Notas iniciais
You were driving the getaway car... Sentem que lá vem história kk.

“Não. Faça. Isso. Brittany.”

Ela repetiu custosamente a si mesma, enquanto se encontrava, novamente, por um fio de beijar a sua paixão... Aliás, Santana Lopez, a garota mais deslumbrante, em todos os sentidos, que já conhecera e que, divertia-se sem dó com os seus, mais delicados, sentimentos de dentro do peito. E todo o cenário precário somente localizava-se, se intensificado, à medida que ela se ordenava a não gostar tanto da outra e que, a morena, por outro lado, se aproximava de algum jeito dela. Uma tortura sem fim.

Será que Santana tinha noção disso?

Elas estavam sob o teto acolhedor da torre do farol esquecido de Rosefield, frente a frente, seguras da chuva do lado exterior. A Pierce sabia que tinha forças escondidas em algum lugar de seu físico e mente para evitar que aquilo acontecesse, mais uma vez, entre elas.

“Você tem certeza das suas palavras. Tem sim. Não se deixe levar, ok?”

A mais alta não podia permitir-se cair do topo daquele penhasco de emoções, pois não teria volta. E ela estava na beira. A queda seria bem maior e dolorosa que, se comparado ao penhasco real do farol. Isso que Santana fazia com ela era um jogo. Um jogo longo e viciante. E o jovem coração miserável da Pierce era um simples tabuleiro para as peças cruéis que Santana movia com agilidade sobre.

“Você não vê? É um jogo qualquer. Ela ama jogos. Não você.”

A líder de torcida não podia ser tão fraca e boba assim, para chegar ao ponto de deixar a outra dominá-la como se fosse a própria marionete humana da qual já foi, inclusive, chamada pela latina. Suas bocas agora se situavam em uma verdadeira linha tênue cativante de distância. E os olhos castanho-escuros eram pura malícia.

Porcaria, o que aquela folgada estava fazendo com sua sanidade mental?

Fechou os olhos azuis, para não ter que fitar os olhos profundos e marejados à frente, e apertou as pálpebras com força. Ok, agora parecia uma zona mais segura de se pensar. Mesmo que, sentisse a respiração da outra tão perto, entrando nos poros de sua pele, mais e mais. Se afaste, agora! Ela tentava ordenar seu corpo a tal. E falhou. E como falhou.

Ora, ele tinha que obedecê-la, corpo e alma trabalham juntos, não?

Brittany ainda queria saber o porquê Santana começara a chorar subitamente há pouco. Tudo bem que, ela já havia descoberto que, a morena, ficava emocionalmente instável com álcool nas veias. Mas ainda sim, seria bom saber ao certo o que estava se passando agora.

Poderia ser tudo: os beijos, a chantagem, a saída das Cheerios, os seus pais...

Recebeu então, um selinho da ex-líder de torcida, no breu dos seus olhos fechados. Talvez, a textura dos lábios carnudos fosse sua mais nova ideia de riqueza. Todavia, a Pierce lembrava-se muito bem, do que ocorrera das outras vezes em que se beijaram, até porque, tudo aquilo, era recente demais, e por isso era ainda mais confuso. Era intenso demais. Como podia isso? Não podia ser.

Depois de todas às vezes, existia um padrão.

E ele, era facílimo de memorizar. Santana sempre fugia de alguma maneira. E ainda botava a culpa em algo, o que importunava deveras a loura. E era por isso mesmo que ela tinha que parar. Elas tinham que conversar. Sim, conversar. E Brittany não deveria dar abertura alguma para a Lopez voltar a beber, fazendo esses joguinhos. Desse jeito nunca conseguiriam tal coisa.

E outra, ela não estava à venda.

E, também, se sentia culpada pela chantagem em cima da Lopez, afinal, ela beijara a morena, da última vez, em um lugar totalmente exposto aos olhos de qualquer um, tinha toda a culpa disso sobre si. Foi descuidada. Isso não parava de martelar sua cabeça, desde que Santana contara tudo a ela. Culpada, culpada, culpada. Esse era o seu título ideal.

Seu nervosismo serviu-a de bateria.

A estudante lançou o corpo para trás, afastando-se das mãos morenas que descansaram em sua face em poucos segundos, abriu os olhos, girando no chão e erguendo-se.

— Se você não percebeu, eu estava falando sério Santana. – Brittany esclareceu, pegando a garrafa afastada por ela mesma no solo, e levando para mais longe da morena, juntando a outras garrafas. – Não vou deixar você continuar bebendo, nem adianta tentar. Não importa o que faça, ou diga. Ok? Só diz que entendeu, por favor.

— Por que isso, Britt?!— Santana perguntou em um grito choroso e fungou, juntando o dorso de volta a parede gelada do ambiente. – Você também me odeia, é?!

— Hã? – A loira virou-se e sorriu ao observar a imagem de uma morena emburrada, depois caminhou em direção a estudante bêbada, voltando ao seu lugar, ao lado dela. – Meu Deus, por que você tá me perguntando isso, hein Sant-Sant? Você sabe que não. Nunca te odiaria, é impossível.

— Por nada... Perguntei por nada. – Ela desviou o olhar, brava pela outra “fugir” dela. – Por que você não vai embora, Brittany? Tchau!

— O que? – A líder indagou rindo, sutilmente, com a revolta da outra. – Você tá me mandando embora? É isso mesmo? Ou...

— Sim, não dá pra ver não?! – Santana gritou, voltando a enxergar a loira, lacrimejante. – Você é exatamente igual aos outros desse lugar de merda! Só quer me dar ordens, e eu odeio isso!

Brittany suspirou.

— Eu não sou que nem os outros, Sant. Não estou te dando ordens, tá bom? Só acho que se continuar...

— Eu não quero saber o que você acha! Tá? – Ela virou o rosto e bufou. – Droga! Vai. Embora. Daqui!

A Lopez tampou o rosto e continuou chorando. Brittany ficou preocupada assistindo-a fixamente. Não iria embora, até porque tinha plena consciência de que, a outra era mais “bipolar”, ou coisa-do-tipo, naquele estado. Tinha que fazer algo a respeito. Sorriu sem graça, e levou as mãos até as mãos da outra, abaixando-as, sem soltá-las, após o trajeto. Ao invés disso, segurou-as firme, com intenção de fazer a garota olhá-la.

Porém, Santana se recusara a virar o rosto.

Então, Brittany deixou as mãos de Santana e tocou enfim o rosto dela desta vez, uma mão de cada lado das bochechas, e acabou fazendo-a olhar para ela, olhos nos olhos. Passou a limpar as lágrimas da face de Santana, onde seus polegares pousaram, gentilmente.

— Eu não vou embora, San.

— Mas... Você devia ir.

— Mas, não vou.

A loira sorriu, os olhos castanho-escuros que enxergava, estavam meio avermelhados, analisou-os com a imensidão azul de si. Sentia alegria só de poder olhar para eles. Ela queria que a morena sentisse o mesmo, e ficasse feliz. E não que, estivesse despedaçada daquele jeito, pois a dava uma tremenda vontade de cair em um dueto de lágrimas com Santana. E poderia não ser uma boa ideia, no momento. Não, não era mesmo. Tinha que se manter sã para só assim, ficar salva nas terras Rosefieldianas.

— Hey, podemos fazer outra coisa, que não seja beber, enquanto ainda está chovendo lá fora. – Brittany propôs amigavelmente. – Sei lá, você gosta de jogos, que tal se...

— Por que você não me beijou? – Santana questionou, ignorando-a, direta e nervosa. – Me responde.

O coração da garota apaixonada disparou.

— V-você queria que eu fizesse isso?

— Eu perguntei primeiro, Brittany.

— Eu sei... – A Pierce afastou as mãos e corou, respirando fundo. – Porque você não quer conversar comigo sobre isso, então...

— Já entendi. – Ela cortou-a e olhou para frente. – Vamos só esperar a chuva acabar, por favor. Já que não vai me deixar beber, estraga-prazeres.

— É... Não vou. – Brittany assentiu e fez o mesmo, olhando o nada agora. – Certo.

E as gotas de chuva continuaram caindo, preenchendo o local de som. O melhor som, em meio ao enorme silêncio que as unia naquela torre.

(...)

— Você quer conversar sobre...

— Não, Brittany.

— Ok... Então, nunca mais vai acontecer mesmo... – A loira murmurou, com intenção de dizer aquilo apenas a si mesma, mal percebendo que falara em voz alta. – Nunca mais... Tudo bem.

— O que... – Santana arregalou os olhos, virando-se em direção a ela. – O que você disse?!

A Pierce se assustou.

Ahn, que... Q-que nunca mais vai mais acontecer... Eu acho que foi isso...

— Por quê?! Isso não é justo! Não é!

Brittany a encarou com a maior cara de paisagem do universo. Tinha grandes dúvidas. Grandes mesmo. Havia mesmo falado em voz alta aquela frase? Ou Santana era doida? Bom, talvez os dois. Não saberia dizer ao certo.

— Nós, por acaso, estamos falando da mesma coisa agora, Santana? Porque eu...

— Você me odeia sim, Britt! Eu sei disso... – Ela afundou o rosto nas próprias mãos, de novo. – Só me deixa beber e saí de perto... – Soluçou uma vez. – Caramba! Que coisa... – Soluçou de novo, descontrolada. – Ah, eu tô cansada! – Santana ergueu-se repentinamente do chão e pegou seu celular. – Ninguém mexe comigo... Ninguém... Vou mandar esse número anônimo hijo de puta ir pro inferno! Depois o Cesar, e a minha mãe, e o falso-Eminem e...

Hum, “hijo de puta” Brittany se lembrava de ser algo ruim. Sim! E Santana parecia muito estourada para o seu gosto.

— Não! – A loira se pôs de pé e lançou-se em direção a garota, arrancando o aparelho da mão dela, guardando-o no próprio bolso. – Você não vai fazer nada, assim, desse jeito aí. Tá doida?! Por favor, vem...

Brittany alcançou a mão esquerda morena, com intenção de elas voltarem a sentar-se no chão, juntas, mas deixou a mesma escapar.

— Vamos sentar.

— Me devolve o meu celular, Brittany! Não tá vendo que você tá me deixando nervosa, caralho?! Sua folgada!

Folgada? Santana era uma hipócrita, mas não era hora de pensar nisso. A garota mais alta ficou confusa e de certa forma indignada também, logo rebateu as palavras de sua “amiga”.

— E por que eu tô te deixando tão nervosa, assim?! Explica! Fala comigo, por favor...

— Ué! Porque você me deixa nervosa! Simples. Mas que droga, Pierce! Que droga! Tudo isso me deixa nervosa! Tudo! Tá? A nossa amizade tá estranha...

— Achei que tivesse dito que estava tudo bem...

— Mas, não está tudo bem! Não tá! Ok?! Desde o Halloween, e você sabe muito bem o porquê, e é tudo sua culpa! – Mais lágrimas escorreram por seu rosto. – Eu odeio ter que falar sobre isso, sabia?! Eu... Odeio demais... Você tá me forçando a conversar... Eu odeio isso Britt-Britt... Odeio... Eu... Eu te odeio muito... Muito...

Ela mal conseguia falar de tanto que chorava. Parecia até engasgar repetidas vezes em prantos, então, era melhor a líder de torcida ajudá-la. Não dava para levá-la a sério daquela forma, realmente. Não adiantaria discutir. Muito menos se doer com tais palavras, embora não fossem nada agradáveis de ouvir, ainda mais quando partidas daquela pessoa especial que, faz suas pernas, cambalearem involuntariamente.

— Você não me odeia Santana...

— Odeio sim!

— Aham. – Brittany a encarou com deboche e se aproximou. – Fale isso pra mim quando estiver sóbria. Ok? Sua chata-chorona.

— O que você...

A loira puxou Santana, e abraçou-a pela cintura, bem forte, sem dizer mais nada. A latina enroscou os braços no pescoço dela sem pressa, e retribuiu. Bom, parecia que ela, finalmente, retribuía o abraço que não conseguira corresponder de Santana mais cedo. Com o tempo, Brittany percebeu a respiração da morena se acalmar e a sirene em seu coração se acalmou também. Amava o contato com o corpo da outra. E o cheiro do perfume dela, e... Concentrou-se. A Pierce precisava se controlar.

Inspirou e expirou, lentamente.

Em seguida, olhou para janela, atrás da Lopez, com a cabeça encaixada no ombro da mesma, e lembrou-se da chuva performando do outro lado da janela. Continuava forte. Assemelhava-se que, toda a natureza estava de acordo com a personalidade de Santana. Parecia até que, o céu chuvoso e as lágrimas recorrentes da latina eram cúmplices em um crime. Como dizem, estava caindo um pé d’água. Literalmente e metaforicamente. Estava difícil não se afogar.

Coração? — Santana se manifestou. – Por que você tem que ser assim?

Ahn... “Assim” como? – Brittany perguntou, esperando a resposta que não veio, olhou para os cabelos negros do seu lado, e não deixou o enlace. – Hein?

— Assim... – A voz da morena era sonolenta e meio grogue, ela estava quase dormindo nos braços de sua Piercezinha, eram tão confortáveis que, ela, ali envolvida, já não queria mais pensar. – Eu gosto da sua amizade... De verdade.

— Eu também, Sant... Eu também. – A Pierce deixou transparecer um sorriso e ponderou por um segundo. – Você acha mesmo que eu estou te forçando a conversar?

— Sim.

Silêncio.

— Me desculpa. – Brittany desmanchou o abraço, após Santana assentir em resposta, e apossou-se de uma das mãos dela, guiando-a de volta aos seus lugares no chão, sentaram-se. – Não vou mais insistir então... Por enquanto. Tá?

— Ok, obrigada... – Santana se moveu na madeira, e quando a Pierce menos esperou, a morena havia acomodado a cabeça nas coxas dela, e deitado o corpo no chão. – Me avise quando a chuva acabar, Britt-Britt.

— C-claro...

(...)

Fazia alguns minutos que a menina Lopez adormecera naquela mesma posição, e Brittany assistia-a respirar vagarosamente, ali em baixo. Ela aparentava estar em total paz, perdida em seus sonhos. Era tão tranquila daquele jeito, só dormindo. Parecia até um anjo. Mas, diferentemente dela no instante, a chuva não havia cessado a ira ainda. A loira passou a mão direita suavemente sobre os cabelos negros de Santana, como forma de carinho, e sorriu. Continuou o fazendo, e os olhos azuis contemplando aquela pessoa que enfraquecia tanto seu coração, até sentir seu celular tocar, tirou-o do bolso e atendeu-o rapidamente, antes que despertasse a bela adormecida.

— Alô?

— O que aconteceu, Brittany? – Robert questionou do outro lado da linha. – Você não chegou ainda em casa, por quê? Está tudo bem?

— Sim, sim. Tá tudo bem. É que a chuva acabou me atrapalhando e estou meio presa... Digamos assim.

— Como assim?

— Eu me esqueci de pegar o guarda-chuva pai, e eu tô um pouco longe do meu carro. Então...

— Você esqueceu? Mas, não estava prestando atenção na previsão do tempo, filha? Eles até repetiram, querida.

— Não muito, na verdade. Eu ando meio avoada com a televisão, sabe...

— Não só com a televisão, Brittany... – Ele disse em tom repreendedor e ela sentiu como um golpe certeiro e doloroso em sua barriga, e aí, começou a passar mal. – Sabe que teremos que remarcar um novo dia com o George, sim? Espero que ele concorde com o sábado, para o teste, é claro.

— É...

— Onde você está? E com quem está?

— Eu estou com a Santana... E a... C-chamada tá falhando agora... Eu estou bem, ok pai? Depois nós conversamos.

— Brittany...

— Se eu não voltar pra casa hoje, eu te ligo logo cedo. Eu juro. Te amo, tchau! – Ela encerrou a ligação freneticamente, atropelando as palavras, antes que o homem pudesse ter abertura para voltar a falar. Sem dúvidas, Robert havia percebido sua mentira quanto à “falha na chamada”. – Droga...

A garota largou o celular do lado do quadril e voltou a encostar as costas na parede, relaxando os ombros tensos. Era só o que a restava, por ora. Não queria nem pensar no amanhã. Nem pensar. Entretanto, pensou.

(...)

Os olhos castanhos despertaram serenamente ao passo que, Santana deu uma profunda inspirada no ar, um pouco confusa, a primeira vista, do motivo que a levou a não estar em sua cama. Sentiu a madeira rígida presente abaixo da lateral do seu corpo. Nada confortável. Avistou a parede branca familiar do outro lado, e notou que não era possível ver quase nenhuma claridade vinda da janela ainda, mas não estava mais chovendo.

Sua cabeça estava doendo, droga.

E então, a morena percebeu estar deitada em uma coxa, virou o corpo com cuidado, olhando para acima de si.

— Você acordou... Bom dia. – Brittany disse, forçando-se a sorrir. – Tá se sentindo bem?

— Sim... Bom dia. – Ela correu para levantar o tronco, evitando encarar a outra, passou as mãos pelo rosto, de costas para a loira. – Que horas são?

— Quase cinco da manhã...

— Já?! Você ficou aqui até agora?

— Sim... Aparentemente. – A estudante riu e colocou as mãos na coxa, massageando-a. – Minha perna tá até dormente, então...

Santana olhou para a Pierce, e se acomodou ao lado dela.

— Desculpa por isso, e pelo meu estado ontem, sabe...

— Tudo bem, Santana.

— Bom, quando você acordou?

Brittany riu.

— Eu não dormi.

— Como assim “você não dormiu”? – A morena perguntou em tom indignado. – Brittany...

— É por causa de tudo o que aconteceu ontem, aí eu não consegui...

— Ah... – A latina lembrou-se de quase ter beijado a líder. – Me desculpa por, sabe, é que o álcool...

— Não... Não é isso, relaxa. – A garota avisou-a e fez pernas de índio, para descansar a musculatura. – Na verdade, é toda a história de chantagem que você contou que está me deixando preocupada desse jeito... Sem falar que eu tinha uma aula particular... Quer dizer, “teste” de espanhol marcado com um professor lá e eu nem voltei pra casa, e agora eu não sei como será a reação do meu pai quando eu chegar lá. E eu sei que ele sabe que eu estou mentindo, o Robert tá sendo tão compreensivo com a minha falta de vontade que, estou com medo dele explodir uma hora.

— O senhor Pierce parece ser legal, duvido que ele “exploda” coração. Fala pra ele que você estava com a sua grande amiga. Pronto, ele vai adorar...

— Já falei. – Ela sorriu para Santana. – Agora só me resta esperar.

— Não fica se torturando...

— Eu não tô, Santana.

Elas ficaram em silêncio por um tempo.

— Brittany... Quando a chuva parou?

— Hum... Faz pouco tempo que ela parou totalmente... Acho melhor a gente ir pra casa, né?

— Sim... É, casa. – Santana ergueu-se, reflexiva. – Você pode me devolver o meu celular agora? Acho que eu tô sóbria o suficiente já, gula...

As garotas riram juntas.

— Claro, ira. – A Pierce apanhou o celular da outra em seu bolso quando ambas localizavam-se de pé, e entregou-a. – Aqui.

— Obrigada.

Elas começaram a descer as escadas da torre do farol. No tempo em que chegaram ao exterior do lugar, perceberem o solo terroso muito bem irrigado pelas forças da natureza, e seguiram até a trilha, que se encontrava meio escorregadia, chegando assim até o final, onde o conversível de Brittany estava estacionado.

— Ainda bem que você deixou a capota levantada.

— É, acho que meu subconsciente me avisou... Pelo menos isso.

Ambas gargalharam.

— Tchau, Brittany...

— Onde você está indo? – A mais alta indagou ao notar Santana desviando do veículo. – Hey...

— Ué, pra casa garota. Até mais!

— Mas, eu posso te levar! Espera.

— Ah... – A Lopez chegou perto da outra. – Olha, acho que eu não te falei isso ontem, mas, é melhor a gente não ficar sendo vistas juntas, sabe coração... Principalmente na escola, eles precisam achar que a gente não se fala mais. Bom, isso até eu saber qual será a próxima missão do senhor mal-amado-anônimo. Você vai ver, quando ele ou ela, menos esperar, eu vou descobrir a identidade secreta dele, e a pessoa vai se arrepender muito.

— É... Eu imaginei. – Brittany assentiu um pouco incomodada, e logo depois, ficou sorridente fitando concentradamente olhos castanhos. – Mas, vem! Eu vou te levar, ponto. Duvido que tenha alguém conhecido andando por aí, mal amanheceu ainda, San.

— Hum... – A garota olhou ao redor, fingindo estar analisando o ambiente. – Você pode ter razão, Piercezinha.

— Sim, eu posso. – Ela riu. – E tenho... Vamos!

A ex-líder de torcida se virou e começou a encarar algo, fez uma careta ligeira.

— Hey, olha ali Britt!— Santana apontou para o outro lado da rua. – Tá vendo?

— Sim, estou.

— Que horas são?

Brittany se apossou do próprio celular.

— Cinco e quinze. – Respondeu sorridente. – Ahn, e se... A gente for lá, San?

— Agora você capturou o espírito da coisa, Britt-Britt!

No fim, elas acabaram se deixando vencer pela imagem de um quiosque conhecido aberto tão cedo, com poucas pessoas ao entorno. Tomaram o café da manhã por lá, e puderam ver a praia pouco movimentada com alguns surfistas e pescadores, e o friozinho do vento era magnífico de fundo de cenário. Esquecer-se de todos os problemas, nem que fosse por poucos minutos do dia, na companhia uma da outra, era sempre muito agradável.

(...)

Pelo trajeto até a residência dos Lopez, não houve um pio presente dentro daquele carro que acomodava as meninas, nem menos do rádio, que como Brittany já sabia, gostava de tirar sarro da cara dela.

Elas estavam em um clima meio triste.

A loira virou a rua, mãos firmes no volante, estacionou, suspirando de cansaço. Chegaram então ao destino.

— Tchau... – A morena se despediu primeiro, fitando a outra. – A gente marca de se ver alguma hora.

— É, agora que eu te desbloqueei, sim. – A Pierce disse entre risadas. – Até, Sant.

— Até, Brittany. – Ela desceu do carro e depois voltou à janela. – Espero que consiga recuperar o sono perdido.

— Eu também.

— Enfim...

— É.

Santana assentiu sorrindo e se distanciou do carro, virando-se, encaminhou-se até a porta de sua casa e destrancou-a. Do outro lado tudo estava quieto, provavelmente seus pais estavam dormindo ainda, mas, francamente, não fazia a menor ideia.

(...)

Brittany botou os pés em seus aposentos, sem falar com ninguém pelo caminho, exceto com o porteiro do lado de fora de sua residência. Enfim, entrou em seu banheiro e arrancou a roupa fora, a fim de poder tomar um banho revigorante e que a impossibilita-se de cair mortinha de sono durante as aulas que, teria ao longo de sua quarta-feira.

Ah, o vapor era ótimo de se inalar.

Quando a água quente terminara o papel de levar toda a sua noite em claro embora, a loira terminou o banho. Com todos os vidros possíveis embaçados, saiu do box, enrolando-se numa toalha rosa e partiu para a parte em que se trajava com o seu uniforme de animadora.

Tudo normal... Ou quase.

E depois ela desceu, percebendo a presença de Robert no sofá da sala agora, se aproximou do homem que estava ao telefone, logo ele desligou a ligação.

— Bom dia, filha.

— Bom dia... – A Pierce cumprimentou o pai com um beijo na bochecha. – Eu cheguei faz uns minutos e estou bem.

— Eu percebi. Você não pretende fazer isso sempre, pretende? Quero dizer, faltar aos seus compromissos, Brittany. Você nunca foi disso. E não quero te tratar como criança, eu sei que sabe se cuidar, mas, eu fico preocupado.

— Não, não pretendo. – Ela afirmou. – Desculpa.

— Vou acreditar em você, de qualquer forma, estava falando com o George e ele concordou em vir sábado. Hoje o teste é com a Victoria, não falte... – Brittany assentiu e ele continuou falando. – E como a Santana está? Tudo bem? O que estavam fazendo?

— Ela tá bem... Nós estávamos estudando, na casa dela. – Brittany correu a responder. – Acho que agora eu vou tomar um café, com licença.

Ela direcionou-se a cozinha.

(...)

— Presta atenção, Santana! Não é aí que guarda a proveta... – Rachel se manifestou, agachando ao lado da morena, em seguida, em frente aos pequenos armários abaixo dos balcões de experimento. – Você tá bem?

— Claro que sim, anã. – A Lopez respondeu, revirando os olhos, e colocando a proveta junto às outras no lugar correto. – Só queria te avisar uma coisa, antes de sairmos do laboratório. Porque acho que somos meio que amigas, agora né.

— Sim, nós somos. – A Berry pareceu aliviada. – O que é?

— Eu vou te dar um banho de raspadinha hoje. – A ex-líder de torcida disse casualmente. – Qual sabor você prefere?

— O que?!

Shh... — Santana pronunciou, levantando. – Tá maluca? Fica quieta. Continua guardando as coisas, antes que alguém perceba.

— Ok... – Elas continuaram a limpeza da mesa que usaram, Rachel se ergueu do chão. – Você tá brincando né? Sobre a história da raspadinha.

— Claro que não, é uma das “missões” do chantagista-FDP. Acho que ele quer me transformar numa bad-girl. – Ela riu. – Enfim...

— Você tá me zoando, fala a verdade. Isso você já é...

— Aham, claro.

Santana bufou, e pegou o celular, clicando em algo, entregou a outra garota, sem mais delongas.

[Número anônimo]: Hey! Eu voltei. Foi demais o seu showzinho de desordem, ex-líder de torcida! Até me emocionei, sabe como é. Principalmente com a revolta da Fabray, hahah *--* eu simplesmente te adoro! [10:07 a.m]

[Número anônimo]: Como um verdadeiro fã adora um ídolo, sabe? Esse tipo de adoração. [10:07 a.m]

[Número anônimo]: Mas, não pense que é só isso, Santana. [10:08 a.m]

[Número anônimo]: Hoje eu pensei em algo muito mais fácil pra você, então me agradeça e não guarde rancor, porque isso faz mal pra pele, e duvido que você queira isso pra si, peles desidratadas são o ó. [10:08 a.m]

[Número anônimo]: É simples, basta acertar algum membro do clube Glee com as famosas raspadinhas no corredor, e dizer aquelas palavras maldosas que sei que você sabe e, está louca para soltar hahah, se ajudar: pense em mim. Moleza, não? Eu e o resto da escola sabemos que você nem queria ter entrado naquela coisa que chamam de clube, então... [10:10 a.m]

[Número anônimo]: Boa sorte ♥ [10:10 a.m]

Rachel devolveu o aparelho a Lopez, e engoliu a seco.

Ahn... E você me escolheu como... Alvo?

— Sim, Berry... Levando em consideração que você é a única do clube que sabe. – Santana guardou o celular e voltou a limpar a bancada. – Eu não quero arrumar confusão de verdade... Por enquanto.

— Mas, e a Quinn? Ela é do Glee e também sabe. Sem falar que eu já levei várias raspadinhas anteontem, foi horrível e frio.

— A Quinn já me ajudou ontem...

— Te dando um tapa na cara, assim é fácil.

— Vou ignorar que disse isso, pro seu próprio bem. – Santana fuzilou-a com os olhos. – A Barbie é uma líder de torcida, duvido que o senhor-anônimo se referia a ela na mensagem... Bom, me desculpa, só que, você está em divida comigo por me prender junto com a Barbie 2 na sala do coral. E, de qualquer forma, você é o meu alvo hoje, então eu vou te acertar quando o sinal tocar, você não tem muita escolha. Eu defini o melhor horário, o do almoço, você não vai perder aula nenhuma. De nada. Estou sendo até boazinha em avisar, Rachel. Eu podia só fazer, sabe disso.

— Esse tipo de bondade me assusta... Mas, tudo bem, Santana. Vou só trocar de roupa e botar algo que, eu não ligue tanto de sujar. – Ela suspirou. – Espero que isso acabe logo.

— Eu também. – Santana observou a garota tirar o jaleco, e dar alguns passos para trás. – Obrigada, coisa.

— De nada... Morango. – Rachel murmurou. – Ok?

— O que?

— O sabor... É o mais cheiroso.

A morena mais alta assentiu, com um sorriso maligno nos lábios, como também nos olhos castanhos. Quase se esquecera de que havia perguntado a outra com que sabor de raspadinha Rachel Berry preferia ser acertada. Ótimo, talvez esse evento fosse: a única coisa divertida, por assim dizer, de seu dia inteiro.

(...)

Quando o sinal indicando o final da aula de química das garotas soou, Santana saiu da sala e foi direto a grande cantina do colégio McKinley. Lá, ela indignou-se com o preço dos alimentos no geral, nunca havia parado para analisar tal coisa.

Pelo jeito, os bulinadores gostavam de gastar dinheiro só para humilhar os outros e se sentirem, ou melhor, fingirem que estão felizes.

Engraçado, quem, realmente, pareciam ser os perdedores, vendo a situação por este ângulo? É. No fim, comprou uma raspadinha de morango, como combinado, e voltou ao extenso corredor da instituição sem demora alguma, lugar onde mirou os olhos numa baixinha e sorriu maldosamente convincente, até para si mesma, era a Auntie Snixx voltando a seu corpo.

Esbarrou em Rachel que andava em direção contrária a ela.

— Está louca, GnoBerry?!

— D-Desculpa Santana! Eu não...

— “Desculpa”?! Claro... – Ela riu debochadamente. – Por que não? Afinal, eu sou muito generosa, como sabe. – A Lopez começou a se afastar, andando de costas. – Tão generosa que, até vou compartilhar com você a minha raspadinha, querida!

A morena acertou a outra do pescoço para baixo, para a mesma não ter o trabalho de ficar limpando os cabelos. Rachel fingiu cara de choque, mas aquilo estava extremamente cômico, e poderia pôr em risco a farsa delas, então, Santana fez que “não” com o pescoço, para ela amenizar a atuação. Por sorte, ela captou a mensagem, já que ainda tinha um medo real, dentro de si, da Lopez.

— Gostou? Espero que sim, senão eu vou ficar muito chateada, anãzinha!

Em menos de segundos já existiam diversas pessoas em volta, assistindo, mesmo que discretamente.

— Sabe o porquê eu fiz isso? Não aguentava aquele seu clube maldito, insuportável! Tive que fingir ser sua amiga, mas não sou. E nunca seria, espero que saiba disso, fracassada. Vocês não são nada! – Ela sorriu e acenou, jogando o copo no corredor, olhou para os outros antes de piscar para a Berry. – Some daqui, agora.

Rachel correu através do corredor, desaparecendo.

— Uau! – Alguém disse, enquanto batia palmas. – Gostei de ver, Lopez. – Spencer entrou na frente dela, quando a garota estava deixando a “cena do crime”. – Juro pra você que, algo dentro de mim, gritava dizendo que você não era aquela Cheerio-podre zero a esquerda que parecia ser. É... Eu posso até esquecer que você me deu um soco, e nós podemos recomeçar. O que me diz? A Berry é o melhor alvo de todos, sabia que não iria resistir.

Santana revirou os olhos.

— Vai se foder falso-Eminem! Fica longe de mim.

Foi tudo o que ela disse, antes de esbarrar nele e seguir o seu caminho para o almoço que, esperava-a porta afora do McKinley, junto a Noah Puckerman que se juntou a ela, quando ela chegou à parte de fora da instituição.

Com certeza tudo havia se transformado em vídeo, de novo.

(...)

E o tempo foi passando, Santana começara a trabalhar todos os dias no Breadsticks após as aulas. Entretanto, lavando pratos na cozinha desta vez, para não ter um contato direto com os clientes do estabelecimento e assim não causar confusões.

Seus pais, agora e sempre, eram a coisa mais insuportável do universo.

Ela preferia mil vezes encarar os pratos sujos a ouvi-los falar, pois no fim das contas, era só colocar luvas nas mãos que estava tudo certo, e ainda ganhava dinheiro, diferentemente de quando ouvia o blá-blá-blá dos pais. A pior parte de seus dias, sem dúvida alguma, era chegar a sua casa. Mal esperava o momento em que pudesse, finalmente, voltar a morar com a sua avó Alma Lopez.

Se esse momento existisse.

Já Brittany, assistiu a todos os seus “testes” de aula particular de espanhol, marcados, que tinha depois da escola. Aqueles professores da lista lhe davam sono, não havia sequer exceções. Todavia, ela era obrigada a escolher algum, e escolheu, senão: como aprenderia o odioso idioma? Com Santana parecia tão fácil.

Ela devia ter um dom.

Blaine e Brittany formaram um maravilhoso par e cantaram divinamente suas músicas escolhidas para o dueto. Fim da primeira semana de inferno. As meninas passaram a trocar mensagens entre si, todos os dias, desde bom dia até boa noite, contando tudo que estavam fazendo, mesmo que: em horário de aula. E por alguma ironia inversa do destino, elas não conseguiam marcar de se encontrar nunca. Nunca.

Porém, se viam pelos corredores escolares, o que já era um começo.

As chantagens que a Lopez recebia foram crescendo: quebrar isso, falar aquilo, fazer isto, etc, etc. A ponto de ela ter que visitar, todos os dias, por alguns minutos, uma conselheira estudantil, meio neurótica, chamada Emma Pillsbury. A diretoria a via como um problema, que não adiantaria a chamada dos pais, então essa era a solução mais adequada. Pelo menos, aos olhos da vice-diretora Shelby Corcoran. Até porque, da última vez em que se atreveram a chamar um dos responsáveis da morena, de alguma maneira, mexeram com um empresário de sobrenome Pierce com quem eles não queriam problema algum.

Definitivamente não.

Santana ia sim à conselheira, normalmente, e ficava quietinha, mesmo que continuasse “tocando o terror” nos corredores com as suas palavras maldosas. Outra pessoa que soube, superficialmente, da chantagem, ao longo do tempo, foi Noah Puckerman, que a ajudou como sempre. Talvez, tenha sido a ajuda mais fácil que recebera até então.

Ele servia como amigo.

Sem dizer que ele gostava dessa vida “perigosa” e errada. E talvez os componentes do clube Glee realmente odiassem Santana agora, como também os do clube do livro, jardinagem, RPG, teatro, xadrez e etc, etc. Com exceção dos jogadores de futebol e dos nadadores, que estavam adorando tudo isso.

(...)

Duas semanas depois...

O senhor Schuester estava falando sem parar com os integrantes do coral, e Brittany só conseguia lembrar-se de como o dia de ação de graças, na última semana, havia sido maravilhoso, ela não sabia o porquê, mas Vitor soube temperar pela primeira vez — na opinião dela — a comida na medida certa. Nada de tão divino, como ela classificaria as refeições de Alma ou Santana... No entanto, estar com o seu pai e Holly naquele dia tão especial e divertido foi muito bom, sem duvidas: mais feliz do que no ano anterior. E quiçá, tenha sido isso que fez a comida parecer melhor.

Estava anestesiada.

Quer dizer, depois de uma série de estresse continuo, ela podia até ouvir as músicas que, tocara na rádio, ecoando em sua mente em uma harmonia perfeita. Ainda mais, aquela incrível que ouvira pela manhã, e que enchia seu peito de emoção.

— Então pessoal, a proposta dessa semana é um pouco aberta, mas vale a pena. Solos com... – O homem de cabelos encaracolados passou a escrever no quadro. – Músicas que não saem da cabeça.

Os olhos azuis piscaram com força, dando-se conta do espaço. É, parece que o universo estava brincando novamente com a Pierce, ela teve até que se conter para que, o seu queixo não caísse do resto do crânio.

— O que eu quero dizer com “músicas que não saem da cabeça”? Bom, obviamente não são as denominadas de chicletes, jovens. – Ele riu, apontando aquela caneta, em posse, para os estudantes, animado. – A não ser que elas signifiquem algo, é claro... Quero que vocês apresentem músicas aqui na frente que não saem da cabeça por tocarem o coração de vocês. Conseguiram entender? Essa é a proposta.

Eles assentiram e Brittany sentiu certa incerteza sobre cantar aquilo que ecoava em sua mente ou não, afinal, estava chegando ao seu coração? Era o que parecia, mas estava confusa.

— Não tenham medo.

Bastou àquela frase para a loira finalmente decidir-se: cantaria a música. E ensaiou a letra pelo resto da semana, decidida, com ajuda de Sam Evans, já que ele tocava violão e era um de seus amigos mais próximos desde que chegara a cidade, foi de grande ajuda para ela.

Apesar de o loiro ficar fazendo perguntas e comentários repetitivos sobre a suposta “dupla personalidade insana” de Santana.

Não importava.

(...)

Quando a sexta-feira veio enfim a Rosefield, num começo de Dezembro, ela pôde sentir a melodia absolutamente mesclada a seu corpo e alma, como se fossem um só ser, em equilíbrio. Sim, era isso. Sentou em um banco ao lado do amigo que ensaiara com ela, pronta para cantar Treacherous da Taylor Swift.

Sam começou a bater no vilão, como se fosse um tambor, enquanto tirava alguns sons de suas cordas, sorriu, e Brittany percebeu que estava na hora de abrir o peito.

“Put your lips close to mine... As long as they don't touch...”

O coração dela passou a disparar com cada verso cantado e apertou os punhos, enquanto observava os pés de Sam batendo no chão no ritmo dos acordes do instrumento que manipulava.

“And I'd be smart to walk away... But you're quicksand...”

Os olhos azuis passaram a encarar os membros do clube que a assistiam com a mais pura atenção.

“This slope is treacherous... And I, I, I like it...”

Ela começou a lembrar-se de quando podia estar sempre perto de Santana e agora essa já não era mais a sua realidade.

“I hear the sound of my own voice... Asking you to stay...”

A Lopez deixou a sala da conselheira do McKinley e saiu sorridente pelos corredores, era tão engraçado falar com a ruiva, e então parou em frente à entrada do clube do coral, que permanecia sem portas. “Quanta surpresa”, pensou.

“But you're friction...”

Ela notou que era Brittany cantando e, encostou-se por ali, observando a loira de costas sentada numa cadeira ao lado de Sam, os outros integrantes da sala estavam muito vidrados para darem-se conta de sua nobre presença, então nem ligou.

“Two headlights shine through the sleepless night... And I will get you, get you alone...”

A Pierce percebeu que algumas lágrimas já se encontravam escorrendo por suas bochechas sem permição alguma e sorriu limpando-as.

“That nothing safe is worth the drive... And I would follow you, follow you home...”

Santana cruzou os braços e ficou pensativa, escutando a música, e fitando a líder de torcida.

“This hope is treacherous... This daydream is dangerous...”

Estava lindo.

“Your name has echoed through my mind... And I just think you should, think you should know...”

A morena sorriu.

"This slope is treacherous..."

Não demorou muito para o cover acabar, e Brittany levantou recebendo os aplausos dos colegas, ela sorriu chorosa, tentando se segurar. Virou-se, rapidamente, em direção à porta apertando o rabo de cavalo dos fios louros, e seus olhos azuis emocionados cruzaram-se com os de Santana, antes de a mesma desaparecer dali.

— Ótimo Brittany, ótimo! – Will disse com os olhos avermelhados, orgulhoso. – Você capturou o espírito da coisa!

— Obrigada.

— Agora quem é? Ah, sim, o Finn. Vamos lá!

A loira suspirou, e Sam a abraçou, dizendo que haviam feito um bom trabalho. Ele estava certo.

(...)

[Santana]: Hey, Britt-Britt! [10:47 p.m]

[Brittany]: Oi, San! :) [10:48 p.m]

[Santana]: Eu vi você cantando hoje. [10:49 p.m]

[Brittany]: É... Eu te vi. Deveria tomar cuidado. [10:50 p.m]

[Santana]: Ah, me deixa haha! Você é uma verdadeira artista, tenho que dizer, daqui a pouco pode até roubar o futuro chato e glamoroso da Berry, ou seja, Broadway e tals. [10:51 p.m]

[Santana]: Mas sério, foi muito bom. [10:51 p.m]

“Foi pra você” ela queria digitar, mas respirou pensante. Não podia fazer isso. E digitou enfim o melhor que poderia digitar agora.

[Brittany]: Obrigada ♥ [10:53 p.m]

[Santana]: Qual era o tema? [10:53 p.m]

[Brittany]: Músicas que não saem da cabeça. [10:54 p.m]

[Santana]: Ah, legal. Então a Taylor não sai da sua cabeça? [10:55 p.m]

[Brittany]: Pelo jeito haha [10:55 p.m]

[Santana]: Entendi :) Vai estar ocupada amanhã? [10:56 p.m]

[Brittany]: Não, nem Quinn, nem meu pai, nem as lições, nem nada amanhã haha, e você? [10:57 p.m]

[Santana]: Também, quer dizer, eu dei um jeito. Minha mãe não precisa realmente da minha companhia pro ultrassom idiota dela ;) O Cesar pode ir, ou a abuela, ou as vizinhas falsas “colegas” da Maribel, ou sei lá, qualquer um feliz com isso. [10:58 p.m]

[Brittany]: Não fala assim, por favor. [10:59 p.m]

[Santana]: E você não seja uma estraga-prazeres, por favor. [10:59 p.m]

[Brittany]: Hum, certo ¬¬ Desculpa? [11:00 p.m]

[Santana]: Vou pensar no seu caso. Enfim, vamos voltar ao assunto principal aqui, ou seja: nós não temos nada pra fazer, senhora Piercezinha. [11:01 p.m]

[Brittany]: O que significa que a gente finalmente vai conseguir se encontrar... É isso? [11:01 p.m]

[Santana]: Sim! [11:01 p.m]

E tinha sido assim a conversa das garotas, antes do sábado chegar e elas se encontrarem no penhasco do farol, logo cedo. Aproximaram-se com cuidado, como se estivessem em uma zona desconhecida, como se não se vissem há muito tempo, como se tivessem desaprendido, um pouco, a lidar uma com a outra ao vivo e a cores.

Mas, estava tudo bem.

Agora, permaneciam em um abraço que, não terminava mais.

— Estava com saudades de você. – Brittany disse, mal acreditando ter a outra envolvida nos seus braços. – Você tá bem? De verdade, San?

— Sim, coração... – Santana se distanciou, apertando o nariz da loira. – E eu também estava com saudades, “grande amiga”.

— Nas mensagens o clima é bem diferente... Meio esquisito, eu diria.

— Concordo.

Brittany pegou as mãos da latina e juntou as suas, seu corpo pedia algum contato.

— É horrível estar nas Cheerios sem você.

— Eu sei. – A Lopez afirmou sorrindo para as mãos delas unidas, encarou os olhos azuis. – A Barbie não dá conta, né? Pode falar. Deve ser estressante, co-liderar sem mim.

— Ah, claro. É sim... – A líder respondeu em tom de ironia. – A Rachel tem sorte de ter várias aulas com você.

— Não acho que ela concorde com isso.

— Azar o dela.

Elas riram.

— Mas, eu logo volto para as Cheerios, você vai ver.

— Sim...

Brittany se aproximou, deixando-se levar, plenamente, por todos os sentimentos malucos que corriam por suas veias, pegando o rosto da Lopez em mãos, fechou os olhos e beijou a bochecha esquerda da menina, botando os lábios finos em contato com a pele morena depois de dias, passou para a direita, em seguida, e por último a testa. Santana não recuou, ou nada, apenas fechou os olhos também e desfrutou dos toques da Pierce. Ela estava com saudades também.

— Desculpa... – A loira pronunciou, afastando o rosto lentamente da testa da ex-líder de torcida, permaneceu segurando as bochechas dela, olhos fechados para evitar que chorasse de novo. – Eu...

Shh...

A Lopez juntou seus lábios aos da outra, puxando a cintura dela contra seu tronco. Foi quando suas línguas se encontraram timidamente também. Elas precisavam disso, contato, seus corpos pediam, e parecia algo novo, de novo. Brittany se afastou, e abriu os olhos azuis, fitando atentamente os castanhos da garota à frente. Parecia estar arrependida, como se tivesse feito algo errado. Resolveu falar:

— É melhor a gente não fazer isso Santana, você sabe...

— Eu quero que se foda, Brittany! Eu não me importo mais. Eu vou te beijar...

“Beijar?!” Santana tinha dito isso mesmo ou a líder de torcida estava escutando coisas? Ou sei lá? Ela nunca falara isso, efetivamente. Antes que a estudante possuísse de tempo para deixar sua mente pensante em um serviço desassossegado, a morena voltou a puxá-la e beijou-a demasiadamente.

Notas finais
Fim. Queria agradecer... Brincadeira, não é o final kkk Enfim, como estou meio sentimental hoje, quero agradecer a todas as pessoas que comentam a fanfic, apesar de não parecer para alguns, é extremamente cativante ter o retorno dos leitores, então muito obrigada pessoinhas! Até mais ♥ P.S: Agora, queria agradecer a Stefany/laranjinha/coisa mais fofa do meu core kkk por ter aberto os meus olhos e ter me feito dar uma chance a Taylor Swift quando eu achava que não tinha mais jeito, no fim, eu acabei encaixando a música antes do que eu imaginava, espero que não tenha te decepcionado kk sorry qualquer coisa, anyway obrigada pela ideia da Brittany cantando Treacherous, esse capítulo é dedicado a você, só não falei antes pra não dar spoiler, mas acho que acabei dando kkk, e o capítulo ficou gigante, perdão.