Notas iniciais
Agradeço a todas as pessoas que acompanham e que favoritaram a fic. Fico muito feliz!

“Um menino sonhador. Aprendeu que o amor. É quem pode tudo transformar. E que o seu destino é você quem faz...”

Meu mestre anda distraído. Não quando está me ensinando ou me treinamento, nesse momento ele possui total concentração. Entretanto, quando estamos em casa, seja nas refeições, ao arrumarmos a casa ou qualquer tempo vago que temos, ele está disperso. Não consigo entender o porquê e tenho medo de questiona-lo, mais uma vez. Faz dias que ele está assim e estou começando a ficar verdadeiramente preocupado, pois o mesmo não anda se alimentando direito, mesmo quando é minha vez de cozinhar e preparo as coisas que sei que gosta. Percebo também olheiras em seu rosto, como se além de não comer, ele não dormisse direito. Tento ao máximo fingir indiferença e que não percebi o que está acontecendo, mas fica difícil. Talvez eu nem estivesse motivo para reclamar, afinal ele é extremamente atencioso e paciente quando estou com dúvidas sobre os ensinamentos, mesmo que ele exija minha alma em troca de perfeição. Entretanto é difícil, afinal me preocupo com ele, mesmo que meu mestre odeie isso.

Estou jantando em silêncio, enquanto meu mestre apenas observa e educadamente me espera terminar, já que o mesmo mal tocou na comida. Ele pede para eu ir para sala e fica na cozinha, arrumando o que usamos. Quando termina, passa por mim e diz que vai se deitar, o que acho muito estranho, por ser cedo. Mas, após alguns passos, o vejo colocar a mão na parede e de forma abrupta, cair no chão. Levantei correndo para acudi-lo e ele logo em seguida colocou a mão nos olhos, os esfregando. O ajudei a sentar no chão, deixando-o encostado na parede e me sentei ao seu lado.

– O que aconteceu mestre? – perguntei aflito

– Acredito que eu tenha tido um princípio de desmaio – ele respondeu, mantendo os olhos fechados e com a voz meio rouca.

– Venha, te ajudo a ir para seu quarto – falei, o ajudando a levantar e o apoiando sobre mim. Não que ele precise de mim para andar.

Assim que ele se deitou na cama, falei:

– Mestre, o senhor está muito quente!

– Sei disso Hyoga, estou com febre!

– O que posso fazer pelo senhor?

– Não há nada que possa ser feito. Não possuímos remédios e não permitirei que saia sozinho para comprar. Além disso, chega a ser irônico que um Cavaleiro que domina o gelo, como eu, sinta febre.

Sentei em uma cadeira que possuía no quarto de meu mestre e deixei a iluminação à meia-luz, para que não o incomodasse a claridade. O olhando atentamente, percebi que ele tinha alguns espasmos, o que, imagino eu, eram calafrios devido a febre. Acabei cochilando na cadeira, não sei por quanto tempo, mas quando acordei, ele tremia.

Levantei em um pulo e de forma impensada, rasguei a camiseta de meu mestre e a joguei em um canto qualquer. Corri até a cozinha, peguei um pano com uma bandeja de água, voltei para o quarto e comecei a passar o pano úmido na testa dele, para amenizar de alguma forma seu sofrimento. Meu mestre estava de olhos fechados, mas sabia que ele estava acordado, apenas tentando se controlar e reassumir o controle de seu corpo, apesar de eu não saber se isso seria possível de alguma forma, como Cavaleiro.

Tudo bem que eu poderia ter usado meu cosmo e levemente colocado gelo sobre meu mestre, mas não sei a dose certa disso e poderia mais prejudicar do que ajudar.

Após uma hora fazendo compressa no tronco e testa de meu mestre, percebi que ele acabou pegando no sono. Com um suspiro aliviado, vejo que nem me dei conta quando sentei no espaço vazio da cama dele, para fazer de forma melhor a compressa. Não sei de onde veio o cansaço que me consumiu, mas acabei dormindo na cama de meu mestre, ao seu lado.

Acordei preguiçosamente e logo em seguida percebi onde estava, levantando no susto. Olhei para o lado e vi que meu mestre estava de costas para mim, sentado na cama, apoiando os pés no chão. Senti medo, como nunca senti antes em minha vida, afinal peguei no sono na cama de meu mestre, ele vai me matar.

– Esta... está tudo bem? – gaguejando, me forcei a falar

– Sim Hyoga, está tudo bem – ele respondeu com voz neutra, impedindo assim que adivinhasse seu estado de espirito.

Me levanto, vou ao encontro dele e me ajoelho em sua frente.

– Está com febre? – coloco a mão em sua testa para ver se está ou não. Ele fecha os olhos quando o toco, não entendi o porquê ele fez isso.

– Não estou com febre – ele responde, com os olhos fechados e por impulso tiro a mão de sua testa, mas mantenho-me ajoelhado a sua frente – Pode ir para seu quarto Hyoga.

– Por que mestre? Deixe-me cuidar do senhor!

– Já mandei ir para o quarto – ele eleva voz, mas estranhamente ainda mantém os olhos fechados.

– Não vou embora enquanto não contar o que está acontecendo – respondo de forma enérgica – Não importa o quanto me puna depois, por tal enfrentamento.

Reparo que ainda estamos à meia-luz, mas não ouso me levantar da frente dele, afinal meu mestre tem que entender que estou falando sério. Pelo menos uma vez tenho que me impor.

Meu mestre abre os olhos e me encara. Não consigo decifra esse olhar, nunca o vi antes em minha vida.

– Por favor mestre, confie em mim – peço com a voz e o olhar suplicante e impulsivamente colocando a mão dele entre as minhas, mas sem deixar de encarar os olhos dele.

– Desculpe-me pela minha fraqueza, ela ainda vai nos custar caro – ele responde depois de alguns segundos.

Não entendi o que quis dizer, mas antes que qualquer ideia se formasse em minha mente, com sua mão livre, ele levou meu rosto a ele e me beijou e retribui. Coloquei as mãos como se o estivesse abraçando, quando o mesmo me pegou e sentou em seu colo.

Não pensei no minuto seguinte, somente me entreguei ao momento e senti uma felicidade jamais sentida por mim até então.

Quando o ar se fez necessário, nos afastamos. A respiração de meu mestre estava ofegante, assim como a minha e ele me olhava de uma forma que me fazia sentir frio no estomago. Antes que ele pudesse recuperar o autocontrole, antes que me expulsasse do quarto ou me rejeitasse, o beijei de novo com empolgação e com isso, meu mestre se desequilibrou e acabou deitando na cama. Ao sentir o contato do colchão sob seu corpo, ele segurou meu rosto e me beijou mais intensamente e naquele momento, tive a certeza que nada mais no mundo importava. E que pelo menos uma vez, compartilharíamos a felicidade juntos.

Notas finais
É... Camus fraquejou. Depois de tudo o que aconteceu, conviver 24 horas, 7 dias por semana com o Hyoga é tentação demais! O que será que Camus pensa de tudo isso? Próximo cap... rs