Destino
4 04
Notas iniciais
Natal Ano-Novo, janeiro... tudo isso passou voando. E a licença maternidade de Jenny tinha chegado. Apesar de achar que poderia trabalhar até o dia em que trouxesse a filha ao mundo, ela sabia que não seria justo com Jethro se ele não estivesse junto quando a pequena nascesse. Então, mais ou menos com um mês para a data final, Jenny passou a liderança da equipe para Callen e foi para os EUA, onde passaria os próximos seis meses. Pois havia juntado duas férias junto com a licença.
A chegada no aeroporto foi diferente dessa vez. Abby tinha vindo junto. A gótica parecia cada dia mais feliz com a possibilidade de ter uma criança por perto.
— Você já tá enoooooorrmmmeee!! – Ela disse em um grito quando a ruiva passou pela porta.
Qualquer outra mulher teria xingado ou pior, brigado por conta do comentário, mas Abby não fez por mal. Ela quis dizer sobre a barriga de oito meses, que já pesava mais que tudo.
Jethro não deu chances para ela falar, foi logo dando um beijo nela e antes que ela pudesse respirar, tirou a mala e a bolsa de mão que ela carregava e a guiou para o carro.
— Finalmente vocês estão aqui. Estava com medo da nossa pequena querer pertencer à realeza e nascer na Inglaterra. – Ele disse em direção à barriga.
— E então, Jenny. Como você está? Não sentiu nada durante o voo? Nadinha? – Abby perguntou do banco de trás.
— Não, Abby. Lauren não vai nascer agora. Eu te garanto.
Abby sorriu no banco de trás. Ela estava mais ansiosa para conhecer a menininha do que os próprios pais.
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O último mês foi o pior deles, tudo incomodava Jenny. Até o sopro do vento. Mas ela tentava, a todo custo, não se estressar. Na verdade, ela já começava a implorar para a filha nascer.
E, uma noite, depois de um dia particularmente terrível, ela sentiu a primeira pontada. De início, ela deixou para lá, poderia ser qualquer coisa.
Mas a dor foi aumentando de intensidade e o intervalo entre uma e outra foi diminuindo.
Não tinha outra explicação.
— Jethro. — Ela chamou com cuidado. Dormir ao lado de Fuzileiro era um pouco complicado, pois ele sempre acordava em alerta total, não devagar e sonolento como uma pessoa normal, e, isso na maioria das vezes sempre acabava com alguma coisa quebrada ou com os dois brigando.
Ele, por milagre, não atendeu.
— Justo hoje. – Ela suspirou frustrada.
— Jethro.... – ela chamou de novo, um pouco mais alto. E ele só virou de lado. Onde estava o lado Fuzileiro dele quando ela precisava?
— FUZILEIRO! – ela gritou quando uma contração parecia que ia rasgar o corpo dela.
E aí sim, ele acordou, pulando da cama e fazendo algo que ela não entendeu.
— O que foi Jen? – Ele estava de pé e sem nenhum resquício de sono no rosto.
— Veste uma roupa, pega a bolsa no quarto da Lauren. Eu vou me trocar e você vai me levar para o hospital. Sua filha vai nascer. – Ela disse o mais calma possível. Mas se ela tivesse entrado em desespero seria a mesma coisa, pois ele ficou completamente desnorteado.
Ela precisou se levantar da cama, pegar a roupa que ela já deixava separada toda noite, se vestir para, então, parar na frente dele, segurando seu rosto entre as suas mãos e dizer:
— Respira, Jethro, sou eu quem vai fazer o trabalho mais difícil. Você só tem que trocar de roupa, pegar a bolsa e dirigir enquanto eu sinto dor, tudo bem? – Ela deu um selinho nele e entregou a roupa para ele. Jethro somente balançou a cabeça concordando.
Com cinco minutos, os dois estavam indo para o Hospital. No caminho, ela avisou Ducky e pediu que ele avisasse Abby. A saltitante gótica faria o restante do trabalho.
Jethro, a cada metro percorrido, olhava para a esposa, ainda entre o medo de fazer algo errado e o êxtase de poder conhecer a pessoinha que iria mudar a vida deles para todo o sempre.
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Espera-se que o parto do primeiro filho seja difícil, mas não este. Jenny estava tão calma e tão resoluta da ideia de que seria mãe, que a pequena Lauren nasceu duas horas depois, chorando alto.
Quando Jethro foi contar a novidade para os três que agora formavam a sua família, ele tinha a pequena bebê no colo.
Depois de onze anos ele poderia, finalmente, segurar sua filha.
Como ela ainda era muito novinha, não deu para notar se ela tinha herdado os cabelos da mãe ou do pai, ou qual era a cor de seus olhos. A única certeza que Jethro tinha era a de que ele já amava aquela menina, que dormia em seus braços, com todo o amor que ele tinha.
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E, entre fraldas, mamadeiras, noites insones por conta das dolorosas cólicas, os primeiros seis meses se passaram. E ele tinha que se despedir de suas garotas. Dessa vez, ele as levaria até Londres.
Lauren acabou por ser uma garotinha ruiva, com grandes olhos azuis e uma capacidade para chorar fora do comum. Mas não tinha um dia que ele se arrependia da presença dela.
Jenny estava se saindo uma excelente mãe, parecia que era até fácil a forma como ela cuidava da filha. Era natural, mesmo para quem não chegou a fazer nenhuma aula de como dar banho ou qualquer outra baboseira dessa. A filha era dela, ela que se virasse para cuidar, pelo menos era assim que ela sempre pensou.
Abby, Tony e Ducky tinham ido até o aeroporto para se despedirem da “sobrinha”. Uma cena tão batida, mas ao mesmo tempo inédita para eles. Abby começou a chorar assim que leu que o voo estava no horário, DiNozzo foi o responsável por acalmá-la quando o Chefe, a Chefa e a Mini-Chefa entraram para a sala de embarque. Ducky, apenas observou, ele sempre soube que aquele era o destino daqueles dois.
A pequena bebê dormiu o voo inteiro, apoiada nos braços do pai, ela só acordou quando era estritamente necessário. E, com menos de seis meses de vida, tinha seu passaporte carimbado pela primeira vez quando aterrissou na Terra da Rainha.
Jethro ficou com a filha e a esposa por uma semana. A Agência lhe devia isso. Ele queria ver se a pequena iria se adaptar à sua segunda casa. Com ele do lado, ela não teve problemas para dormir, o problema foi quando ele foi embora. Já na ida para o aeroporto a bebê começou a sentir o clima de tristeza e a ficar inquera. E, quando chegou a hora do pai se despedir da filha e da esposa, a menina chorava alto.
Definitivamente era a garotinha do papai.
Jenny pegou a filha e prometeu que ela logo veria o papai. Eles agora fariam ainda mais o uso dessas licenças, a distância não envolvia somente os dois, mas a filha deles também.
E assim, 2002 foi passando. A cada dois meses ou Jenny viajava para os EUA ou Jethro ia para a Inglaterra, e a bebê deles ia crescendo.
O primeiro Natal de Lauren foi como manda o figurino. Uma árvore imensa, casa decorada, presentes debaixo da árvore, roupinha condizente com a época do ano. Ela ganhou até um chapeuzinho de ajudante do Papai Noel, cortesia de Abby.
Com nove meses ela já ensaiava algumas palavras e alguns passinhos. Jenny tinha certeza que a menina falaria antes de andar, e, no jantar de Natal, que neste ano foi na casa dos Gibbs, foi Lauren quem deu o maior presente. Para a alegria de todos, ela não só falou sua primeira palavra, como falou a segunda também.
Papa e Mama foram as palavras mais lindas e fofas que Jethro e Jenny ouviram na vida deles.
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2003 começou com uma novidade na MCRT. Logo depois que Jethro levou suas meninas para Londres e voltou, um pouco menos emburrado dessa vez, já que Lauren havia se despedido com direito a beijinho e acenando enquanto falava “papa”, a equipe recebeu um caso curioso. Teriam que investigar uma suspeita de homicídio dentro do Força Área 1.
Dinozzo estava em êxtase.
O que parecia uma morte natural virou homicídio, e todo o plano para deixar o caso nas mãos do NCIS resultou uma nova adição à equipe. Caitlin Todd, ou Kate como ela gostava de ser chamada. DiNozzo tinha alguém para chamar de novato, no final das contas.
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E, o aniversário de um ano de Lauren estava chegando, Abby já tinha comprado tantos presentes que seu apartamento já estava pequeno para acomodá-los. Ducky, por sua vez, ainda pensava no que iria dar. Tony também já tinha planejado o presente. Restava Kate, que já tinha ouvido falar na menina, mas nunca a tinha conhecido.
Na verdade, ela achava muito interessante o fato de um mudo funcional como o Gibbs ter conseguido se casar e que essa mulher pudesse ter uma filha com ele. Mas ela ainda não o conhecia muito bem, então deixou seu comentário para si.
Um dia, em uma tarde de sexta-feira, Kate estava fazendo o relatório de um dos casos mais rápidos que ela já havia visto quando uma mulher ruiva, com uma bebê no colo chegou perto dela.
— A senhora deve ser a esposa do Cabo Hamilton, sou a Agente Todd. – Ela se apresentou.
Dinozzo só observou a agente mais nova em seu trabalho. Ele sabia muito bem quem era aquela mulher.
E Kate continuou:
— Eu sinto muitíssimo pela sua perda. Mas saiba que já resolvemos o caso. – Kate continuou.
DiNozzo estava levando o seu autocontrole ao máximo, na tentativa de não começar a rir. Kate não dava chances da ruiva falar.
— Vou levá-la para o último andar, para que possa reconhecer o corpo, tem alguém com quem a senhora possa deixar a sua bebê?
Quando a mulher teve tempo para finalmente falar, Gibbs entrou como um foguete na sala, simplesmente dizendo:
— Para onde você quer levar a minha esposa e minha filha, Agente Todd?
Foi o que bastou para DiNozzo explodir em uma gargalhada.
Kate não sabia onde enfiava a cara! Sim, ela já tinha ouvido falar que a esposa de Gibbs era ruiva e que trabalhava no NCIS, no escritório de Londres, mas ela nunca imaginou que a mulher fosse aparecer na frente dela no meio de uma tarde de sexta-feira! Ela não tinha onde esconder a cara.
Jenny por sua vez, se sentia mal com a situação, por mais engraçada que fosse.
— Não ligue para eles! — Ela disse se dirigindo para Kate. — E você, DiNozzo, cale a boca! – Ela ordenou. – Também já passei por isso. À proposito, sou Jenny Sherpard, — ela estendeu a mão para a agente mais sem graça que ela já tinha visto. — essa aqui é a Lauren! — Diga oi para a Agente Todd, filha! – A esposa de Gibbs disse.
Kate estendeu a mão e cumprimentou Jenny. Se surpreendendo quando a bebê imitou o gesto da mãe e lhe disse olá.
— Ótimo, mais uma fã para a fila! – DiNozzo disse ao ver como Kate já era dominada pela pequena ruiva.
— Olhar para essa bebê é muito melhor do que olhar a sua cara de adulto com síndrome de Peter Pan, DiNozzo! – Kate rebateu.
— Oi Jenny! Como foi o voo, a pequena deixou todo mundo dormir? – Tony desconversou e Jenny caiu na gargalhada.
Jenny não ficou muito tempo no prédio, só o suficiente para que ela ajudasse Kate a dar o troco em DiNozzo por não tê-la avisado quem a mulher ruiva era. E, assim que ela conseguiu deixar o italiano em uma situação ainda mais embaraçosa do que ele colocou Kate, Jenny pode ir para casa feliz, levando a filha e o marido com ela. Prometendo que todos jantariam no outro dia.
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A festinha de um ano de Lauren foi tudo, menos convencional. Como os pais não tinham amigos com filhos pequenos, quem se juntou a eles, na casa enfeitada com balões rosa e branco, foi a equipe.
Abby e Tony fizeram as vezes das crianças. Ducky de avô que quer tomar conta de todos os netos, e para a surpresa de Gibbs, até seu pai apareceu. Kate, por sua vez, ainda um tanto constrangida pelo fora que deu quando conheceu as duas mulheres da vida de Gibbs, estava determinada a ficar quieta.
Mas, quando se trata de estar em um espaço com Tony, Abby e Jenny ao mesmo tempo, isso era impossível, e ela teve que aprender a conviver com os três.
Gibbs estava tentando entender a presença do pai. Desde o funeral de Shannon e Kelly que os dois haviam se afastado. Jenny sabia disso. Contudo ele notou que ela deveria tê-lo chamado. Quando confrontou a esposa, em um raro momento à sós, ela simplesmente rebateu:
— Eu sei que o que ele fez no funeral de Shannon e Kelly te magoou muito, Jethro, mas pense pelo lado dele. Ele perdeu uma neta, a quem ele também não conheceu. Não o prive de conviver com Lauren. Será bom para os dois e para você. Não te peço que faça às pazes com ele hoje, mas que, ao menos, converse com ele.
Jethro olhou desconfiado para o pai que agora tinha a neta em seus braços e a garotinha gargalhava com a brincadeira.
Pela filha, ele poderia fazer esse sacrifício.
— E, só mais uma coisa... – Jenny interrompeu a sua observação. – Ele pediu que te entregasse isso. – Ela estendeu um molho de chaves.
Jethro pegou as chaves na mão e olhou com atenção. Depois olhou para Jenny. Ela também tinha reconhecido.
— Creio que o Dodge está lá fora... – Ela sussurrou.
Ao entregar a chave, era a forma que o pai dele tinha de tentar remediar as coisas, pois ele sabia o quanto aquele carro significava para os dois.
— Será que dessa vez, eu vou poder dirigi-lo sem ninguém ficar falando na minha orelha? – Jenny brincou perto do ouvido dele.
— Você conseguiu a sua carteira com um exame de rua de verdade, ou só teve que que sorrir para o examinador? – Ele brincou com ela, enquanto a abraçava de lado.
— A primeira opção, eu tive um excelente professor. – Jenny encostou a sua cabeça nos ombros do marido e ficou vendo a sua família mimar, ainda mais a filha, lembrando daquele verão, onde, depois de muita dor de cabeça, eles conseguiram montar o carro e, em um ato completamente inesperado por ela, Jethro a colocou no volante e começou a ensiná-la a dirigir. Depois de tanto tempo, ela pode dizer, foi um bom verão, o de 1987.
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Lauren era a criança mais requisitada da creche do NCIS em Londres, não tinha um único funcionário que não passava na porta e ficasse babando pela menina.
Além de esperta, a menina sabia como liderar o motim de crianças contra a pobre moça que tomava conta delas. E isso acontecia com ela tendo nada mais, nada menos que 20 meses.
Jenny observava a filha andando seus passinhos desengonçados em cima do tatame e teve que rir. Ela tinha certeza que Jethro amaria poder ficar vendo a filha liderar todas aquelas crianças e fazê-las brincar com o que ela queria.
Todo esse poder indicava que ela seria difícil de lidar se os pais não dessem um jeito agora. Mas Jenny sabia que ela poderia ser controlada, mas não podada ou manipulada, no fim, Lauren tinha a mesma personalidade independente da mãe.
Ela estava rindo para a tentativa de corrida da filha quando uma voz conhecida chamou pelo seu nome.
— Ziva David!! Quanto tempo!
— Olá Jenny! Pensando em ter filhos com o famoso Jethro? – A israelense brincou depois de abraçar a amiga.
— Pensando não. Já tenho! – Jenny disse orgulhosa.
A jovem oficial do Mossad, então, olhou para dentro da sala e logo descobriu quem era o herdeiro, ou melhor herdeira da amiga.
— Não me diga que aquela ruivinha saltitante ali é a sua filha! – Ela disse com um sorriso.
— Com certeza que sim. – O orgulho presente na voz da mãe.
— Coitado do pai!!
— Coitada de mim!! – Jenny disse em tom de falsa ofensa.
— Bem, eu não conheço seu marido pessoalmente, mas posso apostar que ele tem olhos azuis.
— Isso ele tem sim. – Jenny disse com um sorriso aberto.
— É, vocês têm uma mini-cópia dos dois então. Meus parabéns, Jenny. Ela é linda!
— Obrigada Ziva, mas o que te traz aqui em Londres? Sei que o Mossad não é adepto de visitas sociais.
— Eu estou com um problema e acho que só você pode me ajudar. – A morena foi direta.
Pressentindo que o assunto era muito sério, Jenny guiou a moça pelo prédio, até que se encontraram em uma sala de reuniões.
— Pode falar agora, Ziva. O que foi?
— Meu meio-irmão, Ari. Ele se meteu com o NCIS e está atrás de duas pessoas.
— De qual escritório?
— De Washington. Ele está obcecado com a Agente Todd e com Gibbs.
Jenny perdeu o ar. Ela havia conhecido Ari de passagem, mas os olhos frios do oficial sempre lhe disseram que ele era problema. E agora isso!
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— Você tem certeza disso, Ziva? – A voz de Jenny era carregada de preocupação.
— Sim. Eu tenho. E Ari não vai parar, não até conseguir o que quer.
O sangue de Jenny gelou. O que Jethro tinha feito para enfurecer esse homem? E por que Ari estava atrás de Kate e de Jethro?
— Eu vou conversar com Jethro. Tenho uma viagem programada para daqui a duas semanas. Até lá, você acha que consegue controlar o seu irmão?
— Ari está desaparecido. A última designação dele foi para a Palestina. E, desde que ele cruzou a fronteira, ele não fez mais contato. – A voz de Ziva era ressentida.
— Eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para tentar controlar essa situação, Ziva. E te informo se houver qualquer novidade, mas te peço que me mantenha informada também. Seu meio irmão está atrás do meu marido e do pai da minha filha.
— Tem minha palavra, Jenny. Aguardo notícias suas em três semanas, pode ser?
— Claro que sim. E Ziva, você tem onde ficar aqui em Londres? – Jenny perguntou ao observar a velha mochila que a moça carregava.
— Eu me viro.
— Nada disso, tenho quarto sobrando no meu apartamento. Você é bem-vinda.
— Agradeço a oferta. Aqui sempre está muito frio. – Ziva fez uma careta.
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Com essas notícias preocupantes na cabeça, Jenny voou com a filha para Washington, e ela tinha um outro problema, como trazer o assunto à tona?
A recepção de Jethro era cada dia mais esperada. O beijo apaixonado e como ele sempre parecia se surpreender com o crescimento de Lauren sempre seriam as melhores partes da sua viagem.
Jethro estava brincando com a filha que estava em seu colo. A menina começava a achar muito engraçado que no cabelo do pai estava aparecendo alguns fios brancos.
— Você ri? – Ele fez cocegas na barriga dela. – Isso aqui é culpa sua!! – Ele tinha certeza que ela não entendia muito ainda, mas o som da gargalhada dela era um dos melhores sons do mundo.
Jenny só observava os dois. Torcendo pelo dia em que eles finalmente estariam reunidos em definitivo.
A viagem até a casa, dentro do Dodge onde, talvez, tudo tenha começado de verdade, foi tranquila.
— Uma moeda pelos seus pensamentos. – Ele sussurrou enquanto esperava o semáforo abrir.
— Recebi uma notícia não muito boa, Jethro. Sobre um de seus casos...
— Ari Haswari tentou algo contra vocês duas?! – As juntas dos dedos da mão dele ficaram brancas tamanha era a força que ele segurava o volante.
— Não. Estamos bem e seguras. A irmã dele veio me avisar que ele está atrás de você e de Kate. Eu estou preocupada com vocês!
— Estamos bem.
— Sério? Jethro, por favor. Você é tudo o que eu tenho. Sabe disso, não sabe? – Ela implorou a ele.
E ele sabia. Como sabia.
— Eu vou dar um jeito. Sua amiga, por acaso, não deu nenhuma pista do paradeiro dele?
— Disse que ele está desaparecido desde que foi enviado para a Palestina.
— E ela vai te manter atualizada?
— Foi a promessa dela.
— E você acredita? – Jethro soou sarcástico.
— Foi o Mossad quem me resgatou, Jethro. Ziva merece um voto de confiança. – Jenny devolveu, encerrando o assunto e encarando as ruas cobertas de neve.
E ele ficou pensando, talvez essa tal de Ziva realmente merecesse um pouco da confiança dele também.
— Ei... — ele chamou depois de algum tempo. – Não fique assim. Eu fico muito tempo sem vocês duas para gastar os poucos dias que tenho brigando com você. – Ele pediu à esposa.
Ela retornou o olhar. Incapaz de ficar longe dele. E sorriu cansada.
— Prometa para mim que você não vai fazer nada de estúpido, Jethro. Prometa!
A resposta dele foi pegar a mão dela e beijar a aliança.
— Seu idiota! – Ela disse para a teimosia dele.
— Mas sou o seu idiota favorito. – Ele repetiu as palavras de tantos anos atrás.
Ela sorriu. Todavia, bem no fundo, ela sentiu que algo não acabaria bem nessa história.
Era o Natal de 2003. O segundo que eles passavam com sua pequena, que ressonava alto na cadeirinha.
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2004 veio, trazendo duas, ou melhor, três grandes mudanças na vida dos dois.
Primeiramente, Jethro finalmente conseguiu montar a sua equipe. Agora ele tinha três agentes competentes, que ainda precisavam ser treinados e adestrados, contudo, formavam um bom time e eram uma boa distração para quando a saudade ficava mais forte. McGee, apesar de ser um tanto verde e atrapalhado, seria um bom agente um dia. Isso se o garoto sobrevivesse às pegadinhas que Tony e Kate viviam fazendo com ele.
Jenny foi promovida à Vice-Diretora Internacional do NCIS. Ela estava quase onde queria, mas sua vingança não importava mais, não quando ela tinha tanto a perder agora. E esse muito era muito mesmo.
Lauren estava com dois anos e quatro meses agora. Uma criança bem independente para a idade dela, isso, sem contar que era mestra em querer aprender novos idiomas. A festa de dois anos tinha sido em Londres nesse ano. E todos vieram. Já que foi uma festa de criança mesmo. Jenny fez questão de convidar todas as crianças da creche do NCIS.
E, entre as idas e vindas do casal pelos dois continentes, mais uma surpresa aconteceu. Jenny estava grávida pela segunda vez! E dessa vez ela descobriu bem no início, já que os sintomas eram velhos conhecidos.
Seguindo ao que Jethro tanto reclamou enquanto ela esperava Lauren, dessa vez ela resolveu que ele viria receber a notícia, Jenny queria saber se ele era tão bom observador como todos falavam. Então, bolou um plano.
Em uma quarta à tarde, logo depois que chegou no escritório depois da primeira consulta, ela ligou para ele. O dia estava apenas amanhecendo onde ele estava.
— Gibbs. – Ela notou que ele não tinha visto quem estava ligando.
— Olá Jethro! – Ela repetiu o cumprimento que era a marca registrada do relacionamento dos dois.
— Jen! Aconteceu alguma coisa? A Lauren está bem? – Ele parecia alarmado.
— Preciso que você venha para Londres. O mais rápido que conseguir. Mas adianto que tudo está bem. – Ela sabia que era maldade, mas não foi assim que ele exigiu da última vez?
— Eu vou pegar o primeiro voo. – Ele estava assustado. E como ela o conhecia bem até demais, ela sabia que pela cabeça dura dele estavam passando os piores pensamentos possíveis.
— Me avise quando chega, eu te pego no aeroporto. E Jethro... – Ela parou.
— Que foi, Jen.
— Eu te amo mais que tudo e você não vai ficar livre de mim.
Ele apenas gargalhou em resposta.
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Jethro não fazia ideia do motivo de Jen precisar dele com tanta urgência. Ele passava e repassava tudo o que aconteceu nos últimos meses. O único caso que o preocupava agora era Ari, mas Jenny, na sua posição de Vice-diretora, já tinha conseguido as últimas informações para ele. Assim, ele viajou as treze horas completamente desperto e preocupado.
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O avião que vinha dos EUA mal tinha aterrissado quando Jenny se encaminhou com a filha para o portão de desembarque. Lauren queria ao mesmo tempo correr para o pai e ficar no alto para ver se o encontrava na multidão.
— O papai ainda vai demorar muito? Eu não tô conseguindo achar!! – Ela perguntava e se xingava ao mesmo tempo.
— O avião dele acabou de pousar, querida. Calma! – Jen dizia à filha enquanto beijava a cabeça dela.
A nervosa ruivinha estava a cada minuto mais ansiosa para ver o pai.
Quando ele apontou no meio dos demais passageiros, ela pulou do colo da mãe e correu até ele. Não tinha tanto tempo assim que não se viam, mas, para a cabeça de uma criança, um mês era quase um ano.
Jethro ouviu os gritos de papai, e nem pensou duas vezes, agachou para receber o abraço da filha e, depois levantá-la em seu colo. Sua atenção dividida entre observar o desenvolvimento da garotinha e o sorriso da mãe que não estava muitos passos atrás.
— Olá, Jethro! – Jenny disse antes que pudesse beijá-lo.
Ele abraçou a esposa pela cintura e, assim, juntos, deixaram o aeroporto.
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— O que você tem de tão urgente para me dizer? – Ele exigiu, já tarde da noite, quando tinha acabado de colocar Lauren na cama e contado a maior história de princesa que ele podia sonhar.
— Bem, pode ficar tranquilo, a notícia é boa. – Ela tinha um olhar divertido.
Ele não comprou aquela expressão. Ele conhecia aquela ruiva há muito tempo, para saber que ela tinha aprontado com ele. Que daquele sorriso sairia uma bomba.
— Jen... – Ele a alertou.
Ela o guiou para o sofá, quando os dois estavam sentados, lado-a-lado, ela apoiou a cabeça no ombro dele e começou a brincar com a mão esquerda dele.
Ele estranhou o movimento. Jenny não é de enrolar. Algo deveria estar errado.
— Jethro... – ela disse depois de algum tempo. – O que você me disse quando eu te contei que esperávamos a Lauren?
Ele enrugou a testa. Aquele dia no aeroporto... ele falou tanta coisa!
— Que você deveria ter me contado assim que descobriu que estava grávida. Ter me ligado, que eu pegaria o primeiro voo... – e ele parou.
Ela tinha levado a mão dele, a mesma com a qual ela estava brincando, até o ventre dela e a tinha pousado ali.
O mesmo gesto que ela tinha feito naquela manhã no aeroporto. Só que naquela noite, não tinha uma barriga saliente.
E, novamente, ele perdeu o ar. Esqueceu como se falava.
Jenny já tinha dado a ele um dos melhores presentes que ele havia ganhado junto com Kelly. E ela, agora, estava lhe dando outro.
— Você... – Ele engasgou. Os olhos dele brilhavam, ela pode jurar que estavam até marejados.
— Você não ligaria de ter outra criança te chamando de papai, ligaria? – O sorriso no rosto dela imitava o dele.
— De jeito nenhum! – ele pegou o rosto dela em suas mãos. Beijou a testa, cada uma das bochechas, para, então, beijar os lábios dela. – as mãos dele nunca desgrudando da barriga dela. Depois, ele beijou o ventre dela, mesmo que ainda não desse para ver, ali dentro crescia um bebê. O bebê deles.
— Lauren já sabe que será irmã mais velha? – Ele perguntou, assim que conseguiu colocar Jenny sentada no colo dele.
— Ainda não. Quis te contar primeiro. Contudo, tendo em vista o tanto que ela me pede uma irmã, não deverá se importar. – Jenny apoiou a cabeça no ombro dele.
— Dois filhos, Jen?! – Ele ainda não acreditava.
— Não sei se é menino ou menina. Ainda está muito cedo... Mas dessa vez você vai estar ao meu lado quando descobrirmos! – Ela apertou a mão dele na dela.
— Pode ter certeza que vou sim!
Lauren foi a encarnação da alegria quando descobriu que seria irmã mais velha. O problema foi explicar para ela de onde os bebês vêm. E a velha história da semente que a mãe engoliu e que estava crescendo na barriga da mamãe foi contada pelos dois. Quando a garotinha finalmente dormiu, Jenny e Jethro se olharam e começaram a rir.
— Eu nunca pensei que contaria a famigerada mentira da semente! – Jenny ria.
— Se acostume, conversas mais constrangedoras do que essa, virão. – Jethro abraçou a esposa e a levou para o quarto.
— Eu não quero nem pensar nisso! – Jen corou.
— Peraí! A garota que não se importou em ser carregada no meu ombro pelo centro de uma cidade do interior da Pensilvânia está corando? – Jethro teve que olhar duas vezes para ter certeza.
— Eram outros tempos! – Ela se defendeu.
— E você tinha catorze anos. E eu dezessete. – Ele tentou fazê-la ficar com vergonha do passado.
— E todo mundo ficou horrorizado conosco, não foi? – Ao invés de corar ainda mais, Jenny ria, lembrando das velhas puritanas e dos olhares venenosos que elas lançavam para os dois.
— Você não tem ideia do que falavam... – Jethro cochichou no ouvido dela.
Ela tombou a cabeça, abriu um sorriso e apenas disse.
— Era tudo mentira, mas sabe de uma coisa?
Ele só levantou a sobrancelha na direção dela.
— Nós dois deveríamos ter nos beijado naquela tarde. Aí sim aquele bando de fofoqueiras teria o que falar de verdade!
— E o seu pai teria me dado um tiro!
— Eu estava na sua frente. Ia te proteger! – Ela piscou para ele.
— Falando em beijar.... – ele pegou a esposa com mais carinho e resolveu que era uma boa hora para fazer o que não fizeram naquela tarde.
A semana de conto de fadas passou rápido. Ele tinha que voltar. Agora, ele deixava as três pessoas mais importantes da vida dele naquela ilha. Não seriam meses fáceis, mas ele já estava contando os dias para conhecer aquela pessoinha que ele nem conhecia, mas já o tinha completamente em suas mãos.
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A notícia da segunda gravidez de Jenny alegrou a equipe inteira, e Dinozzo resolveu que era uma boa hora para fazer uma aposta.
Seria menino ou menina? Teria cabelo vermelho ou castanho? Olhos verdes ou azuis?
Todo mundo deu lá o seu palpite. O vencedor – tinha que acertar as três — levaria uma enorme, barra de chocolate, pois se rolasse dinheiro e o chefe descobrisse alguém – ele mesmo, DiNozzo – perderia a cabeça!
Abby, por sua vez, estava começando a planejar a chegada do bebê, junto com Kate. Afinal, bebês são sempre bem-vindos!
Quando Jenny estava no quinto mês. Ela veio com Lauren para os EUA, era hora de saber quem levara a primeira parte da aposta.
Jethro, que não acompanhou aquela parte da gravidez de Lauren, estava subindo pelas paredes de nervoso, ele não tinha preferências. Não importava se era um menino que ficaria construindo coisas com ele, ou se era uma menina, com quem ele não se importaria de brincar de boneca e, por que não, construir coisas também. Ele se preocupava era com a saúde.
A médica parecia fazer hora para falar. Ela observou tanto, e com tanto cuidado que ele poderia jurar que o bebê tinha duas cabeças. Por fim, ela deu o veredito, era perfeitamente normal, estava dentro do peso e tamanho para o tempo de gestação e era....
Uma menina.
Outra menininha viria para alegrar o casal.
Jenny abriu um sorriso zombeteiro na direção dele e apenas disse?
— É Fuzileiro, você vai ser minoria dentro de casa.
Ele deu de ombros. Estava feliz demais com a notícia.
— Temos que pensar em um nome... – Jenny disse assim que deixaram a sala de exame, cada um com uma foto do ultrassom.
— Juliet.
— Juliet?! Assim, de pronto?
— Sim. – Ele respondeu simples.
— Algum motivo para isso? – Jenny quis saber.
Ele não disse. Seja lá o que se passou na cabeça dele, ele ficou com vergonha de dizer. Mas ela não iria desistir tão fácil.
— Jethro... se explique.
— Eu gosto do nome. – Ele respondeu entrando no carro.
— Eu também. É lindo. E com certeza vai ser esse. Mas qual é o motivo por trás dele?
— Por que Lauren tem esse nome? – Ele não a respondeu de primeira,
— Pelo significado. Vitoriosa era realmente o que ela era para nós naquele momento. Lauren é a nossa vitória, Jethro. Ainda mais depois de tanto... e, bem, eu queria um nome que tivesse a sua inicial... – Jenny terminou.
Ele sabia da primeira parte. Sabia que escolherem o nome muito pelo que eles tinham vivido nos anos que antecederam o nascimento da filha, mas a segunda parte, isso era novidade.
— Você sempre me chamou de Jethro. – Ele tentou fazer graça.
— O nome do homem com quem casei é Leroy Jethro Gibbs. Não importa como eu o chamo. O nome dele começa com L!
— Um dos motivos de Juliet é esse. – Ele a pegou de surpresa.
— Por que começa com J?
— E porque era o livro que você estava lendo quando me contou que estava grávida.
— Nossa filha vai se chamar Juliet por conta de Romeu e Julieta de Shakespeare?
— Você sempre gostou desse livro. – Ele parecia sem graça.
Como o carro ainda estava parado, ela pegou o rosto dele entre suas mãos e disse com a testa colada na dele:
— Eu sabia que tinha escolhido a pessoa certa para trazer para minha vida quando eu tinha cinco anos! Eu sempre soube que você tinha sido enviado para ser só meu! – E ela o beijou, como se fosse o primeiro beijo deles.
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