Destino
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Notas iniciais
Seis meses passaram voando. E o Natal chegou. Os dois tinham combinado que ela viria para o EUA. Quando tivessem uma nova folga, era a vez dele ir para Londres.
Por mais que eles quisessem ter um Natal de verdade, com árvore, casa enfeitada, luzes do lado de fora e trocas de presentes. Eles resolveram que só os dois bastavam. Os dois, uma garrafa de Bourbon e uma pizza ou comida chinesa para viagem. Estavam ocupados com outras coisas.
A noite de ano-novo foi na casa de Ducky. Na verdade, o Natal era para ter sido lá também, mas os dois deram a desculpa de que preferiam ficar um pouco sozinhos, o bom doutor entendeu o recado, mas ordenou que eles aparecessem para a virada.
Eles foram, Decker estava lá também, com sua nova namorada. E quando deu a virada, não somente de ano, mas de século, os dois se beijaram, desejando que o novo milênio trouxesse mais alegrias que tristezas.
Tão logo o ano novo veio, ela teve que partir. Dessa vez era ele quem ficava para trás. E ele ficou parado na grande janela do portão de embarque até que teve certeza de que não era mais possível ver o avião onde ela estava. Ele não queria voltar para uma casa vazia ou pior, dormir em uma cama igualmente vazia.
Mas ali estava ele. Parado na porta do quarto, o perfume dela – que ele só foi descobrir que era francês e muito caro depois que eles ficaram estacionados em Paris – ainda preenchia o ar. Ele pegou uma coberta – a dela, e dois travesseiros – o dela para que ele abraçasse – e foi dormir no sofá.
E a rotina dele se estabeleceu em trabalhar, tentando não matar a equipe dele, voltar para uma casa vazia e dormir no sofá.
Com Jenny não era muito diferente, mas ela ainda conseguia dormir na cama, abraçada com um travesseiro que ela jurava ainda ter o cheiro dele e com o moletom que era dele, ela tentava aplacar a saudade até o próximo reencontro.
Os telefonemas eram constantes, nem que seja uma vez por dia. Mas, às vezes o fuso horário e o trabalho impediam. E estes eram os piores dias para as equipes deles. O mau humor imperava. Ele saía distribuindo tapas na cabeça e ela exigia que tudo fosse feito na velocidade da luz.
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Eles sobreviveram a 2000. Com muito custo, muitas despedidas, às vezes pensavam se não seria melhor que um deixasse o emprego, mas logo desistiam da ideia. Eles dariam um jeito. Sempre deram.
E-mails, vídeo-chamadas pelo MTAC na calada da noite ou no amanhecer do dia e telefonemas ajudavam. Os feriados prolongados também, assim como as férias. Era a vez dele ir.
E o tempo pode ser algo variável. As férias de verão que ele tirou no meio do inverno, eram de trinta dias, que passaram mais rápido que um final de semana. Logo, ele estava arrumando a mala para voltar, e ela arrumando a dela, estava sendo transferida, uma missão em conjunto com o Mossad. Haviam prometido que seria rápido, que logo ela estaria de volta para Londres. Dessa vez a despedida deles era com uma partida dupla, sem saber quando se veriam novamente.
Mais uma vez um saguão de aeroporto. Mais uma vez eles esperavam ter o nome chamado pela companhia aérea. Um beijo apaixonado e o milionésimo eu te amo da vida deles, e cada um seguiu para seu portão. Ele para Washington, ela para Tel-Aviv.
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Se ela achou que uma Missão infiltrada do NCIS era complicada, era porque ela não conhecia o protocolo do Mossad. Eram detalhes demais, loucuras demais. Quando ela viu, estava dentro de um carro, escorregando pelas estradas sinuosas do leste europeu, com Ziva David, a oficial que tinha sido designada como sua parceira, ao volante. Jenny teve certeza que essa israelense deve ter sido uma piloto na outra vida, principalmente quando ela cortou um caminhão e ainda teve a audácia de buzinar para outro que vinha na mão dele de encontro a elas. O destino delas só podia ser dois, ou o desfiladeiro ou a frente do caminhão. Um excelente modo de morrer.
Mas por sorte, Ziva manobrou o pequeno Lada e elas passaram entre os dois caminhões, Jenny, já quase acostumada com os métodos assassinos da parceira, resolveu ficar quieta, ela não queria uma arma apontada para a sua cabeça nesse exato momento.
Enquanto Jenny arriscava a vida no Leste Europeu, Jethro estava tentando lidar com o seu novo recruta, um detetive de Baltimore, cheio de panca e história para contar, mas com uma habilidade única para a investigação. Ele só tinha um único enorme problema: falava demais e falava sem parar. Anthony DiNozzo teria sorte se sobrevivesse ao primeiro mês.
E assim, meio ano foi embora. O contato dos dois era mínimo. E a cada dia distante, Jethro aprendeu que a cabeça de DiNozzo era um excelente lugar para se descontar sua raiva, e Jenny aprendeu que, às vezes, atirar primeiro e perguntar depois, pode ser melhor que fazer terapia. Ela só não contava que tinha alguém atrás dela. Ou melhor, delas. Ela e Ziva agora deixaram de serem as caçadoras e passaram as ser as caças. E, em uma tarde, no meio do verão no Cairo, elas foram pegas pela mesma célula terrorista que elas tentavam pegar. As chances delas saírem vivas dali eram mínimas.
Jethro ainda não sabia o que estava de errado, mas a sua infalível intuição estava dizendo que algo estava errado. Assim, que ele chegou da cena do crime, o Diretor o chamou em sua sala.
Ele subiu de dois em dois degraus. Algo tinha acontecido com Jen.
— Ela foi sequestrada por uma célula terrorista que estava investigando. – Foram essas as exatas palavras de Morrow.
Ele quis quebrar aquela sala. Quis esmurrar o diretor.
— Chances de achá-la?
— Deixamos a cargo do Mossad.
— E Israel vai fazer alguma coisa? – Ele perguntou incrédulo.
— Sim. A Oficial que está com ela, é filha do Diretor do Mossad. – Morrow garantiu.
Foram quarenta dias de agonia, de tortura, de interrogatórios forçados, falsos afogamentos. Chegou uma hora que Jenny achou que morreria. Ela não aguentava mais, pensou desistir. Mas ela nunca foi de jogar a toalha. Então resistiu.
E, quando ela já achava impossível que fosse sair daquele inferno, o resgate chegou. Falando em hebraico, atirando sem nem perguntar. Ela estava tão aérea, tão fora de si, tanto pela dor quanto pela privação de comida e sono que não percebeu para onde estava sendo levada.
Quando ela acordou, estava em hospital militar. Não conseguia distinguir exatamente onde. Mas estava viva. E a sua maior preocupação foi ligar para casa. Para ele.
Demorou horas, mas finalmente alguém foi conversar com ela. Um homem, mais ou menos da idade dela. Se apresentou como Ari Haswari. Ele fora um dos responsáveis pela missão de salvamento.
— E Ziva? – Ela perguntou pela amiga.
— Está bem, em um estado um pouco melhor que o seu, devo dizer.
— Sim.
— Você volta para os EUA dentro de vinte e quatro horas. Gostaria de algo?
— Preciso de um telefone. – Ela pediu.
— Tudo menos ligações.
— Onde estou afinal? – Todo esse mistério a estava tirando do sério.
— No coração do Mossad.
E ela se sentiu sortuda de sair de lá viva.
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Ele não tinha nenhuma notícia. Nada. Nem uma fagulha de esperança de que estavam procurando por ela.
Ele não poderia perdê-la. Não ela. Não quando ele levou tanto tempo para reencontrá-la e tê-la em seus braços.
Longos quarenta e quatro dias. Sem uma notícia. Ele estava a ponto de pegar uma mochila e ir procurá-la. Nem culpar DiNozzo por tudo o que estava acontecendo estava fazendo efeito. E para piorar o caso estava parado. Nem a sua nova analista forense estava achando resultados que pudessem ser uma pista do que havia acontecido dentro daquela casa.
Ele estava a ponto de atirar para o alto quando o telefone tocou, Ducky o chamava na autópsia.
— Quando eu voltar, DiNozzo, é muito bom você ter algo.
— Sim, Chefe! – O jovem italiano disse, mas ele não fazia ideia de como iria conseguir descobrir algo no meio de tanta bagunça.
Tony estava usando todas as pistas que eles haviam coletado para tentar juntar as peças e achar quem poderia ter feito aquilo, quando o elevador fez um ding. O novato apenas se encolheu, logo, logo, ele sentiria a mão do chefe se encontrando com a parte de trás da cabeça dele. Mas isso não aconteceu, quando ele parou para prestar atenção, tinha uma mulher ruiva, praticamente da mesma idade dele, parada perto da entrada de onde as mesas dele e de Gibbs ficavam. Apesar de estar um tanto magra e parecer que tinha passado por uma provação e tanto, ela era bonita.
— Em que posso te ajudar? – Ele sorriu charmosamente.
A mulher respirou fundo.
— Onde está Jethro? – Ela pediu, dizendo o nome dele como se fosse o salvador dela. E então Dinozzo entendeu. Aquela ali, parada na frente, era uma das mulheres que ele taxava como proibida. Ali estava a esposa sequestrada de seu chefe. No fim das contas, ela havia sobrevivido.
— Você é.... – Ele começou, mas foi interrompido.
— Jenny Shepard.
— Anthony DiNozzo. – Ele disse apressado. – O Chefe, er.. Gibbs está na autópsia. Ducky o chamou.
— Sim. Obrigada. – Ela disse e escaneando as mesas, foi fácil de localizar a que pertencia ao marido dela.
DiNozzo lançou um olhar aterrorizado para ela.
— Ele não é doido de fazer isso comigo, DiNozzo. – Foi a resposta cansada que ela deu.
— A cabeça é sua! – Tony devolveu.
— Bem, se ele não quiser dormir no sofá, ele não vai acertar a minha cabeça. – Foi a tirada dela.
DiNozzo só concordou. E percebeu, ela era corajosa e tinha vários parafusos a menos na cabeça.
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Gibbs queria respostas, mas nem Ducky ou Abby as tinham, ou talvez tivessem, ele que estava lento e distraído demais para perceber algo que estava bem na sua frente.
Ele deixou o laboratório da jovem gótica e voltou para a sala do esquadrão. Era muito bom Tony ter feito o trabalho dele.
Porém, assim que ele avistou Dinozzo, o agente estava assustado, olhando para a mesa bem em frente a dele. Gibbs ia dizer algo, tentar trazer o falador ex-detetive para a terra quando ele avistou um rabo de cavalo vermelho.
Gibbs apressou o passo e com a batida de um coração, ele entrou entre as mesas e não acreditou quando um sorriso cansado o recebeu. Ela estava ali. Tinha voltado para ele. Jen, a sua Jen, estava viva.
Ela se levantou. E caminhou até ele. Com certeza ela tinha sido torturada, estava magra, com o rosto cansado, mas estava viva.
Ele nem notou quando foi que Tony saiu dali. Ele não notou que tinha uma plateia. Tudo o que ele via era ela.
— Olá Jethro. – Ela o cumprimentou como tinha feito quando eles se encontraram dois anos e meio atrás.
Ela sabia que ele não diria nada. Não perto de tanta gente. Mas ela pode ler nos olhos dele tudo o que ele passou. Ela foi ao inferno e voltou. Mas ele ficou no purgatório esperando e procurando por ela.
— Quando você chegou? – Ele perguntou, dando uma olhada nas roupas dela, eram estilo militar, nada lembravam o que ela usava normalmente.
— Não tem uma hora, vim direto para cá. Acho que não tinha outro lugar para ir. – Ela disse sem graça. Ela tinha consciência de que estava parecendo uma boneca de trapo.
Ele estendeu a mão para ela. Olhou em volta e viu que Abby sorria para ele, com a clara expectativa de querer conhecer a famosa Sra. Gibbs. Viu Ducky e Tony que parecia querer sair dali, mas estava muito interessado no que estava acontecendo.
— Temos que ir para casa, mas antes....
— AI MEU DEUS!!! FINALMENTE!! – Abby gritou tão alto que o prédio inteiro ouviu.
— Essa é a Abby. Analista Forense. – ele sussurrou no ouvido dela.
— Olá Abby! – A ruiva estendeu a mão, que foi totalmente ignorada pela jovem que a pegou em um abraço de urso.
Jenny pareceu meio desnorteada com a recepção.
— Ela adora abraçar. – Foi o que Jethro lhe confirmou.
— Notei. – Ela respondeu rindo.
— Eu não acredito que eu estou te conhecendo. Sabe o Gibbs não fala muito, mas eu sempre quis saber quem era a outra pessoa que tinha uma aliança igual a dele! Então eu perguntei para o Ducky e ele me contou de você, disse que é o padrinho de casamento de vocês!! Isso é tão fofo!! E eu estou tão feliz que você esteja viva e bem! Sabe foram os piores dias dessa equipe. E eu todo dia rezava para você voltar bem, mesmo nem te conhecendo. Mas isso não importava, pois se Gibbs te escolheu para ser a esposa dela, eu já gosto de você! – a gótica disse tudo isso em um único fôlego.
— Eu agradeço as orações, Abby. De verdade. – Jenny respondeu sem jeito, lançando um olhar ameaçador para Ducky que pareceu espalhar a história dela e de Jethro pelo prédio inteiro.
— Agora você tem que descansar, sabe como é. Se você quiser eu posso fazer uma sopa que é uma receita da minha avó, é excelente para você recuperar as forças! Você precisa!! Gibbs, você tem que tomar conta dela, ela TEM que descansar, tem que ficar bem confortável...
— Abigail... – Ducky interveio.
— Mas Ducky... eu só.... – Ela disse sem entender.
— Acho que a nossa Jennifer precisa ir para casa, depois você pode ir lá visitá-la, o que acha? – Ducky foi arrastando a moça para o elevador dos fundos.
— Tudo bem, Ducky. – Ela disse, mas voltou correndo, para dar outro abraço na ruiva recém-chegada e em Gibbs, isso sem esquecer – Eu estou tão feliz por você que ela está de volta, Gibbs!!! – Depois correu para o elevador, chamando por Tony, que a seguiu com um olhar espantado.
— Sua equipe é bem eclética! – Jenny disse com um sorriso.
— Você não faz ideia. Vamos para casa? – Ele ofereceu.
— Achei que você estava no meio de um caso!
— DiNozzo se vira até eu voltar.
— Se você diz. Por mim ele e Abby vão ficar atrás de Ducky até que ele conte a nossa história detalhe por detalhe.
— Se ele quiser manter a cabeça dele no lugar, melhor ter algo quando eu voltar.
— Quem diria que você seria um chefe linha dura, Jethro!! – Ela brincou com ele assim que as portas do elevador se fecharam.
Não foi culpa dela, toda a tensão e o medo dos últimos quarenta e tantos dias cobraram o seu preço e foi só o carro começar a andar que ela, com a cabeça apoiada no ombro dele, dormiu. Agora sim, se sentindo segura e, finalmente, em casa.
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A licença de Jenny era de um mês. Ela tinha que se recuperar de tudo o que aconteceu. Era difícil, mas ela tinha Jethro e, por mais incrível que pareça, a equipe em formação dele.
Cada um deles tinha uma história para contar, cada um com um passado com bons e maus momentos. E ela sentiu como se eles formassem uma família. Disfuncional, louca e muito estranha, mas uma família. E, assim, ela foi capaz de superar as torturas, as horas de terror. Foi capaz de aprender com os erros que levaram àquela situação e anotar o que ela jamais deveria fazer.
Assim, os trinta dias passaram, ela tinha que voltar para Londres. E, uma noite antes do embarque, Ducky reuniu todo mundo. Foi ao mesmo tempo estranho e reconfortante, mesmo que Jethro tenha reclamado que ele perdeu algumas das últimas horas que ele teria ao lado dela, ali.
E a despedida das duas pessoas que tinham se transformado em seus amigos foi tão dolorosa quanto ela já sabia que seria. A volta dela estava programada para o Natal. E, dessa vez ela realmente viria no Natal.
Dizer adeus para Jethro já deveria ser rotina, mas não era. Ela ia com o coração na mão, não queria deixá-lo, não queria ir, não queria ter que encarar os demônios sozinha, quando a noite chegasse.
Mas ela teve que ir. Era triste e, pela primeira vez, ela chorou o voo inteiro. Chorou até que dormiu. Londres não foi diferente. Cada dia era mais difícil e ela notou que a saúde dela não mais a mesma. Seus horários estavam trocados, não dormia a noite, mas durante o dia tinha um sono de derrubar. Não conseguia comer muita coisa e o pouco que comia a fazia passar mal.
Em uma certa manhã, Jenny estava debruçada sob uma papelada, um caso não muito fácil, o assassinato de uma bebê, filha de um Marine. Ela logo lembrou de Kelly, a filha recém-nascida de Jethro que tinha sido tirada dele sem que ele pudesse conhecê-la. E, do nada, ela começou a chorar. Com direito a soluços e grossas lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
Sem entender o que a fez chorar assim, Jenny pegou a sua bolsa e correu para o banheiro, tinha que parar com o escândalo antes que alguém notasse e tinha que retocar a maquiagem que ela sabia que estava borrada.
Quando abriu sua necessaire, ela viu uma coisinha que não usava há quanto tempo? Ela contou e recontou, mas não lembrava a última vez em que seu ciclo tinha se completado. E ela ficou encarando o pacote de absorventes como se eles fossem responder a sua pergunta.
— Não... eu só não devo ter contado direito.
Mas você contou.— uma vozinha dizia dentro de seu cérebro.
— Mas a última vez que eu e Jethro...
Antes de você voltar para Londres. Lesada!— A Jenny interior respondeu.
— Isso dá? – Jenny enrugou a testa e olhou para si mesma no espelho.
Se estamos em novembro, e você voltou em julho, faça as contas.— Mais uma vez seu cérebro a trouxe para a realidade.
— Quase quatro meses!!! – Ela abriu um sorriso gigante e olhou para o próprio abdômen. – E eu achando que estava engordando!! – Seus olhos brilhavam e ela não reconheceu aquela mulher que lhe olhava de volta!
— Tudo bem, Jennifer, respira, você precisa de confirmação.
Confirmação?!— A voz na cabeça dela riu. – Você vem passando mal dia após dia, está com sono em horários estranhos, anda chorando igual a um bebê fora que... olha como seu soutien está te apertando, mulher!!
— Por Deus, será que eu estou.... GRÁVIDA?!!
Essa não é a pergunta que você tem que fazer, querida... a sarcástica voz interior dela disse. Você não deveria estar se perguntando outra coisinha não? Como, que tal: Como vamos criar esse bebê se nós nunca moramos na mesma casa por mais de um mês seguido?
— Ô meu Deus!! Eu tenho que contar para o Jethro! – Jenny esqueceu maquiagem borrada, esqueceu até mesmo porque estava chorando. Ela tinha algo muito importante em mente. Mas antes ela tinha que confirmar.
Ela correu até a farmácia do outro lado da rua, comprou quantos testes de gravidez ela encontrou. Dez no total. Voltou para o prédio, faltavam menos de vinte minutos para o final do expediente. Ela poderia esperar.
Ela aguentaria esperar?
Quando foi possível ouvir o Big Ben dar as dezoitos badaladas, ela já estava praticamente dentro do elevador.
Ao chegar em casa, ela correu para o banheiro. Não era lá muito agradável o que ela estava por fazer, mas ela tinha que ter certeza antes de contar para ele. Certeza absoluta.
Os dez minutos até que o resultado apareça no palitinho foram os mais longos da vida dela. Ela andou por todo o apartamento, quase ligou para ele de tão ansiosa que estava. Quase ligou para Ducky ou Abby. Quis gritar, sair dançando, se sentar no chão e chorar. E a hora não passava.
Finalmente o contador regressivo do celular apitou. Ela correu para o banheiro e lá estava. Positivo.
Ela estava grávida.
Ela seria mãe. E Jethro, finalmente, poderia ser pai.
Ela gritou de felicidade.
E bolou um plano. Não contaria para ele agora. Não mesmo. Dentro de três semanas ela iria para os EUA. Era a vez dela passar o Natal lá. E ela já sabia qual presente daria a ele.
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Os meses desde que ela voltou para Londres se arrastaram, mas ele estava mais tranquilo agora. Ele sabia onde ela estava e como ela estava. Apesar de que nas últimas semanas ela tem soado estranha ao telefone. As vezes eufórica demais. Mas hoje ele tiraria qualquer dúvida que pudesse ter.
Ele a viu antes que ela pudesse vê-lo, os cabelos vermelhos se destacando no meio de toda aquela gente. Ela estava na ponta de pé e se esticava para procurá-lo no meio das pessoas na sala de desembarque. Quando ela o achou, o sorriso que ela deu foi de tirar o fôlego. Desde quando ela sorria assim? Tinha algo de diferente nela.
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A roupa que ela escolheu para viajar era ao mesmo tempo confortável e folgada o suficiente para que escondesse a sua barriga de quase cinco meses. Mas ela tinha certeza que ele notaria assim que pusesse os olhos nela. Não tinha como negar mais. Era visível até se a pessoa não olhasse para a barriga dela. Tudo nela gritava: Eu estou grávida!!
Na bolsa, ela havia escondido o teste de gravidez, o exame de sangue que confirmava cabalmente e o ultrassom que ela já fizera, tudo estava bem com o bebê, e, bem ela já sabia o sexo. Mas queria que ele tentasse descobrir.
Ela o procurou na multidão. Procurou por aqueles cabelos castanhos e olhos azuis, Mas, como sempre, ele a achou primeiro, ela leu isso no rosto dele quando, finalmente, seus olhares se encontraram. E leu algo mais. Ele tinha percebido algo. Ele já tinha notado a mudança, mas ainda não sabia o que mudara ou o tamanho da mudança.
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As pessoas foram encontrando seus familiares ou pessoas queridas, e o espaço entre eles diminuindo. Até que ele a fitou de corpo inteiro. Ela estava, de fato, diferente. Muito diferente. Suas roupas estavam mais largas, seu rosto um pouco mais redondo. O sorriso ainda mais aberto que o normal, com uma mão ela puxava uma mala enorme, na outra ela tinha um presente. Uma caixinha branca com um laço rosa.
— Para você. – Ela entregou o embrulho antes mesmo de saudá-lo com um beijo de tirar o fôlego, como era o costume dela.
Ele levantou uma sobrancelha para a caixinha.
— Acho que você errou na cor da fita! – Ele disse desconfiado.
Ela apenas riu. Daquele jeito divertido e leve que ela vinha fazendo.
Mais uma vez ele deu uma escaneada nela. Ali tinha algo. O sorriso, o olhar em expectativa.
— Vamos, Jethro, eu estou morta de cansada, abra logo! – Ela pediu.
Ele atendeu ao pedido dela, mesmo achando a fita rosa um tanto quanto ofensiva para o gosto dele.
Quando o nó da fita foi desfeito, ela deu um passo para frente, invadindo o espaço pessoal dele e o olhando com expectativa.
Ele não entendeu o motivo de tanta alegria. Até que ele olhou dentro da caixa.
E ele teve que olhar de novo.
Um teste de farmácia com o sinal de positivo. Um exame de sangue que trazia a confirmação do teste. Um sapatinho de bebê branco com a fita rosa. E, pelo visto, a primeira foto de um bebê, se ele conseguiu entender o ultrassom direito.
Fita rosa na caixa. Fita rosa no sapatinho.
Jenny estava grávida! Grávida de um bebê dele! E era uma menina! Ele seria pai de outra menininha!!
Ele olhou para ela de novo. Escaneou com mais cuidado o corpo dela. Ela não aguentou mais tempo e pegou a mão dele, a pousando na barriga já grande dela.
Ele perdeu o ar. Esqueceu como se respirava.
— Diga olá para ela, Jethro! – Jen disse no ouvido do marido.
Ele conseguiu ter o sangue frio de fechar a caixinha antes de pegar a esposa no colo e beijá-la. Era o melhor presente de Natal que ele poderia ganhar. E mais uma vez os dois faziam uma cena no meio do aeroporto!
— Você está de quanto tempo? Por que você não me disse por telefone? Eu teria ido para Londres no primeiro avião. – Ele começou a falar assim que a colocou no chão.
— Porque eu queria ver o seu sorriso quando você ligasse as peças, e isso não é notícia que se dá por telefone!! – Ela sorria para ele.
Jethro pegou a mala dela com uma mão, entregou a caixinha para ela e passou o braço livre pela cintura, conseguindo pousar a mão na barriga já evidente dela.
— Quantos meses?
— Quando foi a última vez que nós dois.... – Ela deixou implícito o final, pois tinha crianças perto.
— Cinco meses?
— Sim... cinco.
— E você passou pelo primeiro trimestre sozinha, Jen! Você deveria ter me contado!
— Eu só descobri o mês passado. Achei que todo aquele mal era consequência de.... você sabe. – Ela diminuiu a voz.
Ele beijou a têmpora dela. Nada poderia tê-lo deixado mais feliz.
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