Notas iniciais
You can do magic, you can have anything that you desire ♥

Brittany escorregou suas mãos pela cintura de Santana e desceu...

Desceu e desceu, aos poucos, enquanto se beijavam completamente imersas no deleitamento do segundo presente. Até ser capaz de apertar, de mãos cheias, a bunda perfeita da latina-nua acomodada nas suas coxas, outra vez, sobre os lençóis de sua espaçosa cama de casal. A líder de torcida estava amando tatear a consistência magnífica de cada pedaço de pele morena que existia ao seu alcance. As duas jovens estavam tão conectadas e concentradas só naquilo. O compasso de respirações, os toques dados, arrepios causados, apertos devolvidos e por aí ia. Há um bom tempo. E que tempo. O amanhã nem as importava, francamente.

Tudo era tão aprazível e novo.

A Pierce não esperava de forma alguma que, sua noite inocente, até então, de Natal, parasse onde estava agora. Caramba, ela e Santana haviam transado! E tinha muito mais pela frente. Por este fato, e o resto do contexto deslumbrante do dia, é claro, Brittany localizava-se deveras estupefata de como tudo andou incrivelmente bem até ali. Estava tão feliz no instante que, se fosse possível, sua alegria, euforia, animação, e todos os sentimentos bons dançantes em seu interior, trasbordariam de sua alma para fora, sem controle. Quer dizer, talvez seu físico já deixasse isso translúcido para quem quisesse ver, de certa maneira, para além de sorrisos sinceros no rosto.

Santana deu uma risada indecente ao desgrudar suas bocas.

E ao sentir o toque da outra em seu corpo, sem pressa, ela puxou os cabelos louros, da raizinha existente na base da cabeça de Brittany, suavemente para trás, como reflexo. Depois, Santana arriou os dedos de ambas as mãos, tirando-os do lago de loirice que repousava, abaixando-os pela traseira do pescoço branco, mais e mais, passando as unhas curtas pelo trajeto lento, enviando ondas elétricas delirantes para o corpo inteiro da Pierce, aos olhares curiosos e excitados dos olhos azuis sobre si. Parou a mão direita sobre um ombro de Brittany, e com a outra, ela mergulhou os dedos por debaixo da alça do sutiã preto à frente, mordendo seu lábio inferior de forma tentadora com a ação atrevida.

Começou a empurrar o tecido para o lado.

Em seguida, perpassou a mão audaciosa pelo seio quase exposto, de vez, da loira, e agarrou-o por cima do pano, Brittany gemeu contidamente com o movimento da mão dela ali, e aproveitando isso, Santana levou os lábios carnudos para a orelha dela, passando a língua por lá, no tempo em que posicionou as mãos em ambas as alças da roupagem avante, levando-as braços abaixo, até o limite que deu, por conta dos ganchinhos presos na retaguarda da peça que, só se abrem sozinhos, como mágica, quando não devem o fazer. Ah, as ironias da vida. A loira apoiou as mãos no colchão, de olhos fechados e respiração desregulada.

— Tira isso pra mim, Britt-Britt.

Santana mordeu-lha a mandíbula, vertiginosamente, após a fala. E, ao doce mando exalado da voz gostosa dela, Brittany somente levou as mãos para as próprias costas e soltou o feixe da peça que a cobria, sem pestanejar, ou pensar. A Lopez, então, ajudou-a freneticamente com o serviço de retirar o sutiã por completo daquele busto, se afastando um pouco do tronco da Pierce. Logo, elas livraram-se da parte de cima da seminudez da mais alta que, tanto estava atormentando a morena por dias, e aí Santana fitou finalmente os misteriosos peitos da amiga colorida, e seus lábios curvaram-se num sorriso safado em menos de dois segundos, eram lindos.

É, pelo jeito, corpos de garotas eram desejáveis demais para ela, sim.

Não havia mais oscilações quanto a isso. Seu corpo simplesmente escolheu atrair-se como imã em direção ao da outra. Eram descobertas radiantes e revigorantes, uma atrás da outra, todos os dias. Antes, ela achava ser apenas uma singular narcisista com o próprio corpo e imagem (não que tivesse deixado de ser), todavia a latina, agora, situava-se adorando apreciar outro físico feminino. Era tão sexy. E talvez, seus sentimentos evidentes e vigorosos por Brittany contribuíssem para tudo ser tão enfático. Além da vinculação que sentia dentro de olhos azuis. Sempre. Tão indescritível, tão fora do seu normal, tão diferente.

A Lopez foi empurrando os ombros de Brittany até ela deitar-se na cama.

E centralizada, a ex-líder de torcida dispôs-se de outro jeito sobre o corpo a baixo, engatou uma perna no meio das de Brittany, conduziu a face para a altura dos seios rosados, selou os olhos castanhos, e roçou os lábios grossos ao entorno da auréola de um dos seios da outra, no escuro. Seu hálito abafado foi sendo absorvido pelas células da loira que, teve as palpitações do coração aumentadas, mais uma vez, pela forma com que a outra tocava nela, determinada. Até que fazia sentido algumas pessoas chamarem tal ocasião de: amor. A mão macia da morena buscou o outro peito de Brittany e estimulou-o, à medida que ela decidiu chupar um dos bicos ouriçados mais próximo, sem mais barreiras. Por sua vez, a mais alta começou a afagar os cabelos negros desfrutando do ato, e não conseguiu conter chiados fugitivos de aparecerem.

Santana regressou a beijar os lábios finos depois de um tempo, prazerosamente.

E os seus seios acharam os da outra no caminho, acariciando-se no encontro de uma bela nudez branca e morena. A Lopez aproximou a sua coxa que, permanecia encaixada na parte interior das pernas de Brittany, até a mesma perder qualquer distância da intimidade ainda coberta da loira inferior a ela, e aí a prensou, depositando certo movimento junto, percebendo o corpo da outra jovem se esfregar contra o músculo de seu fêmur, sucessivo a colisão, e as mãos da líder de torcida segurarem suas curvas, instintivamente, afundando os dedos na sua pele desnuda.

— Ah, assim que se faz? – Santana indagou, animada. – É, Pierce?

Ahn-aham...

— Que bom, acho que eu tô aprendendo então. – Ela riu levadamente e assistiu a feição de Brittany se contrair de olhos fechadinhos, em seguida, constatou o aumento de lubricidade na calcinha da loira em contato com sua coxa, logo beijou os lábios finos energeticamente, e continuaram a fricção, até a morena achar que estivesse na hora de parar, prestou completa atenção no corpo da outra, e se afastou, de repente. – Não, ainda não.

Assim, Santana paladou e libou a garganta de Brittany, que abriu os olhos azuis para enxergá-la e os lábios carnudos deslocaram-se, a cada segundo, mais para baixo, após deixar aquele pescoço claro com um roxo tatuado por sugadas, beijando os peitos da outra mais uma vez, depois a região diafragmática, depois o ventre, descendo e descendo. A loira logo percebeu o que estava prestes a ocorrer. Os pelos de toda a sua extensão corporal levantaram-se, nervosos.

— Tá faltando esse probleminha aqui ainda, Britt... — Santana disse de forma safada, e arrastou as laterais da roupa íntima da Pierce rente às pernas cumpridas, tirando-a aos poucos. – Sabe, pra ficarmos totalmente quites... Você não concorda?

— C-claro.

Brittany prestou certa assistência com os pés, para terminar de tirar a restante peça do físico, passando da categoria de uma pessoa seminua para uma, totalmente, nua. Inclusive de alma. Começou a se questionar sobre o que não daria a Santana neste mundo, caso a morena pedisse a ela. Existia chance? No momento, não. Parecia que a latina já possuía seu corpo, espírito e coração, nas palmas das mãos, bastava um sorrir, um olhar e pronto. Era possível ter mais que isso? Os olhos castanhos estavam dando-a borboletas exorbitantes no estômago. As mãos da Lopez agarraram seus joelhos e afastaram-nos mais, para ela avistar pela primeira vez o sexo despido da líder de torcida, absolutamente encharcado, ela passou os dedos por lá, explorando, e olhou para os olhos azuis, ao notar o pulinho dado pela Pierce, imediatamente.

— Olha só como você já tá, coração.

Uhum...

Ela afastou os dedos de Brittany e pegou nas pernas dela, um pouco inquieta, respirando fundo, ao passo que as alisava nas mãos.

— Seguinte, eu nunca fiz isso antes, então nem vem me zoar se eu fizer algo errado agora Pierce, sério. – Santana falou redirecionando seu olhar, e reposicionando-se no colchão prontamente, até inserir-se melhor, no meio das pernas da outra. – Estamos entendidas?

A estudante debaixo riu.

— Mas, isso é impossível, San...

A mais baixa soltou uma gargalhada fofa, mais confiante para o passo a seguir, devido à frase que acabara de escutar de Brittany, e com o sorriso gentil recebido dela também. Iniciou vários beijinhos na virilha da garota, passeando com a boca por entre a pela branca. Soltando-se mais, aos poucos. Mordendo e lambendo aos arredores da intimidade inchada de excitação, diante de sua cara. Ela gostava disso. Levou uma mão ao abdômen magro da outra e comprimiu as digitais nele, descendo pelo lugar, durante o tempo em que sua língua e boca uniram-se ao clitóris de Brittany com libido, e suas papilas gustativas experimentaram seu sabor. Sorveu-o entre os lábios carnudos deliciosamente, e sentiu sua mão livre, e repousada no colchão, ser alcançada por dedos finos.

Logo, duas das mãos das garotas, encontravam-se entrelaçadas entre si.

Com a palma que deixara na barriga da loira, Santana agora lhe apertou a parte superior de uma coxa, e ouviu-a gemer amplamente. Olhou para cima, ao abrir olhos castanhos. Pelo jeito estava indo bem, e interpretar as respostas de Brittany só lhe ajudava a entender o mecanismo da coisa. Os seus cinco sentidos apuradíssimos. No andamento de chupadas, a morena percebeu o quadril de Brittany se erguer mais em sua direção, e as longas pernas irem fechando-se em volta do seu crânio, além da forte apertada na mão entrelaçada de um lado da cama. E bom, os pézinhos de bailarina situavam-se encravando os dedos nos lençóis puxando-os, como garras. Não, não, não. Não mesmo.

Santana não deixaria a loira gozar agora, nem por cima de seu cadáver.

Brittany sem dúvidas tinha que provar do próprio veneno ainda. Merecia assim ser provocada, instigada e mais. Tudo que vai volta, sim? Os lábios carnudos deixaram o ponto erógeno para trás e ela subiu o tronco sobre a outra, de novo, rindo de seu semblante chocado. Como ela pôde fazer isso? Simples: fora pura inocência sua achar que, não haveria vingança. É. Santana, em silêncio, olhou para baixo e pendeu sua mão esquerda pelo físico subordinado, tocando a vulva de Brittany, fustigando seu clitóris, acendendo a volúpia vigente, sem dificuldade.

— O que você quer que eu faça agora, Brittany? – Ela pôs os dedos perto do acesso da vagina da outra e brincou perversamente, enganando os sentidos da Pierce, sem dó alguma. – Hein? Diz pra mim.

Ela deu um rápido selinho nos lábios finos, e continuou com seus dedos provocativos a baixo.

Aah-Humm, San-tana...

— O que quer dizer, “Aah-Humm, San-tana”? – Ela imitou o gemido da outra e riu, encostando seus lábios nos de Brittany, falando contra eles depois de um breve milésimo. – Você pode me explicar, Britt-Britt? Não tô entendendo.

— Você sa-ah-be...

— Ah, eu sei, é?

Brittany assentiu e abriu os olhos, mordendo a boca rosada, cheia de vontade, encarando os olhos castanho-escuros perigosos, analisando-a imersa no seu rosto pidão.

— Verdade, eu sei muito bem o que você quer de mim, coração. Mas... – A morena promoveu-a estímulos mais acentuados, deu-a um beijo mais profundo unido à atividade no “broto” e se afastou. – Só faço se você me pedir com todas as letras...

— Mesmo? – Brittany perguntou como se estivesse desafiando-a, e movimentou o corpo um tanto para baixo no colchão, largando os lençóis até então retidos nas mãos. – Sant...

— Mesmo.

— Tudo bem.

Os dedos finos de uma mão dela alcançaram a barriga de Santana, após a “concordância”, e escorregaram pela região, até chegar a sua intimidade, que parecia pulsar repetidamente no dia para ela. Ótimo.

— O que... O que está fazendo, Brittany?

— Nada.

Ela fomentou o sexo da morena e reparou suas feições mudarem drasticamente, Santana averiguou ondas vulcânicas piscarem no físico da cabeça aos pés, à medida que, Brittany passou a usar de sua mesma tática para conseguir o que queria, sem qualquer palavra. O jogo havia virado, ela sabia jogar. E com um sorrisinho bobo nos lábios rosados, ganhou a luta de provocações cativantes.

Humm, espertinha.

Elas beijaram-se arfantemente, quando Santana se rendeu, enfim, e aproximou-se o suficiente. A Pierce atentou-se a introduzida dos dedos da latina em sua vagina lubrificada de prazer, e não perdeu tempo para fazer o mesmo com a outra, realizada. Os muros internos de Brittany se agarram a ela, e vice-versa. Começaram os movimentos assanhados, após o carinho primordial. O nível foi subindo e subindo. Consequentemente elas perderam o controle, entregues uma a outra, os pulsos acelerados, gemidos saindo mais altos do que podiam dar de fato, sendo escondidos por bocas ligadas, sempre que possível. Uns beijos mais rápidos, outros mais calmos. Na verdade, de todos os tipos.

Elas estavam praticamente morrendo de calor, suando.

A loira chegou ao ápice antes, logo depois Santana sentiu que chegara de novo em seus dedos. Elas removeram as digitais uma da outra com cuidado, e a Lopez levou as suas para os lábios finos, passou o licor do clímax da loira sobre eles, sorridente. De covinhas à mostra, lambeu a boca dela que, possuía os olhos azuis encantados olhando-a, beijou Brittany brandamente no fim, sentindo o novo gosto doce, diretamente nos lábios finos saborosos da mesma. Posteriormente a isso, deitou o corpo por completo sobre a atleta, e percebeu sua silhueta ser envolvida pelas mãos da Pierce. Elas estavam exaustas.

Que madrugada.

Brittany a abraçou afetuosamente e elas deixaram seus fôlegos retornarem ao normal, um tempinho, quietas, escutando-se. E a pulsações voltaram ao seu habitual. Santana levantou o corpo de cima da loira e se jogou para o lado dela, encarando o teto, esticou-se num espreguiço gostoso. Não demorou muito e a morena virou-se em direção à amiga que, como espelho, imitou-a. Largos sorrisos desabrocharam nos lábios delas.

Britt, isso foi...

— Maravilhoso.

— É.

Elas riram. Olhos azuis e castanhos fitaram-se meigamente, depois os corpos nus, e depois uns aos outros de novo. Brittany passou uma mão delicadamente pelas bochechas da outra adolescente e aproximou o corpo, recebendo um selinho terno de Santana, assim que chegou ao seu encontro. A mais baixa prendeu uma porção de fios loiros atrás da orelha de Brittany e a mesma mordeu seu lábio saliente inferior entre os dentes, parecendo estar faminta, só faltava levar sua carne embora. Literalmente. Não confiava muito na sanidade da Pierce com aquela gula explícita sendo demonstrada para ela, afastou a boca um pouco, e notou o estômago roncar. Droga. É, estavam justas até nessa.

— Então, eu tô morrendo de fome agora. – Santana revelou num suspiro. – E pelo jeito você também tá né gulinha, admita! Só falta me comer viva aqui, medo...

— Ah, mas eu tô mesmo. – Brittany reconheceu e puxou Santana envolvendo-a nos braços acolhedores, acariciou os cabelos soltos e negros nas mãos, fechando os olhos, aproveitando o maravilhoso contato presente dos corpos nus trançados e a reciprocidade de Santana no enlace, inalando demasiadamente o perfume existente na volta do pescoço latino, enquanto ela contornava coisas nas suas costas. – E, ahn, tecnicamente, eu acabei de te comer viva Sannie, acho que essa fome é um pouquinho diferente, entende...

— Cara-de-pau, sem-vergonha.

Brittany riu com os xingamentos, escondeu mais o rosto na outra e Santana fez bico.

Tsc, tsc, tsc.— A latina movimentou a cabeça em negação. – Que ousadia é essa, hein Brittany...

— Desculpa. – Ela subiu e deu um beijo numa maçã do rosto moreno, sorriu ao notar o riso de covinhas de Santana aparecer para ela, e perguntou: – Vamos descer e comer algo?

Santana assentiu, apertando os olhos cansados em um raio de tempo, entretanto o outro instinto era mais forte. Maldita fome.

— E o que tem em mente, Piercezinha?

— Não sei, não fui eu que fiquei lá na cozinha com a Holly um tempão, me diz você.

— Que vergonha, não sabe nem o que tem na própria casa! Ai, ai... Muito desligada mesmo.

— É que... É que... Sei lá... – Brittany se atrapalhou nas palavras. – Eu nunca me lembro disso, Santana. As coisas aparecem e desaparecem daqui, rapidamente. Eu não cuido dessa parte, eu apenas como, essa é minha função. O resto está nas mãos do Vitor e do meu pai, mais do Vitor já que ele tomou posse da cozinha e faz a maior parte das compras da semana. Outra coisa é que, eu como bastante fora por causa dele, você sabe...

— Ah, sim. Entendo. Você é “super-inocente” em relação a alguns sumiços na geladeira, não é? Coitadinha...

— Totalmente.

Elas riram.

— Você ainda precisa provar a comida dele Sant, aí vai me dar um desconto dessas suas piadinhas chatas.

— Verdade, vamos ver se você está sendo sincera sobre a comida “extremamente temperada” dele. Porque, caso não estiver garota, bom... Prepara-se, ha-ha.

— Estou sendo sincera sim! E muito. Vou te prender aqui e fazer você comer o máximo possível quando ele voltar de férias, e aí você vai ver quem vai precisar se “preparar”.

— Ran-co-ro-sa.

— Olha quem fala...

A morena mostrou a língua e Brittany beijou Santana, sossegadamente, antes de soltá-la, rolar pela cama e levantar, indo até o seu armário espelhado do quarto.

— Vem aqui, escolhe algo confortável pra colocar.

(...)

Humm, isso tá muito bom, Santana. – Brittany manifestou-se contente, de um lado da bancada negra de sua cozinha, com a comida provada em questão nas mãos, e os cotovelos apoiados na base. – Sério.

— Imagino que sim. – A estudante disse, tirando o seu próprio crepe da frigideira branca de cerâmica no fogão à frente, tendo de auxiliar uma espátula, sentou-se ao lado da Pierce, pronta para saborear a obra prima no prato, o fez. – É... Tá bom mesmo.

— Muito!

Santana riu da alegria de Brittany e deu outra mordida na massa, antes de voltar a dialogar.

— Lembre-se que, nada disso seria possível a essa hora da noite, se não tivesse abafador de ruídos de liquidificador aqui, vê se pode... – Ela riu. – Ser riquinha tem essas vantagens, né.

A mais alta ignorou o comentário e mastigou o salgado, pensativa.

— Então, você tá conseguindo fazer amizade com as nadadoras, ou continua na mesma? Sei que Madison está fora de questão, mas e as outras? Como anda?

— Ah, além da Violet, eu me aproximei daquela Bree na aula de história, não sei se você conhece de nome, parece à irmã que eu nunca tive...

Elas gargalharam.

— Conheço sim. Ela e a Kitty brigaram feio antes do verão, e aí ela saiu das Cheerios.

— Sério?!

— Foi bem pior do que o seu teatro com a Quinnie, isso eu posso dizer, o clima ficou tenso.

— Hum, interessante saber. – Santana tomou um gole de água do copo que havia deixado sobre a plenitude da bancada, e respirou pesadamente. – Enfim, também falei com outra nadadora na última aula de Química quando a estrela-Berry faltou milagrosamente pela primeira vez na vida dela, por estar com febre ou sei lá. O nome da garota que conversei é Marley, ela parece ser boazinha, e enjoada também.

— Enjoada, como assim?

— Acho que ela tem algum distúrbio alimentar, só não sei se é bulimia ou anorexia, ainda vou descobrir a dessa gasparzinho, não sei não.

— Nossa, eu nunca falei com ela, espero que ela esteja bem...

— A Rose é bem, bem tímida. Aparentemente, lógico. A questão principal é que, eu não faço ideia de o porquê o chantagista pediu isso pra mim, não vejo sentido nisso. Mas, a única coisa que tá me preocupando mesmo é o fato de que, eu não recebo nenhuma mensagem dele já faz mais de uma semana, não sei o que quer dizer, ou se vai piorar quando voltar...

— Talvez ele tenha só se cansado. – Brittany falou esperançosamente, todavia nem ela pôde acreditar na própria frase. – Né?

— Duvido. Ele disse que era pra eu esperar os próximos passos que ele daria atenta, e que estava de olho nas minhas “missõezinhas” do dia a dia. Argh, no me gusta, Britt... Nem um pouco. Eu sinto vontade de estapear a cara de todo mundo que eu vejo dentro daquela escola, parece que todos já sabem da nossa foto no corredor, e todo dia é um medo diferente...

— Vai ficar tudo bem. – Suas mãos alcançaram a da morena e deram um leve aperto. – Ok?

— É... Tanto faz, eu nunca fui boa com ninguém, normal.

— Você...

— Vamos só comer agora, tá?

Santana deu de ombros, e impossibilitou que Brittany dissesse qualquer coisa mais, fechando-se em sua mente, e então elas prosseguiram a comilança, caladas.

— Hey... Tô curiosa. – Brittany decidiu puxar papo. – Como você aprendeu a cozinhar, San?

— Ué, com a abuela.

— Mas, por quê? Você que quis, ou o que?

Ela engoliu o último pedaço presente na boca.

— Bom, a Alma me ensinou várias coisas, dentre elas, foi não depender da má vontade dos outros Britt, em qualquer questão. E aí pronto, fui observando os pratos que ela fazia e copiei quando podia, quando queria, sei lá... – Santana suspirou. – Acho que cozinhar junto com ela, quando eu passava dias aqui em Rosefield, na infância, era uma das coisas que eu mais gostava de fazer.

— Ah sim, devia ser divertido...

— Mas, e você?

Olhos azuis se espantaram e ela fitou Santana ao seu lado, ingerindo o restante da massa.

— Eu, o quê?

— Nunca tocou num fogão, não?

— Já, mas não foi muito legal.

— O que aconteceu?

— Nada de mais.

A líder de torcida desviou os olhos, meio agitada.

— Hum, e você não sabe cozinhar nada?

— Não.

— Nada mesmo?

— Sim... – A loira ficou cabisbaixa. – Nada.

— Ok, tudo bem. – A Lopez ergueu-se do banco e puxou a mão de Brittany, fazendo ela segui-la em direção ao fogão. – Já que não aconteceu “nada de mais”, vou te ensinar a fazer crepes com os ingredientes que sobraram. Aí você pode comer à vontade o seu experimento, coração. É fácil.

— Quê?! Não, não.

— Duvido que seja tão ruim assim, vem logo.

— Eu sou. – Afirmou, tentando escapar da mão evolvida a sua, sem sorte. – Melhor não...

Shh, só olha, e faz o que eu mandar.

Santana pegou os utensílios e começou a falar o passo a passo memorizado, montando a massa da comida detalhadamente, até o momento de despejá-la sobre a frigideira, posicionou Brittany a frente de si e segurou-lhe os braços por trás, guiando-a com o fogo ligado abaixo da linha do horizonte.

— Viu só? Não é como se fosse um monstro de sete cabeças... – Ela deu um beijo na bochecha vermelhinha e soltou-a, afastando-se lentamente. – Agora, presta atenção e cobre as extremidades da panela por completo, em movimentos circulares. Cuidado pra não derramar pra fora, ok? Seja paciente.

Ahn, é melhor você voltar aqui, Sant! Rápido... – A loira se desesperou e olhou para trás. – Por favor.

— Não. – Santana negou de braços cruzados e sorriu, em seguida, abruptamente franziu as sobrancelhas. – Presta atenção!

Olhos azuis voltaram-se a comida esquentando, logo.

— Tô prestando.

— Basta esperar uns...

Aaah!

Uma enorme chama subiu fogão acima por dentro da frigideira em posse da Pierce e começou a pegar fogo a massa pousada ali, queimando-a.

— Brittany! – A garota exclamou, indignada. – Não está fritando bifes...

— É assim que frita bifes?! Me ajuda, tá pegando fogo!

Tsc, tsc, tsc. — Santana emitiu e chegou junto, tirando o cabo das mãos desastradas após desligar a máquina, levou a frigideira para a pia e jogou a massa tostada na trituradora. – Achamos outra negação sua, além do espanhol, parabéns...

— Eu estou melhor em espanhol!

— Sí, es obvio corazón...

— Porém, você ainda é a única pessoa que, eu realmente gosto de ouvir falando nesse idioma.

Por eso, necesitamos trabajar más.

— Ok. – Brittany aproximou-se dela e pegou numa mão morena, no tempo em que, Santana, terminou de colocar as coisas utilizadas na pia. – Vamos dormir?

— Uhum, vamos, antes que você queira tacar fogo no resto da cozinha.

— A ideia foi sua!

— O que? Queimar a massa de crepe e quase queimar as sobrancelhas na mesma jogada? Não me lembro disso.

— Trouxa...

— Você é uma trouxa mesmo, ou talvez tenha certo grau de piromania, nunca se sabe Piercezinha, são coisas bem próximas.

Ela bufou com Santana e acabou rindo junto. Logo chegaram ao quarto, novamente. Dessa vez para dormir.

Notas finais
See you ♥