Destino Das Fadas
52 Capítulo 49 — Armações – parte I
Notas iniciais
Capítulo 49 — Armações parte I
Não sei por quanto tempo fiquei sentada diante do mar, mas pareceram passar apenas segundos. O vazio dentro de mim era tanto, que nem mesmo o vento gélido me incomodava ou a areia fria em meus pés. Já chorei inúmeras vezes por Natsu, mas dessa vez era totalmente diferente. Porque eu fiz a escolha do ponto final.
Esfreguei minha mão em meu próprio braço, sentindo minha pele gelada por causa da brisa. Por dentro eu rezava a cada segundo para que esse vento levasse embora todas essas mágoas dentro do meu coração. Então percebi que era tarde demais para isso, eu sei, essas mágoas vão me acompanhar por muito tempo. Porque é uma mágoa de mim mesma, por ser tão fraca. Apesar de tudo até me sentia um pouco orgulhosa... eu não acabaria com nenhuma família.
— Por Deus Lucy, está louca de ficar aqui? — a voz de preocupação de Ayaka-san ecoou.
Ela ficou em minha frente, olhei para ela com meus olhos inchados e desviei o olhar. Adoro a companhia da tia, mas eu realmente queria ficar sozinha. Ela se agachou para poder me ver melhor e pôs a mão em meu joelho.
— Ei meu anjo, não fique assim. As coisas não saíram como você queria não é? — disse com a voz calma e carregada de carinho.
Olhei para ela, já sentindo minhas lágrimas escorrerem pelo rosto. Eu havia parado de chorar, mas ao me lembrar de tudo e vê-la preocupada comigo, não consegui segurar. Assenti com a cabeça, e ela me abraçou forte.
— Calma, calma — sua voz terna tentava me consolar, enquanto ela acariciava minhas costas — Às vezes os problemas parecem ser maiores do que nós, nos desarmam, nos magoam, mas você tem que acreditar que é bem mais forte que isso.
Afastei-me de seus braços e a olhei, sem ligar para as lágrimas que não paravam. O desespero dentro de mim era tanto, e eu precisava tanto falar sobre isso que o desabafo saiu inconscientemente.
— O que eu faço, tia? O... o que eu vou fazer agora? — falei entre soluços e gaguejos — Ele disse que me ama! Que sempre vai me amar... eu... eu fiquei tão feliz e mesmo assim... não soube o que falar. Mas eu tenho tanto a falar. Eu o amo tanto, tanto, e só por saber que espero um filho dele, eu o amo mais ainda. Amo tanto que me machuca, e penso que talvez... Como vou conseguir ser feliz? Eu... escolhi seguir sem ele, e achei que era o certo, mas então porque dói tanto? Porque tia?
Ela me olhou com uma compaixão sem fim. Eu sabia que ela não saberia a resposta, mas colocar tudo isso em palavras já era um alívio.
— Meu amor — começou a falar após um silêncio, olhei para ela — Até agora eu tenho conversado com você como uma amiga, mas quero que me escute agora como a tia do Natsu, tudo bem?
Assenti com a cabeça sem saber o que esperar sobre isso.
— Não sei como você interpreta o “Eu te amo” do Natsu, pode ter até mesmo várias interpretações, mas vou te dizer o que eu penso sobre isso — continuou a falar com a voz calma, e meu coração começou a acelerar — Ele vai se casar daqui a quatro dias, a família dele depende desse casamento, e por mais confuso que ele esteja, ele não hesitou em dizer que te ama. Eu não acho que ele diria isso sem ter absoluta certeza. Ou seja, apesar de todo o caos que ele tem vivido mesmo assim ele não tem dúvidas que ama você.
Não faço ideia de onde ela queria chegar. Não sabia se a intenção era ajudar meu coração ou destroçá-lo de uma vez por minhas más escolhas. Mas ouvir tudo isso fez meu coração se apertar, não sei se é de felicidade ou angústia. E bem no fundo eu realmente desejava que cada palavra dela fosse verdade.
— Agora me responda Lucy — olhou nos meus olhos de maneira firme — Você realmente acha que ele não estaria disposto a jogar tudo para o alto por você? A única certeza da vida dele?
Fiquei em silêncio. Porque eu não sabia o que responder. O que eu deveria dizer? O que eu deveria fazer? Correr até ele, dizer o quanto eu o amava, e para deixar sua família na mão por mim? Não tenho essa coragem. Mas mesmo não tendo essa coragem, o vazio dentro de mim começou a se preencher.
— Não precisa me responder — disse abrindo um sorriso fraco — Responda a si mesma. E agora como sua amiga, peço para se preocupar com a sua saúde e com esse bebê que está por vir. Reflita se você quer mesmo que esse filho fique sem o pai, que com certeza o amaria muito. Vai pensar?
Assenti com a cabeça e ela alargou o sorriso. Após isso, ela me arrastou para dentro da pousada novamente. Tentou o caminho todo me fazer rir, e até que conseguiu. Mas meus olhos vermelhos não escondiam o quanto eu havia chorado.
[...]
Passei pela porta da pousada e logo dei de cara com Natsu. Droga. Ele ia sair quando eu ia entrar. Parei no mesmo momento que ele e nos olhamos. Não queria que ele me visse assim. Mas ele não pareceu notar tanto, parecia apavorado.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntei com a voz baixa, mas preocupada.
Ele estava ofegante, quase podia ouvir as batidas do seu coração de tão exaltado. Tomou fôlego e disse de uma vez só:
— Wendy sumiu.
— Que? — falei num grito — Como assim?
— Não sei — respondeu um pouco alterado e desesperado — Não consigo encontrar ela em lugar algum, foi o Gray que me avisou. Vou procurá-la lá fora.
Disse isso tudo mexendo os braços, podia ver o pavor em seus olhos. Sua voz demonstrava todo seu pavor.
— Mas Natsu, está escuro, é perigoso! — tentei manter a voz calma. Entretanto por dentro meu organismo se debatia de preocupação.
Comecei a imaginar o Natsu sozinho, naquela escuridão, entre árvores e caminhos desconhecidos, procurando a Wendy. Também estava preocupada com ela. E claro, ela poderia sim estar lá fora. Minha preocupação estava dividida. Não poderia imaginar se algo acontecesse à Natsu, e também não poderia imaginá-lo sofrer se algo acontecesse à Wendy.
— O que eu posso fazer? — gritou de volta — tenho que encontrá-la. E já estava indo antes de encontrar você.
Ele estava prestes a se virar e sair naquela noite silenciosa, quando instintivamente puxei seu braço. Nem eu mesma consigo entender de onde essa coragem apareceu, mas eu o impedi. E nesse ato só pude sentir o desespero de algo acontecer ao pai do meu filho. Ele virou seu rosto espantado.
— Esqueça Lucy, eu vou de qualquer jeito — afirmou me encarando.
— Eu sei — confirmei com o corpo um pouco petrificado — Mas eu vou com você.
Um silêncio se prosseguiu após minha frase. Gray e Juvia chegaram ao local e nos olharam com dúvida. Mas não dei para trás, continuei a segurá-lo até que ele aceitasse minhas condições. Porém para minha surpresa, ao em vez disso ele soltou seu braço com força da minha mão.
— Está louca? — gritou alterado e eu não consegui entender.
Eu havia acabado de dizer que iria para um lugar desconhecido a noite só para acompanhá-lo e ele me responde assim? Não tive raiva, tive mágoa. E ele percebeu isso.
— Você vai ficar aqui — continuou com a voz mais baixa.
— Eu vou com você — repeti firme.
Nos encaramos por mais tempo. Nós dois sabíamos o quanto conseguíamos ser teimosos um com o outro. Mas ele tem que confessar, eu sempre ganhava. E dessa vez eu com certeza ganharia, nem que para isso eu o amarre em uma cama até me deixar ir junto.
— Não, você não vai — replicou com a voz irritada.
— E porque não? Eu posso fazer o que quiser. Posso andar para qualquer lugar e se você não me deixar ir com você, eu vou sozinha. Não pode me impedir — retruquei sem desviar de seu olhar ameaçador.
Ele continuou a me olhar e parecia ficar ainda mais nervoso. E já estava esperando ouvir seus milhares de xingamentos, mas ele não fez isso. Ao contrário, apenas respirou fundo e abaixou o tom, ficando quase inaudível.
— Não saía do meu lado, tudo bem?
Olhei para ele, espantada. Ele não me olhava, mas era óbvio o que aquelas palavras queriam dizer. Pude sentir um brilho surgir em meus olhos. Murmurei um “certo” e assim saímos da pousada. Juntos.
—♥—
Gray
Vi os dois saindo dali e direcionei meu olhar para Juvia.
— Ele vai me matar, não vai? — perguntei já sabendo a resposta para isso.
Juvia riu baixinho.
— Com certeza iria te matar, se ele fosse descobrir.
— Parte um: Concluída com sucesso — brinquei.
Mas acho que tive um erro de cálculos por não ter percebido que não estávamos sozinhos. A tia do Natsu nos olhava curiosa com um sorriso no canto dos lábios. Droga.
— Ora, ora — sorriu maliciosamente — Porque eu sinto que a Wendy não está perdida?
Deve ser porque ela está no meu quarto jogando Xbox, tia. Não sabia se poderia confiar nela ou não. Todo meu esforço em convencer a Wendy a não sair do quarto pelo resto da noite seria em vão, se eu deixasse algo escapar. Mas o que eu poderia dizer? “Na verdade ela tá sim, perdida durante um apocalipse zumbi na tela da televisão”. Com certeza, não daria certo.
— Olha Ayaka-san, eu sei que parece idiotice, e que isso é muito feio, mas quero deixar claro que tudo isso é pensando na felicidade do meu melhor amigo. Talvez eu esteja arruinando a vida dele em vez de concertar, mas eu quero poder dormir a noite pensando que pelo menos eu tentei alguma coisa. Confesso que meus planos são uma...
Disparei a falar, mas antes de terminar meu discurso “Tudo pelo bem maior”, ela desatou a rir. Sério, rir muito. Olhei para Juvia que parecia tão confusa quanto eu. E voltamos a olhar para a Ayaka-san.
— Tudo bem, só tenho uma condição — disse após conseguir parar de rir histericamente.
Adoro condições. Como adoro.
— Qual? — falei com a voz já vencida.
— Me deixe participar.
Hã?
— Desculpe, acho que não entendi — ponderei surpreso e pasmo ao mesmo tempo. Ela estava com um sorriso amplo no rosto.
Porém, antes que pudesse se explicar, fomos interrompidos pela entrada de uma Yukino apavorada. Entrou como um tiro olhando para todos os lados. Até finalmente parar e nos olhar.
— Cadê o Natsu? — perguntou preocupada.
E aí está o maior obstáculo de todos os meus planos. A noiva.
— Foi procurar a Wendy lá fora — Ayaka-san respondeu sem pestanejar. Olhei para ela confuso por sua resposta relâmpago.
— Não acredito! — Yukino levou as mãos até a cabeça inconformada — Vou procurá-lo — gritou quase saindo pela porta.
Vi meus planos aparecerem diante de mim, acenando e ainda dizendo “Idiota, idiota”. Mas — tão linda e esperta como eu — Juvia a pegou pelo braço. Olhei para a cena pasmo. No que ela está pensando?
— Está muito escuro lá fora para você procurá-lo sozinha — começou a falar — Você vai se casar daqui a alguns dias, ele pode acabar voltando rápido e ficar desesperado atrás de você. Natsu sabe se cuidar e se defender, que tal ajudarmos ele procurando a Wendy por aqui mesmo?
Não sei quem ficou mais surpreso. Se era eu com a minha cara de bobão olhando para minha namorada. Se era a Ayaka-san com sua expressão de orgulho. Se era a Yukino por ouvir palavras tão melódicas de uma pessoa inesperada ou se a própria Juvia que ainda não havia soltado Yukino. Mas de algum jeito deu certo. Minha namorada é mesmo perfeita.
—♥—
Lucy
Seguimos pela escuridão, passando pela praia, por alguns rochedos e finalmente nos encontramos na frente de uma densa floresta. Engoli a seco. E como ele disse, não saí de seu lado.
— Vamos mesmo entrar aí? — perguntei já sentindo um arrepio pelo meu corpo só de pensar entrar em um lugar ainda mais escuro que a própria noite. Detalhe: com lanterna do celular.
Ele estava de costas para mim e permaneceu assim por alguns minutos até finalmente se virar e me olhar. Natsu pôs as mãos nos meus ombros.
— Escute — disse num tom firme — Quero que você volte.
Seu olhar era sincero e perfurador. E por um momento me senti hipnotizada a fazer tudo o que ele queria. Mas não. Não o deixaria sozinho ali. Desviei o olhar respirando fundo e voltei a olhá-lo, colocando a mão em uma de suas mãos no meu ombro.
— Escuta — falei copiando seu termo — Não vou a lugar algum sem você.
Ele estreitou a boca em reprovação e abaixou a cabeça. Mas logo explodiu.
— Porque é tão teimosa? Não é lugar para garotas ficarem a essa hora! — irritou-se.
— Achei que tínhamos resolvido isso na pousada! — retruquei.
— Só — gritou e depois abaixou o tom — Não quero que nada te aconteça, tudo bem? Já é insuportável a ideia de algo ter acontecido à Wendy. Ela nunca sai sem avisar e hoje... hoje está dando tudo errado!
Natsu passou a fitar o chão e eu sabia que era por não conseguir me olhar nos olhos. Sabia que um dos motivos para estar dando tudo errado era eu. E me sentia culpada por isso. Ouvi seu suspiro pesado e voltei a olhá-lo.
— Estou fazendo tudo errado — disse com o olhar triste. Estava pronta para protestar quando ele continuou — Nunca sei o que fazer e aos poucos vou perdendo tudo o que é importante para mim. Estou prestes a perder a empresa da minha família, perdi você, perdi Wendy... e no fim, perdi até eu mesmo. Que droga.
Fiquei paralisada diante de suas palavras. “Perdi você”. Não Natsu, você nunca vai me perder. Essa é mais uma daquelas malditas frases que não passam de pensamentos.
— Natsu — o chamei e ele me olhou — Você não está fazendo tudo errado — tentei consolá-lo — Você se preocupa com todos, é amigável, preocupado, protetor, atencioso. Pessoas assim acabam querendo agradar a todos, e no fim esquecem de agradar a si mesmas. Mas eu sei que você vai encontrar a sua felicidade, porque você a merece. Então, tente se concentrar em você mesmo de vez em quando, tudo bem? — sorri de maneira sincera.
Seus olhos me fitaram com atenção e meu sorriso passou a ser trêmulo. Seu olhar era tão intenso que todo meu corpo poderia tremer só por estar sob eles. Um sorriso surgiu no canto de seus lábios e pude sentir seu corpo se aproximar do meu.
— Se fosse para eu me concentrar em mim mesmo, você estaria em maus lençóis agora, garota.
Disse isso e se virou para entrar na floresta. Fiquei um tempo processando aquela frase e sentindo um arrepio por meu corpo. Apenas acordei quando ele olhou para trás, me esperando.
— Você vem? — perguntou casualmente, como se nada tivesse acontecido.
Idiota. Como você fala algo assim e espera que meu coração não bata mais forte? Como ele pode mudar de atitude tão fácil? Tentei ignorar essas sensações e apressei o passo para ficar ao seu lado.
[...]
Passamos por alguns galhos velhos de árvores velhas e enormes. Andávamos sobre folhas secas, um pouco úmidas e nojentas. E meu medo era tanto que estava agarrada fortemente ao braço de Natsu, que suspirava com meu temor.
— Lucy — murmurou — Não ligo de você ficar abraçada ao meu braço como se não pudesse respirar sem ele, mas poderia fazer isso sem usar as unhas?
Olhei para ele irritada com sua ironia, e tentei relaxar os músculos tensos. Soltei minhas mãos de seus braços e cruzei meus braços na frente do corpo.
— Só para ficar claro, eu não estou com medo — menti descaradamente — Na verdade só estou tentan...
Num pulo algo comprido e estranho apareceu na minha frente. COBRA! COBRA! Soltei um grito mais escandaloso de toda minha vida e caí para trás, jogando meus braços pra frente de meu corpo em defesa.
Após algum tempo, tirei os braços da frente e olhei em volta. E tudo o que enxerguei foi Natsu olhando para minha cara, abismado. Depois desatou a rir.
— Você ficou com medo de um galho! — apontou no chão e depois continuou a rir, pressionando a própria barriga de tanto rir.
Eu poderia ficar brava com ele por rir do meu medo. Mas não consegui me conter e passei a rir junto. E assim, parecemos dois idiotas perdidos em uma floresta, rindo e apontando para um galho velho que caiu das árvores.
Depois de tantas risadas, nos olhamos e ele andou em minha direção para me ajudar a levantar. Peguei em sua mão e ergui meu corpo.
— Medrosa — debochou, ainda rindo.
Mostrei a língua para ele.
— Fui pega desprevenida, tá?
— Claro, claro.
Seguimos pela floresta escura. Ele continuava me zoando, eu batia em seu ombro, de brincadeira. E a tensão foi se passando entre nós. Isso era bom. Dava uma sensação boa, por mais ilusória que ela fosse. Até cansarmos de tanto andar. E o celular do Natsu tocar.
— Alô? SÉRIO? Onde ela estava? Que susto, porra! Manda ela me esperar acordada! Hã? Não. To na floresta. De boa cara, estou aliviado por ela estar bem. Beleza. Valeu por ligar. Falou.
Olhei em sua direção, vendo-o desligar o celular com uma expressão de calma.
— Encontraram a Wendy? — perguntei com um sorriso largo.
Ele assentiu parecendo muito mais calmo e se jogou no chão.
— Não acredito. Essa sensação é muito boa. Nossa, que susto! — disse com os braços abertos, parecendo totalmente aliviado.
É tão lindo vê-lo assim. Sempre tão preocupado. Tão fofo. Tão lindo. Acorda Lucy! Agachei ao seu lado, sem parar de sorrir.
— Viu? Deu tudo certo, não é?
Ele olhou em minha direção com seu sorriso natural que eu não via há tanto tempo. E meu coração acelerou anormalmente. Recordei-me daquelas épocas remotas, da nossa amizade forte e sobrenatural. E senti saudade.
— Sim, obrigado por me distrair. Eu teria surtado — disse se apoiando em seus cotovelos para erguer seu corpo.
— Acredite, você surtou — brinquei, fazendo ele rir.
Depois parou e me olhou. E eu sabia o que aqueles olhos diziam. Eu estava pensando na mesma coisa. Por mais impossível e surreal que essa ideia parecia, ela nos dava uma sensação de segurança.
— Você acha que... — começou a dizer um pouco hesitante.
— Se você quer tentar, eu também quero — sorri.
Ele sorriu de volta.
— Senti saudade da sua amizade.
— Eu também senti falta da sua.
—♥—
Voltamos para a pousada em meio a gritos, socos e risadas. Era divertido estar assim com ele. Podemos mesmo ser amigos. Mesmo assim era tão difícil. Porque era fácil sermos amigos, se eu não tivesse que olhar em seus olhos o tempo todo e ver que éramos muito mais que isso.
Passamos pela porta, onde muitos de nossos amigos já nos esperavam. Seus olhos curiosos pararam em nós assim que estávamos na frente de todos. Paramos de rir ao ver a pressão daqueles olhos julgadores sobre nós. Natsu limpou a garganta e se voltou para Wendy.
— Precisamos conversar, pirralha — disse voltando a sua postura séria. E saiu dali sendo seguido por Yukino, que voltou o olhar para mim algumas vezes.
Sting veio ao meu encontro parecendo irritado.
— Lucy! Não saia desse jeito, morri de preocupação! — disparou em minha direção — Você sabe muito bem que tem que cuidar do seu corpo e...
Coloquei o dedo sobre sua boca antes que ele falasse algo que não podia. Ele respirou fundo.
— Não faça mais isso — pediu emburrado.
— Desculpa por te preocupar — sorri de maneira fraca.
Depois seguimos para o quarto. E o pessoal foi saindo aos poucos vendo que a confusão havia sido resolvida. Mesmo assim sentia muitos olhares tortos sobre mim. Acho que aparecer do nada aos risos com o noivo não causava uma boa impressão. Mas estava tudo bem. Éramos amigos novamente. Ele vai se casar. Eu vou viver... Está tudo... bem...
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