Destinados...?
38 Realidade
Young observava o braço arroxeado debaixo da água fria que corria por seu corpo. Fechou os olhos. O braço fora uma marca deixada por Seung, quando tentou segurá-lo no hospital, os chupões em seu pescoço e os arranhões em suas costas, já eram provas de sua fraqueza emocional.
— Porra... – murmurou a garota encostando a cabeça na porcaria dos azulejos floridos do motel onde fora parar.
Respirou fundo. Saindo e pegando uma das toalhas... Quem sabe ele já tivesse ido embora... Demorara um bom tempo naquele banho... Ele já poderia ter desaparecido de sua vida novamente.
Abriu a porta.
O rapaz de cabelos vermelhos comia amendoins enquanto olhava com completo desinteresse um filme pornô que passava na TV.
Suspirou.
Não tivera tanta sorte. Merda.
Olhou ao redor, procurando suas roupas...
Quando saiu do hospital, naquele dia infernal, com uma puta dor de cabeça – presente de seu querido líder – o encontrou esperando dentro de seu carro. Quase teve um ataque de fúria. Como ele ousava entrar no seu carro?
"- Mas, eu avisei que viria." – ele respondeu com um sorriso desgraçado.
Estava cansada, ele a convenceu – como sempre – que queria apenas conversar. Acabaram na droga do motel, e agora, ali estava ela, procurando a porcaria das roupas.
"Onde tá a merda da calcinha?" – se questionou olhando ao redor.
Caralho.
Cacete.
Quando ia aprender?
Achou a calcinha e colocou. Foda-se o sutiã ia embora dali sem. Já sentia os próprios olhos marejarem. Como se não bastasse à onda de infelicidade que Sangwoo estava passando, tinha de ser burra e fazer besteira...
"Que líder imbecil fui arranjar, não tá conseguindo nem disfarçar..." – refletiu por meio segundo, enquanto vestia a saia e a blusa.
— Já vai? – a voz levemente arrastada à fez fitar o rapaz que se esticava, preguiçosamente, em cima da cama.
— Óbvio. – respondeu o mais friamente que pode, procurando seus sapatos.
— Hm... Você deve estar exausta depois da confusão no hospital. – o ruivo sorriu: — Normalmente não para antes de pelo menos três... – disse pensativo: — Ou talvez, esteja ficando velha?
Ela atirou o sapato nele: — Quer calar a boca? É óbvio que eu estava cansada. Na real, exausta. Ainda estou e vou para casa! Sem mais "conversas" com você.
Ele riu: — Você notou que atirou o sapato em mim? – deu um sorriso debochado: — E agora ele está comigo? – mostrou o dito cujo em suas mãos.
Porra. Às vezes, ela era muito burra...
Respirou fundo, pegando o resto de suas roupas, incluindo seu casaco e o sutiã, que achou em cima da cômoda, atirado. Bom, ficaria sem um pé do par de sapatos. Virou de costas e andou até a saída do quarto.
— Você queria saber por que eu voltei... Esqueceu?
Young hesitou, sabia que deveria sair daquele quarto e aquela era sua chance, se desse conversa a ele, algo ruim aconteceria... Sempre era assim... Mas... Por que ele voltou?
Fitou de canto o rapaz que comia mais um amendoim como se fosse a pessoa mais inocente do planeta.
Chris sempre fora uma incógnita. Quando namoraram, a conquistou, a usou, e quando contrariado, a largou sem pensar duas vezes. Ele era perigoso. Foi com ele que descobriu que era bobagem achar que ômegas eram ingênuos. Se havia um demônio na porcaria da Terra, esse demônio era ele. E ela não falava isso como metáfora. Já o vira fazendo muitas coisas...
Já se envolvera em muita merda...
Merda essa que deixara para trás.
Quando aquele maldito ômega terminou, caiu fundo, mas, se ergueu. Estava finalmente bem. Já não descia tão baixo quanto antes...
"Droga." – fechou os olhos, respirando fundo e largando a maçaneta, virando-se para a encarnação das trevas.
— Por que você voltou?
O rapaz a fitou, seu olhar era felino, como um tigre que tinha a presa exatamente onde e como queria. Levantou devagar, sabendo que seus movimentos eram acompanhados, mesmo que involuntariamente, pela garota parada na porta.
— Se eu disser que foi por você, acredita? – ele sorriu, gentilmente, quase doce.
— Só se eu tiver algo que você deseja muito. – ela estreitou o olhar.
O que ela poderia ter que fosse do interesse dele? Isso não fazia sentido. Afastara-se dos negócios da família exatamente porque não queria ter mais envolvimento com ele, porque sabia que ele apenas queria usá-la e se assumisse a direção dos hospitais, ele voltaria...
O rapaz liberou os próprios feromônios e Young prendeu a respiração.
Merda. Sabia que era uma armadilha, por que ficou ali?
— Vou embora. – disse sem pensar, virando de costas e voltando a pegar na maçaneta.
Sentiu o corpo do rapaz contra o seu e a mão dele sobre a sua, impedindo-a de sair.
— Por quê? – ele sussurrou.
Young fechou os olhos. Era fraca contra ele. Sempre fora fraca contra ele.
"Por favor... Alguém..." – implorou mentalmente.
Precisava de ajuda. Precisava sair dali. Precisava de alguém, qualquer um...
Mas, todos estavam exaustos, e ela sabia disso.
Seja lá o que Sangwoo fizera no hospital, deixara-os cansados, mentalmente falando, apesar da ligação estar ali, ela sabia que eles não a ouviam, e ela não conseguia gritar suficientemente alto para forçar que eles a ouvissem.
— Sabe Young... – ele abraçou a cintura da garota, encostando seus lábios sobre a orelha da mesma.
— Não...
Ela sabia o que ele ia dizer... Seu coração estava disparado, e ela não queria ouvir.
Ele mordiscou a orelha e ela fechou os olhos.
— Por favor... Chris... Não faz isso... – ela sentia seus olhos marejarem.
Young realmente gritava em sua mente "Qualquer um... Por favor...", tentando forçar a ligação ao máximo, mas, não, ninguém a ouvia.
Era tão fraca. Tão idiota em cair naquele local. Tão besta.
E estava só. Como sempre esteve.
E mesmo se a ouvissem... Eles viriam?
A garota abriu os olhos, encarando a porta.
Ela se metera naquilo sozinha, por que eles viriam atrás dela? Ajudá-la? O que ganhariam com isso? Sempre era ela que os metia em encrencas. Como na vez da boate.
Suspirou.
Talvez fosse seu destino ter que ouvir aquelas palavras, aguentar o estrago que fariam em seu coração e alma, e ser manipulada como uma marionete pelo seu ventríloquo. Talvez no fundo até sentisse saudades delas, o que a matava vagarosamente...
Não havia nada de bom nelas, e o significado original, há muito havia se perdido. Elas eram uma arma na boca dele, e ele como sempre, não hesitava em usar contra ela.
— Eu te amo.
~*~*~*~*~
Myung-Hee sentiu seu sangue gelar enquanto Bum piscava, calmo e confuso, em sua direção.
— Myung-Hee...? – o garoto murmurou, vendo a enfermeira voltar com o copo com água, lhe entregando. Bebeu o líquido tranquilamente.
— Bum... – a baixinha respirou fundo, e tentou dar seu melhor sorriso: — Que dia é hoje?
O rapaz piscou, pensando um pouco: — Dia quinze... Acho... – ele fitou a garota, ainda mais confuso: — Por quê?
Myung-Hee respirou aliviada, ele sofrera o acidente dia quinze, era normal ainda achar que era o mesmo dia, pelo menos, ele sabia em que data se encontrava. Mas, por que parecia não se lembrar da Yangmi e dos outros? Não... Espera...
— De que mês? – perguntou a garota séria.
Bum refletiu, por que ela estava lhe fazendo essas perguntas?
— Dia quinze de outubro, não?
A garota deu um pequeno gritinho, assustando a enfermeira que não prestava real atenção à conversa.
— Você está bem? – perguntou a enfermeira, percebendo que a garota empalidecera.
— Ele... Ele... – ela apontava para Bum sem conseguir formar uma frase completa: — Ele acha que é outubro! – disse finalmente.
A enfermeira fitou o rapaz na cama, então a garota, depois a porta, onde alguém parecia prestes a entrar: — Por favor, mantenha a calma. – apertou o botão de emergência e foi barrar a entrada de seja lá quem fosse. O primeiro que deveria falar com Bum a partir daquele ponto, era o médico.
E foi exatamente o que aconteceu.
Bum teve de responder novamente em que dia, mês e ano estavam, qual era seu nome, idade e basicamente, a última coisa que lembrava. Depois de ficar absurdamente confuso, o médico, calma e cuidadosamente, lhe relatou que estavam no dia dezoito de janeiro – o sol estava nascendo, e que ele não se lembrava dos últimos três meses. Que ele sofrera um acidente em sua formatura, dia quinze – durante a noite, e que por causa disso, teriam de fazer novos exames, verificando se o dano era físico.
No momento, o ômega fitava as próprias mãos, enquanto aguardava ser levado para os exames. Seu corpo estava dolorido, principalmente o baixo ventre... Mas, sua cabeça parecia intacta, nenhuma lesão à vista... Claro, não era médico, contudo, tudo soava insólito...
Não que não estivesse com dor de cabeça... Entretanto, o que mais lhe deixava agoniado era o intenso vazio que sentia em seu peito...
Como se algo precioso tivesse sido arrancado de dentro de si. Queria se encolher, e chorar no colo de alguém, mas... De quem?
Virou o rosto para a janela e observou os flocos de neve que caíam irregularmente em meio as suaves cores do amanhecer.
Três meses...
Por que esquecera três meses de sua vida?
Foi o acidente? Suas pernas doíam, seu baixo ventre e peitoral estavam dormentes, e tinha quase certeza que possuía pontos... Tocou novamente na cabeça. Não. Nada. Não doía em lugar nenhum...
Suspirou.
Além da aflição em seu coração, também tinha de lidar com o fato de que ninguém podia falar com ele até o médico ter uma noção completa do que estava ocorrendo, e isso era irritante. Lembrou-se do rosto de Myung-Hee quando disse que nunca falara com Kaa Yangmi...
"Ela parecia absurdamente chocada...".
O que isso significava?
"Bom, com certeza, eu conversei com a Kaa Yangmi durante esse tempo... A ponto dela se preocupar comigo... Ela e toda a manada.".
Isso não fazia o menor sentido. Kaa Yangmi era o braço direito de Sangwoo, o que a manada dele...?
Seu semblante ficou pensativo.
"Talvez eu tenha me declarado para o Sangwoo e nós começamos a namorar?"
Houve um momento de reflexão, a mente de Bum em completo silêncio...
Até ele soltar uma risada alta.
— Ah, tá bom. – ele riu consigo: — Como se algo assim fosse possível... – voltou a olhar pela janela, suspirando.
A porta abriu, duas enfermeiras entraram e ele foi colocado, com calma, em uma cadeira de rodas para ir fazer os exames, ao sair do quarto deparou-se com seus avós, Myung-Hee e parte da manada de Sangwoo. Com o próprio incluso.
"Eles realmente estão aqui..." – ficou um tanto chocado.
"Ele está aqui...".
Seus olhos involuntariamente foram para os do rapaz, corou imediatamente com a intensidade com a qual o alpha lhe observava, baixou o olhar, fitando o lençol sobre suas pernas. Seu coração estava batendo tão acelerado que parecia que sairia por sua boca.
Sangwoo nunca o fitara daquela forma... Ou já... Por que tinha a sensação que sim... Ele já o observara daquela maneira, ele já o olhara assim, tão intenso e...
Que nome daria àquilo? 'Apaixonadamente'? Impossível... Não?
Voltou a olhar, mas, o alpha já não o observava, ele conversava com Kaa Yangmi, que falou algo para os outros membros do grupo, afastando-os. Só então o ômega percebeu que o loiro estava com sua roupa parcialmente manchada e ele se encontrava visivelmente pálido e cansado.
Teve vontade de chama-lo, mas, sua cadeira foi virada.
De qualquer forma, nem mesmo sua avó poderia acompanha-lo, as enfermeiras impediriam...
O pensamento o fez corar novamente, queria ser acompanhado por Sangwoo? Era isso?
Que loucura... Sangwoo nunca o acompanharia, eles mal se conheciam, não sabia a razão do alpha e sua manada estarem ali, entretanto, com certeza, não deveria ter nada a ver com ele... O coração de Bum contestou aquele pensamento.
'Porque ela estava preocupada com você... Toda a manada está...'.
As palavras de Myung-Hee ecoaram por sua mente. Não. Ele era a razão. Olhou para trás, uma última vez, e reencontrou os olhos do rapaz. Naquele instante, Bum tinha certeza que se o chamasse, ele viria. A certeza era tanta que o assustara. Ao mesmo tempo, percebeu que um dos membros da manada, uma garota, tinha quase certeza que o nome dela era Min Jieun, se pôs na frente do alpha e parecia estar lhe falando algo.
Era inusitado...
Sangwoo falava com a garota, contudo ainda lhe fitava... Quase como se esperasse que qualquer palavra saísse de seus lábios.
Desviou o olhar.
Não tinha ideia do que estava acontecendo, entretanto, se sentia estranho, muito estranho.
~*~*~*~*~
Yangmi olhou para Jihoon: — Você pode comprar alguma roupa para o Sangwoo? Ele conseguiu se sujar de novo brigando com o Seungbae e duvido que a gente o convença a sair daqui dessa vez.
— Claro. – respondeu o rapaz loiro e baixo, levantando do banco em que sentara após a saída de Bum do quarto e a ordem de Sangwoo deles permanecerem o mais distante possível até os médicos saberem o que houve.
"Como piorar a situação já delicada? Coloque uma ômega maluca com o Bum até a gente voltar..." – o rapaz suspirou com o pensamento.
— Leva o Chung-Ho com você. – ela sorriu amistosamente.
Jihoon ficou sem resposta, olhou de canto o garoto ao seu lado. Haviam se separado após Sangwoo decidir ir para casa e ambos retornaram há pouco; chegara antes dele, diga-se de passagem. Espera, por que seus pensamentos se focaram nisso?
"Fiquei esperando por ele, por acaso?" – revirou os olhos para si, indignado com sua falta de discrição.
Depois que o outro chegou, eles se viram, mas não se falaram. Sinceramente? Não tinha a porra da ideia do que estava acontecendo entre eles, se é que estava acontecendo algo...
— Por quê? – ouviu a voz de Chung-Ho confuso.
— Você tem o tamanho parecido com o Sangwoo. – ela deu de ombros.
Jihoon tossiu. Isso era uma mentira deslavada. Chung-Ho era mais magro que Sangwoo, eles vestiam tamanhos diferentes, no máximo, tinham a mesma estatura... Encarou Yangmi em um óbvio 'O que você está falando?'.
A garota se aproximou: — Não disse do quê. – sussurrou em seu ouvido o fazendo arregalar os olhos.
Ah... Ok... Isso...Bom, nisso, realmente... Espera. Ele não deveria estar pensando nessas coisas... E no que eles terem o tamanho parecido nisso ajudaria em qualquer coisa?
Chung-Ho ergueu a sobrancelha: — Nem fodendo tenho o tamanho parecido com o Sangwoo.
Yangmi soltou uma gargalhada alta: — Tem sim que eu sei. – ela riu mais.
Chung-Ho piscou confuso.
— Está sentindo isso? – Yangmi parou de rir e tocou na cabeça do alpha: — Essa dor de cabeça infernal? Pois é, ela está em todos nós, não tem solução e... Estamos mais fracos. Eu li que, meio que agora, é a oportunidade perfeita para outra manada nos atacar, entende?
— Você anda lendo mangá demais... – ele suspirou.
— Só acompanha o Jihoon, caralho. – ela ficou levemente puta.
— Aff, ok. – Chung-Ho deu de ombros, percebendo que Jihoon saíra: — Arg, já notei que a dor de cabeça vai aumentar. – murmurou, dando uma breve corridinha até o pequeno.
Yangmi sorriu e fitou ao redor. Jieun conversava com alguém por telefone, Dongyu digitava no celular, os avós de Bum estavam sentados e abraçados em um dos bancos. A senhora levemente pálida e triste e o senhor sério, com o semblante até um pouco irritado. Seung, Taehyun, Yura e Young não estavam.
"Sangwoo..." – a garota mirou o melhor amigo e líder à distância.
O alpha se encontrava sentado, parecia centrado em seu próprio mundo, completamente isolado dos demais.
— Você está bem? – Myung-Hee se aproximou com a pequena Cho-Hee em seus braços.
— Não. – disse séria: — Como ela tá?
— Entediada... — Cho-Hee concordou com a cabeça. Ficar em hospital era chato. Ponto final. Queria ir para casa, só que a mãe não tinha com quem deixa-la... Suspirou, sendo uma boa menina, como a mãe pedira, contudo, com certeza exigiria sua recompensa posteriormente: — Mas, não parece tão afetada por essa angustia... – a garota olhou de canto para o alpha líder: — Ele não tá conseguindo controlar, né?
— Nem perto... – Yangmi murmurou: — Não sei o que falar pra ele... O sentimento piorou depois do que você contou...
— Não era exatamente essa a minha intenção... – lamentou a baixinha.
— Claro que não, é só que, muita coisa para absorver. – ela sorriu para a companheira: — Sua cabeça tá doendo, Cho-Hee?
— Hm, mais ou menos. – a pequena comentou meio que dando de ombros enquanto mexia no cabelo da mãe. Iria fazer uma trança nela. Era isso.
Sangwoo fitava o teto, Bum estava visivelmente bem. Fechou os olhos. Isso era bom. Todavia, o lance da memória o pegou desprevenido. Ele esquecera? Tudo? Todos os momentos que passaram juntos? O olhar confuso dele confirmara o que Myung-Hee dissera antes... Merda...
Abriu os olhos.
Como pediria perdão a alguém que nem lembrava o que ocorrera?
Suspirou.
Estava muito cansado. Perdera a consciência depois de apanhar vergonhosamente para a porcaria do Seungbae, acordara numa das macas do hospital e ficara ali desde então... Sua manada foi chegando aos poucos, indo embora, voltando...
Seus pensamentos o transportaram novamente para o olhar surpreso de Bum ao vê-lo.
"Conforme a Myung-Hee, ele acha que é dia quinze de outubro... Foi o dia que o mordi. Mas, ele não parece lembrar-se dessa parte, ou não estranharia tanto a minha presença...".
Tinha certeza que a amnésia de Bum era dissociativa, causada devido ao trauma e a forma como aquilo lhe fora dito. Claro, os exames eram necessários, mas, sua certeza a respeito disso não se abalava.
Em uma amnésia dissociativa, normalmente, todas as memórias ligadas ao trauma se perdem. O trauma, com certeza, fora a perda do bebê. Sangwoo refletiu, Bum deveria ter associado o fato de ter sido mordido, com o cio que o engravidou e o filho deles...
"Ele não associou a mim... Ou teria ido mais longe que isso...".
De certa forma, ficou aliviado. Sentir-se-ia muito mais perdido se Bum tivesse retornado ao primeiro dia que se conheceram...
— Sangwoo. – ouviu a voz de Jieun e olhou para frente, a garota o observava atentamente.
— O que foi? – soou mais ríspido do que gostaria, só que não estava conseguindo evitar.
— Desculpe ser portadora de mais más notícias, mas, minha família não vai conseguir tirar a restrição. – ela sentou ao seu lado: — Eu liguei para meu pai, conversei com a minha mãe, só que nenhum dos dois vê uma forma, não sem provar que você não tem nada a ver com o acidente.
Sangwoo suspirou: — Achei que era 'inocente até que se prove o contrário'.
— Sim. Mas, nesse caso, a vida do ômega corre perigo, é preventivo, entende?
— Aham. – voltou a fitar o teto. Não poderia falar com Bum por quanto tempo? Ah... Não queria passar por isso... Queria ficar ao lado dele e ter ele ao seu... Era egoísta querer tanto isso?
— E aí... – a voz de Young se fez presente e Sangwoo desviou o olhar para ela.
A garota não parecia bem, tinha olheiras e estava visivelmente cansada, como ele.
— Oi... – Jieun soou preocupada ao ver a amiga naquele estado.
— Que dia. – se jogou em uma das cadeiras, tinha acabado de chegar: — Você tem como parar com isso? – ela fitou acusadoramente Sangwoo.
— Parar com o quê? – ele ficou realmente confuso.
— A porra da dor de cabeça.
— Young! – Jieun chamou a atenção da mais jovem. Sangwoo estava exausto, e meio que ninguém comentara nada com ele, exatamente para evitar que ele se desgastasse ainda mais... Não era como se o alpha enfiasse dores de cabeças goela abaixo deles, todos os dias.
— Quê? – a garota usou o mesmo tom que Jieun, deixando claro que não. Não queria ficar com aquela merda em sua cabeça.
Sangwoo piscou, só nesse momento percebendo que estava sem barreira nenhuma. Amaldiçoou algo aleatório em voz baixa. Reerguendo todas as suas barreiras com a manada. Porra, nunca fora tão desligado nesse ponto.
Respirou fundo. Aquilo era mais estressante do que pensara.
— Ah... Melhor... – murmurou Young, atirando a cabeça pra trás e fechando os olhos.
— Aqui. – um copo de café e um sanduíche apareceram na frente de Sangwoo, que tentava não reparar que sua dor de cabeça aumentara muito depois de forçar sua mente novamente.
— Hã? – olhou quem segurava a pequena bandeja, erguendo uma sobrancelha: — Quer me envenenar? – perguntou irônico.
Seungbae revirou os olhos: — Se eu quisesse te matar, você já estaria morto, não?
—... – Sangwoo pegou o café e bebeu, mas, recusou o sanduíche.
— Você precisa comer.
— Estou sem fome. – disse apenas. E era verdade. Não tinha estômago para alimentos, e na real, já estava se forçando a beber a porcaria do café.
— Vou falar com alguém hoje à tarde. – Seungbae deixou o sanduíche ao lado de Sangwoo: — Ele é detetive, vou pedir para investigar o acidente do Bum.
— Achei que o conselho estava fazendo isso... – murmurou Jieun.
— O conselho está, mas, eles já têm um suspeito, certo? A investigação deles provavelmente está mais voltada para provar que o Sangwoo é culpado, do que para encontrar quem fez isso...
— Isso é errado em tantos sentidos... – Jieun cruzou os braços, indignada.
— É a realidade, só podemos lidar com ela. – Seungbae respondeu seriamente.
Sangwoo fitou o corredor, se desligando da conversa e observando Bum voltar de seus exames.
O olhar dos dois se cruzou novamente. O moreno corou e desviou, estava visivelmente confuso e sem graça. Continuava adorável. Levaram-no para dentro do quarto.
O alpha fechou os olhos.
"A realidade...".
'Realidade' era algo relativo naquele momento. A sua realidade eram os três meses que vivera com o pequeno... Já a realidade dele... A realidade de Bum...
Começou a lembrar das conversas que teve com o ômega, bom, se recordava bem... Ele já gostava dele, só não tinha coragem de se declarar, até roupas dele já havia comprado...
"Na realidade dele, ele tentou se declarar para mim no final do semestre passado. Mas, fugiu.".
Lembrou-se do pequeno o parando, vermelho, contudo, fora Yangmi, né? Que o fizera se virar e quando voltou, ele já não estava lá.
"Ele desistiu de mim. Mas, não me superou. Não nesse ponto da realidade dele."
Sangwoo abriu os olhos.
"Se ele ainda se sente assim, tenho chance. Não vou desistir dele... Não sem ter dado o máximo de mim." – respirou fundo.
— É. Eu vou lidar com isso. – levantou, pegando o sanduíche e comendo.
Precisava descansar. Havia um chuveiro no hospital, na área dos médicos, tomaria um banho. Dormiria. Caminhou até Yangmi que falava com Seung que acabara de chegar.
— Seung, quando o Jihoon chegar, leva as roupas que ele comprou para a área de descanso?
O rapaz piscou algumas vezes: — Hã, claro. – confirmou um pouco surpreso.
— Como você sabe que eu pedi... – começou a garota, mas, foi interrompida.
— Yangmi, você me compra cigarros e coloca junto com as roupas? Vou precisar quando acordar. Depois te pago. – o rapaz se esticou um pouco.
Ficar naquele estado não adiantaria nada, e não era do tipo que vivia por lamentação. Aquela era sua realidade? Ok. Daria um jeito nela.
— Ah, também vou precisar de outro favor... – ele fitou a melhor amiga.
~*~*~*~*~
Bonhwa, médico responsável por Bum, terminava de relatar o fato, já esperado, à família e amigos do ômega. A amnésia do rapaz era dissociativa, e ele explicava todas as consequências disso... Sinceramente, era a primeira vez que tinha um caso tão... Complicado. Sem ser por razões médicas.
Depois que ordenara não haver visitas ao garoto, teve de lidar com a representante do Conselho Ômega tentando burlar suas ordens duas vezes – exatamente como ela estava fazendo ali, naquele instante, estando presente mesmo quando ele falara que o anúncio era apenas para amigos e familiares do paciente, no fim, permitiu que a amiga de Bum ficasse no quarto – junto com um membro da manada de Sangwoo, afinal, a ordem de restrição era apenas para o líder. Contudo, nunca passou pela sua cabeça que ele acordaria sem memória. Respirou fundo.
— E isso foi causado, exclusivamente, por trauma psicológico? – uma mulher de cabelos curtos, contudo, postura decidida, o fitava seriamente, Jieun se encontrava ao seu lado.
— Sim. – respondeu o médico.
A avó de Bum começou a chorar abraçada no marido: — Isso foi culpa sua! – disse olhando Iseul.
A representante não deu importância para a acusação: — Só preciso saber quando poderei interrogar o rapaz em paz.
O médico abriu levemente a boca, um tanto indignado com a falta de sensibilidade da mulher.
O senhor teve de ser segurado pela esposa: — Ora, sua...! – disse irado.
— Nunca. – respondeu a mulher de cabelos curtos, até então, desconhecida pela maioria presente: — Não enquanto a família Yoon estiver sob os cuidados de nossa firma. Com o dano psicológico que você causou, eu diria que deveria estar mais preocupada com seu emprego, do que com o interrogatório.
— E você seria? – Iseul ergueu a sobrancelha.
— Dr. Min, para você. – a advogada estendeu um cartão: — Afinal, você será devidamente processada, é bom saber por quem. – ela sorriu.
Iseul pegou o cartão 'Min Advogados', se a mulher tinha boa memória, eles eram parte do grupo de elite de Sangwoo. Foi pega de surpresa. Não imaginava que se dariam ao trabalho de defender o ômega... Se bem que, seria com a filha deles, não? Que o rapaz ficaria. A mulher observou Jieun.
— Vocês não conseguirão fazer nada contra mim. – disse decidida.
— Ah. Vamos sim. – Dr. Min sorriu friamente: — Temos testemunhas de seu abuso de poder, além de sua quebra de protocolos em caso de acidente, sem contar, todo o dano causado à vítima, que você, supostamente, deveria estar cuidando. Senhora Park Iseul, eu diria que a senhora está com muitos problemas. E acredite, a qualquer momento, você já deve receber uma ligação esclarecendo que nem deveria estar aqui.
Como se a mãe de Jieun tivesse adivinhado o exato momento, o celular de Iseul tocou, assustando-a levemente pela precisão do ocorrido. A advogada sorriu e a representante saiu para atender o telefonema.
A mulher de terno refinado e sob medida, virou-se para o casal de idosos que a observavam espantados. Bom, ela não havia sido contratada para o caso, na realidade, sua filha explicara a situação e eles assumiram o controle sem uma real posição da família, a questão era: Seu marido não dera muita importância, mas, ela no fundo sabia que Sangwoo só estava impedido de ver Bum porque não deram tudo de si para prender Taeyang. Além disso, seu sobrinho já havia atentado contra a vida daquele menino duas vezes, o mínimo que poderiam fazer era auxiliar a família.
Enquanto a mãe de Jieun refletia em como contar sobre isso aos idosos, o senhor pensava em como iria pagá-la. Ela parecia uma excelente advogada, contudo, 'absurdamente cara' berrava de qualquer ângulo que ele olhasse... E ele não tinha muita fé no coração bondoso de advogados.
— Não temos como pagá-la. – sua esposa se adiantou, alertando a advogada.
A mulher piscou diversas vezes, surpresa pela sinceridade tão clara, entretanto, sorriu como resposta: — Nossa firma não irá cobrar de vocês, afinal, seu neto é um membro importante da manada de nossa filha.
O senhor piscou, então, aquilo era o que significava 'proteger os seus' quando se tratava de alphas? Não era para menos que eles controlavam a maior parte das coisas importantes da sociedade...
Nunca foi de pôr fé nessas coisas, desconfiado era seu sobrenome, entretanto, uma advogada com porte e fala imponente, parecia disposta a defender seu neto de graça e dar um jeito naquele ser abominável que o Conselho Ômega mandou para 'cuidar' dele. Era só ler o contrato direito – caso tivesse que assinar alguma coisa. Respirou profundamente. Não iria reclamar ou contestar. Estendeu a mão para a mulher.
A Dr. Min apertou a mão do senhor com firmeza. Estava confiante de que conseguiria uma troca imediata de conselheira, além das devidas punições e indenizações em um caso como aquele. Só sentia muito não ter conseguido retirar a restrição judicial...
~*~*~*~*~
Bum se sentia cansado e a comida do hospital não era, exatamente, apetitosa. Não podia ingerir nada sólido, o que ele considerava ser o fator principal da comida não lhe descer tão bem...
Suspirou.
Não tinha nada para fazer... Não podia mexer no celular, mesmo que tivesse livros, não se sentia bem para lê-los, contudo, não estava cansado o suficiente para dormir...
A porta abriu e automaticamente fitou em sua direção.
Uma menininha entrou, ela tinha cabelos longos e usava uma camisola hospitalar, provavelmente, paciente do local. Ela, habilidosamente, sentou na cadeira ao seu lado, deixando cadernos na pequena cômoda próxima, e uma sacola aos seus pés. Deu um profundo suspiro, como se a atividade tivesse sido bastante exaustiva. O fitou, seus grandes olhos curiosos o miravam atentamente.
— Lembra de mim? – perguntou esperançosa.
Bum abriu levemente a boca. A conhecia? Ela era tão pequena e graciosa... Mas, não frequentava a creche... Seria uma aluna nova? Se a tivesse visto antes, se lembraria, ela era notável pela fofura. Ah... Havia se esquecido dela também? Sentiu-se culpado...
Ela suspirou profundamente, um pouquinho triste ao perceber que Bum não lhe respondera positivamente.
A culpa de Bum aumentou: — Desculpe... – disse sem saber o que falar.
— Não tem problema. – murmurou, obviamente, mentindo: — Ele disse que você não lembraria... – sacudiu de leve a cabeça, um pouco desanimada: — Meu nome é Yejin. — ela lhe contou com um sorriso pequeno, contudo, doce.
O ômega queria, seriamente, mordê-la, mas, obviamente, se controlou: — Quem disse que eu não lembraria?
— O doutor... – ela refletiu: — Ele disse que não tinha caráter o suficiente para não me usar. – a menina deu de ombros, pois, não entendia o que ele quis dizer com aquilo: — Também disse que você não se importaria de desenhar comigo, como da última vez. – o sorriso dela aumentou, apesar de extremamente tímido, nova esperança em seu olhar.
Bum não fazia a menor ideia do que acontecia, mas, aquela garotinha fofinha estava pedindo para desenhar com ele, e ele não tinha nenhuma razão para recusar. Correspondeu o sorriso da menina: — Claro. Vamos desenhar o quê?
A pequena se empolgou entregando um dos cadernos a Bum: — Qualquer coisa, né? – ela respondeu baixinho, contudo, satisfatoriamente contente: — Ah!!! – a pequena lembrou-se de algo importante, abrindo a sacola a seus pés e tirando um sapinho de pelúcia de dentro: — Ele também pediu para te entregar isso, disse que é seu...
Bum fitou o sapo com curiosidade.
— Ele disse que... – ela pensou bem, tentando lembrar as palavras perfeitamente: — Como ele não estava na sacola, ele pode pedir para pegarem... E que foi muito difícil conseguir ele, por isso, você deveria o valorizar tanto quanto os outros! – a garotinha sorriu, contente por ter dado o recado perfeitamente.
O doutor, que não tinha caráter suficiente para não usar a menina, pedira a ela para entregar aquele sapo supostamente seu... Estava confuso, entretanto, extremamente curioso.
"E este sapo não estaria em uma sacola... Hm... Que sacola será essa?" – o ômega observou o sapo.
Ele era verde e pequeno, fofo, o tipo de pelúcia que gostava, contudo, que teria vergonha de pedir.
Sua mente viajou...
Sentia frio...
E alegria...
...
— Um sapo? – disse vendo a pelúcia sendo pega pela garra e levada até o tubo para ser retirada.
— Eu tenho que pegar ele antes de conseguir chegar nela... – Sangwoo o olhou de canto: — Não é tão fácil pegar um específico, sabia?
Sentiu seu rosto corar: — Sei... – olhou a coelhinha dentro da máquina. Ela era tão linda... Realmente queria muito ela.
— Mas... Vou pegar qualquer um que você queira tanto assim.
Foi quase um sussurro, entretanto, Sangwoo realmente dissera aquilo.
...
Bum sentiu uma lágrima descer por seu rosto.
— Você tá bem? – a pequena perguntou genuinamente preocupada.
— Sim... Sim, estou. – o ômega sorriu, secando a lágrima rapidamente.
Aquilo... Fora uma lembrança, não? Ele parecia estar em um encontro... Um encontro com Sangwoo...
Estava feliz, muito, muito feliz, mas... Por que se lembrar da coelhinha doía tanto?
Fitou seriamente o sapo.
"Você não estava na sacola..." – tentou forçar as lembranças.
...
Não. Não tinha ideia de que sacola era essa... Contudo, um pouco corado, levou o rosto até o sapinho, afastando-o rapidamente e completamente vermelho até as orelhas.
Sim. Havia o cheiro de Sangwoo naquele bichinho de pelúcia e estava radicalmente sem graça.
Espera...
— O doutor que você disse, é o Sangwoo?
Um 'óbvio' veio a sua mente, contudo, era uma daquelas situações que precisava confirmar, porque estava totalmente descrente do que ocorria ali.
Yejin confirmou com a cabeça, para completo choque de Bum, enquanto separava os lápis de cor, e já lhe entregava uma caixa nova: — Ele nos apresentou antes, mas... – ela deu um suspiro, levemente dramático: — Você não lembra... – lançou um olhar de piedade ao ômega.
O baixinho riu da pequena "Que fofa", pensou rapidamente, olhando a caixa nova e abrindo. De repente, a certeza de uma coisa invadiu sua mente. Retirou o lápis azul marinho e jogou no lixo, diante da menina... Ela sorriu, completamente de acordo.
Era isso... Ela não gostava daquela cor e por alguma razão, sabia disso...
Hm...
Talvez devesse prestar ainda mais atenção em sua intuição, já que sua memória parecia ter tirado férias por um tempo.
Fechou os olhos por um instante... Se pensasse em Sangwoo agora... O que sentia... Exatamente?
Amor
...
Sim, ainda o amava... Aliás, parecia muito mais forte e intenso do que conseguia lembrar que sentia...
E...
Mágoa
...
Por quê? Por que se sentia dessa forma em relação ao alpha? Alguma coisa aconteceu entre eles? Queria explicações, contudo, algo lhe dizia para não forçar.
Namorara Sangwoo?
Com certeza tivera ao menos um encontro com ele. Mas, por quê?
...
Voltou a fitar o sapo.
"Por que você não veio pessoalmente?" – suspirou, contudo, logo se voltou para a pequena que já começara a tarefa árdua de desenhar, sorriu, acompanhando-a. Tinha de se concentrar em outra coisa...
Por alguma razão, começou a desenhar estrelas e constelações.
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Seungbae estava nervoso, muito nervoso. Aliás, nervosismo era um apelido carinhoso para o que sentia. Nunca passou pela sua cabeça que reencontrá-lo depois de todos aqueles anos, o deixaria naquele estado emocional.
— Certo, você me comprou café e doces, o que quer afinal? – Lee sorriu presunçosamente. Não havia mudado nada. Obviamente estava mais velho, mas, essencialmente, parecia a mesma coisa.
— Bom... – Seungbae tomou um gole de seu café: — Um de meus alunos foi atropelado... – desviou o olhar, não acreditava que realmente estava prestes a pedir isso...
Não que Lee não fosse atender seu pedido, contudo, o relacionamento com ele sempre fora entre altos e baixos. Nunca tiveram algo, sempre foram amigos, entretanto, acabara se apaixonando por ele. Mesmo ambos sendo homens e alphas, praticamente um tabu na sociedade em que viviam.
Homens alphas não podiam – naturalmente – ter filhos, apenas se passassem por uma cirurgia, e ainda assim, as chances eram pequenas. O que fazia todos questionarem o porquê de dois homens alphas ficarem juntos...
No início pensou que era correspondido...
Seungbae fitou a xícara de café.
Pensou errado.
Suspirou.
Aquilo tudo estava no passado. Lee era um excelente detetive, e a amizade entre eles permaneceu mesmo depois que levou um fora. Queria ter continuado como antes, mas, às vezes é complicado ficar ao lado da pessoa que se ama e agir apenas como um amigo. Talvez agora, depois do tempo que passara, conseguisse essa proeza.
— Preciso da sua ajuda para descobrir quem fez isso. – disse sério.
— Hm. – Lee ficou reflexivo: — Normalmente isso fica a cargo da polícia, não? – comeu um pedaço do doce, sua glicose estava meio alta, entretanto, continuava gostando dos doces. Fazer o quê.
— Não. O Conselho Ômega pegou o caso... É um pouco complicado, preciso que você tenha uma abordagem diferente sobre o assunto...
— Entendo. – Lee fitou seriamente Seungbae: — Achei que tinha me chamado por outra razão. – ele estreitou os olhos.
Seungbae tossiu: — Por qual outra razão eu te chamaria?
— Dizer que me ama e nunca me esqueceu? – ele bebeu o café tranquilamente enquanto Seungbae engasgava.
— Como é? – o professor corou, e não, ele não era de ficar corado facilmente.
— Você parecia tão nervoso no telefone. – Lee riu abertamente.
Seungbae não sabia o que responder. Não esperava por isso... Lee sempre fora de fazer piadas, mas, nunca achou que ele brincaria com isso. Primeiro ficou sem graça, depois ficou levemente irritado, contudo, começava a se sentir magoado.
— Não sou de cometer o mesmo erro duas vezes. – disse enfim, não desviando o olhar e fitando o homem a sua frente.
Lee parou de rir: — Achei que quem cometera um erro fora eu, não você.
O professor ficou plenamente chocado, até que outro homem entrou na cafeteria, sentando ao lado de Lee: — Você estava demorando, droga, acha que tenho o dia inteiro pra te esperar?
Lee quebrou o olhar e voltou-se para o homem: — Este é Yang Seungbae, o amigo que te comentei, Seungbae, este é Park Jaebum, meu parceiro.
— Olá. Prazer. – comentou o rapaz com um sorriso de canto, quase travesso.
Seungbae teve de voltar do choque que entrara, ignorando seu coração traiçoeiro que havia acelerado com a declaração de Lee: — Oi. O prazer é meu. – disse sério, terminando seu café.
— Então, qual o nome do aluno? – Lee desconversou, voltando ao assunto inicial.
— Yoon Bum. – respondeu Seungbae, agradecendo a atitude do detetive.
— Yoon Bum...? Tenho a sensação que conheço esse nome... – murmurou Lee, pensativo.
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Sangwoo olhava as nuvens no céu, sentado em um dos bancos, do lado de fora do hospital. Já de banho tomado e trocado. Nunca esteve tão bem vestido em seu dia-a-dia, admitia isso.
— Eu vi o que você fez... Sério? Uma criança? – Seung sentou ao lado do alpha.
— Cada um luta com as armas que tem. – Sangwoo deu um pequeno sorriso, pegando um cigarro do maço em seu bolso.
— Você acabou de dizer que uma criança de seis anos, é sua arma, você tem noção disso? – o moreno pegou o isqueiro e acendeu o cigarro do líder.
— A Yejin tem cinco, não seis. – Sangwoo corrigiu, muito calmamente.
— Ah, tá bom. Desculpe não saber a idade exata da sua filha, senhor sem escrúpulos em usar crianças a seu favor... – riu Seung.
— Quê? – Sangwoo o fitou um tanto sem graça: — A Yejin não é... Ah... Deixa pra lá... – ele deu de ombros, e Seung riu mais alto.
— Bonhwa confirmou a amnésia dissociativa, e vai liberar as visitas amanhã. A conselheira foi embora com o rabo entre as pernas, a Jieun disse que a mãe vence fácil essa...
— O que você quer me contar afinal? – Sangwoo passou os dedos entre os fios de cabelo, liberando a fumaça do cigarro.
— Nós não fomos expulsos, mas, fomos suspensos. Só que teremos de pagar os danos ao hospital. Jihoon disse que não se importa de arcar com tudo em uma generosa doação, contudo, achei que era bom te contar. – o moreno deu um pequeno suspiro, a próxima parte é que era complicada... E ele perdeu no papel, pedra e tesoura para contar isso a Sangwoo: — Então... – enrolou um pouco: — O Jihoon viu o rapaz que você brigou na festa... Yoonjae... Conversando com os avós do Bum. – Seung desviou o olhar, entretanto, tinha plena noção que era observado: — Ele meio que já tá sabendo o que aconteceu e... – hesitou: — Também sabe dos horários de visitas...
— Como é que é? – Sangwoo fechou a mão, apagando o cigarro no ato. Yoonjae iria visitar Bum durante aquele período, enquanto ele, não podia se aproximar? Merda.
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