Sangwoo olhava para a própria mão, esticada contra a luz do quarto, enquanto ele permanecia deitado sobre o colchonete. Suas garras visíveis pareciam refletir a iluminação devido a suave cobertura do conhecido feromônio alpha concentrado, que se alojava sobre o local. Tentou recolhe-las, mas, foi uma tentativa frustrada.

Sentou-se. Acabara de acordar de um sono tranquilo... Depois que entrara naquele quarto...

“Bum me mordeu...” – refletiu, tocando o pescoço.

Ômegas não marcavam como os alphas. O corpo de Sangwoo não mudaria biologicamente, alguns cientistas até afirmavam que a mordida de um ômega era totalmente inútil. Mas... Não era isso...

Sangwoo nunca entendeu porque um alpha permitiria um ômega ou beta mordê-lo, todavia, quando sentiu Bum fazê-lo, a intensidade do vínculo que compartilhavam chegou a um ponto onde não sabia onde ele começava e o pequeno ômega terminava. Foi tão exuberante que ambos gozaram juntos... Depois, não conseguiu parar de gozar nele.

Uma parte de si lembrava vagamente que tinha de ter usado camisinha, mas, foi tão bom preenche-lo, que não conseguia se arrepender desse fato.

Olhou novamente para as mãos. Estava parcialmente no controle. Sabia o que acontecia e o que tinha acontecido, de modo que sua memória se encontrava completamente intacta, entretanto... Não conseguia fazer seu corpo voltar ao normal. Portanto, suas garras e presas permaneciam visíveis. Sentia-se um tanto animalesco daquela maneira. Olhou para o lado, visualizando o moreno adormecido.

Completamente nu Bum abraçava com força o travesseiro enquanto emanava seu perfume viciante. Sangwoo respirou fundo, sentindo um arrepio na espinha. Não, não tinha se acostumado com aquele cheiro, cada molécula de seu corpo lhe dizia para pular naquele garoto, agarrá-lo e fode-lo. Contudo, essa parte se encontrava razoavelmente sob controle graças ao seu instinto protetor.

Este lhe alertava duas coisas – a primeira e mais importante, Bum estava sem comer e beber nada, provavelmente, desde que se separaram. E sinceramente, não se lembrava do rapaz ter comido algo antes disso... A segunda e menos gritante, era que não tinha certeza se a porta da casa estava devidamente trancada. Seu território poderia não estar completamente seguro.

Passou os dedos no cabelo, refletindo. Era uma sensação estranha. Ali, naquele local montado por Bum, sentia-se tranquilo, praticamente em paz. Uma segurança que não lhe era familiar. Mas, tinha certeza que ao dar um passo para fora daquele ninho, sua guarda triplicaria. Apesar de ser seu território.

Deveria ter incentivado o ômega a usar a casa inteira como ninho? Não. A parte mais segura de seu território deveria ser usada como ninho, de alguma forma, sentia isso... E foi exatamente o que Bum fez. O resto de seu território era sua responsabilidade. Levantou. Não se preocupando em colocar alguma roupa.

Parou diante da porta.

E se perdesse o controle ao sair dali?

Sua mão ficou parada entre si e a maçaneta. Permaneceu alguns minutos assim. Quando sentiu que tremia levemente, fechou o punho.

Aquilo era ridículo. Não perdera o controle – realmente – até aquele momento, não perderia saindo dali... – respirou fundo. O que foi uma péssima ideia, os feromônios de Bum o atingiram em cheio, fazendo-o desejar voltar para cama. Sacudiu a cabeça, tocando na maçaneta e abrindo a porta.

Automaticamente seu corpo tencionou. Não queria realmente sair, mas, tinha que averiguar se era seguro seu ômega permanecer ali, o que era uma sensação diferente. Nunca se sentira assim, tão desprovido de preocupações em relação à própria segurança, e preocupado única e exclusivamente, com outra pessoa. Olhou para Bum uma última vez e deu um passo para fora, saindo e fechando a porta atrás de si.

Caminhou pelo corredor, sua visão, sua percepção, tudo parecia mais aguçado, sensível às sombras ao seu redor. Seria seu instinto ajudando-o?

“Bizarro... Então, é assim que funciona quando ‘somos um com nosso ‘alpha interior’’.” – pensou vagamente o loiro, lembrando-se da frase de um livro de autoajuda para alphas com problemas em se conectar a seu instinto, que Yangmi lhe dera há muitos anos e que negaria até a morte ter lido.

Tudo parecia estranhamente novo.

Foi até a porta de entrada, estava devidamente trancada. Depois verificou as janelas, uma por uma até subir o segundo andar. Deu um leve grunhido ao perceber uma das janelas entreaberta. Fechou com brutalidade, trancando em seguida.

Desceu as escadas e caminhou até o banheiro, abrindo a torneira que encheria a banheira. Indo para a cozinha em seguida, onde pegou uma forma de gelo, da qual tirou uma pedra – devolvendo a forma para o freezer após isso, e uma garrafa com água da geladeira. Colocou a pedra de gelo na boca e abriu a porta do quarto.

Como imaginava, Bum estava acordando... O moreno ofegava e suava, provavelmente devido a uma nova onda de calor. Quando o pequeno gemeu baixinho seu nome, aproximou-se, beijando-o.

Bum estremeceu completamente com o beijo gelado e chupou a pedra de gelo da boca de Sangwoo, puxando-a para a sua própria. Suspirou ao senti-la derreter completamente em sua língua.

O alpha pegou a garrafa e colocou na frente do ômega: — Você deve beber... – disse com a voz baixa e grave, sentando na frente do pequeno.

Bum encarou a garrafa, sem um real interesse, depois olhou para os olhos do loiro: — Não é água o que quero beber... – murmurou, quase como um ronronado.

O ômega estava excitado, extremamente excitado. Sua lubrificação escorria por entre suas nádegas, descendo por suas coxas, naquele momento, não ligava muito para o que falava ou para o semblante inicialmente chocado de Sangwoo.

O alpha tossiu, desconcertado. Não esperava essa resposta, não de Bum... Olhou para o pequeno que se aproximara sensualmente, como um felino, e começava a abraça-lo, lambendo gentilmente o lóbulo de sua orelha e sorriu maliciosamente.

“Talvez...” – começou a refletir, mas, logo colocou um dos dedos na região entre os olhos e massageou o local, tentando não pensar no que queria fazer, e sim no que tinha de fazer. Pegou a garrafa, tentando ignorar o perfume inebriante do ômega, e a abriu, empurrando gentilmente o moreno para trás e fazendo-o beber.

Bum fez um adorável beicinho, não queria perder tempo com essas coisas, mas, suspirou ao ver o semblante decidido de Sangwoo e começou a beber a água. Contudo, enquanto bebia, com a garrafa ainda em seus lábios, seu olhar começou – luxuriosamente – a descer pelo corpo do alpha, passando por seu pescoço, bíceps, tórax... Abdômen...

A água, originalmente fria, parecia queimar em seus lábios... Não queria se refrescar, hidratar, ou qualquer coisa do gênero... Queria o loiro dentro de si... Voltou a encarar os olhos de Sangwoo e o mesmo refletiu por segundos que nunca imaginaria um dia que o olhar do ômega o deixaria sem graça – como naquele exato instante.

Colocando a garrafa de lado, o pequeno engatinhou na direção de Sangwoo: — Quero voltar a fazer... – devagar, pôs os braços ao redor do pescoço do alpha e sentou em seu colo, sussurrando em seu ouvido: — Eu quero que você me foda. Agora... – o tom de Bum não era um comando, e sim, uma suplica.

“Merda.” – pensou o alpha. Bum sabia que aquilo o excitava...

— Por favor... – implorou o pequeno, esfregando-se sobre a evidente ereção do loiro.

Sangwoo soltou um ruído gutural do fundo de sua garganta, sem ter certeza se estava irritado com seus instintos – que gritavam que deveria cuidar e ter certeza que o ômega passaria bem o dia inteiro, ou com Bum – que não estava facilitando nem por um segundo aquela tarefa.

A mão do alpha, quase de forma automática, foi para o emaranhado dos fios de cabelo negros e curtos, e os puxou para trás: — Não agora. – rosnou em tom autoritário olhando para as íris em fendas que o fitavam com um desejo escaldante.

Notando apenas alguns segundos depois o que fazia, Sangwoo ia soltar Bum, quando percebeu um sorriso – extremamente malicioso – se formar nos lábios do menor.

Aquilo apenas havia excitado mais o ômega.

Sangwoo engoliu a seco, sentindo sua ereção pulsar.

Ambas as mãos do pequeno deslizaram da nuca para os fios loiros, puxando-os com força em sua direção e fazendo seus rostos ficarem a milímetros um do outro: — Meu alpha... – murmurou com os lábios quentes sobre os lábios frios do maior: — Por favor... – ronronou mexendo o quadril de forma que seu alpha sentisse em seu pênis o quanto estava molhado... O quanto queria aquilo... E se não fosse o suficiente...

Sangwoo arfou ao sentir a intensidade do desejo de Bum. Seus feromônios o provocavam, o vínculo praticamente criava imagens vívidas em sua mente e o corpo do menor, ah o corpo dele era uma provocação à parte, os mamilos rijos, a boca levemente aberta devido à respiração ofegante, o pênis ereto e a umidade evidenciando que podia tê-lo até cansar...

— Droga, Bum... – sussurrou, sentindo seu instinto maior vacilar. Mordeu o próprio lábio inferior, tinha que pará-lo, entretanto, quando o menor voltou a se mover de forma oferecida enquanto lambia seu pescoço, bufou.

— Me come... – sussurrou Bum, atiçando-o, suas mãos desceram dos fios loiros iniciando uma exploração pelos músculos definidos do alpha a sua frente.

— Droga... – Sangwoo disse entre os dentes, descendo as mãos para a cintura do pequeno e levantando de uma só vez, trazendo consigo o moreno, que automaticamente colocou os braços novamente ao redor do pescoço do alpha.

— Sangwoo... Por favor... – Bum fez o loiro encará-lo ao deslizar uma das suas mãos em seu cabelo e virá-lo em sua direção.

O ômega estava vermelho devido ao seu estado febril, seus cabelos desgrenhados, e seus olhos começavam a marejar. Não aguentava mais... Seu corpo precisava daquilo e não sabia mais o que fazer para convencer o alpha que parecia tão decido a não fazê-lo, que a mordida no lábio já dera espaço a um pequeno ferimento de onde descia um filete de sangue.

— Por favor... – murmurou com a voz entrecortada, se encolhendo um pouco, em um desespero contido.

Ao ver as lágrimas de Bum e o seu jeito suplicante, Sangwoo mandou tudo para o inferno e o pressionou contra a parede do quarto, iniciando um beijo voraz e deslizando as mãos para as coxas que se prendiam a sua cintura, indo até a bunda, que apertou com força.

Soltou os lábios do menor com sofreguidão e falou entre os dentes, irritado enquanto fitava seus olhos: — Você é muito teimoso. – separou as nádegas sem nenhum tipo de cuidado e iniciou a penetração, sentindo o interior do ômega receptivo e úmido se abrindo lentamente a sua investida.

Não queria admitir, mas, a sensação quente, molhada, apertada o fez estremecer de satisfação e pensar um monte de blasfêmias, que sinceramente, o fazia questionar como aguentara resistir por mais de dois segundos àquele momento.

Usou toda a força de seu quadril empurrando-se mais contra Bum e penetrando-o profundamente de uma só vez.

Bum arquejou, soltando todo ar dos pulmões devido à deliciosa pressão, gemendo prazerosamente em seguida por causa do alívio de ter todo o seu interior preenchido. Puxou o alpha para mais perto de si, arranhando suas costas no processo, no mesmo momento em que o sentia mover-se forte e ritmicamente.

— Sangwoo... – gemeu o nome do loiro em seu ouvido.

Com o coração acelerado e sem muita coordenação, o ômega agradecia a gravidade por ajudar, impulsionando-o para baixo toda a vez que o loiro o erguia brutalmente para tirar, parcialmente seu pênis e voltar a penetrá-lo, fazendo-o senti-lo a cada instante mais fundo. Sua consciência começava a se perder em meio aquilo e seu corpo suava, tremulo.

Sangwoo não conseguia se parar, ou refletir na diferença de tamanho e força entre eles. Não conseguia evitar apertá-lo, chupá-lo, senti-lo se contorcendo em seus braços que o subiam e desciam em movimentos selvagens. Estava com raiva de si, por não conseguir se controlar, com raiva de seu instinto, que não conseguia definir se queria protege-lo ou fode-lo. Com raiva de Bum, que pulsava, apertando seu pênis deliciosamente, enquanto o seu próprio se encontrava ereto e gotejante entre eles. Com raiva dos gemidos, quase gritos, de êxtase do ômega, que – puta que pariu – eram enlouquecedores. Com raiva da porra do vínculo que lhe mostrava em detalhes o quanto ele estava adorando aquilo... Estava com raiva de tudo e ao mesmo tempo, desfrutando cada segundo...

— Droga... – não conseguia dizer mais nada.

O ômega respirava com dificuldade e tinha a sensação que seus gemidos estavam muito mais altos do que costumavam ser, sendo abafados apenas pelos gemidos roucos e delirantes de seu alpha descontrolado. Tinha sua mente em branco e tudo que conseguia sentir era o prazer intenso daquele momento e a pressão do corpo maior contra o seu.

Virou o rosto, tentando encontrar os olhos do alpha, e quando conseguiu, viu ali uma mistura de prazer, raiva e – de certa forma, frustração. O mesmo lhe indicava o vínculo, Sangwoo estava puto... Um pouco com ele, mas principalmente, consigo próprio... Por não conseguir resistir.

Sorriu, passando a língua pela pequena trilha de sangue que o alpha tinha abaixo do lábio inferior, indo até o mesmo – inchado e ferido – chupando-o e fazendo-o se separar do superior enquanto o penetrava com sua língua afoita. Beijou-o vorazmente, obrigando-o a sentir o sabor agridoce do próprio sangue enquanto movia os quadris, aumentando ainda mais o ritmo exorbitante e feroz que se instalara naquele momento. Nunca estivera tão feliz... Ter Sangwoo por completo, era maravilhoso, mas, saber que conseguia fazê-lo perder totalmente o controle, era indescritível.

Sangwoo fechou os olhos, sentindo Bum beijá-lo como nunca antes, sua língua estava sedenta por mais contato e pressionava a do alpha sem piedade, sua respiração não tinha um ritmo definido, era um beijo descontrolado, quente e extremamente intenso. Não tinha ideia que o ômega conseguia beijar daquela maneira, mas, aquela nova informação apenas o deixara mais excitado, fazendo seus braços darem a volta na cintura fina, com força, abraçando-o como se para uni-los de forma eterna.

Bum começou a sentir que gozaria, tremores atingiam seu corpo, seu pênis estava um pouco inchado e era a cada segundo mais estimulado por aqueles movimentos frenéticos, quando finalmente chegou, em uma estocada particularmente certeira e prazerosa do alpha, notou que não era o suficiente. Sem ar e com as pernas bambas, interrompeu o beijo para implorar no ouvido do maior: — Por favor... Por favor... Não para... — o calor ainda vigoroso não permitia uma interrupção, queria mais...

Sangwoo gemeu diante do pedido, como resposta, apenas aumentou o ritmo tornando as estocadas mais curtas e rápidas, enquanto o pressionava ainda mais contra a parede, apoiando-o com ambas as mãos.

O alpha já não tinha ideia de quanta força usava. Desistira de tentar se manter minimamente consciente do que fazia, sua mente não conseguia raciocinar qualquer coisa além do quanto àquela súplica sussurrada o enlouquecera. Olhou para Bum que estava tremulo devido aos movimentos e derramava lágrimas por causa do prazer intenso que sentia, e uma alegria, misturada com satisfação e contentamento, inundaram-no. Porque ele sabia... Sim... O vínculo era muito claro, aquelas lágrimas eram de prazer e não dor. Estava fazendo ao ômega o que ele desejava... Sua brutalidade, ferocidade, não o incomodava, pelo contrário, o excitava.

Sem aguentar mais nenhum segundo, cobriu os lábios do moreno com os seus e prendeu o quadril do menor com força, impedindo-o de se movimentar enquanto gozava o mais profundamente que conseguia, sentindo o ômega fazer o mesmo em seu abdômen.

Por um instante, Bum pensou que desmaiaria nos braços do loiro, pois sua visão perdeu totalmente o foco. Nunca, em todos os anos que entrara no cio, conseguira superar uma onda de calor do segundo dia... Aquelas ondas sempre foram o inferno, e não importava quantos vibradores usava, não adiantava... Nada adiantava... Sempre gozava, contudo, nunca passava, o alívio parecia nunca vir... Até agora.

Pela primeira vez na vida, se sentia satisfeito em uma onda do cio no segundo dia... Não tinha ideia de quanto tempo duraria, provavelmente viria outra, era o cio, afinal de contas, e sempre vinham outras até ele terminar. Mas, naquele exato momento, estava plenamente satisfeito. Abraçou o alpha com a pouca força que lhe restava, sentindo seu corpo desfalecer e seus músculos amolecerem enquanto se afastava brevemente dos lábios que amava, tentando recuperar o fôlego.

Sangwoo fitou os olhos de Bum enquanto também recuperava o fôlego, sorrindo amavelmente: — Teimoso... – disse em um murmúrio rouco devido à exaustão.

Bum riu fracamente: — Desculpe... – respondeu, correspondendo o sorriso e encostando a cabeça no ombro do maior: — Mas, você também é...

O alpha riu baixo, concordando com a afirmação e ajeitando melhor o ômega em seu colo, afastando-o da parede: — Tem razão.

— O que você... – mas Bum não terminou a frase, apenas vislumbrou que o alpha abria a porta do quarto e se encolheu, não queria deixar seu ninho... Por mais cansado que estivesse.

Percebendo a reação do menor, Sangwoo afagou seu cabelo gentilmente: — Está tudo bem... Eu estou com você... – sussurrou com a voz enrouquecida no ouvido do ômega, fazendo-o suspirar e consentir levemente com a cabeça.

O levou até o banheiro, que já estava um pouco alagado, e o colocou sentado na beira da banheira e ao lado da pia – onde podia se apoiar melhor, cuidando para mantê-lo equilibrado enquanto pegava o chuveirinho abrindo-o e fechava a torneira que fazia a água da banheira transbordar. Passou, gentilmente, uma água pelo corpo do menor, ajudando-o a se lavar antes de entrar na banheira. Depois, calmamente o guiou para dentro da água.

— Gelada... – disse Bum em um tom aliviado. A água fria ajudava a relaxar depois de tudo aquilo e de todo o calor que sentira, se estivesse minimamente morna, não ia gostar da mesma forma.

Suspirou e como se sua mente voltasse de um transe, corou, encolhendo-se um pouco dentro da banheira. Sempre perdera o controle no segundo dia – o considerava o pior de todos por causa disso – mas... Observou o loiro que ligava a hidromassagem...

Nunca perdera tanto o controle. Não dessa forma. Estava sem graça em muitos níveis diferentes. Relaxou ainda mais com a leve massagem que a água borbulhante lhe fazia.

Sangwoo o fitou, aproximando-se e beijando erraticamente seus lábios: — Já volto. – disse sério, se afastando e saindo do local.

Bum observou o alpha sair e então passou água no rosto. Realmente dissera tudo aquilo... “Me come, me fode...” – enumerava mentalmente, corando violentamente – e o loiro nem pedira para dizer... Depois fizera todas aquelas coisas... À medida que sua mente ia lembrando, seu rosto ia desaparecendo debaixo da água. Será que era possível se afogar sozinho em uma banheira?

“Perdi o controle... Definitivamente, não era o meu eu normal...” – respirou fundo, sentindo cada um de seus músculos e tentando não se desesperar... Quer dizer, estava no cio... Sangwoo deveria saber que não agiria exatamente como sempre...

Ouviu passos pararem e uma risada baixa, todavia, levemente debochada, que já tão bem conhecia, vindo da porta.

— Como sempre, corando de vergonha só depois de já ter feito tudo... – a voz de Sangwoo soava brincalhona aos ouvidos de Bum, apenas fazendo o impossível acontecer, que era o ômega corar ainda mais.

—... Eu... – o pequeno fitou Sangwoo, desviando o olhar em seguida: -... Não consegui... Me controlar... – a voz do moreno diminuía à medida que falava.

Sangwoo ficou um momento em silêncio, largou algumas toalhas sobre o vaso sanitário – que estava fechado. Caminhou tranquilamente até a banheira, onde entrou, alagando um pouco mais o banheiro – não que fosse realmente ruim, havia um ralo no piso, então a água escorreria logo.

— Também não consegui. – respondeu com sinceridade.

O ômega piscou, voltando a encarar o maior e vendo que o mesmo segurava maçãs.

— Come isso... – disse entregando uma das frutas a Bum: — Você tem que comer. Era só isso que eu queria ter feito antes... – ele suspirou enquanto mordia a maçã: — Deixa pra lá. – ele o fitou de forma curiosa: — Você parece mais... Calmo... – disse engolindo.

Bum olhou para a fruta em suas mãos, só então percebendo que estava, realmente, faminto. Também notou um desconforto nas costas, provavelmente devido aos movimentos contra a parede. Suspirou, mordendo a maçã, mastigando e engolindo: — Essa onda passou... – murmurou como resposta.

O vínculo entre eles tornava a situação um pouco estranha, pois, Sangwoo sabia que Bum sentia a dor nas costas, contudo, também sabia que ele não lhe culpava por ela...

Ao mesmo tempo, Bum sabia que Sangwoo se culpava – um pouco – pelo problema, mesmo, provavelmente, não admitindo isso, e não queria que ele se sentisse dessa maneira...

Não estava havendo um entendimento entre eles, contudo, simultaneamente, não abriam a boca para falar sobre o assunto.

— Isso... – Sangwoo sacudiu a cabeça e Bum riu.

—... Processar... – murmurou o moreno.

— Quê?

— Eu queria conseguir processar os meus sentimentos... Antes de você sabe-los... Acho que é isso... Com você também... – o ômega o fitou e recebeu um olhar cúmplice como resposta.

— Exatamente. – disse o alpha.

Ambos sorriram.

— Será que é possível? – Sangwoo refletiu em voz alta.

— Não sei... Talvez com o tempo... – respondeu Bum, terminando sua maçã e jogando a parte com as sementes no lixo: — Ou... Se você... Se nós voltarmos com as barreiras... Eu acho... – o ômega fitava as próprias mãos.

Não era ruim sentir o alpha de forma tão contínua, pelo contrário, era bom. Não precisava se concentrar para se conectar, conseguia compreendê-lo de forma mais íntima... Mas... Entenderia caso ele quisesse erguer as barreiras mentais novamente, tinha de admitir que em alguns momentos, era um pouco estranho.

Sangwoo observou Bum por algum tempo, terminando a própria maçã e jogando os restos no lixo. Então olhou para o teto. O ômega certamente estava lhe dando aval para fazer o que quisesse – incluindo reerguer suas barreiras – o vínculo lhe dizia isso, nenhuma palavra trocada ali era mentira... Entretanto, queria fazê-lo? Tinha de admitir que foi muito bom não ter dúvidas sobre como o rapaz se sentia enquanto o possuía, ou sentir todos os desejos e intenções dele com clareza.

Além disso... – voltou a encarar o moreno, que parecia particularmente interessado nas próprias mãos – era Bum. E queria viver com ele, amava ele – ergueu uma de suas mãos, tocando suavemente seus lábios, seu queixo e fazendo-o fitá-lo: — Está tudo bem. Vamos continuar assim... – disse sério, se aproximando e depositando um selinho nos lábios do menor.

Sangwoo se afastou, relaxando o próprio corpo – não gostou tanto assim da água fria, mas, sentia que era o melhor para Bum — e ambos permaneceram algum tempo em silêncio, apenas aproveitando o momento.

O alpha já tinha suas digitais enrugadas, quando voltou a observar Bum.

O ômega se mantinha de olhos fechados e semblante calmo. Respirava devagar, os lábios se encontravam levemente avermelhados e fios de cabelo se grudavam sobre seu rosto, todavia, não pareciam incomodá-lo.

Sangwoo prendeu o ar por um breve segundo. Bum era muito bonito. Não aquela beleza chamativa, que faria centenas de pessoas se curvaram aos seus pés e que atraia olhares por onde passava, mas, algo mais único, mais silencioso, que você tinha de parar por alguns segundos para apreciar e perceber, contudo, no momento em que notava, não conseguia deixar de olhar... As linhas gentis que traçavam seu rosto, a simetria delicada de seus lábios...

O ômega abriu os olhos, fitando atentamente por debaixo dos cílios o alpha que lhe observava, e o loiro sorriu. Bum, definitivamente, possuía o olhar mais sensual que já vira em sua vida, não tinha ideia se era um efeito do cio, mas, sentia em seu âmago que era algo conhecido apenas por ele.

Sangwoo se aproximou devagar e começou a dar pequenos beijos na boca, bochechas, queixo, ponta do nariz, testa... Fazendo Bum sorrir enquanto entrelaçavam os dedos de uma das mãos embaixo da água fria.

O ômega sentia algo novo no alpha, o vínculo lhe apontava isso, algo cálido, intenso... Sabia o que significava e corou por senti-lo. Contudo, também sabia que Sangwoo não falaria aquilo em voz alta, pelo menos, não agora... Ele não estava pronto para isso, mas, Bum estava. E sorriu ainda mais ao perceber que senti-lo lhe dava coragem de falar o que sempre quis dizer a ele.

Respirou fundo enquanto movia os dedos, gentilmente, sobre a mão que se entrelaçava a sua e erguia o outro braço para tocar nos traços do rosto que lhe beijava, fazendo-o olhá-lo em seus olhos, confessou em um sussurro: — Eu te amo.

As palavras pegaram Sangwoo desprevenido, sem saber como agir, o rapaz até pensou em falar alguma coisa, contudo, sentiu os dedos do menor sobre seus lábios, impedindo-o.

— Está tudo bem. – Bum sorriu: — Eu queria falar, você não precisa dizer nada.

Sangwoo beijou os dedos que estavam sobre seus lábios, afastando-os em seguida e levando sua boca até a do pequeno. Realmente, não conseguiria dizer nada, todavia, nem sempre palavras foram necessárias na relação deles. O beijo foi gentil, doce... Sua mão se dirigiu aos fios negros, acariciando-os enquanto aprofundava aquela sensação com o toque de sua língua na do rapaz. Suas respirações sincronizavam aos poucos, fazendo-os se afastarem brevemente e se reaproximarem, sem perderem totalmente o contato dos lábios.

Lentamente a intensidade do beijo começou a aumentar, obrigando Bum a se afastar quando percebeu que aquilo parecia servir de combustível para seu cio. Com o corpo se aquecendo, o pequeno respirou profundamente.

— D-Desculpe... – sussurrou. Sabia que Sangwoo iniciara aquele beijo como demonstração do próprio afeto, e não como um estímulo para seu cio, mas, não conseguia evitar... Corou, sem graça.

— Pervertido. – disse brincando o alpha fazendo o ômega corar ainda mais: — Consegue se virar? – perguntou aproximando seu rosto do pequeno e encostando seu nariz no dele.

— Consigo... – Bum respondeu baixinho, ainda sem graça e começando a sentir seu baixo ventre pulsar.

— E ficar em pé? – seus lábios roçaram suavemente sobre os do moreno, e sua voz grave denunciava que o ômega não era o único que começara a se excitar com aquela situação.

— Sim... – uma leve ansiedade possuiu o corpo de Bum.

Sangwoo se aproximou de sua orelha, sussurrando: — Então se vira... – mordiscou o lóbulo, sentindo o pequeno estremecer: — Levanta... – sua voz grave, tentadora: — E coloca as mãos contra a parede.

Bum sentiu seu corpo inteiro arrepiar-se. Completamente vermelho e calado, contudo, com seu membro começando a enrijecer-se, obedeceu. Levantou-se, colocando ambas as mãos contra os azulejos brancos e sentindo seu corpo ficar parcialmente fora da água.

Sangwoo aproveitou a vista, ainda sentado na banheira. Olhou para as próprias mãos, percebendo que já estava mais sob controle e recolheu as garras – com alguma dificuldade, entretanto, seus instintos pareciam ‘amenizados’.

Deslizou uma de suas mãos por entre as pernas do moreno, tocando-o em sua entrada convidativa e fazendo-o suspirar. Deu uma leve mordida em sua bunda, que sabia que o faria corar, e levantou, ficando sobre o menor e começando a tatear suas coxas, apertando-as sem força, aproveitando a maciez que possuíam e os arrepios que causava.

Acariciava-o ao mesmo tempo em que fitava calmamente suas costas, notando as marcas que o sexo anterior proporcionara, ainda recentes e vermelhas. Suspirou, depositando leves beijos. Sabia que seus feromônios não curavam – como os de Bum, mas... Queria ser gentil, ou pelo menos, tentar.

Beijou a nuca do moreno enquanto uma de suas mãos traçava um caminho pelo quadril, subindo para o abdômen, deslizando e tocando com firmeza o mamilo e sentindo-o enrijecer entre seus dedos. Com a outra, tocou o membro semirrígido de Bum, começando a massageá-lo calmamente e notando o pequeno estremecer e gemer baixinho.

Suspirou de prazer, adorava tocá-lo e ouvi-lo tão intimamente.

— S-Sangwoo... – murmurou o rapaz de olhos fechados e vermelho.

— Hm? – o alpha continuava seu toque, sem pressa.

Bum corou mais: — Eu... – acabou se interrompendo e gemendo ao sentir o loiro apertando com um pouco de força seu membro: — Ah...! – estava sem graça. Não sabia exatamente o que fazer... O toque do alpha era incrível, lhe causava tanto prazer, mas, também estava começando a se transformar em uma lenta tortura... Precisava dele... Seu corpo estava quente... A onda chegara e já pulsava de desejo novamente: -... Dentro... – falou baixinho, sem coragem de falar mais alto...

Sangwoo sorriu maliciosamente, chupando o pescoço do pequeno enquanto devagar, fazia seus dedos escorregarem do mamilo, passando pela cintura delgada, bunda e então circulando calmamente a entrada úmida do menor: — Aqui...? – murmurou, sugando o lóbulo da orelha e vendo-o suspirar diante de seu toque.

—Sim... – respondeu sôfrego enquanto gemia: — Por favor... – rogou com a voz tremula.

Sangwoo penetrou o dedo e Bum mordeu o lábio inferior ao mesmo tempo em que sentia as descargas de prazer percorrer seu corpo com os toques meticulosos e precisos do alpha: — Ah... Isso... – sussurrou baixinho, mais para si do que para o loiro, abrindo um pouco mais as pernas e começando a mover o quadril, tentando fazer o dedo infame penetrá-lo mais profundamente.

O alpha moveu o dedo, roçando-o na próstata do ômega e o fazendo tremer. Lambeu a nuca demoradamente enquanto penetrava mais um e o forçava no mesmo ponto: — Desse jeito? – perguntou provocativamente, sabia que o moreno estava gostando, não era apenas o corpo, mas o perfume no ar e o vínculo deixavam isso óbvio.

— Sim... – respondeu em um ronrono Bum, sem protestar, empinando a bunda e rebolando. Estava gostoso... Queria mais...

Sangwoo continuou movendo os dedos enquanto sua outra mão seguia o mesmo ritmo, massageando cuidadosamente o pênis ereto do pequeno.

Contudo, apesar dos dedos grossos do alpha, aquilo começou a não lhe parecer o suficiente: — Mais... – murmurou Bum, manhoso.

O alpha apertou a mão que masturbava o ômega, fazendo movimentos de vai e vem mais fortes, enquanto penetrava outro dedo: — Assim? – questionou sentindo a própria temperatura elevar-se pelo contato com o corpo de Bum.

— Ah...! – o pequeno parecia perdido em seu próprio prazer, entretanto, seus movimentos mais intensos denunciavam que não estava plenamente satisfeito.

Bum começou a sentir as pontadas mais árduas da onda de calor que se alastrava pelo seu corpo, um sentimento inquietante formou-se em seu interior. A água já não lhe parecia fria e os dedos de Sangwoo soavam muito menos que o necessário. Empinou mais a bunda, sem timidez, rebolando, oferecendo e provocando.

Sangwoo mordiscou a nuca do ômega, sentindo a bunda dele pressionar e deslizar luxuriosamente pelo seu membro já ereto. Soltou uma risada baixa: — Acho que nem o vínculo consegue te dar uma ideia do quanto você me excita... – sussurrou com a voz grave, retirando os dedos de dentro do ômega e enquanto ele o observava de canto, parecendo fascinado, colocou-os na própria boca, chupando-os e sentindo o gosto do moreno, que apesar do cio e do descontrole, ficara extremamente corado com a cena.

O loiro sorriu, maliciosamente, passando demoradamente a língua uma última vez nos próprios dedos antes de coloca-los na boca do namorado, que os lambeu e chupou com ansiedade: — Gosto de te ver assim... – sussurrou satisfeito, aumentando o ritmo da mão que masturbava o pênis inchado e ereto do ômega, fazendo-o gozar enquanto seus dedos abafavam os gemidos sôfregos do mesmo.

Bum sentiu um alívio momentâneo ao chegar, mas logo as contrações de sua entrada o lembraram – dolorosamente – que o cio era uma tortura que vinha em ondas de calor e que apenas gozar nunca era o suficiente, soltando os dedos que estavam em sua boca, implorou virando um pouco o rosto e tentando encontrar os olhos de Sangwoo: —... Por favor...

Sangwoo observou o pequeno e então beijou seu pescoço no exato ponto da mordida: — Calma... Não vou parar... – não eram apenas palavras, era uma promessa, que foi falada em tom brando, baixo e grave.

Apesar da ansiedade e do calor que o excitava a ponto de leva-lo quase a loucura, ouvir aquilo se assemelhou a uma brisa apaziguadora e Bum colocou uma de suas mãos sobre a de Sangwoo, entrelaçando seus dedos.

É muito comum, em cios, os ômegas esquecerem quem são seus parceiros e chama-los apenas de ‘alphas’. Contudo, Bum estava feliz por naquele instante, não estar assim... Por, apesar de seus instintos estarem desesperados, poder dizer, com todas as letras, o nome do alpha que desejava dentro de si: — Sangwoo...

Bum sentiu a pressão de algo maior, mais quente e duro em sua entrada, Sangwoo começava a guiar, lentamente, sua ereção para dentro dele, movendo os quadris e o invadindo centímetro a centímetro, abrindo-o e explorando-o de forma que suas pernas começaram a fraquejar.

Sangwoo se questionava como o pequeno permanecia apertado, mesmo com todas as vezes que já o possuíra...

Beijou a nuca, descendo seus lábios pelas costas. Suas mãos acariciando a pele macia, ao mesmo tempo em que mantinham o ômega firme. Deleitava-se com os sentimentos passados pelo vínculo.

O ômega desfrutava cada segundo daquela penetração e gemia baixo, quase sem forças. Era o paraíso de Sangwoo.

Quando Bum sentiu o alpha totalmente dentro de si, suas garras arranharam o azulejo, tentando, de alguma forma, se manter firme.

Sangwoo colocou ambas as mãos na cintura do menor, segurando-o enquanto começava a mover-se devagar. Gostava da sensação das paredes estreitas e quentes de Bum apertando-o e tentando prendê-lo de alguma forma, enquanto forçava a saída e a volta para dentro dele. Adorava os sons dos gemidos sôfregos e intensos que o pequeno emitia ecoando pelas paredes do banheiro, delirava com o cheiro que o moreno exalava e que pareciam dominar sua alma.

Não tinha a menor ideia de como não estava completamente fora de controle, mas, amava o fato de estar plenamente consciente do que fazia.

Começou a movimentar-se com mais rapidez.

Bum nem ao menos tentava controlar os gemidos, estava completamente entregue ao calor do cio e a satisfação obscena de ter Sangwoo dentro de si. Era delicioso senti-lo entrando e saindo, seu membro grande e grosso, pressionava sua próstata sem piedade e atingia todas as suas zonas eróticas, incluindo as mais profundas. Seu prazer era intenso e parecia multiplicar-se com o cheiro que o alpha exalava. Queria que ele o possuísse até desmaiar. Não se importava com mais nada.

Sangwoo se inclinou sobre o ômega, encostando a cabeça sobre sua nuca enquanto uma de suas mãos voltava a massagear o pênis, novamente ereto, do moreno, no mesmo ritmo das estocadas que o faziam pressionar o corpo do menor: — Bum...! – gemeu lascivamente.

Bum não conseguiu responder ao ouvir seu nome naquele timbre de voz, apenas gemeu e estremeceu, delirante com o momento. Seus corpos molhados pareciam combinar o ritmo e não compreendia como ainda estava em pé, apenas colocou o antebraço contra a parede e apoiou a cabeça nele para suportar a pressão física exercida por Sangwoo, contudo, nem cogitava pedir para ele diminuí-la, pelo contrário... De seus lábios só saíam gemidos, como pedidos sufocados por mais... Mais rápido... Mais forte... Mais fundo...

E o alpha não ousava decepcioná-lo.

As estocadas começaram a se tornar curtas e rápidas, e como não conseguiria beijar o ômega, Sangwoo o mordeu no pescoço, fazendo seus feromônios penetrarem diretamente sua circulação e intensificarem de maneira feroz o prazer proporcionado ao moreno.

Bum não suportou, com o corpo levemente arqueado e os olhos abertos e marejados, chegou novamente, e em um colapso de prazer, sentiu suas forças se esvaírem quando a sensação de preenchimento pelo gozo de Sangwoo o tomou.

Com habilidade, o alpha retirou as presas do pescoço do ômega e o apoiou contra seu peito, não permitindo que caísse por completo.

— Você... Está bem...? – perguntou arfando o loiro, recebendo um aceno de cabeça como resposta.

Devagar, Bum retirou o alpha de dentro de si e virou-se, encarando seus olhos com firmeza enquanto erguia ambas as mãos e segurava seu rosto, lhe dando um beijo doce e satisfeito. Depois encostou a cabeça em seu peito, poderia dormir ali mesmo, não se importaria.

Sangwoo segurou o ômega e apoiou uma das mãos na parede enquanto recuperava o fôlego, depois ligou o chuveiro novamente, dessa vez no morno, e voltou a lavá-los, no mesmo momento em que, com o pé, tirava a tampa do pequeno ralo da banheira, permitindo que a água se fosse.

Bum estava exausto, portanto não protestou, nem ao menos corou, com o fato de Sangwoo lhe dar um segundo banho. Apenas permaneceu quieto e suspirando. Queria dormir.

Após o banho, Sangwoo secou Bum, ainda no banheiro e o levou coberto pela toalha para o quarto, onde, vagamente, o ômega percebeu que o lençol da cama havia sido trocado. Algum lugar de sua mente dizia que deveria agradecer a todo o trabalho que o alpha teve, mas, apenas deitou e abraçando o travesseiro, completamente nu, voltou a dormir.

O loiro observou a cena, chegando à conclusão que cios eram, definitivamente, inusitados. Mas, muitas das dúvidas que possuía, se foram.

“Ele não fica, o tempo todo, excitado.” – pensou o loiro, constatando que essa parte do que ouvira, provavelmente, era lenda urbana.

“Até porque, se ficasse, eu não conseguiria dar conta...” – algo complicado de admitir, contudo, um fato.

“Mas quando...” – o alpha parou o pensamento, tentando recordar o termo que Bum usara – “Onda... Quando a tal ‘onda’ atinge ele, parece que perde o controle...”. – suspirou, trancando a porta do quarto e sentando ao lado do moreno, observando-o.

Olhou ao redor, depois para si... Não conseguia acreditar que estava tão bem, com toda aquela situação... O perfume de Bum mantinha-se, absolutamente, por todo o ambiente, misturado com o seu próprio.

Mas, naquele instante, não o instigava, e sim, o acalmava. Como isso era possível?

Ainda o sentia, seu instinto alpha. Todavia, ele lhe soava plenamente satisfeito... Não descontrolado...

Refletindo sobre aquele dia, sentia que houvera alguns momentos de descontrole, algumas vezes que não conseguira parar sua própria brutalidade... Mas... Bum não se importava, ele gostava daquela forma. E essa era a grande diferença... Parecia que o fato de Bum não se horrorizar, ou fugir, ou temer, o fazia encarar a situação de frente. O fazia permanecer consciente.

“Talvez o tempo todo, só fosse a minha mente fugindo desse meu lado...”.

Não queria mais fugir.

Suspirou.

Não era como se fosse uma pessoa totalmente agressiva, não era isso. Não sentia vontade de bater em outros o tempo todo. Mas, certas situações, o deixavam no limite socialmente aceito.

Ainda se lembrava das aulas de yoga e outras coisas ‘para relaxar’ que Yangmi o obrigara a frequentar durante um período de sua vida. Nada adiantara, na realidade, piorara muito. Parecia que quanto mais se esforçava em se manter calmo, em uma vida pacífica, mais irritado ficava com qualquer pequeno problema que lhe ocorria.

Seu pai, se fizera algo minimamente bom em sua vida, fora colocá-lo em diversas academias de luta, onde aprendera não apenas os movimentos para se vencer, como também a descarregar a fúria contida...

“Funciona melhor que yoga... Pelo menos, comigo...” – pensou calado.

As lutas ilegais, atualmente, produziam o mesmo efeito. Eram mais perigosas, arriscadas e complicadas que a academia, mas, lhe davam dinheiro.

Fechou os olhos, lembrando que apesar de conseguir se manter calmo no seu dia-a-dia, quando se tratava de relações sexuais, sempre acabava com problemas devido a sua brutalidade. Não que machucasse – com exceção da primeira garota que transara após as prostitutas de seu pai – mas, sempre que terminava e elas falavam sobre “uma próxima vez”, comentavam que gostariam que ele fosse mais gentil, lento, entre outros... Nem imaginavam que ele já dera o máximo de si para ser exatamente o que elas estavam pedindo...

Respirou fundo.

Foi quando uma ômega, em uma das primeiras festas que participou, tentou provocá-lo. Ela usou todos os seus feromônios tentando fazê-lo mordê-la, se conseguisse, ferraria sua vida e ganharia uma grana bem alta que outro líder alpha havia lhe oferecido.

Graças ao “treinamento” de seu pai, conseguiu aguentar, entretanto, o esforço mental gasto nesta resistência, refletiu em seu físico, e pela primeira vez, conseguiu atender as expectativas sexuais de sua parceira – naquela noite, fora uma beta, que só lembrava exatamente por ter conseguido satisfazê-la sem nenhum incidente.

Com isso, tinha tudo que precisava para ter uma boa imagem e uma vida tranquila. Apesar disso ter tornado o sexo algo mecânico, forçado e em alguns momentos, entediante. Sentia prazer, claro, era sexo, mas... Em alguns momentos sentia mais prazer em lutar do que em transar, e isso era frustrante.

Nunca passara por sua cabeça que haveria alguém – qualquer um – que gostaria dele mesmo conhecendo esse seu lado.

Abriu os olhos, movendo o rosto e visualizando o dorminhoco deitado no colchonete.

Mais do que isso... Que o amaria mesmo conhecendo esse seu lado...

Sorriu.

Olhou ao redor, procurando algum travesseiro, ou algo que pudesse usar como um – definitivamente, precisava comprar mais... Quando visualizou a bolsa térmica.

Curioso, abriu-a, vendo os potes com bolachas, frutas já lavadas e garrafas com água, percebendo que poderia ter dado a Bum o que estava ali, ao invés de ter tentado sair do quarto para buscar algo – talvez não tivesse se sentido tão inútil...

Suspirou, guardando a bolsa no local onde encontrara.

Acabou por escolher uma almofada que se achava do outro lado e não parecia tão harmonizada com o resto, quando a levantou, deu de cara com uma caixa preta.

“Mais comida?” – pensou, contudo, reparando que não era algo térmico, como a outra. Era apenas uma caixa. Não muito maior do que as que guardam sapatos.

Não deveria ficar mexendo em coisas que não lhe pertenciam, mas, sempre brincava com Yangmi que se fosse um gato, não haveria vidas suficientes para sua curiosidade.

Abriu a caixa e de alguma forma, aquilo o surpreendeu, claro, deveria haver algo assim no quarto, pois, originalmente, não passariam o cio juntos. Contudo, mesmo assim... Colocou a tampa de lado e observou o conteúdo.

Vibradores de vários tamanhos, um bem grande, outro bem pequeno, que parecia uma bolinha em sua mão, plug anal, lubrificantes...

Esse último item o deixou intrigado, normalmente, homens ômegas não tinham lubrificantes... Não havia essa necessidade... Será que Bum, em algum momento, não conseguira se lubrificar ‘normalmente’?

“Mas, ele é sempre tão molhado...” – a imagem do líquido descendo pela bunda empinada, redonda e volumosa do ômega, fez o alpha colocar todos os itens de volta na caixa e fecha-la rapidamente, pegando enfim a almofada.

Bum estava exausto devido ao cio, não precisava que ele, Sangwoo, pulasse em cima dele devido aos próprios desejos. Tinha de descansar enquanto podia, e não ter sua situação agravada.

“Não posso ser tão estúpido.” – pensou, deitando ao lado do pequeno, abraçando-o com delicadeza – e sem segundas intenções, fechando os olhos e adormecendo.

Bum acordou com uma sensação extrema de calor que se alastrava por seu corpo. Sua garganta estava seca e precisava, muito, beber alguma coisa. Virou-se em direção a sua bolsa térmica, retirando uma garrafa com água e bebeu tudo rapidamente...

Soltou uma leve exclamação de desapontamento ao perceber que aquilo não diminuíra tanto seu calor quanto desejava que o tivesse feito.

Olhou para o rapaz ao seu lado, que dormia tranquilamente, sereno.

Sorriu, inspirando fundo e permitindo que o perfume inebriante do alpha impregnasse cada molécula de seu corpo e o atormentasse pelo desejo. Sem pensar no que fazia ou medindo as consequências de seu ato, subiu no loiro, colocando ambas as pernas ao redor de sua cintura e apoiando as mãos em seu abdômen definido.

Com um sorriso enigmático e olhos selvagens, moveu o quadril enquanto sua língua lambia o próprio lábio superior.

Suspirou, prazerosamente ao sentir o loiro reagir, lentamente, a sua investida.

Sangwoo abriu os olhos, ainda embriagado pelo sono, mas, um tanto surpreso pela movimentação em seu baixo ventre.

— O quê...? – questionou atordoado, com a voz rouca transparecendo os resquícios de seu despertar súbito.

Bum tateou o peito do alpha, com as palmas das mãos, sentindo todos os detalhes da musculatura rígida e firme, enquanto inclinava sobre o corpo maior e sua bunda deslizava pela extensão do pênis já semiereto.

— Gosta? – perguntou timidamente, um pouco ruborizado, mas, sem desviar a mirada dos olhos do alpha.

Sangwoo percebeu naquele instante, que o pequeno não estava sendo levado apenas pelo cio.

Com os lábios encostados nos de Bum, sussurrou: — Muito... – beijando-o em seguida.

Sua língua invasora explorou os pontos que sabia serem sensíveis para o moreno, sugando seu ar enquanto suas mãos tocavam, luxuriosamente, suas coxas, cintura, mamilos, o que fazia Bum gemer sufocadamente em sua boca.

O pequeno se afastou sem ar, e voltou a fitar os olhos negros de seu alpha, vendo todo o desejo que eles continham. Sentindo o loiro apertar sua bunda com força, ouviu-o dizer em um sussurro grave:

—... Me mostra o que quer... – o sorriso de Sangwoo era lascivo e levemente prepotente, seu olhar praticamente desafiava o ômega a continuar.

Bum corou violentamente, sentando-se sobre o alpha e um pouco ofegante, devido à ansiedade que começava a consumi-lo. Sem muita coordenação, esfregou-se novamente, sentindo o membro do loiro ficar a cada segundo mais ereto devido à fricção.

Sangwoo deslizou suas mãos pelo peito do pequeno, fitando-o com um desejo ardente que apenas o incitava. Respirando fundo, o ômega percebeu uma mudança no ar.

— S-Seu... Cheiro... – disse corando e não conseguindo controlar um leve gemido que escapou involuntariamente de seus lábios.

— Não consegui evitar... Não te olhando assim... – o alpha desceu a mão lentamente, tateando os mínimos detalhes da pele do ômega.

Bum suspirou, os feromônios de Sangwoo, desde início de seu cio, transpareceram seu desejo, junto com o vínculo, contudo, agora... Agora eles lhe provocavam. A cada movimento de seu quadril, sentia-os atiçando-o.

Alphas tinham um poder muito maior sobre o próprio feromônio, maior do que qualquer outro. Por isso, podiam provocar um adversário até o limite, ou atiçar um ômega a entrar no cio. Não era apenas a quantidade, mas, a forma como o usavam, a densidade que os deixavam sair...

Sangwoo estava, deliberadamente, provocando Bum com seu cheiro. Se o ômega já não estivesse no cio, com certeza, entraria.

Bum suspirou fechando os olhos e atirando a cabeça para trás, mas, não parando de se mexer, se deixando levar por aquela sensação de devaneio...

Sangwoo observou o ômega e não resistiu a tentação de erguer um pouco o quadril, esfregando-se com mais força na bunda volumosa que lhe acariciava...

Bum sentiu a pressão e abriu os olhou, vendo Sangwoo de cima e percebendo toda a luxúria e desejo que aqueles olhos negros podiam conter. E era por ele... O alpha estava naquele estado por ele... Por causa dele... Não conseguiu evitar sorrir...

Apoiando uma das mãos no peito definido do maior, enquanto a outra ajudava a posicionar o pênis abaixo de si, se viu consumido pelo desejo súbito de ver seu alpha em delírio, como ele...

Em um movimento ousado, mas, intenso, sentou de uma só vez, fazendo o membro preenche-lo por completo, e nesse instante, pode ver toda a expressão de puro êxtase no semblante de seu namorado, enquanto o ouvia soltar um gemido gutural e feroz vindo do fundo de sua garganta, quase como um rugido de prazer que o fez estremecer, em uma vitória silenciosa.

Começou a subir e descer, sem permitir que Sangwoo se recuperasse do choque inicial, ele queria que ele o mostrasse... Então, mostraria.

Cavalgou devagar, e a cada gemido rouco do alpha, rebolava com mais vontade.

Sabia que o loiro o considerava delicado, pequeno, frágil... Mas, o que Bum realmente queria mostrar, o que queria deixar claro para que o maior nunca esquecesse, era que não era bem assim.

Usou toda sua força para descer sobre o membro dentro de si, provando que podia ser mais fraco que o alpha, mas, estava longe de ser frágil... Sem contar que seu corpo se adaptara, ah... E como se adaptara bem...

Olhou para Sangwoo que o fitava intensamente, e correspondeu o olhar com a mesma intensidade.

Inicialmente se movia de forma que quando o pênis do alpha estava completamente dentro, rebolava exatamente da forma que sabia que o loiro gostava, fazendo movimentos circulares e de vaivém, depois voltava a subir... E o ritmo que impôs variava entre a tortura do lento e profundo, e o delírio do curto e intenso. Também se inclinou um pouco, permitindo que o próprio pênis fosse estimulado entre eles, aproveitando todas as vantagens de estar por cima de seu namorado.

Mas, de repente, aquela velocidade não pareceu mais o suficiente para satisfazer seu interior a cada segundo mais quente com as sensações que se proporcionava, então, segurando os braços de Sangwoo que estavam em sua cintura, começou a ir mais rápido, contudo, sem mudar a forma como fazia.

Bum sorria de forma tão lasciva, que quando Sangwoo viu, pensou que gozaria imediatamente.

— Porra... Bum... – o alpha não conseguia completar uma frase com sentido, e gemia rouco sentindo o ômega em cima de si.

“Ele é quente... Porra... Muito quente... Eu vou enlouquecer assim...”.

Sangwoo não se importava com absolutamente nada. Nem com as garras do ômega praticamente cravadas em seu braço. Estava excitado demais para isso.

Quando começou a sentir que não suportaria por mais tempo, dobrou os joelhos e impulsionou a pélvis para cima, no exato instante que Bum descia, gozando fundo nele enquanto o sentia gozar em seu abdômen. Ambos gemeram alto e estremeceram, perdendo suas forças.

O alpha riu abafadamente, fazendo o ômega fita-lo.

— Sangwoo...? – questionou o pequeno, ainda recuperando o fôlego.

— Me acorda assim mais vezes, juro que não reclamo... – ele fechou os olhos, ouvindo o menor acompanhar suas risadas.

Devagar, Sangwoo conseguiu fazer Bum não dormir, convencendo-o a ir ao banheiro, a comer, a tomar outro banho... – que devido ao cansaço do moreno, foi apenas um banho.

Como já era o terceiro dia, a letargia do pequeno era definitivamente maior do que sua ansiedade por sexo. Normalmente ômegas se mantinham com ‘ondas frequentes’ durante todo o cio, tendo um ápice no segundo dia, contudo, Bum nunca fora assim.

Devido ao seu controle, acabava tendo o primeiro dia ‘normal’, o segundo ‘intenso e doloroso’ e o terceiro ‘sonolento’. Fora diferente dessa vez, com Sangwoo. Seu primeiro e segundo dia foram intensos, mas, não dolorosos – com exceção do início, quando o alpha demorou. E ficou surpreso ao notar que o seu terceiro – apesar de ter acordado pegando fogo, estava ‘tranquilo’.

Por isso, quando observou o alpha ouvindo música, quieto e sexy com seu fone – após acordar de um pequeno cochilo – não teve certeza se a excitação que sentia era uma onda, ou apenas algo que o alpha lhe provocava naturalmente.

Contudo, no momento em que os suores, apesar de menores, iniciaram, soube que se tratava de uma onda – provavelmente, a última.

Tocou sutilmente na boxer negra que Sangwoo vestira e percebeu que chamou sua atenção.

— De novo? – perguntou o alpha, com um sorriso malicioso, fitando-o.

Bum concordou com a cabeça, deslizando os dedos para o membro do loiro, começando a massageá-lo e ouvindo-o gemer.

Sangwoo tocou nos lábios do menor e suspirou. Percebendo isso, Bum corou suavemente e, reunindo sua coragem – pois o cio não estava tão impetuoso quanto antes, sussurrou: — Quer que eu... – engoliu a seco, ruborizando mais intensamente: — Te chupe...? – não sabia se o loiro o ouvira, pois a última palavra fora, praticamente, inaudível.

O alpha sorriu, aproximando o rosto do ômega ao seu: — Quero. – disse em tom grave: — Vira pra mim, assim, posso te chupar também.

Bum ficou surpreso com a proposta, contudo, não rejeitou. Deu um beijo gentil nos lábios do loiro, e se posicionou em cima dele – como não se dera o trabalho de vestir nada, continuava completamente nu. Começou a baixar a boxer, visualizando o membro semirrígido.

Sangwoo observou o ômega e então tocou suas pernas. Porque sim, era louco por aquelas pernas... Macias, delgadas, perfeitas para se apertar e morder. Achava particularmente adorável uma pintinha minúscula que ele possuía logo no início da perna esquerda, logo abaixo a virilha. A beijou com desejo fazendo a entrada do moreno contrair e relaxar, começando a umedecer.

“Exatamente como gosto...” – pensou, tocando com o dedo indicador no local e mordendo a coxa com mais voracidade.

Bum estremeceu, iniciando uma trilha de beijos pela extensão do membro, até a ponta, chupando de leve a região e sentindo-o endurecer diante de seus olhos.

Sangwoo suspirou, beijando os testículos do ômega, até chegar ao pênis, já ereto, lambendo-o enquanto uma de suas mãos apertava a coxa apetitosa ao lado de sua cabeça. Penetrou um de seus dedos, longo e grosso, na entrada estreita, recebendo um chupão um pouco mais intenso como resposta.

O ômega começou a lamber e beijar com mais avidez, usando as mãos para massagear o pênis de seu namorado e tentando umedecê-lo um pouco antes de coloca-lo na boca. Gemeu, sentindo o alpha colocar e retirar o dedo, apertando e provocando sua próstata de maneira certeira. Como ele conseguia sempre acertá-la sem demora? Quer dizer, até quando se masturbava, demorava pelo menos algumas tentativas para encontrá-la...

Gemeu baixinho, se concentrando na tarefa de lhe causar tanto prazer quanto ele lhe causava. Contudo, parou o que fazia quando percebeu que o alpha retirou o dedo e algo grosso, grande, duro e gelado, encostou em sua entrada. Corado, olhou por debaixo do corpo, tentando ver o que ele fazia, mas, não conseguiu uma visão perfeita, apenas vislumbrou a caixa preta ao seu lado. Aberta.

— S-Sangwoo! – exclamou num misto de vergonha e surpresa.

Ouviu uma risada libertina abafada e sentiu o objeto grande – provavelmente seu vibrador – penetrando-o lentamente enquanto o loiro começava a chupá-lo, sendo assim, duplamente estimulado. Soltou o ar, gemendo baixo e se arrepiando com o fato do alpha ter colocado lubrificante frio no aparelho que lhe invadia e ter a boca úmida e quente. Olhou para o membro a sua frente, embainhando os dentes atrás dos lábios e abocanhando-o. Colocou o máximo que conseguia no fundo de sua boca, chegando a tocar sua garganta.

Sangwoo gemeu rouco e sufocado, com o membro do pequeno em sua boca. O gosto dele estava particularmente agradável, pois, o estimulava tanto com o vibrador, que seu lubrificante natural escorria, descendo por seus testículos e misturando-se com seu pré-gozo, o que tornava tudo mais gostoso. Mexia o objeto em um vaivém agradável para o ômega, sentindo-o corresponder em lentas reboladas.

Os dois de moviam de forma que seus ritmos combinavam, e seus prazeres aumentavam.

Bum ofegava, tudo aquilo era tão bom, mas... Queria estimular mais Sangwoo, queria fazê-lo sentir mais prazer, corando, e de forma tímida, tocou sua entrada, contudo, sem penetrá-lo.

Imediatamente Sangwoo parou, tirando o membro do ômega da boca: — O que você tá fazendo? – perguntou confuso.

Bum parou também, soltando o pênis: — Não? – questionou sem graça. Virando-se um pouco e visualizando o rosto do loiro. Talvez estivesse pedindo demais... Mas, alphas também tinham próstata, sabia disso... Se o tocasse ali...

Sangwoo ficou um momento calado e Bum sentiu o vínculo lhe passar dúvida, receio, curiosidade...

— Ok. – foi a resposta baixa que ouviu, antes do alpha puxar seu quadril para mais perto, não o deixando ver seu rosto enquanto dissera aquilo.

Bum corou violentamente e ficou muito feliz. Deixara o alpha sem graça... Bom, isso variava um pouco as coisas. Olhou para as mãos e com concentração, recolheu as garras – com certeza, aquela era a última onda, estava fácil fazer isso – pôs o dedo na boca, molhando-o com vontade. Alphas não eram como ômegas, não se lubrificavam naturalmente.

— Vou continuar. – o loiro disse, ainda parecendo um pouco constrangido, voltando a chupar o pênis e movimentar o vibrador no ômega.

Bum também voltou a chupar o alpha, embainhando os dentes e colocando-o fundo na boca, com uma mão, massageava os testículos e com a outra, penetrava um dedo na entrada dele.

“Apertado...” – pensou vagamente, começando a mover o dedo.

Sangwoo corou e continuou a chupar, aquilo era... Desconfortável... Estranho... Por que diabos era tão curioso?

Bum continuou movimentando o dedo, tentando encontrar o ponto certo, sorrindo, quando o vínculo e um leve tremor do alpha lhe indicaram que achara. Começou a massagear o local, com cuidado, mas, intensamente.

Sangwoo suspirou e gemeu, com o pênis do ômega ainda na boca. Aquilo ficara... Diferente... Mas... Era bom...

“Ah, foda-se.” – pensou, chupando mais forte o pequeno e se permitindo sentir prazer com o toque inusitado dele.

Voltaram a encontrar um ritmo agradável a ambos, onde conseguiam se mexer e chupar ao mesmo tempo, gozando um na boca do outro em seguida.

Bum engoliu com certa dificuldade e retirou o dedo, virando-se para Sangwoo que o fitava implacavelmente enquanto também engolia.

Sentiu-se puxado, segundos depois, quando o alpha decidiu beijá-lo, fazendo os gostos em suas bocas misturarem-se.

“Ah... Sim... Nosso gosto é realmente bom.” – pensou o ômega, feliz por compartilhar aquele sabor único com Sangwoo.

“Definitivamente gostoso.” – refletiu o alpha, lembrando que a primeira vez que o ômega o deixara sem graça durante o sexo, fora dizendo que o gosto de ambos era bom. Amou comprovar o que ele dissera.

O alpha abraçou o ômega, aninhando-o em seu peito, e depois de um breve período, decidiram tomar um banho, quando voltaram ao quarto, adormeceram juntos.

Bum acordou, suspirando e sentindo o lençol delicado debaixo de si. Abriu os olhos e visualizou alguns livros ao seu lado, estranhou e sentou, pegando o primeiro da pilha.

— Acting Loving...? – questionou a si mesmo lendo o título. Parecia algum drama – com toques de mistério, pelo tipo de capa que possuía. Tinha algumas páginas com adesivos, onde havia teorias escritas a mão pelo Sangwoo. Isso era...

“Fofo...” – pensou, ruborizando levemente.

Nunca achou que Sangwoo fosse do tipo que criava teorias, ou as deixava em papéis adesivos nos livros em questão... Olhou para o alpha, e percebeu que ele lia outro livro, “Brilho”, parecia mais um drama, e o loiro tinha o semblante sério, mas, em alguns momentos, dava leves sorrisos.

— Sangwoo...? – questionou, chamando a atenção para si.

O alpha se virou: — Ah, acordou. – disse com um sorriso.

— Livros...? – perguntou incerto.

— Hm... – o alpha passou a mão no cabelo: — Você estava dormindo, eu estava entediado, mas... Não consegui te deixar sozinho, então, em um ato de coragem... – ele sorriu marotamente: — Corri para o andar de cima e resgatei alguns livros que queria ler. No caso, esse na sua mão, que já li várias vezes, a autora ainda não lançou o volume dois, e ele acabou cheio de teorias idiotas, ignora... Já esse aqui, eu comecei a ler a pouco... – ele sacudiu levemente o livro que estava segurando: — Me surpreendi, achei que como era sobre depressão, ia me deixar deprimido, mas, não, é bom. Muito bom, aliás... – disse soando surpreso.

— Não sabia que lia dramas ou romances. – Bum falou folheando o livro, que parecia levemente desgastado com o uso.

Sangwoo refletiu brevemente: — Leio de tudo. Se me entreter, tá valendo.

— Kailan...? – leu em voz alta um papel que estava logo no início, e que não parecia ser de teoria, já que apenas possuía o nome.

— Ah, esse... – Sangwoo fitou o papel: — Foi quando escolhi o nome...

— Escolheu o nome? – Bum mirou os olhos do alpha.

O loiro desviou o olhar, estranhando o fato de estar um pouco sem graça, Bum já sabia que lutava, não tinha nada a esconder: -... De lutador. – disse baixo.

Bum piscou algumas vezes: — Você tirou seu nome de lutador de um livro de mistérios...?

— Nós somos parecidos. – Sangwoo deu de ombros: — Fisicamente, ambos tivemos pais babacas, enfim...

O ômega piscou novamente, o alpha lhe contara sobre a mãe, mas, não sobre o pai...

— Seu pai era um babaca? – perguntou quase inocentemente, lembrando vagamente que da última vez que o loiro falara do pai, ele fora frio...

Sangwoo se calou. “Merda, merda!” – refletiu, sentindo que a pergunta do menor teria uma resposta, ele querendo ou não, afinal, o vínculo estava ali, pairando sobre eles. Seu rosto ficou pálido.

Bum sentiu o vínculo lhe passar uma angústia...

Terror...

Raiva...

Eram tantas emoções negativas, misturadas com vergonha e... Ódio.

Não sabia como o pai de Sangwoo era, nunca havia visto uma foto, mas, em sua mente, ele lhe parecia um monstro terrível...

Sacudiu a cabeça, e pela primeira vez, desejou não ter o vínculo. Não porque se assustara com a avalanche de sentimentos ruins, ou com a imagem que o alpha lhe projetara do próprio pai, não era por nada disso... E sim porque parecia que estava invadindo, forçando... Não queria isso...

Respirou profundamente, e sem saber o que fazer, abraçou o alpha com força: -... Qual é o doce preferido do átomo?– corou ao perguntar.

Sangwoo piscou muitas vezes, antes de abrir a boca: — Quê...? – questionou atônito.

— Pé-de-moléculas! – respondeu rapidamente, ainda vermelho, o ômega.

—... – o alpha baixou a cabeça, cobrindo o rosto com uma das mãos: — Isso foi... – ele conteve o sorriso: — Horrível.

— Eu sei... Me desculpe... – Bum nunca sabia o que fazer em uma situação tensa, apelou para as piadas terríveis da Myung-Hee, mas, ele precisava distrair a mente do loiro, e a sua também. Não forçaria o assunto... Não era assim... Não o invadiria dessa forma.

— Essa piada nem fez sentido...

— Sério que você tenta achar sentido em piadas? – o ômega riu baixinho, levemente corado. Mais tranquilo por terem mudado de assunto.

— É... Como a do hidrogênio... Já que estamos falando de química. – o alpha deu de ombros.

— A do hidrogênio? – Bum piscou muitas vezes.

— É, sabe, quando o hidrogênio foi preso, disseram que ele poderia ligar para alguém... – ele falou vagamente.

O moreno inclinou levemente a cabeça: — E?

— E ele disse que não podia, porque não tinha família. – o alpha finalizou como se dissesse algo muito óbvio.

Bum piscou, segurando o riso: — Isso é pior.

— Não é não. – protestou o alpha.

— É sim, definitivamente, muito pior. – o ômega riu.

— Mas você tá rindo! – o loiro se aproximou.

— Não é pela piada... – contestou o moreno, colocando uma mão sobre a boca.

— Tá rindo do que então... – Sangwoo puxou o pequeno para seus braços, abraçando-o por trás.

— De você... – ele já não controlava mais a risada.

— De mim, é? – o alpha começou a fazer cócegas no menor, vendo-o gargalhar em seus braços.

Bum não aguentava, era fraco contra cosquinhas: — Para!!! Para!!! Por favor...! – ele ria descontroladamente.

— Qual a piada mais engraçada então? – provocou o alpha, aumentando o ritmo das mãos e as risadas do ômega.

— A da Myung-Hee! – quase gritou o ômega, contestando aquela chantagem.

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O alpha abriu a boca, em um perfeito ‘o’, deitando o ômega em cima do colchonete e ficando sobre ele: — Agora você me paga. – disse ameaçadoramente.

Bum corou, ofegante com a pausa, mas logo voltou a rir descontroladamente, quando o alpha voltou a ataca-lo.

— Ah!!! É a sua!!! A sua piada é mais engraçada!!! – ria o ômega, desistindo da resistência.

O alpha então parou, sorrindo vitorioso: — É bom mesmo. – disse se aproximando e dando um beijo doce e gentil sobre os lábios do ômega.

Bum correspondeu o beijo e sorriu, nunca passara um cio dessa forma: — Obrigado.

Sangwoo não entendeu muito bem e Bum riu baixinho, não se dando trabalho de explicar.

Notas finais
Acting Loving e Brilho são duas fanfics de KS que amo ♥ Então, fiz referência a elas como homenagem ^-^. Obrigada a todos que leram ♥