Destino Das Fadas
45 Capítulo 43 — Escolha única
Notas iniciais
Não atrasei o capitulo de hoje! UHUL! Tudo porque vocês merecem! :3
Bom, vamos lá. Meus amores, muito obrigada por todos os comentários e por não me abandonarem por ser incompetente T_T Amo vocês ♥
E... HELO CHAAAAAAN! ♥ Amei a recomendação, sério ♥ I love u ♥ Muito obrigada, fiquei super feliz! *000* Minha mais nova adorada leitora! ♥ Agradeço de todo coração!
Fico muito contente por DDF estar agradando. Tenho me esforçado muito e nossa, vocês só me incentivam, sempre e sempre ♥
Boa leitura queridos ♥
Tem link de música.
Capítulo 43 — Escolha única
Natsu
Comecei a abrir meus olhos. Minha cabeça está encostada em algo nada confortável e por isso dói muito. Ainda não consigo enxergar nada. Está escuro demais. Onde estou? Terminei de abrir os olhos. E tudo que enxergava era um breu sem fim. Quanto tempo eu dormi? Que porra de lugar é esse? Estava começando a me desesperar quando senti que minha mão se segurava a algo morno. Então me lembrei: Faculdade, Lucy, Sala de enfermagem.
Ainda estava segurando a mão de Lucy. Mas a escuridão era tanta que eu mal podia vê-la. Eu estava com a cabeça apoiada na maca em que ela está deitada. Péssima posição para se dormir. Sua mão está um pouco fria. Será que ela está com frio? Como não? Esse lugar é terrível. Meus olhos começam a se acostumar com toda aquela pretidão. Consigo enxergá-la melhor. Seus cabelos loiros bagunçados, seus olhos fechados mostrando seus cílios alongados. Sua face mostra uma tranqüilidade sem fim.
Tranquilidade demais para ser mais sincero. E de repente uma sensação terrível me invadiu. Como pude dormir? Ela estava passando mal! Sua mão está fria. Meu coração se acelera num ritmo paranóico. Aperto sua mão, mas ela não reage. Desespero. Estou conhecendo bem o conceito ultimamente. Levantei, me desvinculando de sua mão, e a coloquei em cima da maca. Fiquei olhando para Lucy. Ela está pálida.
— Lucy, por favor, acorda! — comecei a falar, aflito.
Ela não respondeu. Minha respiração está tão forte e meu coração pulsa tão depressa que eu poderia ter um ataque cardíaco bem ali. Mas não podia. Lucy precisa de mim.
— Lucy, Lucy — continuei. Encostei em sua face, esperando qualquer reação da mesma — Ei, para de brincadeira, fala comigo. LUCY!
— Porque você está gritando tanto? — resmungou.
Graças a Deus! Joguei meu corpo para trás em alívio, me sentando na cadeira. Puta merda! Que susto. Esse desespero de agora ultrapassa em pelo menos mil vezes o desespero de me casar obrigatoriamente daqui a uma semana. Que sensação terrível. Porra, que susto.
— Não faça mais isso — falei voltando a respirar. Meu coração ainda não voltava ao ritmo normal.
— Isso o que? — perguntou virando seu rosto para mim.
FINGIR QUE TÁ MORRENDO! Isso era o que meu interior angustiado queria gritar. Mas me contive em dizer:
— Nada. Como está se sentindo? — me aproximei para pegar em sua mão novamente.
Era uma boa desculpa para pegar em sua mão. Uma coisa incrível que reparei é o quanto isso me acalma. Poder senti-la. Minha respiração até se tornou menos pesada. Mas meu continuava coração acelerado, só que de uma maneira boa.
— Estou melhor, dormimos por quanto tempo? — questionou ao olhar para os lados e ver o quão escuro estava.
— Hummm... — falei tentando pegar meu celular. Finalmente o encontrei, cliquei no botão para a tela se acender — NÃO ACREDITO! — gritei.
— Ai Natsu, você anda muito escandaloso — reclamou. Apenas a fitei.
— Aprendi com você. Desde quando rouba minhas falas?
— Engraçadinho — disse ironicamente, sem deixar de sorrir — Que horas são?
— Apenas duas da manhã — respondi.
— O QUE? — ficou abismada.
— Quem que é o escandaloso agora?
[...]
Depois de ficarmos discutindo coisas banais como sempre, ajudei Lucy a levantar da maca. Ela disse que estava melhor. Esse foi um dos tópicos de discussão. Porque ela não parecia muito melhor, e eu continuava preocupado. Depois ela disse que estava sem sede quando eu a ofereci água. Esse também foi uma das discussões. Porque diabos essa loira é tão teimosa? Parece que faz de propósito para me contrariar.
— Como é que você deixou isso acontecer? — resmungou, após tentarmos abrir a porta e nos certificarmos que estava trancada.
— Eu? Você passa mal do nada, não me deixa te levar pro hospital, reclama de tudo o que eu faço, e é claro, a culpa é minha de acabarmos trancados em uma sala de enfermagem nessa escuridão. E que porra de responsável é esse pelas portas, que nem certifica se tem pessoas dentro das salas antes de trancá-las?
Encostei-me a uma das paredes de braços cruzados. Lucy se sentou em uma das macas. Não havia muito o que fazer, além de esperar ou enlouquecer brigando. Como podem reparar, a gente sempre acaba ficando na segunda opção.
— Não tenho culpa de ter passado mal! E como o pobre coitado pode imaginar que vai haver pessoas numa sala inutilizada?
— Então porque ele a abriu? — retruquei indignado — Acho legal como ele é um pobre coitado, enquanto eu sou o vilão da história — ela ia falar algo, mas eu continuei — E você é culpada sim, por não me contar que merda tá acontecendo com você! Porra, to preocupado pra cacete. Até achei que você ia acordar morta aí. Que merda Lucy! Morro de medo de te perder e você nem liga! — falei agitado e um silêncio se fez após isso.
Exagerei. Sei disso porque ela ficou quieta. E quando ela faz isso no meio de uma discussão, ou é porque falei merda, ou porque falei merda. Ou seja. Sou um idiota. Mas às vezes esse desespero e angustia parece me consumir e simplesmente querem sair por meio de palavras. O que na maioria das vezes é uma péssima ideia. Ela abaixou a cabeça, pensativa.
— Desculpa — murmurei — Me exaltei.
Sai de onde estava e andei até ela. Que continuou imóvel fitando o chão. Fiquei em sua frente, mas ela não ergueu o olhar. Sou mesmo um inútil. Olho para ela desse jeito e tudo que consigo pensar é “Continua gritando comigo, briga, resmunga, me culpa, me bate, mas pela amor de Deus, não faz esse olhar de tristeza”. Então ao em vez de falar isso, apenas a abracei.
— Desculpa, amor. Me perdoa, não deveria ter falado desse jeito com você — sussurrei em seu cabelo.
Após alguns segundos, ela passou seus braços em volta de mim. O que fez eu me sentir muito melhor. Encostei minha cabeça na dela ao lado. E ficamos assim, em silêncio por alguns minutos, apenas compartilhando calor naquela noite estranha.
— Me desculpa também... — murmurou após algum tempo.
— Porque está se desculpando? — perguntei sem soltá-la. Ela também não queria me soltar.
— Por falar verdades para você, sei quanto dói — brincou. Deixei escapar uma risada natural.
— Essa é a Lucy que conheço. Irônica, palhaça e incrivelmente boa nisso.
Ela riu baixinho para meu alívio. Pude sentir seu corpo se movimentando sobre meu peito quando ela riu. E essa sensação era indescritível. Ter ela em meus braços. Ouvir sua risada abafada em meu peito. E se esquecer de todo o resto. O problema é que... “o todo resto” não se esquece de nós e logo meu celular começou a vibrar. Droga. Não queria soltá-la... e nem vou.
— Você devia atender — disse sobre meu peito.
— Devia.
—♥—
Dormimos novamente. Só que dessa vez, abraçados em cima de uma maca. Minha cabeça agradece. Abri os olhos e vi que o dia começava a amanhecer. Olhei para o lado e vi o rosto sereno de Lucy. Ela é linda. E parece milhões de vezes mais tranquila, dormindo. Fiquei pensando se deveria acordá-la ou não. Achei melhor não, mulher quando acorda é pior que leão em jejum. Apenas me ajeitei para ficar numa posição mais confortável. Ela se mexeu também e abriu os olhos. Plano fracassado. Será que me movimentei muito bruscamente?
Suas mãos estavam em meu peito. Ela ergueu o olhar até o meu e sorriu de leve.
— Bom dia chatinho.
Não consigo explicar. E talvez nem o sorriso enorme que se abriu na minha cara consiga. Nem a vontade de beijá-la incondicionalmente ali mesmo. Ou agarrá-la sem me importar com nada. Tudo o que entendo é que acordar ao lado dela, me trazia felicidade. Uma felicidade que achei que não poderia ter mais. Penso como algo tão simples pode ser tão realizador. Então encontro a resposta em seu sorriso.
— Bom dia chatinha, dormiu bem? — respondi lhe dando um beijo na testa.
— Para uma maca, pode-se dizer que sim — sorriu.
— Já acorda com esse bom humor? — brinquei e ela apenas riu como resposta.
Meu celular ainda vibrava. Acho melhor eu atender antes que alguém tenha um ataque cardíaco, seja lá quem for. Sentei-me sobre a maca e peguei meu celular, até me espantar ao ver quem era.
— Alô?
— PORRA CARA, QUER ME MATAR?
— Oi Gray, e aí?
— E AÍ? — gritou alterado, até afastei o celular do ouvido — ONDE VOCÊ SE METEU? ME FALA AGORA QUE VOU AÍ TERMINAR O SERVIÇO DE TE MATAR, FILHO DA...
Ele continuou me xingando até se sentir melhor. Tentei ignorar e esperar que ele terminasse sua lista de palavrões.
— Putz velho, passei a madrugada toda tentando te ligar. A Yukino ligou aqui desesperada falando que você não voltou da faculdade. Eu tava quase indo na polícia. PRA QUE PORRA VOCÊ TEM CELULAR, MISERÁVEL?
— Eu estou bem Gray, agradeço a preocupação.
— PREOCUPAÇÃO? VOCÊ ACHA QUE FICAR A MADRUGADA TODA ACORDADO É PREOCUP... SEU CÚ DESGRAÇADO... EU DEVIA TER ACABADO COM VOCÊ ENQUANTO DAVA TEMPO... CARALHO VELHO, QUE AMIGO É ESSE?...
— Se acalma, foi mal aê. Não ouvi o celular.
— Ah, então não ouviu? — disse com o tom mais baixo e depois voltou a gritar: — VOCÊ DEVIA IR NUM OFTALMOLÓGO!
— É otorrino, Gray.
— FODA-SE.
[...]
Desliguei o celular depois de ouvir milhões de xingamentos e palavrões, até aprendi uns novos como “seu merda de elefante” ou “você tá mais fudido que cú de cachorra no ciu”. Ok. O Gray realmente exagera no palavreado. No fim apenas falei que ainda estava na faculdade e que explicaria depois. Daí ele mandou eu me fuder mais umas 20x e usou a palavra “porra” a cada fim de frase.
— Era o Gray? — Lucy perguntou, ainda deitada ao meu lado.
— Ah, deu pra ouvir? — ironizei, e ela riu. Então percebi que havia milhares de ligações perdidas de casa, da Yuki e do Gray. Olhei para Lucy: — Melhor irmos embora.
— Hum? E como fazemos isso? Quebramos as janelas, ou derrubamos a porta? — disse em tom de deboche e brincadeira. Seu bom humor me deixa admirado.
— Nenhum dos dois — falei me levantando.
Olhei ao redor e comecei a vascular a sala. Até encontrar o que estava procurando. Clipes. Tinha alguns com a papelada jogada sobre a mesa. Devem estar se perguntando como aprendo essas merdas. Então eu digo que sou amigo de Gray Fullbuster. Lucy ficou me observando de longe. Peguei dois clipes e comecei a “emoldurá-los” para conseguir destrancar a porta.
— Você só pode estar brincando — ela sussurrou, ao se sentar na maca — Posso te perguntar desde quando você sabe fazer isso?
Fui até a porta, analisando como abri-la. Assim que descobri, voltei meu olhar para Lucy.
— Desde que fiquei preso num depósito de bolas de futebol com o Gray, na 5ª série, porque queríamos brincar mais. Fomos pegar as bolas escondido e trancaram a gente.
Voltei minha atenção para a fechadura, sem ver qual era a expressão que Lucy ficou. Comecei o serviço, passando um dos clipes pela fechadura e tentando acertar o ângulo.
— E posso saber porque raios já fiquei tantas vezes presa com você e você nunca fez isso? Como por exemplo no quarto da Levy, ou no salão de eventos da escola? — ouvi sua voz inconformada.
Tinha me esquecido desse detalhe. Agora já era. Fiquei contente ao ver que ainda tinha prática no negócio. Também fiquei feliz por ela se lembrar de algum de nossos momentos passados. Mexi o clipe dentro da tranca e a porta se abriu. Levantei-me e a olhei.
— Porque eu queria ficar com você. Se eu mostrasse meus dons, não teria graça, teria? — expliquei com um sorriso e ela apenas me devolveu um olhar reprovador. Mas que eu sabia que era falso por suas bochechas terem corado.
— Você é um idiota — murmurou ainda inconformada e veio em minha direção.
— Sou. Mas pode confessar que você também gostou — continuei provocando e dei espaço para ela passar primeiro.
— Você é um tremendo idiota — deixou bem claro ao passar por mim. Mas pude ver um esboço de sorriso perdido em seus lábios.
— Sabia que iria falar isso — falei rindo — Vamos.
—♥—
Caminhamos entre os vários centros e divisões da faculdade. Conversamos naturalmente. Apesar de eu ainda estar um pouco desconfortável por suas recaídas. O que poderia ser? Porque ela não me conta? Será que o Sting sabe? É claro que ele sabe, ele estava com ela. Porque raios sou o “desinformado”? Finalmente conseguimos ver meu carro estacionado.
— Nossa, você percorreu tudo isso comigo no colo? — perguntou ao analisar a distância de onde estávamos para onde o carro estava estacionado.
— Pois é, pareceu mais perto ontem, no desespero — brinquei — Você ficou até leve.
— Eu sou leve — Retrucou irritada.
— Foi o que eu disse — tentei concertar.
Cada um foi para um lado do carro. Apertei o botão pra abrir as portas, entrei e esperei ela entrar também. Então pensei que talvez deveria ter aberto a porta para ela. Mas ela me conhece e sabe que não sou cavalheiro. E sei que não preciso fingir ser para ela ficar feliz. É ótima essa sensação... de ser eu mesmo.
— Está mesmo melhor? — perguntei para me certificar, assim que ela se sentou.
Ela me olhou com um sorriso. Devia processá-la por acelerar meu coração dessa maneira.
— Estou, obrigada por não ter saído do meu lado — disse sem graça e corada, sem me encarar.
Deixei um sorriso me escapar aos lábios. Queria que ela soubesse, que por mim eu nunca sairia do lado dela. Coloquei a chave na ignição, e dei partida no carro. Colocando o cinto de segurança. Durante o silêncio que se formou pelo percurso, comecei a fazer algumas reflexões. Não procuro nenhuma garota perfeita, nem uma vida perfeita. Tudo o que busquei a minha vida inteira... era Lucy. E cada caminho que eu tomava, era ela quem eu queria encontrar no final. Onde foi que eu errei? Será que fui pegar um atalho e acabei no caminho errado?
— Então é amanhã... — puxou assunto.
Passei a ir devagar. Minha casa não era tão longe da faculdade e não queria acabar com aquele momento tão rápido. Porque eu sei que... daqui a uma semana vou estar casado com outra, e todos esses momentos vão ser apenas lembranças.
— Sim, mas os que não conseguiram férias do trabalho vão apenas ao dia do casamento mesmo — prossegui o assunto incomodo.
— E como você está? Ansioso? — perguntou. Sua voz não mostrava nenhum pingo de dor, apesar de sua expressão estar triste. Não posso ver direito por estar dirigindo.
— Tem como não ficar?
Silêncio... Ela não disse mais nada. Então resolvi perguntar algo que me incomodava também.
— Você e o Sting estão juntos?
Ela arqueou as sobrancelhas e pude ver que me olhava. Depois voltou a olhar para frente um pouco pensativa.
— Você é bem direto mesmo — sussurrou com um riso fraco — Acho que pode se dizer que sim.
— Hum... — murmurei em resposta.
Essa era com toda certeza a pior conversa em termos de desenvolvimento que já tivemos. Parecia uma briga de alfinetadas invisíveis. Era como me sentia. Alfinetado todo o tempo com essas descobertas, mas não era algo que fosse a intenção dela. Era apenas a vida seguindo seu curso e eu não aceitando.
Depois disso o silêncio invadiu o carro novamente. Não era um silêncio que incomodava tanto. A presença dela ali preenchia o vazio que a falta de palavras causava. Mesmo assim, aquele silêncio parecia se transformar em um ambiente repleto de palavras não ditas. Eram tantas coisas mal resolvidas, tantas coisas que eu gostaria de falar. Mas não falei e provavelmente nunca irei falar. De certa forma, sinto que ela me entende.
Quando estávamos quase chegando, ela se inclinou para frente e pôs a mão na cabeça. Estacionei na mesma hora para olhar para ela. Novamente a preocupação que havia sumido reapareceu com tudo.
— Ei, está tudo bem? — perguntei tirando o cinto e colocando a mão em seu ombro.
Ela assentiu com a cabeça. Como se eu fosse acreditar.
— Está, desculpa, foi só um enjôo. Acho que é o aromatizador — explicou.
Aromatizador? Olhei para frente do carro e vi aquele negócio que deixa o carro mais cheiroso. Que mentira. Faz as pessoas passarem mal, vou processar essa merda. Peguei, sai do carro e joguei num lixo ali perto. Voltei para o carro.
— Melhor? — perguntei assim que me sentei novamente.
— Não precisava fazer isso. Que exagero.
— Não ligo de ser exagerado perto de você — respondi sério — Enjoo? Lucy...
Sua expressão endureceu. Não entendi o porque. Só fiquei pensando que talvez fosse uma virose, porque convenhamos que ficar preso naquela enfermaria não seja muito bom, milhares de doenças passam por ali.
— Já estou melhor, me deixa em casa, por favor.
— Hm... ok.
Dei partida no carro novamente e dali a alguns quarteirões estávamos na frente de nossas casas. Parei o carro. Tiramos os cintos e ficamos quietos. Novamente aquele silêncio cheio de palavras ocultas.
— Nos vemos amanhã no metrô então?
— Eu e a Yuki vamos de carro... mas nos vemos na pousada da ilha.
— Ok... — disse e deixou de falar algo por sua reação. Sua expressão ganhou um ar misterioso, como se escondesse algo e estava indecisa se devia falar ou não.
— É estranho não é... casar... a gente não pensava nisso ainda quando estávamos no ensino médio. Os problemas eram tão menores — falei com a cabeça baixa.
— A gente sempre dá um jeito de complicar... quando percebemos a vida está passando diante de nossos olhos né?
Sim, e aos poucos ela vai te levando de mim.
— Até amanhã Natsu — sorriu — Obrigada pela última noite.
Lucy se aproximou e beijou minha bochecha. E a vontade de virar foi enorme. Ela se afastou e ficamos nos olhando por alguns instantes. Era um feitiço poderoso aquele que me prende ao seu olhar. Essa atração intensa que sentíamos um pelo outro, era perigosa. Ainda mais com nós dois tão próximos. Sei que não sou o único porque ela não saiu do carro ainda. Seus olhos brilham. Meu coração acelera. Sua boca fica semi aberta. Minha respiração fica forte. Posso sentir sua respiração também alterada. E minha boca se aproxima da sua como um imã.
Uma sensação devastadora de necessidade me invade. Eu a quero. Mais do que nunca, a quero para mim. Ela fecha os olhos e se aproxima também. Certo, errado, certo, errado. Uma confusão de pensamentos, sentimentos e mais um monte de coisas que não sei denominar. Comecei a fechar os olhos. Posso senti-la e sei que seus lábios estão a alguns milímetros dos meus. Nossas respirações se tornam uma. E meu coração quer sair de mim. Porque esse sentimento é tão forte? É algo que parece uma revolta. Resistente a tudo. E que me faz querer beijá-la agora e se esquecer que existe um mundo além de nós.
Mas é errado. Não posso fazer isso. Virei em cima da hora, meio que raspando meus lábios aos seus e lhe dando um beijo na bochecha. Tortura é pouca para o que sinto agora. Mas eu vou me casar e tenho que aceitar as conseqüências. Que é ficar sem Lucy. Ela abriu os olhos e sorriu de leve, recuando um pouco corada.
— Acho que é isso. Você fez sua escolha não é? — disse quase a si mesma — Até amanhã Natsu.
Não sei o que senti agora. Vi ela saindo do carro e passar pelo portão. Acompanhei seus passos até entrar na casa e desaparecer. Sem conseguir falar mais nada, ou pensar. É essa a sensação de se fazer a coisa certa? Então porque eu sinto que algo morreu dentro de mim?
Você sempre vai ser minha escolha Lucy... o problema é que você é uma escolha especial. Uma escolha única. Não é uma opção. Não quero opções. Não quero me casar daqui a uma semana e pensar em você como passado. Você está tão viva em mim do que qualquer órgão. Não quero ficar sem seu sorriso, ou sem seus gritos. Eu quero te escolher. E essa vontade é tanta que dói e eu não sei como reagir. É uma aflição, tortura, angústia... Então penso em Wendy. Deus me perdoaria por deixar minha família na mão por amor?
Porque eu te escolheria Lucy. Escolheria de qualquer jeito, com qualquer humor, com qualquer ânimo, com seus escândalos, com sua bipolaridade, com seu jeito mandão e de princesinha, com suas histerias. Eu te escolheria. Nessa vida, na outra, em qualquer lugar. Eu iria te achar, só pra te escolher. E pensar nisso dói. Lágrimas inúteis querem cair de meus olhos. Porque agora eu sinto que meu tempo acabou. E eu não tenho escolhas.
Você me escolheria, Lucy?
Alguém que posso amar do fundo do meu coração
Alguém que amo com todo o meu coração
Dentro deste meu amor
Você sempre estará presente
Um dia depois...
Notas finais
Já repararam que eu gosto de One Ok Rock né? HSUIAHUSIA Espero que gostem também.
Quero agradecer a todos que me deram suas opiniões no capitulo passado ♥
Reviews? ♥
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