Destino Inesperado

8 Com o Coração do Outro Lado do Mundo



Washington, D.C.

Dias Atuais...

"Li Guimeng é uma Biomédica e virologista chinesa, de 42 anos, formada pela Universidade Imperial College London, uma das mais importantes Universidades da Inglaterra. Atualmente, é a Coordenadora-Chefe do Centro de Atendimento a Vítimas do Bioterrorismo, o CAVB com Sede na China."

Impressionante como na internet você pode descobrir quase tudo. No meio das suas pesquisas, encontrou uma única imagem de uma mulher com cabelos compridos e castanhos de etnia chinesa. Era coincidência demais que a tal Biomédica tivesse a mesma idade que Ada teria se estivesse viva. Além disso, Claire havia lhe dito que quando ela conversou com Sherry Birkin, a jovem teria deixado escapar sem querer, que Li Guimeng era filha de Trent.

Se tudo isso era possível, isso significava que nesses 6 anos, Trent, Chris e até a Sherry sabiam que Ada estava viva e esconderam a verdade dele, como se Leon não merecesse saber.

Ele olhou de novo para a tela de seu notebook, ainda atordoado com a verdade nua e crua: Ada Wong era um pedaço do seu passado que, de uma forma inexplicável, sempre voltava para bagunçar a sua vida.

— Leon! — Inesperadamente, seus pensamentos insanos foram interrompidos pela presença de Angela pairando ao seu lado na cama. — Quem é Li Guimeng?! E o que ela tem a ver com... Ada Wong? — ela lhe perguntou inocentemente olhando para a tela do computador.

Rapidamente, Leon fechou o notebook e ficou apreensivo, vislumbrando os olhos castanhos semicerrados de sua esposa, sabendo que teria que responder alguma coisa.

E agora o que ele ia fazer?

— Bom, as informações que eu recebi é de que... — Sua voz começou vacilante, antes de fingir indiferença. — A senhorita Guimeng, é uma Biomédica que está trabalhando com a Salve-Terra e a BSAA na China. E ela... com certeza não... não tem nada a ver com aquela bioterrorista. — Era tão bizarro chamar Ada de bioterrorista.

— Por que você está pesquisando sobre isso?! — Castanhos inquisitivos continuaram num confronto silencioso contra azuis inquietos.

— Faz parte da minha nova missão.

— Ah, não me diga que você vai viajar para China? — Pelo menos a conversa tomou outro rumo.

— Sim. Eu sei que você tá chateada comigo. — Leon soltou um suspiro de frustração enquanto guardava seu notebook e retornava a se sentar na cama ao lado dela. — Você também sabe que se eu pudesse escolher, eu preferiria ficar aqui com vocês. — E os azuis inquietos tentavam convencê-la. — Vocês sempre serão a minha prioridade.

— Se somos a sua prioridade, então, não vá pra essa viagem. Fique com a sua família! — Os dois se encararam dividindo uma mesma expressão sombria. — A Presidente não pode forçar você a retornar àquele lugar horrível.

— Isso faz parte do meu trabalho, Angie. Eu sou o responsável por ajudar a Presidente a manter este país seguro e em ordem, enquanto eu também tento dar um futuro melhor para a minha família.

— Que futuro você dará a seus filhos, se algo der errado e você... você não voltar?! — Sua voz estava trêmula de raiva e de angústia. — Essa não é uma viagem comum. Você está indo de novo para o lugar onde quase morreu. — Angie se sentindo exausta da discussão, se afastou do toque e do olhar de Leon, enquanto se virava para apagar a luz do seu lado da cama e, por fim, se deitou dando as costas para o seu marido, que permaneceu sentado em silêncio no escuro, sem saber exatamente o que dizer.

— Ninguém vai morrer, Angie. Não sou mais um agente secreto e vai ter uma equipe comigo. Isso significa que estarei bem protegido. — O argumento parecia ainda muito fraco, sobretudo, porque há seis anos um Presidente foi assassinado, mesmo estando cheio de seguranças ao seu redor. — Olha, eu só preciso que você confie em mim. — Ele se deitou e abraçou a sua esposa tentando tranquilizá-la.

— Para mim isso não é suficiente, Leon. Eu tô cansada disso. Cansada das suas promessas. — As suas próximas palavras seriam piores. — Se você for para essa viagem, no dia seguinte, eu entrarei com o pedido de divórcio.

— É sério isso? — Imediatamente ele se afastou dela se sentindo farto dessas discussões e de toda essa cobrança.

— Sim, Leon. Eu juro que irei fazer isso — ela afirmou teimosamente.

— Você acha que isso é justo? Eu alguma vez te pressionei a abandonar o seu trabalho? Você sempre fez o queria, Angie. E eu sempre te apoiei. — Ele estava tão chateado. — Eu não quero ir para a China, mas... não tenho escolha. E eu... só queria que você me apoiasse. — As brigas entre o casal estava se tornando cada vez mais frequentes. E Leon estava exausto disso. Portanto, ele se levantou e saiu do quarto batendo a porta.




Lanshiang, China

Festival da Lua de 2018


A festa tinha sido incrível. Fazia tempo que Ada não se divertia tanto como no Festival da Lua. Foi bom ver as crianças e seus familiares confraternizando com a sua equipe. Foi bom especialmente ver a pequena Mei Chin (que hoje era uma órfã e uma sobrevivente da guerra) estar feliz e parecia se sentir em casa ali.

— Boa noite, florzinha! — Ada havia cuidado por um tempo da menina até que ela dormisse. Depois de se despedir de alguns voluntários que eram responsáveis pela ala infantil, a mulher seguiu para a Sede da Fazenda e foi direto para o quarto que dividia com Sherry. Mas, a pequena loira estava ausente, com certeza estava namorando em algum canto com Jake.

O luar lá fora estava tão bonito que a atraiu para a janela. Já deveria ser passado da meia-noite e o céu ainda estava estrelado com a majestosa lua cheia se exibindo naquele imenso céu estrelado.

— Ela está tão linda essa noite! — Ada contemplou, apaixonadamente.

— Tem razão. Hoje ela está linda, radiante e ainda mais sedutora. — Ela ouviu a voz rouca de Chris lhe sussurrar em seu ouvido, enquanto sentia os braços fortes lhe abraçar por trás, instantaneamente, aquecendo seu corpo.

— O que você faz aqui? — ela murmura um pouco assustada.

— Eu senti a sua falta. — Ele terminou roçando a sua barba sobre a pele sensível da nuca dela. — E não queria ficar sozinho no meu quarto. — De repente Chris a girou em seus braços, fazendo-a ficar de frente para ele.

— Isso tá ficando perigoso, capitão! — Ada solta uma gargalhada que logo foi calada com um beijo roubado dele. Aquele beijo que sempre lhe deixava tonta. Ela subiu suas mãos sobre o peito musculoso até parar em seus ombros largos. Como o homem era mais alto do que ela, Chris foi obrigado a arquear um pouco o corpo para conseguir encaixa-la devidamente em seus braços.

— A Sherry pode chegar a qualquer momento. — Ele desceu seus dedos suavemente pela coluna dela, ainda sobre o vestido floral que a beldade usava, parando sobre a sua cintura fina.

— Então, vamos ser rápidos! — Dessa vez, os dois riram.

Curiosamente, o capitão ao lado da Doutora Guimeng parecia estar sorrindo com frequência. Juntos aqueles dois pareciam um casal de adolescentes, vivendo algum tipo de amor proibido, por mais clichê que fosse.

— Certo, madame. Você venceu! — E com isso o capitão a ergueu em seus braços, entrelaçando as pernas dela em seu quadril e deslizando suas mãos calejadas sobre as coxas dela, forçando o vestido a subir até o quadril feminino, ao mesmo tempo em que os lábios pintados de batom escarlate se chocam, ardentemente, contra os dele.

Ainda enroscados um no outro, Chris a carrega tranquilamente até a cama dela. Suas roupas são uma barreira inconveniente que ambos decidem remover o quanto antes, a começar pela camisa da BSAA cujos botões vão sendo abertos por pequenas mãos ágeis e jogada no chão, o mesmo acontece com o coturno, as meias e a calça dele, enquanto Ada vai se livrando do seu vestido floral simples que ela deixa deslizar por seu corpo, revelando uma pele clara como porcelana, encoberta apenas por um conjunto de lingerie de cor fúcsia escura.

Por um minuto, os dois param para apreciar o corpo um do outro, trocando olhares e sorrisos travessos. O próximo passo é descartar as suas últimas peças de roupa e voltar a unir os seus corpos nus lascivamente sobre a cama, fazendo-a balançar com o ritmo eletrizante e sensual daquele ato tão, deliciosamente, íntimo...

O sexo entre eles só passou a rolar um mês depois do primeiro beijo que trocaram no quarto de Chris, depois de ficarem semanas sem conseguir estarem sozinhos e conversarem. Normalmente, seus encontros românticos era no quarto dele. Dessa vez, o par quebrou o protocolo com a ajuda de Sherry que era a única que sabia sobre eles e resolveu acobertá-los.

Ada e Chris mais uma vez se entregaram a completa luxúria. Seus lábios permanecem presos um no outro em beijos ousados, famintos, tentando calar gemidos cheios de declarações safadas sempre que friccionavam seus corpos nus e suados num ritmo ora suave, ora selvagem, ora profundamente lento.

Contudo, ainda havia os momentos em que os lábios se separavam decididos a vagar por cada pedaço de pele, mordiscando e deixando rastros molhados, ou marcas que também eram causadas pelas mãos fortes e calejadas dele na pele dela, ou nas mãos pequenas e delicadas dela sobre cada músculo, cicatriz e qualquer outro pedaço daquele corpo grande e viril. Suas unhas compridas e pintadas de escarlate, de repente arranhavam as costas largas do capitão a cada vez que ele a penetrava se perdendo, totalmente, dentro do calor que só ela poderia lhe dar. Aquele calor gostoso e avassalador que é capaz de descongelar até mesmo um coração duro e frio.

Ada era como fogo: ardente, perigosa, mortal. Chris era como rocha: rígido, forte, inabalável.

— Você acha que alguém nos ouviu? — ela murmurou encostando sua cabeça sobre o peitoral bronzeado dele.

— Talvez... E a culpa é toda sua! — ele respondeu inalando o cheiro dos cabelos dela.

— Minha?! — Ela fechou os olhos enquanto sentia ele lhe abrigar num abraço aconchegante.

— Sim, você sempre é a culpada por me fazer perder o controle.

Então, o quarto de Ada havia se tornado o lugar secreto deles, onde podiam quebrar as regras, ultrapassar limites e dividir até mesmo as suas aflições. Ambos podiam ser eles mesmos, sem censura, livres de qualquer culpa, ou arrependimento.




Washington, D.C.

Dias Atuais...


— Pai, pai, pai! Você vai voltar logo, né — questionou Natalie.

— Claro minha princesa. Eu prometo que volto logo.

— Eu vou sentir muita, muita, muita saudade! — ela dizia no colo do pai.

— Eu sei. Eu também vou. — Ele aproveitou para dar um abraço demorado em seus dois filhos. — Ei rapazinho, você vai cuidar da mamãe, da vovó e da Nat? — O menino fez um sinal que sim com a cabeça, antes de fugir para a sala onde estava os seus brinquedos.

— Você sabe, não leve tão a sério o que Angela disse. Ela só está preocupada com você — Sarah lhe disse com a voz embargada. No fundo, ela também desejava suplicar para que o filho ficasse. — Só me prometa que você não vai se meter em nenhuma encrenca. Que não importa o que aconteça lá, nada vai mudar entre vocês dois.

— Mãe, eu sinto que já mudou. Nosso casamento tá em crise e já faz algum tempo — ele acabou desabafando.

— Mas, essa não é a primeira crise que vocês enfrentaram. — sua mãe disse ao se lembrar que o casal quase rompeu no passado, quando Leon aceitou se tornar o Conselheiro da Segurança Nacional. — E vocês superaram e vão superar esse também.

— Não sei, mãe. É diferente agora.

Eles têm se esforçado para estarem juntos, contudo no último ano tem sido difícil para o casal ter um tempo a sós, ambos têm trabalhado muito e quando se veem a noite estão cansados até para namorar. O casamento acabou caindo na rotina e ainda havia os desentendimentos constantes. Parecia que o casal não estava na mesma sintonia. No fundo, Leon se sente frustrado com a ideia de que ele fracassou como marido.

— Eu amo vocês — Leon disse olhando para os seus filhos que estavam distraídos brincando e alheios aos problemas dos adultos. — Cuida bem deles por mim, mãe.

— Você sabe que eu sempre cuido. — Sua mãe lhe deu um beijo na testa e fez uma pequena oração. — Agora vá com Deus, meu filho. — Ele seguiu até seu carro onde seu motorista e guarda-costas lhe esperava.




Londres, Inglaterra


As próximas horas do dia já tinham se mostrado cansativas, afinal, ficar preso entre uma ponte aérea e outra não era nada divertido. Sua primeira parada foi em Londres onde teve uma reunião às portas fechadas com Trent.

— Por que você me chamou aqui?

"Paciência é uma virtude que Leon definitivamente não tem." Trent refletiu vendo o homem lhe olhar ansioso e irritado. O diplomata sabia que a próxima conversa seria bastante tensa.

— Talvez, o senhor deva começar com… Por quê? — Inquiriu Leon se debruçando sobre a mesa de Trent para encará-lo. — Por que vocês não me contaram a verdade sobre a Ada?

— Ela se chama Li Guimeng. Esse é o nome verdadeiro dela e você não pode esquecer disso. — Trent decidiu interrompê-lo de forma ríspida. — Lembre-se: Ela é a doutora Li Guimeng que você vai conhecer pela primeira vez. — O homem também se apoiou na mesa agora encarando Leon com a mesma impaciência.

Leon ficou em silêncio, por um instante sentindo um nó se formando em sua garganta, à medida que tentava controlar a raiva e prosseguir com aquela difícil conversa. Todavia, com os seus pensamentos turbulentos, de repente ele se viu desabafando sobre algo que não tinha revelado para mais ninguém.

— Você pode imaginar quão horrível foi quando Ada decidiu se sacrificar para salvar a todos nós, sem que eu pudesse impedi-la? — Era como se ele tivesse relembrando todas aquelas sensações vividas naquele inferno. — Você pode imaginar o quão horrível foi... segurar o corpo morto dela em meus braços? Sabe como eu me senti? — O Conselheiro parecia perdido em suas próprias memórias infelizes.

— Você se sentiu culpado? — O diplomata tentava se manter imparcial, mesmo sentindo empatia por Leon.

— Sim. Tenho me sentido culpado por seis anos, assim como me senti culpado após sobreviver a Raccoon City. — As palavras sinceras de Leon fez o embaixador se remexer desconfortável em sua poltrona. — Você consegue imaginar o quão importante seria para mim, saber que Ada estava viva e bem?!

— Então, você poderia se livrar da sua consciência pesada — Trent rebateu maldosamente.

— De consciência pesada você deve entender muito, não é mesmo Embaixador?! — Essa questão obrigou Trent a recuar e engolir o seu orgulho.

— Tudo bem, você venceu. — Trent encostou as costas no encosto da poltrona e respirou fundo. — Quando fui reconhecer o cadáver da Li, percebi que ela ainda estava respirando muito fracamente. Rapidamente, a levamos para o hospital, onde ela passou três meses em coma. E quando acordou... estava com amnésia.

— Amnésia?! — Os olhos azuis meio que se arregalaram em choque.

— Sim. Ela se curou do T-Veronica, mas ficou com outras sequelas, sendo a mais grave a perda de memória. Quer dizer, ela teve a perda parcial da memória.

— Parcial? O que isso significa? — Ele se sentia tão ansioso pela resposta. Seu coração parecia falhar uma batida com a ideia que, talvez, Ada tivesse esquecido dele...

— A última lembrança que ela tem foi da missão em Raccoon City, em 1998. — Trent revelou com cautela. — Li também se lembrou de ter conhecido um policial novato e ingênuo... que ela precisou manipular para conseguir o G-vírus.

— Eu fui mais do que um jovem policial ingênuo que ela manipulou! — Ele se levantou exaltado.

— Ei, se acalme! — Trent precisou por ordem naquela discussão, antes que chamassem atenção dos seguranças lá fora.

— Eu quase morri tentando salvar aquela maldita mulher! Eu até levei um tiro por ela! — O Assessor da Presidente Okoye cuspiu decepcionado. Suas íris azuis deixavam transparecer muitas emoções que o homem achava ter deixado no passado.

— Se isso te serve de consolo, ela também não se lembrava de mim, ou de ter uma irmã gêmea. — Trent continuou mantendo a sua postura ponderada. — Existe uma enorme lacuna na cabeça dela. Tudo o que Li sabe hoje, são informações que contamos, ou que ela pesquisou na Internet.

Havia uma coisa que Leon interiormente estava ansioso por saber. Ele não deveria se importar com esse tipo de informação, ainda assim, seu coração precisava saber. Porém, antes que ele pudesse perguntar, Trent já foi se adiantando.

— Eu contei algumas coisas que achei relevante, mas deixei de fora outras que eu sabia que não mudariam em nada a vida dela. Segredos que poderiam, não apenas prejudica-la, como também prejudicar você. — O diplomata era muito firme em seus argumentos, deixando o cara na sua frente, desnorteado.

— Então, Ada não faz ideia que ela e eu... que nós... — Leon parou nervoso, apertando suas mãos no encosto da cadeira onde, alguns minutos antes, ele estava sentado.

— O nome dela é "Li Guimeng" senhor Kennedy. — Ele enfatizou dando-lhe um olhar de aço. — E sim, Li não sabe que no passado vocês já foram amantes. E por mim, vai continuar sem saber. — Seus verdes continuavam impetuosos, observando Kennedy ficar inquieto e bastante aflito. — Sejamos francos, Leon... você agora é um homem casado... — E o embaixador continuou o pressionando, insensivelmente. — Naquela época, se nós tivéssemos lhe contado que ela estava viva, que diferença isso faria? O que teria mudado na sua vida?

Pensando bem, ele sabia que não teria mudado nada. E, constatar isso, era uma sensação estranha e, ao mesmo tempo, muito contraditória.

Independentemente, de saber se a Espiã estava viva ou morta, Leon ainda teria retornado para Washington, se casado e seguido com a sua vida, assim como seguiu em frente quando pensou que a mulher havia morrido em Raccoon City há 20 anos. Assim como seguiu em frente quando os dois amantes decidiram terminar a sua relação secreta. E o plano parecia quase perfeito, exceto que... Que o destino sempre dava um jeito de sempre trazê-la de volta para a sua vida, de uma forma ou de outra.

E por que o Destino insistia em fazer isso com Ada e Leon? O que isso significava?

— Era por isso que te chamei aqui, senhor Kennedy... Agora a relação entre vocês dois deve se manter estritamente profissional. — Pois, afinal, havia muita coisa em jogo, inclusive questões que poderiam afetar a política internacional e as relações diplomáticas entre China e EUA.

— Eu sei disso tudo! — Leon falou entredentes. — Os Estados Unidos já tem muitos problemas para resolver e eu não estou aqui para causar mais um. — Sua voz saiu firme. — Vim aqui como o porta-voz da Presidente Evelyn Okoye Benford, a fim de cumprir uma missão diplomática.

— Ótimo! Além disso, você é um homem casado e um pai amoroso, que com certeza é capaz de tudo para proteger a sua família. — O velho estava jogando sujo, citando a família que era o seu ponto fraco. — Eu sou pai também, Leon. E já perdi uma filha... Eu não posso perder a outra que, milagrosamente, voltou para mim. Você me entendeu?! — Seus verdes continuaram a confrontar aqueles azuis conturbados. — Então, tudo o que eu estou fazendo é para mantê-la segura e feliz.

— Certo. Não se preocupe, embaixador… — Leon se recompôs e tomou uma postura indiferente. — Eu não vou atrapalhar a Mentira perfeita... Quer dizer, a vida perfeita que você construiu para a... sua filha. — Ele foi irônico.

Após toda aquela conversa nada amigável, Leon se despediu friamente de Trent e seguiu para a sua próxima viagem, que o levará de encontro com o passado. Um passado que poderá fazê-lo quebrar as suas próprias promessas.