Destinados...?
39 Decisões
Bum despertou em meio àquelas paredes brancas que, sinceramente, sentia que nunca se acostumaria. Pegou o controle da cama e se posicionou melhor, olhando pela janela que já se encontrava aberta, depois olhou o controle da televisão...
Seu quarto era privativo, possuía uma vista muito bonita para o jardim do hospital e agora que parava para pensar sobre isso... Como, exatamente, um ômega pobre e sem ter onde cair morto, conseguia um quarto privado com bela vista e televisão?
A enfermeira entrou, lhe desejando bom dia. Tudo que sentia, era dor de cabeça.
— Hm... Bom dia... — respondeu educadamente — O médico... — fez um pequeno esforço para lembrar o nome de quem o atendeu no dia anterior — Dr. Park Bonhwa, já liberou meu celular? — falara com o doutor no dia anterior, antes de adormecer. Estava sem memória, muitas dúvidas e dores por causa da cirurgia do acidente que sofrera, mas ainda não era burro e tinha certeza que estavam lhe escondendo alguma coisa, por isso a estranha proibição de mexer em seu celular, o que pediu para ser anulado e o médico disse que 'pensaria' no assunto.
— Ele não me deixou nenhuma instrução a esse respeito senhor Yoon. — a enfermeira sorriu.
Correspondeu o sorriso e observou a bandeja que ela lhe deixara. Mais comida líquida. Pegou a colher para comer...
"Quero ir pra casa..." — pensou. Ficaria melhor em casa...
Hesitou.
"Casa...?" — fitou a comida seriamente.
Não tinha uma "casa", quer dizer... Tinha o dormitório da universidade... Não... Não era esse o local que queria ir... Também não era a casa de seus avós...
Largou a colher, massageando as têmporas.
"Eu odeio esse grande..." — estalou a língua — Vazio mental. — murmurou um pouco irritado.
— Senhor Yoon? — a enfermeira questionou, parecia não ter entendido muito bem o que Bum falara.
O pequeno suspirou. Não estava com fome, por isso colocou a bandeja de lado — Enfermeira... — olhou o crachá da moça — Kaa Hyuri... — ela lhe observou atentamente, parecia prestativa — Hm... Poderia me dizer como vim parar aqui?
Ela piscou — O senhor sofreu um acidente — Bum mexeu a cabeça negativamente, não era isso, se expressara mal.
— Não... Digo, sim, eu sofri um acidente e parei no hospital, mas em um quarto privativo? — questionou vendo se conseguia a informação que realmente importava ali.
— Bom, acredito que seu convênio médico? — ela parecia não ter a menor ideia.
— Não tenho convênio médico... — falou com sinceridade — Será que poderia verificar isso para mim, ou ao menos, me indicar como eu poderia verificar isso?
A enfermeira piscou. Definitivamente era muito ocupada para ver essas coisas, contudo, estavam na melhor ala do hospital e com certeza, se Yoon Bum reclamasse do tratamento desferido a ele, poderia ser demitida. Não queria ser demitida, tinha duas crianças para sustentar em casa. Suspirou. Uma passada na recepção e verificaria isso rapidamente — Me dê só alguns minutos senhor Yoon. — sorriu, tentando ser simpática — Coma seu café. — o observou e fez Bum entender que estava ocorrendo uma troca ali. Também não queria ser xingada por não conseguir fazer o paciente comer.
Bum suspirou profundamente, aceitando seu destino inevitável de comer aquela coisa. Pegou a bandeja vendo a moça sair do quarto e depois a colher — Vamos lá... Eu consigo... — deu uma colherada e levou a boca. Bom... O gosto era melhor que a aparência.
Não demorou muito para que a enfermeira Kaa Hyuri voltasse — Verifiquei o que me pediu. — Bum a fitou seriamente — Todas as suas despesas médicas estão sendo pagas pelo seu convênio. O senhor também pode pedir uma transferência imediata para o Centro Hospitalar Ah, de Seoul, se assim desejar...
O ômega engasgou, apesar de não estar comendo mais nada — Como é? — primeiro, nunca teve um convênio médico. Não tinha dinheiro para isso. Segundo, o "Centro Hospitalar Ah", de Seoul, era simplesmente o hospital mais exclusivo do país... Literalmente, para milionários. O que inferno estava acontecendo ali?
— O senhor deseja a transferência? Posso informar ao seu médico...
— Não! — Bum não sabia por onde começar. Ou aconteceu o milagre de sua avó ganhar na loteria que jogava uma vez por semana durante aqueles três meses... Ou, eles teriam de explicar muito mais do que o fato de não poder usar o próprio celular, apesar de poder ser transferido para o melhor hospital do país — Não precisa... Obrigado.
A enfermeira recolheu a bandeja e saiu sem entender muito bem porque Bum parecia tão surpreso. Ainda tinha muito trabalho a fazer e aquela corridinha a recepção atrasara seu cronograma.
Bum observou ao redor, havia flores, muitas delas, os desenhos de Yejin, o sapo de Sangwoo... Será que ninguém podia chegar nele e só falar o que aconteceu?
Suspirou, observando o programa tedioso de televisão.
~*~*~*~*~
Seung observou o fato de Sangwoo ter saído do hospital após conversar com o professor Bonhwa e não ter voltado desde então... Estranho. Para alguém que dissera que não sairia de lá tão facilmente.
Além disso... Tinha algo errado. Não com Sangwoo... Mas, com alguém da manada... Só que não era o líder, e sinceramente, não conseguia identificar de quem vinha o... Medo.
"E acho que o Sangwoo não está em condições de descobrir isso agora...".
Seung respirou fundo. Alguém da manada estava com medo. Contudo, não era algo aberto. Essa pessoa estava fazendo questão de tentar esconder esse sentimento... Como se sentisse vergonha ou algo assim...
Sua intuição dizia que mais merda aconteceria, entretanto, como avisar Sangwoo sobre isso? Seu líder estava um caco...
— Você está tão tenso que consigo ouvir os chiados dos teus pensamentos... — Min-Cheng sorriu, atraindo sua atenção. Aqueles dias estavam sendo o inferno, mas a garota lhe acalmava toda a vez que conseguia encontra-lo em uma de suas pausas. Não era sempre que ela o achava livre, entretanto, ficava feliz quando ocorria.
— Desculpe... É só... Sangwoo ainda não voltou e estou com essa sensação estranha... — Seung coçou a nuca.
— Ao ponto de nem prestar atenção na sua bela namorada que veio lhe trazer um café nos poucos horários vagos que podem compartilhar... — ela deu um suspiro dramático, obviamente, brincando com a situação.
Seung sorriu, pegando o copo de café que ela lhe trouxera — Obrigado, bela namorada que desviou todo o caminho até aqui...
— De nada, namorado insensível. — a garota correspondeu o sorriso, tocando no rosto do rapaz — Vai ficar tudo bem, ok? Sangwoo com certeza vai voltar e seja lá o que estiver te preocupando, você pode dizer a ele...
— É que ele está tão... Despedaçado, Min. Não sei o que fazer. Ele nunca ficou assim... E não consigo nem imaginar pelo o que está passando... — o rapaz suspirou, fitando profundamente os olhos da garota a sua frente.
Min-Cheng observou o namorado... Seung nunca lhe dissera que não sabia o que fazer. Ele sempre lhe parecia àqueles homens que tem respostas para tudo. Nunca o vira assim também, tão cansado... Na verdade, todos que encontrara da manada estavam daquela forma... Contudo, por mais preocupada que estivesse enfatizar o cansaço dele nesse momento não ajudaria. Respirou fundo e correspondeu a firmeza de seu olhar — Uma vez você me falou que Sangwoo é muito mais forte do que aparenta. Confia nessa força agora. Além disso, confia na sua intuição também... Se você acha que algo está errado, conte a ele.
Seung confirmou com a cabeça — Vou fazer isso. — e deu um beijo na garota. Tinha cada dia mais certeza que a amava e esperava que ela aceitasse entrar na manada, quando todos aqueles problemas amenizassem.
~*~*~*~*~
Myung-Hee observava o rapaz a sua frente — Serei direta. — falou, evitando chamar a atenção dos dois senhores que aguardavam ansiosos pelo início do horário de visita — Sou a melhor amiga do Bum e não gosto de você.
Yoonjae a olhou surpreso, se aproximando e falando baixo, também para não chamar a atenção dos senhores — E poderia saber o motivo de sua raiva por mim?
— Você teve a sua chance com o Bum, falou algo absurdo para ele quando terminaram e agora volta dizendo que o ama? Não sei o que quer, mas não me engana. E se acha que vou deixar você tirar proveito da amnésia dele, errou feio.
Yoonjae sorriu, contudo quando percebeu que a garota permanecia séria, suspirou — Olha... Eu era um adolescente, cometi erros...
— Erros? Erro foi você ter dormido com aquela garota. Isso foi um erro. Dizer que fez isso por culpa do Bum, sabendo o que acontecia com ele, isso não é um erro, é falta de caráter mesmo. — Myung-Hee permanecia séria — Eu não sei o que quer, entretanto, honestamente, se tivesse realmente algo bom na sua volta, você teria se desculpado e ido embora, não vindo com o papinho de 'eu te amo e nunca te esqueci'.
— Eu o amo e nunca o esqueci, não importa o que você diga. — Yoonjae falou com firmeza.
— Então, por que não se matriculou na mesma universidade que ele? Bum me contou que sempre quis ser Educador Infantil, e tenho certeza que falou a você também, a única universidade que tem o curso é a nossa, e você vai para outra? Para cursar Administração? Sendo que tem esse curso na nossa também? — Yoonjae a fitou surpreso e Myung-Hee sorriu — É, senhor No Yoonjae, eu fiz meu 'dever de casa'. Bum é meu melhor amigo... E ele é um pouco ingênuo demais, mas eu não. Seu papo furado de 'o amei o tempo todo enquanto estava fora', não rola. Me fala de uma vez por todas, por que você está querendo reatar com o Bum?
Yoonjae suspirou — Já disse, eu o amo. — Myung-Hee revirou os olhos — E só para te avisar, Lee Myung-Hee, não vou desistir dele tão fácil.
— Pois fique sabendo que, até antes de ficar com Sangwoo, Bum já tinha te superado. — a garota sorriu.
Logo uma enfermeira veio avisá-los que poderiam entrar. Myung-Hee levantou rapidamente, permanecendo distante do rapaz. Tudo naquele homem gritava "fraude", entretanto, não sabia como explicar isso aos avós de Bum ou ao próprio.
— Pelo bem do paciente, só podem entrar três pessoas por vez... — a enfermeira anunciou.
— Vocês três podem ir na frente, eu aguardo e vou depois... — se pronunciou Yoonjae.
— Quanta gentileza. — Myung-Hee falou com certa ironia — Mas, eu vou com você. Podem ir na frente... — ela sorriu para os avós de Bum que, sem entenderem muito bem o que ocorria, tomaram à dianteira e foram ver o neto.
Ao entrarem no quarto a avó correu em direção ao pequeno — Como você está? — questionou ficando ao seu lado.
— Bem... Eu acho... — o rapaz respondeu timidamente — Vó... Você pode me explicar o que está acontecendo?
A senhora olhou apreensiva para o marido, o médico dissera a eles que deveriam seguir o ritmo de Bum, contudo, se ele fazia uma questão como aquela, tinha vontade de revelar tudo...
— O que exatamente você quer saber, Bum. — o senhor sorriu, segurando a mão do neto.
— Como vim parar em um quarto privativo, o que... — hesitou, faria realmente aquela questão aos seus avós? Por alguma razão, se sentia um pouco sem graça em perguntar... — O que eu tenho a ver com Oh Sangwoo e a manada dele?
— Bom... Vocês estavam namorando... — o avô respondeu seriamente — Você até o levou a nossa casa, para nós o conhecermos... — sorriu gentilmente para o neto.
— Ah... — Bum corou. Não esperava por isso... Certo... Tudo indicava esse caminho, mas ao mesmo tempo... Ele e Sangwoo? Que tipo de apocalipse aconteceu para eles terminarem juntos?
"Juntos ao ponto de eu leva-lo a conhecer meus avós..." — estava um pouco chocado.
— De qualquer forma, querido, não force isso... Ok? — a senhora segurou com força a mão do neto. Estava preocupada e isso era nítido.
Bum suspirou profundamente. Não iria mais questionar, não queria sua avó mais tensa... Concluiu sozinho que provavelmente a manada de Sangwoo tinha algo a ver com sua estadia luxuosa. Conversou com os avós sobre banalidades e a pequena menina que veio vê-lo no dia anterior.
Apesar de terem ficado um longo período, o jovem teve a impressão que fora pouco. Se sentia sozinho ali... E quase pediu para eles não saírem, quando a enfermeira avisou que caso eles não se retirassem as próximas visitas não poderiam entrar.
— Voltamos amanhã querido, prometo. — sua avó sorriu e ele correspondeu.
Myung-Hee e Yoonjae entraram e o ômega ficou chocado ao ver o alpha lhe entregando rosas — vermelhas — "Obviamente", refletiu Myung-Hee que pensara em atirar aquele buquê pela janela quando o viu pela primeira vez.
Entretanto, a garota ficou feliz ao sentir o perfume acolhedor do líder de sua manada no local. Sim. Aquele quarto cheirava a Sangwoo, e isso era devido a um sapo de pelúcia que se encontrava ao lado de Bum. Sorriu para Yoonjae que não parecia estar apreciando o fato tanto quanto ela.
— Como você tá, bolinho? — a garota sentou ao lado do amigo, sorrindo.
— Bem... — Bum respondeu — Na medida do possível... Enfim, surpreso com algumas novidades. Quer dizer... — ele olhou Yoonjae — Isso é bem... Novo... Pra mim.
— Ah... Você não deve lembrar... — Yoonjae sorriu — Eu voltei há alguns meses Bum e bom... Estou tentando te conquistar de novo.
O moreno arregalou os olhos e virou o rosto para amiga — Ele é maluco. Ignora que vai embora. — Myung-Hee disse com simplicidade.
— Eu não irei embora. — Yoonjae parecia indignado — Bum, eu... — ele segurou a mão do rapaz — Eu te amo. Nunca te esqueci e... Gostaria que voltássemos.
Bum ficou em choque, Myung-Hee ficou puta.
— Você o quê...? — aquela dor de cabeça parecia estar voltando com força.
— Realmente, você não se aguenta, hein, Yoonjae. — Myung-Hee olhou indignada para o alpha — O Bum não está interessado! E ele namora o Sangwoo...
— Namora? — Yoonjae olhou sobriamente para Myung-Hee, que pela primeira vez, temeu o tom dele — Então, por que o namorado dele não está aqui?
A garota sentiu o sangue gelar. Tirando Bum, todos sabiam exatamente porque Sangwoo não estava ali. Incluindo o Yoonjae. Ele estava questionando aquilo de propósito... Só porque ela não podia falar.
"Desgraçado filho da puta!".
Ela sabia! Ela tinha certeza! Esse desgraçado ia jogar sujo!
— Porque... — ela olhou Bum, que a observava atento — Ele...
— Ele não se importa, nunca se importou! — Yoonjae foi mais rápido, fazendo a garota se levantar de raiva — Já que a mordida foi um acidente, é óbvio que ele não liga.
A boca de Myung-Hee abriu — Seu...! Não é isso... Ele não pode estar aqui, Bum! — ela virou para o jovem, mas ele parecia distante.
— Sangwoo... Me mordeu? — Bum não havia se visto no espelho ainda, contudo, todos os ferimentos que tinha achou que eram devido ao atropelamento. Tocou na nuca, sentindo pela primeira vez a cicatriz.
Fora mordido. Mordido por Sangwoo... Em um acidente.
Myung-Hee ficou calada por um instante, mas o olhar exigente de Bum a fez concordar com a cabeça — Só que não é bem assim, Bum... Vocês se entenderam depois... Deu tudo certo e estavam felizes...
— Por que ele não está aqui? — Bum questionou e Myung-Hee fechou o punho.
— Bom, por causa do acidente, provavelmente o vínculo de vocês rompeu. Você teve uma parada cardíaca, Bum... — Yoonjae se pronunciou e Myung-Hee quis mata-lo — Sem vínculo, sem obrigação...
—... O vínculo rompeu? — nesse momento, Yoonjae e Myung-Hee olharam sem entender Bum.
— Você não sabe? — Myung-Hee interrompeu seu ódio por Yoonjae por um instante, apenas para questionar Bum.
— Hã... Não? Quer dizer... Eu não sei como é um vínculo... Então, não sei dizer... Meu corpo e minha cabeça estão estranhos, mas, talvez?
— Porque o Sangwoo disse que não. — Myung-Hee sabia que Sangwoo mentiu, contudo se Yoonjae ia jogar sujo, ela também iria...
— Ele precisou dizer, né, você quis dizer... — Yoonjae se pronunciou fazendo a garota se virar totalmente para ele.
— Mais uma palavra e eu chamo o segurança. — não acreditava no quão baixo aquele homem nojento estava indo.
— Por que Sangwoo precisaria mentir sobre o vínculo? — Bum questionou e Myung-Hee sentiu seu peito apertar. Que droga. Queria dizer tudo ao amigo... Mas, isso envolvia mencionar o trauma, sem ele ter nenhum preparo e com nenhum psicólogo por perto. Loucura.
— Por que ele é o principal suspeito de atropelar você, Bum. — Yoonjae contou e Myung-Hee quis expulsá-lo do quarto, contudo, antes de abrir a boca, ouviu a risada característica de seu melhor amigo.
— O quê? — Bum ria muito — De onde tiraram isso? Que absurdo! — Yoonjae fechou o punho e Myung-Hee sorriu.
— Ele é o único que iria querer fazer isso com você, Bum. — Yoonjae insistiu — Iria querer se livrar de você... Te matar.
— Que horror... Por quê? Por que temos um vínculo? Não seria mais fácil se separar? Que loucura Yoonjae... — Bum ainda sorria.
— Você é muito ingênuo... — o rapaz murmurou.
Bum suspirou — Olha, Yoonjae.... Posso não me lembrar do meu namoro com o Sangwoo, mas eu sei que ele não faria isso... Arriscar tudo que construiu para se livrar de alguém? Não é o jeito do Sangwoo. — o ômega pareceu refletir por um instante — Parece mais o seu... — concluiu, dando de ombros.
— Eu jamais iria fazer isso! — o rapaz se defendeu.
— Eu sei... Também não consigo imaginar você atentando contra a vida de alguém, me parece meio extremo... Mas, é mais da sua personalidade esse "é tudo ou nada", do que do Sangwoo, entende? — Yoonjae se calou — E... Sobre você me amar... — Bum ficou um pouco sem graça — Hm... Eu sinto muito...
— Certo. Você não sente o mesmo. — Yoonjae suspirou e Bum deu um sorriso tímido — Mas, não vou desistir... Só queria deixar isso claro.
Bum piscou, Yoonjae já havia lhe dito aquilo antes... Algumas vezes...
"No carro dele..." — refletiu... Quando ele lhe dava carona...
E em uma festa...
Em uma festa onde aconteceu algo importante...
"Com o Sangwoo...? Não... Comigo... Ou foi com nós dois?" — Bum coçou a nuca "Que sensação estranha...".
— De qualquer forma, Yoonjae... Eu preferiria que você saísse. Se não se importasse...
Quando o ômega falou isso, pegou de surpresa os dois presentes fazendo o sorriso de Myung-Hee aumentar, apesar dela também ter ficado levemente chocada. Bum nunca fora um rapaz de muita atitude... E pelo visto, Yoonjae também fora pego de surpresa, porque sem pronunciar nenhuma palavra, apenas se retirou do quarto.
— Bum! Acho que essa perda de memória fez bem a você... — ela estava impressionada.
— Fez bem? Myung-Hee eu estou confuso... Não sei o que aconteceu comigo nos últimos meses, não há nenhum "bem" nisso... — ele se aconchegou melhor na cama que estava levemente dobrada, para que ficasse meio sentado enquanto conversava.
— Desculpe, é só que... Você dispensou o Yoonjae, e olha que estou esperando essa atitude faz tempo, mas você dizia que ele não era tão ruim assim...
— Bom, eu não acho ele tão ruim... Só que... Ouviu tudo que ele disse? — Bum se ajeitava na cama.
— Sobre o Sangwoo ser suspeito? É... Eu sei que é absurdo, mas, na realidade é-
— Não. Não isso. Soa lógico o Sangwoo ser o principal suspeito, é o que ele falou antes que me incomodou. Primeiro ele disse que o Sangwoo não vinha me ver porque não se importava comigo, não ligava agora que o vínculo estava rompido, contudo, logo em seguida, ele disse que o Sangwoo é o principal suspeito. Ele acha que sou burro?
—...? — Myung-Hee olhou confusa para Bum.
— Se o Sangwoo é o principal suspeito, é óbvio que tem uma ordem judicial que o impede de me ver. Isso é padrão. Lembra? Fundamentos de Direito Ômega. Eu prestava atenção nas aulas. Yoonjae sabia da ordem? — Myung-Hee concordou com a cabeça — Então ele tentou me manipular. Odeio isso. Por isso fui meio rude.
— Você podia pensar que ele fez isso porque te ama... — Myung-Hee deu de ombros.
— Amar não é manipular ou enganar. E... Por alguma razão, me senti mal quando ele disse que me amava... Acho que já o ouvi dizendo isso antes, não sei... — Bum passou a mão na cabeça.
— Provavelmente ele dizia isso o tempo todo... — a garota voltou a sentar do lado do amigo.
— Isso é tão... Estranho. Quer dizer, eu nunca imaginaria que o Yoonjae voltaria a aparecer na minha vida... Muito menos dizendo algo assim... E ele está tão...
— Gentil? É... Você estranhou isso quando ele apareceu à primeira vez.
Bum fitou Myung-Hee, tinha tantas perguntas... Mas se calou. Sabia sua situação ali...
Algo grave tinha acontecido e ninguém o estava forçando, insistir só deixaria todos desconfortáveis. Suspirou.
— Myung-Hee... — murmurou, sendo fitado imediatamente pela garota — Eu era feliz?
— Claro! — a jovem disse imediatamente — Bum, você estava muito feliz com o Sangwoo... Vocês formam um casal lindo e se amam... — ela sorriu.
Se era assim, por que não se sentia dessa forma? Por que quando pensava em Sangwoo vinha tristeza? Por que...
"Por que eu tinha de perder minha memória?".
De repente um segurança entrou no quarto — Senhorita Myung-Hee? — ele disse seriamente, assustando os dois ômegas.
— Sim? — respondeu a garota confusa.
— A senhorita deve se retirar do quarto...
~*~*~*~*~
Sangwoo voltou ao hospital próximo ao anoitecer. Ao chegar foi chamado por Seung e Jieun. Nenhum dos dois com boas notícias. O primeiro lhe avisava que havia algo errado com alguém da manada... Ótimo, mais dor de cabeça. A segunda para lhe dar a péssima novidade que a manada também recebeu ordem de restrição durante aquele dia...
— Minha mãe conseguiu tirar a antiga agente do conselho do caso, contudo antes de sair, ela fez isso... Ninguém da manada pode se aproximar do Bum... O pior é que estão realmente todos os nomes, incluindo a Myung-Hee...
— Que maravilha... — foi impossível evitar a ironia — E o que sua mãe pode fazer?
— Por enquanto... Nada. — a garota lamentou — Mas, a conduta da agente deve ser levada em consideração... É uma posição muito radical, minha mãe nem tem certeza em como conseguiram essa ordem tão rápido...
Young se aproximou devagar — Sangwoo... Podemos conversar?
O alpha olhou para a caçula da manada e estranhou o jeito retraído dela -... Claro. — tentou entende-la melhor através do vínculo que compartilhavam, mas ela evitava que sentisse muito de suas emoções, entretanto, como um eco ao fundo, havia um pouco de medo — Young... Aconteceu alguma coisa?
— Você nunca me contou... — ela murmurou e ele piscou confuso — Que participava de lutas ilegais...
Sangwoo ficou um pouco chocado, entretanto manteve a expressão neutra — Não queria envolver minha manada nisso...
— Eu poderia ter... Sei lá... — a garota desviou o olhar — Ele quer falar com você Sangwoo.
— Ele quem? — o alpha cruzou os braços.
— Chris. Christmas... Ele sabe que você é o Kailan... Me disse que quer apenas conversar com você, mas... Sangwoo... Ele é perigoso, sério.
— Eu sei disso. — o loiro estava chocado. Não esperava isso... Quando exatamente o líder da máfia local havia descoberto sua identidade? Achava que tinha sido cuidadoso...
— Uou. — uma voz desconhecida fez todos se virarem.
Young observou os dois homens que se aproximavam — Não acredito que os porcos da polícia estão aqui... — falou a garota em um tom particularmente audível.
Jaebum deu uma risada ríspida — Porcos? Não acho que a cadela de estimação de alguém deveria chamar os outros de porcos... — ele olhava diretamente para Young, era jovem e atraente, mas não deixou de levar uma bordoada na cabeça do homem ao seu lado.
— Cala a boca, Jaebum! — Lee fora quem bateu no parceiro sem dó — Olá. Acredito que você seja Oh Sangwoo... E como está, Ah Young, longe de encrenca?
— Não é da porra da sua conta! — Young falou irritada — E manda o seu parceiro medir bem as palavras comigo, ou eu meto mais um processo na porcaria da polícia! — a garota estava obviamente na defensiva — Da última vez, a indenização foi boa, deu até para reformar uma área do nosso hospital, mas pelo visto, não foi o suficiente...
— Desculpe os modos do meu parceiro, ele é novato. — Lee mantinha o sorriso, já estava acostumado com a insolência da garota... Na verdade, ficava feliz em vê-la sem ser para prendê-la. Ah Young era um caso raro de alguém que havia entrado na imensa teia de criminalidade do dito "Chris", mas que de alguma forma, saíra.
"Ou fora descartada...".
— Se é para saber sobre o Chris, ninguém aqui tem nada a ver com ele. E não o vejo há anos. — mentiu a garota.
— Não... — Lee estranhou o fato de Young ter mentido, duas vezes. Já interrogara tanto aquela menina que conhecia todos os seus trejeitos... Ela mentiu sobre ninguém ali ter nada a ver com ele... Ou seja, mais alguém da manada conhecia Chris. E mentiu sobre não vê-lo há anos...
"Que merda... Chris voltou a entrar em contato com ela? Por quê?".
— Nós estamos aqui para falar do caso de Yoon Bum, não sobre seu ex-namorado... — Jaebum tocava a cabeça resmungando. O tapão doera.
— Pensei que o Conselho Ômega iria fazer a investigação com o departamento deles... — Sangwoo estranhou.
— Sim, sim... Digamos que estamos aqui como um bico de investigador particular. Agradeça ao seu professor Seungbae. — Lee sorriu — Jaebum, vá colher os testemunhos, ok? Começando por Ah Young, antes que ela fuja... — Young já se afastava — Eu vou falar com Yoon Bum. E, Oh Sangwoo... Entendo que deve estar sendo complicado para você lidar com tudo isso, mas tenha paciência e não faça nenhuma bobagem. — o detetive foi para o quarto de Bum.
— A polícia... — Jieun se aproximou — Não sei se fico triste ou feliz com a interferência deles.
—... Foi o Seungbae que mandou... — Sangwoo murmurou.
— E o que tem isso? — Jieun não entendeu a lógica do alpha.
— Só... Os deixe quietos. Fala para sua mãe cooperar... Caso eles queiram algo.
— Certo. — concordou a garota enquanto via Sangwoo se afastar — Para onde vai?
— Esqueci algo no carro, até. — o alpha caminhou para seu automóvel, abrindo o porta-malas. Retirou sua mochila de lá e ligou o celular, no que viu uma mensagem.
Xristmas
Tenho uma proposta a você, Oh Sangwoo. Entre em contato.
"Que bosta..." — Sangwoo pensou lendo a mensagem mil vezes.
Não estou interessado.
Escreveu rapidamente, entretanto, em velocidade semelhante recebeu sua resposta.
Xristmas
Tem certeza? É de seu completo interesse.
"O que ele poderia ter do meu interesse?"
Sobre o que é?
Xristmas
Retirada de certos problemas. Se quiser mais detalhes, combinamos um local, o que acha?
Sangwoo não tinha ideia do que era proposto, todavia, não sentia o menor entusiasmo de encontrar um mafioso que poderia mata-lo com um estalar de dedos.
Continuo não me interessando, mas, agradeço a oferta.
Xristmas
Vou considerar que não está pensando com clareza, então, deixarei a oferta aberta.
Sangwoo desligou o celular e o jogou em um canto do carro. Estava com raiva, era muita merda de uma só vez.
"Que inferno."
~*~*~*~*~
Lee adentrou o quarto branco e observou Bum sobre a cama. O rapaz lia um livro calmamente.
— Você é Yoon Bum? — questionou já sabendo a resposta.
O garoto moreno observou o detetive um tanto desconfiado, mas logo concordou com a cabeça.
— Eu sou o Detetive Lee, da Polícia de Seul. Vim lhe fazer algumas questões, tudo bem? — Lee tinha plena certeza que aquela conversa não adiantaria, já sabia que o rapaz perdera a memória, contudo queria que ele tivesse certeza que podia contar com sua ajuda.
Os olhos de Bum se arregalaram ao observar melhor Lee, o que deixou o detetive confuso — Sr. Lee? Hã... O senhor é detetive agora... Parabéns. — e sorriu. Confundindo ainda mais o policial — Ah, não deve se recordar de mim, talvez nem se lembre do caso, mas quando ainda era novato, o senhor auxiliou no caso da minha mãe... Yoon Eunjoo...
Lee ficou surpreso. Yoon Eunjoo, jamais esqueceria aquele nome. Foi seu primeiro caso, uma prostituta encontrada em estado deplorável após ser mordida por diversos alphas e abandonada. Nunca esqueceria o olhar da criança para a mãe... Já que a avó afirmou não conseguir reconhecer a nora — que conforme ela, não via há anos. O menino fora o único disponível para fazer aquilo...
Foi horrível. Definitivamente se posicionou contra sujeitar uma criança ao reconhecimento do cadáver da própria mãe, entretanto, foi plenamente ignorado. Só queriam se livrar logo do corpo "estava ocupando espaço no necrotério", ao invés de esperar os pais da jovem serem localizados — as famílias do pai e da mãe da criança, não possuíam contato.
Levou pessoalmente o pequeno até o corpo, a reação dele diante do rosto desfigurado da mãe lhe cortou o coração. Ele a reconheceu de imediato. Sua frase exata foi "É a minha mãe. Ela está morta." — em algo que lhe pareceu um processo do ocorrido.
Aquela criança não chorou, nem gritou, nem fez diversas ações que vira muitos adultos fazerem durante aqueles anos. Apenas esticou a pequena e frágil mão, fechando os olhos dela.
"Agora ela está com o papai... Acho que está feliz.".
Com certeza... Jamais esqueceria.
— Yoon Bum. — repetiu o nome, recordando que, de fato, aquele era o nome da criança — Como está? — se aproximou, sentando ao lado do jovem.
— Bem... Apesar do atropelamento. — Bum sorriu. Ficava feliz em rever o policial, agora detetive, que ajudara no caso de sua mãe. Lembra que sem ele, o caso jamais teria sido solucionado — fora ele que pedira exames periciais mais específicos e que localizou os agressores.
— Sim. Fiquei sabendo. — Lee sorriu de canto. Aquele menino... Parecia destinado a tragédias. Seungbae lhe contara sobre o acidente, a perda da criança e da memória. Também sabia que não deveria mencionar a criança... — Seu professor, Yang Seugbae, entrou em contato comigo e me explicou a situação. Estou aqui para tentar outro ponto de vista.
Bum refletiu por alguns minutos — Que não acuse Sangwoo de cara?
— Não irei descarta-lo como suspeito, entretanto, tentarei outras abordagens. — Lee sorriu para Bum que correspondeu — Creio que não se lembre de nada daquela noite, correto?
— Sim. Não me lembro de nada. Sinto muito. — Bum se sentiu um pouco sem graça em não poder ajudar em nada.
— Não se desculpe... Já esperava por isso. De qualquer forma, você sabe de alguém que gostaria de te prejudicar? Ou machucar? — Lee questionou seriamente.
O moreno respirou fundo, pensando seriamente no assunto. Havia apenas uma pessoa que sabia que gostaria de lhe prejudicar... Mas, ele não sabia sua localização... Não que lembrasse...
— Meu tio, irmão do meu pai. — Bum falou seriamente e Lee retirou um pequeno bloco de notas.
— Me fale tudo sobre ele...
Bum detalhou tudo que sabia sobre o tio, nome, idade, onde morava e as motivações que o impulsionariam àquilo. Após anotar, Lee foi embora, não sem antes deixar seu cartão "Caso precise de qualquer coisa." — dissera.
Alguns dias se passaram, Bum se sentia melhor, apesar de seu corpo ainda doer em alguns momentos e a confusão persistir em sua mente.
Naqueles dias recebera visita apenas de Yoonjae, seus avós e Yejin. Sinceramente, a visita que mais gostava era da pequena. Seus avós eram gentis, mas pareciam pisar em ovos ao seu redor, e não confiava em Yoonjae para se sentir a vontade com sua presença. Já a pequena, apenas falava trivialidades e pintava, o que era extremamente reconfortante.
Mesmo sem receber visita direta dele, Bum via Sangwoo com certa frequência — na realidade, em todas às vezes que tinha de sair do quarto para fazer algum exame. Não sabia como o alpha arranjava tempo, contudo ele sempre estava lá, apesar de nunca se aproximar.
Entretanto, naquele dia específico, não tinha exames e queria muito encontra-lo. Era vinte e sete de janeiro, aniversário do alpha e desejava muito poder parabeniza-lo.
Por isso, saiu do quarto escondido usando sua cadeira de rodas e assim que avistou uma enfermeira, perguntou a ela sobre Sangwoo.
— O estudante Oh Sangwoo? Creio que está na área de descanso dedicada aos funcionários. — a jovem apontou para o corredor à direita. Não deveria ajudar pacientes nesse tipo de situação, mas só alguém muito alienado naquele hospital, não sabia sobre o caso daqueles dois. O estrago que Sangwoo provocou após a chegada de Bum, era histórico — Dobre aqui e depois à esquerda. Verá uma placa, "apenas funcionários", provavelmente, ele estará lá. — ela sorriu — Só não conte a ele que fui eu quem deu a dica. — e riu, seguindo seu caminho.
Bum seguiu o caminho indicado, entrando na sala com a placa. Era um local grande, parecia confortável com suas paredes em tom azul claro, armários e, ao fundo, camas de solteiros. A luz estava apagada, mas raios de sol entravam pela janela iluminando o rosto do único jovem adormecido naquele ambiente e um vento frio, característico daquela época do ano, bagunçava seu cabelo. Oh Sangwoo parecia em paz. Bum guiou sua cadeira até ficar próximo dele...
"Ele está tão tranquilo adormecido dessa forma..." — e tocou de leve nos fios que caíam sobre seus olhos.
"A barba está por fazer..." — pensou, antes de ouvi-lo resmungar e despertar.
Bum se assustou, prendendo a respiração enquanto Sangwoo tentava processar o que acontecia.
— Bum...? — questionou, sentando na cama.
— Oi... — o moreno respondeu extremamente sem graça — Eu... Eu sei que deve se manter longe de mim, só que, bom... Hoje eu queria — nisso a porta fez um barulho alto, assustando os dois.
Se Sangwoo fosse pego conversando com Bum — por mais que tenha sido iniciativa do mesmo — eles provavelmente não poderiam mais se falar nessa vida. Em um ato rápido — e um tanto desesperado — o loiro guiou a cadeira de rodas do moreno até dentro do armário onde se guardava todo o material de limpeza — único lugar grande o bastante para os dois e a cadeira. Fechando a porta em seguida.
As luzes foram ligadas e gemidos foram ouvidos. Bum fitou Sangwoo, que fez um óbvio movimento de "não sei o que tá acontecendo". Pela fresta do armário, ambos conseguiram ver um dos enfermeiros dando uma ajuda extra a um dos pediatras, fazendo Sangwoo bufar muito baixo.
O rapaz pegou o celular do bolso e digitou...
"Meu chefe. Não tem jeito, a gente vai ter que esperar.".
Mostrando para Bum em seguida. O moreno fitou apavorado Sangwoo, pegando o celular e escrevendo rapidamente...
"Você só pode estar brincando, né? Isso não é errado ou algo assim? Eles podem fazer isso aqui?".
Sangwoo leu e suspirou, enquanto os gemidos do enfermeiro aumentavam...
"Tecnicamente, eles não podem. Mas, em quem acha que vão acreditar? Num bolsista ou num médico?".
Bum leu e confirmou com a cabeça, mostrando que entendera a situação. Logo virou o rosto. O cheiro do alpha era desagradável...
Sangwoo tirou o casaco e colocou ao redor dele...
"Desculpe." — escreveu, mostrando ao pequeno.
Bum piscou e sorriu "Está tudo bem, de verdade..." — tinha escrito, até ouvir o rapaz gemendo mais alto.
— Gosta assim putinho? — dizia o médico enquanto puxava o cabelo do enfermeiro.
— Sim...! — o rapaz respondia.
Bum deletou a mensagem "Eu quero sair daqui!" — e olhou desesperado para Sangwoo, que sinceramente, concordou com a cabeça. Ele também queria...
"Sinto muito, de verdade." — escreveu o loiro, passando o celular novamente para o moreno.
Bum suspirou e então lembrou o que o levara até ali "Hm, eu vim até hoje para" — olhou a mensagem, não gostou, deletou, contudo ao fazê-lo, o aplicativo saiu da tela, mostrando o papel de parede.
Era uma foto deles... Juntos... Se beijando... Na neve...
A lembrança deles tirando aquela foto... Naquele encontro... Inundou a mente e o coração de Bum...
Sabia que o sangue fora para seu rosto e já não era mais devido aos pedidos do enfermeiro para o médico ir mais fundo...
Respirou fundo. Conseguia se lembrar daquele momento, daquele encontro e estava muito feliz... Então, por que quando pensava em Sangwoo agora, havia um tanto de tristeza em seu peito?
Olhou para Sangwoo de canto e percebeu o braço dele ao seu redor. Ele o protegia daquele cheiro pertencente àquele alpha desagradável... E... Se sentia bem em estar nos braços dele, apesar da tristeza...
Na realidade — acabou encostando sua face no peito de Sangwoo e fechou os olhos — precisava dele... Há dias sentia um vazio em seu interior, muito maior que sua perda de memória, e tudo o que queria, tudo o que mais desejava... Era ele ao seu lado, apesar da tristeza que vinha junto.
Sangwoo percebeu a movimentação de Bum e o abraçou protetoramente.
— Você está bem? — sussurrou em seu ouvido, preocupado.
Sentiu o menor balançar a cabeça positivamente — Só... Mais um pouco... — murmurou. Sangwoo começou a alisar os fios negros, suspirando ao sentir seu cheiro peculiar.
Logo os sons do lado de fora daquele armário se cessaram. Mas, nem Bum e nem Sangwoo, queriam mais sair dali...
Contudo, lembrando que se fossem pegos, as coisas piorariam, Sangwoo se afastou devagar — Podemos ir. — disse com um sorriso, verificando pela pequena fresta e abrindo a porta do armário em seguida.
—... — Bum ficou um momento em silêncio... — Sim. Melhor irmos. — sorriu para o alpha — Vou ir na frente. — disse sério, passando por ele com a cadeira — Ah! É verdade... — murmurou, parando o que fazia e virando o rosto na direção do loiro — Eu vim te dar os parabéns. — sorriu — Feliz aniversário Sangwoo! — e saiu, deixando o rapaz um tanto surpreso para trás.
— Tinha me esquecido disso... — Sangwoo murmurou para si, sorrindo.
O loiro esquecera o próprio aniversário... Nem tinha ideia de como era possível, entretanto, foi o que ocorrera. Sua mente andava tão ocupada com todos os problemas que apagara aquele fato... Contudo, naquele instante, o alpha pensou que ganhara um excelente presente e que seu dia estava particularmente bom.
Todavia, a ligação que fez a Jieun começou a mudar essa perspectiva...
— Não entendo, como assim "impossível", Jieun? — perguntou seriamente ao celular.
— Eles, de alguma forma, conseguiram os relatórios do Conselho Ômega... — a garota dizia em tom triste — Queria te dar uma boa notícia no seu aniversário, sinto muito... Eles sabem que você é suspeito de tentativa de homicídio.
— Mas... Achei que isso era sigiloso... — o alpha murmurou.
— Sim. Tecnicamente, é. Entretanto, a guardiã deu a entender que eles sabem Sangwoo... Assim que ela receber alta, irá para um orfanato... Não há menor possibilidade de você, ou qualquer um pertencente a sua manada, entrar com um pedido de guarda temporária até a adoção. Ela foi muito clara.
Sangwoo sentou — Esses lugares... Jieun... Dizem que são horríveis... Eu... — engoliu o seco.
— Eu sei. Também não queria que Yejin fosse para um local assim, só que nunca vi as coisas darem tão erradas Sangwoo... Parece que estão fazendo de propósito. — a garota suspirou.
O rapaz respirou fundo — Entendi. Obrigado. Me mantem informado. — após ouvir um 'ok', Sangwoo desligou.
Não acreditava nisso... Teoricamente, seu processo deveria ser sigiloso... Fitou o teto branco, sentindo-se triste... Se apegara a Yejin... Queria protege-la.
"Que merda!" — pensou antes de ouvir seu nome ser chamado pelo alto-falante.
Oh Sangwoo, por favor, se dirigir ao escritório do Diretor...
Sangwoo piscou algumas vezes, levantou e saiu da sala de atendimento. Estava em sua pausa, por isso ligara para Jieun. Avisou uma das enfermeiras de sua saída, logo pegando o elevador e indo para o escritório...
Será que descobriram que andava receitando para os pacientes? Mas, a Dr. Noh garantira que aquilo era seguro...
Saiu do elevador e entrou no escritório do diretor do hospital. O local era arejado, possuía lírios como decoração e uma estante onde se via diversos livros. Na parede se tinha fotos do diretor — quando médico, com alguns pacientes — e o diploma do mesmo.
— Olá, Oh Sangwoo, sente-se. — o senhor idoso indicou a cadeira a frente de sua mesa.
Sangwoo respirou fundo e se sentou — Boa tarde. — cumprimentou por educação.
O senhor sorriu — Boa tarde meu jovem. — ele suspirou — Serei direto com você rapaz... Estou recebendo pressão de uma parcela do Conselho Ômega para "dar um jeito na sua situação".
Sangwoo piscou — O que quer dizer?
— Eles consideram um absurdo que a "vítima" e o "suspeito" fiquem no mesmo ambiente. Obviamente, não há nenhuma lei que dê respaldo a eles, contudo, politicamente falando...
— Fica ruim para o hospital. — Sangwoo engoliu o seco.
— Exatamente. — o senhor juntou as mãos e fitou a janela rapidamente, antes de continuar — Além disso, muitos médicos estão preocupados com sua estabilidade mental. Afinal, você é o líder da manada que destruiu parte de nossa entrada... — Sangwoo ia se pronunciar, mas o diretor fez um gesto para que aguardasse — Estou ignorando todos esses apelos, pois a Dra. Noah fez um relatório muito favorável a seu respeito e do outro jovem que também trabalha aqui, além de um dos integrantes de sua manada ter feito uma generosa doação. Esse não é, de fato, o problema.
— O problema é meu processo... — Sangwoo complementou baixo.
— Sim. Sinto muito, contudo parte do nosso contrato é com o governo e o Conselho Ômega tem meios para interferir nesse contrato...
— E o que acontecerá agora? — o loiro perguntou sério.
O diretor respirou fundo — Irei suspender suas atividades no hospital até o caso ser encerrado. Isso não afetará, de forma alguma, seu currículo.
— Isso não é justo...
— Minha outra alternativa é expulsá-lo por prescrição indevida. — Sangwoo gelou — Sim. Eu sei como a Dra. Noah trabalha. O problema dessa alternativa é que não afetaria apenas você, que nunca mais poderia praticar medicina, e sim, todos os jovens que ela incentivou a esse tipo de prática, além é claro, da prisão dela.
—... Então, não tenho escolha além de aceitar a suspensão.
— Sinto muito.
— Posso ir? — Sangwoo questionou seriamente e o diretor indicou a porta.
— Assim que seu processo encerrar, você poderá voltar às atividades normais...
— Entendi. — o rapaz levantou e saiu, já retirando seu jaleco.
Parecia o inferno. Como aquilo chegara àquele ponto? O estavam tratando como culpado! Sendo que nem fizera nada...
Foi para a sala de descanso, abrindo um dos armários e deixando sua roupa ali, ao mesmo tempo em que pegava seu casaco. Não iria aceitar isso.
Não iria aceitar que destruíssem sua vida por algo que não fez e principalmente, não iria aceitar que o afastassem ainda mais de Bum.
Abriu o porta-malas de seu carro e tirou a mochila, percebendo que o celular não se encontrava ali. Suspirou e procurou pelo carro, encontrando-o enfiado no pequeno vão do banco de passageiro. Pegou-o e discou o número que tão bem conhecia.
— Oh Sangwoo... Não demorou tanto quanto pensei... — ouviu uma voz pouco familiar do outro lado da linha, não costumava falar com ele...
— Você realmente pode fazer meus problemas desaparecerem?
— Se você aceitar minha proposta... -
Sabia que aquilo o envolveria em algo extremamente ruim... Mas, já não ligava.
— Onde te encontro para os detalhes?
Christmas sorriu do outro lado da linha, sempre se surpreendia no quanto era fácil ter exatamente o que queria.
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