Notas iniciais
​Para os novos leitores: sintam-se em casa! O passado dos personagens será mencionado conforme a necessidade da história. E para quem já acompanhava a saga: preparem o coração, pois a mentira aqui vai causar muitas confusões e até um romance improvável. ​Boa leitura! Ah, vou deixar aqui o link com o trailer de Segredos de Sangue que é um belo resumo rápido da trama anterior: https://youtu.be/J9f8d79nQ20?si=W83R9oBsiHnwQYun


Prólogo


Ada passou três meses em coma na UTI do hospital mais caro de Londres e com a melhor equipe médica cuidando dela dia e noite. A única pessoa que a visitava era o seu pai, quando Trent não estava em alguma missão como embaixador da ONU, ou liderando a Shadows (a sua Organização Secreta).

Para Trent era difícil vê-la naquela cama inconsciente e tão frágil. A paciente estava demorando para a acordar, pois dessa vez ela era apenas uma humana normal com um corpo frágil que lentamente estava se recuperando.

Até que certo dia, as preces de Trent foram atendidas e, ao visitar a sua filha, descobriu que ela havia acordado de seu coma. Porém, a situação não foi tão simples e feliz como ele desejava.

Trent ficou assustado ao vê-la se debatendo na cama enquanto as enfermeiras tentavam acalmá-la. No final, tiveram que amarrar as mãos e pés dela no intuito de impedir que se machucasse, ou machucasse outras pessoas. Eles tentaram lhe explicar que por mais horrível que a situação fosse, foi o único jeito de tentar controlá-la e mantê-la segura. Enfim, foram dias tensos.

Entretanto, havia algo que deixou o diplomata mais preocupado. Ada apresentou um quadro de amnésia e não se lembrava de ter conhecido Trent e que ele era o seu pai. Além disso, ela também não se lembrava dos últimos anos da sua vida e nem tampouco dos últimos atentados bioterroristas.

Ela despertou naquele quarto de hospital se sentindo assustada, desorientada, sem conseguir se lembrar do próprio nome e ainda se deparando com rostos desconhecidos, exceto por um homem grisalho com sotaque britânico, que usava um terno caro e que por fora agia com ponderação, ao mesmo tempo em que possuía traços de um verdadeiro manipulador. E esse traço era algo que eles tinham muito em comum.

Esse mesmo senhor elegante parecia querer controlar tudo e todos como se fosse o chefe. E o pior é que seu rosto marcado por rugas e aqueles olhos verdes parecia muito familiar. Depois ele se apresenta como o seu pai, cujo o nome é Philip Trent Blanchett e depois cita uma irmã gêmea.

“Pai?! Irmã?!” Na cabeça confusa e desmemoriada dela, Ada Wong acreditava que não tinha um pai, ou família. Ela era uma espiã que só vivia para suas missões e era conhecida por ser fria e calculista e usar da sedução e manipulação para atingir os seus objetivos.

E o seu objetivo agora era fugir daquele hospital, porém não tinha forças em suas pernas e seu corpo estava muito debilitado. Sem saída teve que obedecer aquele homem que teimava em afirmar que era o seu pai.

— Olha, sei que agora tudo parece confuso, mas quando nós voltarmos para a casa, as coisas começarão a fazer sentido.

— Eu… moro com você?! — Ada questionou com a voz ainda muito fraca. Embora estivesse desmemoriada, tinha certeza que ela era um tipo de mulher que era independente demais para morar com alguém. Ainda mais alguém que quisesse cortar as suas asas.

— Você realmente não se lembra de mim? Ou da sua irmã gêmea, a Mei? — Trent continuou indagando, impacientemente.

“Uma irmã gêmea?” Isso não fazia sentido. Ela tinha quase certeza que Ada Wong não poderia ter uma irmã, ou um pai, ou uma família e isso a deixou frustrada e irritada com toda aquela história que mais parecia uma invenção daquele homem.

— Você pode parar com esse joguinho, seja lá quem for você! — Ada se sentiu tensa, tensa demais na presença dele e começou a ficar muito agitada. — Foi Wesker, ele que te mandou aqui? Ele está me vigiando, não é? Onde ele está? Ele deve estar com raiva porque… eu falhei na missão. — Ela tentou se sentar na cama, mas aquele simples esforço lhe causou um mal-estar terrível, a deixando tonta e com vontade de vomitar.

— Ei, se acalma! — Trent se aproximou tentando ajudá-la a se deitar de novo na cama, segurando os seus ombros com cuidado para não assustá-la, mesmo que ela continuasse com suas reclamações. Ao tentar se mexer, a espiã acabou entupindo de sangue o tubo conectado ao soro que enviava um medicamento por via intravenosa conectada na sua mão, mas rapidamente, o diplomata contornou a situação fazendo a mulher se acalmar e o medicamento voltar a fluir de volta para o seu corpo.

— Eu estou com sede… — Ada reclama. Seus lábios estão ressecados e feridos, ela emagreceu bastante e ainda estava muito fraca até mesmo para ir sozinha ao banheiro.

— Você ainda está fraca, precisa se alimentar direito e se hidratar, mas tem que ser aos poucos. — Apesar dele parecer meio mandão, seu toque era gentil. Por um instante, ela desviou o olhar para o teto, pensando que aquilo era frustrante. — Você me perguntou sobre Wesker... — Outra vez, seus olhos se entreolharam por um minuto significativo. — Ele está morto e você sabe disso! — A voz de seu pai saiu cheia de uma frieza de dar calafrios.

— O quê?! — Ela estava boquiaberta, não acreditando no que o diplomata lhe dizia. — Você acabou de me dizer que… Wesker está... está morto?

— Sim. Ele morreu há três anos… pelas mãos do capitão Redfield. — Trent esperou um momento para estudar as reações da filha, percebendo que havia alguma coisa fora do normal. Ela parecia realmente desnorteada. — Você não se lembra disso? — Ela fez que não com a cabeça, porém se manteve calada. — Você realmente não se lembra da Mei, de Derek Simmons, ou Carla Radames? — O homem estava incrédulo.

— Eu não me lembro. — Ela se sentiu estranha, como se tivesse um branco em sua mente. Como se tivesse faltando alguma coisa importante da qual não conseguia se lembrar e essa sensação era assustadora. Então, a bela chinesa parou e encarou profundamente aquele senhor. — Qual é mesmo o seu nome?

— Eu me chamo Philip Trent Blanchett... Eu sou o seu pai — Trent respondeu agora mais calmo. — Mas, quando você e sua irmã eram crianças e nós ainda vivíamos na China com a sua mãe, as pessoas me conheciam apenas por Phil, o Forasteiro — ele começou a contar pequenas lembranças positivas que tinha de quando sua esposa ainda estava viva e eles vivem uma vida simples e normal naquela cidade chinesa. — Eu chamava carinhosamente você e Mei de minhas flores do oriente. — O senhor elegante tinha agora um sorriso triste.

“Flores do Oriente?” O apelido pareceu familiar. Nesse instante, veio a imagem de duas meninas gêmeas correndo na direção de um homem jovem, bonito que se ajoelha na frente delas e as recebe com um abraço. Ele tinha olhos verdes iguais ao do velho que estava ali tentando convencê-la que era o seu pai.

“E se esse senhor elegante e charmoso que se dizia diplomata e embaixador da ONU, fosse mesmo o seu pai?”

— Você se lembrou de Wesker e de uma missão. Que missão era essa?

Ada fechou os olhos e novamente se viu de volta presa em Raccoon City, lutando para sobreviver aos terrores daquele lugar quando o seu caminho se cruzou com aquele policial Novato, muito irritante, intrometido, que queria agir como o seu herói, como se ela fosse uma donzela em perigo.

"Eu me chamo Leon S. Kennedy…” E ele tinha olhos azuis gentis.

"Ei, vai ficar tudo bem. Aguenta firme." Ada se lembrava da preocupação daqueles olhos azuis quando um William Birkin mutante os atacou e a feriu, gravemente. "Eu vou cuidar de você, assim como você cuidou de mim." Ela se lembrava que o policial cuidou dela com a maior ternura e paciência do mundo. Ele até lhe fez uma proposta tentadora. "Então, o que você me diz... Nós deveríamos sair um dia desses para jantar. Claro, como amigos." A proposta saiu um pouco tímida.

"Tudo bem, eu aceito. Mas é você quem paga a conta." E depois eles se beijaram. Ada não sabia se sobreviveria para concluir a sua missão. Pelo menos antes de morrer queria aproveitar da doçura dos lábios dele e do calor do seu corpo. Naquele momento, Ela desejou que ambos pudessem ter saído daquele inferno juntos e cumprido aquela promessa.

“Olha pra mim! Ada, eu não vou te soltar. Eu prometi que nós vamos sair daqui juntos...

“Leon, esquece...

“Cala a boca! Eu vou te segurar!” E ele estava determinado a não largar a mão dela. Entretanto, a espiã se sentia cansada de lutar contra a morte.

“Adeus, Leon!" Ela lhe dá um último olhar, antes de soltar a mão dele. A sua última lembrança era de ouvir os gritos de Leon chamando pelo seu nome.

Aqueles flasbacks continuavam se repetindo em sua mente.

— Eu me lembro da missão em Raccoon City… E havia um cara… ele se chamava… Leon. — Imediatamente, Trent ficou tenso ao perceber o quão grave poderia ser aquela amnésia.

Resumindo: Essa versão de Ada ainda achava que estava em 1998 e que ainda era uma espiã secreta trabalhando para Albert Wesker. Imagina quando ela descobrir que já haviam se passado 15 anos desde os acontecimentos de Raccoon City e que a vida de todos mudou muito, inclusivo o daquele policial novato que a espiã parecia ainda guardar um apreço enorme.

Como será quando essa Ada, descobrir que seu amado Leon atualmente havia se tornado um homem de família, recém-casado?!



Notas finais
Por enquanto isso é só uma prévia do que está por vir. Agora tô ansiosa pra saber se vcs vão me acompanhar nessa nova jornada.