobre a região que vira a bolinha de pelos pela primeira vez. Não era tão longe de sua casa. Pelo que se recordava.
— Você conhece o condomínio Rose Garden?
— Sim, eu moro há duas quadras de lá, por quê?
— Curiosidade.
O rapaz olhou para os lados.
— E o que faz por aqui sozinha, Brittany?
— Eu não tô sozinha... – A ginasta apontou para Sam, Santana, Quinn e Rachel na areia. – Vim com o pessoal.
— Ah, sim... Lopez, Evans! – Ele olhou para os adolescentes e acenou alegre, voltando a olhar para a Pierce. – Eu vou indo agora, antes que minha mãe pire, tchau.
— Tchau, Ryder... – Brittany fitou o gato, depois. – E Sparks.
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