Destino ou não - Brittana
31 Oscilação
Notas iniciais
“Vamos à previsão do tempo com Lisa Turner...”
Jornais da manhã eram tediosos demais, fora que, davam sérias dores de cabeça a jovem loira, dona dos olhos azuis, de sobrenome Pierce. Seria culpa do alto volume da televisão? Do brilho? Dos jornalistas chatíssimos? Das matérias abordadas? Da arrumação do set? Da cidade citada? É...
Vários e vários questionamentos, como costumeiramente.
Se Brittany assistisse mais vezes à programação aberta, naquele horário específico, talvez tivesse se dado conta antes e, não estaria fazendo caretas, sobre o sofá cinza da sala de estar de seu domicílio, para o que enxergava do outro lado da tela plana.
“Em Rosefield, a previsão para essa terça-feira de Novembro, é de que chova pela tarde e...”
Ah, que ótimo, chuvas eram boas! Esplêndidas e maravilhosas. Purificavam o ar. Além, é claro, do seu delicioso som ao bater-se no solo. Porém, o copo de café imóvel, nas mãos da adolescente, passou a roubar sua concentração por inteira, espontaneamente. Estava tomando café puro. Isso era um mau sinal? Por algum tempo não. Mas, dessa vez era? Possivelmente sim, devido às circunstâncias, seu coração que o diga. Ora, quem ela queria enganar? Não havia saídas para lugar algum. Eram só ela e os pensamentos, cara a cara.
Mal ouvira a previsão do tempo que, estava escancarada em sua frente.
Encontrava-se ponderando a respeito da bizarrice de sua “conversa” com a garota Lopez no dia anterior, tanto na que tiveram dentro da sala do coral trancada, como também, a dos corredores, durante o treino das Cheerios. E a escuridão do café, abaixo da linha do horizonte, puxava-a mais e mais para suas reflexões profundas sobre tudo. E o que ela mais desejava era: uma luz em meio à bebida sombria.
Aliás, que conversas com a Santana eram essas mesmo?
As líderes nem tinham conversado direito. Aquelas meras palavras soltas, não poderiam ser denominadas de conversa. Foram frases evasivas. Nada de concreto. Quanto às garotas, uma delas, foi até mais fugitiva que em relação à outra, na hora do teórico diálogo decisivo, acerca da relação delas. E da tensão que estava rolando ali. A propósito, em nenhuma das vezes em que as jovens se beijaram, elas conversaram, realmente, sobre aquilo, citando o nome do ato, em meio a tantas palavras jogadas ao vento.
Nenhuma das vezes.
Bom, se hipoteticamente aquela relação fosse uma peça, se encaixaria em que categoria: tragédia ou comédia? Vejamos, até aquele segundo do show, foram quatro beijos certeiros por um lado, confusos por outro, e o total de zero conversa-esclarecedora, além do bônus-repetição da palavra “amizade” para cá e para lá, como se outro tipo de relação já não englobasse, obrigatoriamente, isso no pacote.
Como progredir agora?
Pequenos ruídos preenchiam a comunicação das líderes de torcida, como o porquê de Santana beijar Noah e, depois, ficar extremamente preocupada com a reação de Brittany ao notar que ela assistira, em seguida, esquecer-se de que, não sentiu absolutamente nada com o rapaz através de seu “teste”, pois o que mais a importou foram àquelas lágrimas enxergadas em olhos azuis, e por fim, ser incapaz de explicar para a loira tudo o que passava por sua cabeça, levando-a a uma justificativa falha, esburacada, confusa, igual a nada.
Talvez, existissem muitos porquês-furtivos ainda.
Elas, Lopez e Pierce, não se abriram totalmente para tais explicações de seus motivos, sentimentos, etc e etc, que as levaram aos últimos acontecimentos entre ambas. Visivelmente. E, no entanto, deveriam. E como deveriam. Seria bem melhor.
Quem sabe fosse... Drama, a tal peça?
Francamente, a loira não conseguira dormir direito na noite que se estendera, não sabia o que pensar... O que sentir, nem sabia como a amizade dela com a Lopez se encontrava. E se existia ainda. Parecia um mar de desordem. E, Santana havia ido embora ligeiramente, sem ao menos se despedir, para somar a tudo. Não houve uma palavra sequer depois do evento do corredor. O que isso significava? Um, dois, três...
Respira!
A loira só sabia que estava inquieta. E que, de algum jeito, olhos azuis e castanhos se atraiam fervorosamente. O que era um misto de sentimentos bons e, tanto, tanto receio também. Mas não, ela não se arrependia de ter beijado a morena por último. Ainda que, soubesse da existência de monstros como Karofsky no mundo. Se Santana quisesse culpá-la por algo, que culpasse por esse beijo, pronto, resolvido. Foi o que ela pensou ao agarrar a outra. Todavia, não estava nada resolvido, ela gostara demais, apesar de meio irada com o cinismo da Lopez: os lábios carnudos eram mágicos constantemente. Ora, Santana era uma coisa! Houve correspondência outra vez, assim ficava difícil...
— Você gostou do café, senhorita Brittany? – Vitor, o cozinheiro, interrompeu os pensamentos da loira ao brotar na sala vidrada, trajando seu avental preto. – Espero que esteja do seu agrado.
A Pierce piscou os olhos com força, e mirou-os no funcionário em pé.
— Tá sim, Vitor... – Ela sorriu e balançou o copo de leve, dando-se conta de que, ainda não havia terminado de tomar a bebida toda. – Obrigada, ele é o melhor da cidade. Já disse?
Realmente, para Brittany, a única coisa que Vitor sabia fazer era café. O que era ótimo e meio que, compensava o resto.
— Ah, que isso! Estou lisonjeado. – O homem abriu um sorriso de volta, pensativo. – Se quiser tomar o café da manhã completo hoje, eu estou fazendo...
— Ahn... Obrigada, mas... – Brittany correu os olhos para a televisão, disfarçando. – Eu me contento com o café, só.
— Tudo bem.
Ambos ouviram passos vindos da escadaria, Robert logo tratou de dar as caras no cômodo, sorridente, os cumprimentou com um “Bom dia” radiante. O cozinheiro se retirou em seguida, alegando ir terminar de preparar a comida do senhor Pierce.
— Brittany, eu tenho ótimas notícias. – O grisalho avisou-a após dá-la um beijo na testa, acomodando-se ao lado da loira no assento. – Eu conversei com o senhor Schuester, está tudo certo, como prometido: sem reposições de aula no sábado. Agora, em relação ao professor particular de espanhol eu separei alguns, e essa é a lista, dê uma olhada. – Robert entregou-a um papel com alguns nomes. – Cada um deles irá vir para cá durante essa semana em dias distintos. Começa hoje. E, no final da semana, você escolhe o seu preferido ou preferida e me informe, ok?
— Ok... – Ela concordou e percebeu seu celular disparar, pousado no sofá, ao lado de sua coxa, o pegou. – Obrigada, pai.
Então, passou os olhos freneticamente pela tela do aparelho em mãos:
“Seis mensagens não lidas.”
— De nada, filha. – Robert falou e prontamente Brittany voltou a encarar olhos verdes. – Espero que aproveite a oportunidade...
— Eu vou.
A menina sorriu para o homem e ele foi para a cozinha deixando-a sozinha, momento em que, a Pierce resolveu checar a “urgência” dos recados recebidos.
[Blaine]: Oi, Brittany! [7:26 a.m]
[Blaine]: Desculpa se eu estiver te atrapalhando em algo... [7: 26 a.m]
[Blaine]: Mas, acho que é do seu interesse. [7:27 a.m]
[Blaine]: Você não vai acreditar, acabei de chegar à escola e... [7:28 a.m]
[Blaine]: Suas amigas estão discutindo muito no estacionamento! [7:28 a.m]
[Blaine]: Acho que falta pouco pra elas se agredirem de verdade. [7:29 a.m]
[Brittany]: Espera, Quinn e Santana? [7:29 a.m]
[Blaine]: Isso! Tá o maior tumulto em volta. [7:29 a.m]
Claro que eram elas. Obvio! Brittany até perguntaria o porquê disso, todavia era melhor ver com os próprios olhos. Mais problemas a se resolver, que beleza! Parecia até praga. Rosefield era palco de dramas. Ela levantou enfim do sofá, deixou o copo de café inacabado sobre a mesinha de centro do espaço, e foi atrás das chaves do conversível prata.
(...)
“And I feel you, coming through my veins...”
Até a Miley Cyrus iria cantar no rádio para a Pierce agora? Não bastava a Katy Perry, a Britney Spears, nem mesmo Whitesnake ou Red Hot Chili Peppers. Não. Tinham que ser todos os cantores do universo, porque sim. E iria ser assim. Destino ou não?
“Who owns my heart?”
O seu automóvel estava prestes a chegar ao estacionamento do colégio McKinley. Só dirija... Só isso, Brittany. Ela guiava-o o mais rápido que conseguia por Rosefield. Tantas coisas interessantes através da janela frontal, mas a batida da canção insistia em chamar sua atenção.
“'Cause the way you got your body movin' got me confusin'...'’
O mais irônico é que as músicas pareciam gostar de atormentá-la sem dó, com cada vez mais intensidade à medida que os dias decorriam, mesmo que de forma sutil. Ou não. E o estacionamento já era visível aos olhos azuis. Entrou. Faltava muito pouco para concluir a tarefa de preencher a vaga escolhida.
“We're like living art...”
Bastava.
“And it hits me...”
A loira desligou o rádio, pulando para fora do carro, sem cerimônia. O problema não eram as músicas, mas sim, a relação que o seu subconsciente-bobo fazia com tais músicas a uma morena de olhos castanhos maravilhosos. Tão lindos. Contudo, não era hora de pensar nisso, e sim concentrar-se no motivo real que, levou-a a correr para a instituição, ou seja: a briga/discussão ou sei-lá-o-que entre a capitã e a co-capitã latina das Cheerios.
Mas nem sinal das garotas na região, apenas pessoas alheias andando.
Blaine havia dito nas mensagens que Santana e Quinn estavam prestes a se bater no estacionamento. Estranho. Talvez, elas houvessem desistido de brigar e se tocado de como isso era idiota. Bom, era melhor Brittany procurá-las pelo colégio.
(...)
— Você tem certeza da sua decisão, Lopez? Talvez se...
— Absoluta. Aqui o meu uniforme... – Avisou Santana, colocando a vestimenta-vermelha dobrada sobre a mesa da sala de Roz Washington. Empurrou o pano em direção à mulher, depois. – Pronto, estou oficialmente fora.
— Você tá louca... – Quinn disse indignada, fitando-a de braços cruzados. – Mas, quer saber?! Nem precisamos de você no fim! Já vai tarde.
A Pierce adentrou o lugar, com calma, fechando a porta atrás de si, percebendo a presença de Fabray e Lopez junto à treinadora das líderes de torcida. Aproximou-se de onde as mulheres localizavam-se.
— Isso é o que você pensa Barbie-marionete. — Santana rebateu e enviou-lhe um sorriso irônico. – Boa sorte com, você sabe: o fracasso que te rege.
— Deus! Você é uma...
— Chega, garotas! Já não basta o que ocorreu agora há pouco? – Indagou Roz, meio irritada. – Não quero ter que levá-las ao diretor Figgins como da outra vez.
— Pff claro! Como se aquele indiano-vegetal resolvesse algo, né Roz.
— Acabou! – A treinadora insistiu. – Estou ficando com dor de cabeça por causa de vocês... – A mulher massageou as têmporas, pensativa. – Você já pode se retirar, Santana.
— Com prazer. – A morena deu às costas para as loiras e se deparou com outra de olhos azuis. – Eu quero passar.
— Oi... – Brittany disse, percebendo a falta de contato visual. – O que tá acontecendo?
Santana suspirou, fitando-a nos olhos desta vez.
— Tá acontecendo que, eu vou sair agora, Pierce! E você tá me atrapalhando... Tchau.
A latina passou por ela, esbarrando em seu ombro esquerdo, deixando assim, o cômodo.
— O que...
Brittany olhou para trás e encarou a porta aberta por um instante. Santana havia ido embora e estava estranha. Depois, a adolescente voltou a mirar os olhos azuis à sua frente, enxergando Quinn e Washington que, assistiam-na em total silêncio.
— O que foi... Isso?
— Por favor, explique a ela Fabray... – Roz pediu e levantou-se de sua cadeira. – Preciso pensar em alguém que possa substituir a Lopez o quanto antes, se tiver sugestões me avise. Eu vou tomar um café... Vejo vocês mais tarde.
Como assim “substituir a Lopez”?! A treinadora deixou a sala, rapidamente. E a ansiedade começou a crescer dentro de Brittany.
— Pra resumir: a Santana se mandou das Cheerios, Britt. – A loira de olhos verdes informou-a, aproximando-se. – Nós brigamos, por assim dizer...
— Eu fiquei sabendo... Por que, hein? Eu achei que estava tudo bem... Do jeito de vocês, mas tudo bem.
Quinn pareceu incomodada com a pergunta, e desviou o olhar.
— Érr, complicado... Você conhece a Lopez, nunca nada está bem com aquela idiota-maluca-bipolar... Enfim, acontece. Pessoas vêm e também vão de times, o importante é que as melhores sempre ficam...
— É? Mas ela era uma das melhores, Quinnie.
— V-você entendeu Britt. – A garota olhou para a porta e começou a andar, se esquivando da conversa. – Agora, apenas vamos pra aula, por favor... Porque o mundo não para, só por causa dessa menina.
Claro, Quinn tinha razão. Porém, Brittany falaria com a Santana sobre a saída repentina dela das Cheerios e a suposta briga que teve com a outra loira logo, logo, já que esta: não abriu a boca para explicar direito, e o clima estava enigmático demais. Coisa que, tirava a paz que a Pierce já não possuía.
(...)
Ao final da primeira aula, antes de deixar a sala, Brittany percebeu que havia recebido mensagens de alguém que ela nem se lembrava de ainda manter o contato em seu celular, visualizou.
[David]: Gravei em primeira mão a briga das suas amigas, riquinha ;) [9:01 a.m]
[David]: Aproveite porque foi muito, muito bom de ver, pena que perdeu ao vivo. [9:02 a.m]
[David]: (baixando vídeo: 99%) [9:02 a.m]
[David]: Abraços, Karofsky. [9:03 a.m]
A loira começou a assistir o vídeo da tal briga, após o download concluir-se. Bom, basicamente nele: Santana e Quinn estavam discutindo sobre a latina querer roubar o posto de capitã das líderes, blá-blá-blá. Honestamente, até parecia ser, quase idêntica, à discussão que as levou a frequentar o clube Glee. Por que elas estavam agindo como discos riscados? E a partir de um momento, Quinn passou a alegar que a morena possuía claramente silicone nos seios e que eram de quinta categoria:
— Ah, vai à merda Barbie-invejosa! Você não tem coisa mais importante pra fazer do que ficar tentando deduzir se eu tenho silicone, não?! – Ela riu ironicamente e se aproximou da loira. – Por que você não admite pra todo mundo que você trai descaradamente o seu namorado-baleia sem graça com o bocudo, e sei lá, qualquer individuo mais interessante que se ache em cada esquina!
— Você não ousou dizer isso! – Quinn gritou, estapeando o rosto da Lopez, repentinamente. – Isso é mentira... Nunca faria isso com o Finn, Lopez, cala a boca!
Santana pôs a mão no rosto chocada, mas sorriu nervosa e a empurrou.
— Folgada!
— Hey, hey, hey! – Puckerman entrou no círculo e puxou a morena para perto. – O que tá acontecendo Lopez, tá chapada? Vocês são amigas...
— Ah é, desde quando?!
— Você disse...
Sam e Finn apareceram também, falando discretamente com Fabray.
— Foi da boca pra fora! É simples, Puck: eu andei pensando e não quero mais fazer parte da porcaria do time dessa loira-oxigenada folgada. Tô fora! – Ela começou a empurrar as pessoas e sair do círculo, a câmera de Karofsky a seguiu, ele ria em sussurros, logo Santana se deparou com Roz de braços cruzados, ao deixar o tumulto. – Treinadora...
— Iiih... — Alguns adolescentes pronunciaram. – Deu merda! – Um indivíduo gritou.
— Você e Quinn na minha sala, agora. – A mulher mais velha mandou, e depois apontou para os outros alunos. – Desliguem esses celulares garotos!
O vídeo terminou. Brittany estava confusa com aquilo. Ela precisava urgentemente conversar com Santana. Levantou de sua carteira e andou depressa sala afora, olhando em direção ao armário da Lopez, a menina estava prestes a deixar o corredor. A loira tratou então de correr até a morena.
— Santana, eu quero falar com você.
— Me deixa, Pierce.
— Não! – Ela permaneceu seguindo a Lopez. – Você pode me dizer por que você e a Quinn brigaram? Não tem sentido!
Santana parou de andar.
— Claro que tem, ela é um enorme pé no saco... Assim como você. E eu não aguento mais. – Ela expirou o ar com força, impaciente. – Agora para de me seguir, vai!
Ela é um enorme pé no saco... Assim como você. Foi o que ela acabara de dizer a outra. Assim como você. Como você. Você, sim.
Assim como... Você, Brittany?
— O que? – Brittany a fitou concentradamente e seu coração passou a disparar, parecia um pesadelo. – Você tá irritada por causa do que aconteceu ontem...?
Do que aconteceu ontem = Beijo, o beijo. Os dois beijos. O último beijo.
— Até que enfim você entendeu gênia! Então, não me procure mais pra nada porque, olha, vou te contar uma coisa: nós não somos amigas! Use a sua amnésia a seu favor, Pierce. Ok?!
A morena saiu andando rumo à próxima aula do dia, deixando Brittany petrificada no lugar. Droga, ela queria chorar. Por um segundo se sentiu completamente vazia. Perdida. Uma idiota da cabeça aos pés. Começou a olhar ao entorno. Era como se todos os jovens do colégio a assistissem e torcessem por seu fracasso, sua infelicidade e coração despedaçado.
— Brittany? Brittany? – Alguém estava chamando-a. – Tudo bem com você?
Ela seguiu o som da voz e virou-se, viu Blaine com feições preocupadas em relação a ela.
— Tudo Blaine... E com você?
— Sim! Você viu a briga...
— Uhum... – A Pierce respondeu, cortando-o. – Eu vi.
— Bom... Espero que fique tudo bem logo. – Ele desejou e Brittany ficou em silêncio. – Érr... Então, depois do treino você pode ficar um pouco aqui pra gente treinar a música pra semana de dueto?
— Tá... Claro.
O sinal tocou, e eles separam-se para pegar o material.
(...)
— Duas notícias, pessoal. – O senhor Schuester comunicou aos integrantes do coral. – Aconteceu um pequeno acidente com a fechadura daqui ontem e estamos sem as portas da sala por enquanto... Vocês devem ter as visto serem removidas hoje pela manhã.
Ele apontou para a ausência de portas de ambos os lados do espaço.
— A outra notícia é que infelizmente a Santana deixou o New Directions, portanto, a Rachel fará um solo.
— Como sempre. – Mercedes reclamou e olhou para os outros. – Alguém sabe por que a Santana saiu? Se for por conta da Berry...
— A Santana saiu porque ela é doida. – Quinn disse, em uma das cadeiras ao lado de Brittany. – Essa é a única explicação.
— É. – Berry concordou, e depois encarou a Pierce. – Tá tudo bem?
A loira assentiu, sem tirar os olhos do chão.
— Rachel? – Will chamou e foi se sentar. – Por favor.
A baixinha levantou no fim, caminhando para frente de todos.
— Eu estava ensaiando essa música há muito tempo e espero que possam aproveitar...
— Você não viu a briga da Quinn com a Santana ainda, Mercedes? – Sam perguntou, tirando o celular do bolso. – Olha aqui...
— Cala a boca, Sammie. — Fabray mandou, arrancando o celular da mão do garoto, antes que ele conseguisse entregar o mesmo a Jones. – Ninguém precisa ver.
— Não se preocupa... – O loiro cochichou para a morena que, encontrava-se curiosa. – Te mostro depois, juro.
Rachel passou a cantar Firework animada. E por mais que a voz dela fosse bonita, ela gritava muito. Talvez, Santana tivesse razão.
(...)
A aula de educação física era esquisita sem a latina. Roz e Quinn haviam colocado Kitty no lugar da Lopez. Ela era boa, mas não chegava aos pés da morena em nada. Enfim, isso não importava agora, Brittany precisava se concentrar no ensaio com Blaine. Ambos estavam sozinhos na sala do coral, testando suas opções de melodias para cantarem juntos, isso, já fazia uns bons minutos depois do horário de aula.
— Bom, então ficamos com Hot N' Cold ou Moves Like Jagger... — O garoto falou. – E então?
— Tanto faz... As duas são boas.
— E se... A gente cantar as duas?! – Ele sugeriu com brilho nos olhos. – Vamos?
— Ok. – A loira sorriu. – Então serão as duas.
— Espero que o senhor Schuester não se importe. – Blaine disse, olhando para o próprio celular. – Eu tenho um compromisso agora, desculpa... Nos encontramos no intervalo amanhã para continuar?
— Com certeza.
— Ótimo! Vai ser perfeito.
Ele levantou e começou a andar em direção a saída. Brittany suspirou e caminhou até o vestiário feminino, para finalmente trocar o uniforme por roupas confortáveis. Tomou um banho rápido, e quando estava ajeitando as coisas dentro do seu armário, percebeu um papel no meio, abriu-o.
“Gula, me encontre no lugar onde a gente se conheceu, depois da aula.”
Hã? Era a letra da latina. Então, agora, Santana queria falar com ela? Ela não deveria ir. Não deveria mesmo. Brittany fechou a porta do armário de metal, um pouco irritada, e colocou o bilhete no bolso de sua calça, saindo do cômodo, em seguida.
(...)
Santana achava-se olhando para a paisagem além do penhasco onde se mantinha em pé. O sol já estava sumindo de vista. A estudante olhou para o lado quando ouviu um barulho de pequenos galhos se quebrando no chão. Viu Brittany. Elas ficaram em silêncio, olhos azuis e castanhos fixos uns nos outros, e mais nada.
— Santana... O que foi? Por que...
— Desculpa, Britt-Britt. – A morena finalmente falou, fazendo a distância entre ambas acabar, a partir do momento em que, se aproximou e abraçou-a. – Eu vou te explicar tudo...
A loira não conseguiu retribuir o gesto, estava tudo muito confuso. Grande porcaria.
— Eu não tô entendendo nada, San...— Brittany sentiu cheiro de álcool, quando se permitiu respirar de verdade. – Espera aí, você bebeu?
— Sim... Mas, não importa. – Ela se afastou, desviando o olhar da outra garota. – Olha, não leva a sério o que eu te falei hoje. Não é verdade...
A Pierce continuou fitando-a.
— Então, o que é verdade?
— A verdade é que, eu não tô irritada, nem nada, com o que aconteceu comigo e com você, tá tudo bem... Só é... Confuso.
— Acho que a gente devia conversar direito sobre isso. Ontem foi...
— Não, não. – Santana negou e mirou olhos castanhos em azuis. – Como você falou: tá tudo resolvido, ok? – Ela molhou os lábios e abaixou o olhar, cruzando os braços. – Somos amigas do zero... Outra coisa é que, a Fabray e eu não brigamos, realmente.
Brittany franziu as sobrancelhas, agora estava mais confusa ainda.
— Oi?
— Eu pedi pra Quinn fingir que nós estávamos brigando, tudo não passou de uma grande encenação.
— Hã? Mas, ela te deu um tapa no rosto Santana! Vocês combinaram isso?
— Não exatamente. Aquilo foi real... A Barbie tem a mão bem pesada, e ela vai me pagar por isso. Enfim, eu pedi pra ela fazer com que o povo acreditasse na nossa briga... – Santana buscou o próprio celular do bolso e entregou à líder de torcida. – Eu recebi isso de noite... E contei pra ela que estava sendo chantageada. A Berry também sabe... Elas só não sabem o motivo real da chantagem.
A loira pegou o aparelho e viu uma mensagem de número anônimo:
“Se você não quiser que isso vaze, faça exatamente o que eu disser, e logo, logo você saberá quem sou eu, Santana Lopez.”
Abaixo tinha uma foto das garotas se beijando nos armários. Claro que isso iria dar ruim! Lógico. Agora Brittany, genuinamente, se sentia culpada. A grande culpada. E se a pessoa anônima fosse alguém como o Karofsky? Ou pior? Não, não e não. Isso só podia ser pesadelo. Só podia.
“Sua primeira tarefa, ex-líder de torcida... Sim, foi o que eu disse: ex-líder de torcida. Eu quero um show. Deixe as Cheerios na mão e nervosas hahah, boa sorte.“
— Meu Deus... – Brittany disse, devolvendo o celular a outra. – Não acredito nisso...
— Pois é! – A garota riu nervosa. – Essa cidade é um mar de desgraça, Brittany! A gente já deveria saber. Eu odeio estar aqui... Sei muito bem o que esse fulano chantagista quer fazer com a minha reputação, mas quando eu descobrir quem é... – Ela passou as mãos no rosto apertando-o. – Argh, pra somar a tudo, meus pais me arrastaram pra casa infernal deles e eu nem quero pensar em voltar pra lá, eles insistem com a porcaria do trabalho no Breadsticks.
— Sinto muito...
— Não sinta.
Silêncio.
— Por que você não me falou antes? Sobre essa mensagem, Sant...
— Você não me desbloqueou ainda, sabia? – Santana alertou-a debochadamente. – Não sou mágica, coração. Se eu fosse sumia daqui.
— Ah... Desculpa. – A loira correu para desbloquear o número da morena no celular. – Pronto.
— Finalmente! – A latina sorriu. – Seguinte, vamos fazer um acordo? – Brittany estranhou, porém assentiu, e Santana continuou. – Você está proibida de me bloquear em qualquer hipótese. Tá?
— Tudo bem.
Elas sentiram gotas de água cair sobre suas faces.
— Vai chover. – A Pierce falou, olhando para o céu e lembrando que ouvira sutilmente a previsão do tempo. – Droga, eu não trouxe guarda-chuva...
— Vamos pra torre. – Santana comunicou, pegando a mão da outra, e a guiando consigo até o interior do farol. – Pronto! Problema resolvido.
Elas subiram as escadas e Brittany percebeu algumas garrafas em um canto do ambiente, Santana se apossou de uma.
— Você vai beber?
— Vou, Brittany. – A morena sentou no chão de madeira, rente a uma parede. – Vai me acompanhar, sim ou não?
A loira se acomodou ao lado da Lopez.
— Santana, não acha que...
— Shh... Eu não quero ouvir lição de moral, nem nada do tipo, por favor, coração.
— Ok...
(...)
Depois de um tempo, Brittany se lembrou, abruptamente, de que precisava ir imediatamente para a sua casa, para ter sua primeira aula particular de espanhol, com um professor chamado George, ou algo do tipo, o primeiro da lista de Robert. Entretanto, notou que a chuva do lado de fora, situava-se, extremamente, forte e barulhenta, ela podia facilmente dormir ali. Se ela tivesse prestado atenção na televisão... Ela parou de fitar a janela, e pensar, ao ouvir Santana chorar. Olhou para o lado, sem rodeios.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não... – Santana respondeu e se encolheu, apertando os joelhos. – Não aconteceu nada.
Brittany se posicionou em frente à outra garota, e tirou a garrafa da mão da latina, colocando no chão e empurrando para longe.
— O que... – Santana levantou o rosto-abalado, com lágrimas escorrendo pelas bochechas. – Por que...
— Chega de beber, San. — A Pierce falou, encarando os olhos castanhos úmidos. – Tá bom?
— Mas, Britt-Britt, eu quero... Me devolve!
— Você quer, só que, não tá te fazendo bem. Então, não vou deixar você continuar. Não importa o que faça ou diga. Entendeu?
— É? – Santana impulsionou o corpo para frente, sentando sobre as pernas, fazendo seu rosto ficar muito, muito próximo ao da outra. – Tem certeza?
Ela roçou os lábios carnudos tenuemente nos rosados.
— Não...
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