Notas iniciais
'Cause, baby, tonight, the DJ got us falling in love again ♫

Uma semana depois...

O vapor abrasador, provocado pela serena água daquela banheira, aquecia integralmente o ambiente, embaçando toda e qualquer superfície vidrada que pudesse existir pelos cantos do lugar. Arrepiar-se era inevitável. Brittany, submersa ali, tinha somente sua cabeça visível, firmada numa das bordas do utensílio espaçoso. Quanto a Santana? Situava-se sobre ela. O que fazia com que as águas por lá não fossem tão calmas assim. A loira agarrou as nádegas da namorada com mais firmeza, ao passo que, mordiscava e chupava o lóbulo da orelha esquerda dela e sentia aquele físico divino corresponder, tão perto.

A cada toque, sua pele se entregava, pelos erguiam-se, músculos se contraiam.

Dois corpos conversavam harmonicamente entre si, em todas as suas extensões, sob a água. De repente, a Lopez esboçou um sorrisinho safado. Os dedos finos, de uma das mãos da outra líder de torcida, estavam deslizando de sua bunda para o meio de suas pernas.

— Você não se aguenta... – Ela murmurou risonha para a Pierce, e, se mexendo sutilmente, constatou seus seios roçarem-se nos dela, suas mãos se sustentando nas extremidades da banheira atrás de Brittany e a excitação vigente delas pairando sobre o ar. – Né, corazón?

— Com você? Nunca... – Brittany contradisse, mordendo os lábios, mais forte, ao sentir a parte frontal da coxa da morena aumentar o estímulo em seu sexo. Num mundo onde existia Santana Lopez, em cima de você, fazendo o que quer que fosse, era possível não chegar ao clímax alguma vez ou não querer tocá-la sempre? Certamente não. – Humm-ahn, Sannie...

— Eu vou terminar aqui primeiro, tá bom, gulinha?

Santana perpassou seu nariz no da garota abaixo, delicadamente, enquanto escutava-a gemer baixinho com seus movimentos precisos, fazendo-a chegar, finalmente, ao deslumbramento carnal fascinante que, caçavam com ardor naquele comecinho de noite de sábado. Respirações alvoroçadas dialogavam, cada vez mais, entre elas. Foi quando, aquele físico submisso enrijeceu-se e deu leves tremeliques, relaxando por completo, sucessivamente.

— Que fácil...

Na hora que a Lopez falou, Brittany sentiu-se mortalmente desafiada por aqueles olhos castanhos maquiavélicos fitando-a daquele jeito convencido e colidiu, sem pensar duas vezes, a sua boca com a da latina, buscando por um mais profundo e atrevido contato entre suas línguas durante o acentuado beijo que, instauraram num maravilhoso ritmo encontrado, de novo. Não muito rápido, não muito lento, apenas na dose certa da qual necessitavam, exatamente no meio da balança imaginária que estabeleceram. Assim, Brittany rebateria a fala de Santana e o delicioso clima iria se mesclar, enfim, ao ponto aonde sua mão chegava com vontade e cuidado. Mas então, ela parou, sem dar explicações. Pois, uma ideia -melhor ainda- desabrochou em sua mente travessa.

De imediato, queria botar em prática.

A Pierce afastou o rosto de Santana e abriu os olhos azuis para vê-la. Linda era pouco para aquela garota. No tempo em que, subia um tanto seu tronco, para encostar as costas de um jeito melhor e mais confortável na banheira cheia, sentando-se, Brittany levou ambas as mãos ao rosto da namorada e fez um carinho na pele macia, traçando uma trilha com sua visão, encantada, que ia do queixo, lábios carnudos, bochechas e covinhas para cima, capturando toda a face, cada detalhe, até parar nos olhos escuros reluzentes que, amava tanto poder vislumbrar. Tanto, tanto, tanto. Sorriu, malandramente e suplicou:

— Se vira.

As sobrancelhas da mais baixa franziram-se, estranhando as feições maliciosas da Pierce para o seu lado, apesar de, definitivamente, adorar quando ela as atingia daquela maneira.

— Oi, Britt?

— Só se vira na banheira e fica rente a mim, vai...

A loira mordeu o lábio inferior de Santana, puxou-o entre os dentes, e a resposta dela, mediante a tudo, só pôde ser um “Ok” obedecendo. Já de pé, a Lopez se alegrou com os olhares vorazes que, Brittany enviava-a, por conta da completa nudez de seu corpo aos pingos. O mais belo de todos, sem dúvida alguma, diga-se de passagem. Ela tratou de dar uma voltinha, um tanto quanto, devagar e extremamente cativante para a Pierce, antes de abaixar e retornar a se dispor de costas nas águas da banheira da qual se levantara, ligeiramente, a pedido da outra.

— Isso, San...— Brittany orientou a namorada, puxando-a para se sentar em frente a ela, bem unida ao âmbito de suas pernas, fixou os seus peitos ao dorso pelado de Santana, e, sem perder mais tempo, começou a afastar os úmidos cabelos negros do ombro da garota para o lado, distribuindo beijos dali para a pele do pescoço moreno, lugar onde libou e dentou com brandura. – Gostosa.

As mãos dela que, agora, submergidas a água quente, localizavam-se repousadas na barriga da latina, escorregaram os dedos gélidos lentamente para cima, a fim de provocá-la arrepios desconcertantes pelo trajeto, antes de segurar os seios fartos nas palmas, atiçando os mamilos com ações perspicazes das digitais dos indicadores e médios, de ambas as mãos ativas.

B-Britt...

Shh...

Elas não podiam esquecer que o banheiro fazia eco. Ainda mais, com as janelas trancadas, por conta do frio lá fora. A líder de torcida de trás deixou um dos seios, quando sentiu a pele que friccionava ouriçar-se e trouxe a mão esquerda para o rosto de Santana, ocasionando a viradela do mesmo para conseguir roubar-lhe um beijo cálido dos lábios. Assim, arriou os dedos da mão direita pelo abdômen da namorada, até chegar à intimidade dela. Com certeza, a pressão da água estava a favor das garotas, Brittany presumiu, afinal, era uma loucura total transar imersa numa banheira preamar.

O corpo da Lopez se contraia, mais e mais, em reação a fomentação jeitosa dos dedos finos em seu clitóris.

E, conforme as pulsações dela foram aumentando, a morena agarrou com eficácia as pernas brancas ao entrono de si, notando dois dedos da namorada sendo introduzidos dentro de sua vagina, que já apertava entusiasmada, por conta daqueles beijos, chupões e lambidas na garganta e boca dela.

— Vamos ver quem é mais fácil de gozar aqui, Sant-Sant?— Brittany sussurrou na orelha da latina, instigando-a, durante seus suspiros abafados. – Eu tenho um palpite já...

– Ah, é? Aahn-Humm...

Uhum, pode apostar.

— Bri-tta-ny, anh...

— Você tá fazendo muito barulho... – Ela avisou rindo e mordeu o ombro da morena, para compensar toda a preensão que, recebia na pele ínfera, pelas mãos da Lopez. – Quietinha.

Em certo instante, com o andamento de tudo, Santana sentiu um arrepio na espinha lhe puxar, completamente, para as nuvens. Para além do sentido. A morena se virou calmamente depois, beijou Brittany e as duas atletas puderam então relaxar e descansar seus físicos, deitando um bocado a mais na banheira, abraçadas.

(...)

Brittany repousava de um lado da banheira e Santana do outro, as mãos da mais alta estavam enlaçadas a um dos pés da namorada, massageando-o, sob a espuma branca da água.

Britt-Britt, você tá me acostumando muito mal... – A latina comentou de olhos fechados. – Sabia disso, né?

— Mas, essa é a intenção mesmo, San.

Ela fitou a loira e riu, quando a mesma deu-a uma piscadela no despertar de seus olhos.

— Me diz coração, qual o plano diabólico em mente?

— Nenhum, eu não sou você.

A Lopez fingiu indignação.

— Nossa, é assim que você fala da sua namorada?!

— Ah, eu tenho certeza que, ela não se importa com a exposição da verdade sobre ela...

— O que é que te faz ter tanta certeza assim, hein?

— Não sei... Talvez, o fato de ela ainda estar aqui, de boa, numa banheira comigo... Sei lá...

A loira passou a mão na canela da líder e alisou-a, mandando um beijinho no ar.

— Ridícula! – Santana falou, gargalhando, e dando um tapa na água para atingir a outra garota, que apenas a acompanhou na risada. – Então, quanto tempo a gente já tá aqui?

— Bastante... – A Pierce ergueu o pé moreno para ficar visível aos olhos azuis. – Seu pé tá até enrugadinho!

— É...

Brittany riu pensativa.

— Será que quando envelhecermos, você vai ter a pele assim, Sant?

— Ah, para de me zoar, Brittany! – A atleta zangou-se, e foi desencostando o corpo da borda da banheira, com intenção de deixá-la. – Vamos sair...

— Eu não tô te zoando, Sannie...— Ela esclareceu à outra, dando um selinho na sola do pé encharcado, sorridente, soltou-o. – Tá lindo, você é bonita de qualquer jeito, dos pés a cabeça, sem tirar nem pôr, e sempre vai ser pra mim.

Brittany se inclinou e beijou a menina avante, ternamente. Quando se afastaram, trocaram alguns olhares, em silêncio. E aí, Santana desviou os olhos e tentou disfarçar um riso.

— Olha Piercezinha, não é por nada não, mas como você pode achar um pé enrugado bonito?

— Já disse sua chata, tudo em você é bonito... – Brittany depositou uma sequência de beijinhos nos lábios da amada, à medida que, acariciava suas bochechas com os polegares. – Tudo, tudo, tudo, inclusive a chatice.

A morena riu.

— Você foi enfeitiçada...

— Por você! – Ela puxou a face da namorada para um beijo demasiado e cheio de selinhos afáveis ao fim. – Me considere... Uma... Vítima... Do amor.

Coitadinha...

Elas riram.

— Já disse que te amo hoje? – Santana perguntou, inconscientemente, recebendo uma negativa da outra animadora. – Eu te amo, Brittany.

— E eu amo você, Santana... – Ela foi vergando-se e fechando os olhos azuis, para beijar a namorada, quando sentiu algo ser passado em seu rosto. Levou um sustinho. Era a espuma da banheira. – Hey!

Brittany limpou o rosto.

— Vamos sair... – A Lopez disse, praticamente, correndo de dentro do utensílio sanitário. – Você ainda precisa me mostrar à próxima porta!

— Volta aqui, San!

— Vem me pegar!

Santana alcançou o chuveiro, enquanto a Pierce se apressava para começar a esvaziar -maldito ralo- a banheira, e ligou-o. A temperatura estava ótima. Logo, Brittany chegou junto à garota, embaixo da água, e elas iniciaram uma sucessão de amassos calientes.

(...)

— Te apresento... – Brittany abriu a segunda porta à Santana e bateu algumas vezes na madeira, fazendo barulho de tambores, divertidamente. – Isso mesmo, o maravilhoso “vazio perpétuo”!

A latina parecia, muitíssimo, decepcionada com a salinha sem nada que via adiante.

— É isso?

— É...

— Não pode ser isso, Brittany.

— Mas, é.

— Uma porta que dá num microespaço sem nada, sério?!

— Aham, isso, como eu disse, é o “vazio perpétuo”, fazer o que, acontece. – Brittany deu uns passos para trás. – Agora, nós já podemos descer e ver o que a Holly cozinhou, porque tá cheirando muito bom, e, semana que vem o Vitor volta, não quero nem pensar na mudança drástica.

O cenho de Santana ainda se ondulava, não acreditava nas palavras da outra, não queria saber de comida ou de cozinheiro nenhum. Isso era a maior sacanagem com ela, uma semana inteira para nada, aquela porta era broxante, Brittany havia trapaceado. Ela cruzou os braços, insatisfeita.

Aff, depois dessa eu posso até ir embora...

— Não, não!

A Pierce riu e deu um selinho na namorada pasmada e descontente, segurou sua mão e guiou-a para mais fundo no cômodo.

— Eu tô brincado... – Disse ela, apontando para o teto, em seguida, onde existia um alçapão. – Viu só?

Santana sorriu.

— Ah, claro, um sótão...

— Nem acredito que não viu.

— Você me deixa nervosa!

— Desculpa...

— Vou pensar no seu caso, coração.

— Ok, vamos subir... – A Pierce riu e pegou um banquinho que existia num canto dali, para poder subir e puxar a escada do alçapão, sem demora, elas chegaram ao cômodo. – Pronto.

A curiosa líder de torcida deu uma boa olhada no sótão, onde existiam prateleiras quase que vazias de tão poucos livros preenchendo-as, um piano e uma janela enorme, virados para o lado posterior da residência e alguns puffs pelo chão, então ela parou no centro, pondo as mãos na cintura.

— E o nome desse lugar, é?

— Bom... – Brittany se pôs ao lado de Santana. – Aqui era pra ser o lugar onde meu pai guarda os acúmulos dele, na teoria, mas aí ele achou melhor transformar num lugar de lazer, então eu diria que aqui é o “precioso recanto silencioso”.

— Adorável...

Santana riu e chegou perto do piano, passando os dedos nele.

— O Robert sabe tocar?

— Não.

Hum...— Ela riu. – Por que vocês tem um piano então, Britt?

— Porque eu toco.

— Toca?! – A morena virou-se para a namorada. – Você nunca comentou nada...

— É porque eu não chegava perto fazia um tempo, mas você me inspirou e... – Brittany caminhou até o assento do instrumento e ajeitou-se. – Eu andei treinando uma música, nos últimos dias, pra ver se desenferrujava... E enfim, acho que tá legalzinho... Quer ouvir?

— Lógico, manda ver!

— Pode ser que não saia tão bom assim...

— Tudo bem, só vai logo, preciso ver isso, corazón!

A loira sorriu e posicionou as digitais no teclado, respirando fundo.

— Promessa é dívida...

Ela começou a tocar as primeiras notas e Santana percebeu, agilmente, que a canção tratava-se de Treacherous da Taylor Swift.

"Put your lips close to mine..."

Música a qual a latina não vira a namorada cantando por inteira no mês anterior para todo o clube Glee, antes do rolo sério delas começar de fato, e desejava muito ter visto.

“And I'll do anything you say... If you say it with your hands...”

Brittany fixou os olhos nela e agradeceu por não ter errado nenhuma nota, pois seu nervosismo estava-a deixando com o coração, a cada verso, palavra, som, mais sacolejado. Coisa que ela facilmente poderia apelidar de “efeito Santana”. Não conseguiu deixar de sorrir com suas reflexões.

"This slope is treacherous... This path is reckless...”

Aquelas covinhas aparecendo para ela, quando acontecia, a Pierce tinha certeza que era rica.

"And all we are is skin and bone... Trained to get along..."

Ela tocou a melodia inteira, dando uma erradinha num ponto, porém corrigiu e cantou o último verso como se não tivesse acontecido, olhando mais concentradamente para o que fazia com os dedos, abaixo da linha do horizonte.

"This slope is treacherous... I, I, I like it..."

Brittany tirou as mãos do objeto e levou aos olhos, limpando o pranto que se formara por lá, riu.

— Desculpa, não aguentei...

Britt, isso foi lindo! – Santana sentiu algumas gotas deslizarem pelas bochechas. – Droga, olha só o que fez comigo, garota...

Ela olhou para a ginasta e sorriu.

— Tudo bem, estamos quites agora... – Brittany disse, virando o corpo um pouco mais no assento, bateu na coxa levemente e pegou numa mão da Lopez. – Vem cá.

Santana sentou-se na perna da namorada, sem contestar, e foi abraçada, recebendo um doce beijo dos lábios rosados, todavia, mesmo ao final deste, braços amenos ainda contornavam-na.

— Tô com fome...

— Eu também, gulinha.

Elas continuaram ali, Santana mexendo nos cabelos louros entre seus dedos e Brittany com a cabeça deitada no tórax dela.

— Vamos descer?

— Ok.

(...)

— Perguntinha idiota, mas... – Santana informou ao entrar no quarto de Brittany com ela. – Já que, você tá com mania de dar nome pros cômodos Britt-Britt, como você chamaria aqui?

— Meu quarto? Hum... – Ela riu olhando em volta, até parar os olhos na cama, sorriu de forma sagaz. – Bom, agora eu diria “oásis sagrado”.

— Uau...

— Incrível, não é? – Brittany puxou a silhueta da namorada para perto e fitou olhos castanhos, fascinada. – O que acha? Você daria outro nome? Aceito sugestões.

— Não, eu acho que combina...

Elas riram e estavam prestes a se beijar, no momento em que, de súbito, o celular da Lopez notificou novas mensagens, que quebraram o clima.

[Número anônimo]: Tenho certeza que sentiu minha falta nos últimos dias, mas eu andei trabalhando em algumas coisas, então perdão Lopez. [11:36 p.m]

[Número anônimo]: Feriadão tá chegando pra gente, segunda-feira tá quase aí, o que significa muita festa... [11:36 p.m]

[Número anônimo]: E como homenagem ao grande homem da vez, como já dizia o próprio Martin Luther King: “Quem aceita o mal sem protestar, coopera com ele.” Uhum, pois é... [11:37 p.m]

[Número anônimo]: Que isso te sirva de aviso em relação a denunciar a Jordan e esquecer que o Wes e a Pepper participaram de todo o boicote também, o que significa que todos são culpados. [11:37 p.m]

[Número anônimo]: Lembre-se disso: Quem está em cima do muro tem sempre a queda e o alvo maior. No caso você. Só se pode ter um lado aqui, ok? Alguém vai se foder no fim. Vai depender do que eles têm tanto medo de ser revelado. Você não pode tentar evitar. É um jogo individual. Eu faço as regras. Jogue direito. [11:37 p.m]

[Número anônimo]: Concerte isso... [11:37 p.m]

[Número anônimo]: Mas, vamos ao que realmente interessa. [11:37 p.m]

[Número anônimo]: Vou dar uma festa amanhã nesse endereço (clique aqui para baixar a rota), venha às nove da noite em ponto. Nem um minuto a mais nem a menos. Algumas coisas vão acontecer lá além da festa. [11:37 p.m]

[Número anônimo]: Ah, e o mais importante, eu escolho a cor das roupas dos meus convidados. Você e a Pierce tem que vir totalmente de preto. Até lá ;) [11:38 p.m]

A latina terminou de ler todo o texto e riu sarcasticamente.

— Ah claro, até as roupas esse ser quer escolher, rá-rá...

— Sério?!

Ela assentiu e entregou o aparelho nas mãos da outra adolescente para ela poder ler o resto.

— Vamos pra um cemitério dançar nas covas, certeza, tô sentindo...

— Credo, não fala isso, San!

— Tá. – Santana revirou os olhos e resgatou o celular, clicando no endereço mandado em anexo para baixá-lo, surpreendendo-se quando feito. – Que droga...

— Que foi?

— Adivinha onde é essa porcaria de festa do chantagista, Britt.

Brittany preocupou-se com a irritação da outra e imaginou que não gostaria da resposta, não conseguia nem pensar, porque não queria.

— Onde?

— No farol.

(...)

No dia seguinte, em pleno domingo a noite, lá estavam às líderes de torcida, deixando o carro de Brittany junto ao resto de amontoado de veículos pelo mato, escalando a terra em direção ao antigo penhasco desértico de Rosefield.

— Parece que ele convidou bastante gente pra festinha.

— É... – Aquele local nunca mais seria o mesmo. Existiam caixas de som estrondosas pela terra. Que impossibilitavam conversar longe. – O que a gente faz agora, Sannie?

— Vamos saber quem veio. – A estudante estudou o espaço. – Reconhecer as pessoas pode ser bom, Brittany...

— Você acha que todos que estão aqui sofreram chantagens?

— Não faço ideia, mas parece que tem um padrão de roupas aqui, olha.

Olhos azuis acompanharam os castanhos.

— A maioria das pessoas tá usando preto, algumas vermelho, outras azul e eu tenho quase certeza que vi alguém de branco também.

— Ah, interessante...

Elas andaram pelo chão lotado de flores e grama, e foram reconhecendo rostos bem familiares, pelos jovens que passavam por seus caminhos, cumprimentando-as. Bree, David, Ryder, Sam, Finn, Puck, Sebastian, Quinn, Violet, Marley, Spencer, etc, etc... Quase todo o terceiro e segundo colegial -inteirinhos- do colégio em que estavam matriculadas. Com exceção do pessoal mais nerd e contido. Mas, isso não importava, era normal.

Argh, acabei de ver a Kitty com o Josh num canto.

— Pode ser que o McKinley inteiro esteja aqui San, e nós estejamos, apenas, perdendo tempo vendo isso acontecer com o farol.

Elas riram.

— É uma possibilidade...

As duas enxergaram outras líderes de torcida, depois, incluindo a ex-Cheerio Jordan Stern, e aí resolveram se entrosar, até o chantagista dar algum sinal sobre as “coisas que iriam acontecer além da festa” para elas.

(...)

— Eu achei tão estranho, mas a Quinnie disse que a gente tinha que vir de qualquer jeito ontem, então, cá estou eu, Brittany.

— Entendi...

— Já pensou que, talvez, a Barbie esteja sendo chantageada com alguma coisinha também, boca-de-peixe?

— É, pode ser Santana, mas eu espero que não...

— Sam, onde a Quinn se enfiou agora, afinal? – Brittany indagou olhando para os lados. – A gente tinha visto ela mais cedo, mas ela nem parou pra conversar, só acenou e sumiu.

— Ela entrou na torre com a Rachel, de novo, eu só saí de lá porque tá muito apertado, nem dá pra respirar.

— Ah, a Berry também tá aqui?

— Sim...

Santana sentiu o celular vibrar e o pegou.

[Número anônimo]: Bem-vindas a minha festa, garotas! [9:52 p.m]

[Número anônimo]: Tenho um pequeno quebra-cabeça pra resolverem até a meia noite (no máximo) pra mim, ok? [9:53 p.m]

[Número anônimo]: Vocês vão ter que descobrir um número de telefone (de seis dígitos) com as pistas que deixei ao longo do penhasco, e ligar para ele, ouvindo com atenção a chamada, é importante, caso não conseguirem cumprir essa fase do jogo, basicamente, vocês serão eliminadas e a foto de vocês vaza. [9:53 p.m]

[Número anônimo]: Só pra facilitar a vida de vocês, a primeira sequência (três) é fácil: tá na torre, já a segunda tá no óbvio, hahah, divirtam-se ♥ [9:53 p.m]

A morena olhou para a namorada.

— Começou...

Elas despediram-se de Evans e se apressaram para chegar à torre do farol, e assim como Sam avisara, o lugar era o maior tumulto, tiveram que empurrar os seres humanos com vigor para chegar ao topo, sem cair das escadas.

— Ok, a primeira sequência a gente acha aqui... Mas, onde?

— Teto!

— Oi, Britt?

— Tem números pichados no teto.

— Tá bom, essa foi fácil.

Brittany sentiu alguém cutucar seu ombro de virou-se, se deparando com Fabray e Rachel vestidas de vermelho, sorriu.

— Oi, gente!

— Oi! – Quinn falou por ela e pela Berry. – O que vocês estão fazendo?

— Procurando um número de telefone e vocês?

— Nós também, né Rachel?

— É...

— Por quê?

Ahn, vem cá, Britt. – A loira dos olhos verdes puxou a outra, para cochichar no ouvido dela, em segredo. – Descobriram que eu tenho plástica no nariz, conseguiram até as fotos de antes, uma desgraça, ninguém pode ver isso, muito menos o Sam...

— Ah, ok...

Brittany riu do desespero da amiga. Tinha certeza que, o Evans não se importaria assim como ela, também, não se importava. Porém, era um segredo, então ficaria guardado a sete chaves.

— Não conta pra Santana, pelo amor de deus, sério!

— O que não é pra contar pra mim, Fabray? – Santana se aproximou mais, com um sorriso provocante estampado nos lábios, deu um beliscão no braço da garota. – Hein, o que, capitãzinha?

— Não ouviu? Não é da sua conta, Satã!

— Gente, gente... – Rachel chamou-as a atenção se pondo entre elas. – Vamos parar de brincar, ou sei lá, e entender se o número que a Quinn precisa achar é o mesmo que o de vocês, por favor?

— Você tem razão, baixinha.

Elas voltaram a olhar para o teto.

— E aí, o que vocês duas descobriram até agora, além dessa pichação aqui?

— Bom Santana, nós encontramos alguns números de caneta nas escadas e outros por fora da torre, só precisamos descobrir qual das quatro sequências é a correta... – Rachel mostrou o seu celular, com os números nas notas do aparelho, para as líderes poderem entender. – A Quinn acha que a gente esqueceu alguma coisa, então a gente não começou a procurar pela próxima sequência, porque ainda estamos vasculhando aqui dentro, o que pode nos atrapalhar muito.

— Certo, eu e a Britt vamos procurar a segunda sequência no “óbvio”, enquanto isso... – Santana anunciou, segurando a mão da loira, começou a andar um pouco. – Então, quando vocês terminarem, nos enviem uma mensagem, pra gente se encontrar e tentar descobrir o maldito número, juntando tudo.

— Espera, Lopez... – Quinn pediu confusa. – O que seria procurar no “óbvio”? O número anônimo me disse a mesma coisa, mas não entendi nada. Você entendeu?

— Não foi ele que mandou você e a Rachel usarem essas blusas vermelhas?

Ela assentiu.

— Como eu estava falando pra Britt mais cedo Barbie, não é a mesma quantidade de pessoas que estão usando preto, azul, vermelho e branco, existe uma diferença gritante aqui. E, não faria sentido ele pedir isso pras pessoas por nada, eu acho, então, só pode ser isso, né. Vamos sair contando geral...

— Santana, que genial, faz todo o sentido!

— Eu sei, Berry.

Uma hora depois...

— Vocês conseguiram achar mais alguma sequência na torre?

— Sim Britt, só uma, no chão, bem num cantinho escuro horrível de chegar, que tava quase apagando de tanto que pisaram em cima... – Quinn disse dando um gole em sua bebida, depois respirou fundo, tentando ficar calma. – O que me leva a crer que é essa a primeira sequência, só pode ser, não é possível.

— Qual a sequência, Fabray?

— Meia, meia, cinco.

— Seria tão cômico se fosse meia, meia, meia.

— Sim!

Elas riram.

— Ok, e vocês, qual é a conclusão que tiraram sobre as roupas?

— Bom... – Santana trocou olhares com Brittany antes de começar a falar. – Nós desistimos de contar as pessoas de preto, e nos concentramos no resto, ou seja, nove-vermelho, sete-azul, cinco-branco.

— O que quer dizer, exatamente...?

— Que os números são esses, ué.

— Tão óbvio assim, Lopez?

Barbie, ele mesmo falou que era óbvio! Não falou?! – Ela riu. – Entretanto, estamos considerando "quatro-preto" também, né Britt-Britt?

— Sim, por causa da inclusão da gente dentro desse jogo, poderíamos substituir o lugar de uma das cores, provavelmente o branco, que pode estar só tirando nossa atenção do quatro pro cinco, quem sabe.

Quinn entendeu e se pôs de coluna reta.

— Ok, vamos tentar descobrir a ordem de tudo.

Rachel deu uns pulinhos.

— Adoro calcular probabilidades!

— Divirta-se, mini-estrela! — Santana falou, gargalhando da animação da amiga e olhou para o relógio do celular. – Temos mais uma hora.

(...)

As quatro líderes de torcida usavam os próprios celulares, individualmente, para conseguir acertar o tal número de telefone do quebra-cabeça, mas os minutos passavam e passavam, e nada, absolutamente, nada acontecia, até que Santana, por tédio, decidiu substituir o cinco da primeira sequência de números por quatro. Pela primeira vez, estava chamando, ela levantou do chão. Alguém atendera, dava para ouvir a respiração na linha, mas estava contida, calada, tímida.

— Alô? – A Lopez disse, não recebendo resposta alguma, logo, Brittany, Quinn e Rachel se aproximaram dela para entender, e aí, ela ouviu a pessoa por trás da ligação andar e bater em algum móvel, -pelo resmungo emitido- assemelhava-se com uma mulher. – Hey, eu consegui acertar... Diz alguma coisa... Alô...?

Subitamente, uma música começou a tocar, com a sonância tranquila.

"Who are you?"

(Quem é você?)

"And when will you be through?"

(E quando você vai terminar?)

"Yeah, it's just a phase."

(É, é apenas uma fase.)

"It will be over soon..."

(Vai acabar logo...)

Yeah, it's just a...”

(É, é apenas uma...)

A melodia deixou de ser tão tranquila e embutiu sons mais pesados de guitarra, bateria e backing vocals.

“Phase! And I am waiting for it to be over too, yeah, oh-oh..."

(Fase! E eu estou esperando que isso acabe também, é, oh-oh...)

A ligação encerrou-se, e Santana afastou o celular da orelha, podendo notar a curiosidade transbordando pelos semblantes das garotas em companhia.

— O que era, Lopez?!

— Uma música... Ou ele está nos trollando... Ou isso foi uma ameaça... Nem sei o que pensar.

— O que dizia na letra?

— Resumidamente? – A Lopez suspirou. – Que isso é só uma fase e que, logo vai acabar, porque ele também tá esperando por isso.

Notas finais
Até mais ♥♥