Destinados...?
10 Fantasmas
Noite de Quarta
Sangwoo acordou lentamente, o moreno não estava mais em seus braços. Na verdade o ômega retirava a camisa do alpha calmamente.
— Quê? – perguntou surpreso.
— Desculpa... Tentei não te acordar... – murmurou o pequeno.
O alpha piscou algumas vezes, mas colaborou. O que o moreno estava fazendo? Com certeza não pensava em abusar sexualmente dele, se fosse isso, iria rir por uma semana inteira. Olhando ao redor, percebeu a caixa de primeiros socorros, já estava no horário de trocar? Quanto tempo dormira...?
O ômega começou a retirar a faixa: — Hm... Sangwoo...
— Sim? – perguntou enquanto bocejava. Estava cansado.
— Como eu posso te ajudar? Ouvi a doutora Noh falar algo a respeito, mas não sei o que fazer... – o ômega o fitou docemente, terminando de retirar a faixa e deixando-o sem reação.
“Ele não sabe como funciona...? Achei que todos soubessem...” o alpha suspirou.
— Hm... Sobre isso, você não precisa fazer nada... Ela só comentou da ligação de cura que os ômegas possuem.
Bum pareceu ficar mais confuso, Sangwoo prosseguiu, dando um leve sorriso malicioso: — Se você lamber a ferida, ela cura mais rápido. Como somos um par, seu corpo se adaptou para acelerar isso em mim... – ele tocou com os dedos nos lábios do pequeno, deixando-o vermelho: — Ou você pensou que os feromônios eram exclusivamente para sexo? – o moreno corou até as orelhas.
O sorriso do alpha aumentou, tornando-se uma risada brincalhona: — Você ficou tão sem graça. – ele retirou os dedos: — Não precisa fazer nada. Um alpha já se cura mais rapidamente, em poucos dias já estarei bem.
O ômega pegou um pano limpo e molhou na bacia com água que trouxera, depois, limpou o alpha, cuidando o corte e os hematomas. Então, sem prévio aviso, começou a lamber lentamente o local do corte.
Sangwoo se chocou, não esperava por aquilo. Contudo, o alívio foi imediato, a ponto de fazê-lo gemer baixo. O garoto era delicado no toque. Observou-o... Por que estava fazendo aquilo? O alpha conhecia casais que estavam a anos juntos e o ômega não ia tão longe.
Bum não satisfeito com aquilo, subiu em cima da cama, colocando as pernas ao redor do quadril de Sangwoo – mas sem realmente sentar, e começou a lamber todos os hematomas, desde os mais antigos, até os ainda inchados por serem recentes. Também começou a liberar de forma concentrada seus feromônios, sem a intenção de excitá-lo. Sua língua quente deslizava graciosamente pelo alpha, arrepiando-o.
Sangwoo sentiu-se tonto. Primeiro, a redução da dor era tanta, que quase acreditava que nunca se ferira. Segundo, ver o garoto daquela forma era extremamente excitante e não podia ficar excitado no momento.
“Sem condições...” – pensou, fechando os olhos. Morreria se transasse com o moreno naquele exato momento.
Começou a pensar em parte da matéria que estava estudando “Nos seres unicelulares, a distribuição das substâncias é feita por difusão, graças à ciclose e por vacúolos que percorrem toda a célula.” — o ômega fez um movimento, roçando levemente em seu membro – “Nos organismos pluricelulares primitivos a distribuição é feita por difusão.”— o garoto moveu-se novamente, o alpha respirou fundo, já não bastava estar sentindo a língua quente do rapaz em seu corpo, ele ainda o provocava sem querer? Aquilo era tortura.
Concentrou-se mais na matéria. “Em animais maiores e mais complexos, tal processo seria muito deficitário, existindo para a distribuição...” – o moreno pegou sua mão, que estava ainda com a cicatriz do corte de sábado e começou a lambê-la. Desistiu de pensar, abriu os olhos e fitou o pequeno. Bum estava levemente corado e extremamente concentrado em sua atividade. Tudo que Sangwoo queria no momento era devorá-lo vivo. Botou ambas as mãos na cintura do ômega, levantando-o de vez enquanto sentava e tirando-o de cima de si.
— Estou com fome. – foi a primeira coisa que pensou como desculpa para afastá-lo.
— Pedi pizza... – disse o pequeno sem entender: — Só me deixa pôr a faixa de volta.
— Não. – disse num rompante, mas tentou amenizar: — Eu consigo fazer isso... Poderia pegar um pedaço pra mim? – sorriu tentando ser o mais simpático possível.
Bum concordou, levantando e indo buscar. Sangwoo respirou fundo. O que fora tudo aquilo? Sério? Sentiu-se um pré-adolescente...
“Que isso...” – ele colocava sua cabeça em ordem enquanto começava a enfaixar-se.
O ômega voltou com alguns pedaços de pizza: — Aqui... – disse entregando.
O alpha, que não havia comido o dia inteiro, sentiu-se grato pela refeição. Ajeitou-se melhor na cama e começou a comer. Ainda estava cansado, bocejou.
— Se quiser voltar a dormir, tudo bem... Eu sei que alphas dormem muito para se recuperarem... – murmurou o ômega enquanto o observava.
Sangwoo concordou com a cabeça, terminando as fatias, limpou a boca com o guardanapo que o pequeno trouxera junto e então o fitou: — Obrigado. – murmurou seriamente. Sentia-se muito melhor e era graças a ele.
— De nada. – Bum deu um belo sorriso.
Sem pensar muito, Sangwoo puxou o rapaz pela camisa, beijando-o. Fora apenas um roçar de lábios, mas, o suficiente para deixar Bum perplexo: — Boa noite. – disse enfim. Voltando a deitar e a dormir. Aquele dia começara desastrosamente, mas não terminara tão ruim.
Quinta
Acordou se sentindo estranho. Algo estava errado. Passou a mão no cabelo e levantou. Saiu do quarto ainda meio atordoado.
Olhou ao redor, não viu o moreno em lugar nenhum. Pensou em subir a escada quando reparou em um papel sobre a mesa da cozinha. Aproximou-se, pegando-o e lendo.
Fui até a farmácia. Volto logo.
Yoon Bum
Queria matar aquele ômega. Como assim ele saiu? Ele não havia sido claro? Fechou os olhos. Concentrando-se no rapaz. Não. Não tinha a porra da ideia de onde ele estava, mas sabia que estava bem.
“Que merda Bum.” — tinha certeza que não ia conseguir dormir.
Sentia-se cansado e com fome. Abriu a geladeira, deparando-se com uma refeição completa o esperando. Isso não diminuía sua raiva, contudo aplacava sua fome.
Comeu tudo e definitivamente, Bum cozinhava muito bem.
“A primeira vez estava salgado, mas ele nunca mais errou o ponto desde então... Será que estava nervoso?”.
Naquele momento, já não importava. Só queria que ele voltasse para que pudesse arrancar sua cabeça pessoalmente. Sentou em uma das cadeiras ao redor da mesa, os segundos pareciam minutos e os minutos horas. Sua raiva aumentando cada vez mais, aquele ômega não tinha nenhuma noção de perigo, certo? Primeiro fora a coleira, agora, isso... Estava a ponto de socar algo quando a porta abriu.
— Você realmente não sabe o significado de ficar em casa e não fazer nada, não é? – sibilou cada palavra, notando que Bum se assustava.
“Ótimo, exatamente o efeito que eu queria causar.”.
Estava irritado.
—... Eu deixei um bilhete? – o rapaz respondeu em um murmúrio quase inaudível.
“Bilhete... BILHETE! Foda-se o maldito bilhete!”.
— ... Eu vi. – mostrou o papel, tentando manter a calma: — Olha. – levantou e respirou fundo: — Eu não quero que você saia até a transição terminar. – caminhou até o ômega.
“Não deve ser tão difícil de entender.”.
Colocou o braço ao lado do ômega, pressionando-o contra a porta: — Tudo bem? Sei que é ruim, mas é só por esses dias, ok? Não vou conseguir dormir se não sentir seu cheiro por perto...
O ômega corou violentamente, o que surpreendeu o alpha.
“Disse algo estranho?”.
— Desculpe... – murmurou o moreno.
Sangwoo suspirou: — Você já foi atacado duas vezes por minha causa. – ele passou a mão nos cabelos negros do ômega: — Então, acho que já chega, não? – sorriu, estava cansado, precisava se acalmar e descansar: — Vou tomar um banho. – olhou de canto uma das sacolas que o pequeno carregava: — Trocar de novo... – suspirou: — Certo.
Entrou no banheiro, retirando as roupas e a faixa com calma. Já estava quase curado.
“Isso é incrível...” – pensou.
Como estudante de medicina, vira várias coisas estranhas que aconteciam entre pares, mas nunca algo assim...
“Não é para menos que isso é chamado de ‘vínculo intrínseco’, que tipo de mudanças biológicas alguém tem de passar para ter essa habilidade... Ou quão profundas elas tem de ser...?”.
Ele ligou o chuveiro, se pondo embaixo enquanto sentia a água escorrer por suas costas. Ao mesmo tempo em que a ligação era profunda – biologicamente falando – ela pareceu tão frágil. Naqueles momentos, em que o rapaz estava morrendo, conseguia senti-la se rompendo, como um elástico puxado longe demais.
Era fato de que se uma das partes morresse, o vínculo e as mudanças se desfaziam.
Dizia-se que levava sete dias para o corpo ‘voltar à origem’, por isso se dava o mesmo tempo para o luto. Respirou profundamente.
Alguma coisa dentro dele avisava que o vínculo não se completaria naquela sexta, exatamente porque fora ‘puxado’.
“Quanto tempo mais...? Quanto tempo vou ter de esperar...?” – sentia-se ansioso.
Não tinha certeza do por quê. Fechou os olhos. Cansativo. Tudo aquilo era muito cansativo.
Terminou seu banho, percebendo que se esquecera de levar roupas e saindo apenas de toalha. Deparou-se com Bum de costas cozinhando. O garoto parecia concentrado, aproximou-se.
— O que você está fazendo? – perguntou curiosamente, fitando a panela.
Viu o rapaz corar, mas permanecer de costas e liberar novamente aqueles feromônios nervosos. Era interessante, nunca se cansava de fazer isso.
“E dessa vez nem estou atrás dele...” sorriu.
— Bibimbap... – murmurou enquanto cortava os vegetais para a montagem do prato: — Já deve ficar pronto...
— Certo. – respondeu o alpha, tocando levemente a cintura do ômega e ficando atrás do mesmo, sentiu-o estremecer ao seu toque: — Vou me vestir e volto para almoçar. – sussurrou próximo ao seu ouvido.
— Eh? – o ômega se virou, só então reparando que o rapaz estava apenas de toalha, corou ainda mais, voltando-se rapidamente para a bancada: — Ok... – murmurou cortando agitadamente os vegetais.
O alpha foi para o quarto. Sorria. Era inegável que gostava daquilo... Provocá-lo, fazê-lo ficar sem graça, nada disso lhe soava estranho ou errado. Vestiu uma roupa simples e foi para a mesa. Esperou o almoço observando-o. O ômega o deixava confortável. Suspirou. Não pedira por nada disso, mas não podia negar que já estava acostumado.
Almoçaram juntos e em silêncio. Sangwoo ia voltar a dormir quando o pequeno o parou no caminho.
— Acho que nós temos de fazer aquilo de novo, não?... – disse timidamente.
Ok. ‘Aquilo’ era um problema. Da última vez precisou de muito autocontrole para não atacá-lo, mas e agora? Não queria que o pequeno notasse.
— Estou bem, não precisa se preocupar. – sorriu, ele provavelmente desistiria.
— Mas você melhorou muito desde a última vez. – respondeu seriamente o ômega.
“Não tenho argumentos contra isso, mas...”.
— Por isso mesmo. – disse aumentando o sorriso.
“Sério que ele vai insistir? Você não deveria estar detestando fazer isso?”.
O ômega o fitou ainda mais sério, parecendo um tanto preocupado e então cutucou um de seus roxos, o fazendo soltar um gemido baixo de dor.
— Melhorou. Não curou. – o fitou nos olhos. Não. Ele não desistiria.
— Ok... – concordou meio sem alternativa, passando a mão pelo local cutucado e atualmente, dolorido.
Foi para o quarto, deitando na cama e fechando os olhos de cara. Teve sua camisa tirada e começou a senti-lo.
“Merda...” precisava se concentrar em outra coisa...
“Qualquer coisa...”.
O que estava estudando?
“Ah sim... Canais de Havers são uma série de tubos em torno de estreitos canais formados por lamelas concêntricas de fibras colágenas...” — pensava seriamente enquanto o percebia e se lamentava.
A língua de Bum era quente, lhe causava arrepios, alívio e o excitava profundamente.
“Mas que droga...” – notava que era a cada momento mais difícil se concentrar.
Sua mente estava em branco. Respirou fundo, mas não adiantou, começou a ficar evidentemente excitado.
O pequeno se acercou, estava mais próximo ao seu corpo e o calor entre eles já era inevitável.
— Sangwoo... – ouviu um sussurro baixo, como um gemido, em sua orelha.
O moreno não só notara o efeito que causara como também o estava provocando. Abriu os olhos, fitando-o.
“Foda-se o controle. Vou te devorar inteiro. Agora.”.
Segurou sua cintura delgada com força, começando a virá-lo contra a cama e ficando por cima. Quando escutou a campainha.
“Quê? Que merda! Quem?” – lembrou vagamente do ômega pedindo autorização para que a amiga viesse visitá-lo.
“Agora?” — deslizou a mão pelo quadril do moreno, sentindo-o estremecer.
— Acho que sua amiga chegou. – murmurou.
Será que podia prendê-lo ali?
“Que tipo de vontade é essa?” — afastou-o.
Que hora para a amiga chegar...
“Um minuto depois desse e ela passaria a tarde esperando-o lá fora.”.
O garoto levantou e Sangwoo sentiu-se observado.
“O que ele quer?” – pensou ainda meio atordoado pelo momento, quando reparou que não estava com a faixa.
“Certo. O objetivo central disso tudo...”.
— Consigo colocar a faixa sozinho, pode ir. – disse sem olhar o moreno.
Pegou o tecido da caixa de primeiros socorros e começou a colocá-lo. Acabaria logo com aquilo. Terminou e levantou, colocando uma camisa, pegando a caixa de primeiros socorros e saindo do quarto. Ouviu as risadas vindas do andar de cima e bufou. Guardou a caixa no lugar e voltou para o quarto. Agora que conseguira se acalmar... Constatava o quanto estava com sono. Isso sempre acontecia, mas nunca com tanta força.
“Que vontade de ficar dormindo por dias...” – pensou vagamente caindo na cama e dormindo profundamente.
—--
Sentiu um toque em seu ombro.
— Sangwoo? – a voz baixa e gentil soava em algum lugar distante.
— Hm...? – tinha realmente que acordar? Estava cansado. Abriu os olhos lentamente: — Um dia vou te acordar... – murmurou um tanto indignado. Não queria aquilo. Queria dormir: — Quando estiver bem exausto... Quando ômegas ficam exaustos? – bocejou, olhando o garoto. Quando isso acontecia mesmo?
“Acho que depois de um cio... Ou...”.
— Quando estão esperando uma criança. – o rapaz soou muito sério. Fazendo Sangwoo parar o bocejo no meio: — Por quê? Irá me engravidar para poder concluir sua vingança? – a ironia percorreu cada palavra do moreno, fazendo o loiro tossir de nervosismo.
“Quê? Espera... Ele está falando de filhos? Quê? Como assim?” – o alpha acordou totalmente, tentando pôr seus pensamentos em ordem.
O ômega estava realmente falando deles terem filhos? De amigos com benefícios a filhos? Isso era uma evolução de quanto? Quinhentos e noventa graus? Como assim? Além disso, a ironia fora tanto que era quase como se ele soubesse...
“Ele sabe que não quero filhos? Espera! Que merda tá acontecendo aqui? Eu dormi por horas ou dias?”.
Sangwoo ia abrir a boca para contestar, pedir no mínimo uma explicação, mas ao fitar o ômega, ele parecia tão triste que não soube o que falar.
De onde viera aquela resposta? Por que ele pensou logo sobre gravidez? Era um fato que ômegas ficavam exaustos quando esperavam filhos, mas... Esse era o primeiro pensamento do moreno?
O ômega tirou sua camisa, mal o tocando. Parecia querer se manter o mais distante possível... Quando aquele abismo entre eles surgiu? O que exatamente fizera de errado? Não conseguia entender e quanto mais tempo demorava em falar algo, mais as coisas pareciam estranhas.
O rapaz já estava sobre si, começando a lambê-lo quando decidiu tocar em seu rosto. Não queria que as coisas ficassem daquela forma. Principalmente, não queria ver o ômega com aquele olhar.
— Você não precisa se forçar... – disse seriamente, talvez devesse perguntar diretamente?
— Não estou me forçando. — o ômega murmurou.
Sangwoo bufou. Ele estava se forçando sim. Era tão óbvio que chegava a doer. Não precisava de ajuda se era para ser daquela forma. Suspirou. O que tinha de fazer para ouvir uma resposta sincera?
— Você está estranho. – passou a mão no próprio cabelo nervosamente. Deveria perguntar se era por que não queria ter filhos?
“Não tenho certeza que ele sabe disso... Além disso... Não sei se quero entrar nesse assunto.”.
— Aconteceu alguma coisa? Foi por causa da brincadeira?
Fora aquilo que fizera. Uma simples brincadeira. Não esperava essa reação. Aliás, não esperava nem ao menos ouvir de filhos. Mas aquele clima estava insuportável.
O ômega suspirou: — Estou bem. É que a sua brincadeira me fez lembrar de que, se não conseguir quebrar o vínculo, terei dificuldades para engravidar.
Os pensamentos do alpha pararam. Estava um pouco em choque. Era isso? Tinha medo de não engravidar e por causa disso, falara ironicamente? Não parecia com o pouco que conhecia do ômega. Não que estivesse errado... Se o vínculo não fosse quebrado, teria dificuldades, mas não era totalmente impossível... O pequeno já colocava a faixa em torno de sua cintura.
“Eu posso tranquilizá-lo...”.
Havia muitas pesquisas nessa área... Às vezes não era nem ao menos necessário tratamento, principalmente se ele se envolvesse com um beta. O alpha fechou o punho com tanta força que os nós de seus dedos doeram. Surpreendeu-se com a raiva que sentia ao pensar no ômega dormindo com outro.
— Você precisa beber isso. – o moreno lhe entregou um remédio e um copo com água.
Tomou o remédio enquanto observava o ômega recolher todas as coisas. Aquele dia acabaria assim? Com o rapaz triste e ele calado? Era o que agora? Mudo? Tinha tantas coisas que poderia falar.
O pequeno levantou com as coisas e o loiro segurou sua mão por impulso. Fitou-o seriamente. Podia dizer que havia solução... Apertou um pouco mais forte.
“Se você se envolver com um beta, vai ser menos problemático... Você poderá ter um filho facilmente...” – não, não queria dizer isso.
“Se você se envolver com outro alpha, há tecnologias e pesquisas realmente fantásticas, não é impossível.” – não, isso muito menos.
Que alpha? Não queria ele envolvido com alpha nenhum. Não, espera... Talvez fosse melhor para ele se envolver com outro alpha... Ou talvez...
“Talvez nós...” – seu pensamento travou no meio, como um baque.
Soltou-o.
Não podia dizer isso.
O que estava pensando? Há muito tempo decidira que não teria filhos. Sem relacionamentos. Sem filhos. Dedicar-se-ia a medicina. Sua contribuição ao mundo seria curar outros. Sua família seria sua manada. Era sua decisão final. Então por que tudo parecia complicado? Fitou o ômega, que parou na porta.
— Desculpe se estou estranho... – o ômega virou-se encarando o loiro: — Não foi minha intenção... – ele sorriu. O sorriso mais triste que Sangwoo já vira: — Espero que descanse e durma bem. – e saiu, fechando a porta atrás de si.
Algo gritou dentro de Sangwoo, furioso por ele ter deixado as coisas terminarem daquela forma. O que diabo acontecera? O ômega estava muito triste. Triste demais... Toda aquela conversa... O ômega queria quebrar o vínculo? Para poder engravidar normalmente? Espera. Por que ele descartara ter um filho com ele? Quer dizer, deixou claro que queria romper o vínculo, mas...
“AHHH MERDA!” – pensou furioso.
Tinha que por seus pensamentos em ordem. Se encher de perguntas sem respostas não adiantaria nada. Respirou fundo. Até aquela tarde, eles estavam bem... Bem até demais. Daí a amiga de Bum veio e agora estavam daquela forma.
“Aconteceu alguma coisa.” – ele pegou o celular, ligando-o.
Havia diversas mensagens, mas uma lhe chamou a atenção. Yangmi lhe enviara algo pessoal, o resto da manada conversava no chat. Foi primeiro ver a mensagem da garota.
Yangmi
Acho que foi uma má ideia trazer a amiga do Bum junto...
Olha, quando ler isso, entra em contato, ok?
Sangwoo sentou na cama. É... Acontecera alguma coisa.
Já li. O que houve? – digitou calmamente.
Yangmi
Hm... Você sabe como o pessoal é, né?
Sim ele tinha total noção de como eles eram. Sentiu um calafrio na espinha.
Yangmi
Então, eles começaram a falar sobre o Bum...
E ela pareceu meio nervosa, principalmente quando o Chung-Ho disse que era surpreendente um ômega não querer filhos...
Sangwoo se jogou na cama. Ótimo. Aquilo fora perfeito. Agora entendia. Provavelmente o ômega já sabia que não queria filhos...
“Bom, isso deve tê-lo distanciado, certo? Já que ficou bem óbvio hoje que ele quer...”.
Fitou o teto por algum tempo. Era melhor dessa forma. Ele se afastaria e desejaria tanto quanto o alpha a quebra do vínculo. Fechou os olhos.
Sendo assim, por que se sentia estranho? Uma mistura de raiva, vazio e... Tristeza.
Abriu os olhos. O que deveria fazer? Queria protegê-lo, mas não ao ponto de formar uma família. Queria tocá-lo, mas não ao ponto de amá-lo. Queria que ele fosse feliz, mas sem mais ninguém.
Sorriu sem ânimo: — Egoísta. Sou extremamente egoísta. – olhou o celular. Digitando sem vontade.
Entendi. Valeu por avisar Yangmi.
O celular vibrou em seguida.
Yangmi
Você está bem?
Sangwoo observou a pergunta por alguns instantes.
Claro. Por que não estaria?
Respondeu simplesmente.
Yangmi
Sei. Se precisar de algo, é só avisar.
Sangwoo desligou o aparelho e o colocou ao lado.
Lembrou-se de quando recebeu seus parentes, como SangJu*, para o funeral de seus pais. Sua avó por parte de pai aproximara-se, como uma assombração, quis conversar em particular e quando finalmente conseguiu isolá-lo, começou a falar sem hesitação.
‘Conseguirá sair dessa como legítima defesa, hm?’.
O alpha ainda lembrava-se do sorriso irônico da velha.
‘Seu pai não foi tão esperto. Tive de comprar o juiz para que fosse inocentado. ’.
Recordava que ficara muito confuso e perguntara ingenuamente ‘O quê?’
E ela respondeu com um sorriso ainda maior.
‘Ora, quando ele matou seu avô. Você não sabia? É uma tradição inerente a nossa família. Seu avô matou seu bisavô, seu pai matou seu avô, você matou seu pai. Pergunto-me se ainda estarei viva quando seu filho matar você. ’.
Bom, ela não estava mais viva e não tivera – e nem queria – filhos.
“Acho que tirei esse prazer de você, hein?” – riu baixo.
Aquele era apenas mais um endossamento a sua resolução. Por que teria um filho? Para amaldiçoá-lo também? Para torná-lo parte de um ciclo sem fim? Para que um dia ele o odiasse tanto quando odiava seu próprio pai? Era tão parecido com aquele bastardo. Seu filho provavelmente o odiaria com tanta força quanto...
Respirou fundo. Fazia muito tempo que não pensava sobre isso... Aquele ômega o fazia pensar coisas estranhas. Abriu sua mochila, pegando o maço de cigarros, o isqueiro e saiu.
Foi até a varanda fumar. Observou a rua deserta. Por que estava se estressando com isso? Pegou um dos cigarros, acendeu e deu uma tragada.
Foda-se. Se o ômega queria filhos, os teria, com outra pessoa – algo dentro dele se rebelou, mas ele silenciou com tanta força que fora praticamente assassinato a sangue frio. Não importava agora e não importaria jamais.
“Vou deixá-lo seguir o caminho dele e eu seguirei o meu.” – tragou novamente.
Não mudaria sua vida por ninguém. Descobriria uma forma de quebrar o vínculo para o bem dos dois.
“Assim ele pode ser feliz e eu posso voltar a minha jaula.” – apagou o cigarro no vaso de plantas ao lado.
Recordou de todos os efeitos que os feromônios do rapaz lhe causavam. Fitou o vazio por alguns instantes. Bom... O rapaz queria ser ‘amigo com benefícios’ correto? Não havia nenhum mal nisso. Continuariam assim, se ele ainda quisesse. – levantou, entrando na casa e fechando a porta da frente. Não era como se fosse obrigá-lo a qualquer coisa além de ficar em casa durante aqueles dias.
“Mas isso é só por proteção.”.
Entrou no quarto, fechando a porta atrás de si. Deitou na cama. Lembrou-se do sorriso triste do ômega.
“... Que merda...”.
Sacudiu a cabeça negativamente, cobrindo o rosto. E se simplesmente mandasse tudo para o espaço e ficasse com o garoto? Fechou o punho.
Um conjunto de lembranças amargas veio diretamente a sua mente. Seu peito doía. Não. Não conseguiria.
“Acho que simplesmente não nasci para esse tipo de felicidade.” – cerrou os olhos, obrigando-se a dormir.
Ouviu um barulho, parecia um choro distante. Levantou-se confuso.
O corredor estava escuro... Apenas a sala era iluminada pela luz da TV.
O choro silenciara e uma risada cruel ecoava pelo ambiente. Andou até lá.
Um corpo pendurado. O rosto sem vida o fitava com olhos revirados.
Lágrimas manchando suas bochechas.
Contudo, não era sua mãe... O corpo pequeno balançava lentamente, como um pêndulo.
Bum estava morto e aquela risada familiar, ah... Aquela risada.
Olhou em direção a ela e viu a si, como diante de um espelho.
‘Inútil até o fim.’ – disse desumanamente enquanto o observava e fumava.
As palavras ecoaram por sua mente ditas por sua voz.
‘Ou em algum momento... ’ – o Sangwoo fitou diretamente em seus olhos.
‘Pensou que o resultado seria diferente?’.
Acordou suado e trêmulo. Sonhara com sua mãe centenas de vezes, mas, era a primeira vez que...
Levantou.
Não conseguiria mais dormir.
Sexta
Ainda era muito cedo. Decidiu tomar um longo banho. Fisicamente se sentia ótimo, espiritualmente, não tinha muita certeza. Fechou os olhos debaixo da água. Queria conseguir esquecer tudo e ter uma vida tranquila, mas, esse tipo de sonho não se torna realidade.
Vestiu-se, preparou alguns bolinhos de arroz com o que sobrara do dia anterior e sentou diante da TV. Estava passando um jogo de beisebol. Interessante. Realmente gostava de beisebol, quando era mais jovem queria ser jogador profissional. Começou a assistir tranquilamente enquanto comia.
— Bom dia. – ouviu em um tom baixo.
— Hm. – cumprimentou com a cabeça, já que estava com a boca cheia. Fitou o moreno avaliando-o. Ele parecia bem.
“Mas acordou tão cedo quanto eu...”.
Continuou comendo e assistindo o jogo, mas observando as movimentações do ômega. Depois de tomar banho o pequeno foi cozinhar e pareceu, sinceramente, feliz ao fazer aquilo.
“Talvez ele realmente goste de cozinhar...” – refletiu, quase perdendo um lance particularmente interessante do jogo.
O tempo transcorreu de forma bastante aconchegante, não se parecia em nada com a aura pesada que ficara no dia anterior. Repentinamente, Bum se aproximou e pediu para sair. Queria comprar ingredientes faltantes. Ia dizer um belo ‘Nem sob meu cadáver. ’ Mas a carinha de cachorrinho abandonado no meio do deserto do Saara o fez mudar de ideia. Não permitiu que o moreno saísse e acabou indo em seu lugar comprar o que faltava.
Estava no mercado lendo a lista. Não eram muitas coisas, portanto não demoraria.
“Hm... Mas se não me engano, acabaram os vegetais também...” – colocou no carrinho alguns legumes, frutas e outros que fariam bem a saúde do ômega. Também comprou camisinha, pasta de dente e desodorante, que estavam no fim.
Voltou para casa com tranquilidade, conversando com a manada pelo chat do celular.
Yangmi
Espera, então você já está melhor? Que coisa! Eu ainda estou dolorida. T_T
Taehyun
Ele tem um ômega, não? Eu também queria um nessas horas...
Yura
Você fala como se ele fosse um bichinho de estimação...
Taehyun
Hm, isso não seria ruim, um pequeno pet ômega...
Yura
Você não jeito!
Jihoon
Sangwoo, vai ter uma festa hoje a noite. Você vai? Já que está melhor.
Yangmi
É claro que não. Ele não vai com o Bum em transição.
Sangwoo pensou um pouco e digitou.
Bom, ele não precisa ir, mas nada impede que eu vá. Nos vemos lá Jihoon.
Yangmi
Espera, você vai a uma festa sem o Bum?
Taehyun
Uhhhhh Acho que você chocou ela! Kkk Alguém esperava algo diferente aqui?
Yura
Não. Totalmente previsível.
Chung-Ho
Com certeza, não entendi o choque Yangmi.
Dongyu
Se ele não fosse, eu estranhava.
Jieun
Bom, nos vemos lá então, a Young também vai.
Yangmi
... Ótimo. Ok. Só não vai se arrepender.
Sangwoo ergueu a sobrancelha, se arrepender? Por quê?
Não entendi Yangmi. Por que me arrependeria?
Yangmi
Por nada.
Dongyu
Também vou.
Chung-Ho
Não sei...
Yangmi
Acho que você deveria ir Chung Ho.
Vou ir também, levarei convidados, pode avisar o dono Jihoon? Até lá.
Chung-Ho
Fiquei curioso, vou ir XD.
Jihoon
Claro docinho ^_^.
Sangwoo estranhou a atitude de Yangmi, mas decidiu ignorar. Ela sempre fora um pouco difícil de lidar. Desligou o celular e entrou em casa. O ômega se aproximou para pegar a sacola de compras e o alpha automaticamente a ergueu, deixando o pequeno chocado.
“Acho que isso é uma das coisas que nunca deixará de ser divertido...”.
Sorriu malignamente: — Não tão rápido. Você me fez perder parte do jogo, o que ganho em troca?
— Quê? – respondeu o ômega confuso.
O alpha então ouviu ‘Home Run’ da TV.
“Espera quem marcou?” – virou-se naquela direção e perdeu a sacola.
“Quê?”.
— Ei! – disse indignado, foram segundos de distração, não era justo.
— Dois Bum, zero Sangwoo. – riu o pequeno.
— Dois...?
“Que dois...?”.
— Ah... O ursinho.
“Claro, perdi o ursinho também, muito esperto.”.
— Sei. Quem disse para você começar uma contagem? – falou falsamente bravo.
Bum sorriu e Sangwoo juraria ter visto malícia em seus olhos antes de ser puxado pelo casaco. O moreno o fitou profundamente encostando seus lábios doces sobre os dele. Beijou-o lentamente, explorando sua boca. O alpha não estava acostumado àquele tipo de beijo. Era gentil, sem pressa, causava outra espécie de arrepio, algo mais profundo... Sincero e delicado. Ficou inusitadamente sem graça e acabou corando.
— Suficiente...? – murmurou provocativamente o moreno.
— Não tenho certeza. – respondeu baixo o alpha. Sorriu colocando as mãos na cintura do menor. Gostava daquela provocação inocente.
— O jogo não terminou... – o moreno corou mais, olhando de canto para a TV.
Sangwoo fitou a cozinha: — Tem panelas no fogo... – concordou, sem muito ânimo. Não queria realmente soltá-lo.
— Não queremos perder mais panelas... – riu o ômega.
— Não. Não queremos. – segurou um pouco mais forte a cintura de Bum, queria mantê-lo próximo, contudo, sabia que devia soltá-lo e acabou fazendo-o: — Certo. – murmurou sem vontade, tirando o casaco, voltando a sentar e assistindo o jogo.
Contudo o jogo não estava nem um pouco interessante. Preferia fitar o pequeno, que parecia murmurar baixinho, coisas como lembretes sobre o que deveria fazer ‘hm, tá quase na hora de desligar... ’, ‘ainda não cortei isso... ’, era engraçado. Ele também era muito organizado, a cozinha estava impecável, apesar dele ainda não ter terminado de cozinhar.
Entretanto, quando batia o que parecia ser chantilly, o rapaz fez algo que Sangwoo não tinha ideia se era proposital ou apenas um daqueles momentos em que o ômega conseguia provocá-lo na base da inocência. No caso, o moreno erguera o fouet e com a ponta do dedo, pegara um pouco do chantilly levando diretamente a boca, onde lentamente lambeu. Ou talvez tenha soado mais lento do que realmente fora, na cabeça de Sangwoo, não importava. O alpha já levantara e ia em direção ao pequeno.
Sangwoo parou logo atrás do moreno, deixando-o nervoso. Sorriu, colocando o dedo diretamente no pote de chantilly: — Isso parece bom... – provou: — Não está tão doce... Prefiro assim.
— Não faz isso! – exclamou Bum.
— Por quê? – tirou o pote do ômega, colocando-o sobre o balcão e aproximando-se mais: — Aliás... – sussurrou no ouvido do pequeno: — Pensei melhor e não foi o suficiente.
Aquele beijo iniciara algo, pensou que se acalmaria com o tempo, mas isso não ocorrera. Encostou-se mais no pequeno, liberando seus feromônios e ficando um pouco tenso. Depois de ontem, já não tinha certeza que o rapaz iria querer algo assim... Apesar das provocações, ir tão longe... Talvez tivesse mudado de ideia.
Todavia, o rapaz empinou a bunda tentadoramente, um convite aberto ao pecado. Como resposta aos seus feromônios, liberou o perfume que o enlouquecia. Estava forte e deliciosamente delicado.
“Normalmente ele não é tão franco...” – pensou beijando a nuca do moreno e ouvindo-o gemer.
Começou a tocar em seu corpo esguio... Queria senti-lo de todas as formas. Virou-o para ele, fitando seus olhos e então o beijou. Um beijo selvagem, desnudando todo o seu desejo. Suas línguas travavam uma luta perdida, enquanto a aceleração de seu coração o deixava sem fôlego.
Bum o abraçou com força, não o deixando se afastar. Como se fosse querer algo assim... Grudou seus corpos, sentindo-o estremecer, apertou sua bunda e deslizou as mãos por suas coxas, erguendo-o. Era tão leve, podia quebrá-lo se fosse sua vontade, mas apenas queria vê-lo tremer de prazer.
O colocou sobre a mesa vazia, começando a tirar sua camisa, os mamilos rijos demonstravam o quanto já o excitara.
Sorriu, apertando-os enquanto beijava-o e o vendo corar com os gemidos sufocados em sua boca. Entregue a luxúria do momento, o alpha apenas queria mais...
“Onde está?” – olhou para os lados e sorriu, pegando o pote de chantilly com o fouet.
— Pelo visto... – seu sorriso malicioso aumentou ao notar a vermelhidão crescente no rosto do ômega: — Vou começar pela sobremesa.
— Sangwoo...?
Deslizou o aparelho pelo pescoço do moreno, sujando-o. A imagem do rapaz coberto pelo doce era fascinante e excitante. Começou a lamber lenta e possessivamente a marca permanente de seus dentes no pescoço do jovem. Chupava com vontade a prova de que ele lhe pertencia, fazendo o menor tremer e gemer alto. Colocou o fouet novamente no pote e depois o desceu pelo corpo do menor maculando-o por completo.
Seguiu o rastro de chantilly com sua boca, deitando-o sobre a mesa. Fitava-o com malícia e em resposta, o menino lhe observava em êxtase. Queria explorá-lo por completo, cada milímetro, descobrir seus pontos fracos e ouvi-lo desejá-lo com força. Tirou a calça do menor evidenciando a excitação latejante e continuou sua missão de provocar gemidos enlouquecedores. O cheiro do rapaz estava cada vez mais forte, sentia que perderia o controle a qualquer momento, mas não queria isso... Queria aproveitar aquela situação ao máximo.
Sorriu ao notar que o ômega ficara tão tímido que fechara os olhos.
“Você só fica tímido nessas horas...” – pegou o pote de chantilly, derramando-o sobre o membro ereto e as pernas do menor.
— Sangwoo...? Você...
Não o deixou terminar a frase e começou a lamber seu membro. Vendo-o arquear o corpo de prazer. Não estava acostumado a fazer aquilo... Sendo sincero, nunca fizera aquilo... Mas... Observar o efeito que causava era prazeroso e o deixava cada vez mais excitado. Nunca sonhara que causar prazer fosse tão satisfatório.
Começou a lentamente abrir as pernas do pequeno, tendo uma visão bastante privilegiada do ômega. Reparou o líquido que descia abundante por seu traseiro, descendo sua língua e saboreando-o, era como néctar na boca do alpha. Suspirou de prazer ao ouvir Bum gritar abafado e arquear o corpo, o moreno parecia tão perdido que Sangwoo se questionava se tinha noção que o prendia com uma das pernas.
“Está gostando tanto assim?”.
Riu maliciosamente, penetrando a língua, sentindo-o contrair-se contra ela. Bum rebolou, gemeu e tremeu.
— Sang... Eu... – estava completamente perdido e sem fôlego.
Sangwoo sentia-se satisfeito pelo impacto, voltando sua atenção para o membro até então esquecido, começou a lambê-lo de baixo até a ponta, colocando-o completamente na boca, chupando-o. Nunca fizera aquilo em ninguém, mas, sabia a forma como gostava que fizessem, então, apenas fez do mesmo jeito... O resultado foi imediato.
Os gemidos do ômega se intensificaram e Sangwoo decidiu penetrá-lo com um de seus dedos, fazendo-o rebolar em sua mão e vendo-o perder o controle. Sorriu, apertando a coxa ao seu lado enquanto aumentava a velocidade com a boca.
O moreno arfou e gozou. O gosto era interessante, mas normalmente se avisava antes de fazer isso, não?
Como se lesse seus pensamentos, o pequeno murmurou um 'Desculpe...', totalmente envergonhado.
Engoliu. Não estava chateado e na verdade, o gosto do rapaz era muito agradável. Puxou-o para mais perto, fazendo-o sentir seu excitamento: — Minha vez. – sussurrou, voltando a beijá-lo e apertando sua bunda com força enquanto o erguia.
Bum o beijava com voracidade e Sangwoo correspondia no mesmo ritmo. Iria possuí-lo, estava com muita vontade para recuar agora. Contudo, não ali, sentia que quebraria a mesa se o penetrasse naquele momento.
Levou-o até seu quarto, chutando a porta para abri-la e deitando-o sobre a cama. O ômega estava ofegante, vermelho e por alguma razão, tirou as pernas que circulavam sua cintura e as colocou sobre seus ombros. Não reclamaria disso, pois achava as pernas do rapaz extremamente atraentes, eram sexys, macias e deliciosas de chupar. Começou a beijar a parte interna da coxa do pequeno sem nenhuma hesitação enquanto aproveitava a vista ainda mais privilegiada que aquela nova posição lhe proporcionada.
Penetrou dois dedos no pequeno, que apesar de muito lubrificado, era apertado...
“Parece virgem...” – sabia que isso não era possível, pois o devorara há poucos dias...
Girou os dedos, vendo-o gemer mais, havia pontos que já conhecia. Explorava-o com cuidado, quando se questionou se mais alguém já o vira naquela situação. Acabou por usar força demais. Por sorte, o moreno pareceu gostar ainda mais e Sangwoo tirou esses pensamentos da cabeça.
O observava com atenção, cada gemido mais intenso era meticulosamente explorado até o limite. Sentia-o abrindo-se para ele. O ansiava veementemente, era a primeira vez que o teria sem estar totalmente fora de si. Aquilo lhe assustava um pouco, mas nunca quisera tanto algo...
O rapaz corou e sorriu: — Está... Tudo bem...
Sangwoo correspondeu o sorriso, pegando uma camisinha que estava em seu bolso, abrindo-a com a boca enquanto a outra mão abria a própria calça. Colocou-a em seu membro que latejava dolorosamente devido à demora e começou a penetrá-lo lentamente.
O interior do ômega era estreito e quente, muito quente. Gemeu. Quanto tempo aguentaria permanecer são? O pequeno suspirava e estremecia. Sentia-o contrair e ceder, finalmente terminando de penetrá-lo por completo.
O ômega respirava com dificuldade, seu perfume estava forte e intenso, mas ele não parecia prestes a cair na loucura, como Sangwoo, que teve de fechar o punho para controlar-se e não tornar-se um animal. Sabia que não era por falta de prazer... Então...
— Você... – murmurou baixo, fitando os olhos de Bum: — Realmente consegue se controlar... – respirava devagar. O ômega se comportava de uma forma totalmente diferente dos outros... Tinha vontade de quebrar isso... Enlouquecê-lo.
— Você também... – respondeu com um sorriso o ômega, mordendo o lábio inferior completamente corado.
O rosto do pequeno era um teste aos seus limites, sentiu o ar falhar: — Acha?
O ômega pegou a mão fechada do alpha, abrindo-a e entrelaçando os dedos, levando-a para perto dele: — Eu nunca desejei alguém como desejo você. – sussurrou o moreno, colocando o dedo de Sangwoo na boca e chupando-o lentamente.
Sangwoo sorriu. O ômega definitivamente era especial, conseguia colocar em palavras exatamente o que o alpha pensava.
Começou a mover-se, lentamente, sentindo-o. O pequeno o apertava e soltava. Dolorosamente prazerosa era a sensação. Aumentou o ritmo aos poucos, uma das mãos sendo presa fortemente pelo pequeno que distraidamente continuava a chupar seu dedo enquanto a outra segurava sua cintura, ajudando-o a subir e descer.
Apertou com força seu traseiro, fazendo-o rebolar mais ao mesmo tempo em que seu dedo explorava a boca úmida do ômega. Queria beijá-lo, mas era impossível naquela posição.
Fitava felinamente Bum, esquadrinhando e analisando suas reações, quando descobria algo novo, sorria e explorava. Nunca sentira essa vontade... Nunca sentira essa necessidade... Queria vê-lo perdido em prazer. Quanto mais ofegante, mais vermelho, mais intenso se tornava o pequeno, mais excitado ficava o alpha. Era a primeira vez que experimentava isso...
Acelerou o ritmo, aumentando também a força com a qual o penetrava. Bum tremia e lacrimejava, já não gemia, gritava. Seu olhar perdido era o deleite de Sangwoo, que se sentia pleno e não continha mais sua própria voz.
O alpha já não suportava o êxtase em que se encontrava. Suas investidas se tornaram rápidas e curtas, intensas e ferozes, sentiu todos seus músculos contraírem quando atingiu o clímax, ainda dentro do pequeno.
Respirou fundo, ofegante. Tirou o dedo de dentro da boca de Bum, começando a massagear o membro do ômega, que cobriu o rosto, tentando esconder o prazer que sentia.
Sangwoo sorriu.
“Não vai adiantar...” – começou a tocá-lo mais intensamente, aumentando o ritmo e o fazendo gozar em sua mão. Saiu de dentro do rapaz, jogando a camisinha no lixo.
Devagar, o alpha tirou as pernas do ômega de seu ombro, deitando-se ao lado do pequeno. Suspirou. Estava cansado, mas satisfeito.
O moreno se movimentou nervosamente, sentando-se e começando a levantar.
“Quê?” – Sangwoo ficou confuso, puxando-o de volta.
— Você é sempre tão apressado. – sussurrou, trazendo-o para seus braços e abraçando-o. Por que sempre era tão rápido em ir embora?
— Não estou acostumado... – murmurou o ômega, aconchegando-se: — Está realmente tudo bem ficar assim...?
Sangwoo refletiu, se estava tudo bem? Não era ruim ficar assim... Mas entendia o que o ômega queria dizer... Não ia preocupar-se com isso agora, só queria ficar assim e pronto: — Um pouco não faz mal a ninguém. – respondeu baixo
“Eu acho...” — completou mentalmente, mas não se arrependeria disso.
Bum deu um sorriso sincero e tímido, fechando os olhos e relaxando nos braços do alpha. Sangwoo ficou realmente sem-graça com aquela reação do pequeno, mas não o afastou, pelo contrário, o trouxe para mais perto, protegendo-o. Fechou os olhos e descansou, acabou cochilando.
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