Destinazione

20 Questa è la vostra destinazione


Notas iniciais
Olá Queridos. Há milhões de meses atrás eu prometi o final alternativo, mas faltou a inspiração. Eu voltei a jogar e agora comecei a jogar a trilogia do Ezio e pensei em reescrever a história mais fiel, porém achei que seria falta de respeito com vocês que acompanharam até aqui. Então decidi apenas seguir com a história como ela foi escrita. Dia 12 é aniversário de 3 anos dessa Fic e eu quero comemorar abrindo a próxima temporada. Espero que vocês gostem desse final alternativo para a primeira temporada da Fic.

Maya não esperou nem um dia após a divulgação da morte da rainha Anne, sua sósia, no caso. Dias antes já tinha preparado algumas bolsas onde levaria somente o que fosse necessário, como seus uniformes da ordem, armas, diários, cartas e as joias que possuía. Durante a noite, juntou todos os retratos e quadros que mostravam seu rosto e os arrastou para um canto bastante afastado da cidade, ateando fogo em todos. Afinal ela havia sido uma das figuras mais importantes da Escócia, dificilmente seria esquecida. Enquanto vagava o mundo, sem jamais morrer, ninguém poderia descobrir seu segredo, quanto menos pistas deixasse para trás, menor eram as chances de qualquer um saber sobre sua vida.

Dessa vez partir não era doloroso, pelo contrário, ela sentia-se aliviada por deixar tudo aquilo para trás. Sua vida como princesa e mais tarde como rainha havia sido conturbada o suficiente e ela esperava jamais ser “honrada” com um título daquele novamente. Fisicamente ela ainda não havia cruzado a fronteira quando o dia amanheceu, mas sua mente já estava nos vastos campos da Itália.

Montada em um cavalo de pelagem marrom, Maya procurava não chamar muito a atenção, vestia roupas simples: camisa branca, calças de couro marrom e botas. Mas, como Ezio sempre a lembrava, se não escondesse os cabelos, a roupa não faria diferença, ela chamaria a atenção de qualquer forma, e era exatamente o que acontecia. Embora estivesse viajando por lugares afastados e evitando as estradas, era necessário que fizesse paradas e era então que ela tinha que bancar a estrangeira, falava sempre em Italiano e se fingia de perdida. Por sorte, era comum ver pessoas ruivas na Escócia e Maya sempre procurava se manter longe dos olhares curiosos. A viagem teve poucas paradas em pousadas. Não fosse pelo cavalo, ela teria seguido viagem ininterrupta para Firenze.

Dentro de três semanas Maya já circulava mais à vontade, sem esconder o rosto ou os cabelos, pois aquela era sua verdadeira casa, onde as pessoas falavam alto e agitavam as mãos, onde uma simples conversa parecia uma briga de bar, onde as mulheres usavam o cabelo com duas tranças e a maioria das famílias cuidava de plantações de uva que datavam de décadas atrás, passadas de geração em geração.

Finalmente ela parou no topo de uma colina. O vento batia em seus cabelos, fazendo esvoaçar os fios laranjas e a fita vermelha que os prendia. No pescoço ela carregava um cordão de couro onde havia um anel de prata, grande demais para caber em seus dedos finos e uma pequena pedra de valor inestimável, qual ela jamais deixaria longe ou em mãos desconhecidas. Os olhos verdes ganhavam uma tonalidade amarela com a luz do nascer do sol, a visão estava focada na grande casa cercada por quilômetros de plantações e grama verde.

Após muitos anos, Maya sentiu borboletas no estômago. Como ele estaria? Sua aparência? Quais seriam os detalhes de suas aventuras durante todos aqueles anos? Quem havia conhecido? Eram tantas perguntas e tanta ansiedade para revê-lo...

— Vamos lá rapaz. – Falou com seu cavalo – Não viemos até tão longe para ficar apenas olhando, não é? – Maya foi trotando até perto da fazenda, sentindo o vento refrescante da manhã em seu rosto. Ao se aproximar dos limites da propriedade, desmontou de seu cavalo e foi caminhando para perto da casa. Ao se aproximar, viu duas crianças brincando próximo às flores que decoravam a varanda, ao vê-la a menina parou e se aproximou, curiosa.

— Olá Flavia. – Maya sorriu, abaixando-se para ficar na altura da menina, enquanto o menino mais novo observava afastado.

— Você é a moça de quem papai falou. – A criança afirmou, pegando um dos cachos do cabelo de Maya e o analisando de perto. – A moça do cabelo de fogo.

Maya riu, se perguntando o que Ezio havia falado sobre ela.

— Minha mãe e eu estamos ansiosas para conhecer você, mas Marcello acha que você vai dormir na cama dele, por isso não quer que você entre em casa. – O comentário inocente fez Maya rir novamente.

— Ora, não se preocupe Marcello, eu não vou dormir na sua cama. – Ela se levantou. – Olhe só, sou grande demais, não vou caber lá.

Após ouvi-la dizer aquilo, Marcello se aproximou e se escondeu atrás de Flavia.

— E não vai se sentar no meu lugar na mesa?

— Não... – A ruiva ainda ria.

— Então pode entrar. – O pequeno saiu detrás da irmã e segurou a mão de Maya, puxando-a para dentro da casa. – Mamãe. – Ele chamou a mulher de vestido verde que estava na cozinha cortando alguns legumes.

Sofia era uma mulher madura, de olhos amendoados e cabelos avermelhados. Tinha a mesma altura de Maya, mas seu corpo era mais fino, embora tivesse seios fartos.

Maya sorriu desconcertada, não havia pensado no que fazer caso Ezio não estivesse em casa quando chegasse. Por sorte, Sofia Sartor era uma mulher incrível, exatamente como ela esperava.

— Bon giorno Maya! — ela se aproximou

— Você deve ser Sofia. – Maya a cumprimentou. – Ouvi tanto sobre você, que sinto que já nos conhecemos. – Ela sorriu.

Sofia devolveu o sorriso e a ofereceu uma cadeira para sentar. – Posso dizer o mesmo Maya. – A mulher pegou uma taça e serviu-a com o líquido escuro retirado de um pequeno barril de carvalho. – Sirva-se, por favor. Deve estar cansada pela viagem. – Disse ao colocar uma tigela com pães frescos para a recém-chegada.

— É o cansaço mais prazeroso que já senti. – Ela experimentou o vinho e respirou fundo. Cada coisa que via na casa a lembrava dos velhos tempos, quando passava os dias nos campos treinando com Paolo e os outros aspirantes, a lembrava de suas primeiras missões com o mestre e do frio na barriga de quando foi designada para sua missão com Ezio. Automaticamente lembrou-se do roubo à carroça de sua família na estrada e não pôde conter uma risada.

— É bom estar de volta. – Sorriu e disse para si mesma, sem notar que o fez em voz alta.

— Imagino que seja. – Sofia sentou-se em uma cadeira de frente para Maya. – Ezio me falou muito sobre você. Confesso que comecei a ficar curiosa demais para sua chegada. – Ela riu. – Como é estar de volta depois de tanto tempo?

Maya parou por um momento, tentando encontrar palavras para descrever o que sentia.

— É magnifico. Me sinto leve, como se tivesse deixado para trás uma parte de mim que não me pertencia realmente.

— Seja muito bem-vinda. Nossa casa é sua casa. – Sofia sorriu novamente e olhou para Flavia que espreitava na porta. – Flavia, mostre a casa para nossa convidada e deixe-a em paz.

Maya seguiu a pequena Flavia até o cômodo no andar superior. Apesar de grande, a casa era simples, sem grandes artefatos que ostentassem a riqueza da família. Como sempre, Ezio era um homem discreto, especialmente quando se tratava da Ordem, apesar de deixar alguns artefatos que Maya podia reconhecer como sendo de antigos Assassinos, qualquer pessoa que não tivesse conhecimento sobre a Ordem, passaria despercebido por eles.

Flavia abriu uma porta no final do corredor e entrou no quarto bem iluminado e perfeitamente arrumado.

— O papai disse que você pode dormir aqui e que se precisar de qualquer coisa, pode me chamar e se o Marcello te incomodar, você pode pendurar ele de cabeça para baixo na janela. – Ela sorriu ao dizer a última parte.

Maya cerrou os olhos para ela. – Eu não acho que seu pai disse nada sobre pendurar seu irmão. – Falou, segurando o riso.

Flavia colocou os braços para trás das costas e chutou o chão. – Talvez não... Mas se você quiser, pode.

Maya riu e se sentou na cama arrumada. Flavia a deixou no quarto e desceu as escadas para brincar com o irmão. A janela do quarto dava vista para o campo de parreiras que se estendia até onde a vista podia alcançar. Era época de colheita e o cheiro das uvas maduras estava por toda parte. Aquele lugar era tão pacífico e quieto, que era difícil imaginar que Ezio realmente vivia ali, longe de qualquer bagunça de uma cidade cheia de guardas, feiras e pessoas. Mas ela conseguia pensar que depois de tantos de luta, era uma paz mais que merecida.

Logo abaixo de sua janela, Maya ouviu o som de cavalos e uma carruagem e logo em seguida as duas crianças vieram correndo pelo meio das parreiras: “Papai, papai! ”. Ela não pôde conter o sorriso. Saltou da cama e correu escadas abaixo, pulando degraus até os fundos da casa, por onde havia entrado. Parou sob o batente da porta da cozinha sem saber o que dizer ou como cumprimenta-lo. Ficou ali parada, observando-o enquanto as duas crianças pulavam nele.

Os olhos escuros e intensos permaneciam iguais, apesar das rugas da idade. Os cabelos estavam completamente brancos e seus movimentos eram mais lentos e cuidadosos. Usava um manto azul e um cinto de couro.

— Flavia, Flavia, se comporte querida. – Ele a colocou no chão.

— Papai, a moça do cabelo de fogo chegou e ela não dormiu no meu quarto, a Flavia estava inventando isso! – Marcello cruzou os braços emburrado. Foi então que Ezio ergueu o olhar e permaneceu um tempo na mesma posição que eu. Estático, apenas trocando olhares.

x

Novamente a aparência de Maya me surpreendia. Desde nosso último adeus, ela não havia envelhecido um só dia. O rosto ainda era jovial, os olhos verdes tinham o mesmo brilho e os cabelos continuavam da cor do fogo, chamativos e indiscretos. Ela caminhou em minha direção e nos abraçamos. Um abraço longo e apertado. Ela continuava pequena e magricela, ao contrário de qualquer pessoa normal, os anos apenas a fizeram bem. Parecia mais forte, apesar de miúda.

Ela sorria ao nos separarmos, parecia radiante, totalmente o oposto de quando nos reencontramos em Roma muitos anos atrás. Parecia ter-se livrado de um peso que não a pertencia. E de fato tinha. Agora, Maya não se parecia nada com a pessoa quem me escrevia aquelas cartas tão pesadas e sombrias. Nenhum de nós Assassinos nasceu para governar, mas sim para guiar o mundo para dias melhores.

— Benvenuto indietro. (Bem-vinda de volta.) – Falei, segurando suas mãos finas.

— È bello tornare. (É bom estar de volta.) – Ela respondeu sorrindo.

Maya me ajudou com as compras que trouxe da cidade. Sofia logo entrou na cozinha e me cumprimentou com um beijo.

— Imagino que já tenham se conhecido. – Olhei para Sofia.

— Sì, amore mio. Agora nos conhecemos pessoalmente, mas é como se nos conhecêssemos há anos. – Ela sorriu e virou-se para as sacolas de compras. – Andiamo, preciso levar Macello para sua irmã. Voltaremos à tarde.

— Bom passeio. – Nos despedimos e então os acompanhamos até a carroça.

— Cuide de Flavia.

— Não se preocupe.

Era revigorante e ao mesmo tempo estranho ver Maya depois de tanto tempo, conversamos tantos anos através das cartas, que achei que jamais nos veríamos novamente. Caminhamos por horas entre as parreiras, colhendo e provando alguns cachos de uvas, Flavia sempre por perto, brincando e se escondendo entre os galhos.

Foi incrível ouvir sobre tudo o que havia acontecido em tantos anos. Ela ouviu com a curiosidade de uma criança sobre todas as minhas aventuras depois do caso com os Borgia. Contei-lhe sobre Altair e sua biblioteca, sobre todos templos que encontrei e as relíquias que havia adquirido.

— Embora tenha sido minha vida, Maya. Não consigo mais fazer parte de tudo isso. Tive tanto tempo em minha vida, mas nenhum que dediquei à isto. – Indiquei o arredor. – Me sinto a pessoa mais feliz do mundo com minha família.

Ela sorriu. – Porém, jamais poderia estar em paz com eles, se não fossem todas as lutas travadas. Não somente você, mas milhares de outros desfrutam dessa paz. Sabe, cheguei à conclusão de que nossas vidas jamais serão nossas de verdade. Há sempre alguém que precisa mais que nós mesmos e nós, Assassinos, jamais negaremos essa ajuda.

Maya parecia tão diferente, mais entendida do mundo. Sua aparência podia enganar, mas ela não era jovem.

Caminhávamos de volta para a casa, quando vi uma mulher se aproximar de Flavia, já fora do campo de parreiras. Por um segundo, me faltou o ar, pois reconhecia aquelas vestimentas, porém era impossível dizer se era uma Assassina ou Templária.

— Fique longe dela! – Gritei e corri em sua direção. Porém, antes que pudesse me mover mais que alguns passos, Maya passou correndo por mim e pulou na mulher, atirando-a ao chão. Embora desarmada, o ataque surpresa a deu tempo o suficiente para ganhar vantagem.

Ao me aproximar, Maya se levantou e estendeu a mão para a mulher. Puxou seu braço e apontou para o bracelete. Me acalmei um pouco ao ver o símbolo da Ordem, porém não significava que podia confiar nela. Estava sem fôlego, e meu peito doía.

— Flavia, entre. – Ordenei, ainda olhando para a mulher. Minha experiência ao longo dos anos era o suficiente para saber que um Assassino bem treinado e mal-intencionado, poderia passar a perna em nós dois e causar um enorme estrago. Assim que Flavia saiu de vista, Maya cerrou os olhos para a mulher.

— Quem é você? – Seu tom de voz era firme.

— Shao Jun. – Ela respondeu com um sotaque arrastado e quase inteligível.

— O que veio fazer aqui? – Maya continuou.

— Estou procurando o Senhor Auditore. – Sua fala era lenta, estava se esforçando para encontrar as palavras corretas.

Jun tirou o capuz que cobria seu rosto. Suas feições eram pequenas e delicadas, quase infantis. Tinha a mesma altura que Maya, os cabelos pretos como a noite e curtos na altura do queixo. Seus olhos eram pretos e a pele branca como porcelana. Ela não parecia perigosa, e era exatamente isso que me deixava em alerta. Afinal, Maya também não parecia e eu já havia presenciado ela derrubar homens com o dobro de seu tamanho. Mas algo me dizia que ela era apenas uma pessoa desesperada por ajuda.

Entramos e a servi de água e pães. Parecia que ela não comia havia dias, não me surpreendia ter caído tão rápido com o ataque de Maya.

— O que está procurando aqui, Jun? – A olhei sério.

— Você é Messere Auditore? – Novamente a fala arrastada.

— Sim.

— Meu mestre e eu viemos te procurar. – Ela começou a explicar. – Meu mestre foi pego em Roma, por homens do Imperador Jiajing. Nós fugimos depois que o Imperador ordenou a captura e morte de todos os que se opusessem à ele. Minha Ordem foi dizimada em apenas uma noite. – Notei que ela segurava algumas lágrimas. Maya parecia se comover mais do que eu, e se sentou ao lado da chinesa, olhando-a de perto.

— Se acalme. – Maya falou com a voz mais suave. – Conte-nos tudo do começo, iremos ajudar no que for possível.

E assim foi-se boa parte do dia. Jun nos contou sobre tudo o que acontecia em seu país, como havia sido resgatada e treinada pela Ordem, sobre as lutas que travavam contra a influência dos Templários sobre o Imperador, até a chegada da longa viagem até a Italia. Pude notar o quanto Maya se comoveu com a morte do mentor de Jun, afinal ela sabia como era perder alguém que foi como um pai. Aos poucos, minha desconfiança de Jun foi desaparecendo. Seu desespero era inegável.

— Preciso de ajuda. Preciso saber como reconstruir minha Ordem. Eu escapei, mas muitos ainda estão lá, sofrendo. – Falou por fim e me olhou.

— Quantos são os homens que os seguiram? Os homens do Imperador...

— Umas dezenas. Meu mestre e eu derrotamos alguns em Roma, mas ainda restam mais.

Respirei fundo e olhei para a porta quando ouvi a maçaneta girar. Maya rapidamente tirou a lâmina do bracelete e apontou para a porta. Mas eram Sofia e Marcello. Nós três respiramos fundo e Maya guardou a lâmina.

— O que houve? – Ela se espantou e olhou para Jun.

— Apenas um mal-entendido. – Fechei a cara. – Eu entendo sua situação Jun. Mas não posso ajuda-la. – Tinha que pensar em minha família primeiro. Não tinha mais condições de viajar para longe e precisava proteger minha esposa e filhos. Não havia nada que pudesse realmente fazer por ela.

— Ezio... – Maya me olhou e se levantou, puxando-me para a cozinha. Fomos seguidos por Sofia. – Ela está desesperada. Ela perdeu tudo e veio em busca de ajuda. Vá devagar com ela.

Explicamos o que havia acontecido para Sofia e logo ela partilhava da mesma opinião que Maya.

— Podemos ajuda-la, porém vocês não podem ficar aqui. Arrume algumas coisas e vão para a casa de Maquiavel. – Falei para Sofia.

Antes do anoitecer, Sofia, Flavia e Marcello partiram para a cidade ficamos apenas nós três na casa. Era arriscado demais mantê-los por perto, sabendo que Jun estava sendo seguida.

Maya esquentou a comida que Sofia havia deixado pronta e nos serviu com sopa de legumes.

— Amor, é o que mantém nossa Ordem unida. Não a busca pelo poder ou qualquer conhecimento além de nós.

— Isso levará muito tempo.

— Sim, se for feito corretamente, irá levar muito tempo, mas é dessa forma que você irá ganhar a confiança de seu povo. – Olhei para Maya. – Talvez Maya saiba explicar melhor como fazer isso, afinal a Ordem na Escócia só existe por sua causa.

Ela sorriu. – Não fiz nada diferente do que aprendi aqui. Reerguer algo requer tempo e dedicação, Jun.

— Você poderia vir comigo e me ajudar. – Jun olhou para Maya, que permaneceu estática, sem saber o que responder. Mas não houve tempo para pensar em nada. Ouvimos o som de algo muito grande ser disparado, a poeira invadiu a sala e o vento forte da porta se abrindo apagou o fogo da lareira.

Pude ouvir gemidos de dor e alguns palavrões em italiano, logo percebi que Maya não estava mais sentada em sua cadeira, a bala da arma que o homem enorme carregava a havia atingido. Mas finalmente eu pude presenciar que sua condição não servia apenas para mantê-la jovem. Qualquer pessoa atingida por uma arma daquele tamanho teria sido despedaçada.

Logo peguei uma das espadas presas à suportes nas paredes e parti para cima do primeiro homem que entrava pela porta, a fumaça ainda bloqueava parte da visão e me aproveitei disso para cortar suas pernas.

Jun saltou sobre outro homem que adentrava a casa e cravou a espada em seu crânio. Ao ver que Maya estava se levantando, o soldado enorme começou a carregar novamente a arma, porém ela foi mais rápida e pulou com os pés em seu peito, derrubando-o para fora da casa através da parede. Travei a espada contra outro atacante, a movimentação de seus pés era terrível, segurei seu outro braço e o torci, desarmando-o, a lâmina atravessou seu peito e logo em seguida encontrou o coração de outro homem que me atacou por trás.

Do lado de fora, Jun corria na direção do homem que empurrava Maya na direção de uma árvore, querendo prensá-la contra o tronco. Ela atirou o que pareciam ser três agulhas no homem, mas isso não parou. Ele bateu contra o tronco, e Maya soltou um gemido de dor, logo em seguida sendo soterrada pelo corpo enorme. Corremos em sua direção, mas ela estava bem. Empurrou o corpo para o lado e permaneceu sentada. Apenas um filete de sangue escorria por seus lábios.

— Você está bem? – Perguntei ao me aproximar.

— Nunca estive melhor. – Ela respondeu e riu. Segurando minha mão para se levantar. Olhou para Jun e em seguida para os demais corpos no quintal. – Eram eles os homens do Imperador?

Jun assentiu com a cabeça. – Esses foram os que restaram depois que capturaram meu mestre.

x

Na manhã do dia seguinte, Jun e eu havíamos carregado os corpos para longe e os queimado. A casa de Ezio tinha a porta destruída e uma parede em pedaços. Mas ele havia dito para não nos preocuparmos com isso.

Com o nascer o sol, Jun já havia decidido que partiria o quanto antes. Estava determinada a conseguir aliados pelo país e reconstruir sua ordem. Ezio e eu havíamos conversado ainda mais com ela, demos ideias e todo tipo de conhecimento que possuíamos para ajudá-la.

Ezio e eu estávamos na cozinha enquanto ela aproveitava um banho quente antes de partir. Preparávamos alguns alimentos que ela poderia levar na viagem e minha mente estava longe, quando ele me trouxe de volta.

— O que pretende fazer, Maya?

Olhei em seus olhos escuros. – O que quer dizer?

Ele sorriu e deixou de lado as frutas, segurou minhas mãos entre as dele e me olhou.

— Estou velho Maya. Sinto que não há muito mais tempo para mim. – Ele falou com tamanha sinceridade e paz que me espantou. – Você é mais que bem-vinda para ficar sempre aqui. Mas eu duvido que a vida tranquila da fazenda vá te alegrar por muito tempo. Você sempre será uma Assassina e talvez sua missão nesse mundo seja manter nossa Ordem firme e viva.

— Mas Ezio...

— Maya, se irá ficar aqui apenas para acompanhar um velho até seus dias finais. Saiba que esse velho ficou feliz em ver o brilho nos seus olhos mais uma vez e que eu não desejaria vê-la sofrer por me ver partir para sempre.

— Fique quieto... – Já estava com lágrimas nos olhos ao pensar na ideia. Mas o que me deixava pior, era saber que era verdade. Ele secou uma lágrima que escorreu por meu rosto e sorriu.

— Devia partir com Jun. – Ele disse. – Talvez ela precise de mais conselhos do que imagina e você já fez isso antes. Está chegando a hora de deixar a velha Itália para trás, Maya. Não deixe esse momento bom viver tanto até que se torne o vilão de sua vida.

— Ezio, eu sequer falo a língua deles. – A ideia era muito absurda, embora ele tivesse razão. Eu não sabia como viver sem a Ordem e sem exercer minha função como Assassina.

— Você não falava inglês quando saiu da Itália e hoje seu sotaque é horrível! – Ele caçoou.

Eu ri em meio às lágrimas. – Mas que mania de me mandar embora... – Brinquei, fazendo-o rir também.

— Pense nisso. – Ele falou por fim, secando mais uma lágrima e voltando a colocar as frutas em uma sacola.

x

Perto do meio dia, Jun e eu pegamos todas as sacolas com roupas e comida que Ezio havia preparado. Os homens da noite passada haviam trazido com eles um cavalo de pelagem preta e o meu cavalo estava no estábulo, portanto apenas os tratamos e selamos.

Por fim, decidi acatar a ideia de Ezio e partir com Shao Jun. Talvez fosse realmente hora de deixar a irmandade Italiana por fim. Passei muito tempo longe deles, de fato, mas sempre estive presente quando a Itália mais precisou e agora tudo estava em paz. Nosso trabalho ali estava feito e a irmandade de Jun precisava de mais ajuda do que qualquer pessoa na Itália. Além disso, realmente Ezio tinha razão, eu não conseguiria vê-lo partir. Saber que um dia suas cartas deixariam de chegar para sempre, já era uma ideia aterradora o suficiente.

Colocamos as sacolas nos cavalos e nos preparamos para partir. Jun se despediu de Ezio com uma reverência e palavras de agradecimento. Assim que ela se afastou para montar em seu cavalo, eu o abracei com força e deixei mais algumas lágrimas rolarem e molharem o tecido de sua roupa. Nossas vidas foram repletas de despedidas, mas nenhuma delas foi definitiva. Sempre houve a chance de nos reencontrarmos, mas agora eu estaria em outro continente.

Demorou um longo tempo, mas eu finalmente consegui me acalmar e olhar em seus olhos. Ele segurou meu rosto com as mãos firmes e olhou no fundo de minha alma.

— Jamais esqueça de mim, Maya Di Versati.

— Jamais. Ezio Auditore.

Ele me entregou um pequeno envelope com o selo vermelho da ordem e pediu que eu o guardasse até que soubesse que ele havia partido e assim eu o fiz.

Mais uma vez eu parti, e agora jamais veria seu rosto forte e determinado novamente.

“Quando eu era jovem, eu tinha liberdade, mas não via. Eu tinha tempo, mas não sabia. E tinha amor, mas não sentia. Muitas décadas irão se passar até que eu entenda o significado de todos os três. E agora, no crepúsculo da minha vida, essa compreensão se transformou em um contentamento. Amor, liberdade e tempo, certa vez tão dispensáveis, agora são o que me levam adiante. Amor... especialmente amor, mio caro. Carinho eterno, minha querida.

Para sempre seu. Ezio Auditore”

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não fiquem tristes, todos nós sabíamos que a Maya iria deixar o Ezio, afinal ela viverá para sempre. Quero que vocês deem dicas do que eu preciso melhorar para a próxima temporada. Sei que a correria nos capítulos é uma delas e eu estou trabalhando isso, não se preocupem. Mil beijos.