Notas iniciais
Life is a mystery...

Flores...

Existiam várias delas ali, bem perto de Brittany Susan Pierce. Lírios, talvez. Cercando-a e perdendo toda a beleza e vivacidade em câmera lenta, secando, quebrando, morrendo. Como num verdadeiro pesadelo. Daqueles que se assemelham muito a realidade, por mais que, existam mínimos detalhes fantasiosos também. Em outras palavras, os piores pesadelos para ela. Muita realidade. Não havia como fugir. Eram orquestras de terror.

Sons e imagens.

Dos bancos espaçosos do certo veículo em movimento, os lírios, antes serenos, saltaram para cima, espalhando-se, sem controle. Tudo se tornou confuso. Barulhos e cenas surgiam de todos os lados possíveis, num piscar de olhos azuis mediante a eles. Luzes fortes, clarões, buzinas. Pneus derrapando, tudo girando, vidros quebrando, lataria amassando. Um grito agoniado, dolorido, rasgado era alto, e mais alto saindo de uma garganta aflita que não era a sua, mas podia ser. Entretanto, subitamente não havia mais voz, porque ela sumira, correra, fugira com o horror. Em segundos, deixara-a sozinha, quieta. E o que fazer a partir dali? Ela não sabia, nem tinha forças para saber, não podia responder, fora atingida. Onde estavam os seus sentidos? No fim, a escuridão puxando-a para longe, foi mais forte que ela, pois, selou-a a visão por completo violentamente com dor, com tontura, com intensidade, com tristeza.

Brittany despertou em sua cama, num sobressalto.

Seu tronco se elevou no colchão depressa, suas mãos procurando algo entre os lençóis para segurar-se. Ela sentia-se sem chão. Mal conseguia respirar, o estômago revirando. Raiva, tristeza, medo, tudo e mais um pouco brotou em seu peito, e sua respiração descompassada não a ajudava a notar que, o pesadelo acabara. Ela puxou um de seus travesseiros repousado perto dos seus pés e apertou-o como se não houvesse amanhã nos braços trêmulos, e algumas lágrimas escaparam dos olhos.

“Coisas boas...” Lhe veio à mente.

Brittany tinha aprendido há um tempo que, para se livrar de pensamentos desagradáveis, o melhor a ser feito era: tentar preencher a cabeça amigavelmente com memórias felizes, para assim, substituir o “lugar” das indesejáveis. As mais fáceis e recentes que pudesse escolher, de preferência. Todavia, o que era bom e feliz em Rosefield? Ponderou de maneira agilizada. Frenética, passou a listar: Gostava da praia, da visão do farol, dos restaurantes... E então, ela constatou uma respiração suave ecoar no quarto, quando a sua própria começou a se aquietar. Tão harmônica a outra. Sem afrouxar o travesseiro compactado no peito, Brittany olhou para o seu lado direito, e foi girando o pescoço à medida que, enxergou um corpo abaixo de sua coberta estampada, o rosto visível.

Era Santana dormindo angelicalmente.

Um sorriso começou a nascer nos lábios finos, e a Pierce permitiu-se soltar o travesseiro aos poucos, enquanto se maravilhava com a imagem calma daquela garota. E o pesadelo? Foi sendo deixado de lado por ela. E progressivamente a loira deitou as costas no colchão e se virou para o lado da Lopez, conseguindo perder-se facilmente no próximo sono que, chamava-a com tranquilidade e paz no coração.

(...)

Santana despertou do nada, satisfeita com o sono que tivera. Espreguiçou-se sozinha na cama de casal e percebeu não localizar-se em seu próprio quarto. Era espaço demais de sobra para quem tinha cama de solteiro. Ao abrir os olhos castanhos descansados, viu o teto de estrelas-falsas acima, e depois enxergou a luz fraca do sol de inverno adentrar o ambiente por entre as janelas fechadas dali, as cortinas brancas situavam-se afastadas da visão do céu nublado afora. Era gostoso. Normalmente, a morena não gostava de acordar em residências alheias pela manhã, por mais que não apreciasse acordar na “sua” também. Só que, o ontem dela fora um Natal diferente, um feriado muito bom. A primeira palavra que veio a sua cabeça foi: Brittany. Era o quarto da loira.

Mas, onde estava ela?

A porta de entrada dos aposentos abriu-se e uma pessoa apareceu, assistiu-a e voltou a fechar o lugar, sem demora.

Sant, você acordou... — Brittany disse, aproximando-se da cama e subindo no colchão. – Dormiu bem?

Santana sorriu ao encarar olhos azuis e deu-a um selinho, antes de responder.

— Hum, mais ou menos, sua cama até que deu para o gasto, Pierce...

— É mesmo? – A estudante estudou a feição sarcástica da outra e riu. – Que bom.

— Eu adorei essa sua camisa xadrez, Britt-Britt.— A Lopez comentou olhando para o busto, voltou a enxergar a loira vidrada nela. – Que foi?

— Ficou linda em você...

— Eu ficaria extremamente surpresa se não ficasse.

— Modéstia pra quê, né?

— Bingo!

Brittany suspirou e pôs as mãos no rosto da latina, revirando os olhos, beijou-a. Até Santana resolver se afastar, pensativa. Afinal, o feriado delas, tecnicamente, já passara. O que queria dizer que: a Lopez tinha que pensar na volta das aulas do amanhã, e na vida real que, esperava-a porta afora do domicilio-perfeito dos Pierce.

— Brittany, que horas são?

— Duas e meia da tarde.

— Nossa! Eu dormi bastante hoje... – Ela se virou e levantou as pressas do colchão. – Preciso ir embora.

— Agora?

— Sim, agora. – A Lopez desabotoou a camisa que usava e procurou suas roupas pelo chão do quarto, ao mesmo tempo em que, se livrava das calças de pijama dessa vez, ficando nua, deixou as roupas emprestadas da loira sobre a cama, e Brittany se surpreendeu com a intimidade ampliada da morena com ela ali. Talvez, depois da noite em que tivera com a Lopez, essa imagem divina fosse cada vez mais presente e natural na sua vida, era prazeroso demais para os olhos azuis imaginarem tal ocasião. – Você sabe onde estão minhas roupas? Eu não me lembro da gente ter guardado nada ontem...

Érr...— A mais alta limpou a garganta, disfarçando sua pequena desatenção momentânea. – Suas roupas? Elas estão no meu armário. Eu guardei lá, enquanto você tomava banho.

— Ah, isso explica muita coisa. – Santana caminhou até o guarda-roupa e deslizou a porta espelhada, visualizando seus trajes, pegou peça por peça e começou a vestir-se, se virou em direção à outra garota. – Parece que você colocou os travesseiros de volta na cama também, né...

— Aham, então... – Ela correu para mudar de assunto. – A Holly estava cozinhando lá embaixo. Você não quer ficar mais um pouco antes de ir, San? Para almoçar com a gente, sabe que ela é boa...

A ex-líder de torcida caminhou em silêncio até o criado-mudo onde deixara o presente que Brittany a dera, e apossou-se da correntinha de coração.

— Eu... – Olhos castanhos enxergaram azuis ao passo em que, ela tentava negar o convite, já que passara tempo demais ali. Mas, ao invés disso, ela ficou sem graça após terminar de colocar o colar no pescoço, calada, sorriu junto com Brittany. – Ok, gulinha. Eu fico mais um pouco. Só, para de fazer esse olhar pro meu lado, por favor.

— Olhar? Que olhar? – A garota arqueou uma sobrancelha loira e fez careta. – Você precisa me explicar isso, senão como...

— Não tem nada pra te explicar. – A mais baixa se virou e iniciou passos rápidos pelo solo. – Vamos?

— Sim.

Brittany deixou a cama para trás e seguiu a outra. Logo, elas passaram a descer os degraus de acesso à sala, falando sobre o quase incêndio que a loira poderia ter causado na madrugada passada, aos risos, enquanto Robert subia-os no mesmo instante. As atletas pararam o diálogo ao se darem conta do encontro com o homem, e trocaram olhares culpados entre si, segurando a animação que exalavam até então.

— Boa tarde! – O grisalho disse, cerrando os olhos com o comportamento abrupto das garotas, desconfiado, no fim sorriu. Robert não estava em posição de ficar sério ali, pois francamente, aquele seu modelito estampado à La Natal deixava-o parecendo um palhaço, bom, para quem sempre usa terno ou roupas casuais de cores neutras, é claro. Agora era tanto verde, tanto vermelho, e excesso de renas e árvores. Ele precisava se trocar. – Tudo bem, meninas?

As adolescentes o cumprimentaram enfim, e o Pierce tirou o gorro de papai Noel que usava, novamente em sua cabeça, após dizer que mal esperava até o almoço estar finalmente pronto, colocou o acessório vermelho nos cabelos louros da filha, em seguida, sorridente, e continuou seu caminho em direção ao corredor do segundo andar.

(...)

Sant, tem certeza que não quer que eu te leve para casa, mesmo? – A líder de torcida questionou, durante o abraço de despedida que davam. – Porque o tempo...

— Tenho sim, Britt.— Ela respondeu rapidamente, cortando Brittany, ao passo que deixava o enlace que as envolvia. – Eu preciso andar.

— É. Só que, tá meio frio ainda...

— Verdade, porém não tá chovendo mais. Então, acho que vou sobreviver. – A garota pronunciou olhando para o céu, de relance. – E outra Brittany, eu tenho pernas, gosto de usá-las, sabe...

— Tá bom, ok, não vou mais insistir.

— Obrigada!

— Mas, antes de sair correndo... – A loira chegou perto da morena e retirou o gorro vermelho de papai Noel de sua cabeça, colocando sobre os cabelos negros, posteriormente. – Melhor você se prevenir desse frio.

— É sério isso? – Santana perguntou debochadamente, e gargalhou. – Seu pai não vai gostar nada de me ver indo embora com o gorro favorito dele.

— Ele nem vai notar, acredite. E qualquer coisa eu busco. – Ela piscou um olho. – Combinado?

— Ok... – A morena deu um passo e beijou a bochecha rosada da outra. – Tchau.

— Se cuida, Sannie.

— Você também, coração... Feliz natal, ho-ho!

— Só faltou uma barba aí, né.

— Barba? Pff, eu sou a senhora Noel, Pierce! E até onde eu sei, não existem senhoras Noéis barbadas, então me respeita... Quer dizer, se a Berry se vestisse assim, quem sabe.

— Que maldade, Santana!

Elas riram.

— Talvez, eu mande uma mensagem pra anã, pedindo pra ela se fantasiar. Nós tiraríamos a prova viva de uma vez por todas, seria ótimo, imagina.

— Acho que você não precisa...

— Tchau!

Santana deixou a fachada da residência da amiga, sucessivamente a sua deixa. Iniciou uma caminhada rumo à casa dos seus pais. Ela precisava pensar. Nada melhor para chegar a isso do que caminhar. Em sua concepção, seus pensamentos sentiam-se mais livres com auxílio de movimentos contínuos do corpo. E, apesar de andar rápido, faria o caminho mais longo, porque deste modo: talvez, chegasse bem mais “atrasada” no seu destino. No entanto, em certa parte do trajeto, o celular dela vibrou notificando-a de algo, depois de novo.

“Novas mensagens!” Ela foi verificá-las, em seguida.

[Número anônimo]: Muito curioso os lugares que frequenta, né. [4:15 p.m]

O chantagista havia voltado, após dias, e ela não sabia muito bem como reagir em relação à mensagem, então decidiu apenas guardar o aparelho e voltar a caminhar sem distrações, todavia percebeu outra mensagem chegar.

[Número anônimo]: É. Eu sei onde estava agora, Lopez... [4:16 p.m]

Porque ele (a) blefava tanto?

[Número anônimo]: Não imaginava que você curtisse o natal, o mundo é um poço de ironias mesmo... [4:16 p.m]

O que ele (a) estava insinuando afinal?

[Numero anônimo]: Aliás, belo gorro vermelho. [4:16 p.m]

O coração dela disparou um pouco, e ela parou no meio da calçada por qual perpassava, tirou o gorro dos cabelos e encarou-o aflita. O chantagista era um perseguidor também? Ela olhou para os lados e a rua era completamente deserta, não havia sinais de pessoas por lá. Na melhor das hipóteses, o sujeito imbecil morava numa das casas decoradas da região e fitava-a por entre janelas furtivas, na pior, bom... Subitamente, Santana ouviu um barulho de carro surgir da esquina que acabara de percorrer, e como um raio o veículo encostou-se ao lado da calçada em que ela se encontrava, o vidro do mesmo arriou-se, revelando a imagem escondida pela escuridão anterior, e a garota petrificada com a situação.

— Que coincidência! – O cara tinha um sorriso largo na face. – E aí, Santana?

— Ryder...

Ela suspirou e relaxou os músculos tensionados.

— Tudo bem com você?

— É... Claro. – A Lopez retomou sua postura destemida. – E o que você tá fazendo por aqui?

— Ah, eu tava indo encontrar o Puck, ele não te avisou nadinha? Uau, milagre.

— Acho que não... – Ela olhou para o celular e percebeu que as outras mensagens recebidas vinham do número de Noah. – Na verdade, sim. Ele avisou.

— Eu sabia! – Ele riu, e ela cruzou os braços ponderando sobre o chantagista, ignorando-o por completo. – Você tem algum compromisso agora? Parecia correr na calçada. Tive até que acelerar de leve pra te alcançar. A propósito, desculpa o susto.

— Não me assustou. – Mentiu, dando uma pequena olhada em direção à esquina. – Mas vem cá, você viu alguém da escola na outra rua?

— Hum... Que pergunta mais alheia, Tana. Eu não sei, não. Por quê? Você tá procurando alguém?

A Lopez bufou. Adolescentes não se atentavam a nada mesmo, porém existiam casos piores, e ela se esquecera desse pequeno fato.

— Isso foi de “grande ajuda” mesmo, valeu colega. Eu nem precisei escrever, impressionante.

— O que? – Ele pareceu confuso. – Eu não entendi.

— Claro que não, isso não é surpresa alguma, disléxico-colgate...

Ahn... Ok. Você quer uma carona? Se você tiver intenção de ir ao encontro do Puck, é claro...

O celular dela tocou: “Maribel chamando” ela atendeu.

— Tô viva, tchau. – Santana disse, desligando, sem ao menos deixar a mãe abrir a boca para falar do outro lado da linha e, logo, voltou a encarar o jogador de futebol. – Eu vou.

— Hey, isso aí na sua mão é uma touca de Natal?

— É... Sem mais perguntas Ryder, obrigada.

(...)

No dia seguinte...

Era segunda-feira. O colégio habitado: William McKinley, de Rosefield. Em algum momento do intervalo de almoço do dia, localizada dentro da sala de reunião do clube de celibato, Brittany havia parado ao lado de sua amiga Quinn, após os passos intensos que elas e outras líderes de torcida deram no meio da sala espaçosa, com as mesas de madeira encostadas nas paredes, deixando o centro do local todo vazio para efetuar movimentos ritmados. As cortinas do ambiente estavam completamente fechadas, impossibilitando a visualização de alguém que passasse nas redondezas.

— Nós vamos vencer o Festival de Inverno meninas, vocês podem ter certeza, tá incrível! – A capitã das Cheerios comemorou. – Se nós tivéssemos concordado em pegar o primeiro dia, estaríamos prontas hoje mesmo, parabéns pessoal.

Todas as garotas pareciam satisfeitas e resolveram sair para tomar algum lanche, após o discurso de Quinn, conversas paralelas rotineiras e o ajeitamento dos móveis em seus lugares por direito.

— Ah, lembrem-se que isso ainda é surpresa, ninguém pode saber, ok? Ninguém mesmo. Caladas até que o show nos dê voz. Até, o treino!

As líderes de torcida assentiram e foram saindo porta afora, até sobrarem apenas a Pierce e a Fabray na sala, finalmente.

— Ok, eu aceitei desde o começo manter nossa performance em segredo. Mas, eu adoraria saber o porquê, a Santana acha que eu voltei para o clube de celibato...

— Tecnicamente, você voltou sim, Britt. – A dos olhos verdes riu e parou freneticamente, pensativa. – Espera aí, você não contou a verdade pra Lopez? Isso sim é novidade.

— Não, você pediu sigilo. Lembra?

Awn, que lindinha. – Ela abraçou a outra loira. – Talvez eu não tenha sido tão trocada assim, te perdoo...

— Você é meio doida, Quinnie.

Elas riram.

— As aulas dela estão boas, pelo menos? Sente que aprende de verdade, ou não?

— Claro que sim...

— Hum, ainda acho que você deveria voltar para o Francês, mas ok.

Brittany ficou em silêncio.

— Então... – Fabray começou a falar, afastando-se. – Quero manter em segredo, porque temos que comemorar, de alguma forma, a nossa vitória na inscrição de temporada de inverno da Competição de Animação Regional de Oregon, nunca fomos selecionadas antes. O McKinley inteiro tem que ver isso amanhã, e nada melhor que fechar o festival com chave-de-ouro para passar a informação adiante, sim? A Roz achou que não tínhamos chance sem a Lopez, eu senti, mas aqui estamos nós: vivas e caminhando sem ela.

— Ah, entendi. Vai ver a treinadora achou isso porque, bom, ninguém consegue reproduzir certos movimentos da Santana, tipo os mortais. Você sabe, é fascinante...

— Eu sei, mas eu ainda chego lá, você verá. Estou treinando. Não é tão difícil quanto parece. É só que, ela tinha aulas com aquela torturadora Sue Sylvester, né, por isso tanto “talento” e prêmios adquiridos em Lima.

— Acho que você não deveria levar isso tão a sério, Quinn. – Os olhos azuis de Brittany analisavam com cuidado a capitã e sua fúria. – Não é saudável.

— Como não? Meu boletim depende disso, Brittany! Eu preciso mostrar que o esporte foi e é algo muito importante pra mim durante o ensino médio. E se esse ano nós não conseguirmos elevar o nível social das animadoras, será uma tragédia. Já pensou por esse lado? Nós temos que nós livrar dessa ditadura elitista de troféus do McKinley, que consagra os jogadores e nadadores como deuses nos corredores. E outra, as Cheerios não são apenas elementos de torcida para: jogos de basquete, futebol e derivados. Não somos acessórios, somos pessoas, somos atletas individuais sim.

— Uau, você mudou bastante...

— Você acha?

— Está mais decidida, desde... Você sabe.

— Engano seu, eu sempre fui assim. – A loira mais baixa deu de ombros e olhou para as unhas. – Voltando ao assunto Santana, ela não veio hoje, né Britt?

— Não sei.

— Enfim... – Quinn enroscou seu braço no de Brittany e elas deixaram a sala. – O que você acha que dá pra almoçar em quinze minutos? O senhor Schue já deve ter se acostumado com o nosso pequeno atraso diário no coral.

(...)

[Brittany]: Hey... [1:26 p.m]

[Brittany]: A Rachel me disse que você faltou. [1:26 p.m]

[Brittany]: Tudo bem com você, San? [1:27 p.m]

[Santana]: Oi, Britt-Britt. [1:29 p.m]

[Santana]: Não tô muito bem não, desceu pra mim e pra somar fiquei resfriada também. Um caos, mesmo. Resumindo, sem condições de rolar aula de espanhol hoje. [1:29 p.m]

[Santana]: Agora eu vou voltar a dormir, até. [1:29 p.m]

[Brittany]: E você não se cuidou, eu sabia... [1:30 p.m]

[Brittany]: Tava na cara. Nunca mais deixo você sair às pressas da minha casa no frio, tá decidido. [1:30 p.m]

[Santana]: Ah, mas isso aí não tem nada a ver. Eu nunca fico doente. É um bug provisório no sistema, só isso. [1:30 p.m]

[Brittany]: Nada a ver? O clima estava absurdamente distinto da porta pra fora, e eu tenho quase certeza que você tirou o gorro da cabeça antes de chegar à sua casa, só isso explica... [1:30 p.m]

[Santana]: Está tentando me dar lição de moral, Brittany? Haha, eu passo, obrigada. [1:31 p.m]

[Brittany]: Já tomou remédio pra sarar? [1:31 p.m]

[Santana]: Óbvio, moro na casa de um médico. [1:31 p.m]

[Brittany]: Ok. Então, acho que é melhor você voltar a descansar, Sannie. Melhoras ♥ [1:31 p.m]

[Santana]: Pelo menos nisso concordamos, corazón ♥ Aleluia, né! ¬¬ [1:32 p.m]

[Brittany]: Ah, antes que eu me esqueça... [1:32 p.m]

[Brittany]: Mais tarde vou passar ai, ok? [1:32 p.m]

[Santana]: Ué, pra quê? [1:32 p.m]

[Brittany]: Pra te ver, só isso. [1:33 p.m]

[Santana]: Não, pode esquecer. Você não tem nada pra fazer aqui hoje, nem vem. [1:33 p.m]

[Brittany]: Haha, claro que tenho Sant, eu acabei de te falar... [1:33 p.m]

[Santana]: Vai ficar doente também, é o que quer? Acho que não. [1:33 p.m]

[Brittany]: Não vou nada :P Mas, obrigada pela preocupação, significa muito. Até mais tarde ;) [1:34 p.m]

[Santana]: Pierce, tô falando sério, para. [1:34 p.m]

[Brittany]: Também estou falando sério ♥ Te vejo em breve. [1:34 p.m]

[Santana]: Eu juro que se você aparecer aqui mesmo, eu não abro a porta. E do jeito que minha mãe anda, nem ela. [1:34 p.m]

[Santana]: Tá avisada. [1:34 p.m]

[Brittany]: Ok, ok, entendi. [1:34 p.m]

(...)

Após algumas horinhas de sono, Santana Lopez resolveu deixar o breu de seu quarto, por um tempo. Água, ela precisava disso. Esticou as pernas por sua residência: sala, cozinha, quarto novamente, posteriormente a sua vontade. Ela não servia para adoecer junto a cólicas menstruais, fato. Ela podia matar um e ela queria matar um, e o pior, sua irritação era gigantesca quando sentia dor, certos remédios malditos pareciam não dar conta de tudo. De repente, ao passar pela sala de novo, ouviu a campainha tocar, sua mãe estava no próprio quarto e o seu pai trabalhando, em outras palavras, ela teria que abrir a porta do lugar. Arrastou os pés até lá, de sobrancelhas franzidas, com a menor vontade do mundo. Abriu a porta, raivosa, pronta para xingar alguém. Mas aí, se deparou com olhos azuis e os castanhos adquiriram certa paz.

— Oi! – Brittany disse, contente. – Tá melhor, Sant?

Santana sorriu naturalmente para a outra e quando se deu conta correu para mudar seu semblante, logo cruzou os braços.

— Oi, eu... Falei pra você não vir, Britt. Lembra?

— É verdade. Mas, você também falou que não ia abrir a porta. – Articulou com a face vitoriosa. – Certo?

A Lopez riu sem graça e assentiu.

— Então, tudo certo, ninguém sai perdendo.

— E se alguém da escola vir o seu carro aqui? Não é seguro.

— Bom... – Ela olhou para trás e Santana acompanhou a ação. – Eu vim no carro do meu pai, ele me emprestou, então acho que ninguém vai perceber.

— Você pensou em tudo mesmo.

— Basicamente. Aliás, eu trouxe comida pra gente... – A loira levantou uma sacola que segurava na mão direita. – Diretamente do Breadsticks. Quer mais qualidade que essa? A Alma que preparou se quer saber. Tenho certeza que vai se curar num piscar de olhos.

— Você...

— Eu posso entrar? Tá meio frio aqui fora. E acho que já notamos que alguém não cumpriu com a seriedade da “ameaça” aqui, sem mencionar que, como você falou, pessoas podem nos ver aqui.

Santana gargalhou e rendeu-se, deu passagem na porta para a outra.

— Claro, entra.

— Obrigada. – Brittany adentrou a casa e percebeu Santana se esquivar um pouco. – Que foi?

— Eu só não quero que você fique doente, coração. – Ela trancou a porta. – Vamos pra cozinha.

Notas finais
Existe coisa mais estranha do que começo de ano? kk Até mais ♥