Notas iniciais
Como a história já está toda escrita, vou postá-la de uma única vez! Boa leitura!

Um ano se passou. Ela ainda escrevia, mas a frequência das cartas não era a que ela queria que fosse. De algum modo o pai dela descobrira sobre ela e Jethro – Ela se recusava a chamá-lo de Leroy. – e passou a vigiá-la de perto, bem de perto. Como se fosse possível ela fazer algo por carta!! Aliás, esse algo era o que ela se arrependia de não ter feito... mas não seria nesse verão. Não seria nem tão cedo. Pois ela não iria para Stillwater neste ano. Era a primeira vez em onze anos que ela passaria o verão longe dele.

Ele recebeu a última carta dela, leu, releu, e tornou a ler. Ele quis rasgá-la, quis colocar fogo naquelas páginas com letras bonitas e manchadas de lágrimas. Mas ele não teve coragem. Ele nunca teria. Com tristeza, ele numerou o envelope e colocou dentro da caixa onde todas as outras estavam. Já eram muitas. As primeiras simples, sem nada de importância, a última terminava com “Eu te amo”. Era possível sentir o perfume dela quando ele abria a caixa e aquilo quebrava o seu coração.

A ideia que ele tinha de poder ir para a faculdade com uma bolsa, era só isso, uma ideia, ele não sabia como, mas o segundo melhor jogador da escola conseguiu a vaga que era dele. Então ele partiu para o plano B. Sem Jen na cidade, seu verão não tinha nada de especial. Assim, ele juntou o que tinha e foi embora.

Duas semanas depois ele era aceito nos Fuzileiros e o treinamento começava.

Ela tentou. Ela chorou. Ela até implorou. Jennifer Shepard não era uma garota de implorar, mas por ele ela faria isso. A resposta era sempre a mesma:

— Não. Aquele garoto sem futuro não vai estragar a sua vida!

— Ele tem um futuro. Ele vai ser jogador de futebol! Você vai ver! – Ela gritou de volta.

— É senhor. SENHOR, MOCINHA! – O pai devolveu.

— Não sou uma das cadetes do Exército que tem que prestar continência! – Ela respondeu ofendida. Ela tinha quinze anos e estava sofrendo por amor pela primeira vez.

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Pelos próximos dois anos, os dois só se desencontraram, quando ela conseguiu voltar a Stillwater para o funeral dos avós, ele não estava lá. E aquilo doeu, doeu tanto que parecia que arrancavam o coração dela. O pai dele, sempre gentil, disse que ele tinha se alistado nos Fuzileiros. Ela entrou em desespero. Vinham falando de guerra. E se ele fosse mandado para lá?

Quando ele ficou sabendo que ela estivera em sua cidade. Ele quis se dar um tapa na própria cabeça. Não era possível! Já tinha quase dois anos que não se viam. E as cartas dela não chegavam mais. Ele tinha certeza de que ela o tinha esquecido. Quando ele se foi de vez, prometendo não voltar, ele conheceu uma outra ruiva. Seu nome era Shannon. Ela era o oposto da indomável ruiva que ele conhecia.

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Jenny Shepard agora tinha dezoitos anos. Era dona do próprio nariz e da própria vida. Estava fazendo faculdade em Havard. Pela primeira vez em toda a sua vida ela iria ficar em um único lugar por muito tempo. E esperava, com todo o coração, que ela pudesse reencontrá-lo. Fazia tempo, ela sabia. E sabia também que as cartas que ela mandara foram extraviadas, seu pai garantiu isso. Jethro não sabia dela, assim como ela não sabia dele. Mas todas as noites, quando ela ia dormir ela pensava nele.

Era 1990. E uma guerra estava à caminho. Pelo menos uma guerra de verdade, pois a guerra fria ainda gelava a esperança de todos por uma paz permanente.

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Ele recebeu a notícia de que seria mandado para a Guerra. Por mais que ele soubesse que isso poderia acontecer, era o pior momento para ele. Ele tinha acabado de descobrir que seria pai. Ele e Shannon esperavam uma garotinha. E ela já tinha até nome. Kelly.

Ele havia feito um juramento e teria que cumprir. Então, ele colocou a faceta de corajoso, beijou a esposa e a barriga dela, prometeu voltar inteiro, entrou na caminhonete e foi. A parte inteira de seu coração ficando para trás. E ele não pode deixar de rir da ironia da situação. Quatro anos atrás uma mesma cena tinha acontecido, mas fora ele quem havia ficado.

Quando chegou na base aérea de onde decolaria para o inferno na terra, ele conferiu duas coisas, a foto da esposa estava ali, dentro do bolso de sua farda, assim como um cordão, que uma outra ruiva havia dado a ele. Jethro beijou o cordão, mesmo que não soubesse o motivo de ainda guardá-lo, e o jogou no mesmo bolso onde a foto de Shannon estava.

Respirou fundo e torceu para voltar vivo.

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Ela estava em uma aula chata, a matéria, ela nem fazia ideia. A única coisa que pensava era: algo de ruim está para acontecer. A ruiva levou a mão ao pescoço para buscar conforto no cordão do qual tanto gostava, mas ele não estava mais ali. Ela havia dado a sua joia favorita para o seu primeiro amor. Por mais tolo que soasse agora, ela não se arrependia. Ela amava Jethro. Sempre amaria, isso ela tinha certeza. Porém ela descobriu que ele havia seguido em frente. Havia se casado. Ela não o culpou. Foi uma promessa de criança. Céus! Ela tinha catorze anos! Ela tinha inveja da esposa dele. Mas não desejava mal. Talvez os dois não estavam destinados a ficarem juntos mesmo.

Todos estes pensamentos não a fizeram bem. E pior ela ficou quando descobriu que os Fuzileiros foram mandados para o Golfo. Era isso o que a estava deixando inquieta a final.

Por menos que fosse religiosa, ela rezou. Pediu que quem quer que protegesse esse mundo, que protegesse Jethro.

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Os meses passaram. 1991 chegou. A filha dele estava quase chegando. Faltava pouco agora, ele iria conhecer a sua princesinha.

Ele gostaria de saber o que acontecia fora desse inferno onde ele estava, mas até a mais simples das cartas era difícil de chegar. Porém, notícias ruins chegavam. E uma em particular quase o matou.

Ele acordou dezenove dias depois. Ainda não acreditando no que havia acontecido. Ela não poderia ter morrido. Elas não poderiam ter morrido. Ele nem chegou a conhecer a sua menininha!

Mas era verdade. Kelly tinha dias de vida, quando Shannon foi corajosa e quis ir testemunhar um assassinato. Ela tentou fazer o mesmo que ele. Porém acabou morta.

Era inacreditável. E lá estava ele, no velório das duas. Sua menina ele conheceu apenas em fotos.

Diante da sepultura delas ele quis tirar a própria vida. Quando ele tirou a arma do bolso, um cordão caiu no chão diante dele.

“Você não vai ficar livre de mim”. Um sussurro passou pela sua mente. Ele quis arremessar a coisa para longe, mas, talvez, aquilo tenha salvado a vida dele. Ou talvez ele não estava pronto para deixar esse mundo.

Ele ainda ficou com os Fuzileiros por um tempo. Em 1994 saiu e se juntou ao NIS. Iria começar a fazer a diferença de outra forma.

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Jethro estava sentado em sua mesa, seu chefe, Mike Franks reclamando qualquer coisa sobre o pessoal do Exército ser covarde demais. Aquela era a saída de um traidor mesmo.

Ele levantou a cabeça e olhou curioso para o agente.

— Vê se não estou falando a verdade, novato? — E Franks jogou o jornal na frente dele. As letras grandes e destacadas quase o fazendo passar mal.

CORONEL JASPER SHEPARD, ACUSADO DE RECEBER PROPINA, TIRA A PRÓPRIA VIDA

Em letras menores, embaixo da foto de uma casa chique em Georgetown estava descrito:

A filha do Coronel, Jennifer Shepard foi quem encontrou o corpo pela manhã.

Franks continuava a balbuciar sobre o Coronel ser covarde, mas Jethro não estava mais prestando atenção. Ler o nome da amiga de infância e — por que não? – primeiro amor, mexeu com ele. Ele sabia que Jen não tinha mais ninguém. Quase assim como ele.

Jethro ponderou o que deveria fazer, mas, como antes, não encontrou as palavras necessárias para tal. Ele pensou em ir para a casa dela, era em Georgetown, ele só precisava pesquisar o endereço. Aí ele lembrou, o Coronel estava sendo acusado de receber propina, o mundo deveria estar nas costas de Jen agora... ele tinha uma promessa a cumprir.

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Jenny vinha chorando nas últimas setenta e duas horas sem parar, Aaron estava do seu lado o tempo todo. Isso era bom, mas ela ansiou por outro abraço. Um abraço mudo, mas que dizia tanto. Não que não gostasse de Aaron, se não gostasse não estaria noiva dele, mas ele era grudento demais, falante demais. Perfeito demais.

O funeral do pai dela foi horrível, ela mal se lembrava do que acontecia ao redor. Só tinha um pensamento na cabeça. Vingança.

E, depois de um tempo, enquanto via o caixão de seu pai ser baixado, ela sentiu que alguém a observava. Rapidamente procurou quem quer que fosse. Àquela altura, ela tinha certeza que eram repórteres. Porém, não encontrou ninguém.

Aaron a chamou para ir, não havia mais nada o que fazer ali. Ela resistiu um pouco, não estava pronta para dizer adeus ao pai. E, também queria saber de quem era a presença que ela sentia.

O noivo seguiu para o carro, ela ficou mais um tempo, e o olhar estava sob ela. Ela olhou para todos os lados e, com muito custo, conseguiu avistar um vulto, não parecia rum repórter, mas ela não reconheceu o homem de sobretudo. Por mais que ela o tenha encarado e ele a tenha encarado de volta. E essa encarada a fez tremer. Depois de algum tempo o estranho quebrou o contato visual e foi embora. E a ruiva ficou tentando lembrar de onde ela reconhecia aquela postura.

Aaron estava sempre ali. Vinte e quatro horas por dia, fazendo tudo para deixá-la mais feliz. Mas ela não queria felicidade, ela queria alguém que a ouvisse, que a abraçasse apertado e mesmo em silêncio, dissesse que tudo ficaria bem, que ele estava ali com ela.

Foi então que ela reconheceu. É claro que dez anos mudariam tudo, ele estaria mudado, ele era um Fuzileiro agora. O homem no cemitério não era outro senão, Jethro. Ele estava ali cumprindo a promessa dos dois de tantos anos atrás. E ela chorou mais uma vez, chorou pelo pai, pelos verões que não voltariam mais. Chorou por Jethro e pelo amor que ela tinha por ele. E ela nem sabia onde achá-lo.

Os meses se passaram, a relação com Aaron se deteriorou a olhos vistos, o belo casal que desfilava de mãos dadas e sorrisos no rosto mal se falava. Não era dele que ela precisava. Não era dos presentes caros e mimos que ele dava que necessitava. Então, um dia, chegou ao fim. Justo no dia em que ela se inscreveu na academia do NCIS.

Aaron brigou, falou que era inútil. Ela seria uma excelente assessora de algum congressista. Ela bateu o pé. Ela era muito mais que um troféu. Ninguém a controlaria mais. A vida dela tinha sido controlada por muito tempo. Agora ela decidia. TUDO.

Por três meses Jenny sofreu. Aprendeu a atirar. Aprendeu como se proceder em uma tocaia, como investigar uma cena de crime. Assistiu a incontáveis autópsias e vomitou em inúmeras também. Mas ela seguiu em frente. A indomável garota de cabelos ruivos estava de volta. E agora não tinha fofoca que a impedisse de seguir com a sua vida.

Quando ela se formou foi mandada para Camp Pendleton. Iria começar como novata na equipe de Henrietta Lange.

1995 acabou, veio 1996 e a vida dela se resumia a trabalho, trabalho e mais trabalho. E, logicamente, a procurar por ele. Ela havia tentado em todos os meios de pesquisa que havia no NCIS, mas não encontrou o nome dele junto com os Fuzileiros da ativa. Ela tinha medo de determinar a pesquisa com a opção “mortos”, tinha medo do que fosse aparecer na tela. Mal sabia ela que ele estava fazendo a mesma coisa, e que ambos haviam esquecido de procurar dentro da própria agência.

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Ele por sua vez, seguia a mesma linha, com uma única diferença, buscava em outras ruivas uma forma de substituir a que ele havia perdido. Mas ele nunca sabia qual das duas, na verdade, ele substituía, às vezes eu tinha certeza que era Shannon, ele sentia falta do carinho, do amor e cuidado que ela sempre teve, do sorriso fácil e simplicidade, e, quem diria, da cara de corajosa dela quando ele era mandado para fora do país e da forma como ela sempre o recebeu quando ele voltou. Outras vezes era de Jenny. Ele sentia falta de como ela o desafiava, o olhava com ar superior e se julgava a melhor, como ela sabia preencher o silêncio dele e completar os seus pensamentos. Ele sentia falta de ter alguém independente e que não se importava com o julgamento dos outros, que o seguisse mesmo que as demais pessoal achassem que aquilo não era para mulheres. Mas nenhuma das suas duas ex-esposas sequer chegou aos pés de alguma das duas ruivas.

Mike Franks se aposentou, foi viver o resto de seus dias em algum lugar no México, muito provavelmente bebendo cerveja barata e morando em algum bangalô na praia. E Jethro se viu como agente sênior e líder de equipe. Sob sua tutela, dois novatos: Pacci e Stanley. E cada dia que passava ele tinha certeza que iria arrancar a cabeça de algum deles, senão dos dois.

E assim, a vida seguiu. Era 1999 e ele não sabia o que esperar do último ano desse milênio.

Um dia ele estava na sala de recreação – que de recreação não tinha nada – e foi surpreendido pela presença de dois outros agentes. Um deles ele já tinha ouvido falar, era Riley McCallister, o todo poderoso das missões internacionais. O outro ele não fazia ideia de quem era, só tinha certeza que não gostava dele, ainda mais depois de que ele havia esmagado sua torta.

Riley os apresentou. O assassino de seu almoço era Leon Vance. E algo nos olhos do homem o avisou que ele não era tão amigável assim.

— Quem bom que está aqui, Gibbs. Estava mesmo querendo conversar com você! – McCallister o chamou.

O ex-Fuzileiro apenas o olhou. O que queriam dele agora? Já não bastava a equipe de idiotas que tinham colocado na mão dele?

— O que você acha de seguir para a Europa, em uma missão disfarçado?

Jethro parou para pensar. Era melhor do que sofrer por aqui perto daqueles dois. Então ele só balançou a cabeça, instando o homem a continuar.

— Então, vendo que você concorda comigo, você já ouvir falar de Jennifer Shepard?

E Jethro congelou onde estava. Depois de doze anos, ele finalmente iria vê-la. Será que essa era a mesma Jenny que ele conhecia e procurava por tanto tempo?

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A ruiva se matava de trabalhar. Ela queria e precisava subir rápido na sua carreira. Ela tinha uma meta. Uma meta não. Um plano de cinco pontos que iria alçá-la até a cadeira da Direção.

E, até então, tudo estava indo como ela havia planejado. Enquanto os demais agentes da equipe onde ela estava lotada se preocupavam com a vida pessoal, Jenny se tornava a melhor e mais ambiciosa agente que o NCIS já viu. E, com menos de quatro anos de agência, ela fora escolhida a dedo para uma missão infiltrada e suicida na Europa. Ainda não sabia quem, de fato, seria o seu parceiro, ela só sabia que tinha que ir.

A reunião, caso o agente que McCallister tinha em mente aceitasse o encargo, seria realizada dentro de dois dias em Camp Pendleton. Bem perto de onde ela estava.

Jenny deu uma última olhada para o apartamento mínimo e alugado onde ela morava na cidade de Los Angeles, bem longe de toda a agitação e glamour das estrelas do cinema. Suas coisas já em caixas, prontas para serem envidadas para a casa onde ela não pisava desde que virara uma agente do NCIS em Georgetown. Três malas estavam em processo de fechamento, era tudo o que ela levaria para a missão de quase um ano na Europa.

Ela se sentou na pequena cama e, por alguns minutos deixou seu pensamento voar. Se permitiu sonhar com uma vida que ela sabia que nunca teria.

Ela pensou no que estaria fazendo agora, aos vinte e seis anos, se tivesse tido a chance de fugir com Jethro. Ou se os dois não tivessem se desencontrado. E, antes que ela começasse a chorar de verdade, um último pensamento passou pela cabeça dela:

Onde será que ele estava?

No dia e horário combinados, ela entrou no escritório de Camp Pendleton, onde ela havia trabalhado por dois anos, os últimos dois foram como agente abordo e agente sênior da equipe de Los Angeles. Ela atravessou os conhecidos corredores até a sala de descanso, era ali que McCallister a encontraria, seus saltos ecoando pelo corredor.

Ao longe ela pode ouvir duas vocês discutindo, pelo visto, por comida. Homens e seu mau-humor quando estão com fome.

Como se fosse combinado, ela ouviu McCallister perguntar para o outro agente:

— Você já ouviu falar de Jennifer Shepard?

E, com isso ela deu um passo para entrar na sala, mas de todas as pessoas no mundo que ela poderia encontrar ali dentro, ela não esperava que fosse ele.

O outro agente, tão petrificado quanto ela, era ninguém mais, ninguém menos que Jethro.

Ela pediu licença e entrou cumprimentando o mais velho dos homens ali. Vance, ela conhecia de vista, mas não sabia como encarar o homem que não via a tanto tempo.

Doze anos era muito tempo.

Tanta coisa mudou. Tanto aconteceu com ela.

E, quando ela o fitou, ela soube, para ele também.

Por um segundo, a olhar dela se dirigiu à mão esquerda dele, a última notícia que ela teve dele, oito anos atrás era de que ele havia se casado. Não havia aliança nenhuma ali. E ela, de algum modo, se sentiu mal por isso.

Ele continuava petrificado. Tinha mudado muito pouco. Mas, também, ele não tinha trinta anos. E diante do silêncio que vinha dele, ela deu o primeiro passo. Engoliu o nervosismo. Obrigou a respiração a voltar ao normal e estendeu a mão em direção a ele:

— Olá Jethro!

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Jethro ainda estava processando a pergunta quando um par de saltos altos fez barulho na porta. Qualquer coisa seria válida para distrai-lo agora. Mas ele não esperava que a própria Jenny aparecesse ali.

Ele a olhou com cuidado, e pensou que doze anos só fizeram bem a ela, pois, ali, parada na frente dele estavam, ao mesmo tempo, a garotinha de cinco anos, a pré-adolescente que chorou com ele a perda da mãe, a garota em quem ele dera o seu primeiro beijo e, de alguma forma, todas elas se mesclaram na Jenny que hoje reaparecera em sua vida.

Como que uma ação involuntária, ele levou a mão em seu bolso e sentiu a corrente do cordão que ela havia lhe dado há tanto tempo.

“Você não vai ficar livre de mim, Jethro”.

O local onde ela havia beijado naquele dia formigava.

Enquanto ele a olhava, Jenny conseguiu se recompor mais rápido e encurtando a distância, abriu um sorriso e, estendendo a mão, apenas disse:

— Olá Jethro.

Jethro foi trazido de volta ao presente pelo som da voz dela. Era reconfortante e, ao mesmo tempo, triste ouvi-la.

Automaticamente ele estendeu a mão e apertou a dela, mas se recusando a olhar dentro dos olhos verdes da mulher. Uma corrente elétrica passando entre eles.

Mesmo depois de tanto tempo, o sentimento estava ali.

— Pelo visto vocês dois já se conhecem. Isso facilita as coisas. – McCallister trouxe o casal de volta ao presente.

Jethro deixou a mão dele cair, soltando a de Jenny. E tentou recompor a respiração, mas o perfume dela invadiu as suas narinas. O mesmo perfume. Algumas coisas definitivamente nunca mudam.

McCallister os levou para uma sala separada onde a informações relativas à missão, locais seguros e novas identidades seriam entregues. Mantendo o profissionalismo, eles não trocaram muitas palavras. Ou talvez, depois de tanto tempo não havia muito o que falar. Antigas promessas a esta altura poderiam ser promessas mortas.

Todavia, ao abrir o conteúdo do envelope onde a sua nova identidade estava, Jethro teve que segurar o sorriso que queria aparecer em seu rosto.

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Depois de ter tido a coragem de dar o primeiro passo, Jenny não sabia mais o que fazer. Ele ficara tão imóvel que qualquer outra reação que ela poderia ter foi apagada de seu cérebro.

Ela tinha tanto para falar, tanto para explicar, tanto o que perguntar. Mas todas as palavras ficaram pressas em sua garganta. Então, tudo o que ela fez foi seguir o agente McCallister até a sala de reuniões, Jethro sempre dois passos atrás dela, andando tão silenciosamente que ela teve que conferir sob os ombros se ele realmente estava ali.

Todos os envelopes com o necessário estavam dispostos na mesa. E ela notou que além dela e dele, havia mais duas pessoas. William Decker e Ducky, o simpático médico legista com quem ela havia trabalhado alguns meses enquanto era agente a bordo. Os dois sendo apoio e embarcariam apenas uma semana depois deles.

O embarque dela seria dentro de vinte e quatro horas, saindo de Dulles, em Washington, já devidamente disfarçada. Foi aí que ela teve a curiosidade de descobrir a essência de sua nova identidade.

Ela... isso não é possível, é?

Sim, era o que estava escrito em letras grande naquela certidão de casamento.

Ela e Jethro seriam... o disfarce dos dois seria de um casal que estava começando no mundo dos traficantes de armas.

Casados. Ela e Jethro estariam fingindo ser casados. Por quase um ano.

E ela foi transportada para dozes anos atrás. Uma voz dizendo, na verdade a voz dela: “um dia, Leroy Jethro Gibbs, eu vou me casar com você!”.

Nem que fosse de mentira, isso seria verdade.

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E, depois de tanto tempo, os dois foram deixados a sós para discutirem a estratégia de aproximação dos alvos que lhes foram designados. Ou, pelo menos, era isso que todos pensavam que eles estavam fazendo.

O silêncio na sala poderia ser partido com uma faca. Nenhum dos dois conseguia colocar em palavras o que aquele momento significava, a importância daquele reencontro depois de tanta coisa.

Ela fez menção de começar a falar, afinal, quem sempre preencheu o silêncio nas conversas entre eles fora ela. Mas ele resolveu que era uma boa hora para falar também. E os dois acabaram naquele momento estranho onde um pede para o outro falar primeiro.

Sem saber o que fazer, um apenas olhou para outro.

Os olhos azuis que ela tanto amava, que sempre trouxeram a sensação de segurança, paz e amizade, e, no último verão – sim, para ela aquele tinha sido o último verão da vida dela – também trouxeram amor, a encaram, sinceros, mas com uma dor maior que ela poderia imaginar. Jethro havia sofrido além da conta. E ela não estava lá para ajudá-lo. Isso a deixou furiosa, ela havia quebrado a promessa. E quando ela fechou o punho, ele franziu a testa. E ela notou. Ao mesmo tempo em que ela o lia, ele a lia também.

O que será que ele via no fundo dos olhos dela?

Jethro nunca foi muito bom com palavras, ganhou até um dicionário em um certo verão, mas em uma coisa ele sempre fora bom. Ele sabia ler as expressões de Jenny Shepard muito bem. E, enquanto ela olhava para ele, ele pode ver dor, tristeza, receio, mas também viu o mesmo olhar de doze anos atrás. Jenny tinha mudado, mas algo ali permanecia o mesmo. Ela ainda o amava. E ele estava prestes a dizer algo, quando a expressão dela endureceu, ela ficara com raiva de algo. Algo que ela lera nele. Mas, em seguida, o olhar duro amansou e ela sorriu de lado. Não era o sorriso aberto e feliz que ela tinha, era somente uma sombra, mas ele gostou de ver aquilo.

E mais uma vez ela foi a corajosa, a falante, a que deu o primeiro passo.

— Eu sinto muito! – Ela disse quase em um sussurro. – Eu te procurei. Eu juro. Eu te vi no enterro de meu pai, mas só consegui perceber que era você quando já tinha ido. Jethro, eu não sei pelo que você passou, mas.... eu deveria ter estado lá. Eu te prometi isso! – Jenny pegou a mão dele na dela e apertou.

Ele, por sua vez, apertou a dela com mais força. As palavras dela abrindo a cicatriz de um dos piores momentos da vida dele. Ele quis pedir que ela parasse, que não o fizesse lembrar daquilo de novo. Contudo ele sabia, ela tinha o direito de saber.

— Eu prometo te contar sobre isso. Não aqui. – Ele respondeu, o olhar dele dizendo muito mais que as palavras ditas.

Ela engasgou. O mundo não poderia ter sido tão duro com ele desse jeito!

— Tudo bem. Quando você estiver pronto. – Ela disse o encorajando, antes de pegar um dos arquivos que estava na frente deles. Ela acabou por soltar as duas mãos, mas ele trouxe uma de volta. Ele a tinha perdido uma vez, não a deixaria ir de novo.

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Cada dia que se passava, mais os dois estavam certos que talvez eles não saíssem vivos daquele lugar. Londres foi o único lugar onde o perigo foi mínimo. Já em Marselha as coisas ficaram mais complicadas, e eles conseguiram se arranjar bem. E se entenderem bem também. Afinal, as horas sem ter o fazer naquele sótão imundo foram muito bem gastas em histórias de um passado não tão distante, mas doloroso o suficiente para querer que fosse em outra vida.

Ela ouviu em silêncio ele contar sobre como havia conhecido a futura Sra. Gibbs. Como foi rápido o casamento. Ela viu nos olhos dele que ele, de fato, amou e amava aquela mulher. Viu com alegria como os olhos dele brilharam quando ele disse que foi pai, quando ele contou, com detalhes, como ele ficou sabendo. E se sentiu na obrigação de abraçá-lo quando o pesadelo começou, ele sendo mandado para a guerra. A esposa dele ficando para trás. O assassinato dela e da pequena Kelly. A filha que ele nunca conheceu, mas a quem ele amava com reverência. Ele bancou o forte, mas ela chorou por ele. Chorou pela felicidade que foi tirada dele, pela vida de uma mulher inocente que ela nunca conheceu, mas que cuidou do amor da vida dela quando ela não estava lá. E chorou pela bebê que nunca foi capaz de conhecer o pai, que teve a vida interrompida quando mal tinha começado. E ele, ao ver que a amiga chorava por ele e com ele, chorou também. A vida tinha sido tão injusta com ele. Ele nunca mereceu tamanha dor. Depois de uma pausa, onde tanto ele quanto ela já haviam parado de chorar e apenas aproveitavam a companhia um do outro. Ele continuou. E Jenny escutou, com uma inveja incontida, ele falar dos outros dois casamentos. Destas ela não teve o que agradecer, ela, além de enciumada, tinha ódio. As duas outras mulheres apenas o tinham machucado ainda mais. Então ela ponderou, não teria sido ela, a primeira a machucá-lo de verdade?

Ela estava para perguntar isso, contudo, ele passou a vez para ela. Ele queria saber dela. O que ela fez? Como ela estava? E por que ela se arriscava sendo agente do NCIS?

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A história de Jenny não era tão dolorosa quanto a dele, pelo menos não aos olhos dele, mas ele podia sentir, pela expressão nos olhos dela, pelo tom de voz que ela usava, que a separação dos dois deixou marcas profundas nela. E, enquanto ela explicava tudo o que aconteceu nos dois primeiros anos, ela contava como tinha descoberto que o pai dela havia extraviado as cartas. Ele conseguiu entrar na mente dela, sentir o desespero que ela sentia.

Dos dois, ela sempre fora a mais passional. Aquela que sofria abertamente quando o verão acabava.

Ele ouviu ela dizer que sabia que ele havia se casado, o sorriso triste no rosto dela indicava que ela sentiu esse baque também. Ele escutou que ela tinha ido para faculdade, e soube do namorado, que depois virou noivo, e ele sentiu ciúmes, mesmo que ele tenha se casado e seguido em frente antes. E então, abruptamente ela parou. Ele sabia o que viria a seguir.

— Eu o encontrei Jethro! Eu! – os olhos verdes estavam cobertos de dor. – Ele... ele estava lá.... o acusaram de ser traidor. Meu pai, Jethro!! – Ela tampou o rosto com as mãos. Na mesma hora ele chegou perto dela, ajoelhou na sua frente, e tirando as mãos que encobriam o rosto da ruiva, ele o segurou em suas mãos e apenas com o olhar, ele disse que ela poderia parar de falar, ele tinha lido tudo nos jornais.

Ela, em um movimento inesperado, envolveu o pescoço dele com os seus braços, pegando um Fuzileiro treinado de surpresa, e chorou.

— Você não tem ideia do quanto eu quis que você estivesse lá comigo, Jethro! E.... – a voz dela abafada pelo pescoço dele – quando eu senti que alguém me olhava, eu esperei que fosse você. Você foi lá. Você manteve a sua promessa enquanto eu quebrei a minha! – Ela chorou mais ainda, e ele a apertou forte. Tão forte quanto era possível, tentando tirar a dor dela.

O Coronel que os havia separado não merecia a pena dele, mas a sua Jen não merecia sofrer tanto.

— Obrigada. – Ela sussurrou contra o pescoço dele depois de algum tempo. E ele quis beijá-la ali. Como ele quis. Do mesmo modo que ele quis fazer na despedida deles em Stillwater, mas ela tinha um noivo, ele não faria isso. – Depois disso, depois do meu pai, minha vida saiu dos eixos. Aaron bem que tentou, mas... eu estava cansada. Tinham me colocado em uma caixa de cristal. Eu estava presa. Eu precisava salvar o nome do meu pai – Ela dizia, e a cada palavra ele sentia o rosto dela esquentar, ele sabia o que vinha.

— Não teve mais jeito. Eu não nasci para ser a esposa bonita de alguém, Jethro. Eu não podia aceitar ser podada, domada, então me inscrevi no FLET-C, creio que você não deve ter passado por lá, — ela deu um sorriso triste, ainda com o rosto molhado, e ele se permitiu secar as lágrimas dela. E, ao toque dele, ela fechou os olhos e apoiou o rosto na mão dele.

Sem tirar a mão do rosto dela, ele pediu que ela continuasse.

— Eu passei. Aaron não gostou. E ali foi o fim. Eu entreguei o anel de noivado, aquela coisa era sufocantemente grande e opressiva, peguei as minhas coisas e fui para a California. Você já ouviu falar da Hetty, não ouviu? – Mas ele tinha parado de ouvir. Jenny estava solteira? Ela poderia ser dele finalmente?

— Bem, eu não tenho mais nada de extraordinário, você conhece o que fiz. Fui novata, agente de ligação, agente a bordo, voltei há um ano e foi quando essa missão me foi jogada no colo. Nunca esperei te reencontrar no NCIS. Apesar de ter procurado por você. Só nunca tive a coragem de procurar entre os que caíram.... – Ela terminou com um suspiro. – Eu ainda não acredito que você está aqui! – Novamente lágrimas enchiam os olhos dela. – Você está... tão....

Mas ela não terminou a frase. Apenas o olhou. Lágrimas, um sorriso e um olhar apaixonado era tudo o que ele via. Era tudo o que ele precisava ver, porque ele também não acreditava que ela estava ali.

Eles precisaram de doze anos, de passar pelo inferno e purgatório para se reencontrarem.

Ele tinha uma única certeza, aconteça o que acontecesse, ninguém iria tirá-la dele.

Nunca mais.

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E ele estava ali, calado, quase não tinha aberto a boca desde que ela tinha começado a falar. Mas ele sempre falou mais com os olhos do que com a boca mesmo.

E ele estava tão...

Ela não conseguia descrever como ele estava. Ainda era inacreditável demais que eles tivessem se reencontrado.

Ela viu em uma fração de segundo a decisão nos olhos dele. As orbes azuis faiscaram, se tornaram líquidas e ele diminuiu o espaço entre eles.

Era a segunda noite dos dois em Marselha. A primeira pelo resto da vida deles.

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Quase um ano depois da conversa em Marselha, a missão dos dois chegava ao fim. No último dia, eles foram chamados ao escritório do NCIS em Paris para que recebessem suas novas designações.

Jenny estava nervosa. Ela tinha o pressentimento de que alguém queria de qualquer forma separá-los.

O disfarce de casal funcionou perfeitamente para os dois e, o que deveria ser uma obrigação, era nada mais do que a realidade. Andar de mãos dadas pelas ruas, fingir estarem apaixonados era a coisa mais fácil do mundo, mas ao chegarem ao escritório, eles tiveram que se separar e aí sim, fingir que eram apenas colegas de trabalho.

Ele foi chamado primeiro. Depois de receber os parabéns pelo sucesso da missão e pela forma profissional com a qual ele havia lidado com os percalços, o Diretor ordenou que ele estivesse em solo americano dentro de três dias, ele tinha acabado de ganhar a equipe principal do escritório de Washington.

Não havia melhor notícia que essa. Pelo menos não até aquele momento. Antes de se despedir, o Diretor pediu que ele chamasse a agente Shepard.

Jethro saiu da sala com um discreto sorriso no rosto, e antes que desse passagem para Jenny, apertou a mão dela. Ela, na hora, viu que a notícia era boa.

Ela entrou, cabeça erguida, andar altivo. Cumprimentou o diretor e esperou que ele falasse. Ele disse quase exatamente as mesmas palavras de antes, a diferença, ela não iria voltar para casa, Jenny estava sendo realocada em Londres. Iria trabalhar na unidade de Contra-Terrorismo. Era uma oportunidade única. A que ela tanto esperava. Dali era um passo até onde ela realmente queria chegar.

Não mais. Não mesmo. Por mais que mostrar que o pai dela nunca foi um traidor era a prioridade dela quando ela entrou no NCIS, e Jethro sabia disso, agora ela tinha outros motivos para desacelerar. Ela não iria deixar o amor da vida dela escapar entre os dedos novamente. E, com um ar de poucos amigos, ela deixou a sala, agora escura com o fim da transmissão. Ela tinha três dias para dizer adeus a ele.

Quando Jenny saiu da sala, Jethro a esperava ao lado da porta, pé escorado na parede e dois copos de café nas mãos. Todos dois puros, sem açúcar. Assim que ele avistou os cabelos vermelhos, ele abriu um sorriso, que logo foi substituído por uma expressão de dúvida quando ele olhou para a sua parceira em tantos sentidos.

Ele fez menção de perguntar, ela pediu que ele esperasse. Ele entregou o copo de café e ela deu uma golada generosa, não se importando em queimar a garganta ou a boca, ele somente tinha uma sobrancelha levantada.

Assim que chegaram a uma distância considerável do prédio, ele a pegou pelo braço livre e a virou em sua direção. A expressão dela era infeliz.

— O diretor me realocou em Londres, Jethro! Londres!! Eu não vou para a América com você! – Ela disse sem olhá-lo.

Ele xingou por baixo da respiração.

— Eu juro para você, eu fiquei tão reação que nem pude questioná-lo. – Ela se segurava para não extravasar a raiva em algo ou pior, em alguém.

Jethro a abraçou. Ele tinha uma ideia, era louca, mas era a única que fazia sentido agora. E ele rezava para que o quatro fosse o número da sorte dele.

— Quantos dias para você se reapresentar? – Ele perguntou ao abraçá-la pela cintura.

— Três. E você?

— O mesmo. – Ele tinha um sorriso no rosto.

— Por que está sorrindo? – O humor de Jenny era cada segundo pior. Tinha uma contagem regressiva na cabeça dela. E essa contagem somente dizia uma coisa: faltam tantas horas para que você o deixe ir de novo.

— Jennifer Shepard, você aceita se casar comigo? – Ele perguntou de supetão. Nada de ficar de joelhos, nada de anel sendo mostrado em uma linda caixa de veludo. Era um pedido de casamento, tão simples e sincero quanto a relação dos dois sempre tinha sido. A única diferença, tinha sido feito à beira do Sena, em frente à Catedral de Notre Dame.

Jenny foi pega de surpresa.

— Jethro! Você ouviu o que eu disse?! Eu não vou voltar com você! – A tristeza na voz dela era palpável.

— Eu ouvi. E é por isso que eu estou fazendo isso. Ou você desistiu do que me disse uma vez? – Ele tinha um ar de tristeza ao perguntar isso, e lembrou tanto o menino que ficava atrás da janela de uma loja, procurando pelo carro que a levaria até ele.

— Não, eu não me esqueci, Jethro... mas eu não vejo como poderemos fazer isso. Tem um oceano nos separando!

— Esse oceano sempre nos separou, Jen. E nem por isso nós dois desistimos, não foi?

Ela balançou a cabeça negativamente. Quando se é criança é mais fácil de se esquecer das coisas.

— Então, você aceita se casar comigo? – Ele perguntou mais uma vez, com um sorriso imenso nos lábios e os olhos brilhando.

— Eu acho que já respondi essa pergunta há anos, mas vou responder de novo. SIM! – Ela disse antes de beijá-lo. E diga-se de passagem, a cena toda foi tão inesperada e, para uns romântica, que quando eles se separaram, sem fôlego, as pessoas que estava visitando Notre Dame aplaudiram, o que resultou em um casal sem fôlego e complemente envergonhado.

Dois dias depois, tendo Ducky como testemunha e padrinho, os dois se casavam na Embaixada Americana de Paris.

O restante do dia e o dia seguinte foi reservado para a Lua-de-Mel. Ele teria que partir um pouco mais cedo, mas decidiu que a acompanharia até Londres primeiro.

E a despedida foi uma reprise de todas as outras que eles já tiveram. Desta vez não tinha uma cidadezinha do interior para ficar olhando, mas a área de embarque internacional de um dos maiores terminais da Europa. Ela tinha dado um jeito de conseguir entrar na área de embarque, e de mãos dadas com ele, esperava o voo que o levaria para longe dela, ser chamado.

Nos dedos anelares, as alianças compradas em Paris. Nada de extraordinário, eram até simples demais. Na parte interna, o nome do outro, a data e a cidade onde se casaram estavam gravados. Ela segurava firme a mão dele. Pedindo que o tempo parasse, mas, mais cedo do que seria necessário, o voo foi chamado, e o embarque começava.

Ele fez hora, não queria deixá-la ali. Não agora que ela era definitivamente dele, e ele dela. A fila foi diminuindo, diminuindo até que só restava os dois e mais um casal.

— Eu nunca gostei dessa parte. – Ela o abraçou apertado.

— Nem eu. – Ele disse contra o cabelo dela.

— Por que sempre nós dois? – Ela olhou para ele. Tinha decidido que não valia a pena perder os últimos segundos que lhe eram destinados sem olhar para ele. Ela queria gravá-lo para sempre. Todos os detalhes.

— Um dia, Jen. Um dia, será o nosso. – E ele a beijou com vontade. Dane-se se um aeroporto inteiro estava vendo a cena.

— Você sabe que o NCIS tem uma política de folgas programadas para agentes casados que estão lotados em escritórios diferentes, não sabe? – Ela disse.

— Estou sabendo agora. E pretendo usar desse direito. – Ele disse com um sorriso, segurando o rosto dela.

— Eu também, todas as vezes que for possível. – Ela deu um beijo na ponta do nariz dele.

O nome dele foi anunciado nos alto-falantes. Não tinha mais jeito, ele tinha que ir.

— Nunca quis tanto perder um voo. – Ele murmurou mal-humorado.

Ela deu uma gargalhada mínima. Mas era o som que ele queria ouvir. Era o som que ele levaria com ele até que a reencontrasse.

E, para surpreendê-la mais uma vez, ele tirou do bolso o cordão que ela lhe dera.

Ela recusou. Ele não entendeu.

— Quando ficarmos no mesmo país, sem nenhuma chance de sermos separados de novo, eu vou pegá-lo de volta. – E ela o beijou mais uma vez.

Notas finais
Sim, eu separei os dois no primeiro capítulo, e casei os dois no segundo!! A história aqui vai ser um pouquinho mais rápida. Muito obrigada por lerem! Até o terceiro!