Destino
2 A lua não pode mais nos unir...
Notas iniciais
Os dias no orfanato estavam cada vez mais lindos e fantásticos. Agora eu e Eichi éramos bem mais do que amigos, éramos namorados! Estávamos cada dia mais felizes com tudo isso.
Realmente era o nosso destino ficar juntos, eu não conseguia acreditar que quase que meu Eichi foi morto, era ruim demais para acontecer. Só de pensar que um Eu te amo causou tudo aquilo...
Agora Eichi queria cada dia mais estudar para conseguir uma faculdade especializada em astronomia. Era a sua paixão, ele amava a lua, as estrelas, e tudo relacionado.
Eu também amava, isso era algo que nos unia.
Astronomia era sim, muito legal, mas não era a coisa que eu preferia.
O que eu mais gostava de fazer era cantar!
Todos os dias, quando eu e Eichi íamos ver a lua, sempre cantava uma música dedicada a ele. Normalmente essas músicas eram de amor, e sempre finalizadas com um beijo apaixonado entre nós.
Nossa vida era perfeita, não conseguia nem acreditar que tudo de bom estava acontecendo.
Só que tudo o que é bom, e feliz, tem que acabar.
Foi em uma tarde de sexta feira... minha vida modificou completamente!
Algo que nem eu, nem Eichi pensávamos era isso: estávamos em um orfanato. Por mais que nosso amor era forte e cheio de laços, tinha algo que nem eu, nem ele poderíamos impedir, a adoção!
Foi nesse dia que um casal veio escolher crianças para levar. Eu nem me importei, não tinha medo de ser levada. Eu era inocente, essa era a verdade.
Não sei o que chamei tanta atenção desse casal, eu nem era simpática e adorável! Só sei que no exato momento em que eles me viram, eles quiseram me adotar.
O que eu podia fazer contra isso? Eles estavam ali para escolher, não havia maneira de impedir. Não tinha regras a favor do amor, por mais que eu amasse o Eichi, eles poderiam me levar!
Os olhos da mulher pousaram em mim, ela cutucou o homem com as mãos, e ele também me olhou. Ambos abriram um sorriso, e a mulher soltou de seus lábios:
- É essa mesmo, querido! Essa é a menina que eu sempre sonhei em ter como filha!
Minha professora, aquela mesmo que tinha avisado sobre o acidente do avião, apontou para mim para ter certeza que eu era a escolhida.
A mulher assentiu. Eu desviei meus olhos para demonstrar desinteresse, mas pareceu não adiantar.
Escutei passos vindo a minha direção, era a família que queria me conhecer e me levar. Engoli em seco, continuei encarando o nada.
Onde estava Eichi nesse momento? Quem sabe ele não achasse um meio de impedir que me levassem?
- Mitsuki?
Meu coração parou quando escutei eles pronunciando meu nome.
- Mitsuki, querida, você será adotada!
Era o que eu não queria ouvir, era o que eu não podia ouvir!
Não pensei duas vezes antes de fugir, o mais rápido que meus pés conseguissem alcançar. Eu não podia me render dessa maneira, eu precisava de Eichi!
Corri para o lado de fora, sem olhar para os rostos do casal que me queria. Esbarrei em algumas crianças, mas nem me importei com isso. Eu precisava encontrar Eichi!
- Mitsuki, volte aqui! – Pelo tom de voz desconhecido, era a mulher que me chamava.
Eu não respondi, continuei sem olhar para trás.
- Mitsuki, não vamos fazer mal nenhum a você! – O marido tentava me parar.
Corri mais um pouco, estava completamente seu rumo. A única coisa que eu pensava era em encontrar Eichi, seja lá onde ele estava se escondendo.
- Mitsuki, volte!
Foi no exato momento que a minha professora disse isso, eu encontrei Eichi. Ele estava do lado de fora do prédio, no lindo jardim cheio de rosas vermelhas. O mesmo jardim que eu vi Eichi pela primeira vez...
Ele sorria para mim, mal sabia o que estava acontecendo. Tinha algo em suas mãos, um punhado de rosas vermelhas e um laço enfeitando.
Aquilo me fez chorar. Eu entendia o que significava, aquilo era para mim, assim como todos os namorados faziam. Eram flores!
Eichi abriu os braços para que eu o abraçasse. Eu corri para o seu peito sem me importar com nada, nem ninguém.
Escutava os passos ligeiros vindo atrás de minhas costas, mas eu não queria prestar atenção. O momento com Eichi estava tão maravilhoso que eu preferia ignorar.
- O que está acontecendo Mitsuki? – Eichi me perguntou com sua voz suave.
As lágrimas não paravam de correr por meu rosto. Minha voz saiu rouca quando tentei dizer.
- Eles querem me levar embora Eichi! Querem me adotar!
Eichi não disse nada, ficou completamente paralisado e rígido. Eu não conseguia nem imaginar a tamanha frustração dele.
Senti algo segurar meus ombros, e não era Eichi.
Se fosse Eichi o toque seria mais delicado, com sentimento, amor. Aquele toque era mais autoritário, e eu já imaginava quem era o autor.
Olhei para cima e vi que Eichi olhava algo, acompanhei seu olhar, mesmo que isso não fosse necessário. Eu sabia o que me tocava.
Eram o casal que queria me adotar.
- Mitsuki, minha queria, entenda! Nós não queremos o seu mal, queremos somente a sua felicidade. Eu sei que deve ser duro se despedir de seu amigo mas...
Será que ninguém me entendia? Eichi não era apenas o meu amigo, ele era meu mundo, meu tudo! Meu amor!
- Mitsuki, não há meio, você vai ter que ir! – Essa ordem vinha de minha professora.
Eu já sabia disso, mas eu não queria ir, queria ficar com o meu Eichi!
Não consegui mais segurar meu desespero, comecei a chorar e a tremer, tanto que Eichi não consegui me segurar e eu cai no chão.
Comecei a me contorcer e de meus lábios saiam sons de medo, de desespero.
- Não, não, não, não!!!
Eu não podia me separar de Eichi! Não podia!
Eu não sei exatamente quanto tempo chorei...
Onde eu estava nesse momento? Para onde eles tinham me levado? Eu não estava mais deitada sobre a grama do campo de rosas...
Eu estava de olhos fechados... Eu tinha dormido?
Era algo áspero, um tecido áspero. Nunca vi nada assim no orfanato, isso era bem estranho...
Contorci-me mais uma vez e abri meus olhos. Esse lugar não era familiar a mim, era escuro, mas não tanto. Tinha janelas, e eu podia escutar vozes vindo de algum lugar.
Levantei para ver onde estava, e tive uma surpresa quando identifiquei as vozes, de quem pertenciam.
Eram do casal que queria me adotar, e eu estava sendo levada por eles de carro para algum lugar!
Eu tinha perdido Eichi! Não!
Notas finais
Confesso que a de A Hospedeira é a melhor O Humano... Deem uma olhada
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