Destino
5 05
Notas iniciais
Os quatro meses seguinte voaram. E quando Jenny e Jethro perceberam, Juliet chegava a esse mundo.
Dessa vez não houve cena engraçada no quarto, ou até mesmo desespero por parte do pai.
Ou talvez, o show tenha ficado por conta da mãe... o parto demorou um pouco mais e quando Jenny achou que não conseguiria trazer a filha ao mundo simplesmente soltou:
— Juliet Shepard-Gibbs é muito bom a mocinha cismar de nascer o mais rápido possível, porque eu não aguento mais sentir dor e nem o seu pai, já que eu já quebrei dois dedos dele! – e depois de empurrar com toda a força que tinha, a filha nasceu.
Uma Jenny exausta e um Jethro com três dedos quebrados a receberam com muito carinho.
E, do lado de fora, a equipe, junto com Lauren, esperava ansiosa. Eles já sabiam que era uma menina, já sabiam até o nome, mas não tinham notícias nenhuma. Quando Abby já estava a ponto de ter um treco, o papai de três meninas (a primeira sendo o anjo da guarda das duas mais novas), apareceu. Dedos em uma tala, mão enfaixada.
— Gibbs!!!! – Abby veio de encontro a ele. – E a Juliet? E a Jenny? E a sua mão?!
— Esse foi mais demorado. – Ele não estava ligando para os dedos quebrados, essa dor lembrava a ele que um pequeno milagre tinha chegado a esse mundo. – Jen está bem. Juliet é saudável.
— E a sua mão, Chefe?
— Jenny é forte. – Ele disse com um meio sorriso.
E foi impossível de não rir. Só mesmo a Ruiva número um da casa para fazer isso com ele e deixá-lo de bom humor.
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Nenhum bebê é como o outro. Era isso que os pais da pequena garotinha de cabelos castanhos e olhos verdes estavam aprendendo. Enquanto Lauren chorava alto, Juliet era quietinha. Em compensação, já demonstrava ser muito mais apegada a família, mesmo tão novinha.
Lauren era uma irmãzinha dedicada, toda vez que Juliet chorava, ela era a primeira a chegar até a irmã e, mesmo que ela não fizesse nada que pudesse ajudar a caçula, ela sempre trazia um bichinho de pelúcia para distrair a pequena neném que chorava. E, com cenas como essa, os pais notaram, elas seriam realmente irmãs e amigas.
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Mesmo de licença, o cargo que Jenny ocupava agora requeria algum tipo de atenção por parte dela, e, de vez em quando ela aparecia no escritório para resolver o último problema ou para alguma reunião de emergência.
Algumas vezes ela levava uma ou as duas meninas, outras ela chegava sozinha, as duas sendo bem cuidadas na creche do prédio. Quando as duas apareciam no prédio, a única certeza que todos tinham era essa:
— Não tinha nada no mundo quem fizesse a equipe voltar ao trabalho.
E entre criar as duas filhas, reuniões extraordinárias, casos complicados, 2004 chegava ao fim.
Foi um tremendo de um ano para os dois. E eles ainda tinham um outro ponto a discutir...
Jenny tinha recebido uma promoção, da qual ela ainda não sabia a natureza, mas precisava da opinião de Jethro sobre o assunto.
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2005 começou com o assunto promoção rodando os dois. Jethro a tinha aconselhado a aceitar o cargo, seja qual fosse, eles deram um jeito até agora, continuariam a dar. E, toda promoção é boa notícia, afinal, ela estava chegando mais perto da casa.
A única nuvem negra chamava-se Ari Haswari que ainda estava sumido.
O terceiro aniversário de Lauren marcava o fim da licença da mãe. Logo no dia seguinte elas embarcariam para Londres.
Duas chegaram há seis meses, três iriam voltar. E ele ficaria sozinho, de novo.
Como ele havia feito quando Lauren nasceu. Jethro foi para Londres, passou a primeira semana com as filhas e a esposa. E a despedida foi terrível, Lauren chorou como nunca, lembrando em muito a reação da mãe quando tinha que deixar o pai, ainda criança; Juliet sentindo a tristeza, também chorou. Jenny se fez de forte, mas ela sabia que estas despedidas só tendiam a ficar mais difíceis.
As meninas nem puderam ver o avião decolar. Lauren chorou por quase dois dias. E passou quase uma semana sem nem ao menos dar um sorriso, nem quando o pai ligava e conversava com ela por um bom tempo. A bebê ainda não entendia a situação, mas o clima triste também a afetava.
Mas Jenny sabia de algo que ela ainda não contara a Jethro. E ela esperava que dessa vez, fosse uma partida definitiva.
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Não se passaram nem dois meses e Ari reapareceu. A equipe estava no encalço dele.
Jenny, tendo Ziva como contato, informou que o homem estava nos EUA, e que tinha um plano para tentar atacar o país.
Todos foram postos em alertas.
A caçada a Ari chegaria ao fim a qualquer momento.
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Em Londres, Jenny cumpria a promessa que fizera. Ela estava arrumando as malas, iriam viajar novamente, e dessa vez não tinha retorno para a cinza Londres.
Tudo estava em caixas, as meninas prontas. O senhorio do prédio faria o favor de receber os homens da mudança.
Era chegada a hora dela, Jethro, Lauren e Juliet se reunirem de uma vez por todas.
O cargo tão misterioso fora revelado.
Ela tinha acabado de ser nomeada Diretora do NCIS.
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A mesmo tempo em que Jenny entrava no avião com as filhas com destino à Washington, a equipe de Jethro encontrava Ari.
O voo tranquilo, graças à Deus as duas filhas puxaram o pai e dormiram o tempo todo, não a preparou para o caos que a receberia quando ela colocasse os pés no prédio do NCIS.
Kate tinha acabado de parar uma bala por Gibbs. Nem ela soube muito bem o motivo de ter aceitado o encargo de protegê-lo. Mas ela aceitou, seja porque ela já tinha experiencia em proteção ou porque ela sabia que ele tinha uma família para tomar conta, ela não pensou duas vezes ao dizer sim. Seja lá a razão, estava feito. Ela fora além da coragem ao pular na frente da bala.
Tony, depois do susto e de conferir como ela estava bem, agora estava tagarelando alguma coisa sobre ela não poder ir para as aulas de pilates nem tão cedo.
E, por algum motivo, ela ria da piada dele.
Gibbs veio conferir se ela estava bem, e, a agradeceu sem palavras, agora ela conseguia entendê-lo melhor,
— Já chega disso de proteção, Kate. Acabou. – Ele ordenou a ela.
Kate, no fundo concordava. Realmente já tinha dado, a dor em seu torso demonstrava isso.
E, por mais insano que parecesse, ela respirou aliviada. Se deu o direito de observar o dia. Estava ensolarado e a primavera já queria se transformar em verão.
Foi a última coisa que ela viu.
Kate não sentiu dor, não pode escutar os gritos de DiNozzo que chamou por ela, não viu Gibbs ficar sem reação pela primeira vez estando em serviço.
Ela morreu no exato momento em que Jenny e as pequenas chegavam para morar em definitivo no país.
Kate não ficou sabendo que a esposa de seu chefe tinha virado a chefe dele, ela não viveu para ver a amiga como Diretora. Ela não viveu para ver as duas garotinhas, que ela considerava como suas sobrinhas, crescerem.
Kate morreu como a heroína que sempre fora, mesmo que isso só fosse reconhecido depois que ela já não pudesse ver.
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Jenny seguiu do aeroporto para a casa da família em Alexandria, não era a mesma onde Jethro havia morado com Shannon, e ela também não quis morar na mansão de Georgetown onde seu pai morrera, ela e Jethro escolheram a casa que mais agradasse aos dois, onde eles poderiam começar a vida deles.
A fiel governanta que cuidou dela quando nova, fora contratada para ajudar com as crianças e, assim, facilitar as coisas quando, tanto ela quanto Jethro, estivessem trabalhando.
A mais nova diretora de uma agência armada, e a primeira mulher em um cargo assim, não tinha muito tempo, apenas deixou as duas dorminhocas filhas em suas respectivas camas, deu os avisos de praxe para Noemi e, depois de um banho rápido, seguiu para o prédio do NCIS. O dia já estava acabando, e o trabalho dela apenas começando.
Quando ela pisou na sala dos agentes, ela pode notar duas coisas, a equipe que ela aprendeu a considerar como sua família não estava ali e o clima por todo lugar era estranho.
Ela subiu as escadas até o quarto andar, se dirigiu para sala que agora era dela, apesar de que o atual Diretor, Tom Morrow, ainda estava lá, e polidamente bateu na grande porta.
— Entre – Ela escutou.
Jenny respirou fundo e deu os dois passos para o trabalho que resumiria a sua via a partir daquele momento.
— Morrow. Boa tarde! – Ela cumprimentou o homem mais velho.
— Boa tarde, Jenny. – Tom tinha o semblante cansado. – Eu gostaria de te passar este cargo com boas notícias e sem nenhuma dor de cabeça, para que você se adaptasse. Mas, infelizmente, as notícias não são boas. Você já chega no meio do olho do furação, Shepard.
Jenny prendeu a respiração. Que problema era esse que pareceu abalar tanto Morrow?
— Temo que a má noticia seja muito perto da sua casa. E não tenho outro modo de falar isso, então, Jenny, sinto te informar que o seu primeiro trabalho como Diretora do NCIS será lidar com a crise que a morte da Agente Caitlin Todd vai causar.
— A Kate? Ela.... – Jenny perdeu qualquer capacidade de falar.
— Eu sinto muito, sei que vocês eram amigas. Ainda não tenho o relatório oficial do caso, Jethro apenas me disse que foi Ari Haswari o assassino.
A notícia era a pior possível. E toda a alegria que ela estava de poder, enfim, morar em definitivo junto com Jethro foi suprimida pela dor da perda. Jethro deveria estar arrasado, ela nem saberia dizer como estavam Ducky, Palmer e Abby. E ainda tinha DiNozzo e McGee. Como ela contaria para Lauren que a tia Kate não iria mais visitá-la?
Ela percebeu tarde demais que Morrow ainda falava algo. E a convidava para acompanhar uma operação no MTAC. Ali era a passagem do cargo.
Ela foi, mesmo sem saber ao certo o que ela estava fazendo ali. Seus pensamentos estavam na amiga morta e em como todos da sua família estavam reagindo.
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Gibbs não sabia o que fazia, ele nunca havia perdido ninguém sob seu comando. Nunca.
E ali estava. A primeira vez. E justo Kate. Ele esqueceu que tinha que voltar para casa descansar, ele esqueceu que tinha alguém com quem ele poderia compartilhar a dor. Na mente dele um único objetivo, pegar Ari e fazê-lo pagar. E, um outro, ele queria que Kate fosse honrada com a medalha estrela de prata, ela merecia.
Jethro subiu de dois em dois degraus a escada que levava ao quarto andar, e se entrou no MTAC. O Diretor tinha algo que falar com ele. Já dentro da sala escura, ele deu uma olhada de relance para a tela, alguma operação de alto risco estava sendo realizada. Passou por todas aquelas pessoas que acompanhavam a ação, já que quem parecia coordenar tudo falava em um idioma que ele não entendia. Jethro poderia jurar que conhecia o perfume de alguém naquela sala, mas ele guardou a informação para mais tarde. Nada disso importava.
Andando por entre as cadeiras ele avistou Morrow.
— Queria falar comigo, Diretor?
— Sim, como anda a investigação?
— Foi Ari, eu tenho certeza.
— Tem provas?
— Ainda não.
— Bem, Jethro, isso não é mais problema meu. Estou indo para a Segurança Nacional. – Morrow falou. – Outra pessoa já está em meu lugar.
— Não me diga que você...
Morrow deu uma gargalhada.
— Por mais que eu goste de você, Jethro, eu não daria um tiro na cabeça da agência. – o homem falou se levantando. – Vou te apresentar a quem ficou no meu lugar. – Morrow desceu alguns degraus e parou ao lado de uma mulher.
— Diretora Shepard, ele é seu problema agora. – ele falou com um sorriso e se despediu. – Vou deixar vocês dois sozinhos.
Jethro ficou olhando sem acreditar. Ele tinha ouvido direito?
— Olá Jethro. – Sua esposa disse com um sorriso. – Eu gostaria que isso acontecesse em outras circunstâncias.
Jenny era a nova Diretora? O cargo que eles haviam oferecido para ela..
— Jen, quando foi que você chegou? – Ele desceu os degraus e parou bem na frente dela, a essa altura o MTAC estava vazio.
— Há um par de horas. As meninas estão em casa. Eu só fiquei sabendo sobre a Kate quando cheguei aqui no prédio. – Ela resumiu os últimos acontecimentos. – Como você está, Jethro? – Jenny sussurrou a última parte.
Ele fez menção de sair da sala e deu caminho para ela ir na sua frente.
— Não está fácil. A equipe está abatida. – Os dois olharam para baixo e viram Tony sentado em sua mesa, encarando o local onde Kate se sentava. Abby está arrasada, e eu nem sei o que dizer de McGee.
— Pegue esse bastardo, Jethro. Pela Kate, faça isso. Eu vou te ajudar. – Ela garantiu.
— Sua amiga israelense não sabe de nada? – Ele perguntou enquanto desciam a escadas.
— Preciso ligar para ela, até agora ela não me informou nada. – Jenny foi sincera.
Quando eles chegaram na sala dos agentes, DiNozzo voltou a terra.
— Chefe, o Diretor acabou de sair daqui. E eu não tenho nenhuma novidade e... – Ele parou e encarou Jenny.
— Olá, Tony. – Jenny disse.
— Você já conseguiu chegar aqui, depois que... – o italiano não conseguiu terminar a frase.
— Eu só fiquei sabendo quando cheguei, Tony.
— E, se posso perguntar, por que as roupas sociais?
— Jenny é a nova diretora. – Gibbs deu a informação, um leve sinal de orgulho era ouvido nas suas palavras.
Tony arregalou os olhos.
— É verdade, Tony. E, entre nós, façam tudo o que for possível para achar e matar Ari.
Por mais errado que fosse, Jenny queria vingar a amiga tanto quanto eles.
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Ari só foi pego dois dias depois, foi preciso que Jenny voltasse a ser agente de campo por algumas horas, que Ziva viesse e ajudasse a achar o irmão para que ele aparecesse.
E o inimigo declarado da MCRT apareceu no porão da casa de Gibbs. Estava sentado lá quando Jethro precisou pegar algo. Encurralou o agente, e ameaçou as três pessoas mais importantes que ele tinha.
— Depois que eu acabar com você, eu vou pegar as suas filhas e a sua esposa. Vou matá-las com a sua arma. Assim como vou matar você. E, quando eu acabar, vou incendiar essa casa. As únicas pistas serão as balas e serão ligadas a você, você vai morrer como o idiota que é. – Ari disse com um sorriso jocoso.
Já prevendo que o ex-oficial do Mossad pudesse aparecer na sua casa, Jethro e Jenny tinham pedido um favor a Ziva. Enquanto Jenny tirava as meninas de casa e as levava para o um local seguro, Ziva se escondeu, e, ao ouvir a voz do meio-irmão, chegou bem perto da porta do porão. Quando o irmão apontou a Bravo 51 que pertencia a Gibbs para o peito do marido da amiga, ela não pensou duas vezes. Dois tiros e Ari estava morto.
Gibbs agradeceu à jovem oficial. Ela, com um sorriso triste, apena disse.
— Não fiz isso por você ou por Jenny. Fiz por suas filhas, elas merecem crescer com um pai de verdade por perto.
E, com aquele gesto, Ziva tinha acabado de conquistar, não só a confiança de Jethro, como também uma vaga na MCRT, ela seria aquela que ocuparia a mesa de Kate, nunca o lugar dela. Ziva teria o seu própria lugar na equipe.
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O funeral de Kate foi realizado na cidade natal dela, no estado de Indiana. A equipe compareceu para dar o último adeus. Jenny tinha um papel duplo, era a Diretora que dava os pêsames à família, mas também era aquela que perdera uma amiga.
Jethro chegou tarde, a cerimônia estava quase acabando quando ele entrou na fila, logo atrás da esposa, para o último adeus.
— Extraoficialmente? — Jenny perguntou baixo.
— Ziva matou Ari. E está levando o corpo para Israel agora. Oficialmente, eu o matei quando ele invadiu a minha casa e ameaçou a minha família. – Ele falou e pegou Juliet do colo de Jenny quando ela foi cumprimentar os pais e irmãos de Kate.
Jethro poderia jurar que estava louco, mas ele pode ver nitidamente Kate e ouvi-la dizer para ele:
— Você está atrasado para o meu funeral, Gibbs. – Ela estava parada do outro lado do caixão e ostentava a medalha de prata no pescoço. – Obrigada pelo reconhecimento, sei que você e Jenny conseguiram que isso fosse aprovado em tempo recorde. – Ela apontou para a medalha. – E uma última coisa, cuide bem dessas meninas, ou eu volto para te assombrar. – O sorriso dela foi ficando cada vez mais translúcido até que ela desapareceu na luz do sol.
Ele chacoalhou a cabeça uma vez para ter certeza de que a visão não era um sonho. Mas a presença da filha mais nova em seu colo dizia que aquilo realmente tinha acontecido.
Mais a frente, Jethro avistou Lauren, no colo de DiNozzo. Pelo olhar no rosto do agente, ele sabia que Tony estava usando a pequena como distração, para evitar pensar que nunca mais veria Kate sentada na sua frente.
No fim da cerimônia, quando o caixão foi baixado e eles não podiam fazer mais nada, Jethro acompanhou a equipe para fora do cemitério, tendo Lauren em seu colo e Jenny, com Juliet ao seu lado, um pouco mais atrás Tony, McGee e Ducky iam conversando, lembrando de momentos engraçados da amiga que agora não estava mais ali. À frente de todos, depois de pedir autorização para os pais de Kate, Abby fazia jus às suas origens e tocava uma música de Nova Orleans. Uma alegre que era para que todos lembrassem de quem Kate era, se lembrassem dos bons momentos e, para assim, lembrar de como ela viveu.
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Às vezes você pode ter desistido de buscar por uma vingança, pode ter deixado de lado o plano que te levou até onde você está, mas o destino é implacável e quando algo é para acontecer, vai acontecer.
Jenny, quando se casou com Jethro, desistiu de vingar a morte do pai, ela sabia que não valeria a pena arriscar tudo por algo que talvez nunca acontecesse. Ela seguiu com a sua carreira, e, depois de um ano e meio como diretora, tudo que um dia ela buscou, apareceu bem na sua frente, sem que ela procurasse.
Um caso da MCRT esbarrou em uma grande rede de traficantes de armas. O grande líder, La Grenouille. Quanto mais se investigava, mais se notava até onde o poder desse homem ia. E, quando a prisão foi feita, todos os documentos e arquivos quanto todas as operações em que a rã estava envolvida foram encontrados e trazidos à público. Dentre estes documentos, estava a prova cabal do desvio das armas russas em 1995. Ali, era esclarecido como o traficante conseguiu roubar as informações e incriminar o velho Coronel.
Depois de dez anos, o nome de Jasper Shepard era limpo. E, como uma dívida, ele foi enterrado com honras militares, no lugar que teria direito desde o início.
No dia do enterro, Jenny, acompanhada das filhas e do marido, não pode acreditar. Realmente existia alguém lá em cima que olhava por ela e por sua família. Deveria ser todos aqueles que se foram cedo demais e a quem ela considerava parte de sua família também, e ela agradeceu por isso.
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Era 2008. Um caso tinha aberto velhas feridas do passado. Uma amiga de Shannon tinha procurado Gibbs para ajudá-la a fugir de um ex-marido abusivo.
Enquanto Gibbs ajudava a mulher e tentava descobrir o motivo da perseguição forçada, ela o lembrava de como Shannon costumava ser. E, depois de dezesseis anos, tocavam no nome de Kelly como se ela fosse uma presença constante na vida de todos.
Eram momentos assim que Jethro se sentia culpado por ter protegido as duas, por não estar no país e ao lado delas quando tudo aconteceu.
— Vejo que você seguiu em frente... – A mulher disse apontando para a aliança no dedo anelar esquerdo dele.
— Sim. – Foi a resposta curta dele.
— Ela iria querer isso. – Maddie disse. – Ela iria querer saber que você está feliz. Você está feliz, Jethro?
— Estou, Maddie. Eu estou.
— Fico feliz por você. Espero que você tenha a oportunidade de ser pai, afinal te tiraram essa chance. – A mulher abraçou a própria filha que dormia tranquila em seus braços.
Jethro não disse nada. Apenas pensou nas duas meninas que o esperam em casa.
Ele conseguiu ajudar Maddie. No final, ele não sabia se a veria de novo. Se aquele elo com o passado seria permanente ou foi apenas uma pessoa que ele tinha que ajudar para se redimir, de uma vez por todas, com Shannon e Kelly.
Atípico para ele, Jethro ficou até altas horas no escritório naquele dia. Ele, por algum motivo, se pôs a pensar na própria vida, em todas as pessoas que entraram e saíram dela. Naquelas que chegaram do nada e permaneceram, nas que ele mesmo deixou entrar. Nas duas meninas que viraram seu mundo e, principalmente, em como Jenny havia entrado na vida dele, de uma forma inusitada, há trinta anos, para nunca mais deixá-lo.
E ao pensar em Jen, ele resolveu que já passava da hora de ir para casa. Ela não tinha que domar as duas espoletas sozinha.
Quando ele chegou, a casa estava estranhamente quieta, o máximo que ele escutava era um sussurro, como se alguém estivesse contando uma história.
Jethro pendurou seu casaco, ao lado do de Jenny, no cabide no hall de entrada. Guardou a arma de serviço e o distintivo no cofre. E, por mais que ele ansiasse por um copo de café, a curiosidade dele foi mais forte e, pé ante pé, ele subiu as escadas que levavam ao segundo andar.
A única luz acessa, depois da do corredor, era a do quarto que ele dividia com Jen. E, era de lá que os sussurros vinham. Ele parou na porta, a tempo de escutar o final da história que ela contava, imaginando de qual princesa ela falava agora, mas foi surpreendido com que escutou.
— E, depois que a Rainha e as duas princesas conseguiram ir morar no mesmo país que o Rei, todos viveram felizes, sempre tendo por perto a sua família, Abby, Tony, Ducky, Palmer e, do céu, todos sabiam que Kate, Shannon, Kelly, Jasper, Ann e Caroline guardavam seus passos e garantiam que nada de ruim aconteceria com eles. – A voz de Jenny foi ficando baixinha até que ela terminou. Antes de se levantar, ela deu um beijo na cabeça de cada uma das meninas e deixou a luz dos abajures acessa.
Jethro permaneceu parado na porta, observando a esposa e as filhas. Aquilo ali era a realização de um sonho.
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Jenny não tinha ouvido Jethro chegar e muito menos imaginava que ele estava parado na porta do quarto, quando ela acabou de colocar as meninas na cama – do casal, dias de tempestade sempre deixavam as duas com medo – ela decidiu que iria fazer um chá e esperar pelo marido.
Ela nem teve tempo de fechar a porta, quando notou que duas conhecidas mãos abraçavam sua cintura.
— Se eu entendi o final, você estava contando a nossa história para elas? – Ele sussurrou no ouvido dela.
Jenny, ainda assustada pela presença repentina do marido, precisou de um tempo para respondê-lo.
— Elas estavam me pedindo para contar como eu havia te conhecido há um tempo. Tive que pensar muito em como eu iria resumir trinta anos... – ela sorriu e roubou um beijo dele.
Sim, trinta anos.
Há trinta anos uma garotinha fazia uma escolha que mudaria tanto a vida dela quanto a de um garoto do interior da Pensilvânia.
— Sabe de uma coisa, Jethro. Tem uma coisa minha que está com você... – Ela começou.
Os dois estavam abraçados no sofá, aproveitando o raro momento de paz que tinham agora. Quando não eram as filhas correndo e exigindo a atenção dos dois, eram os empregos deles.
— Por acaso é isso aqui? – E Jethro tirou da carteira um cordão de ouro, com um pingente mínimo em formato de uma estrela azul. O cordão que uma chorosa Jenny havia dado a ele há vinte e um anos, prometendo retomá-lo quando eles se reencontrarem.
Jenny sorriu ao ver a joia.
— Sim, exatamente esse. Agora que estamos reunidos de vez, eu posso tê-lo de volta. – E ela levantou os cabelos para que ele colocasse o cordão no pescoço dele.
E, naquele momento, era inevitável que eles retornassem ao passado e lembrassem de cada momento que culminou com aquele ali. Os dois, casados, pais de duas meninas, trabalhando praticamente um ao lado do outro.
Depois de tanto, depois de idas e vindas, depois de lutarem com todas as forças por esse amor, eles poderiam dizer, foi o destino que uniu aquela garotinha ruiva e aquele garoto de cabelos castanhos trinta anos atrás.
E contra a força do Destino, não há alternativa. Se eles foram destinados a serem um do outro, eles ficariam juntos ao final.
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