Bum abriu os olhos, tinha a sensação de ter cochilado... Seu estômago roncava de leve, denunciando o descaso. Precisava comer alguma coisa. Foi levantar, quando sentiu os braços do alpha rodeando-o. Sangwoo era muito forte, mas não chegava a prendê-lo.

Voltou a deitar. A respiração do rapaz ressonava em seu pescoço, arrepiando-o. Virou-se lentamente, para não acordá-lo e fitou seu semblante enquanto dormia. Era tão bonito. Ergueu a mão devagar e tocou suavemente seus lábios. Estavam levemente umedecidos... Sentiu seu corpo inteiro estremecer. Tinha tanta vontade de beijá-lo, talvez realmente pudesse fazer isso... Fitou seus braços, possuíam marcas arroxeadas e ele ainda usava a camisa suja de sangue.

Bum levantou aos poucos, sentando-se na cama e observando-o... Ele dormia tão tranquilamente. Começou a retirar a camisa de Sangwoo lentamente, ele não podia ficar com ela, lhe faria mal. Olhou seu abdômen definido e avermelhou-se...

“Quero tocar nele...” – pensou o ômega, desviando o olhar e mordendo levemente os lábios.

O alpha continuava a dormir, não percebendo aquelas ações. Deveria estar exausto. O ômega então lhe colocou outra camisa, dessa vez limpa.

Saiu da cama, segurando a camisa com vigor. O cheiro do alpha estava tão forte, que sua vontade era subir em cima dele e colocar em prova seu novo acordo de relacionamento. Por alguns instantes, realmente cogitou isso... Mas, Sangwoo estava ferido e tinha que deixar isso claro a sua mente. Entretanto, nada disso evitava o crescente excitamento que sentia.

Fitou a camisa, o certo seria colocá-la no lixo, afinal, estava rasgada... Mas, acabou subindo com ela a escada que lhe levava até seu quarto.

“O que estou fazendo...?” – pensava enquanto depositava a camisa na cama e ia até a sacola com seu ninho.

Retirou alguns ursinhos, almofadas e uma caixa. Observou por alguns instantes a caixa, ficando extremamente vermelho. Deveria parar ali... – encostou a cabeça na sacola aberta. Contudo sentia o líquido escorrer por entre suas pernas e sua respiração a cada instante mais ofegante... Aquilo era sufocante, precisava relaxar de alguma forma.

Abriu a caixa, fitou os brinquedos sexuais que estavam ali... Corou ainda mais.

Não que nunca os tivesse usado sem ser em seu cio... Desde que conhecera o perfume de Sangwoo, não era algo realmente raro, mas, isso não o impedia de ficar muito sem graça ao vê-los.

Levou a caixa para o banheiro e lavou alguns deles.

“Se ele descobrir... Provavelmente ficará muito zangado...”.

Depois voltou para seu quarto e trancou a porta. Realmente faria aquilo.

Pegou a camisa do alpha que estava sob a cama e sentiu seu cheiro... Ah... Cheirava a sangue, suor e feromônios. Bum deitou na cama... Ele tinha um perfume tão bom, arrepiava todo o seu corpo sem nem tocá-lo. Não havia um comparativo para o que os feromônios de Sangwoo despertavam nele.

“Ah... Sangwoo...” – pensava Bum notando seu ar faltar, lembrava-se do alpha lutando, tão forte... Selvagem... Seu olhar confiante e um tanto cruel sob seu oponente.

Leves ondas de arrepios passavam por seu corpo quando se lembrava do ódio que ele sentira.

“Por minha causa...”.

O que era aquilo? O excitava tanto assim Sangwoo odiar de forma tão incisiva quem o fizera mal? Olhou para baixo, deparando-se com a resposta. Estava molhado na frente e atrás.

Mas não era o ódio... Era o fato de Sangwoo se importar. Seu alpha queria protegê-lo e mantê-lo fora de perigo. As palavras rudes dele possuíam tantos significados... A forma como ele falou que esperava mantê-lo em casa ou a possessividade que demonstrava ao dizer que queria que a transição acabasse para saber onde ele estava e se estava bem.

“Ele se preocupa...”.

Isso sem contar o momento onde pareceu sentir ciúmes...

“Talvez eu tenha exagerado...” – pensou o ômega, mas era um fato que o alpha desejava monopolizá-lo e de alguma forma, aquilo era extremamente excitante.

Bum deslizou a mão por dentro da própria camisa, começando a tocar levemente o mamilo... Suas mãos não eram tão grandes quanto às do alpha, o que o fez suspirar pela frustração, mas continuou apertando-os enquanto respirava o perfume do homem que desejava...

Com a outra mão, desceu as próprias calças, tirando-as. Pressionou de leve atrás, circulando com o dedo, estava tão úmido ali... Gemeu baixo... Fechando os olhos, da última vez que Sangwoo o tocou...

“Foi... Assim...” – pensou Bum penetrando um dos dedos e tocando da mesma forma que o alpha. Mordeu o travesseiro, enquanto girava o dedo. Não era o suficiente... Seus dedos não eram tão grossos ou habilidosos quanto os do loiro.

Olhou para um plug negro de silicone que estava ao seu lado, ele não era muito grande, tinha o formato de cone e possuía uma bombinha que ao apertar o fazia inflar. Ficou ainda mais vermelho. Sentou-se e o pegou ao mesmo tempo em que abriu um lubrificante, sujando todo o aparelho com o líquido. Gostava daquele lubrificante, era um pouco gelado, e agora, lhe dava uma sensação semelhante à pele de Sangwoo.

Ficou de quatro sobre a cama, com a bunda empinada e começou a penetrá-lo lentamente. A ponta do brinquedo entrou sem muita resistência, a sensação era gostosa, pois o formigamento que o lubrificante frio causava arrepiava seu corpo. Conforme ia penetrando, mais difícil era sua entrada e maior era seu prazer. Quando chegou a seu ponto principal, mordeu o travesseiro para não gemer alto. Fechou os olhos...

“Sangwoo...” – imaginou o alpha sobre si.

Tão forte...

Lembrou-se do abdômen, do bíceps... Do gemido de seu homem, grave e potente.

Começou a apertar a bombinha, sentindo a pressão causada pelo enchimento do aparelho... Ele o preenchia e pressionava seus pontos fracos... Mas algo não parecia certo...

Voltou a ficar desapontado. Lembrava-se do dia em que o alpha o possuíra, sem piedade, na enfermaria da universidade. Aquele plug não chegava aos pés.

— Que droga... – murmurou num ronronar indignado. Normalmente não usava nada além do plug para aqueles momentos, contudo...

“Necessito de algo maior.” – puxou a caixa para perto de si, pegando um dos vibradores. Os usava em seu cio... Quando nada parecia o suficiente, mas agora...

“É exatamente o que preciso.” – pensou o ômega.

Retirou o plug devagar, sentindo-se um pouco vazio. Colocou o lubrificante no vibrador enquanto deitava de lado, começou a penetrá-lo. Deu um gemido alto, por mais que o plug já o tivesse preparado, a ponta curvada daquele brinquedo parecia tocar em todos os seus pontos sensíveis.

— Tão bom... – sussurrou, mergulhando a cabeça no travesseiro, sufocando os gemidos que não conseguia conter.

Empurrou-o mais fundo. Os olhos de Bum se perderam nas lembranças de Sangwoo, inundando-o. O olhar de desejo do alpha, seu abraço forte e trêmulo. Seu cheiro. Sua voz. Sua ferocidade ao lutar e gentileza ao tocá-lo.

— Ah Sangwoo... – não conseguia evitar gemer o nome daquele que queria dentro de si, o desejava tanto que não sabia o que fazer.

“Você... Tem algo sobre você que me alucina...” – o rapaz ligou o aparelho, sentindo-o vibrar em seu interior, começou a movimentá-lo, tirando-o e colocando-o.

O ritmo lento acelerou aos poucos.

Segurou a camisa do alpha com a outra mão, sentindo seu perfume intoxicante, e então a desceu, cobrindo seu membro duro com o tecido. Estremeceu com o toque.

Ofegava, o que fazia sua garganta doer, mas não se importava, o calor das recordações enlouquecia-o. Começou a movimentar a mão sincronizando com a velocidade que impunha no aparelho ao mesmo tempo em que mordia com força os lábios, lembrando-se dos beijos de Sangwoo por seu corpo enquanto sentia-se febril ou do gosto dele em sua boca quando o provou pela primeira vez.

Seus gemidos já não eram mais controlados e seus pés contorciam-se na cama enquanto sentia as ondas de prazer consumi-lo. Ansiava que o alpha o devorasse daquela maneira. Seu coração começou a bater mais acelerado enquanto ficava cada vez mais arfante.

Arqueou o corpo e gozou sob o tecido, sentindo pequenos e suaves espasmos finais enquanto se encolhia, retirando o brinquedo.

“Queria poder controlar meus desejos como consigo controlar meus feromônios.”.

Olhou para a pequena bagunça que fizera e suspirou. Levantou, pegando alguns lenços umedecidos. Limpou-se, jogou os lenços no lixo junto com a camisa, vestiu suas roupas e guardou todo o extra de volta em seu ninho – ursinhos, almofadas, só deixando a caixa do lado de fora.

Desceu com cuidado. Levava uma muda de roupas e os brinquedos que usara. Não queria ser pego pelo alpha, mas pelo que percebera, ele ainda estava adormecido. Foi no banheiro, tomou um banho, limpou os aparelhos, vestiu-se e voltou para o quarto, guardando tudo na caixa e a colocando dentro do ninho.

Seu estômago deu um rugido de indignação. Estava com fome. Muita fome. Suspirou.

Desceu, observando a geladeira. Havia vários ímãs com telefones de tele entrega. Não estava acostumado com aquilo, mas... Se Sangwoo fazia questão. Ligou para uma pizzaria e pediu. Por alguma razão que não entendia, achava que o alpha iria preferir as que contivessem carne, então seu pedido basicamente foi baseado em sua intuição.

Enquanto esperava, fez os deveres, lembrando-se de mandar uma mensagem para Myung-Hee pedindo as anotações do dia – e as dos próximos também. Enviou outra mensagem para o serviço, avisando que iria faltar naquele dia e nos seguintes, mas que levaria atestados. Sua supervisora respondeu questionando se era devido à transição, ele respondeu que sim, ela disse que já era esperado e estava tudo bem. ‘Que seu alpha cuide bem de você até terminar. ’ Afirmou ela gentilmente. Bum ficou sem graça.

No momento que a pizza chegou, pagou e comeu. Depois assistiu a um show de variedades.

Quando começou a anoitecer, decidiu verificar se o alpha estava vivo. Encontrou-o dormindo tranquilamente em seu quarto.

“Alphas realmente precisam dormir para se recuperar...” – lembrava-se das crianças que cuidava, sempre depois de uma briga iam direto cochilar.

Sorriu. Fitando em seguida a faixa – que estava um pouco à mostra na cintura do rapaz. Lembrava claramente da médica dizendo que ele precisava trocar duas vezes ao dia.

Foi até o banheiro, pegando a caixa de primeiro socorros, depois ferveu água e colocou em uma bacia. Também foi a despensa, pegando um pano limpo, só então andou ao quarto do alpha, ajoelhando-se diante dele. Será que conseguiria trocar as faixas sem acordá-lo?

Começou a retirar a camisa de Sangwoo lentamente, quando o mesmo acordou surpreso.

— Quê? – perguntou atordoado o alpha.

— Desculpa... Tentei não te acordar... – murmurou Bum.

O que deveria fazer agora? Contar o que pretendia? Mas, Sangwoo não perguntou nada... Apenas o ajudou com a camisa. Começou a retirar a faixa. Lembrou-se da consulta do rapaz e de algo que ficara em sua mente: — Hm... Sangwoo...

— Sim? – o alpha perguntou enquanto bocejava.

— Como eu posso te ajudar? Ouvi a doutora Noh falar algo a respeito, mas não sei o que fazer... – fitou o loiro, terminando de retirar a faixa. Realmente queria ajudá-lo. Ele parecia tão ferido... Observou todas as marcas roxas no corpo do rapaz.

Sangwoo ficou um pouco surpreso, mas logo começou a falar: — Hm... Sobre isso, você não precisa fazer nada... Ela só comentou da ligação de cura que os ômegas possuem.

“Ligação de cura? O que é isso?”.

Bum ficou realmente confuso. Nunca ouvira falar disso, quer dizer, sabia que o ômega quando mordidos ganhava várias habilidades que o ajudava com seu alpha, mas curá-lo? Isso era possível?

Sangwoo deu um sorriso malicioso: — Se você lamber a ferida, ela cura mais rápido. Como somos um par, seu corpo se adaptou para acelerar isso em mim... – o alpha aproximou sua mão, tocando com a ponta dos dedos os lábios do ômega, deixando-o vermelho: — Ou você pensou que feromônios eram exclusivamente para sexo?

Bum corou violentamente. Não pensava que eles serviam apenas para isso e sabia que eles mudavam depois da mordida, mas nunca passara por sua cabeça algo do gênero e Sangwoo agindo daquela forma o estava deixando ainda pior. Como o alpha conseguia ser tão sedutor, até mesmo naquele tipo de situação?

O sorriso do alpha aumentou, tornando-se uma risada brincalhona: — Você ficou tão sem graça. – Bum olhou para o lado enquanto Sangwoo retirava os dedos: — Não precisa fazer nada. Um alpha já se cura mais rapidamente, em poucos dias já estarei bem.

Bum pegou o pano limpo e o molhou na bacia com água, depois, começou a limpar o alpha nos hematomas, no corte usou gazes e soro fisiológico.

“Não preciso fazer nada...” – pensou, fitando atentamente as feridas.

“E deixá-lo assim? Como eu poderia?” – refletia o pequeno.

Quando terminou a limpeza, observou atentamente o corte...

“Ele disse lamber... Né?” – aproximou o rosto, começando a lambê-lo.

Sentiu o alpha estremecer e então gemer baixo. Ficou um pouco corado, mas se concentrou em apenas ajudá-lo.

Assim que acabou de lamber o corte, fitou o corpo de Sangwoo. Ele estava realmente ferido. Não conseguiria ajudá-lo ajoelhado ao lado, então subiu em cima da cama, colocando as pernas ao redor do quadril do alpha – mas sem se sentar. Passou a língua demoradamente sobre cada um dos hematomas. Também começou a liberar mais concentradamente seus feromônios, notando que aquilo parecia desinchar os hematomas novos e diminuir drasticamente os antigos.

Em nenhum momento teve intenção de excitá-lo, mas aos poucos reparou que o alpha realmente parecia – de alguma forma – constrangido com a situação, apesar de não fazer nada para pará-lo.

Notou que uma das mãos de Sangwoo estava fechada em punho e possuía um corte ainda em processo de cura, pegou-a e começou a lambê-la. Queria tirar todas as marcas se pudesse. Sentiu o perfume do alpha atingi-lo, fazendo-o estremecer e o fitou...

“Ele está se excitando...?” – a mão do rapaz saiu de sua boca e foi para sua cintura. Ele o retirou de cima dele.

— Estou com fome. – o alpha falou um pouco agitado.

— Pedi pizza... – Bum disse confuso.

Por que Sangwoo o tirara? O tinha irritado...? Ou... O excitado? De qualquer forma, ainda não havia terminado.

— Só me deixa pôr a faixa de volta.

— Não. – o alpha pareceu ainda mais agitado, mas logo se acalmou: — Eu consigo fazer isso... Poderia pegar um pedaço pra mim? – ele sorriu, deixando Bum sem graça.

O ômega concordou, saindo do quarto. Não entendia toda a agitação de Sangwoo, tinha certeza que controlara seus feromônios para não excitá-lo.

“Eu o provoco, mesmo sem intenção...?” – estava um pouco confuso enquanto servia o prato do alpha.

Andou de volta ao quarto, entregando a refeição ao rapaz: — Aqui...

Sangwoo, apesar de calmo, parecia faminto. Contudo, não comia muito rápido. Estava ainda extremamente cansado, fora a conclusão chegada pelo ômega ao vê-lo bocejar.

— Se quiser voltar a dormir, tudo bem... Eu sei que alphas dormem muito para se recuperarem... – murmurou Bum, observando-o.

O loiro concordou com a cabeça, terminando as fatias e limpando a boca com o guardanapo, fitando-o em seguida: — Obrigado. – disse em um murmúrio sério.

Bum ficou extremamente surpreso, mas sorriu. Estava feliz em ter ajudado o alpha: — De nada. – respondeu alegre.

De repente sentiu sua roupa ser puxada e um leve roçar de lábios, o beijo foi rápido, mas intenso o suficiente para fazer seu coração quase saltar pela boca. Sangwoo fitava diretamente seus olhos quando sussurrou um ‘Boa noite’ largando-o.

O alpha deitou, voltando a dormir e Bum ficou sem ação. Totalmente perplexo por alguns instantes.

“Tenho que sair daqui.”. – pensou o pequeno levantando, recolhendo tudo e saindo.

Fechou a porta, virando-se contra ela e escorregou lentamente até sentar no chão. O que deveria fazer? Sangwoo o enchia de esperanças. Já havia decidido que tentaria não? Não iria mais recuar, mas, tinha claro que não era algo que o alpha realmente desejava...

“Ele realmente não quer?” – fitou a porta. Levantando. Iria ligar para Myung-Hee, precisava conversar com alguém.

Guardou tudo e subiu a escada, pegando o celular e digitando rapidamente.

Não sei mais o que fazer em relação ao Sangwoo...

Lee Myung-Hee

O que ele fez dessa vez? Aliás, descobri coisas interessantes sobre ele...

A Kaa Yangmi falou bastante hoje... E tinha outras coisas que também quero te contar.

Yoon Bum

Ele me deixa confuso... Ela falou?

Lee Myung-Hee

Confuso? HAHAHAHAHA Você não precisa do Sangwoo para isso...

Lembra quando você descobriu que alguém o deixava ‘estranho’?

Bum ficou corado, realmente, ficara muito confuso na época, mas agora era diferente... Começou a escrever.

Eu entendo, mas ainda assim, ele diz uma coisa e age de forma diferente...

Eu decidi tentar Myung-Hee, mas não sei exatamente o que fazer.

Lee Myung-Hee

Hm... Bum... Eu realmente preciso falar com você antes que decida qualquer coisa...

É sério, tem certas coisas que você não sabe, se for para investir, que seja consciente.

Bum piscou diversas vezes, ela parecia tão séria... Digitou a pergunta rapidamente.

O que é?

A resposta não demorou.

Lee Myung-Hee

Eu realmente prefiro falar com você pessoalmente...

Será que você pode convencer o Sangwoo a me deixar visitá-lo amanhã?

Sei que ele é territorialista, mas a Kaa Yangmi disse que isso é principalmente com alphas.

Uma ômega como eu, não deve incomodá-lo.

Bum refletiu, ele já estaria dormindo? Desceu rapidamente a escada, abrindo devagar a porta do rapaz.

— Sangwoo...? – murmurou baixo, se ele estivesse dormindo profundamente, não acordaria.

— Hm? – respondeu o alpha de olhos fechados.

— A Myung-Hee... Pode vir aqui amanhã?

—... É aquela sua amiga, não? – ele abriu os olhos fitando-o.

— Sim... – disse sem graça o ômega.

— Claro. – o alpha voltou a fechar os olhos: — A Yangmi já pesteou a casa inteira com o cheiro dela.

Bum piscou, olhando ao redor e respirando fundo. Realmente. Havia cheiro da Yangmi, mas era tão fraco... Será que alphas sentiam isso melhor? Espera... Significava que se ele subisse a escada... – o ômega ficou extremamente vermelho.

Quando se tocara, evitou liberar muitos feromônios, mas ainda estava um pouco forte.

“Por favor... Que ele durma o dia inteiro amanhã...” – refletiu corado o rapaz enquanto fechava a porta.

Subiu para o quarto enquanto escrevia.

Você pode vir amanhã.

Lee Myung-Hee

Certo. Vou de tarde.

Já aproveito e levo as anotações que conseguir de hoje e as que farei amanhã.

Beijos =*

Bum trocou a roupa de cama, colocando já na máquina de lavar as antigas e então deitou, estava cansado. Não demorou muito para pegar no sono, apesar das palavras da amiga não saírem de sua cabeça “O que ela quer me dizer...?”.

Quinta

Bum acordou, estava com dor de cabeça devido à noite mal dormida. Desceu a escada e preparou algo leve para o café, deixou uma parte para Sangwoo.

Tomou banho, se vestiu e ficou meio sem saber o que fazer. Começou a arrumar a casa, depois assistiu algo na TV, por fim, foi pegar o necessário para ajudar o alpha novamente, só então percebendo que algumas das coisas estavam terminando – como os esparadrapos e gazes. Sem contar que não haviam comprado o remédio indicado pela médica. Decidiu que iria à farmácia.

Antes de sair, porém, como Sangwoo dera tanto ênfase que ele o estava “aprisionando” na casa por aqueles dias, deixou um bilhete, avisando aonde ia. Pegou sua carteira e saiu.

Na farmácia adquiriu todo o necessário, também passou em uma loja de conveniência e comprou alguns ingredientes que faltavam e voltou para casa. Ao chegar, deparou-se com Sangwoo sentado diante da mesa da cozinha, ele parecia furioso.

— Você realmente não sabe o significado de ficar em casa e não fazer nada, não é? – ele sibilava as palavras, o que assustou um pouco o ômega.

—... Eu deixei um bilhete...? – murmurou desconcertado.

—... Eu vi. – ele mostrou o bilhete: — Olha. – o alpha levantou e Bum tentou dar um passo para trás, mas percebeu que ainda estava na porta e não tinha para onde ir: — Eu não quero que você saia até a transição terminar. – ele se aproximou, colocando o braço ao lado do ômega: — Tudo bem? – Sangwoo não parecia tão assustador de perto, na verdade, estava preocupado: — Sei que é ruim, mas é só por esses dias, ok? Não vou conseguir dormir se não sentir seu cheiro por perto...

Bum corou violentamente, ele não conseguiria dormir? Estava sem fala: — ... Desculpe. – murmurou o pequeno fitando os olhos do alpha.

— Você já foi atacado duas vezes por minha causa. – ele passou a mão nos cabelos negros do ômega: — Então, acho que já chega, não? – o alpha sorriu: — Vou tomar um banho. – Sangwoo mirou as sacolas: — Trocar de novo... – suspirou: — Certo. – saiu para o banheiro.

Bum respirou profundamente, aquilo... Era exatamente aquilo que o confundia! Se fosse para agir daquela maneira, que o pedisse em namoro de uma vez por todas. – seu rosto corou ainda mais com esse pensamento.

“Namoro...” – olhou o teto.

Ele realmente queria namorar o rapaz mais complicado que conhecia? Seu coração demorou dois segundos para responder – suspirou.

“É... Eu quero sim.”.

Primeiro Bum cozinhou e os dois almoçaram – Sangwoo havia comido o café enquanto o esperava. Depois foi ajudar o alpha novamente com os hematomas. Primeiro ele tentou recusar o favor, mas era evidente a melhora que tivera, então acabou cedendo.

Sangwoo estava deitado de olhos fechados enquanto o ômega o lambia e, observando-o melhor, Bum teve certeza que o excitava, por mais que não estivesse com a intenção. Estranhamente sentiu-se no controle da situação, sua racionalidade deixando-o por alguns instantes, fazendo-o aproximar-se do ouvido do rapaz.

— Sangwoo... – sussurrou quase como um gemido.

O alpha imediatamente abriu os olhos encarando-o com desejo, sentiu suas mãos fortes em sua cintura, ele ia inverter as posições, quando escutaram a campainha. As mãos de Sangwoo deslizaram passando de leve por seu quadril: — Acho que sua amiga chegou. – murmurou com a voz grave, afastando-o.

Bum concordou um pouco corado. Levantou e fitou o alpha.

— Consigo colocar a faixa sozinho, pode ir. – disse sem olhá-lo.

O ômega saiu do quarto, nunca desejara que a amiga tivesse esquecido um compromisso como naquele momento. Foi atender a porta. Myung-Hee estava com uma sacola, a mochila e um sorriso.

— Você não parece tão feliz em me ver. – disse entre risinhos a garota enquanto entrava, deixando Bum extremamente vermelho: — Huhu pelo visto atrapalhei alguma coisa, devo ir até o Sangwoo me desculpar?

— Não! – respondeu o rapaz, pegando a mão da amiga que ria ainda mais e a fez subir a escada com ele, levando-a até seu quarto.

— Está dormindo aqui? – perguntou curiosa a baixinha, enquanto olhava ao redor.

— Sim... – disse o ômega arrumando a cama para ela sentar: — Quer um chá?

Ela fez que não com a cabeça e ergueu a sacola: — Não consegui dormir direito por causa da ansiedade, então, fiz isso para nós. Assim, eu não precisava esperar você fazer qualquer coisa para começar a falar... – ela tirou uma térmica e um pote com pedaços de bolo. Separou outro pote: — Este é do Sangwoo... – respirou profundamente: — Ok... Melhor começar logo.

Bum ficou nervoso, porque ela estava tão séria? Era algo tão grave assim? Suas mãos gelaram.

— Bum... – ela o fitou nos olhos: — Ontem... Eu saí com a manada de Sangwoo e... – a garota não sabia exatamente por onde começar, apesar do discurso soar ao rapaz um tanto ensaiado: — E eles falaram muito e eu percebi várias coisas... – respirou fundo: — Você sabe que o Sangwoo mentiu para eles sobre a mordida, né?

Bum gelou, ela não tinha contado a eles, não é? Não saberia o que fazer caso a garota tivesse revelado qualquer coisa: — Myung-Hee... Você não... – começou.

— Não faz essa cara Bum! Claro que fiquei na minha. – ela soou um pouco ofendida pela desconfiança: — Você não pediu segredo, mas, percebi que assim deveria ser quando eles começaram a falar do assunto. – a baixinha olhou para os pés, depois pegou um pedaço do bolo, comendo-o.

— Myung-Hee... Por que você está assim? – o rapaz já ficava preocupado.

— Eles... Eles têm uma imagem totalmente diferente de você. – ela suspirou: — Quer dizer, todos te acham fofo... Normal. Mas como o Sangwoo disse que escolheu te morder, todos têm uma visão distorcida de como você deseja um relacionamento. – a garota o fitou nos olhos: — Eles realmente pensam que você não liga caso o Sangwoo tenha outros e principalmente, que você não quer filhos. Não tem ideia do quanto é surpreendente para eles um ômega não querer filhos.

Bum primeiramente ficara surpresa por todos o acharem ‘fofo’, mas conforme a garota ia falando, ele começava a entrar um pouco em choque, no fim, estava com a boca levemente aberta...

“Não... Querer filhos...? Quem? Eu?”.

— Você tem que entender que como ele supostamente escolheu você, eles pensam que você é o que eles imaginam que o Sangwoo quer... E absolutamente todos pensam que aquele alpha lá embaixo, quer alguém que não ligue para fidelidade, não queira filhos e seja bom de cama.

O ômega ficou calado. Por isso Jieun agia como se não importasse com quantos o alpha dormia... Ela queria se encaixar. Isso também explicava porque ele fora tão incisivo sobre eles serem um par e não um casal.

Bum se encolheu um pouco, era tão óbvio, ele não queria um relacionamento, mas mais do que isso, ele não queria formar uma família...

“Ele não quer filhos.”.

Não era algo contra Bum ou o que ele o fazia sentir, era uma resolução de vida.

“Eu... Eu não posso...” – sentiu a mão da garota em seu rosto.

—... – ela parecia preocupada: — Não chora... Desculpe...

O ômega passou a mão na face, quando começara a chorar? Limpou o rosto rapidamente: — Não precisa se desculpar... É só que...

— Eu sei. Eu sei que é o seu sonho. – a garota respirou fundo: — Eu só ria de nervoso enquanto eles falavam. Claro, expliquei que realmente há ômegas que não desejam filhos, apesar de ter ficado completamente calada por esse não ser o seu caso. A única que ficou quieta durante essa conversa foi a Kaa Yangmi... Depois, ela falou comigo em particular, disse que com o Sangwoo não era tão definitivo quanto todos faziam parecer... Mas não sei Bum, eles diziam que apesar de não evitar crianças como se as detestasse, ele também não gosta de ficar muito próximo e Kim Dongyu comentou que uma vez ele disse que tinha “a genética ruim”, seja lá o que isso signifique...

Genética ruim...? – Bum piscou, Sangwoo era bonito, forte, inteligente, protetor... Qual parte da genética dele era ruim...?

— Eu também não entendi, nem eles entenderam na verdade... Ninguém soube explicar porque ele diria isso... – Myung-Hee afirmou despreocupadamente: — De qualquer forma, se você vai investir melhor saber de tudo, né?

O ômega suspirou: — Sim... – ele se jogou na cama, olhando o teto.

De qualquer forma... Se realmente tentasse ficar com o alpha... Estava disposto a abrir mão de tantas coisas? Principalmente de seu maior sonho? Seu coração batia de forma dolorosa, pela primeira vez sem uma resposta imediata.

Suas melhores lembranças eram de sua infância, quando vivia com a mãe. A única época em que sentiu pertencer a uma família. Mesmo assim, sua mãe sempre lhe passou a sensação de ‘não estar completa’, ela sentia muita falta de seu pai e isso acabou gerando nele uma vontade de ter uma família ‘completa’. Queria saber como seria, ter alguém para compartilhar a vida, criar um filho junto com essa pessoa. Nunca experimentara fazer parte de algo assim. Com seus avós era diferente... Podia ser bobo, e para algumas pessoas, estúpido, mas era realmente seu maior sonho.

— Somos amigos com benefícios agora. – disse um pouco sem pensar.

A garota engasgou: — O quê?

— Foi meio sem querer... – o moreno fechou os olhos: — De alguma forma, eu pensei que... Ah... Eu sou estúpido, só isso... – ele colocou as mãos sobre o rosto.

—... Isso não é ruim. – Bum se surpreendeu, virando-se para a garota: — Olha, você gosta dele, não tem como mudar isso... A Kaa Yangmi é a amiga mais antiga do Sangwoo, talvez ela saiba de coisas que os outros não saibam por isso me disse aquelas coisas... Eu só achei que você deveria entender tudo, para tentar com os pés no chão. Talvez no fim vocês não deem certo, mas nada impede de você tentar...

O moreno demorou alguns segundos para entender o que a amiga queria dizer: — Você acha que eu devo tentar convencer o Sangwoo a ter uma família comigo? – perguntou ainda um pouco confuso.

— É claro! Eu nunca vou dizer para você desistir dos seus sonhos! Nem pelo Sangwoo, nem por ninguém! – a garota assegurou confiantemente com um sorriso: — Nenhum deles sabia o motivo dele ser assim, desconfio que a única que talvez soubesse, mas não comentou nada, era a própria Kaa Yangmin. Você tem que descobrir o porquê e só então ver se pode dar certo... Talvez no fundo ele queira, mas por alguma razão, acha que não.

— Eu não sei... Não parece bom tentar obrigar alguém a ter uma família... – Bum desviou o olhar. Aquele era o seu sonho, não queria forçá-lo em Sangwoo.

— Quem está falando de obrigar Bum? Tentar não é ir lá, engravidar do Sangwoo sem ele saber e jogar na cara dele que você quer uma família. Estou falando de conversar, entendê-lo e ver se realmente é impossível. Afinal, vocês vão ter que ficar dois anos juntos... – ela deu de ombros: — A não ser que ele arranje alguma forma milagrosa de quebrar o vínculo.

Bum refletiu. Myung-Hee tinha razão, ele não precisava desistir e ainda tinha tempo... Apesar de que, aquilo tornara as coisas ainda mais complicadas. Suspirou. Será que em algum momento, conversariam sobre aquele assunto? Sangwoo estava tão fechado que tinha certeza que se tivesse dito que queria ser seu namorado, ele teria recusado. Imagina se falasse algo como querer ser oficialmente seu marido e constituir uma família? Ele fugia de casa.

“A parte interessante é que não duvido que ele fuja mesmo a casa sendo dele... Ou – ele refletiu – me expulsa.”.

Comeu o bolo da garota, estava delicioso: — Nossa! – exclamou, ela cozinhava muito bem, mas nunca provara algo tão bom dela.

— O segredo está no chantilly. De qualquer forma, anotei para você. – ela entregou um papel com a receita.

O ômega ficou vermelho. Ela realmente o conhecia. Guardou a receita em seu livro, se não gostasse tanto de crianças a ponto de se tornar educador, provavelmente, teria escolhido gastronomia como curso.

— Hm... Mudando de assunto. – a baixinha ficou um pouco corada: — Bum, você poderia ser minha testemunha? Ontem eles ligaram para a Jieun... E parece que o pai dela vai cuidar do processo contra aqueles que nos atacaram inclusive o que fizeram a mim... Parece que ela mesma vai testemunhar, sendo uma alpha, claro que o testemunho dela vale muito, mas... – ela riu nervosamente: — Não confio naquela garota, sabe? Então... Você poderia?

— Claro! – respondeu sem pestanejar: — Quero-os na cadeia. Principalmente aquele porco...

— Obrigada. – a garota sorriu: — Tem mais uma coisa! Quase esqueço! – ela segurou as mãos do rapaz: — Você não sabe quem desafiou o Sangwoo na frente de todo mundo, por sua causa! – Bum piscou sem entender: — O professor Yang! – o garoto arregalou os olhos, chocado: — E ele disse coisas como “se você não cuidar dele, eu cuido” – ela imitou a voz do professor e depois riu: — O Sangwoo ficou furioso!

O ômega não tinha a mínima ideia de como reagir àquela informação. Ficar feliz pelo suposto ciúme do alpha? Chocado pela atitude do professor? Estranho pela situação?

Myung-Hee então se empolgou, contando todos os detalhes de terça. Depois disso, eles copiaram juntos a matéria de quarta e ela o ajudou com as daquele dia, quando perceberam, já estava tarde e a garota deveria ir.

Despediram-se com um forte abraço: — Vou te encher de mensagens. – disse a garota, lhe dando um beijo no rosto e indo embora.

Bum fechou a porta com um suspiro. Foi até o quarto do rapaz, ele dormia. Sacudiu a cabeça negativamente.

“Impressionante...” – pensou com um sorriso.

Pegou tudo que precisava gazes, soro fisiológico, bacia com água, pano, faixa, remédio e sentou-se ao lado dele. Tocou-o.

— Sangwoo?

— Hm...? – o alpha abriu os olhos lentamente: — Um dia vou te acordar... – murmurou levemente indignado: — Quando estiver bem exausto... Quando ômegas ficam exaustos? – fitou o moreno bocejando.

O coração de Bum bateu dolorosamente, as lembranças do início da conversa com Myung-Hee o assombrando. Só conhecia um momento em que ômegas ficavam realmente exaustos.

— Quando estão esperando uma criança. – respondeu seriamente: — Por quê? Irá me engravidar para poder concluir sua vingança? – sua voz saíra mais irônica que o esperado, mas não estava com paciência.

O alpha tossiu, acordando de vez. Pareceu não ter uma resposta. E era melhor ele não responder. Não queria brigar.

“É... Esse assunto me afeta mais do pensei...”.

O ômega baixou o olhar, sua irritação evaporando e somente tristeza ficando no lugar. Apenas tirou a camisa do alpha, sem falar nada, retirou a faixa e então o limpou. O silêncio era tão mortal que o tic tac do grande relógio da sala era audível.

Por fim, subiu na cama, colocando as pernas ao redor da cintura do rapaz. Todavia, dessa vez, manteve seu corpo o mais distante possível. Começou a lambê-lo, com cuidado, mas não querendo se demorar.

Sentiu uma mão fria em seu rosto. Virou o rosto, fitando o alpha nos olhos. Ele parecia confuso.

— Você não precisa se forçar... – Sangwoo disse como se quisesse entender o que estava ocorrendo ali, mas falhando.

— Não estou me forçando. – Bum continuou o que estava fazendo.

O alpha suspirou: — Você está estranho. – ele passou a mão no próprio cabelo: — Aconteceu alguma coisa? Foi por causa da brincadeira?

Foi a vez do ômega suspirar, não queria passar essa sensação ao alpha, mas... Mas...

“Não tem como falar sobre isso agora...” – fechou os olhos, depois voltou ao que estava fazendo.

— Estou bem. É que a sua brincadeira me fez lembrar de que, se não conseguir quebrar o vínculo, terei dificuldades para engravidar. – falou um pouco sem pensar, contudo não deixava de ser verdade, se não conseguisse conquistar Sangwoo e convencê-lo a ter uma família, provavelmente não teria filhos. Afinal, seu corpo se adaptou ao alpha.

“Terei de fazer tratamento...” — suspirou, terminando e saindo de cima sozinho.

Pegou a faixa e enrolou cuidadosamente no alpha. O corte já cicatrizara, mas por via das dúvidas. Também o fez beber o remédio.

Recolheu tudo e ia sair do quarto quando teve a mão segurada, fitou o alpha.

—... – ele o observava seriamente, entretanto sem dizer nada, o soltou.

Bum voltou-se novamente para a porta: — Desculpe se estou estranho... – ele virou-se para o alpha: — Não foi minha intenção... – tentou sorrir o melhor que podia: — Espero que descanse e durma bem. – saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.

Colocou tudo em seu devido lugar, subindo a escada em seguida. Viu que havia mensagens não respondidas em seu celular.

Lee Myung-Hee

Esqueci-me de dizer que a Kaa Yangmin pediu seu número, posso passar amanhã?

O moreno piscou, escrevendo calmamente.

Claro.

Depois colocou o celular ao lado, levantou, desligou as luzes e foi dormir. O dia fora mais longo do que pensara.

Sexta

Bum acordou antes do despertador tocar. Não podia negar, ainda estava chateado e aquilo não fazia sentido. Não tinha o porquê de estar assim... – deu um prolongado suspiro. Iria tomar banho e arranjar uma forma de se animar, não deixaria uma notícia não agradável acabar com seu humor.

“Se tudo der errado, posso fazer inseminação artificial de um beta. Com certeza funciona.” – sorriu para não chorar, pressionando o rosto contra o travesseiro.

Desceu com a muda de roupa e a toalha em mãos, percebendo que Sangwoo estava acordado e assistia TV. Diferente.

— Bom dia. – disse aproximando-se.

— Hm. – concordou com a cabeça o alpha que, pelo visto, comia um bolinho de arroz e assistia a um jogo de beisebol. Ele o fitou, parecendo avaliá-lo por instantes antes de voltar o rosto novamente para a TV.

O moreno andou, deixando o rapaz em paz e indo para o banho. Relaxou debaixo da água, não podia ficar naquele estado. Terminou o banho, secou-se e saiu vestido.

Decidiu fazer o bolo que Myung-Hee lhe dera a receita. Cozinhar sempre o animava. Pegou a receita, preparou a massa com cuidado, colocou no forno e então percebeu que faltavam ingredientes para o recheio, principalmente, para fazer o chantilly...

“Estou sem creme de leite...” – pensou o rapaz.

Caminhou devagar até o alpha, ele ficaria chateado se dissesse que precisava sair?

— Hm... Sangwoo... – chamou em um múrmuro.

— Sim? – o alpha o fitou.

— Eu preciso sair... – o moreno apertava uma mão na outra, sem jeito.

—... – o olhar de Sangwoo transmitiu um belo “Nem sob meu cadáver.”.

Mas a resposta do olhar de Bum foi “Por favooor”.

O alpha coçou a cabeça, irritado: — O que você precisa? – levantou.

— Faltaram alguns ingredientes... – ele murmurou segurando uma pequena lista que escrevera há pouco.

Sangwoo olhou a lista por cima do ombro de Bum: — ... Ok. – disse pegando um casaco e estendendo a mão para receber o papel: — Eu compro. Você. Fica. Aqui.

Bum corou, entregando a lista: — Obrigado... Mas... – ele fitou a TV.

O alpha deu de ombros: — Está em um dos tempos e devo chegar rápido, não vou perder muito. – ele saiu.

O ômega suspirou ao vê-lo sair.

“Vou fazer o almoço enquanto isso...” – pensava, começando a cozinhar.

De qualquer forma, teria de esperar o bolo esfriar para recheá-lo, talvez devesse ter pedido após o jogo...

“Mas não achei que ele iria...”.

Parou de cortar os vegetais.

Ele era tão gentil...

“Diferente de mim, ele não sentia nada quando me mordeu. Se eu parar para pensar no lado dele, a situação é mais complicada, não? Ele não queria relacionamentos e caí de paraquedas em sua vida. Já eu... Eu percebi que o amo há algum tempo e mesmo assim, não fiz absolutamente nada para mudar o status quo.” – ele mordeu um pedaço de cenoura.

“Bom, vou me dar certo crédito. ‘Amigos com benefícios’ é melhor que nada... Mas... Não sou nem namorado dele e já estou chateado por ele não querer filhos? Isso é ridículo Bum. Primeiro você teria de conquistá-lo, para depois pensar nisso... Como dizia a mamãe? Não botar a carroça à frente dos bois...”. – respirou fundo.

“O que me leva de volta ao início, como conquistar alguém como o Sangwoo? Principalmente quando não se tem nenhum tipo de sexy appeal?” – baixou a cabeça.

Seus pensamentos pareciam um hamster dentro de uma rodinha, não iam a lugar nenhum e continuavam circulando...

O rapaz seguiu cozinhando até Sangwoo voltar. Ele trazia uma sacola cheia, pelo visto comprara mais do que a lista de ingredientes. Bum foi pegar a sacola, mas o alpha ergueu o braço, impedindo que o pequeno a alcançasse.

Ele sorriu malignamente: — Não tão rápido. Você me fez perder parte do jogo, o que ganho em troca?

— Quê? – Bum ficou confuso, ele queria algo em troca? Espera. Ele disse que iria comprar por vontade própria...

A TV soltou um ‘Home Run’, distraindo o alpha que perdeu a sacola em um pulo rápido do pequeno.

— Ei! – Sangwoo expressou indignação com o ato.

— Dois Bum, zero Sangwoo. – riu o ômega.

— Dois...? Ah... O ursinho. Sei. Quem disse para você começar uma contagem? – o alpha falou falsamente bravo.

Bum sorriu, se aproximando e puxando o casaco de Sangwoo. Encostou seus lábios nos do alpha, fitando diretamente seus olhos antes de fechá-los. Beijou-o demoradamente. Lentamente explorando sua boca, não foi dos de tirar o fôlego, pois era doce e gentil, sem pressa, mas, foi intenso. Quando se afastou, percebeu que o rapaz estava tão vermelho quanto ele mesmo.

— Suficiente...? – murmurou.

— Não tenho certeza. – respondeu baixo o alpha com um sorriso, colocando as mãos na cintura do moreno.

— O jogo não terminou... – corou ainda mais o ômega.

— Tem panelas no fogo... – concordou o alpha.

— Não queremos perder mais panelas... – riu o pequeno.

— Não. Não queremos. – ele segurou um pouco mais forte a cintura de Bum, antes de soltá-lo: — Certo. – tirou o casaco, voltando a sentar e assistir o jogo.

Bum desligou o bolo, que já terminara de assar e acabou de preparar o almoço. Deixou tudo nas panelas, pois somente arrumaria a mesa quando o jogo terminasse, senão a comida esfriaria. Começou então a fazer o recheio e a cobertura.

Quando terminava de bater o chantilly com o fouet, sentiu Sangwoo atrás de si.

— Isso parece bom... – disse o rapaz, colocando descaradamente um dedo no chantilly e levando a boca: — Não está tão doce... Prefiro assim.

— Não faz isso! – exclamou Bum.

— Por quê? – ele tirou o pote de Bum, colocando-o sobre o balcão: — Aliás... – o ômega sentiu a respiração do alpha em seu ouvido: — Pensei melhor, e não foi o suficiente. – sussurrou com a voz grave, encostando o membro em sua bunda e liberando seus feromônios.

Sangwoo o queria e estava deixando isso muito claro. Sentiu seu corpo estremecer. O perfume do rapaz invadindo seus sentidos. Também o desejava, por conta disso, se deixou levar, empinando a bunda e liberando os próprios feromônios. Aquilo era... Libertador.

O alpha começou a beijar sua nuca, fazendo-o gemer baixo. As mãos grandes do rapaz deslizaram por seu corpo, virando-o para ele. Fitaram-se nos olhos por instantes antes de suas bocas colarem-se, dessa vez em um beijo selvagem, suas línguas travando uma luta por espaço. Enquanto as mãos do loiro exploravam seu corpo, Bum segurava-o próximo de si, deslizando suas mãos pelos cabelos de Sangwoo.

Bum sentiu o loiro ergue-lo, colocando-o sobre a mesa vazia. O alpha beijava-o com vontade, só parando para tirar sua camisa, voltando em seguida a explorar seus lábios enquanto apertava seu mamilo e o deixava sem fôlego. O ômega estava perdido naquele calor, observou Sangwoo se afastar um pouco e sorrir de forma maliciosa.

— Pelo visto... – disse o rapaz, que sem aviso, pegou o fouet sujo de chantilly: — Vou começar pela sobremesa.

Bum corou violentamente: — Sangwoo...?

O moreno sentiu o fouet ser passado em seu pescoço, sujando-o, depois Sangwoo se aproximou lambendo lentamente o local. A cicatriz de sua mordida, ainda sensível, o fez gemer mais alto. O alpha continuou descendo o aparelho deixando um rastro de chantilly pelo corpo do pequeno.

O ômega só conseguia ansiar a língua fria de Sangwoo, tudo aquilo o alucinava. O alpha o deitou sobre a mesa, começando então a lamber seu corpo. Ele olhava o moreno cheio de malícia, sabia exatamente o que estava fazendo e o efeito que causava. Puxou a calça do pequeno em um movimento rápido e continuou sua exploração.

Bum fechou os olhos, mordendo os lábios enquanto segurava forte a mesa. Sangwoo parecia querer lamber cada milímetro de seu corpo. Sentiu algo estranho sobre seu membro e abriu os olhos. O alpha colocara chantilly ali também...

— Sangwoo...? Você... – o ômega não teve tempo de terminar a frase. Começou a ter seu membro lentamente lambido, o que o fez gemer alto.

O loiro continuou a lamber seu membro enquanto abria suas pernas. Bum estava tão excitado que tapou a boca com a mão quando sentiu o rapaz penetrar sua língua em um delicioso beijo grego. Arqueou o corpo, sentindo o extremo prazer que aquilo lhe proporcionava.

— Sang... Eu... – o ômega não conseguia formular uma frase, queria dizer que não aguentaria muito tempo se continuasse assim, mas, era impossível. O alpha pareceu entendê-lo, retirando a língua e passando-a novamente em seu membro, de baixo até a ponta. Então o abocanhou, começando a chupá-lo.

Bum gemeu intensamente, seu corpo trêmulo e seu coração disparado. Sangwoo realmente estava lhe fazendo isso... – ele aumentou a velocidade com a boca enquanto um de seus dedos o penetrava e a outra apertava sua coxa. O ômega arfou, gozando na boca do rapaz. Só percebendo o que fizera depois.

— Desculpe... – murmurou sem graça, deveria tê-lo avisado. Contudo o loiro não pareceu se importar, apenas engoliu e encostou sua testa na do pequeno.

— Minha vez. – disse o alpha, puxando-o pela cintura para perto, fazendo-o sentir seu membro duro e prender as pernas em sua cintura. O ergueu enquanto voltava a beijá-lo e apertava com força sua bunda.

Bum correspondia o beijo vorazmente. Sentir seu próprio gosto era estranho, mas na boca de Sangwoo, tudo parecia uma delícia. Tocava os cabelos loiros com força. Queria pertencer àquele homem. Só notou onde estavam quando foi deitado sobre algo macio.

“Ele me trouxe ao seu quarto.” – o ômega ficou vermelho.

Percebendo que suas pernas estavam sobre a faixa na cintura do rapaz, ergueu-as, colocando os pés sobre os ombros do alpha. Isso pareceu agradá-lo. Imediatamente Sangwoo começou a beijar a parte interna de sua coxa enquanto lhe penetrava dois dedos.

Já sabia disso, mas constatar novamente era muito bom, os dedos grossos do rapaz eram milhões de vezes melhores que os seus. Sentia-os explorá-lo com cuidado e força, tocando em seus pontos já conhecidos e procurando os que ainda não descobrira.

Sangwoo o observava atentamente, o ômega sabia o que ele queria. Corou e sorriu.

— Está... Tudo bem... – murmurou o moreno, sentindo-se pronto.

Sangwoo correspondeu o sorriso, pegando uma camisinha, abrindo-a com a boca, colocando-a no próprio membro e começando a penetrá-lo lentamente.

Bum estremeceu, ele era muito grande, e naquela posição, parecia estar indo ainda mais fundo. Contudo, o rosto de prazer de seu alpha era incrível e seus gemidos roucos e baixos, eram como descargas elétricas em sua circulação. Ele parou, assim que terminou de entrar.

— Você... – murmurou baixo, fitando os olhos de Bum: — Realmente consegue se controlar... – estava respirando devagar.

— Você também... – respondeu com um sorriso o ômega, sentindo o membro do alpha pulsar dentro de si. Mordeu o lábio inferior.

— Acha? – Bum notou a respiração do alpha ficar cada vez mais pesada e olhando para o lado, notou que sua mão estava fechada em punho.

Levou sua própria mão até a dele, entrelaçando os dedos e os trazendo para perto de si: — Eu nunca desejei alguém como desejo você. – sussurrou o ômega, colocando o dedo do rapaz na boca, sem desviar os olhos daquele que o mirava tão cheio de desejo. Como um sinal de que ele podia continuar, chupou o dedo.

O loiro sorriu, começando a movimentar-se. Bum sentia-o entrar e sair. Seu corpo contraindo-se e relaxando para recebê-lo ao mesmo tempo em que se excitava novamente por causa do ritmo, primeiro lento, que aumentava aos poucos.

Ele o preenchia por completo e o moreno não conhecia sensação melhor. Começou a chupar com vontade o dedo de Sangwoo enquanto a outra mão apertava os lençóis debaixo de si.

O alpha começou a explorar sua boca com o dedo enquanto o espreitava e se movimentava, tinha o olhar felino e Bum sentia até sua alma sendo esquadrinhada por ele. O ritmo acelerou ainda mais, o suor cobrindo os corpos e os gemidos ecoando pela casa, até que Sangwoo gozou em um êxtase delicioso de observar. Ele então tirou o dedo da boca do ômega, usando a mão para massagear o membro do pequeno e fazê-lo chegar.

Devagar, o loiro tirou as pernas do ômega de seu ombro e deitou ao seu lado. Bum sabia que deveria sair dali... Começou a levantar, mas o alpha o puxou.

— Você é sempre tão apressado. – sussurrou Sangwoo, abraçando-o.

— Não estou acostumado... – murmurou o ômega, se aconchegando um pouco: — Está realmente tudo bem ficar assim...?

Sangwoo ficou em silêncio por alguns instantes: — Um pouco não faz mal a ninguém. – respondeu baixo, meio que em ‘tanto faz’.

Bum sorriu. Fechando os olhos e relaxando ao som do coração do alpha.