Destino Das Fadas

49 Capítulo 46 — Pré-casamento – parte II


Notas iniciais
OIII GALERA LINDA! ♥
A felicidade está transbordando de mim!
Quero agradecer a todos que comentaram ♥ A todos que opinaram sobre a terceira temporada (vou falar sobre isso nas notas finais) ♥
Deixo ainda um agradecimento especial às minhas três lindas e maravilhosas leitoras que recomendaram DDF ♥
Primeiramente, à Sara, minha louca do core, que com muito esforço e suor chegou ao capítulo atual. Muito obrigada por cada palavra sobre a fanfic, sobre mim, fiquei super feliz. Você sabe que estará sempre em meu coração ♥ Amei, de verdade.
Segundo à Cris ♥ minha leitora super fofa que reativou a conta do Nyah e passou a comentar cada capitulo. Isso com certeza se transforma em incentivo para qualquer autor. Muito obrigada, eu amei. E é ótimo tê-la por perto. Obrigada ainda a cada elogio que você se referiu a mim, me emocionaram demais ♥
Terceiro à Emily ♥ minha leitora a muito tempo, sempre me acompanhando, sempre me incentivando. Obrigada. Obrigada por cada palavra, cada elogio. Amei ♥
De modo geral, muito obrigada meninas. Fico ainda mais feliz por ver o carinho que vocês demonstram tanto para a fic tanto comigo. Adoro receber seus comentários, para rirmos e chorarmos. ♥
E vai que já enrolei pra caramba, vou enrolar mais um pouco, agradecendo imensamente à Jessy ♥ Não poderia deixar de citá-la. Minha flor, super simpática, ótima escritora e ainda mega carinhosa. Eis que eu entro no Nyah e vejo um comentário maravilhosamente emocionante. Obrigada. por me acompanhar, me incentivar, motivar, opinar e sempre estar do meu lado ♥
Agora é só! HSUAHSUIAHSA
Boa leitura amores ♥
Ps. tem link de música perdido aí no meio.

Capítulo 46 — Pré-casamento – parte II

Apesar do motivo de eu estar neste lugar ser algo que me incomoda, não posso deixar de admitir que essa ilha é perfeita. Para ajudar, o sol brilhava fielmente acima de nós e ventava numa intensidade coerente para não ficar tão calor. Além disso, o vento trazia consigo o cheiro salgado do mar, os pássaros cantavam em sincronia com o ambiente e a calma era tanta que poderia pensar estar sonhando.

No começo fiquei um pouco receosa sobre pôr um biquíni. Tive medo sobre mostrar minha barriga, era quase expor meu bebê. Porém, Levy e Sting insistiram em dizer que eu não havia engordado nada e que provavelmente seria uma daquelas grávidas que ficaria apenas com uma bola na frente da barriga. Eu pude rir disso, e era bom poder falar e rir sobre isso, apesar de não ser com a pessoa que eu gostaria. Bom, o resultado é que eles venceram. Sabe como que é né? É muito difícil me convencer por um biquíni, um óculos de sol e aproveitar uma praia com uma paisagem maravilhosa. Com certeza, muito difícil.

Ficou livre para os convidados fazerem o que quiserem. Mas como os... noivos — essa expressão ainda machuca só de pensar — resolveram ir para a praia, todo mundo resolveu acompanhar. Tentei ignorar tudo e todos ao deitar embaixo de um guarda-sol e começar a apreciar todo aquele paraíso. Esquecer casamento, esquecer pai surtado, esquecer conversa estranha com a Ayaka-san, esquecer faculdade, esquecer novo chefe rabugento, esquecer tudo. Tudo menos meu bebê. E ali era um momento só nosso.

Olhando para o mar em suas ondas calmas, ouvindo o som da brisa e o bater das ondas, sentindo a areia que tocava em minha pele por causa do vento, tentei criar uma comunicação. Entre filho e mãe. Ainda não sabia o sexo, não sabia o nome, não sabia como seria minha vida dali para frente quando esse bebê viesse ao mundo, mas eu sabia como a única certeza que já tive na vida que eu o amaria. Amaria como amei o pai. Como eu amo, para ser mais exata. Compreendo que será complicado e que no começo talvez eu falhe muitas vezes como mãe, mas nunca me senti tão preparada para algo. E eu quero, quero poder cuidar tão bem desse bebê como não cuidei do meu amor pelo Natsu.

Por pensar em Natsu... Ai Meu Deus. Ele apareceu. De bermuda. Óculos escuros. Sem camiseta. E parecendo mil vezes mais gostoso do que a última vez que o vi assim. Quero dizer, mostrando boa parte do seu corpo. E por mais que eu tentasse não olhar, era impossível. PORQUE ELE TINHA QUE SER TÃO LINDO? Sempre o considerei mais bonito que a maioria dos garotos. Mas agora havia algo diferente. Não sei se era aquele abdômen maravilhosamente definido. Se eram seus ombros e braços musculosos. Se eram aquelas pernas divinas, que dava uma incrível vontade de arrancar aquela bermuda que atrapalhava na visão de seus membros. Ou até aquela cicatriz sexy que ele tinha no pescoço desde sempre — que por sinal eu amaria morder —, não sei. A questão é: eu queria tocá-lo. E apenas por pensar nisso, algo acontecia no meu corpo que fazia a região entre minhas pernas latejar e querer ainda mais lamber aquele corpo inteirinho.

Não sei por quanto tempo me perdi em pensamentos indecentes, ou por quanto tempo o fitei como se quisesse devorá-lo — deixando de lado a parte de eu realmente querer isso —, mas fui puxada de volta para minha sanidade pela pessoa que eu mais queria ver no momento: Yukino. Ela se aproximou com seu biquíni azul-piscina todo bordado e elegante. Nossa, ela tem um corpo incrível. Aposto que o Natsu adora se perder nas curvas dela. Merda. Já estou triste novamente.

— Oi Lucy, gostando do lugar? — Yukino perguntou ao se aproximar juntamente com uma morena.

— Sim, aqui é maravilhoso — respondi com sinceridade e voltei meu olhar para a morena. Não a conhecia, então provavelmente fosse convidada de Yukino.

Yukino seguiu meu olhar e sorriu.

— Quero te apresentar minha melhor amiga, Minerva — Apresentou-me toda empolgada — Ela é da mesma cidade que eu, e nos conhecemos desde pequenas. Estava muito animada para apresentar vocês duas. Assim como você, ela também é minha madrinha de casamento, seria ótimo se vocês se dessem bem.

Sempre que conhecemos alguém novo, temos aquela primeira e pequena impressão geral sobre a pessoa. E nesse caso, a primeira sensação que tive sobre a tal “Minerva” era que ela não era flor que se cheire. Não sei nada sobre ela e nunca a vi na vida, mas seu sorriso falso ao me estender a mão mostrava muita coisa que palavras e momentos não mostrariam. Ao contrário de Yukino, ela não parecia nada meiga ou até mesmo fofa, estava mais para arrogante e metida.

— Um prazer conhecê-la Minerva — tentei sorrir e ignorar todas essas sensações ruins.

O maior problema dessas primeiras impressões é que muitas vezes erramos quanto a elas. Pensamos algo sobre a pessoa e no final a pessoa é muito diferente e muito melhor. Só que quando essas impressões estão certas, no mínimo a pessoa esbanja coisa ruim. Por meu carinho à Yukino — pode parecer falso, mas não é — tentei dar uma chance à Minerva de me provar o contrário.

— Gente, vou lá um pouco com o Natsu. Espero que se divirtam e que sejam amigas como eu sou de cada uma de vocês! — Yukino afirmou toda sorridente e correu até Natsu, pegando em seu braço perto do mar.

Queria poder dizer que estava feliz por eles. E eu diria se isso fosse verdade. Mas ver aquela cena dos dois perto do mar, se abraçando e se beijando, meio que embrulhava meu estomago e me dava uma vontade imensa de chorar. Desviei o olhar e por sorte estava com óculos de sol para não mostrar meus olhos que começavam a lacrimejar. Respirei fundo e foquei em mudar a imagem que tive de Minerva.

— Então, vocês se conhecem há muito tempo? — perguntei quase que retoricamente por Yukino já ter comentado, mas não encontrei outra maneira de se iniciar uma conversa senão por algo que não fosse comum a nós duas.

A resposta demorou a vir. Então a olhei, e segui teu olhar. Ela olhava em direção à Natsu e Yukino. Por um momento imaginei que estivesse orgulhosa por ver sua amiga quase casada. Mas percebi que me enganei assim que ela abriu a boca:

— Nossa. Esse Natsu é um pedaço de mau caminho mesmo hein?

Não preciso nem dizer que minha boca caiu lá embaixo. Espera aí... ela disse mesmo isso? Tentei não mostrar minha indignação. Convenhamos que eu também ache Natsu um pedaço de mau caminho e quem poderia não achar? Mas eu nunca diria isso em voz alta. E ela é a MELHOR AMIGA da Yukino. Eu sou uma madrinha por tabela. Bom, talvez ela tenha apenas divagado. Sei como a beleza de Natsu pode nos cegar. Em todos os sentidos.

— Yukino tem mesmo sorte, não acha? — mudei o rumo da conversa.

— Eu diria que ele que tem azar — disse indiferente. Quase tive que conter um palavrão que me veio em mente — Olha só para ele, conseguiria qualquer mulher que quisesse, mas vai se casar com a Yukino. Ela nem é tão bonita, quase não come para manter aquele corpo e vive em salão de beleza. Qualquer uma fica bonita assim.

Ok. Ela é uma vadia.

— Não vejo problema nisso. É a maneira que ela encontrou para se sentir bem, então se a faz bem, não tem porque não gastar em salão de beleza e comer pouco. Além disso, os homens gostam de ver o quanto as mulheres sacrificam só para tentar agradá-los — falei sem tentar demonstrar a irritação que crescia dentro de mim.

— Sei, sei... — comentou com desdém — Mas ela deve ser horrível na cama. É toda dura, eu poderia levá-lo a loucura só com um sexo oral.

Puta que pariu. Agora é certeza. Ela é uma biscate de primeira. Quase tive náuseas com essa frase. Levá-lo a loucura com... ARGH! Eu a torturaria e a mataria antes que tentasse tocá-lo com essa boca nojenta. Que horror. Minhas impressões estavam erradas! Ela é muito pior do que somente arrogante e metida. Ela é uma vaca! Com todo respeito às vacas.

— Olha aquele outro — voltou a falar seguido do meu silêncio. E para minha surpresa ela olhava para Jellal. Pobre coitada. Se vai querer rumar esse trilho, vai se encontrar com a fúria do demônio ao final e verá a luz rapidamente — Que delícia — disse enquanto passava a língua entre os lábios.

Aimeupai. Alguém me tira do lado dessa maluca. Eu poderia vomitar ali mesmo. Nunca me senti tão desconfortável quanto me senti ao conversar cinco minutos com ela. O adjetivo “puta” não seria o bastante para descrevê-la. Nunca conheci alguém tão repugnante quanto ela.

— Posso fazer companhia para a Lucy por um momento, minha jovem? — uma voz transcendeu para me tirar do inferno. Ali estava minha anja da guarda, mais conhecida como Ayaka-san.

— Pois não — Minerva murmurou e se levantou de onde estava sentada — Tenho alguns assuntos mais interessantes — mordeu o lábio e saiu.

Um arrepio nojento se passou em meu corpo. Tinha até medo do que aquilo pudesse significar, mas ignorei tudo pela boa presença que aparecera. Ao contrário de Minerva, estar com Ayaka-san me trazia um conforto sem igual. A tia — pois é, agora estou íntima, pena que só mentalmente — se sentou ao meu lado na areia. Ela usava um biquíni mais fechado. Aparentava ter uns trinta e cinco anos. Seu corpo com certeza continuava divino, mesmo depois de gêmeos.

— O que era aquela moça? Podia sentir sua aura maligna de longe! — comentou olhando para Minerva que se afastava.

Ah tia! Só você para me entender!

— Ainda bem que você apareceu, não sei por quanto tempo agüentaria — sorri em agradecimento, puxando meus óculos de sol para meus cabelos.

— Eu tenho certeza que agüentaria por muito tempo, minha querida. Sua bondade é tanta que poderia converter aquela alma perdida — sorriu de volta.

Senti meu rosto corar. Era sempre bom receber elogios. Mas não sei onde a tia via tantas coisas boas ao meu respeito. Conversamos apenas uma vez. E de alguma maneira já sentia que éramos boas amigas.

— Ou a maldade dela me enojaria tanto, até eu preferir morrer ao em vez de escutá-la — brinquei, fazendo a tia rir.

— É uma ótima garota, Lucy. Posso notar o que o Natsu vê em você...

O silêncio que sua frase sussurrada causou se prolongou por alguns minutos. Fiquei imaginando o que o Natsu poderia gostar em mim. Não sou daquelas garotas que se auto-depreciam, mas também não encontro tantas qualidades assim em mim. Tudo o que faço com Natsu é gritar, brigar, discordar e chorar. Não é uma boa imagem.

— Não sou tão boa quanto imagina, Ayaka-san — falei com a voz baixa, ainda pensativa — Não confiei nele quando deveria ter confiado, tive medo quando não deveria ter tido, briguei com ele em cada oportunidade e sem motivo, choro quase toda vez que o encontro, e quase sempre é ele quem me protege. No fim não dei nada em troca para ele.

Falei como se meus pensamentos simplesmente fluíssem em palavras. A tia olhou para mim. Seu olhar carregava pena. Ela torceu a boca e voltou a olhar para o mar.

— Sabe minha jovem, o problema dos seres humanos é que eles perdem tempo demais se culpando pelo que já foi feito. Alguns nem conseguem enxergar no que erraram. Mas você, meu anjo, guarda para você cada erro que cometeu. Você tem consciência deles, você admite e se arrepende. Isso faz de você uma pessoa boa. Não conseguiu mudar meu ponto de vista em relação a você — voltou-se para mim sorrindo e levou sua mão até o próprio peito — Você deu algo em troca à ele, sim. A motivação que muitos demoram a vida inteira para encontrar: Amor.

Parei por um tempo depois de ouvi-la. Como se deixasse suas palavras passando várias vezes em minha mente. Tentando encaixá-las com a minha vida. Fiquei com vontade de chorar novamente. Sou tão fraca. Mas suas palavras soam como reflexos de tudo que já vivi. Então respirei fundo, engolindo o choro.

— Você está falando igual a uma garota que estudou comigo, tia — falei passando a mão pelos olhos, para limpar as lágrimas que quase escorreram.

— Você me chamou de tia? Que fofa! — gritou animada. E me puxou, me sufocando em seus braços.

Às vezes ela parece ter minha idade. Isso só torna as coisas ainda mais interessantes. Todas as reflexões dela pareciam entrar no meu coração como um despertador. Era como um “Acorda filha! Corre atrás do que você quer!”. Sentia que poderia confiar nela como se fosse minha própria mãe. Mas algo nisso tudo me incomodava.

— Tia... — sussurrei ainda hesitante. Afirmar o que eu estava prestes a falar em voz alta ainda fazia meu estomago revirar e meu coração se agitar.

— Oi minha querida?

— Como... como você sabia que estou grávida? — perguntei em voz baixa e olhando para os lados. Ela me olhou e abriu um sorriso largo.

— Eu sabia? — devolveu-me a pergunta. Congelei. Ela continuou a sorrir e se levantou — Fico feliz por me contar algo assim. Mas vai que resolveu falar, já te digo — flexionou as pernas levemente para chegar mais perto de mim — Ele adoraria ser pai.

Meu coração acelerava mais rápido do que batida de carnaval. Por um momento sua frase me convenceu realmente que tudo isso era real. “Ele adoraria ser pai”. Essa única frase me fez repensar em todos meus planos já traçados. Não posso deixar de imaginar como seria, eu, ele e... encostei em minha barriga de leve. Nós três juntos. Ainda tenho permissão para sonhar?

Fiquei ali perdida em meus pensamentos, enquanto a tia se afastava em direção ao mar, onde começou a correr atrás dos gêmeos. Corri meu olhar sobre a praia e não tão longe dali encontrei o tio sentado. Olhando com um sorriso enorme para sua mulher e seus filhos alegres e saudáveis. Peguei-me imaginando o Natsu em seu lugar. Então fui um pouco mais longe imaginando o Natsu no mar, segurando a mão do nosso filho e me dando um beijo salgado. Uma família feliz, caminhando pela areia, enquanto as ondas do mar se arrastavam em nossos pés.

Quão longe da realidade, esse sonho está?

—♥—

A praia estava realmente boa, mas algo em todo aquele sol e areia começava a me incomodar. Apesar de o sol começar a se por. Minhas costas estavam até doloridas. Olhei mais uma vez para toda aquela cena. Natsu não estava mais ali. E a gente nem chegou a conversar. Comprei até um biquíni novo para... para nada, porque ele vai casar e não tem tempo para ficar olhando o biquíni novo que as outras mulheres que não sejam sua noiva, compram.

Respirei fundo e achei melhor voltar. Sting havia ficado na pousada. Ele me convenceu de alguma forma que não entendo a ficar no mesmo quarto que ele. As camas eram separadas, mas mesmo assim era estranho. De qualquer forma entendi que era perigoso ficar sozinha. Ele ficou tão animado que ficou lá arrumando “nosso” quarto. Comecei a juntar minha toalha, meu protetor solar e todos os apetrechos que levei para a praia, para sair dali. Então uma sensação muito ruim me invadiu. Olhei para os lados. Encontrei Yukino. O que quer dizer que Natsu está sozinho. Olhei mais uma vez em todas as direções. Minerva. Ela sumiu também.

Vaca maldita. Se ela encostar um dedo no Natsu ou até mesmo aquela língua nojenta, vou trucidá-la. Apressei-me em socar tudo em minha sacola de praia e corri para a pousada. A raiva era tão iminente em mim que não perdi tempo em guardar minha sacola, assim que entrei joguei no chão da sala de estar principal e comecei a andar entre os cômodos. O primeiro andar era puramente de salas públicas. Como sala de estar, sala de jogos, cozinha, sala de jantar e recepção. Só então reparei como o lugar era enorme. As salas estavam meio escuras. Maldito horário em que se acende a luz fica estranho e se deixa apagado fica escuro.

Isso não era o bastante para me impedir. Queria encontrar Natsu. Nunca se sabe o que aquela obcecada por sexo oral podia fazer. Eu vou arrancar aquela língua fora para ela nunca mais levar homem algum “à loucura”. Não sei por que sentia tanta raiva. Mas imaginar o Natsu preso em algum lugar com aquela falsa me deixava enjoada. Poderia agüentar meus pensamentos ruins sobre ele e Yukino em momentos quentes, mas ele com aquela... AH! Que raiva.

Sala de jogos, não. Banheiros, não. Sala de jantar, não. Nossa. Voltei na sala de jantar onde acabara de passar pela porta. Tinha uma mesa enorme no centro, que se prolongava de uma ponta a outra. Era linda. Toda de madeira que dava uma forma fina para o objeto. Cadeiras rodeavam toda a mesa. Estava tudo enfeitado. Nada muito exagerado. Havia velas nas mesas para ser acesas. Alguns arranjos das flores que escolhi e quadros... com fotos dos dois juntos. Aqui que aconteceria o “noivado” formal de ambos. Olhei para as fotos. Eles faziam um belo casal e pareciam felizes. Havia uma foto deles num gramado. Ambos se olhando. Não sei se era um efeito da foto, mas pareciam um casal apaixonado. Então percebi que toda minha raiva não fazia sentido algum.

A questão não era Minerva. Não era Yukino. A verdadeira questão de tudo era que não era eu. E eu queria com todas minhas forças estar naquelas fotos. Queria ter até mesmo a audácia de Minerva para dizer em voz alta o quanto eu o amava, o quanto eu o queria. Queria ter coragem para dizer que estou grávida para o mundo todo. O problema não está em contar para ele. No fim, eu só estou morrendo de medo dele me virar as costas. Enquanto eu não contar, tudo não passa de expectativas. Eu agüentaria ser rejeitada por ele? É claro que não. Prefiro a dor de não saber a resposta dele, do que saber e...

Lágrimas. Porque sempre insistem em cair. Que raiva. Raiva de tudo, de mim, de todos. De Natsu! Porque ele apareceu na minha vida? Porque insistimos em passar a linha da amizade? Nada dessa merda estaria acontecendo se continuássemos como melhores amigos. Eu não estaria chorando com uma dor insuportável no peito nesse momento no mesmo lugar onde ele vai ficar noivo daqui há quatro dias. Provavelmente estaria com alguém, e o apoiaria a casar com a mulher incrível que a Yukino é. Entraria em seu casamento com um sorriso no rosto, pensando no tanto que ele era sortudo por casar com ela. Visitaríamos um a casa do outro, e contaríamos histórias engraçadas sobre o que aconteceu com a gente no futuro. Mas essa não é a verdade.

Estou sozinha. Com lágrimas infinitas guardadas em meu coração. Esperando um filho de um pai que nem imagina o que está acontecendo. Onde fui errar tanto? Todos meus planos de viver uma vida normal se acabaram. Toda aquela história de se formar, encontrar alguém que eu ame, me casar, aproveitar e aí sim engravidar foi por água abaixo. Nunca me sentia tão... tão frustrada. Só queria que alguma coisa significante acontecesse para me tirar desse vazio.

Limpando as lágrimas inutilmente sai daquele lugar que me deixava tão deprimida. Olhar aquelas fotos não ajudava em nada. Entrei na sala ao lado, passando a mão várias vezes em meu rosto. Então escutei um barulho. Assustei-me um pouco e olhei para a frente. Meu coração acelerou imediatamente. Natsu estava em cima de um banquinho tentando alcançar algo sobre as estantes.

— Natsu? — deixei escapar minha surpresa em voz alta.

E como déjà vu, Natsu se virou apressadamente assustado com a minha voz. Foi como rever a mesma cena depois de anos. Sem conseguir escapar do que estava para acontecer novamente. Ele se desequilibrou e em fração de segundos, apenas fechei os olhos e senti seu corpo me acertar em cheio.

Minha cabeça dói, meu corpo dói. Abri meus olhos com dificuldade e encontrei aqueles malditos orbes cor ônix e sedutores, olhando diretamente para mim. Não consegui raciocinar em qual posição estávamos, mas estávamos perto. Perto o suficiente para sentir seu cheiro. Perto o suficiente para paralisar meu olhar no seu. Perto suficiente para minha pele molhada tocar a sua. Perto suficiente para eu sentir seu membro friccionar meu corpo. Perto suficiente para me beijar...

— Droga, Lucy... — murmurou com a voz mais sexy que pude ouvir — estou com um grande problema aqui.

— O-o que foi? — sussurrei com a voz trêmula. Infelizmente não era apenas a voz. Todo meu corpo estremecia em baixo do corpo de Natsu.

Ele se aproximou um pouco mais, sem deixar seu olhar do meu. Nossos olhares pareciam nos puxar ainda mais para perto um do outro. Para que mentir? Seu corpo inteiro me puxava para si. Então seu nariz encostou-se ao meu e com a voz baixa, ele sussurrou:

— Estou com muita vontade de te beijar...

Meu corpo se convulsionou apenas com essa frase. Meu coração batia forte e minha respiração estava agitadamente densa. Nossas respirações se misturavam, nossos cheiros se confundiam. A atração era tanta. O confronto entre razão e coração era acirrado.

— Essa situação me lembra tanta coisa... — falei quase em um gemido. Minha voz queria me abandonar. E minha razão estava prestes a me dar tchau.

— Nosso primeiro beijo foi assim, talvez o último também possa ser? — sussurrou em meu lábio, fechando os olhos, assim como eu.

— Já perdi a conta de quantos “últimos beijos” já tivemos.

Nossa sincronia parecia exata. Podia quase ouvir as batidas de seu coração que acompanhavam as batidas do meu. Mordi meu lábio, mantendo os olhos fechados, e apenas sentindo sua respiração tão acelerada quanto a minha. Em um segundo pude ouvir seu coração pulsar ainda mais rápido. Então eu soube que sua resposta viria.

— Talvez seja porque não exista final — disse em um suspiro e então... Adeus razão.

Porque o amor, o amor não precisa de razão para existir.

Quero apenas que esse sentimento seja eterno
Eu quero estar aqui eternamente
Eu posso ver que você é tudo que preciso
Apenas esse momento será eterno

Notas finais
Não falei que as coisas iriam pegar fogo? haha *-*
Bom meus queridos, peço desculpas pelo atraso com as reviews, resolvi escrever os capitulos ao em vez de respondê-los. Mas saibam que leio palavra por palavra do que vocês mandam e transformo tudo isso em capitulos novos. Cada incentivo, cada ideia, cada vírgula. Obrigada ♥ Vou respondendo aos poucos ok?
Bom, vamos ao assunto polêmico. Terceira temporada. Fazer ou não fazer, eis a questão. Depois de muito pensar cheguei a uma conclusão... e não, não irei fazer uma terceira temporada. Seguindo o conselho de muitos de vocês, percebi que talvez ficasse repetitivo e pudesse acabar com o encanto de vocês. E também, porque já tenho capítulos prontos de uma nova fic que vem por aí. Perdão se criei expectativas em alguns, mas prometo não desapontar, ou pelo menos tentarei ao máximo. E assim espero contar com vocês em fanfics futuras (:
Obrigada por cada opinião meus amores. ♥
Espero vocês nas reviews ~