Destino Das Fadas
51 Capítulo 48 — Pré-casamento – parte
Notas iniciais
Capítulo 48 — Pré-casamento — parte IV
Passei pela porta do quarto da Ayaka-san, sentindo meu mundo sem chão. Não hazia sentido algum em minha vida no momento. Tudo o que eu sempre acreditei, tudo o que eu sempre quis, estava deixando para trás ao fechar a porta daquele quarto. Não olhei para trás. Eu sabia que se eu o olhasse novamente com aquela expressão, eu poderia voltar atrás. Encostei-me à porta e deixei as lágrimas virem. Realmente aconteceu. Acabou, não é? Perguntei a mim mesma, não querendo ouvir a resposta. Ele vai se casar e então tudo o que passamos vai virar passado. Tudo. Todas nossas conversas, todas as brigas, reconciliações, passeios, risadas, beijos, toques, sorrisos... tudo vai ser apenas... passado. Porque dói tanto? Porque não acabam lágrimas?
Droga! O quanto eu o amo? No fim eu sempre acreditei que... íamos ficar juntos não importando os obstáculos. Então milhões de obstáculos resolveram aparecer no mesmo momento. Será que é um teste? Se for, já chegamos ao resultado. E não vencemos. Nem vamos ficar juntos. O pior de tudo... eu nem ao menos disse que o amo. E talvez ele nunca mais saiba. Porque eu sou uma idiota que não consegue nem ao menos colocar em palavras todos meus sentimentos.
Levei minha mão até a boca sem conseguir conter os soluços. Comecei a andar desnorteadamente, procurando por um lugar sem ninguém. Já estava escuro. Saí da pousada e comecei a andar até encontrar algum local tranquilo, onde eu pudesse chorar o quanto quisesse. Sentei em um banco de madeira perto da praia. Encolhi-me e as lágrimas continuaram a cair. Dessa vez não tentaria me controlar. E continuei chorando por muito tempo. E em todo esse tempo, todos os momentos que passei com ele passaram por minha mente como um filme.
Permaneci ali, abraçada a mim mesma como uma forma de auto-consolo. Imaginando como seria dali para frente... e pensando se eu queria mesmo imaginar.
—♥—
Natsu
Fiquei sentado na mesma cama por um longo tempo. Esperei ela sair e fiquei olhando para suas costas. A cada passo que Lucy dava para longe de mim, mais eu desejava que ela desse meia volta e dissesse que tudo aquilo era mentira. Dissesse que ainda me amava também e que esperaria o tempo que for. Eu sabia que era pedir demais, e nada mais justo do que deixá-la livre. Mas meu lado egoísta sempre grita mais alto. E ao vê-la fechar a porta, me dei conta que era mesmo real. Eu a perdi para sempre.
Sem nem mesmo ter tempo para controlar, senti as lágrimas umedecerem meu rosto. A dor era tão insuportável quanto viver sem ela. Realmente queria poder pensar que era apenas mais uma daquelas despedidas com retorno, mas saber que eu estaria casando dali a alguns dias, me fazia perceber que não era brincadeira. Ela me deixou de verdade e pra valer. Isso queria dizer que eu nunca mais poderia nem sequer abraçá-la direito, ou sentir seu cheiro de perto. Ou dizer o quanto eu a amava. Ou ver ela sorrindo daquele jeito delicado quando escuta eu dizer que a amo. Porra, dói demais!
Levei minhas mãos até meu rosto, escondendo as lágrimas até de mim mesmo. Pois elas, por si só, demonstravam o fim. E não havia destino que conseguisse concertar tamanho sofrimento. E meu único consolo era saber... que mesmo no fim, consegui dizer tudo o que queria à ela. Agora, mesmo com a dor, eu poderia dar uma nova chance à mim mesmo também. Porque meu coração estava limpo...
... e ao mesmo tempo em pedaços.
[...]
Depois de me recuperar no silêncio do quarto, finalmente me levantei para sair dali. Se Lucy seguiria em frente, eu também iria. É assim que tem que ser. Ainda me pergunto se um dia toda essa angustia vai fazer sentido. Mas agora estávamos livres. Eu tinha que aceitar as escolhas dela e começar a fazer as minhas.
Passei pelo banheiro, vendo meu rosto desprezível, joguei uma água e sai do quarto. Fechei a porta e me virei. Então levei um susto com a presença repentina no local. Era uma mulher morena, melhor amiga da Yukino pelo que ouvi falar. O que ela fazia ali? Será que o quarto dela é por aqui? Mas não parecia o caso, porque ela parecia estar me esperando. E como ela sabia que eu estava ali?
— Posso ajudá-la? — perguntei um tanto hesitante.
— Claro que pode — respondeu com um sorriso torto.
Meu alerta de perigo acionou rapidamente. Desde que Yukino a apresentou para mim, fiquei com um pé atrás. Mas agora as coisas estavam ficando estranhas. E por mais que meus pensamentos girassem apenas em torno de Lucy no momento, isso não ia dar em nada bom.
— Onde está Yukino? — questionei para quebrar o clima macabro que se formava.
— Não sei onde ela está — continuava sorrindo — Mas me pergunto... o que ela diria se visse isso — mostrou uma câmera.
E para minha surpresa, na câmera continha uma foto... Minha e de Lucy na cozinha. Aos beijos. Engoli a seco enquanto meu coração acelerou anormalmente. Merda de alarme correto. Fiquei paralisado olhando para aquela foto e imaginando como ela foi tirada. E não consegui deixar de sentir uma pontada no peito ao querer Lucy de volta. Então percebi que talvez ela nunca tenha sido realmente minha. Voltei a me focar na chantagista à minha frente com um olhar árduo.
— Acho que ela não ficaria feliz em saber que o noivo dela deu umas escapadinhas com a madrinha, não concorda Natsu?
Quando achamos que não dá para piorar, sempre aparece alguém e te mostra o contrário. Sempre tem como piorar.
Continuei a olhá-la. Chantagem. O que ela poderia querer de mim? A gente nem se conhece. Ela é a melhor amiga da Yukino, provavelmente sairá correndo para contar à ela.
— O que quer?
Ela riu em uma alegria terrivelmente assombrosa.
— Nada muito complicado — voltou a sua postura e um arrepio se passava por meu corpo — É apenas conseguir me deixar sozinha com aquele seu amigo gostosão.
WTF?
— Que amigo? — perguntei encabulado.
— Aquele de cabelo azul.
Jellal? Ela quer morrer tão jovem?
— Ele tem noiva! — rebati.
— Você também — disse balançando a câmera e me lembrando dos meus erros inúteis que só aparecem para serem jogados na minha cara — Isso não pareceu te impedir de alguma coisa — sorriu ironicamente.
Respirei fundo.
— Eu não posso fazer isso. Sou amigo dele e da Erza.
— Que pena, dê adeus ao seu casamento e a única maneira de salvar sua família — chantageou sarcasticamente dando de costas.
— Espera — gritei e ela se virou novamente — Tudo bem. Prometa apagar as fotos. Só te deixar sozinha com ele, certo?
Sentia-me terrível por isso. Mas Jellal nunca faria nada com ela, ele é louco o bastante só por amar a Erza. Tudo isso é uma droga! Justo agora que talvez eu conseguisse levar esse casamento adiante. Eu tento mudar e tudo parece sempre se complicar para ferrar minha vida.
— Bom garoto — disse com uma piscadinha e saiu.
Ótimo. Já perdi a mulher da minha vida, agora estou prestes a perder minha família e meu casamento. Será que tem como piorar?
Sempre tem como piorar.
—♥—
Levy
Sai do banho maravilhoso que eu havia acabado de tomar. Tenho que dizer, o chuveiro dessa pousada é espetacular, e apesar de eu preferir uma banheira, aquela ducha estava incrível. Vesti um short curtinho e uma regata larga. O dia havia sido cansativo, praia sempre cansa. Isso tudo porque o sol estava nem de longe forte.
Enquanto passava a tolha por meus cabelos, vi meu amor esparramado na cama sem nem ter tomado banho ainda. Ele nunca muda. Suspirei pesadamente. Eu poderia escandalizar nesse exato momento, mas tenho outras preocupações bem maiores, como, minha melhor amiga. Mal pude ficar com ela hoje. Fiquei me perguntando como ela está, sempre se fazendo de forte, mas eu a conheço e sei que seu coração deve estar em pedaços.
Confesso que estou roendo as unhas para não contar para o Natsu sobre sua gravidez. É ridículo, ele é o pai, ele tem que saber. Teimosos malditos. Eu entendo que a situação não é fácil, mas ARGH! Eles sempre complicam mais! Se o amor fosse tão fácil não ia ser tão procurado. Só quando conseguimos passar todas as barreiras juntos que sabemos o quanto esse amor é verdadeiro. Amores quaisquer podemos encontrar em qualquer esquina, mas para a vida inteira... Olhei para Gajeel na cama... Só encontramos um.
Deixei a toalha de lado e andei até a cama. Comecei a balançá-lo, era extremamente difícil conseguir acordá-lo, mas eu nunca desistia. Sacudi-o com mais força. Ele resmungou algumas palavras sem sentido e depois de algum tempo abriu os olhos. Até que enfim.
— Amor, não é melhor você ir tomar banho?
Com os olhos apenas semi-abertos, ele se virou de costas para a cama e me fitou.
— Estou morto, baixinha. Não posso tomar amanhã?
— Que nojo! Você vai dormir no chão!
Como ele se tornou esperto e sabe que se continuasse ali enrolando provavelmente as coisas se tornassem feias, ele se sentou na cama. Estava só de bermuda, deixando seus músculos que eu tanto amo à mostra.
— Porque está tão irritada?
Homens. Nunca aprendem que perguntar esse tipo de coisa só piora tudo. Respirei fundo, tentando não descontar todas minhas frustrações nele, como sempre faço.
— Estou preocupada com a Lu-chan — admiti, indo para mais perto dele.
— Por quê? — perguntou sem entender. Ele realmente precisa de uma percepção mais aguçada.
— Oras amor. Ela está sofrendo, ela precisa do Natsu e ele vai casar! Você acha que eu deveria contar à ele? Você entende, não entende? Não é óbvio que ele tem que saber? Se fosse você no lugar dele, não acha que seria seu direito saber que vai ser pai? — disparei a falar tudo o que vinha em mente.
Ele olhou para o teto pensativo, respirou lentamente como se precisasse disso para tirar alguma conclusão plausível. Depois de tanto tempo com ele, já me adaptei ao seu jeito de não conseguir dar conselhos. Mas ele sempre tenta e me escuta. Após alguns minutos, ele voltou a me olhar.
— Acho melhor você ficar fora disso.
— Como assim? — perguntei indignada — Se fosse você, ia preferir não saber?
— Desde quanto o assunto se tornou “nós”, baixinha? Só estou te dizendo que esse problema é deles, e eles que tem que resolver. Sabe, não adianta você se introm...
— Como pode pensar dessa maneira? Você vai ser pai! E é minha melhor amiga, não consigo ficar parada enquanto vejo ela arruinar a própria vida! — me exaltei.
— Ela está fazendo as escolhas dela. Ela escolheu dessa maneira, ela poderia contar se quisesse, mas não quer. Você tem que aceitar isso, você não tem nada a ver com a relação complexa deles.
Neste momento eu já estava bufando de raiva. Não tenho NADA a ver? Eu acompanhei esse relacionamento minha vida inteira. Estive com a Lu-chan todas as vezes que ela chorou por ele, e quando estava se apaixonando por ele. Fiz inúmeros planos para juntá-los, nenhum deu certo, mas eu fiz! Percebi que dessa vez eu teria que agir, e mais do que nunca, teria que dar certo.
—♥—
Gray
Enquanto Juvia tomava banho, fiquei deitado na cama, encarando o teto. Não sou aquele cara que gosta de ficar refletindo sobre a vida dos outros, mas parece que estava começando a me tornar um. Fiquei analisando as decisões do Natsu. E ele é um otário. Nenhuma novidade até aqui. Ele quer salvar a família, beleza. Quer salvar a empresa, beleza. Mas e aí, quem salva o maldito? Não que eu queira ser essa pessoa, contudo essas situações não entravam em minha cabeça. Porra, ele ama a loira lá e vai casar com o clone da Lisanna? Puta que pariu. É para deixar qualquer amigo revoltado.
Às vezes me coloco no lugar dele. Concordo que é foda pra caramba. Carregar o futuro da família nas costas não é para qualquer um. Mas então imagino se me tentassem separar de Juvia. Nosso namoro não é, e nem chega perto, de ser perfeito. Porém não consigo me imaginar mais sem ela. Apesar de ela ser extremamente ciumenta, teimosa, estressada e de TPM 24horas por dia, eu agüentaria tudo para ficar ao seu lado, e tudo porque eu sei que valeria a pena qualquer sacrifício. Então me pergunto como colocar essa droga de ideia na cabeça daquele desgraçado sem cérebro. Ou sem coração, não sei.
Talvez tudo o que eu esteja pensando não valha para nada. Acho mesmo que eu não entendo porra nenhuma do que esteja acontecendo de verdade. Ver as coisas de fora são sempre mais fáceis do que estar realmente passando por isso. Estou é enlouquecendo com esse casamento. Queria ver meu amigo feliz. Frase gay. Que merda tá acontecendo aqui? Respirei fundo.
— Você parece pensativo, Gray — Juvia apareceu com seu pijama de tirar o fôlego.
— É falta de sexo, amor. Não se preocupe — brinquei e ela me olhou com sua cara de nojo.
— Suas piadas só pioram, sabia? — disse já estressada. Não falei? É o tempo todo. Por isso a gente briga a cada meio segundo.
— Pode ser. Eu te amo — falei me dando por vencido e ela começou a rir. Ri baixinho com ela — Vem cá — estendi o braço e ela se deitou com a cabeça em meu peito.
— No que está pensando? — perguntou enquanto olhava as próprias unhas.
— Não sei, parece tudo muito estranho. Ver meu amigo se casando daqui a alguns dias. A gente cresceu junto. Ontem ele era apenas um idiota que vivia brigando comigo na escola e hoje... ele é um idiota que vai se casar.
— Grande teoria — disse brincando e passou suas mãos macias em meu rosto — Que fofo, se preocupando com o melhor amigo. Tenho orgulho de você — olhou-me nos olhos e depois me beijou.
— Se continuar se esfregando em cima de mim, você que vai ter que se preocupar, e consigo mesma — desafiei, deixando-a corada. Era engraçado. Mesmo depois de tudo, ela continuava envergonhada com certas brincadeiras.
Levei meu braço livre até a cabeça, bagunçando meus cabelos. Só nesse ato percebi o quão nervoso essa situação estava me deixando. Percebi também que eu não ia conseguir mudar nada ficando parado.
— Acho que tenho um plano — pensei em voz alta.
—♥—
Erza
Essa pousada era perfeita. Adoro pousadas. Adoro viagens. Adoro coisas que se encontram nas viagens. Porém nessa pousada havia muitas coisas me incomodando. A principal delas é ver Natsu casando contra vontade. Ele é meu amigo desde que éramos pirralhos e não queria vê-lo tão triste em uma data tão especial. Segundo por ver Lucy desanimada, ela tem estado cada vez mais infeliz aparentemente. Sempre foi tão doce e energética, odeio ver meus amigos tristes. E terceiro, mas não menos importante, tinha uma mulher estranha olhando — secando, para ser mais especifica — o Jellal. Mas tentei não me afetar. Somos noivos e eu sei que ele me ama tanto quanto eu o amo.
— Algo errado, Erza? — Jellal deitou-se do meu lado e eu me aconcheguei em seus braços.
— Não sei, me sentindo um pouco inútil. Vejo meus amigos tristes e não faço nada para ajudá-los. Queria muito poder fazer algo por eles.
Ele se endireitou para me olhar e começou a passar a mão por meus cabelos.
— Não precisa se sentir assim. Não tem o que fazer, eles fizeram essas escolhas.
— Não concordo com você. Eles não tiveram escolhas. Tudo foi acontecendo super rápido, e nenhum dos dois parece querer atrapalhar a vida um do outro, mas não conseguem ficar longe. Foi algo mais poderoso que eles, sabe? — argumentei.
— Erza, todo mundo tem escolhas. Para Natsu era sua família ou Lucy. Para Lucy era aceitar as escolhas de Natsu ou não aceitar e fazer algo a respeito. Natsu escolheu a família e Lucy escolheu aceitar. É simples! — rebateu com sua voz de convencido.
O problema de fazer direito e namorar um cara que é completamente contrário à você é isso. Discussões longas e duradouras por muito tempo. Adorava debater certos assuntos. Mas os sentimentos dos meus amigos?
— Não Jellal, não é simples. Não foram escolhas, foram consentimentos. Não foi uma escolha do Natsu. Para ele é uma obrigação como filho e irmão. Uma obrigação que deve ser cumprida para que ele viva com dignidade. Não foram colocadas opções em sua frente, mas sim impostas obrigações. Para Lucy sobraram apenas conseqüências e não escolhas. Natsu tem que casar. Lucy teve que aceitar. Nada de escolhas — repliquei com um tom de irritação.
— Porque está brava? — indagou mostrando uma ponta de nervosismo — Não estou dizendo que eles escolheram sofrer. Estou dizendo que se eles realmente quisessem ficar juntos, eles poderiam. Claro que há escolhas. No caso deles, essas escolhas são difíceis e complexas, mas elas estão aí. Por mais complicado que seja, nada os impede de largar tudo e fugir. O que os prende? Obrigações e reputação perante à sociedade. Mas não pode se afirmar que eles não têm escolhas.
— Existem duas grandes forças sobre os seres humanos. Razão e coração. No caso deles não se pode haver coração. É tudo pela razão. Pensando dessa maneira, é lógico que não há escolhas. Eles poderiam fugir? Claro! Se fossem idiotas. Isso sequer chega a ser viável. Iam se esconder até quando? Viver como? Infelizmente a vida não é fácil assim! Não dá para se largar toda uma vida construída por sonhos mal planejados.
— Claro que dá! — gritou de volta — Você não está entendendo. Tudo o que quero que compreenda é que não são coisas que devemos nos meter. É tarde demais e se eles não querem fazer nada para parar toda essa situação, não somos nós quem iremos conseguir. Tudo depende deles, por isso, as escolhas são deles.
— Bom, talvez você esteja certo — falei tentando acabar com a discussão ridícula, nem chegava a ser coerente — Mas... — dei uma pausa e o olhei determinada — Também tenho minhas escolhas e nesse momento minha escolha é acabar com esse casamento. E a sua é aceitar e me ajudar ou não aceitar e morrer. E aí, qual a sua escolha?
Ele revirou os olhos, indignado.
— É como dizem: “Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na calmaria e na desordem, na liberdade e na imposição”.
— Não dizem isso — arqueei as sobrancelhas e ele deu de ombros.
— E daí? O que importa é a parte “Prometo ser fiel, amar e respeitar por todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe”, o que fica no meio é a gente quem decide.
Sorri de maneira terna e beijei seu rosto.
— Já sabe até o que falar?
— Tem que estar preparado — sorriu — Ainda mais com uma noiva psicopata afim de acabar com o casamento do amigo.
— Está comigo? — perguntei alargando meu sorriso.
— Quando não estou?
— Eu te amo Jellal.
— Também te amo futura Senhora Fernandes.
—♥—
Natsu
Fui para o meu quarto. O dia já havia rendido muita coisa ruim para mim. Mas o que ainda mais doía era lembrar-se de Lucy. Ela nem ao menos pareceu corresponder tudo o que eu falei. Talvez eu estivesse me iludindo demais. Ela escolheu não me esperar. Eu tenho que aceitar e deixá-la seguir em frente. Quem sabe um dia a gente ainda se encontre... quem sabe.
Andei até a janela e me apoiei nela. Dali eu podia enxergar uma grande área. E dentro dessa área estava Lucy. Lucy sentada em um banco na areia. Fiquei desconcertado ao vê-la lá no sereno e na escuridão. Só podia enxergar sua silhueta e seus cabelos brilhantes, mas eu sabia que era ela. Não havia mais ninguém que brilhasse tanto... para mim. Fiquei a observando, e pensando se eu deveria ir lá. Eu sei que não, mesmo assim gosto de sonhar. Esqueça. Falei dando meia volta e indo para a cama.
Ela não quer me ver, provavelmente quer ficar sozinha. Por mais que eu não aceite nosso ponto final, tenho que aceitar que talvez ela não me queira ao seu lado.
Olhei para o teto por horas. O silêncio chegava a ser um consolo. Ainda tinha que me preocupar com a ameaça daquela versão mal feita da Pucca. Fala sério. Sinto que esse casamento vai provocar muitas conseqüências. Só espero que elas sejam boas de alguma maneira.
Toc Toc Toc
Ergui meu corpo e fitei a porta. Quem seria? Está tarde. Olhei para o relógio e vi que ele marcava 23:00. Ainda? Talvez não seja tão tarde assim. Respirei fundo.
— Pode entrar, tá aberta.
A porta se abriu vagarosamente, e por um momento dentro de mim, implorei que fosse Lucy. Consegui até vê-la entrando pela porta, abrindo seu sorriso enfeitiçador e dizendo o quanto se arrependia por sua resposta. Sonhei demais. Era Yukino.
— Oi Yuki, está tudo bem?
— Oi Natsu... — murmurou baixinho e fechou a porta — Sei que não gosta da ideia, mas meus pais realmente não ligam... Posso dormir com você?
Meu coração congelou. Seu olhar era triste e comecei a me perguntar o porquê. Comecei a rever todas minhas ações. E percebi que era um péssimo noivo. Mal passei o dia com ela. Anteriormente eu faria de tudo para inventar uma desculpa, mas agora... Porque eu teria que inventar algo? Eu fugia por Lucy. Fugia porque lá no fundo eu esperava que caísse uma bomba que fizesse esse casamento ir ao chão. Fugia por que eu esperava pela mulher que eu amo. Mas nada me prende agora.
— Claro, deita aqui — sorri e bati ao meu lado na cama. Ela alargou um sorriso e logo se ajeitou.
Ver ela sorrindo por algo tão simples quanto ficar do meu lado fez meu coração se reerguer um pouco. Imaginei que realmente eu poderia dar uma chance a mim e a Yuki. Mas quando adormeci, não consegui deixar de sonhar com uma vida completamente diferente.
Eu adorava dormir e sonhar com a Lucy. Também adorava acordar e me lembrar dela. Não sei por que estou pensando nisso... acho que esqueci de dizer à ela...
Tudo bem, eu já sei que não é certo,
pedir pra você ficar por perto
sei que teu caminho segue outra estrada
quando for embora deixe no chão suas pegadas
e agora o que é que eu vou fazer?
se não tem nada, nada, nada que eu possa dizer...
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